sexta-feira, 11 de maio de 2018

HÁ QUANTO NÃO CONSIGO OUVIR TEU CANTO



Há quanto não consigo ouvir teu canto.
O pranto que rolei, sem ter sentido,
Nas pontas do lençol onde me agarro,
Rastejo pela sala e te procuro.
Na fumaça que sobe, do cigarro,
Nas espirais encontro meu futuro...

E sinto que deveras o futuro
Traria no caminho o quanto canto
E sei do meu anseio num cigarro
Enquanto caminhasse no sentido
Marcando cada instante onde procuro
A solução aonde em vão me agarro,

O sei que quanto mais em ti me agarro,
Esboço o dia a dia, num futuro,
E sei da imensidão e se procuro
Vagando mansamente nalgum canto,
Enquanto cada passo faz sentido
Acendo novamente este cigarro,

E tendo entre meus dedos o cigarro
Numa esperança em vão tanto me agarro
Ainda inda haveria algum sentido,
E nego qualquer chance de futuro,
O passo se mostrando noutro canto
Matando esta esperança que procuro,

O mundo que decerto inda procuro
Expressaria mais que algum cigarro,
E sei do quanto possa neste canto,
Viver esta emoção e assim me agarro
Pensando tão somente no futuro
Aonde o que buscara faz sentido,

O mundo se anuncia sem sentido,
E o verso que deveras eu procuro
Traduz noutro momento o meu futuro
E nisto quando aceso este cigarro,
A sorte traz a corda onde me agarro
E tento a salvação em raro canto,

O sonho noutro canto ao ser sentido,
O verso onde me agarro e a paz procuro,
Nas espirais, cigarro, o meu futuro...


MARCOS LOURES

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