quarta-feira, 25 de abril de 2018

OFERTA 345

Pergunto se inda tens algum trocado
Além do que o pastor vai te levar,
Depositando oferta neste altar
Com juros vai pagando o teu pecado,

Milagre em prestações, bem parcelado,
Sem ter nenhum imposto pra pagar,
Só falta mesmo alguém ressuscitar,
Mas se isso acontecer tome cuidado,

A volta do Cordeiro carpinteiro
No meio deste povo milagreiro
Vai fazer com certeza estardalhaço,

Mistério que chicote desbarata
Apóstolo, pastor, padre pirata
Passando este sufoco num cagaço.


MARCOS LOURES

A REALIDADE

Dizia um companheiro de pagode
Que a vida deve ser maravilhosa,
Por mais que a realidade mude a prosa
No fim se não der cabra vai dar bode,

Quem tenta e não consegue se sacode,
O cravo já não quer saber da rosa
Nos braços do jasmim a rebordosa
Curada como sabe e como pode.

A poesia é coisa de veado,
Vinicius de Moraes que assim o diga
Colher não vou meter na tua briga,

Senão sobra pra mim, e estou ferrado,
A terra só é virgem, nela bole
A pobre da minhoca, toda mole


MARCOS LOURES

PÃO E CIRCO

O pão e o circo fazem tal sucesso
Que novamente vejo a mesma cena,
Gastando sem poder mais outra pena
Estou ficando duro, eu te confesso,

Não vejo no meu bolso algum progresso,
A fama mais distante não acena,
Enquanto este país todo se antena
No circo ao esgotar qualquer ingresso,

Eu sou desafinado e inda por cima
Ainda me restando uma auto estima
Não entro nesta tal politicalha,

Sem ter nem vocação para ladrão,
Cultura no Brasil, desmancha-pão,
Porque não nasci burro nem canalha?


MARCOS LOURES

EXPOSIÇÃO

E viva a nova velha cachorrada
Vendendo as esperanças numa esquina,
Passado no futuro determina,
Depois de tanto tempo, sobra nada,

Assim a coisa andando bagunçada
O quanto na verdade nos fascina
Por outro lado morde em voz canina
E a pobre da gentalha anda ferrada,

A genitália exposta na revista,
Não sei se é da piranha ou de uma artista
É nisso que se deu liberação,

Não adianta crer numa igualdade,
Vaquinha de presépio na verdade
Jogada nesta tosca exposição.


MARCOS LOURES

ÍDOLOS

Meus ídolos depois de tanta grana
Agora aposentados coçam saco,
Cultura brasileira no buraco,
Quem sabe esconde o jogo ou mais engana,

Morena do passado, tropícana
No bonde das novinhas, mas empaco
E bebo de outros tempos, do Sovaco,
Chorinho com certeza era bacana,

Não posso reclamar da juventude
A culpa desta falta de atitude
É desta velharia aposentada,

Contando o vil metal, enchendo a pança
Enquanto a Maravilha canta e dança
Do sonho que vivemos, resta nada.

MARCOS LOURES

HARMONIA

É forma de cantar em harmonia
Trazendo ao coração belos acordes
Por mais que na verdade não concordes
A vida novamente se recria

E enquanto com passados, fantasia
Sonhando com princesas reis e lordes,
Deveras o futuro onde recordes
À contraluz do espelho o velho dia.

Sequelas do passado no amanhã
Tornando a mesma história antiga vã
Permite na passada algum tropeço,

Olhando para frente e para os lados,
Reflexos de outros tempos espelhados
Impedem no presente o recomeço.

MARCOS LOURES

IMENSIDÃO

Formando imensidão de sonhos tantos
Diversos faroleiros, rota insana,
O que pensara rumo desengana
E gera noutras linhas desencantos,

Lutando contra medos, dores, prantos,
A porta escancarada ainda emana
O fétido bolor por mais que espana
A casa pelos quartos, salas, cantos.

Assentando a poeira vejo a luz
Que noutra mesma intensa reproduz
Eterna sensação de espelhos vários,

Até chegar ao nada que absoluto,
Que com a fantasia se eu permuto
Esconde-se no fundo dos armários.

PAIXÃO

Paixão que nos tomou em poesia
Transporta o pensamento aos Eldorados
Há tanto noutro tanto imaginados
E quem deseja amar já fantasia

Vivendo desta estúpida alegria,
Os dias no futuro malfadados,
Bebendo da emoção em engradados
Caminhos que sonegam luz e dia,

Corteses, mas depois toscos, grotescos,
Carinhos se misturam quando frescos,
Mas amadurecidos viram tapas

Verdades absolutas e exceções
Na regra que deveras hoje expões
Da qual nem eu nem nós, jamais escapas.

SOMENTE

Querendo ser por ti, somente amado,
Promessas vento leva; e nada fica
E quando a realidade não se explica,
O resto vou deixando assim de lado,

O gesto mais audaz se desfraldado
Permite esta ilusão que nos complica,
E quando fotografa e assim se clica
O tempo representa o teu passado,

Em vícios me perdendo, precipito
O encanto que já fora mais bonito
E agora se desfaz em leda história

Balofa fantasia fica esquálida
Figura tão formosa agora pálida
Bagunça com os lastros da memória.



