quarta-feira, 18 de abril de 2018

VENERO NOSSO AMOR

Venero nosso amor, tenha certeza.

Quem sabe não precisa discutir

O mundo que perdi está aqui

Nos lábios que refletem a beleza...


O rio deste amor, em correnteza

Carrega tantas dores que sofri.

Se o fio da meada eu já perdi

Encontrei no teu braço a fortaleza.


Amor que nunca pede um vil engano,

E traz a juventude como um pano

De fundo que reveste minha amada.


A noite que não trai traz Sebastiana

Em meio à fantasia mais temprana

És, pela vida afora, venerada!


MARCOS LOURES

AMARA

Responde ao que pudesse sem sentido

E o nada se adensando no meu peito

E quando no final já não me aceito

O tempo a cada engano dilapido,


Cansado de lutar, nunca duvido

E sei da solidão quando me deito

Rondando sem sentido o ledo leito

Meu canto de esperanças desprovido.


O prazo sem prazer e neste ocaso,

A luta sem vitória e já me atraso

Resulto do que tanto desejara,


A lua se aproxima e rege o mar,

Aonde poderia caminhar

Apenas a emoção atroz, amara.

MARCOS LOURES

O AMARGO FIM

Dos víveres diversos, prateleira

Dos sonhos não me trouxe este alimento

E quando no final ainda tento

Palavra aonde o nada enfim se queira,


A luta sem sentido, aventureira

Manhã enquanto possa em provimento

Do ledo desenhar escasso vento,

E nada se aproxima onde é ligeira


A lida não permite algum descanso

E quando no final a morte alcanço

Esvaio num segundo e sendo assim,


Depois de tanta noite em desafio,

A sorte diz do tempo mais sombrio

Ditame prenuncia o amargo fim.

MARCOS LOURES

DESDÉM

Tentara pelo menos um momento

De paz aonde nada mais havia,

Nem mesmo algum cenário em fantasia,

O mundo noutro passo desalento,


Esqueço o que pudesse pensamento

E morro a cada engano, poesia,

Navego pelo caos do dia a dia

E disto não cerzira o sentimento,


Apresentando ao fim o quanto trago

Dos erros procurando um mero afago

Divago sobre os tantos que inda vêm,


A luta se desenha em vã promessa

E o quanto na verdade recomeça

Apenas dita em nós tanto desdém.


MARCOS LOURES

UMA ALEGRIA

UMA ALEGRIA

Aonde uma alegria sempre alcança
Além do que talvez eu possa ver
A vida se trazendo em desprazer
Não deixa nem sequer vaga lembrança

De um dia aonde a sorte inda se lança
E mostra a divindade noutro ser,
Pudesse em radioso amanhecer
Vivenciar os lumes da esperança.

Mas vejo que, cansado, nada tenho
E mesmo quando vejo algum empenho
Do sonho tão cruel quando inocente

Eu bebo a podridão deste vazio
E toda a solidão sinto e desfio
Maior do que deveras se pressente...


MARCOS LOURES

SIMPLESMENTE

SIMPLESMENTE


Só isso, simplesmente, já me acalma
Saber dos meus fantasmas e enfrentá-los
A mão se lapidando em tantos calos,
A cada nova queda, novo trauma,

E sinto que se perdem dentro da alma
Momentos de raríssimos regalos
Sabê-los e vivê-los mesmo amá-los
É conhecer da vida toda a palma.

Mas sendo tão servil e insano creio
Tempestuoso mundo verte anseio
E nele me entranhando solitário,

Vestindo a falsa imagem que ora crio
Viver é com certeza um desafio
Um passo no vazio, temerário...


MARCOS LOURES

POR ENCANTO

POR ENCANTO

Tomado por encanto, adoradores
Dos mais diversos deuses encetando
Caminho tantas vezes duro, brando,
E nele seus poderes redentores,

Quem dera se somente fossem flores,
A espada muitas vezes desnudando
Na farsa de um cenário aonde um bando
Mergulha e dissemina seus terrores,

Aonde poderia crer que um Deus
Gerasse ao mesmo tempo o ledo adeus
E a fúria invés de amor entre os irmãos?

Somente numa mente doentia
A morte salvadora se faria
Tornando os nossos dias toscos, vãos...

MARCOS LOURES

ESPECULAR

ESPECULAR

Ao ver especular imagem minha
Desnudada figura envelhecida
Marcada pela angústia de uma vida
Que sei ser tantas vezes tão daninha

E quando a morte chega ou se avizinha,
A sorte se anuncia desprovida
De toda a maravilha e a despedida
Sem lágrimas aos poucos se adivinha.

Descrevo a minha senda sem pudores
E vejo após as chuvas, tentadores
Caminhos que me levem ao passado,

A juventude; esqueço em algum canto
E sinto do final doce acalanto
Momento tão temido e desejado...

MARCOS LOURES.

AS ESPERANÇAS

As esperanças riem; fartas, sonsas
E fazem dos meus dias histriônicos
Caminhos que se mostram desarmônicos
Guiando as fantasias, geringonças

Diversas das que tanto concebi
E o peso me envergando não permite
Se crer nalguma luz pós o limite
E dele não retorno mais aqui.

Esgarçam-se os meus últimos momentos
Em furiosas sendas, vago em vão
E sendo o meu destino o de um senão
Que tanto se perdera sem alentos

Espraiam-se os delírios numa tenda
Diversa da que o sonho inda desvenda...

MARCOS LOURES

ABANDONADAS 25555

Ao ver as tuas costas, nuas, alvas
Entranho por caminhos mais audazes
E sei que tantas vezes tu me trazes
Apenas tão somente estas ressalvas.

E delas quando expressas negação
Escondo os meus desejos e pereço
Enquanto solitário me envelheço
Momentos mais felizes voltarão?

Não creio em tal falácia e sigo assim
Estúpido palhaço sem juízo
E tendo muito mais do que preciso
Sem medo vou chegando mesmo ao fim.

Etéreas ilusões desenfreadas?
Há tanto tempo sei abandonadas...

MARCOS LOURES

terça-feira, 17 de abril de 2018

NOSSOS PASSOS

Unindo nossos passos eu pudera

Apascentar um pouco o quanto tenho,

A vida noutro rumo ou desempenho

Desenha com certeza amarga fera,


Gerando dentro em pouco o que se espera

E nada mais pudera enquanto venho

Presumo outro cenário e se desdenho

Meu canto na emoção atroz e fera


Repare cada estrela e veja além

O todo que em verdade sempre tem

Imenso sortilégio em poder crer


No errático caminho onde se vira

Apenas esta farsa, esta mentira

Matando num momento o amanhecer.

MARCOS LOURES

NOVA FACE

Já nada poderia quem provenha

A vida em nova face ou mesmo ainda

Enquanto na verdade o tempo blinda

A sorte desenhando nova senha,


E quando com certeza não convenha

Marcar o que decerto ora se finda,

Risonho caminhar não mais deslinda

E o tempo a cada passo não contenha,


Esbarro nos meus erros contumazes

E sei que no final nada me trazes

Senão a mesma ausência de esperança


O caos se apresentando dentro em mim,

Meu barco naufragando dita o fim

Do quanto cada cais já não se alcança.

MARCOS LOURES

SINTONIA

Levasse algum alento a quem sofria

Talvez a minha vida já mudasse

E nesta nova fase, clara face

Do quanto se traduz em sintonia,


O prazo no final nada traria

Sequer o que pudesse e se notasse

Ainda que deveras desnudasse

A sorte noutra face, em fantasia,


Esqueço dos meus dias mais atrozes

E sei dos desafetos, ledas fozes

Resumos de outros tantos sem segredo,


E o manto se puindo nada traz

Sequer o que pudesse ser audaz,

E ao fim de cada passo eu me concedo.


MARCOS LOURES

SOLITÁRIO

O canto da esperança não atinge

O sonho de quem fora mais atroz

E quando não se escuta a menor voz

O amor se desenhando qual esfinge,


Apenas do vazio ora se tinge

E segue sem destino, busca a foz

E o quanto poderia haver em nós

Sem ter qualquer alento, apenas finge.


Não veja mais o olhar de quem pudera

Numa expressão real e mais sincera

Pousar noutro momento mais tranquilo,


O quase se desenha noutro rumo,

E sei que no final tanto consumo

Enquanto solitário e em vão desfilo.


MARCOS LOURES

O CANTO MAIS AUDAZ

O canto mais audaz e mais sublime

Moldando uma esperança plena e viva

A sorte noutro engodo já nos priva

Do quanto poderia e não redime,


Ainda quando o tempo quer e estime

A luta se mostrara mais altiva

E o nada no final tanto suprime.

Voltando a quanto pude a sorte priva

Vagando sem destino por aí,

O todo sem saber eu já perdi

Mergulhos dentro da alma, reticente.


O prazo determina o fim de tudo

E quando sem sentido desiludo,

Apenas a tristeza enfim se sente.~

MARCOS LOURES

INÚTIL FANTASIA

O canto poderia ser diverso

E nesta sintonia presumir

O todo noutro encanto num porvir

Gerado pelo amor, novo universo,


E quantas vezes tento ou mais disperso

Meu passo sem sentido a permitir

A queda que no fim sempre há de vir;

No caos gerado após último verso.


Avesso ao que pudesse novidade,

Ainda quando a vida se degrade

Sem medo do que possa e não teria,


A luta se desenha sempre ingrata

E o corte no final tanto maltrata

Enquanto gera inútil fantasia.

MARCOS LOURES

AO MENOS

Ao menos poderia acreditar

Nos tantos caminhares noite afora,

E o passo se apresenta sem demora

Mudando cada estrela de lugar,


Vencido pelas lendas ao luar

O vento num instante nos devora

E o verso sem sentido desancora

O barco aonde pude naufragar.


Restando muito pouco ou quase nada,

Esta alma noutro infausto também brada

E gera em discordância o quanto veio,


Ousasse acreditar noutro cenário

A luta num momento temerário

Traduz dentro de nós um tosco anseio.

MARCOS LOURES

A MESMA LUTA

Nascendo do vazio, sigo vago

E tento caminhar entre tormentas

E quando no final não me apresentas

Sequer o que pudesse e já não trago,


Aonde se tentara algum afago

As horas são deveras violentas

E nestas fantasias mais sangrentas

O amor presume o fim, e assim divago.


Vestígios de outras eras? Não mais tenho,

O mundo se perdendo em ledo empenho,

Amortalhando o passo rumo ao nada,


A morte se aproxima e dita o quanto

Do todo poderia e não garanto

Senão a mesma luta que degrada.


MARCOS LOURES

SEMENTES DA ILUSÃO

No prazo aonde a vida determina

O quanto poderia e nunca veio,

Apenas desenhando este receio

O velho coração matando a sina


De quem já não conhece e se extermina

Pousando noutro engodo em devaneio,

O canto se aproxima e sem rodeio,

A luta na verdade não termina,


Esqueço os meus acordes e harmonia

O quanto no final já não teria

Acena com vazios dentro em mim,


O caos se gera então e nada vindo,

O todo que pudera ser infindo

Chegando sem defesas ao seu fim.

