sexta-feira, 11 de maio de 2018

VI TUDO QUANTO POSSO




Vi tudo quanto posso, nego nada,
Nada nego e sossego, minha amada...
Explodindo balão em vaga noite
Na festança embolada, penitência...
Meus fracassos selados que eu assino,
Libélula voraz da coincidência.

Ainda que pudesse em coincidência
Traçar a mesma história feita em nada,
Ao ver o quanto possa e mesmo assino,
Gerando desde sempre a sorte amada
Vencendo qualquer medo e penitência
Ao fim do que pudera tramo a noite,

E sei do quanto a vida numa noite
Trouxesse esta esperança em coincidência
E o verso mais audaz, a penitência
O quanto poderia após o nada
Tramar o que se mostre em luz amada
E nisto cada verso que eu assino,

Meu mundo desenhasse o quanto assino
E vivo sem saber se é dia ou noite,
Apenas o que possa na alma amada
Ousando muito além da coincidência
E nisto o que pudesse vir do nada
Gerasse mais que mera penitência,

A vida tantas vezes, penitência,
O mundo sem sentido quando assino
A volta se mostrara após o nada,
E sei do quanto tento em plena noite
Trazendo no final a coincidência
Que torne esta esperança bem amada,

A sorte de tal forma fosse amada,
Gerando o que vencera a penitência
E nisto o que se veja em coincidência
Tramasse o que decerto agora assino,
E nisto se anuncia em plena noite
O todo noutro rumo, invés do nada

A vida dita o nada, minha amada,
E sei que cada noite, penitência,
Além do sonho assino a coincidência.



MARCOS LOURES

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