sexta-feira, 11 de maio de 2018

AO ME VER 330


Ao me ver assim bêbado infeliz
Escarrado pelas ruas, um mendigo,
Buscando meu prazer na meretriz
Meu último quinhão, o meu abrigo
Nas noites friorentas deste inverno
Que sempre se traduzem como inferno!

A sorte se desenha neste inferno
E o quanto se mostrara um infeliz
Que tanto se procura e neste inverno
Apenas como fosse algum mendigo.
Procura no vazio algum abrigo
E encontra a companheira, meretriz,

A vida como a velha meretriz
Expressa tão somente neste inferno,
A falta mais sincera de um abrigo,
E o todo se anuncia ora infeliz
E sigo sendo um pária, este mendigo,
Em plena sensação de eterno inverno,

E quando no vazio agora inverno,
E tramo outro caminho, a meretriz
Tocando com seus lábios o mendigo,
Trazendo novamente o velho inferno
Expressa o quanto pude ora infeliz
Ousando na esperança, único abrigo,

E tanto quanto possa algum abrigo
Ao enfrentar desta alma o seu inverno,
O sonho mais atroz deste infeliz
Gerando a cada instante a meretriz
Que possa traduzir em puro inferno
O passo sem sentido de um mendigo,

O tempo na verdade, este mendigo,
Negando sem motivo algum abrigo,
E o quanto se mostrara neste inferno,
Grassando eternamente o duro inverno
numa alma sem caminho, meretriz,
A cada novo passo, esta infeliz

E sendo este infeliz feito um mendigo,
A sorte meretriz já sem abrigo
O duro e ledo inverno, o meu inferno.

MARCOS LOURES

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