MARCOS LOURES

AO SEU FIM

No prazo aonde a vida determina

O quanto poderia e nunca veio,

Apenas desenhando este receio

O velho coração matando a sina


De quem já não conhece e se extermina

Pousando noutro engodo em devaneio,

O canto se aproxima e sem rodeio,

A luta na verdade não termina,


Esqueço os meus acordes e harmonia

O quanto no final já não teria

Acena com vazios dentro em mim,


O caos se gera então e nada vindo,

O todo que pudera ser infindo

Chegando sem defesas ao seu fim.

MARCOS LOURES

SOLIDÃO

Abrindo esta porteira: solidão

Ao menos pude ver alguma luz

E nada do que eu possa reproduz

Os dias que deveras volverão


Marcando dentro da alma a ingratidão

E quando na verdade assim me opus

O mundo desenhara em leda cruz

Somente as fantasias de verão,


O pranto se escorrendo a cada olhar

Pudesse na verdade imaginar

O rumo mais atroz e reticente,


Do prazo aonde o nada dita a regra

A luta a cada engodo desintegra

Cenário que deveras não desmente.


MARCOS LOURES

O CAOS A CADA INSTANTE

O tempo já sem tempo não pudera

Adicionar o sonho a quem se deu

Vencendo dentro em pouco o que foi meu

Não tendo nem sequer o quanto espera


A vida se desenha mais austera

E o passo se aproxima mais ateu

E o quanto do meu sonho se perdeu,

Marcando com terror cada quimera,


Ainda quando pude acreditar

Nos ermos de minha alma a me tocar

Rondando o que inda tenho por viver,


Apresentando o caos a cada instante

A sorte sem saber nada garante

Nem mesmo o quanto pude amanhecer.


MARCOS LOURES

NAVEGO

Navego contra a fúria das marés

E sei dos descaminhos mais frequentes

Aonde na verdade tu te ausentes

E sigo tantas vezes de viés,


Apenas recolhendo estas galés

E nisto meus destinos já pressentes

Marcando com ternura em evidentes

Momentos a ventura por quem és,


E sei do prazo apenas limitado

E quando no final aquém me evado,

Espero novamente algum momento.


Perdido e sem sentido mais algum,

O todo se adensando traz nenhum

Cenário enquanto o sonho ainda tento.


MARCOS LOURES

VONTADE

Não pude desejar senão a sorte

A quem se fez atroz e até mordaz,

A vida na verdade nada traz

Nem mesmo garantisse algum suporte,


Aonde houvesse o sonho como aporte

Deixando uma esperança para trás

O canto se apresenta mais tenaz

E o vento anunciando cada corte.


Numa expressão deveras promissora

A luta não traduz aonde fora

O quanto se quisesse e não podia,


Vencendo os meus enganos sigo em frente

E a cada novo passo que apresente

Eu passo a crer no amor qual regalia.


MARCOS LOURES

REGALIA

Não pude desejar senão a sorte

A quem se fez atroz e até mordaz,

A vida na verdade nada traz

Nem mesmo garantisse algum suporte,


Aonde houvesse o sonho como aporte

Deixando uma esperança para trás

O canto se apresenta mais tenaz

E o vento anunciando cada corte.


Numa expressão deveras promissora

A luta não traduz aonde fora

O quanto se quisesse e não podia,


Vencendo os meus enganos sigo em frente

E a cada novo passo que apresente

Eu passo a crer no amor qual regalia.


MARCOS LOURES

SE PERDENDO

Não pude nem sequer saber teu nome,

A sorte se escondendo a cada instante

O amor quando no fim nada garante

Aos poucos, sem defesas no consome,


E o todo se aproxima e nada dome

O ledo caminhar que doravante

Marcasse meu anseio degradante

E nisto esta emoção aos pouco some,


O caos gerado em nós, vazia rota

A luta no final já se denota

E noto este vazio dentro em nós,


A vida não permite outra saída

E quanto mais da dita se duvida

O rio se perdendo noutra foz.


MARCOS LOURES

ITINERÁRIO

Não pude e nem decerto eu poderia

A luta na verdade em vão se queira

Amor ao se perder, leda poeira

Marcando com angústia a fantasia,


O todo se desenha em agonia

O corte anunciando esta bandeira

E nada do que pude ainda esgueira

Matando pouco a pouco em agonia,


A morte se aproxima e dela eu sinto

Apenas o calor em ledo instinto

Um ato sem proveito e necessário,


A marca da esperança tatuada

Na face desde quando em alvorada

O mundo muda o etéreo itinerário.


MARCOS LOURES

UM CANTO VAGO

Não pude desenhar sequer o quanto

Amor já me traria novo passo,

E quando algum momento ainda traço

O todo se apresenta em desencanto,


Ainda quando muito não garanto

Sequer o que pudera em tal cansaço,

Destarte este caminho que hoje faço

Escancarando o peito dita o pranto,


Mergulho nos vazios costumeiros

Tentando conservar velhos canteiros

E nada do que pude ainda trago,


A luta sem porvir, o medo e a queda

O passo sem destino hora se veda

E gera dentro da alma um canto vago.


MARCOS LOURES

QUANDO VIESTE

Não pude acreditar quando vieste

Trazendo em teu olhar a hipocrisia

O quanto deste sonho poderia

Ainda no final sincero e agreste,


O sonho noutro prumo não se empreste

Apenas nos restando a fantasia

A sorte se desenha, alegoria

De um templo feito em luz, claro e celeste,


Ocasionando a queda de quem tanto

Pudera noutro passo e se me espanto

Aproximando apenas do meu fim,


Esgoto o meu caminho em nada ser,

Marcando com temor e desprazer

O resto ainda vivo dentro em mim.


MARCOS LOURES

O TEU PERFUME

Não pude nem sentir o teu perfume,

A noite não deixara qualquer marca

E o tempo quando o todo não abarca

Ao nada com certeza sempre rume,


E mesmo que pudesse por costume

Vencer a solidão, a vida é parca,

E quantas vezes; nada mais embarca

Sequer o quanto possa ou me acostume,


Esqueço os meus anseios, sigo só,

Do tempo sem ter tempo sou o pó,

A morte se aproxima lentamente,


E o tanto quanto quis e nada havia

Somente uma emoção em agonia

E a sorte num instante muda e mente.


MARCOS LOURES

NOS OLHOS

Não pude ter nos olhos horizonte

Diverso do que tanto procurei

Ao ver a mais sofrível, leda grei

Aonde meu caminho desaponte,


Resgato cada sonho em nova fonte,

E o tanto quanto quis e não terei

Ainda se marcando em regra e lei

Ousando noutro passo onde se apronte


Meu canto sem destino ou desafio,

Acende dentro da alma o mais sombrio

Cenário sem proveito e sensatez,


Destarte tantas vezes me perdi

Tentando inutilmente ver em ti

O quanto deste encanto amor não fez.


MARCOS LOURES

NEM SEQUER A LUZ

Não pude nem sequer tentar a luz

Aonde o medo dita a escuridão,

As horas no futuro mostrarão

Apenas o que o vago reproduz,


O sonho sem saber nem mesmo o pus

Nos cantos mais audazes, velho chão

Tentando desenhar aos poucos grão

Do tempo sem destino, faço jus.


Não amo e nem sequer pudesse ver

Após o meu caminho esmorecer

Um átimo diverso do que tenho,


E quando neste engodo meu empenho

Açoda cada passo rumo ao farto,

O tempo sem ter nexo; ao fim comparto.


MARCOS LOURES

ALÉM

Não pude e nem devesse ver além

Do quanto se quisera noutro engano

E sei que no final se me profano

Os erros do passado sempre vêm,


E o manto se desenha e segue quem

Traduz o mesmo corte em novo pano,

A morte na verdade um soberano

Caminho sem temor, medo ou desdém,


Esqueço dos meus dias quando tento

Vencer a profusão do imenso vento

E tanto quanto pude e nada veio,


Apenas reconduzo o passo aonde

O todo com certeza; jamais sonde

Além do mero ocaso em vão receio.

MARCOS LOURES

ESPERANÇA

Acende no meu peito esta esperança

Qual fosse tão somente a luminária

Aonde a vida mostre necessária

Enquanto esta canção agora amansa


O velho coração traz na lembrança

A vida noutra face temporária

E quanto poderia ser mais vária

A sorte se mostrara em aliança


Escassas horas dizem do futuro

E quanto mais deveras me asseguro

Do incauto caminhar em noite rude,


Apresentando apenas solidão

Os dias se desenham desde então

Aquém do que tentara ou mesmo pude.


MARCOS LOURES

NOITE FRIA

Acendo esta fogueira em noite fria

Junina maravilha em rara lua,

Ainda quando possa ou já flutua

Meu passo na verdade não viria


Deixando no passado a fantasia

Enquanto a sorte atroz não continua

Marcando cada passo além cultua

Gestando dentro em nós a poesia,


Aprendo com meus erros e somente

O próprio desvario não desmente

O rumo sem sentido nem proveito


Destarte sendo assim apenas isso,

O mundo mais audaz quando o cobiço

Traduz esta loucura onde me deito.


MARCOS LOURES

ME ACALMA

Acendes esta lua no meu peito

E bebes da esperança mais sutil

O quanto na verdade não se viu

E nem sequer decerto ainda aceito,


Esqueço o meu caminho e me deleito

Aonde poderia ser gentil,

Embora a própria vida seja vil,

No fundo deste poço, enfim me deito.


Acordo sem saber da direção

Dos passos que talvez já não verão

Sequer a luz do sol, porão desta alma,


E o medo se anuncia após a queda,

E quando no vazio se envereda,

Incrível que pareça: isso me acalma.

MARCOS LOURES

ESTA VONTADE

Acende dentro em nós esta vontade

De ser ou de tentar acreditar

Neste diverso mundo a nos tocar

Enquanto a própria sorte se degrade,


Apenas poderia em liberdade

Alçando novo tempo devagar,

Ao quanto pude então mesmo vagar

O sonho se transforma em tempestade,


Audaz momento diz deste futuro

Aonde o nada em nós eu asseguro,

Amortalhado sonho em tom venal,


Depois de cada instante sem saber

Do quanto a vida expressa algum prazer,

Meu canto se apresenta como um mal.


MARCOS LOURES

MEUS CENÁRIOS

Acendo os meus cenários neste gris

Momento aonde a vida não se traz

Senão numa faceta mais mordaz

Matando desde já o quanto eu quis,


Pudesse na verdade ser feliz,

E o corte se transforma e já se faz

Apenas o que possa e sigo atrás

Da sorte quando o tempo ora desfiz.


No foco da emoção, meu sentimento

Expressa o quanto quero e até provento

Fomentos do vazio deste engodo,


Somando os meus anseios e verdades

Ao mesmo tempo sinto quanto evades

Somente mera parte deste todo.


