sexta-feira, 11 de maio de 2018

OUTONO


O vento anunciando o meu outono
E as folhas pelo chão, nada mais resta
Somente o que pudera noutro instante
Vagar entre vazios, nada mais,
E sei dos mais constantes temporais
Entregue ao quanto pude imaginar,

A vida se deixara imaginar
E nisto se desenha agora o outono
E quando se percebem temporais
No tanto que se quer e nada resta,
O mundo se deseja muito mais
E muda com certeza a cada instante,

E sei do quanto possa em novo instante
Ainda que se deixe imaginar
A sorte que pudera muito mais
E nela o quanto expresse em cada outono
Vivendo o dia a dia que me resta,
Ou mesmo ao enfrentar os temporais,

Depois que a vida dite os temporais
E nisto o quanto vejo num instante
Ditando da esperança o quanto resta,
E sei do meu anseio: imaginar
O tanto que pudera neste outono
Traçar e desejar deveras mais,

O tanto que pudera sempre mais,
O mundo resumisse em temporais
O quanto se presume neste outono,
E vejo doravante e num instante
O todo noutro tom a imaginar
O que inda na verdade sei que resta,

A sorte sonegando o quanto resta
O mundo se anuncia e sei que a mais
Do verso que pudera imaginar
E nisso se prevendo os temporais
E vejo a derrocada a cada instante
E nisto se revela último outono,

Vagando neste outono que me resta,
A vida num instante e nada mais,
Somente em temporais o imaginar...


MARCOS LOURES

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