MARCOS LOURES

NOSSO AMOR

Derramo nosso amor, venho e te abraço,
Mas nada disso mais te impressiona,
O quanto da verdade já se adona
Não deixa para a sorte algum espaço,

Do verso que te fiz não lembro um traço,
O gosto do abandono pressiona
E quando vejo a vida vindo à tona
Eu bebo deste copo e me embaraço,

Farturas no passado, uma aridez
Presente neste tanto que desfez
O que já fora gozo e riso imenso,

No vértice da vida vejo o fim
Se aproximando e quando junto a mim
Na fuga que não há, teimoso eu penso.



MARCOS LOURES

RUMO

O rumo que será nosso aliado
Depois da tempestade sem bonança
Aonde houver a luz de uma esperança
O dia não será tão destroçado,

Perenes emoções que ainda trago
Depois dos desvarios da paixão
Deveras novos dias nos trarão
Compensando com fé qualquer estrago,

Esgares não resolvem nosso caso,
Tampouco outras mentiras nem falácias,
E quando se percebem tais audácias
Eu vejo no final, simples ocaso,

Vestir esta ilusão que não nos cabe,
Bem antes que esta casa enfim desabe.


MARCOS LOURES

PASSO A PASSO

Decifro no teu corpo, passo a passo,
Enigmas costumeiros e decerto
Ao penetrar no outrora vão deserto
Ocupo cada vez maior espaço

Vestindo esta emoção que mesmo rota
Permite uma alegria além do que
Se pensa quando nada mais se vê
Bebendo até fartar última gota.

Acordo em desacordo com teus atos,
Mas faço meus acordos mesmo quando
Sabendo que perdendo ou me encontrando
Os dias não serão de todo ingratos.

Pecar é se deixar sem ter lutado
Por isso é que inda estou sempre ao teu lado.


MARCOS LOURES

ESTAR CONTIGO

Querendo estar contigo e não sabendo
O quanto é necessário perceber
Além de simplesmente algum prazer
Às ordens de um amor obedecendo,

Alhures entre estrelas, céus e fogos,
Os tempos não são mais conforme outrora
E quando esta paisagem se decora
Esqueço os velhos brados, tolos rogos,

E sinto a liberdade de fruir
Por entre cachoeiras, quedas d’água
E quando noutro mar amor deságua
Nas ondas vou tentando imiscuir

Vontades tão diversas e insensatas,
Mas logo qualquer elo tu desatas.


MARCOS LOURES

FORTALEZA

Fortalecendo sempre cada laço
Do quanto necessário para que
Se possa perceber e mesmo vê
O amor que se demora enquanto laço

A sorte que se foi sem um abraço
E mesmo quem conhece já não crê
Tampouco quando busca, mas cadê
O que deveras fora estardalhaço

Espero qualquer dia novo tempo
Vencido qualquer medo ou contratempo
Num ilusório rumo mais feliz,

E tudo não passando de promessa
A vida pouco a pouco recomeça,
Mas realidade chega e nos desdiz.


MARCOS LOURES

APAIXONADO

Sem medo de saber-me apaixonado
Quebrei a minha cara ao mesmo instante
Em que pensara ter um radiante
Caminho que deveras disfarçado

Agora se apresenta amortalhado
E deixa destroçado um diamante,
Por mais que a sorte ainda me acalante
O mundo terminou no meu passado,

E sei que não devia mais lutar,
Aonde se mostrasse devagar
Passada não levando ao que mais quero,

E sendo mais atroz, pois tão sincero,
Não vejo outro caminho e, de repente,
O fim do nosso caso se pressente.



MARCOS LOURES

RENASCER

Nos madrigais da vida, renascer
Mudando as minhas velhas fantasias
E quando noutro rumo tu me guias
Encontro o que queria, meu prazer,

E sei que não devia me esquecer
Das mais terríveis horas, duros dias
E neles desfraldadas agonias
Enfáticos momentos a perder,

Engulo cada sapo no caminho,
Mas não quero seguir sempre sozinho
Sem ter qualquer momento de emoção,

Viver cada segundo como fosse
Um único e sabendo este agridoce
Destino sei das dores que virão.



MARCOS LOURES

AMANHECER

E vendo-te comigo, amanhecer
O dia que sonhamos e não vinha,
A sorte sendo nossa, sei que é minha
A rendição às tramas do prazer,

E quando vejo a luz nos envolver
O coração ao teu resta e se aninha
Além do que deveras me convinha,
Entregue sem defesas, passo a ser

Apenas um cativo deste encanto,
E quando noutro tom, ainda canto,
Percebo dissonantes ilusões

Diversas das que agora tu me expões
E salutares sonhos adentrando
Tornando nosso mundo bem mais brando.


MARCOS LOURES

TUA PRESENÇA

Tua presença; eterno e raro estio
Deliciosamente exposto em luz
Enquanto pouco a pouco me seduz
Promessa de desejo ao qual me alio,

E quando meu caminho em ti desvio
E sinto na imprudência, corpos nus,
Vencidos os pudores, contrapus
Vontades tão diversas, desafio.

E sinto o teu perfume junto a mim,
Deliro e quando vejo estás aqui
No quanto te desejo e pressenti

O amor batendo forte, até que enfim
Depois de tantos anos solitário
Num mundo sem razão, sem estuário.