MARCOS LOURES

VELHA EMOÇÃO

Acesa dentro em nós velha emoção

Não mais nos caberia qualquer fuga

A sorte noutro passo em cada ruga

Do tanto quanto quis, mera expressão,


Os dias que decerto inda virão,

A solidão enquanto nos aluga

O tempo sanguessuga já nos suga

E deixa para trás o imenso vão,


Acordo após o tanto que sonhara

E vendo a noite imensa, intensa e clara

Razões para lutar encontro em nós


Do passo sem sentido me aproximo

E o quanto se desenha em alto cimo

Gerasse novamente um vento atroz.

MARCOS LOURES

UMA ESPERANÇA

Acendendo o sonho, uma esperança

De um tempo bem melhor, já não vivido

Ainda quando pude sem olvido

Vagar enquanto a vida ao longe lança


A sorte desenhada em temperança

O passo sem saber se desprovido

Do canto com certeza dividido

Aguardo dentro da alma esta mudança


E o prazo terminando nada traz

Senão este caminho mais tenaz

E resolutamente sigo só,


O corte se anuncia a cada instante

E a vida no final nada garante

Futuro se resume em lodo e pó.


MARCOS LOURES

NOTURNAS FANTASIAS

Acesas as noturnas fantasias

Aprendo com meus erros, mas prossigo

E tento caminhar longe, contigo

Enquanto novos tempos me trarias,


Ousando nas diversas fantasias

O joio se espalhando neste trigo,

Desejo pelo menos um abrigo

E nada na verdade mostrarias,


Resulto deste vago pensamento

E quando no final ainda tento

Seguir sem ter sequer algum segredo,


Ao passo mais sublime não me nego

Embora prosseguisse quase cego

Aos sonhos mais audazes me concedo.

MARCOS LOURES

AONDE OUTRORA

Acendeste uma vontade aonde outrora

Já nada mais havia, nem momento

Aonde se pudesse o pensamento

E a sorte desditosa me apavora,


O quanto deste sonho não aflora

Gerando tão somente este tormento

E quando noutra fato em vão eu tento

A própria solidão já nos devora.


O caos se presumindo enquanto fiz

O rústico cenário, a cicatriz

Marcada a ferro e fogo, sem proveito.


Ao fim de certo tempo nada tendo,

Retalhos desenhando este remendo

E apenas no vazio eu me deleito.

MARCOS LOURES

DO NADA

Do nada é que se vê

O quanto poderia

Gerar a fantasia

Na vida sem por que


O todo num cadê

A sorte em utopia

O mundo na agonia

Aonde em vão se crê,


Presumo novo fato

E quanto isto constato

Retrato o que inda trago,


Depois de certo ocaso

A cada novo atraso,

Decerto além, divago.

MARCOS LOURES

INVENTO

A vida se transforma

E gera tão igual

Caminho ritual

Idêntico em tal forma,


E assim cada reforma

Produz velho sinal

E nisto o pontual

Reflete a antiga norma,


Depois do que passaste

O todo sem contraste

Verás noutro momento,


E quando me difiro

Ousando o mesmo tiro,

O morto eu sempre invento.


MARCOS LOURES

RIQUEZA

Riqueza desvirtua

O olhar de quem procura

Imerso na loucura

Aquém da imensa lua,


E o nada se cultua

Gerando esta amargura

Invés de uma ternura

Que além sempre flutua,


Saber e conhecer

Tentar novo caminho,

E mesmo que daninho


Livrar-se do querer,

Gestando em fantasia

Bem mais do que teria.


MARCOS LOURES

VELHO DESERTO

Ao ver esta verdade

Diversa da que tenho,

Enquanto este desenho

A vida já degrade,


Transforma o sonho em grade

E nisto ora desdenho

E sei porquanto eu venho

Aquém da liberdade,


A morte da emoção

A leda sensação

Do quanto me liberto,


No rumo antes traçado

O passo sonegado,

Traduz velho deserto.


MARCOS LOURES

A LUTA

A luta que não cessa

Expressa o quanto vale

A vida em raro xale

A sorte sem promessa,


E o todo recomeça

Bem antes que avassale

No tom aonde exale

O mundo sem ter pressa,


Virtude se proclama

Supera qualquer trama

E gera muito além


Do quanto pude outrora

A face que me ancora

Somente a luta tem.


MARCOS LOURES

O PENSAMENTO GERA



O pensamento gera

A morte da esperança

E quanto mais avança

Maior resulta a fera,


E nisto o que se espera

Gestando em confiança

Promete uma mudança

E traz a nova esfera,


A luz insuportável

De um mundo tão mutável

Jamais traria a sorte,


Destarte o que se pensa

Ao fim não recompensa

Traduz somente a morte.

MARCOS LOURES

O DIA RENASCE 25556

DIA RENASCE


O dia enfim renasce alvissareiro
E nele não se vêm brumas atrozes,
E quando se percebem noutras vozes
O canto que pensara o derradeiro,

Mergulho meu delírio num tinteiro
E alçando fantasias mais ferozes,
Encontro os descaminhos, bebo as fozes
E sei do mar imenso, timoneiro.

Infaustos coletados pela vida
Apenas me preparo em despedida
Na lápide epitáfios não desejo

Assumo a derrocada de um poeta
Que tendo a fantasia se completa
Somente no vazio de um lampejo.


MARCOS LOURES

ALIVIADO

ALIVIADO


Beijo-te com carinho, aliviado,
E sei quantas quimeras enfrentei,
A sorte muitas vezes disfarcei
Em risos de ironia. Sei do fado

Que tanto tem por vezes destroçado
Caminho mais tranqüilo eu não trilhei,
E agora quanto mais longínqua a grei
Maior o meu desejo sem enfado.

Percorro os meus anseios e detenho-me
Nas furnas mais terríveis, mas embrenho-me
E sigo sem temer os vendavais.

Abismos corriqueiros, precipícios
Não deixo nesta estrada mais indícios
E sigo mesmo em tempos tão venais...


MARCOS LOURES

AMORES

AMORES


Ressonas sobre fronha e travesseiro
Pensando no talvez que nunca veio
O quadro se desenha e sem rodeio
O mundo não seria lisonjeiro.

Acordas e não vês o companheiro
E quando se percebe estando alheio
O gosto delicado de um recreio
Morrera há muito tempo em vão ribeiro.

Assédios tão comuns na juventude
Agora a fantasia não ilude
E a queda de um andaime é tão comum.

As pernas varicosas, olhos mortos,
Na vida coletados os abortos,
De amores que sonhara; vês nenhum...


MARCOS LOURES

O DIA RENASCENDO

O DIA RENASCENDO

O dia renascendo, iluminado,
Seria uma notícia prazerosa,
Mas quando não se vê sequer a rosa
O que farei do velho e agreste prado?

O peso em minhas costas demonstrado
Em noites claras traz a caprichosa
Verdade onde o prazer já nem mais goza,
E o templo que criei desmoronado.

Procuro pelas ruas o esmoler
Sabendo aceitarei o que vier
Esfaimado pedinte sem paragem.

E tendo no horizonte um sol vazio,
O estúpido caminho ora desfio,
Nublando dentro em mim tal paisagem...


MARCOS LOURES

APENAS

APENAS

Apenas um caminho

Jamais seria um fim,

E o todo dentro em mim

Aonde ora me alinho


Traduz o velho espinho

Exposto no jardim,

Embora tão ruim

E mesmo até daninho.


No passo sem medida

Ousando nesta vida

Princípio, fim e meio


Do quanto se alimenta

O sonho em tal tormenta

Dirige sem ter freio.


MARCOS LOURES

segunda-feira, 16 de abril de 2018

ERROS REPETIDOS

Visão já deturpada

Do quanto sou e quero

No fundo sendo fero

A sorte não diz nada,


Apenas nesta estrada

Ao ser sempre sincero

Matando o que venero

Negando o que me invada,


Restauro os meus enganos

E sei dos soberanos

Momentos presumidos,


Ao ver realidade

O mundo me degrade

Em erros repetidos.

MARCOS LOURES

UMA ALMA SONHADORA

Olhando esta figura

Já tanto apodrecida

Amarelada vida

O fim ora assegura


E o quanto se procura

A sorte dilapida

E tendo esta ferida

Expressa em amargura,


Apenas um retrato

Aonde o que constato

Deveras morto está,


E sei do quanto fora

Uma alma sonhadora

E morta desde já.

MARCOS LOURES

AMAR

A capa que reveste

Não vale o quanto tem,

E nisto sei tão bem

Do sonho mais celeste,


E mesmo sendo agreste

O passo diz de quem

Pudera ser além

Do quanto agora veste,


Amar o quanto se é

Bem mais do que tal fé

Pudesse desenhar,


Num âmbito diverso

A ti quando eu me verso

O todo diz amar.

MARCOS LOURES

O AMOR

O AMOR



O amor que nos tocando expressa a maravilha

De um tempo mais suave em plena claridade,

E nisto o quanto possa haver em liberdade

Traduz todo caminho aonde a luz palmilha,


Vivesse tão somente a sorte em rara trilha

Deixando para trás a dor quando degrade,

Traçando a cada passo esta felicidade

Que mesmo em ilusão, nos céus dos sonhos, brilha.


Encontro em teu sorriso, o quanto desejei,

O sol dourando imenso a bela e rara grei

Fomentando esperança em coração agreste.


Só sei do quanto possa haver em plenitude

No amor quando se entrega e nele mais que pude

Cerzindo imenso amor; que em paz já se reveste.


MARCOS LOURES

CONHECER

Pudesse conhecer

Ao menos uma parte

Em quantos se reparte

O todo de algum ser,


E neste esvaecer

O tempo sempre parte

E a vida, a sobeja arte

Não deixa-nos saber,


O quanto ser quem és

Ao menos de viés

Jamais tem tradução,


Destarte réu confesso

Em mim tanto tropeço,

Perdendo a direção.


MARCOS LOURES

O FATO DE SABER

O FATO DE SABER

O fato de saber

O quanto se pudera

Apascentar a fera

E nisto ter prazer


Moldando o novo ser

Traçando a primavera

E nesta nova esfera

O todo conhecer,


Enquanto na verdade

A vida num momento

Diverso; enquanto eu tento


Ainda ora se evade

Do tanto que há em mim,

Matando tudo enfim.


MARCOS LOURES

QUALQUER CANTO

QUALQUER CANTO


O quanto se procura

Liberta o pensamento

E traz noutro momento

A noite mais escura,


E sei desta loucura

Enquanto o novo eu tento

E bebo deste vento

Infausto em amargura,


Explode dentro em nós

O fato mais atroz

E disto sei do espanto


Lutando sem cansaço

O quanto ainda traço

Esbarra em qualquer canto.

MARCOS LOURES

A VIDA ENSINA

A VIDA ENSINA


A vida ensina e o fato

De em todo novo dia

Abrir a fantasia

Aonde eu já constato


A força de um regato

A luta em agonia

O quanto poderia

E nada mais resgato,


Somente o meu engodo

E nisto o quase todo

Expressa um rumo e verso


No quanto pude crer

E sei do amanhecer

E nele eu me disperso.


MARCOS LOURES

DECERTO

DECERTO

O máximo que vejo

Talvez seja este espelho

Aonde me aconselho

E sei ser tão sobejo


O quanto em azulejo

Deveras me ajoelho

E meto o meu bedelho

Além do que desejo,


Espero uma resposta

E nada mais viria,

A face em agonia


Ao ser assim exposta

Traduz a dor imensa

De quem, decerto, pensa...

