Mortalha não carrego, comemoro!
Em cálices de amarga lucidez.
Os olhos sobre o corpo já demoro
E rio, me gargalho dessa tez
Lívida, arroxeada e sem mistério.
A morte executada sem critério...
A vida se pudesse algum critério
Tramasse o quanto quero e comemoro
Tentando adivinhar este mistério
E nele alguma sorte em lucidez,
Porém na turbulenta e rude tez
O tempo que sem nexo mais demoro,
E quando noutro passo eu me demoro
Ainda que pudesse algum critério
O mundo mudaria sua tez
E o verso mais sutil eu comemoro
Marcando aonde houvera lucidez
Erguendo cada passo outro mistério,
Vislumbro no final este mistério
E vejo o que pudesse e me demoro
Tentando adivinhar a lucidez
De um tempo que prossiga sem critério
E nisto o quanto reste, comemoro,
Mudando com certeza a minha tez.
E sei do quanto exista em turva tez
E a vida se fazendo em tal mistério
Apenas na ironia comemoro,
E sei do quanto além eu me demoro,
Vivendo sem sentido algum critério
E tento reviver a lucidez,
Meu mundo que tivera em lucidez
O todo se anuncia noutra tez
E vendo o quanto trame algum critério,
E nisto se anuncia sem mistério
O quanto na verdade ora demoro
E sei que no final já comemoro,
E assim só comemoro a lucidez
Que traz onde demoro a mesma tez
Tentando sem mistério algum critério.
MARCOS LOURES
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