MARCOS LOURES

VERGASTAS

Aonde se fizesse em luz nefanda
As ansiosas horas solidão,
Vergastas entre fráguas mostrarão
O quanto a realidade já desanda,

E o tempo se pesando, assim de banda
Percebo terminando este verão
No outono tantas folhas cairão
E o coração sem nexo se debanda

Vasculho seus resquícios e não vejo
Sabujo sem o faro necessário
Apenas este frio temerário

Tomando desde já qualquer desejo,
Espúrias madrugadas, noites vãs,
As nuvens encobrindo estas manhãs.



MARCOS LOURES

DELÍCIAS

Delícias penetrando, noite intensa,
Teu corpo no meu corpo, esta loucura,
Vivendo sem juízo, tanto cura,
A vida se mostrando a recompensa;

Cada toque procura este certeza,
Da sensação completa, minha fome,
Matando com a fonte, sede e come,
Descendo imensa correnteza.

Nas ondas neste mar, a deusa nua,
As bocas se procuram; o vulcão,
Tramando a louca força, em explosão,
E a noite nos tomando, não recua.

E sigo no infinito, cada passo,
Gozando o que pudesse; todo traço...

MARCOS LOURES

DIVERSAS FANTASIAS

Truões entre diversas fantasias
Expressam o que sou exposto às feras
E quando noutra sanha degeneras
Matando estas venais alegorias

Meus sonhos, ledos títeres que vias
Nas noites em silêncio, nas esperas,
Apresentando em dores as quimeras
Mergulho nesta insânia onde havias.

Medonhos os penhascos que enfrentara
Quem dera se visão tivesse clara
Destes cenários toscos que ora enfrento

Os dissabores vários de uma vida
Aos poucos sendo assim já destruída
Num raio tão voraz quão violento.


MARCOS LOURES

CARICATOS

Hediondos caricatos, velhos toscos,
Escrachos kamikazes da ilusão
Meus olhos sem futuro negarão
Os dias mesmo quando forem foscos,

E sei que nos meus ermos acalento
Vontades que deveras não desvendo
O amor não poderia ser adendo
Tampouco o passo assim, muito mais lento

Alcanço os meus primórdios e revejo
Momentos onde a sorte se desfez
Gerando a cada dia esta acidez
Aonde algum sorriso, vão lampejo

Ainda escancarado em rosto amargo,
Enquanto o meu caminho eu mesmo embargo.


MARCOS LOURES

SÁTIRO

Um Sátiro que expõe em multicores
Delírios as vontades mais atrozes
Enquanto disfarçando velhas vozes
Eclode nos projetos, são autores

Das endemias toscas sem pudores
Que mostram tais tenazes mais ferozes,
Pruriginosos sonhos quais micoses
Afloram nesta tez gerando horrores,

Em assertivas falsas, contraluzes,
Aquém do vão caminho onde conduzes
Expressas divindades picarescas

Deveras histriônicos truões
Nudez que neste instante tu me expões
Tornando as fantasias mais grotescas.


MARCOS LOURES

TE PROPONHO

Aonde se pensara em vã estrugem
Uma alma se rebela e ainda busca
Por mais que a noite seja amarga e fusca
Momento além do cais, que ora ressurgem

Vagando sem destino, quando rugem
Em torpes gargalhares; senda brusca,
Astuciosas feras; sonho ofusca
Qualquer delírio aonde os medos surgem

E traçam desatinos mais ferrenhos,
Aonde se tivera em vãos empenhos
Mecânicas diversas das comuns,

Os dias refletindo, pois, alguns
Reflexos de um passado tão medonho
Na ausência do que almejo e te proponho.


MARCOS LOURES

LUCIDEZ

Estrugindo os momentos onde ainda
Pudesse ter alguma lucidez,
A farpa que derramas já desfez
O que uma fantasia não deslinda,

E sendo muito cedo para tal
A morte ainda vejo mais distante,
Embora se perceba o seu brilhante
E gigantesco atroz, torpe caudal,

Espero noutras sendas a conquista
Do todo que pertence ao sonhador,
E seja tão somente como for,
Por mais que tanto doa não desista

Uma alma em aura turva e tão confusa
Dos erros mais comuns ainda abusa.


MARCOS LOURES

AGUARDO O FIM

Ainda aguardo o fim e sei do esquife
Que a vida me prepara e sem saúde,
O sonho feito em lira ou alaúde
Enquanto neste solo eu me espatife

Ainda se quisera ser de grife
A roupa já puída que transmude
Transporta noutro tempo ou atitude
O que se fez mordaz, ledo e patife.

Assédios entre tédios e tensões
Não posso mais conter velhos grilhões
Grileiro do futuro nada além

Do que complete o sonho em desvario
Porquanto tanto quanto eu desafio
As dores se repetem, sempre vêm.


MARCOS LOURES

VIBRANDO

Vibrando com as cordas deste pinho
Num mesmo e tão igual diapasão
Encontro em desafio a solução
E sigo noutra senda mais sozinho,

Compondo ou recompondo o velho ninho
Eu sei das desventuras que virão
Embora ao perceber novo verão
Inverno retornando de mansinho,

Astuciosamente o gelo invade
E tendo no final opacidade,
Hiberno a fantasia e me transtorno,

Do quando não devia já retorno
E trago em minhas mãos outra fornada
Da sorte há muito tempo embolorada.