MARCOS LOURES

NEGAR-SE À PRÓPRIA VIDA


NEGAR-SE À PRÓPRIA VIDA

Negar-se à própria vida

Não traz felicidade

Nem mesmo o que degrade

A sorte dilapida,


Gerando esta esquecida

Loucura que me invade,

Traduz a qualidade

Há tanto prometida.


Resumos de momentos

Aonde em desalentos

Ou risos; compartilho,


Jamais eu suportei

Obedecer à lei

Num cérebro-espartilho.


MARCOS LOURES

CARINHOS

CARINHOS

Carinhos que te faço

O tempo não sossega

A vida em rara adega

Presume num novo passo


E mesmo quando escasso

Supera a sorte cega

E além tanto navega

Vagando em cada traço,


E sei do quanto possa

Verdade sendo nossa

Ousar noutro momento,


E o pântano passado,

O dia degradado

A solidão fomento.


MARCOS LOURES

SEM TER MOTIVOS


SEM TER MOTIVOS

Amar sem ter motivos

Que gerem nova fonte

Abrindo este horizonte

Além dos lenitivos


Estamos bem mais vivos

Aonde o todo aponte

Criando a rara ponte

Sem sermos, pois cativos.


Expresso em verso e paz

O quanto que se traz

E gesta novo sonho,


E nisto o meu caminho

Enquanto em ti me aninho

É mais do que eu proponho.


MARCOS LOURES

A VIDA SE REPETE

A vida se repete

Nos erros costumeiros

E gera dos canteiros

Apenas o que afete


E marca o que compete

Ao todo em derradeiros

Momentos verdadeiros

Pintando sempre o sete,


E o todo não pudesse

Ainda mesmo em prece

Trazer algum alento,


E sei do quanto pude

Embora mesmo rude,

Um dia em paz eu tento.

MARCOS LOURES

TEU CHEIRO

TEU CHEIRO


Eu posso te tocar, sentir teu cheiro;
Mas se equivale ao que pensara,
Desvio o rio em foz diversa e clara
E quando me percebo só me esgueiro.

Estranho o descaminho e vou ligeiro
Numa ânsia sem igual a alma declara
O medo que este olhar torpe escancara
Diverso do meu mundo corriqueiro.

E beijo em meus destinos, descalabros,
Altares sem sequer os candelabros
Desabo e percebendo tais ruínas

Ainda te gargalhas e ironia
É tudo o que deveras anuncia
Tua alma. Mesmo assim tu me dominas...


MARCOS LOURES

CONTRASTE

CONTRASTE


Estás comigo, amada, aqui ao lado
E sei dos tão diversos dissabores
Gerados pelos medos, vãos temores
Há tanto que protelo o anunciado

Momento toscamente desejado
Ainda que desvende em ti as flores,
Desejos muitas vezes tentadores
E neles ao final, um mero enfado.

Astuciosamente se percebe
O vário colorido desta sebe
Mesquinhos os abismos que traçaste

E neles minha queda se anuncia
Gerando o desfazer da fantasia
Enquanto tu te ris, tolo contraste...


MARCOS LOURES

TROPEÇO

TROPEÇO

E vejo que não foi; querida, assim
O mundo que traçara no passado
O gesto repetido cancelado
Percorro e já sem flores o jardim

Estúpida quimera vê ao fim
O tempo com certeza mais nublado
E quando se percebe o torpe Fado,
Acendo o que me resta: este estopim

Bombásticos delírios de um poeta
E tendo a minha vida em frágil seta
O peso das vergastas não esqueço,

Não fora mesmo assim, minha querida,
Invalidando enfim a tosca vida
Marcada a cada queda, em vão tropeço.


MARCOS LOURES

JARDIM


JARDIM

O quanto que se quer

E o tanto quando traço

Mudando a cada passo

Num ato em vão, qualquer,


O todo sem sequer

Saber do mundo escasso

E nisto sem cansaço

Enfrento o que vier,


Mas sei do quanto em mim

Traduz o ledo fim

Ou mesmo um novo rumo,


Destarte sendo assim,

Cevando o meu jardim,

Em vago sonho esfumo.

MARCOS LOURES

RAIAR

RAIAR


O quanto se adivinha

Ou mesmo se produz

Ousando numa luz

Que há tanto já continha


A sorte tão mesquinha

Enquanto nos conduz

E traz aonde eu pus

A senda jamais minha,


Futuro se escondendo

E nisto algum adendo

Impede o deslumbrar


Do quanto ainda vejo

Ou mesmo até desejo

Aos poucos vai raiar.

MARCOS LOURES

DIA A DIA

DIA A DIA

O dia a dia ensina

Embora deturpando,

A sorte em contrabando

Por vezes cristalina


Ou mesmo determina

O passo em ledo bando

E assim nos informando

Transgride a velha mina,


Esperas entre quedas

E quando ora enveredas

Por sendas mais diversas


Os passos entre tantos

Em rústicos encantos

Aos poucos tu dispersas.


MARCOS LOURES

NÉSCIO

NÉSCIO


Ao ver-se já desnudo

O ser humano exponha

A face mais medonha

E nisto me amiúdo,


O todo diz, contudo

Do passo na enfadonha

Verdade que se oponha

Ao todo onde me iludo,


Esqueço o quanto pude

Vencer o passo rude

E ter noutro cenário


Um variável passo,

E sei que enquanto eu traço

Sou néscio e temerário.


MARCOS LOURES

LEDAS MENTIRAS


LEDAS MENTIRAS

O fato não se muda

Conforme se repita

Nem gera uma pepita

Na sorte mais miúda,


O quanto nos acuda

Deveras não permita

Nem mesmo delimita

A luta em rara ajuda,


Verdades são eternas

E trazem as lanternas

Que ditam seu futuro,


Porém ledas mentiras

Enquanto em vão atiras

Não trazem cais seguro.


MARCOS LOURES

TEMERÁRIO

TEMERÁRIO

A força que supera

As ledas diferenças

Enquanto te convenças

Gerando em ti tal fera,


A luta diz quimera

E trama contra as crenças

Marcando aonde pensas

Com dor que destempera,


Matando o quanto possa

Diversa desta nossa

Vontade outro cenário,


Assim imensamente

Mesmo que a vida mente,

O homem é temerário.

MARCOS LOURES

O MEU FINAL

O MEU FINAL

Numa alegria augusta; eu me aprofundo
Embora saiba bem a estupidez
Que a cada passo dado, mais tu vês
E dela sem defesas vou ao fundo

E vendo destroçado um peito imundo
Tomado por total invalidez
O peso do passado já desfez
A rota de um canalha vagabundo.

Apertando este cinto eu sei o quanto
O bêbado caminho em desencanto
Não poderia dar sequer sinal

E o vandalismo invade cada passo
E quando novo rumo ainda traço,
Aguardo tão somente o meu final...

MARCOS LOURES

DESTROÇOS

DESTROÇO

Pensara que este estúpido destroço
Vagando pelas ânsias do não ser,
Ao crer no emaranhado de um prazer
Além do que em verdade já não posso,

Esgueiro-me entre redes e mortalhas
A serpe me acompanha em risos fartos,
Aonde imaginara novos partos
Apontam-me os olhares várias falhas.

E sei que talvez tenha tal coragem
De em falsas ilusões não mergulhar
Salgando com as lágrimas meu mar
Aonde não se vê sequer miragem,

Desertos me acompanham desde cedo,
E aos vastos deste nada eu me concedo...


MARCOS LOURES

PESADELO

PESADELO

Um pesadelo horrível num segundo
Anunciando o fim da poesia
E quando esta verdade já se urdia
Deixara há muito tempo o tosco mundo

Retrato o meu passado tolo e imundo
Enquanto um novo tempo se recria
E nele morta em dor a fantasia
O velho coração de um vagabundo

Anseia algum momento em abundância
Revive o sortilégio de uma infância
Aonde o privilégio de sonhar

Vivenciara sempre com prazer,
E agora ao se notar e nada ver
Mergulha no vazio especular...


MARCOS LOURES

JUNTO A MIM

JUNTO A MIM

Sentindo o teu respiro junto a mim
Eu vejo retratado o quanto fora
A vida em falsas luzes, tentadora,
Num átimo em teu lábio carmesim

A angústia discernindo de onde vim
Uma alma muitas vezes sedutora
Morrendo ao se sentir reveladora
Extremamente estúpida; eis meu fim.

Não posso desvendar velhos mistérios
E quando o tempo dita seus critérios
As farpas penetrando em carne viva

São pregos e tenazes que me prendem
E os sonhos finalmente já se rendem
Enquanto a fantasia agora priva...


MARCOS LOURES

TRAGO ORA COMIGO

TRAGO ORA COMIGO

O novo mata o antigo

E discrimina o fato

Do quanto não constato

E trago ora comigo,


A sorte aonde abrigo

Mudando eu já retrato

No canto enquanto abstrato

Não traz qualquer perigo,


E assim em barbarismo

O quanto além eu cismo

Matando o que é senil,


Destarte nada levo

Jamais sendo longevo

Jamais se repartiu.

MARCOS LOURES

DIFERENÇAS


DIFERENÇAS

Das diferenças nasce

A discriminação

O que virá então

Ao velho já se espace


E quando se notasse

Diversa direção

Os novos matarão

O velho noutra face.


E o tanto que podia

Unir em fantasia

Apenas não constróis


Quais fossem diferentes

Os medos que tu sentes

Também diversos, sóis...

MARCOS LOURES

DIVERSO

DIVERSO

A vida se desenha

No olhar de algum artista

E o quanto além persista

Gerando onde se empenha


Aquece a velha lenha

E nada mais resista

À força onde se assista

O todo que contenha,


A vida sendo bela

Na tela se revela

Desnuda de um defeito,


E traz a todo olhar

O quanto imaginar

Diverso do que aceito.


MARCOS LOURES

DE PAR EM PAR

DE PAR EM PAR

De par em par, querida, a mesma dança
A vida se enlaçando com a morte
Sem ter quem na verdade ainda aporte
O brilho necessário, sem mudança

Ao deus dará meu sonho já se lança
E nele com certeza sem um norte,
Aprofundando sempre mais o corte,
Quem tenta novo dia nunca alcança.

Assomam-se terrores mais freqüentes
E quando tempestades tu pressentes
Assisto à derrocada em camarote.

Heréticas manhãs não me seduzem
E os dias ao final quando conduzem
Preparam com prazer último bote...


MARCOS LOURES

NADA NOS CALA

E assim, nada nos cala, nem alcança,
Tampouco nos trazendo algum prazer,
Inércia costumeira posso ver
Nas mãos de quem matou minha esperança.

A sorte se mostrando em tal vingança
Sorrindo de soslaio me faz crer
Que ao menos poderia parecer
Melhor quem no vazio ora se lança.

