Os sonhos te transtornam vagabundos
Arrastas as correntes por mil léguas
As serpes te mordendo e te sangrando
Aos poucos tua pele decompõe
A dor sobre teu corpo sobrepõe
E tua pele aos poucos se esfacela.
Pousando aonde o sonho que esfacela
Tramasse mais que dias vagabundos
E se o quanto pode e sobrepõe
A vida caminhando tantas léguas
Enquanto uma esperança decompõe
Minha alma permanece ora sangrando,
O tempo determina e já sangrando,
Pousando onde se veja o que esfacela
O tanto que deveras decompõe
E nisto os dias morrem, vagabundos,
E sinto mais distante tantas léguas
E a morte sobre a vida sobrepõe,
O tanto que buscasse sobrepõe
Meu mundo noutro tempo ora sangrando,
O verso prosseguindo por tais léguas
Distando da esperança que esfacela
E tanto poderiam vagabundos
Enquanto o dia a dia decompõe,
O sonho noutro instante decompõe
O quanto possa e mesmo sobrepõe
Olhares sem noção e vagabundos,
E o quanto se anuncia ora sangrando,
Aos poucos noutro tempo o que esfacela
Distasse o pensamento por mil léguas,
E quando na verdade vejo em léguas
Presença do que a vida decompõe
E sei cada momento que esfacela,
O todo noutro enredo sobrepõe
E sigo a cada passo, ora sangrando,
Ousando em dias rudes, vagabundos,
E os olhos vagabundos seguem léguas
E o todo ora sangrando decompõe,
E a fúria sobrepõe quando esfacela.
MARCOS LOURES
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