MARCOS LOURES

OS DEUSES

Os Deuses tão nefastos, rudes seres
Espúrias garatujas do passado
Ainda resistindo vejo ao lado
Dos tantos delicados vãos poderes,

E quanto mais detalhes perceberes
Verás no olhar escuso deturpado
O sonho que pensara emoldurado
Entre as diversas luzes do quereres.

Argutas caricatas e medonhas
Enquanto com planície e vale; sonhas
Imensas cordilheiras, altas serras

Defronte ao teu espelho esta figura
Amarga e inconsequente se afigura
E o sonho – ser feliz, agora enterras.


MARCOS LOURES

ÁGUAS CRISTALINAS

Na limpidez das águas cristalinas
Riachos desaguando em grandes rios
Imensas correntezas, desafios,
Aonde certamente te alucinas,

E quando te embebendo em mansas minas
Deixando no passado os desvarios
Os faunos entre ninfas, rodopios
Futuro mais audaz, tu determinas

E sabes fontes raras de beleza,
Aonde com ternura e tal grandeza
Sobejas maravilhas reconheces

E tendo em tuas mãos o teu porvir,
Os dias mais felizes hão de vir
No enredo que ora em paz desejas, teces.


MARCOS LOURES

NAS MARGENS

Nas margens deste arroio em que te entregas
Aos sonhos de um passado tão remoto,
Aonde se pudesse ver eu noto
Mesmo que tantas vezes siga às cegas

Momentos maviosos que sonegas
E tramas ilusões no amor que adoto
E quando noutro rumo a dor emboto
Encontro doce vinho em tais adegas,

Os deuses protegendo cada passo,
De augustas emoções rumos eu traço
Desfaço velhos nós tão esgarçados,

E assim ao caminharmos para o mar
Percebo neste manso caminhar
A flórea divindade destes prados.


MARCOS LOURES

DIVERSA

Percebo em vós diversa senhoria
E dela ao alcançardes vossos rumos
Encontro-vos exposta ao vários fumos
Lapido em vós soberba pedraria,

Minha alma em vos servir se comprazia
Mantendo do passado seus aprumos,
Bebendo da ilusão, sobejos sumos
Enquanto no vagar, futuro espia

E vê que nada além do que deveras
Exposto sob o olhar das frias feras
Servindo-vos agora como um cais,

Que aos poucos, com soberba destroçardes
E a vida sem sequer medos e alardes,
Aos poucos com tal fúria devorais.


MARCOS LOURES

HEDÔNICO

Em vós percebo agora ser presente
A condição terrível em que se expõe
O mundo que deveras não se opõe
Por mais que nova face se aparente

Argutos passos sendo-vos constantes
Não deixam que se espreite o bote enfim,
E quando se percebe está no fim,
Diverso do que vira, até bem antes.

Ser-vos-ia melhor ter outra face
E dela ao comprazer-se uma esperança
Que ao vago do infinito ora se lança
Por mais que o dia a dia nos embace,

Destino que se faz escorpiônico
Num suicídio lento e quase hedônico.


MARCOS LOURES

ALHEIO

Alheio aos vossos dias em quimeras
Terríveis pesadelos, noite adentro,
No quanto ser feliz já me concentro
Teimando em ressurgidas primaveras,

Ser-vos-ei fiel enquanto houver
A luz que ora nos guia e que permite
Olhar novo horizonte no limite
Além do que este sonho propuser

E por amar-vos tanto é que me entranho
Em sendas tão confusas e diversas,
Por mais que escutais; vãs, tolas conversas
Refaço este caminho desde antanho

E vivo como fosse etérea luz
Que espelho distorcido reproduz.


MARCOS LOURES

MAS COMO SE ROUBARDES CÉU E MAR?

Mui alheio ao desmembrar de tal história
Aonde se mostrara ultimamente
Aquém do que se quer e se pressente
Apenas os resquícios da vanglória

E nela esta verdade peremptória
Tomando já de assalto minha mente
E quando em vós a luz se torna ausente
O amor se trancafia na memória.

Adentrais tais masmorras do sentir
E crer após o nada no porvir
Tarefa à qual não posso me entregar,

Servindo-vos deveras poderia
Criar ou navegar na fantasia,
Mas como se roubardes céu e mar?


MARCOS LOURES

EXPOSTA

Na grã vontade exposta em vossos olhos
Arpôo meus sentimentos mais vorazes,
E quando se demonstra em toscas fases
Apenas colherei urzes e abrolhos,

Orgásticas e insanas sensações
Diversas das que outrora não sentira,
Ainda posso crer acesa a pira
E sei que novos dias e verões

Virão para tornar bem aquecida
A história renegada desde quando
O amor em novas luzes se mostrando
Matara o ressurgir de alguma vida

Expresso o que sincera renegais
E sei que não vos tenho nunca mais.

MARCOS LOURES

SOBERBA

Andais em tal soberba, disfarçada
Vencendo os vossos medos, mas também
Enquanto as noites frias inda vêm
Uma alma se demonstra tão gelada

Que leva do não ser ao pleno nada
E se isto com certeza vos convêm
Eu não posso apostar mais um vintém
Na senda pouco a pouco desgraçada,

Salgando este riacho aonde um dia
A vida se mostrara menos fria
Entendo-vos, porém jamais aceito

Os ermos que me dais; cruel herança
E quanto mais além o passo avança
O amor perde bem mais que simples pleito.