Ocasos em terrível firmamento,
E quando novas sendas inda tento
Atento aos dissabores, não me culpo,

E verso sobre o tanto que talvez
Ainda nunca viste e já não crês
E o fim em sordidez agora esculpo.


MARCOS LOURES

EXPÕES

Nós somos passageiros da alegria?
Quem dera minha amiga, quem me dera...
Aonde se escondeu a primavera
Que o inverno nunca mais nos largaria?

Espreito da janela e bem queria
Matar se ainda viva fosse a fera,
Mas quando a fantasia nos tempera
A boca escancarando uma ironia.

Exaltamos loucuras e fantoches
Expondo nossos dias aos deboches
Sarcásticos palhaços, dois bufões.

E temos histriônicos caminhos
Medonhos, mas sublimes passarinhos
Que matas quando em risos tu te expões...


MARCOS LOURES

NADA REDIME

O quanto me conheço

Assusta-me deveras

Ser fera que entre as feras

Traduz meu endereço


E nisto reconheço

Diversas, fartas eras

E quando destemperas

Marcante este adereço,


Ousando ser diverso

Do quanto ainda verso

Tentando o mais sublime,


A luta sem cansaço

Olhando o quanto escasso

Eu sou, nada redime.


MARCOS LOURES

DESATINO

A sorte variante

E traz a cada passo

O quanto agora escasso

Futuro deslumbrante


E nada mais garante

Sequer algum espaço

E quando o sonho eu traço

O mundo noutro instante,


Cenário em tons sombrios

Ou tantos desafios

Destino eu não domino


E sei do quanto errático

O passo sem ser prático

Traduzo em desatino.


MARCOS LOURES

A COISA

A COISA é mansa mas atropela.



O quanto se permite

Num passo mais audaz

Transforma a velha paz

Além deste limite


E o quanto delimite

O rumo aonde traz

O tanto quanto faz

Ou mesmo se acredite.


Negando algum aporte

Traçando novo norte

A nisto a clara tela,


A mansidão de fato

Tramando onde a constato

Também nos atropela.


MARCOS LOURES

SEQUER UMA ALEGRIA

O quanto se inebria

E gera outro momento

Aonde em provimento

A sorte não traria


Sequer uma alegria

E quando além eu tento

Vencer qualquer tormento

Gestado em agonia,


O caos se permitira

E nisto ainda fira

Quem tanto quis bem mais,


Vestindo a mesma face

Do quanto se mostrasse

Em atos tão boçais.


MARCOS LOURES

ALGUM ALENTO

A vida dita em regras

Diversas o que tanto

Pudesse e não garanto

Aonde não integras


As sortes desintegras

E traças desencanto

E nisto um novo canto

Enquanto não te alegras,


E sei do mais dorido

Caminho permitido

E nada mais teria


Ousando neste adeus

Os dias todos meus

Mataram a alegria.


MARCOS LOURES

MATANDO A ALEGRIA

A vida dita em regras

Diversas o que tanto

Pudesse e não garanto

Aonde não integras


As sortes desintegras

E traças desencanto

E nisto um novo canto

Enquanto não te alegras,


E sei do mais dorido

Caminho permitido

E nada mais teria


Ousando neste adeus

Os dias todos meus

Mataram a alegria.


MARCOS LOURES

NO AMOR QUE EU TRAÇO

Perfume diz espinho

E a sorte do canteiro

Enquanto além me inteiro

De um tempo mais mesquinho


E assim eu me avizinho

Do quanto aventureiro

Caminho derradeiro

Vencendo outro daninho,


A sorte onde se queira

Esboça a trepadeira

E adentra noutro espaço


Destarte continua

Bebendo inteira a lua

No amor que agora eu traço.


MARCOS LOURES

MEU MUNDO

Meu mundo se apresenta

No quanto se traduz

O passo em plena luz

Vencendo a turbulenta


Noção que se sangrenta

Expressa o que conduz

E nisto enfim me pus

Na tez mais virulenta,


Esqueço cada engano

E sei do soberano

Caminho em claridade,


Ainda que pudera

Vencer a dura fera

Que aos poucos nos degrade.


MARCOS LOURES

RITUAL

Mergulho nos teus braços

E bebo em tua pele

O quanto me compele

Amores entre passos


Os dias mais devassos

A sorte me atropele

E o tempo se revele

Na luta em novos traços


Resumos de outras eras

E nisto sei que esperas

Apenas o sinal


Gerado pelo sonho

Aonde o que componho

Traz passo em ritual

MARCOS LOURES

ANCORAR EM PAZ

Não quero outro momento

Nem mesmo a noite fria

E o quanto poderia

Trazer aonde eu tento


Vencer o sofrimento

E crer na fantasia

Gerando a poesia

E nisto eu me alimento


Pousando devagar

Aonde possa amar

Quem mais queria outrora


O passo rumo ao farto

Decerto eu não descarto

E o barco em paz ancora.

MARCOS LOURES

DESAFIO

Num átimo eu mergulho

E vago em tal abismo

Gerando enquanto cismo

O mundo em raro orgulho,


Ainda sendo entulho

O prazo em cataclismo

E sei de cada sismo,

Em vão tudo vasculho


E bebo a amarga senda

Aonde se desvenda

Apenas o vazio,


E o todo que pudera

Apascentar quimera

Agora eu desafio.


MARCOS LOURES

DESAPONTE

Levando a vida ao fim

Depois da tempestade

O quanto desagrade

O prazo gesta enfim


O todo noutro sim

E sem a liberdade

A morta ansiedade

Traduz o nada em mim,


Escuto a voz do vento

E quando busco e tento

Saber de nova fonte


Apenas a semente

Morrendo se apresente

Aonde desaponte.

MARCOS LOURES

PURO AMOR

Falar do puro amor que nos domina

E gera novo tempo vivo em nós,

O tempo se renova logo após

A senda que se fez tão cristalina,


Vencendo o sofrimento, determina,

Um dia mais feliz deixando os pós

Da estrada que já fora tão atroz

Refaz esta esperança, uma áurea mina.


Jamais mergulharia neste engano

De um mundo quando o sonho desumano

Tomasse ora de assalto o dia a dia,


Perfaço o meu caminho mansamente

E tendo esta ventura que alimente

Imerso na emoção da poesia.


MARCOS LOURES

DÚVIDA

Virtude não precisa

Nem busca recompensa

Além do quanto vença

A sorte mais concisa,


E nisto em fúria ou brisa

O mundo se convença

Do todo em que esta crença

Deveras não avisa,


E o prazo determina

O quanto dita a mina

Vagando noutro senso,


E o coração liberto

Bem mais do que eu desperto

Transcende ao quanto eu penso.

MARCOS LOURES

AO QUANTO EU PENSO

Virtude não precisa

Nem busca recompensa

Além do quanto vença

A sorte mais concisa,


E nisto em fúria ou brisa

O mundo se convença

Do todo em que esta crença

Deveras não avisa,


E o prazo determina

O quanto dita a mina

Vagando noutro senso,


E o coração liberto

Bem mais do que eu desperto

Transcende ao quanto eu penso.

MARCOS LOURES

OUSANDO

Deturpações ousando

Num ato mais cruel

Traçar novo papel

E tudo transmudando,


Seguir em contrabando

No fato além do véu

Um dia em farto fel

Invés de outro mais brando,


O quanto se complica

Enquanto não se explica

Gerasse tão somente


Um mundo mais diverso

E neste me disperso

Matando uma semente.


MARCOS LOURES

CONTRASTE

Contraste dita a glória

E trama em variado

Desenho o nosso fado

Mostrando o cume e a escória


A noite na memória

Num tempo demarcado,

Enquanto além invado,

A sorte merencória.


O prazo determina

O fim e nossa sina

Expõe diversa face,


E nisto se pudera

Viver em primavera,

Ou neve nos tocasse.


MARCOS LOURES

LUZ DESTE FAROL - SELMA

Deus protege quem ama e não maltrata,

Essa verdade trago sempre em mim.

Quem faz do amor princípio meio e fim,

Conhece a maravilha da cascata,


Já teve seu prazer na serenata,

Sente a delicadeza do jasmim

E sabe cultivar belo jardim.

Das flores, com carinho, sempre trata...


Pois tive essa certeza, minha amada,

Quando a vi me trazendo essa alvorada

Co’o brilho matinal de forte sol.


Minha vida, de novo em primavera,

A morte sem perdão desta quimera.

Em Selma, linda luz deste farol!

MARCOS LOURES

MAIS RISONHO

No mundo que queremos, mais risonho
Apenas leves sombras reconheço,
O tempo se transcorre e não mereço
Sequer a fantasia que componho.

Eu vejo o meu futuro em tom medonho
A sorte já não sabe um endereço
E tudo variando sem começo
E quando canto assim, eu sei me exponho

Ridículos os dias sonhadores!
Matamos o jardim, queremos flores?
Não vejo nisto algum sentido, amiga.

Exatas são as nossas recompensas
Se as labaredas vejo sendo imensas
Destino em desatino já periga...


MARCOS LOURES.

MUITO ALÉM

Vontade muito além do que dizia
Poema de um antigo companheiro
No quadro desenhando vou inteiro
Deixando para trás a fantasia,

E a morte anunciada não permite
Sequer que eu veja um brilho onde não tem,
O passo desdenhoso nega o bem
E o peso ultrapassando algum limite

Extraio poesia da cachaça
E nela me inebrio e sem sentido,
O quanto desejara é dividido
E quem procura bem logo rechaça

Empórios em total liquidação
Meus olhos, novos dias não verão...

MARCOS LOURES.

NAS LUTAS QUE TRAVAMOS

Nas lutas que travamos, eu reponho
As armas já perdidas no passado
E quando me percebo amargurado
Ainda sem sentidos, teimo e sonho.

O caso é o que o futuro é tão bisonho
E nele quando estou mais entranhado
Percebo que não resta nem bocado
Do todo aonde às vezes decomponho.

A porta se fechando diz do quanto
Apenas herdaremos desencanto
E toda esta ternura fora inútil

Assento-me deveras sobre o fardo
Assim o passo audaz mato ou retardo
Sabendo que o viver se tornou fútil...


MARCOS LOURES

A FARSA

Que se faz renovado a cada dia
O sonho mais audaz aprisionando
E mesmo se mostrando vez em quando
Realidade há tanto já não guia.

A farsa se desvenda e ora recria
Um templo onde prevejo em tosco bando
O gozo necessário desarmando
A podre condição, torpe heresia.

Compêndios não bastaram nem um tomo
E quando a fortaleza invado e tomo,
Saqueio os meus demônios e os desfaço,

Mas tudo se transborda em falsas luzes,
Deveras aos infernos me conduzes
Seguindo sem pensar vou passo a passo...


MARCOS LOURES

domingo, 15 de abril de 2018

PRISIONEIROS

E somos prisioneiros deste sonho?
Jamais aceitaria esta falácia,
Não tendo nem sequer qualquer audácia
O que fizeste em trevas não componho.

E mesmo quando a vida não embace-a
A sorte se transtorna em ar medonho,
E o bêbado sem luzes, sou bisonho,
No sangue quase não existe hemácia...

