Nesta agonia tudo terminado
Trazendo a liberdade, num momento
De tais folhas e galhos, sinto o gosto
Agridoce da vida que se cala
Deixando a velha marca do passado,
Imensa cicatriz sobre meu rosto,
O quanto se desenha neste rosto
Traduz o tempo há tanto terminado
E vejo em teu olhar o meu passado
E nisto se presume outro momento
Enquanto uma esperança em vão se cala
Do sonho não se sente nem o gosto,
O prazo determina e sem teu gosto
Ausenta-se expressão e vejo o rosto
E nele a solidão deveras cala
O tanto se fizera terminado
E vejo o quanto possa num momento
Singrar cada cenário do passado,
O tanto que carrego do passado
E nisto se anuncia o mesmo gosto
De quem se permutando num momento
Vagasse sem mostrar sequer o rosto
O tempo há tanto o vejo terminado,
E o quanto poderia em vão se cala,
Minha alma sem sentido algum se cala
E sigo cada instante de um passado
Há tanto sem poder e terminado
Na rude sensação do amargo gosto
E nisto cada ruga deste rosto
Expressa a dor imensa de um momento,
E sigo sem saber cada momento
Enquanto a solidão tanto me cala
E tento demonstrar suave rosto
Na fúria de um anseio do passado,
E sei a sensação do rude gosto
Marcando o já deveras terminado,
O passo terminado num momento
Diverso do que o gosto agora cala
Expressa este passado no meu rosto.
MARCOS LOURES
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