O pantanal dos sonhos vejo e sinto,
Rondando pouco a pouco cada passo
Aonde no final se me desfaço
Um traço sem sentido algum carrego
Do tempo mais sutil em tempestade
Vencido pelo medo e sem caminho,
Ainda quando além tento e caminho,
Vagando sem saber que nada sinto
O vento se converte em tempestade
E o mundo que pudera a cada passo
Deveras eu não tenho nem carrego
E o pouco noutro tom ora desfaço,
O quanto poderia e já desfaço,
O tempo se anuncia e no caminho,
O tanto que se faça e não carrego
Nesta alma quando o medo aflora e sinto
Tentando noutro instante novo passo
E nisto bebo inteira a tempestade,
Meu mundo anunciando em tempestade
O quanto poderia e já desfaço,
E sei do dia a dia, passo a passo,
E luto pela paz em meu caminho,
Ainda quando o rumo aquém eu sinto
O tempo dentro da alma ora carrego,
E vago sem sentir no que carrego
O mundo na mais vasta tempestade
E sei do que pudera e mesmo sinto,
Enquanto este passado ora desfaço,
E vejo cada curva onde caminho,
Marcando com ternura o velho passo,
E sei do que tentasse quando passo
Nos ermos que deveras eu carrego,
E sei dos dissabores no caminho,
E tanto quanto possa a tempestade,
Eu vivo o que decerto ora desfaço,
Tentando novo dia enquanto o sinto,
E tudo o que ora sinto noutro passo,
Expressa o que desfaço e mal carrego,
E vejo a tempestade no caminho.
MARCOS LOURES
Nenhum comentário:
Postar um comentário