A porta destrancada e mesmo assim,
A podridão expressa de onde vim
O parto se abortara e a vil placenta

Deveras desenvolve-se e sobeja
Ainda tem o olhar de quem deseja
Embora a vida nega e desalenta.


MARCOS LOURES

NA FORÇA DA VERDADE

Contamos com a força da verdade
Para podermos ter alguma chance
E mesmo quando a treva ainda avance
O gosto de um prazer sequer invade.

A pútrida faceta escancarada
Carranca que devora e não sossega,
A sorte sendo audaz se mostra cega
E traz após tempesta o velho nada.

São lúdicos caminhos, disto eu sei,
Enamorada luz não me acompanha,
Falácias se perdendo em tola sanha,
Carcaça resta sobre a amarga grei.

E o beijo desencarna este fantoche
E dele a própria vida faz deboche...


MARCOS LOURES

NA PONTA DA FACA

Na ponta de uma faca ou de navalha
Os dedos decepados da ilusão
Os dias com certeza não terão
A mesma face escusa da medalha,

E quando a fantasia em vão se espalha
Tomando e negrejando esta amplidão
Perdendo há tanto tempo a direção
O corte se apresenta e nunca falha.

Acordo entre os espinhos mais comuns
Seleciono e guardo mesmo alguns
Sabendo desta herança em podre face.

O peso não suporto e se me dobro
A força ainda teimo e assim desdobro
O mundo feito em dor, vazio impasse...


MARCOS LOURES

SINCERIDADE

Pois temos neste amor, sinceridade
E tudo é tão fugaz. Mas mesmo assim
Teimamos e tentamos crer enfim
Que há sorte, mesmo contra a realidade.

O beijo se mostrara mais venal,
E o quarto de dormir desarrumado
Demonstra a insanidade do passado,
E o porto abandonando a tosca nau

Argúcia se transforma em heresia,
Ecléticas vontades deslindadas
As hordas muito mal acostumadas
Enquanto esta mentira desfazia

Uma alma em tais mosaicos enredada
Sabendo que ao final, não resta nada...


MARCOS LOURES

SHEILA

Embalde tantas vezes procurei

Pelas ruas e estradas, o meu rumo...

Por vezes acredito que acostumo,

Mas sempre que puder eu lutarei...


Esse caos que em meu mundo foi a lei

Não pode permitir meu novo aprumo,

Em espinhos fatais já me perfumo.

Porém deste seu rosto esquecerei!


Não me venha falar inda me quer.

Eu busco cegamente uma mulher

Que me traga essa luz que já vivi.


Em Sheila irei buscar a claridade,

Embora na cegueira da verdade,

É nela que estará o que perdi!


MARCOS LOURES

MINHA LUA - SHIRLEY

Falar do nosso amor é repetir

Os versos que procuro pela vida.

A noite sem te ter cai dolorida

Estrela sem te ver não quer mais vir...


Então eu venho em preces te pedir

Que nunca mais me fale em despedida.

A morte sempre atenta e desmedida

Quem sabe, de repente, vai surgir?


Me deixas cada noite, vais aos céus

Levando em tuas mãos os alvos véus.

Em prantos minha noite continua...


Mas Shirley, minha deusa por que esfumas?

As noites tão distantes perdem plumas

Mas ganham no teu brilho, minha lua!


MARCOS LOURES

SILVANA

As matas me preparam a surpresa...

Encontro várias garras afiadas...

Minhas costas estão todas lanhadas

Pela força que emite a natureza.


O manto que te cobre, de nobreza

D’ébano. Mal surgidas madrugada

Os rastros tão sutis destas pegadas

Me levam à fantástica beleza!


As unhas me penetram e torturam

As presas me maltratam e me curam.

A vida me parece soberana!


Em múltiplos delírios sigo a noite,

O beijo da pantera, meu açoite;

Os olhos tão brilhantes de Silvana...


MARCOS LOURES

SÍLVIA

Nossa noite será bem mais tranquila.

Os ventos que sopravam se acalmaram.

Os medos que tivemos se acoitaram

A lua enamorada sobre a vila...


O canto que trouxeste já destila

O gozo dos que nunca procuraram

Outro colo sequer pois se encontraram...

A vida não perdoa quem vacila


Por isso nosso amor sempre vigio,

Em momentos mais belos, pleno cio,

Eu penso em preservar nosso desejo.

]
Não me envergonho e grito a todo mundo

Que da força do amor eu já me inundo

Com Sílvia, em minha vida, eu sempre vejo.


MARCOS LOURES

SIMONE

Os sons desta alvorada em minha vida

Refletem mansidão que sempre quis

A vida se transforma em seu matiz

E traz essa esperança adormecida...


Mentiras e verdades, despedida

Sempre traz, não se escreve o que se diz.

Porém quando no mundo for feliz

Não deixe que a saudade dolorida


Traga o gosto feroz desta vingança.

Não derretas o resto da aliança;

Apenas reconstruas tua estrada.


Simone, uma princesa que é tão cara,

A treva em tua vida já se aclara.

Apenas vem surgida a madrugada!


MARCOS LOURES

SOFIA

E Vênus procurava quem seria,

Dentre todas as damas e princesas

Aquela que por ter delicadezas

E formas que gerassem alegria,


Pudesse competir com ela, um dia...

Em todos os momentos, incertezas

Criadas pelas várias naturezas

Que fazem da mulher a fantasia;


(Encontrou na beleza de Sofia...)

Porém, no momento de vingança

Uma deusa detém a dura lança


E pára com tamanha rebeldia...

Minerva ao ver a sua protegida

Salvou a preciosa e bela vida.

No belo também há sabedoria!


MARCOS LOURES

ANGELICAL

Angelical formato majestoso

Que sempre me iludiu, agora vejo.

Foram tantos momentos de desejo

E jamais esperava pelo gozo


De poder me sentir tão orgulhoso

Por roubar desta deusa um simples beijo!

Lembrando deste fato então versejo.

Meu mundo não se mostra tenebroso...


Nos céus que te procuro nunca estás,

Na mão que me acarinha mais audaz

Eu sinto essa presença que inebria...


Em Solange uma arcanja em delírio,

Em tuas asas deixo meu martírio

Mergulho na infinita fantasia!

MARCOS LOURES

ESTRELA FOGUEIRA - SORAIA

Desta brilhante estrela matinal

Pressinto nosso amor como um corcel

Que, livre, caminhando pelo céu

Traz-nos esta alvorada divinal!


Quem dera viajar por belo astral

Em busca deste belo carrossel

Que trouxe nosso amor num carretel

De estrelas com doçura virginal.


Não deixe que a manhã tão ciumenta

Encubra tanto brilho. Violenta

Esta aurora te pede: nunca raia!


Porém em minha vida minha amada

A vida já se mostra irradiada

Nos olhos qual fogueira, de Soraia!


MARCOS LOURES

FLORESCE SUSANA

Nos campos onde espero ter meu fim

Os perfumes silvestres me dominam.

Minhas noites, nas flores se alucinam

E deixam bem distante meu jardim.


Tem rosas, tem crisântemos, jasmim.

Porém os tais perfumes desatinam

Aquelas que, passando, se destinam

Aos campos que inda guardo dentro em mim..


De todos os desejos que esqueci

Um deles rememoro quando vi

Dos sonhos que perdi, tanto martírio,


Os olhos perfumados, soberana

Flor, que sempre floresce em ti, Susana,

Que me perfuma o campo, branco lírio...


MARCOS LOURES

ESCONDE-ME... LETÍCIA

Meus olhos em total ansiedade buscam

Pelo céu essa estrela apaixonadamente

Bela. Estou tão distante... Eu quero, simplesmente

Seu brilho constelar. Os outros já se ofuscam...


Estrela radiosa, o meu verso se encanta

Com o teu raro lume. Embalde te procuro!

O céu, tão invejoso, esconde-te na manta

Pelas nuvens formada, o mundo fica escuro...


Quem dera se pudesse, estrela, ver teu brilho,

A vida, então, seria enorme fantasia.

O meu olhar vazio, espera por teu trilho!


A cada noite nova, um sonho de delícia...

Em ti, estrela amada, um canto de alegria!

O céu mais ciumento, esconde-me Letícia


MARCOS LOURES

NADA

E nada nos maltrata ou atrapalha
Durante a caminhada sem destino,
E quando nos teus braços sou menino
Amor é fogaréu, mas pouca palha.

O gesto de abandono nunca falha
Vontade de partir, mas me domino
E o gozo anunciado, eu determino
Qual fosse um mero campo de batalha.

Permissivos desvios são vulgares
E neles muitas vezes seus esgares
Nefastas realidades se apresentam.

Marcados pela brasa em carne viva,
Enquanto esta verdade já me priva
Os dias são iguais e me atormentam.


MARCOS LOURES

ALGUMA PAZ

Diária por saber felicidade
Cobrada de um poeta vagabundo
Num ágio sem igual, expondo o imundo
Caminho aonde a sorte me degrade

Mordazes os momentos em que luto
E teimo contra a força das marés
Sabendo meu amor por que tu és
O vento é cada vez mais forte e bruto.

Carvalhos arrancados na raiz
Escárnios costumeiros repetidos,
E os ócios contumazes das libidos
O tempo tanto afirma, mas desdiz.

E o jogo não termina e se refaz
Levando para sempre alguma paz...


MARCOS LOURES

TRAIÇOEIRA

Amordaçada sorte não me ilude
E dela me esquivando a cada passo
E quando outro momento ainda traço
Bem mais do talvez uma atitude

E necessário crer que a juventude
Ainda tenha em mim qualquer espaço,
Deteriorado sonho, me desfaço
E bebo a podridão, cruel açude.

Erguendo então um brinde ao nada ser
Esboço algum sorriso, mas percebo
Que quanto mais a morte em ti concebo

Maior deveras vejo o meu prazer
E sei que na verdade rapineira
Eu sinto a minha voz mais traiçoeira.


MARCOS LOURES

DELÍRIOS

Amargos e violentos os delírios
Quebrantos que percorro em vã neblina
A morte pouco a pouco me fascina
E nela posso ver vagos martírios

Esboço reações, mas não consigo
Vencer putrefações tão costumeiras
E nelas as verdades são bandeiras
Expondo a cada passo outro perigo,

E teimo contra as forças das marés
Vigorosos, soturnos temporais
Entranhando estes vermes triunfais
Ainda permaneço sobre os pés

E sinto que se abala a frágil base
Por mais que a morte ainda em vão se atrase.


MARCOS LOURES

SE REPETE

Vencido pela noite que chegava,

Deitado sobre a cama sem prazeres

Distante dos amores e quereres.

Aquela a quem amara não deixava


Sequer a sua sombra. Não contava

Com os olhos sombrio das mulheres

Que nunca mais teria. Mas se feres

Com a boca em mordida que beijava


Não podes entender que, nesta vida,

Nem sempre aguardarei a despedida.

Quem nos dá carinho nos reflete.


Portanto não se esqueça da semente

Que maltratada torna-se serpente,

Mas se bem cultivada... se repete.


MARCOS LOURES

MINHA TAÍS

Não posso perceber quanta vitória

No gozo deste amor que sempre quis.

