Tudo vai se acendendo dentro em mim,
Assim como se fosse a primavera
Tardia que viesse no meu fim
Depois de tanto tempo em triste espera.
De longos, maus invernos de onde vim
Refém da solidão velha quimera,
Percebo o que não quis, mas vejo assim
A garra adormecida de uma fera.
Tudo vai transformando o que se fora
Forrando todo o peito em cicatriz.
Mas nada além do vago me decora
Apenas um sorriso por disfarce
Fingindo que por fim serei feliz.
Mas já não reconheço a minha face...
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