sexta-feira, 11 de maio de 2018

JAMAIS HOUVERA



No livro que jamais houvera lido ,
As vozes nos corais, nas melodias...
Vestido de cruel e vasta dor
Desnudo o meu âmago sem cortes...
Não pude conhecer as tais clemências,
Disponho tão somente dessas mortes.

E quando me encaminho em ledas mortes
O tempo traduzindo o que foi lido
Nas ânsias mais audazes sem clemências
E nisto ouvindo velhas melodias
Ainda que pudesse em tantos cortes
Traçar o quanto vejo em plena dor,

A vida se moldara nesta dor,
E sei dos meus momentos entre mortes
E vendo as ilusões em ledos cortes
No quanto poderia já ter lido,
Numa expressão que trague melodias
E trame na verdade tais clemências,

Ainda que pudesse em vãs clemências
Ousando acreditar além da dor
Que faça da esperança melodias
E nelas entre enganos ritos mortes
Ainda quando tive mesmo lido
Numa expressão audaz em meros cortes.

E quando na ilusão agora cortes
E tramas nos vazios as clemências
Enquanto com a sorte em vão eu lido
Sabendo no final a imensa dor,
Os dias resumissem tantas mortes
E nelas o final das melodias,

Bebendo da ilusão as melodias
Enquanto a vida trame em novos cortes
Os passos entre enganos riscos, mortes,
E nisto se vicejam as clemências
Que tramem no vazio feito em dor
O tanto quanto houvesse outrora lido,

E quando agora lido, as melodias,
Encontram com a dor em rudes cortes,
As sortes em clemências ditam mortes.


MARCOS LOURES

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