Se nessa amarga vida fui feliz

O gosto da delícia na memória.


Vencido pelo amor em plena glória

Não deixo meu caminho e peço bis

Recebo do teu céu lindo matiz

E mudo, num segundo minha história...


Bem sei que sempre sofres por enganos.

Teu coração permita novos planos,

Quem sabe encontrarás quem sempre quis.


Nos castelos sem fadas nem princesa

A vida se transcorre em tal leveza

Que sempre desejou minha Tais...


MARCOS LOURES

DAS SOMBRAS

Das sombras, ressurgido Satanás
Vasculha nas entranhas deste que
Agora já sabe, mas só vê
O medo que se estampa, amargo e assaz.

Enquanto a névoa densa já me traz
No olhar entorpecido o que se crê
Este fantasmagórico buquê
Moldado num sorriso mais mordaz,

Eu sinto a minha pele apodrecida
E assim tomando toda a minha vida
Hercúleas emoções expondo a nu

A carne que deveras decomposta
Seduz a rapineira e cada posta
Devora com prazer este urubu.


MARCOS LOURES

ADORMECIDA - TÂNIA

Relembro-me de tudo o que passei

Nesta busca infrutífera e sem fim

De tudo que guardei dentro de mim,

O mundo delicado que sonhei.


O resto de esperança que guardei

Num canto, abandonado, do jardim.

As horas se escorrendo vão assim

Como se fossem corpos que deixei...


Carrego tanta morte em meu passado

O coração bandeia e vai de lado,

Amores num rosário que desfio.


E Tânia, adormecida já ressurge

A dor que me causara sempre ruge

E me faz, novamente, o dia frio...


MARCOS LOURES


TATIANA

Menina nunca esqueça que o encanto

Que trazes nesta vida é passageiro.

Depois deste janeiro, o derradeiro

Sonho virá trazendo um triste pranto.


E nestas flóreas sendas um manso canto

De um pássaro ferido por inteiro

Será talvez teu único parceiro

Todo universo está em desencanto!


Mas não temas a noite, ela virá

E tantos pesadelos te trará

Perceba, a juventude sempre engana...


Teus olhos de risonhos, doces brilhos,

Procurarão, embalde novos trilhos,

Feliz serás, mesmo assim, Tatiana!

MARCOS LOURES

TELMA

Eu sempre te quis, nunca percebeste

Em tua vida leve e sem pecado.

Meu mundo sempre trouxe amargurado

Desejo que jamais tu recebeste


Durante toda a vida. Nunca leste

Os caminhos que traça o triste fado.

O mundo, que percebes encantado

Te engana com pois em ouro não reveste...


Agora que tu sabes que te quero,

Embora doloroso, sou sincero

E trago, no meu peito, esta saudade


Dos tempos onde tinha um doce beijo

Que morreu p’ra nascer esse desejo,

Ter-te, Telma. Me mate essa vontade!


MARCOS LOURES

TERESA

Das distantes quimeras de minha alma

A luz sempre escondida, nunca brilha...

Meu pensamento, louco sempre trilha

Embora tanta dor não traga calma.


Futuro que se esconde em minha palma

Talvez inda prometa a maravilha

Atada no meu pé a triste anilha

Mostra-me que o futuro não acalma...


A minha sorte, embalde tanto insista

Não posso permitir que a morte assista

Sem ter nenhum clarão de tal beleza.


O canto que me trazem as sereias

Morrendo tresloucados nas areias

Dos desertos, se foram com Teresa...

MARCOS LOURES

TAMIRES

Não quero transformar a nossa casa

Num terreno propício para a guerra,

Amor sem ser feliz logo desterra

Ao ver nosso castelo ardendo em brasa.


Se tudo que vivemos nos abrasa

Total devastação na nossa terra

Meu barco, solto ao mar, à deriva, erra.

Sou pássaro perdido sem ter asa.


Em verdadeiro campo de batalha

Não posso mais conter, a dor se espalha;

E nada do que fomos vida traz...


Espero que te lembres de Tamires,

Em seu exemplo belo tu te mires

E em nosso mundo voltará a paz...


MARCOS LOURES

DESCORADOS

Os lábios que me beijam, descorados
Satânicos orgasmos prometidos
E assim entre demônios as libidos
Traduzem os delírios mais ousados

E quando se percebem estes Fados
Os fardos que carrego sendo urdidos
Por mãos destes canalhas desvalidos
Em dias com certeza mais nublados,

E as tramas nas quais vejo o meu retrato
Estúpidas quimeras desacato
E forjo outra saída mais sutil,

O rosto que se vê num vão espelho
Sulfídrica figura em tom vermelho,
Bebendo o sangue expõe meu lado vil.


MARCOS LOURES

ÚRSULA

Refeito deste susto que passei

Em busca dum amor mais que perfeito

Em mansa claridade já me deito

E quero me esquecer que nunca sei


Se queres ou não queres minha lei

Se sabes ou não sabes do meu leito.

Da boca que me morde o meu confeito?

Jamais serei aquilo que sonhei!


Eu quero a mansidão sem ter espora

A parte que me cabe não demora

Sei que serei feliz ao lado teu.


Mas posso te dizer deste meu verso

Que rasga sem temer teu universo

E acende a luz em Úrsula, sem breu...

MARCOS LOURES

MEDONHO

Medonho caricato; eu nada tenho
Somente o soçobrar da embarcação
A morte se traduz em podridão
E assim perpetuando um vago empenho

Mergulho neste abismo que se abriu
E nele percebendo estas carcaças
Diversas das que geras quando passas,
No olhar mais demoníaco e assaz vil

Encontro as garatujas que pintara
Em formas mais bisonhas e satânicas
Tétricas figuras, mas orgânicas
Praguejo contra a sorte, tão amara

E erguendo-se por sobre o mar bravio
A Serpe num etéreo desafio

MARCOS LOURES

VALDETE

Percebo meu futuro da janela

Espero mas não posso mais contar

Com a luz, com o brilho do luar

Já que nem toda noite se revela.


Meu barco vai sem quilha e perde a vela

Dentro de pouco tempo, naufragar.

Não quero ser sozinho e peço par,

Amor que me liberta desta cela


Por onde nem a luz deu sua cara,

Corcel que voa solto já dispara

Em busca de outro céu não se repete.


No risco que permite minha caça

Amor que não consigo se esvoaça

E dorme nos teus braços, ó Valdete!


MARCOS LOURES

NUBLADA

Vestindo esta carcaça feita em vida
Ainda não consigo a liberdade
Na morte com certeza rompo a grade
Enquanto este delírio se decida,

Há tempos a minha alma vai perdida
Vivendo a cada dia enquanto brade
Apodrecida face diz metade
Completa-se em total insanidade
E prepara feroz a despedida.

No cerne da questão ser ou não ser
Sentindo a cada dia envilecer
O que restara ainda deste nada

No não ser me completo e assim percebo
Que cada vez bem mais disto me embebo
Até que a noite chegue, em vão... Nublada.


MARCOS LOURES

VALÉRIA

Por tanto ou por um canto que não trago

Recebo teu perdão de sobremesa.

O rosto que se esconde, da princesa

Não deixa nem sequer mais um afago.


Na doce mansidão perdi meu lago

Agora se me banho é de tristeza.

Vencido por querer a realeza

O mundo não me deu sequer um trago....


Não deixe que a saudade te machuque

A morte sim, permita que caduque

E não venha falar de coisa séria.


A força que te move me remove

O beijo que me deste me comove

Me deixa alucinado: amor – Valéria!


MARCOS LOURES

DO NADA SER


Aonde se pensara em lucidez
A pútrida impressão do nada ser
A morte se aproxima e sinto ter
Nas mãos a mais completa insensatez

O quanto a realidade já desfez,
Caminho que cansei de percorrer
Fantoches do passado a recolher
O mundo que criara se desfez

Só resta então a podre sensação
Carcaça deste ser que sendo vão
Adentrando neblinas mais funestas

As cinzas coletando vida afora,
Apenas este odor fétido ancora
Imagem decomposta à qual te emprestas.

MARCOS LOURES

VALQUÍRIA

Na guerra que travei eu quis a morte

Não venha discutir mas estou triste

Porém que sempre sonha não desiste

E a força que me move hoje é meu norte...


Tentei nessa batalha ter o corte

Profundo ao qual jamais alguém resiste

Para minha tristeza a morte assiste

E não veio. Vontade foi tão forte


Mas trago meu destino malfadado.

O tempo se passou, tudo acabado

Não pude desfrutar desta certeza.


Agora que estou velho, nunca mais.

O resto dos meus dias, vou sem paz

Pois não verei Valquíra e nem beleza...


MARCOS LOURES

MESQUINHOS

Mesquinhos abandonos em que vejo
Uma alma demoníaca e desnuda,
Penando a cada dia sem ajuda
Entregue aos vagos nãos de um vão desejo.

Afasto-me do espelho que me traz
A face decomposta deste estúpido
Aonde se fizera outrora cúpido
Agora se demonstra mais mordaz,

Voluptuosamente insaciável
Satânicos momentos que vivera,
E em cada deles sempre convivera
Com fera de perfil mais intratável

E entranha-se na podre criatura
Que mesmo após o fim atroz, perdura.

MARCOS LOURES

ÁVIDA ILUSÃO

Numa ávida ilusão feita quimera
A boca se escancara furiosa
Enquanto a própria vida já se glosa
Apascentar a fúria de uma fera

E dela toda a sorte degenera
E muda esta faceta cor de rosa
Agrisalhando o olhar se ri e goza
Do pânico que atroz, em todos gera.

A morte se mostrando nua e crua
Deveras nos tortura e continua
Atormentando até chegar o fim

E pútrido penhor nos devolvendo,
A carne noutra pasta convertendo
Aduba das daninhas o jardim.


MARCOS LOURES

PAISAGEM

Na lúgubre paisagem tal mortalha
Esboça este retrato mais fiel,
O olhar degenerado rompe o céu
E voa libertários corvo e gralha

Apenas quando vejo esta batalha
A faca se transforma em carrossel
Girando vagamente segue ao léu
Enquanto a realidade se atrapalha,

Adentrando no peito o canivete
A morte transcorrendo em paz intensa
Satânico caminho recompensa

A boca apodrecida me remete
Ao lago em placidez sob a neblina
Ao qual a nossa vida nos destina.



MARCOS LOURES

MURMÚRIOS


Murmúrios prenunciam noites fartas
Em trevas adiando uma esperança
As nuvens provocando rara dança
Enquanto da alegria tu te apartas,

Jogando sobre a mesa as mesmas cartas
Somente o funeral de uma alma avança
Sarcástica figura em aliança
Futuro desde já sei que descartas.

E morto em vida segues qual fantoche
Exposto aos vis sarcasmos e ao deboche
Rolando sem destino nem paragem,

A podridão sondando cada passo
Que dás rumo ao vazio que ora traço
Selando em tom mais fúnebre a paisagem.


MARCOS LOURES

PÁRIA


Jogado pelas ruas como um pária
Já não pertences mais ao mundo que
Tentaste conhecer, mas já não vê
Figura caricata uma alimária.

