A vida chega e sangra sem perdão;
Dilacerando todo triste sonho.
Nada mais rutilando, resta o não;
O rumo deste barco é tão medonho.
Cicatrizes abertas; podridão.
Nas pernas que se quebram; eu me exponho.
A cada novo verso outra aversão.
Fui arrancado à fórceps, bisonho.
Amor que não teria, ledo parto.
Abortei das entranhas; meu futuro.
Das torpes cantilenas já me farto.
Perambulo vielas, salto o muro,
Talvez eu seja um verme; eu me procuro,
Do amor abandonado, eu me descarto.
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