MARCOS LOURES

NOS SONHOS

Nos sonhos cantarás as melodias
Que tantas vezes ouço em noite branda
A lua se espraiando na varanda
Aonde com prazeres sonhares crias,

Derramas sutilmente as alegrias
E danço como fosse uma ciranda
Realidade tola em vã demanda
Diversa da ilusão que ora porfias

Escravizando uma alma onde se vê
A luz que não pergunta se há por que
Apenas se algemando na paixão

Esgota qualquer força libertária,
E sabe muito bem quão grã e vária
A glória que outros dias nos trarão.


MARCOS LOURES

QUANDO FINDA A TORMENTA

Quando finda a tormenta que me assola
E transformada em paz tal rebeldia,
Nascendo finalmente um claro dia
A glória perfilando nova escola

Aonde se pudesse ter nas mãos
A sorte benfazeja e desejada,
Depois de ter vivido esta alvorada
Momentos do passado sendo vãos,

Encontro a paz que tanto perseguira
E nela a claridade feita em festa,
Adentrando do amor sobeja fresta
Mantendo sempre acesa a intensa pira

Que tanto representa este laurel
Trazendo para a Terra o imenso céu.

MARCOS LOURES

TOCANDO A AREIA

O mar tocando a areia com ternura
Esfuma-se em beleza sem igual,
Assim ao refazer tal ritual
A vida se refaz e já perdura

Tocada pelas mãos desta candura
Que é feita em água, sol, mares e sal
Sobeja maravilha que ancestral
Na enfática deidade se emoldura.

Assisto a tal paisagem e me proponho
Além de simplesmente um mero sonho
Viver a eternidade deste instante

Que tanto procurara a vida inteira,
Da glória feita em luzes mensageira
Deveras divinal e deslumbrante.



MARCOS LOURES

GLÓRIAS

No sonho cantarei glórias a quem
Nos deu tanta fartura e se fez Pai
E enquanto a noite chega e a tarde cai
Beleza multicor o céu contém

Vislumbro nesta lua que ora vem
Um raio tão fantástico que atrai
O olhar deste poeta onde se esvai
A dor de se saber já sem ninguém.

E quando me envolvendo em tantas luzes,
Deixando no passado, abrolhos e urzes
Permito acreditar no amanhecer

Raiando com soberbo e belo sol
Tomando totalmente este arrebol
E nele ao Grande Deus, agradecer.


MARCOS LOURES

BEBER O SONHO

Uma alma de poeta bebe o sonho
Aonde se imagina mansidão
Deveras novas luzes me trarão
Além do que em poesia ora componho,

Servindo como tela este risonho
Caminho aonde glórias mostrarão
A sorte de viver tal emoção
Aonde cada dia eu recomponho,

Vivendo a plenitude de poder
Saber da maravilha do nascer
De um sol que se irradia pela Terra

E nesta imensidão já traduzir
O sonho de um melhor, belo porvir
Que a cada novo dia se descerra.


MARCOS LOURES

PALPITAR DOS SONHOS

No palpitar dos sonhos, entranhado
Vivenciando o gozo quase incrível
Aonde se pensara um invencível
Caminho a ser devera desbravado

Agora que percebo-me ao teu lado,
Não tendo mais temor sinto plausível
O quanto desejara imperecível
Momento com denodo desfrutado,

Escuto a voz que outrora fora um canto
E nela me refaço em puro encanto
Perenizando em vida um sonho audaz,

Que tanto desejara e ora desnudo
Com fé, viva esperança eu não me iludo,
Mas sei o quanto em brilho satisfaz.



MARCOS LOURES

COMO SE FORA

Como se fora algum nobre concerto
Em vozes afinadas, instrumentos
Trazendo aos meus ouvidos sentimentos,
Diverso do terror que ora deserto,

Caminho pelo encanto descoberto
Encontro nos teus olhos meus alentos
E bebo a fantasia destes ventos,
O peito sem defesas segue aberto

E quanto mais te escuto mais me embrenho
Na cândida emoção em raro empenho
Vislumbrando o futuro mais tranqüilo,

E tudo o que se fora angustia e medo,
Agora em plenitude já concedo
Enquanto a paz imensa ora destilo.


MARCOS LOURES

MESQUINHARIAS

Qual fora forte cedro, algum carvalho
Cipreste que deveras se mostrasse
Deixando no passado um vão impasse,
Nas horas em que amor, quero e batalho,

Enfrento o pedregulho e neste atalho
Por mais que outro caminho a vida trace,
Adentro sem temor, mostrando a face
Jamais cedendo ao corte, à faca e ao talho.

Mesquinharias lego ao triste olvido,
E sigo com vigor e decidido
Vencendo os desafetos e vinganças,

Enquanto neste olhar tranqüilo e firme,
A sorte a cada dia se confirme,
Comigo em meio às trevas vais, avanças.


MARCOS LOURES

TORMENTA

Findando a tormenta aonde havia
Perdido as esperanças, recupero
O dia após um dia duro e fero,
Renasce pouco a pouco a fantasia,

Uma alma delicada se extasia
E sabe muito além do que inda espero
O tempo aonde o sonho regenero
E nele se bebendo esta alegria

Percebo quão divina a vida trama
O sonho mais voraz que a própria chama
Eternizando o gozo de um instante

Defronte aos meus antigos desafetos,
Sensatos caminhares mais corretos
Levando a um novo tempo deslumbrante.