Esgota-se por si tão temerária
Imagem deturpada que se crê
Maior do que deveras já se lê
No olhar ensimesmado da alma otária

Expondo esta faceta apodrecida
Ainda pensa ter alguma vida
E morto, perambula por aí,

Um cão entre outros cães e nada mais,
Nos sórdidos retratos vãos, venais
Sorrindo de si mesmo tal zumbi.


MARCOS LOURES

RESIGNADO

Resignado prossigo meu caminho
Rumando para a morte incontestável
Figura assaz comum e detestável
Satânico percorro e vou sozinho,

Nefasto caminhar me leva ao ninho
Deveras como fosse um intragável
Destino deste ser tão deplorável
Nos túmulos de uma alma vã me aninho.

E riscando os espaços nada deixo,
Sequer um rastro fétido. Não queixo
Sabendo ser assim a minha sorte,

Depois de tantos erros, desventuras
Nas mãos esta vergasta em que torturas
Condenas com escárnio à fria morte.


MARCOS LOURES

ESPINHOS

Apenas os espinhos entranhando
A pele já desfeita em podridão
E o quanto novos dias mostrarão
Resumo de um momento amargo e brando,

As rapineiras chegam, ledo bando
Fazendo do cadáver, divisão,
Mortalha se tornando meu colchão
O mundo cada parte devorando.

Afasto-me dos sonhos, bebo as trevas
E quando te aproximas também cevas
Os restos deste espectro que inda sobram,

Deveras me entregando não resisto,
Sabendo que o culpado maior disto
Sou eu, e os meus demônios vêm e cobram.

MARCOS LOURES

PÁLIDO

Bebendo desta fonte poluída
Por tantas e terríveis ilusões
Na verdadeira face que me expões
A tradução perfeita para a vida.

A porta escancarada traduzida
No todo que deveras decompões
Aonde ao meu destino não opões
Verões em plena neve, tudo acida.

E quando esta carcaça se permite
Usar de uma esperança qual limite
Errático fantasma segue a trilha

E mesmo quando em fétidos aromas
O nojo neste instante; tu já domas
Minha alma em tom bem pálido rebrilha.


MARCOS LOURES

ESTÚPIDA QUIMERA

Aonde se pensasse em liberdade
O ser humano muda toda a história
Bisonha criatura que em vanglória
Destroça o que inda houvesse em quantidade.

Estúpida quimera vaga solta
E traz nos seus olhares fogo e fúria
Mortalha se desenha em tal incúria
Deixando em polvorosa e tão revolta

A nave-mãe que um dia se fez nobre
E agora mero esgoto, mal suspira
Na mão de um verme inválido esta pira
Com bruma e com veneno a mãe encobre,

Depois deste serviço em vão completo
O rei dos animais? Simples inseto...


MARCOS LOURES

ABISSAIS

De quem se fez feliz e quer bem mais
Apenas um sorriso não acode
Além do que deveras inda pode
Enfrenta estes terríveis abissais.

Eu sinto que o final já se aproxima,
Mordazes os momentos mais cruéis,
E neles enfrentando os velhos féis
O quanto é necessária alguma estima.

Estigmas que carrego são vulgares,
Mas tento disfarçar um ledo engano
Mudando a direção em novo plano,
Retorno sem saber aos tais lugares

Esgarço-me e demonstro em cada parte
O que se fez inútil e já descarte...


MARCOS LOURES

SEM NINGUÉM

Razão de cada sonho mais audaz,
O verso que pensara ter valia
Aos poucos se transforma em voz vazia
E nele na verdade tanto faz.

O passo preferido leva ao nada
As chances não teriam mais valor,
O medo novamente ao meu dispor
Mudando esta visão tão deturpada.

Aspectos variados, beijo e corte,
Afiando assim a faca e o canivete
E quando ao nada ter já se remete
A seca dominando algum aporte,

Nesta aridez minha alma se detém
E morre solidária, sem ninguém...


MARCOS LOURES

sábado, 14 de abril de 2018

RARO ASTRO


Qual fora perseguindo este raro astro
Depois de tempestades no horizonte
Sem sol que ainda veja e não desponte
O barco não tem leme e perde o mastro,

Afundo enquanto em dores eu me alastro,
Mergulho no abissal buscando a ponte
Que um dia poderia ser a fonte
Não vendo do futuro sequer rastro.

Rastejo sobre pedras, réptil vago
E a morte com prazer ainda afago
Beijando a sua boca em podridão,

E o medo não produz qualquer mudança
A faca no pescoço adentra e avança
Com fúria numa exata direção.

MARCOS LOURES

ESTRELA FRIA

Aonde se escondeu a estrela fria
Que tanto se fez falsa em noite escura,
O quanto me perdi em tal procura
Minha alma sem remédio se esvazia

E o bêbado funâmbulo traria
A queda sobre a pedra turva e dura
Sinal do quanto valho e em tal loucura
Somente me restando a ventania.

Abrindo as escotilhas inda vejo
Naufrágio de um estúpido desejo
Amanhecendo em vão, tosca quimera,

E o passo sem sentido ou direção
Dizendo quanto a vida fora em vão
Não tendo uma emoção sequer que espera...


MARCOS LOURES

QUEM DERA...

Quem dera se esta lua protegesse
Amantes que se buscam noite afora,
Apenas tão somente nos decora
É como se um divino ser tecesse

Em prata maviosa fantasia
E dela inspiração para se amar,
Mas quando se escondendo este luar
Escuridão tomando a cercania

Ausência de seus brilhos, lua amada
Trazendo tanta dor a quem sonhara,
A noite que já fora bela e clara,
Agora totalmente transformada,

Que faço se este brilho raro e bom,
Ofusca-se nas noites em neon?


MARCOS LOURES

CARA AMIGA

Às vezes te procuro, cara amiga
E vejo que talvez fosse melhor
Ficar com prejuízo bem maior,
Pois logo recomeças com tal briga,

E assim o que fazer? Manter a calma...
Somente e nada mais, seguir em frente.
Sem ter sequer alguém que te apascente
Nem mesmo algum carinho inda te acalma.

Melhor sofrer calado, isso eu garanto,
A gente não combina mesmo não,
Armando este barraco em profusão,
Prefiro segurar a dor e o pranto,

No mais, tá tudo bem, e aí contigo?
- Verdade? Nem a pau, querida eu digo...

MARCOS LOURES

TU ÉS MINHA

O amor nos apresenta multiforme
Às vezes nos faz bem ou nos faz mal,
Caminho com certeza desigual
Pois enquanto acordado, ela bem dorme,

E quando noutra senda se transforme,
Baixando o santo, é briga na geral,
É canivete, foice até punhal,
Na cicatriz que tenho tão enorme.

Assim vamos levando nossa vida,
Às vezes muito bem, outras nem tanto,
Um curativo sana uma ferida

Depois recomeçamos ladainha,
Verdade se contém nisto que canto,
Só sei que sou só teu e tu és minha...

MARCOS LOURES

MULA EMPACADA

Não quero ser bonzinho nem panaca
O tempo me ensinou a ter defesas,
Preparo a cada dia fortalezas
Senão a minha mula já se empaca.

Ficar com esta cara de imbecil?
A bunda já não vai ficar exposta
Tem gente que em verdade disto gosta,
Eu mando para a puta que pariu.

Vestindo de palhaço ou de bufão,
Cansado de levar tanta porrada,
Na vida agora só dando pernada,
Se bobear eu tasco um bofetão,

Mas levo de gaiato o meu viver,
No fundo o que eu desejo é ter prazer...

MARCOS LOURES

SAUDADE

Saudade dita normas complicadas
É como o renascer de algum defunto,
Falando sempre assim do mesmo assunto
Caminho se perfaz nestas estradas

Há tanto conhecidas no passado.
Beber no mesmo copo esta aguardente
Por mais que ainda queira só se sente
O gosto do retrato amarelado.

Lembranças do que foi? Não, minha amiga,
Retrovisor traduz em capotagem
E quando se prepara outra viagem
Esqueça, por favor daquela antiga.

Saudade, se inda tenho por aqui,
Somente do que outrora não vivi...


MARCOS LOURES

SEM PARAGEM

Aonde se queria a primavera
O tempo não deixando restar nada,
Outono se transborda e na alvorada
Somente o frio imenso nos tempera,

Assim a vida traz tão longa espera
E nela o que se vê sonega a estada
Que um dia imaginei delineada
Em sonhos; mas a história degenera

E o quanto se queria em nova luz
Inverno desdenhoso reproduz
E assim vamos seguindo sem paragem.

Viver cada momento intensamente
Sabendo que o futuro não se sente,
Aproveitando assim a mansa aragem...

MARCOS LOURES

ORDEM E PROGRESSO

Imensa putaria no Congresso
A vaca da mulher tá na playboy
Assim a dignidade se corrói
E ainda vem falar “ordem/progresso”

Verdade quando dita sempre dói
E quando estou calado, eu me tropeço
Fazendo da emoção erro confesso
Quem tanto construiu tudo destrói.

Buceta faz sucesso na internet
A porra da poesia se intromete
Matando o que restou de uma esperança;

Verdade seja dita, minha amiga,
A coisa desse jeito já periga,
Repito então aqui: VIVA A FUDELANÇA!


MARCOS LOURES

PASPALHO

Depois de muitos anos, garanhão
Agora ficou brocha. O que fazer?
Nem mesmo uma punheta dá prazer,
Cansado de ficar sempre na mão

Tá mole, mas tá duro pra caralho,
Sem grana não consegue um aditivo,
No dedo, todo dia um curativo,
A língua já deu câimbra. Que paspalho!

Vizinha peladinha na janela,
Mulher vive roncando a desgraçada,
Calmante toda noite? Uma furada.
Comendo a gostosona só na tela.

Diante de uma dor assim profunda
Vai acabar é dando a sua bunda...


MARCOS LOURES

O FIM

Não deixo de pensar em putaria,
A gente faz das nossas vida afora,
Velhice vem trazendo sem demora
O fim da minha história. Quem diria...

Depois de ser na vida acostumado
A dar de vez em quando uma trepada,
Agora vou tentar, amigo e nada,
Não tenho vocação para veado.

Pensando nos meus tempos, áureos tempos...
Eu vejo que fui bom na sacanagem,
Ficando só mirando esta paisagem
Não suportando assim tais passatempos.

Pior é que a verdade sempre arrocha,
Depois de tanto tempo. Fiquei broxa...

MARCOS LOURES

AUTO-AJUDA

Mandando tudo à puta que pariu
Cansado desta vida de panaca
Aonde uma verdade não se empaca
O resto da maneira que se viu.

Levando vez por outra uma porrada,
Chamando de meu louro, um urubu,
Vontade de mandar tomar no cu,
E dar na minha vida uma guinada.

A porra do soneto me vicia,
Não faço mais sequer um pensamento,
Assim vou acabar sem um provento,
Fudendo com a merda: poesia.

Ó Pai, Senhor Vê logo se me acuda
Preciso aprender logo uma auto-ajuda...

MARCOS LOURES