sexta-feira, 11 de maio de 2018

MAUS TRATOS


Nas árvores maus tratos, pobres ninhos,
Cadáveres sedentos se levantam...
O manto não me cobre nem aquece,
Resumo minha dor neste poema...
Esperança não resta, e já fenece,
Viver sem poder ser virou meu lema...

O mundo se procura em novo lema
E deixa no passado velhos ninhos
E nestes caminhares, pois fenece
O quanto noutro rumo ora levantam
Os dias que coubessem num poema
Enquanto a solidão já não aquece,

O tanto quanto possa e nos aquece
E nisto se encaminha noutro lema
E os dias entre sóis bisam poema
E quando se imaginam velhos ninhos
Os olhos para além já se levantam
Enquanto esta vontade ora fenece,

O sonho traz o quanto em vão fenece
Marcando com ternura o que se aquece
E os dias entre tantos se levantam
E nisto o dia a dia em novo lema
Deixando para trás os tantos ninhos
Não resta nem sequer um só poema,

O mundo que pudera num poema
Trazer o quanto resta e já fenece
Na velha solidão de tantos ninhos
O mundo sem sentido não aquece
E gera o que esperança traz por lema
Nos ermos que meus passos já levantam,

E sei quando em verdade ora levantam
Os sonhos envolvidos num poema,
E sei do quanto amor fosse meu lema,
Ainda que meu mundo ora fenece
E nada do que possa enfim me aquece,
Negando no final os raros ninhos,

Lutando nestes ninhos se levantam
E o quanto ora me aquece diz poema,
A dor que assim fenece, vira um lema...

MARCOS LOURES

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