MARCOS LOURES

NUM ABRAÇO DIVINO

Num abraço divino vejo a terra
Exposta à bela lua que se dá
E nela a fantasia mostrará
Beleza sem igual que ora se encerra

Na placidez sobeja que desterra
Qualquer tristeza ou dor e desde já
O dia novamente brilhará
Mudando esta paisagem: dor e guerra,

Assim nesta mutável realidade
O amor quando demais já nos invade
E não deixa sequer alguma chance

Aos tantos insucessos, solidão,
E noites de luar nos mostrarão
Eternidade em luz ao nosso alcance.


MARCOS LOURES

NOITES TÃO VAZIAS

Bebendo as amarguras que trouxeste
Em noites tão vazias, solidão,
Os dias que virão nos mostrarão
Aquém do que sonhara e que se ateste,

Ao menos ser feliz eu poderia
Se tudo não passasse deste nada,
Uma alma ao sofrimento destinada,
Já sabe que sonhar, dura utopia

A cada tempo trama outra falácia
E nela me conduz á luz espúria,
E aonde se fizesse tal incúria
Não posso ter sequer qualquer audácia,

Vencido pela tosca insensatez
O mundo que eu sonhara se desfez…


MARCOS LOURES

ETERNO SONHADOR

Como outrora nos cantos a euforia
De quem se fez eterno sonhador,
Agora ao perceber já murcha a flor,
O quanto desejava se perdia

Nas ânsias mais vorazes, percebia
Que embora fosse um tolo trovador,
Envolto em armadilhas de um amor
Além do que deveras concebia

Cedendo às tentações inda reluta,
Mas sabe quanto a vida se faz bruta
E traz depois da luz a escuridão,

Perpetuando o sonho em seus poemas,
Atando o seu futuro às tais algemas,
Seus olhos alegrias não verão.


MARCOS LOURES

SEGUINDO EM FRENTE

Cantando o nada ter seguindo em frente
Destroços que recolho dos meus passos
E neles novos dias, velhos traços
O quanto se queria diferente

No fundo não se sabe nem se sente
Sequer nestes momentos bem mais lassos,
Os gozos entre dores e cansaços
Medonhas ilusões, pobre demente,

Arrisco-me e sabendo desta queda,
Pagando com a mesma vã moeda
A dor que me trouxeste como brinde,

Sem ter qualquer beleza que deslinde
A vida se perdendo em turbilhões
Aos quais os meus caminhos logo expões.


MARCOS LOURES

RETRATOS DO QUE FOMOS

Retratos do que fomos, as carrancas
Vagando pelo rio em noite escura
Na ausência de beleza, a dor perdura,
E apenas sofrimentos vis arrancas,

E quando se percebe frágeis laços
Que uniram sentimentos tão diversos,
Somente restarão então meus versos,
E neles os meus olhos, tristes, lassos,

Num enfadonho canto, a ladainha
Que tanto repetiste vida afora,
E sabes muito bem o quanto agora,
Uma esperança viva é tão daninha,

Não deixe qualquer rastro nesta sala,
Minha alma empedernida já se cala.


MARCOS LOURES

DOCES MARAVILHAS


Grassando em doces maravilhas,
Seguindo esta nudez, deusa e princesa,
O todo se transforma essa acesa
Invade com ternura, nossas ilhas.

Abrindo tuas sendas, adentrando,
Os portais desses sonhos, cada gota,
Na gruta penetrando, segue a rota,
Sentindo o teu desejo, em teu comando,

Levito-me em suores, tuas pernas,
Abrindo ao paraíso, e sinto ao tanto,
Bebendo teu licor, e todo o encanto,
Os lábios penetrando, as noites ternas.

Gotejas mansamente, e vens após,
Até chegar cascatas, sigo a foz..


MARCOS LOURES

TAÇAS DE CRISTAL

Brindando à morte em taças de cristal,
Esboço a reação que tu querias,
E as noites embalando as agonias
Num torpe desmedido ritual,

Olhar deveras tolo e sensual,
Que tanto vez em quando enaltecias,
Deveras com certeza não sabias
Do quanto parecia tão boçal

E agora com sarcasmos imbecis,
O todo que se foi se contradiz
Rasgando a velha roupa já puída,

Assim ao perceber este naufrágio
A dor volve cobrando com seu ágio
Esfacelando assim a rota vida.


MARCOS LOURES

AMANDO O TEMPORAL

Amando o temporal que nos destroça
E tendo sob os olhos no horizonte
A morte que insensata já desponte
Fazendo da ilusão medonha troça,

As farpas entre os dardos atirados
Venenos desta vil zarabatana
Enquanto a realidade desengana,
Os dias entre nuvens traçam fados

Medonhos e talvez neles perceba
Um rastro de ilusão ainda viva,
E quanto mais a história sobreviva
Na multiplicação da espúria ameba

A sorte se desenha em luz sombria
Enquanto sortilégios vãos, desfia.


