sexta-feira, 11 de maio de 2018

PROCURA MEU AMOR



Procurei meu amor da mocidade
Esquecida e perdida nos alvores
Neste inverno fatal, nos estertores
Finais, quando me resta só saudade...
Agora em meu jardim, as flores mortas,
Somente erva daninha sobrevive.

A sorte de tal forma sobrevive
Matando cada sonho e a mocidade
Expressa no final em folhas mortas
O outono que negasse mais alvores
E sei do quanto resta uma saudade,
Agora que percebo os estertores,

A vida se moldando em estertores
E nisto o quanto possa, sobrevive,
Vagando sem saber desta saudade
Que trame a mais distante mocidade
E veja sem sentido alguns alvores
E traz as esperanças todas mortas,

As tramas enredando fases mortas
E nisto tão somente os estertores
Ainda quando pude ver alvores
O tanto quanto resta sobrevive
E nega a cada passo a mocidade
Deixando no final mera saudade,

E vendo a cada dia esta saudade
Que possa traduzir além das mortas
Razões que emoldurassem mocidade
E nisto vendo apenas estertores
Enquanto uma alma tenta e sobrevive
Já nem mais me lembrasse dos alvores,

E sem saber se um dia tive alvores
Ainda nas lembranças quase mortas
Ousando penetrar vaga saudade,
O quanto de minha alma sobrevive
E trama no final, nos estertores,
A sombra desta rude mocidade,

Só sei que a mocidade em seus alvores
Moldasse em estertores a saudade
Que em ilusões já mortas, sobrevive...


MARCOS LOURES

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