sexta-feira, 11 de maio de 2018

NO TEU BRILHO


No teu brilho me espraio toda noite
Toda noite sonhando com pernoite
Ao lado desta lua que não vê
Meus olhos mendigando o teu carinho.
Tantas vezes procuro e nada vejo
E no final, sempre vou dormir sozinho...

O grande imenso amor sendo sozinho
É como a densa bruma sobre a noite
E tanto te buscasse, e quando eu vejo
Apenas fora inútil tal pernoite
E sei do quanto possa em teu carinho,
Porém o coração já nada vê,

O amor que na verdade sinto, vê,
Envolto nestes sonhos, o sozinho,
E tanto desejara algum carinho,
Perdendo sem sentido cada noite,
E quando imaginasse algum pernoite,
Somente mera sombra agora vejo,

E sei do que em verdade ainda vejo,
Enquanto a própria vida nada vê,
E sigo sem sentido este pernoite
Marcado pelo ser, seguir sozinho,
E o sonho se desenha nesta noite
E nela ausente agora o teu carinho,

E quantas vezes busco algum carinho,
E quando no final apenas vejo
O tanto que desnuda a rude noite
E nisto o que deveras já se vê
Expressa o quanto pude ser sozinho
E trama cada instante num pernoite,

O prazo demonstrado no pernoite,
O canto de uma vida sem carinho,
O verso que se fez rude e sozinho,
O mundo que pudera e não mais vejo,
Enfrento cada passo e o que se vê
Anseia sem defesas dia e noite,

O sonho desta noite em vão pernoite,
O quanto ora se vê já sem carinho,
Traduz o que ora vejo, mais sozinho.

MARCOS LOURES

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