MARCOS LOURES

OUTRORA

Outrora entre insensatas maravilhas
Vencemos insolentes desafios,
Agora quanto mais extensos fios
Diversa senda estúpida já trilhas

E mesmo que inda fossemos quais ilhas
Os deuses em soberbos desvarios
Levando para além mares e rios
Gerando a cada passo as armadilhas

Das quais não poderíamos fugir
Sem ter sequer no olhar qualquer porvir
Nosso horizonte em névoas se perdendo,

Felicidade um sonho tão distante,
E quando se pensara deslumbrante
O dia se nublando, anoitecendo.


MARCOS LOURES

TERRÍVEIS TEMPORAIS

Trovoas em terríveis temporais
Deixando a placidez sempre de lado,
E quando se percebe derrotado
Caminho que deveras trouxe um cais,

Bebendo dos esgotos queres mais
Que um simples corpo nu e ensangüentado,
Cadáver insepulto vislumbrando
Exposto à torpe fúria dos chacais,

Apenas te servindo de regalo,
Olhando tal cenário nada falo
E sigo meu caminho simplesmente

A fera te domina e te transtorna,
Destroço de esperança que te adorna,
Um fétido destino se pressente.



MARCOS LOURES

ROCHEDOS E PENHASCOS

De todos os rochedos e penhascos
Aonde se arrebenta o velho mar,
Apenas poderia decifrar
Momentos entre turvos, débeis ascos,

E sabes que deveras nestes frascos
O veneno entre o sangue a se banhar
A face desdenhosa a provocar
Sabendo desde já velhos fiascos,

Amargas com teus risos os meus dias,
E sinto em tuas mãos as rebeldias
Que outrora me trouxeram seduções

Nefastas armadilhas que ora expões
E nelas com tenazes homicidas
Demonstras tuas faces distorcidas.

MARCOS LOURES

LÁBIOS

Lábios desejosos deste pus
Abscessos que deveras não rasgaste,
E quando se percebe este contraste
Ao qual decerto tanto já me opus

Percebo que afinal, faltando a luz,
A sorte se perdendo como um traste
Diversa do que tanto propalaste
Vivendo tão somente inferno e cruz.

Perenes abandonos, noites vãs
Aonde se pensara nas manhãs
Eterna madrugada em tom sombrio,

E quando se percorre outra alameda
Por mais que uma esperança se conceda,
Condenas ao terrível, ledo frio.


MARCOS LOURES

VENTO ATROZ

Ao tremular as folhas, vento atroz
Trazendo novidades mais espúrias
Exposto aos vendavais, terríveis fúrias
Não quero nem ouvir da sorte a voz,

A fera se escondendo em todos nós
Não ouve nem sequer dores, lamúrias
Professa com certeza vis incúrias
E traz no olhar soberbo um ar feroz.

Astuciosamente atocaiada
Depois de ver a presa destroçada
Gargalha-se esta hiena dita amor,

Ferrenhos companheiros de desgraça
Os sonhos desfilando em plena praça
Fazendo da mortalha seu andor.


MARCOS LOURES

SOMBRIA

Aonde houvera luz se fez sombria
Terrível madrugada em solidão,
Aonde houvera outrora algum verão
Apenas noite imensa, amarga e fria

E muito aquém do quanto se pedia
Vazio aonde houvera multidão,
Os dias no futuro mostrarão
O quanto a cada tempo se esvaia

Do todo feito em brumas, tão somente
O nunca mais deveras se apresente
Tornando este cenário tão escuro,

E quando imaginara, de repente,
Um mundo mais feliz a sorte ausente
Da luz que insanamente em vão procuro.

MARCOS LOURES

RODA ETERNAMENTE

Como uma roda gera eternamente
O mesmo movimento, a rotação
Da Terra numa tal demonstração
Que outrora se pensara diferente

Assim noutro momento outra visão
Diversa da real tomando a mente
De quem tendo nas mãos o onipotente
Poder feito qual Santa Inquisição

Ardentes as fogueiras do passado
Ainda no presente demonstrado
Esta falácia tosca dita Igreja

Que em trevas mergulhou a humanidade
E nunca se percebe saciedade,
Ainda sem respaldo, vã, troveja.


MARCOS LOURES

PERFEITA SINCRONIA

Na arquitetura vária do universo
Perfeita sincronia se percebe,
E quanto à realidade, a velha plebe
Concebo num buraco sempre imerso

O sonho de igualdade; não converso,
Pois sei que o rico o sangue quando bebe
Não se sacia nunca e ainda recebe
As graças de um terror jamais disperso,

Pagando os seus pecados numa Igreja,
Maldito para sempre que assim seja
O abutre insaciável, este burguês,

Que enquanto esfacela uma esperança
Aos rumos mais insólitos se lança
Mantendo esta soberba em altivez.



MARCOS LOURES

POBRE PAI

O amor que se traduz em Jeová
Depois de ter criado a humanidade
Jamais se percebeu saciedade,
E assim ainda agora, ontem e já.

Decerto novamente tomará
Por mais que uma verdade desagrade
À força o tal poder da sociedade
No inferno a cada dia mostrará

A garra desta fera insaciável
Movida pela fome de poder,
Tornando o ar assim irrespirável

E mesmo que inda tenha que morrer,
Num suicídio estúpido e venal,
E à plebe futebol e carnaval.


MARCOS LOURES

CORTESÃS

Antigas cortesãs e lupanares
Agora aposentadas, na mesmice
Se vê a realidade em que se disse
Usando para tal novos altares,

E quando perceberes e notares
Aonde chegará tanta crendice
A humanidade bebe esta tolice
Vendida em gritarias ou esgares.

Profetas transformando o pobre Cristo
Nesta mercadoria bem falsificada
Inextirpável mesmo o podre cisto

E drenar este abscesso é necessário,
Mas quando se percebe esta cambada
Gulosa qualquer passo é temerário.


MARCOS LOURES

FEDETINA

Terrível fedentina toma a rua
E ganhando os altares vem de chofre
Recendendo deveras ao enxofre
Que assim em pleno culto continua,

Perfumando deveras já se exala
Da face de um pastor tão exaltado,
No rabo do capeta em vão pisado
Tomando já de assalto a velha sala,

O quadro se repete todo dia
Depois é só correr a sacolinha
Socorre quem não tem e nunca tinha
Ao encher uma pança outra esvazia,

E Cristo numa cruz mui bem pregado
Olhando para a cena desolado.

MARCOS LOURES

PRAGA

Não faça do teu voto algum penico,
Depois quem come a merda; amigo és tu,
Cocô assim assado, frito ou cru
Cobrando bem mais caro qualquer mico.

Político é safado? Mas retrata
A cara deste otário, do eleitor,
E seja da maneira como for
Da própria sociedade fina nata,

Mamata atrai mamata e a burguesia
Mantendo no poder essa cambada
O nome já diz tudo de putada
É prole que outra prole já recria,

E assim de pai pra filho, filho e neto,
Procriando esta praga, qual inseto.


MARCOS LOURES

COMPLETA REDENÇÃO

Perceba o quanto Deus se fez amor
E nisto simplesmente a realidade
Falando com total sinceridade
Aí reside todo o meu louvor,

Não quero nem preciso de pastor
Que leve para a falsa eternidade
Ganhando com poder, notoriedade
Achando-se deveras o Senhor,

Eu necessito, amigo e nisto insisto
Somente deste AMOR QUE TROUXE CRISTO
Acima de qualquer espúria IGREJA,

Pois dele é que se tem pleno perdão,
E DELE A COMPLETA REDENÇÃO
Que para o Eterno Amor, deveras seja.


MARCOS LOURES

O VERDADEIRO AMOR

Quisera podre crer no amor humano,
Seria então decerto um novo dia,
Mas quando a realidade propicia
Um ar bem mais cruel quase profano,

Percebo bem mais forte cada engano
Aonde se pensara em alforria,
Escravidão refeita na alquimia
Deste poder soberbo e desumano

Prostituindo enfim este Cordeiro,
Que agora simboliza algum dinheiro
Vendido como fosse um milagreiro,

Amigo, dos meus sonhos Companheiro,
Que em vida fora simples carpinteiro
Do AMOR MAIOR EXEMPLO, O VERDADEIRO.

MARCOS LOURES

FEITO EM LUZ

O mundo que entranhamos feito em luz
Ao grande amor recende e nos permite
Viver além do quanto se limite
A intensidade audaz que reproduz

Intensamente a força deste sonho
No qual me abandonando sou feliz,
E mesmo quando a vida contradiz,
Um novo amanhecer quero e componho,

Vencendo os meus terríveis dissabores
Alçando Paraíso imaginável,
O amor quando demais, inevitável
Colheita de sobejas, raras flores,

Inusitado sol que ora nos banha,
Erguendo-se por sobre esta montanha.


MARCOS LOURES

LEVEZA 411

Em toda esta leveza que eu queria
Apenas encontrei mais dissabores
Aonde se pudesse sem rancores
Viver com emoção tal alegria,

Minha Alma noutro rumo seguiria
Tocada pelos raios dos albores
Seguindo cada passo aonde fores
No amor que tantas vezes me inebria.

Sentir o teu perfume e ser teu par
Sabendo desde sempre onde encontrar
Os rastros que deixaste pelo chão,

Na espreita de um momento mais feliz,
Provando deste entanto quero o bis
Que enfim raros prazeres nos trarão.


MARCOS LOURES

MOVENDO OS ASTROS

Amor movendo os astros nos traria
Além de simples cores, belos raios,
A lua se espraiando e em seus desmaios
Deitando sobre o mar: alegoria,

E quando se percebe tal beleza
A vida refletindo imensidão,
Momentos mais felizes mostrarão
Ao fim do caminhar, farta grandeza

E quando me percebo em fina areia,
Tocado pelas ondas sob a lua
Uma alma em transparência continua
E enquanto em maravilhas se incendeia.

Volvendo o grande amor que um dia eu quis
Eu posso finalmente ser feliz.



MARCOS LOURES

MINHA VONTADE

Minha vontade expressa em poesia
Traduz novos anseios que bem sei
Deveras modificam cada lei
Aonde uma ilusão atroz se guia

Mergulho no silêncio e na ardentia
O fogo dominando toda a grei,
Além do pensara, imaginei
A vida que em belezas ressurgia,

Retrato de um amor que se desnuda
Uma alma outrora amarga e quase muda
Ao se envolver em luz, deveras tanta,

Renasce e neste instante se percebe
A claridade intensa desta sebe
E esta alma, antes calada, agora canta.


MARCOS LOURES

À FANTASIA

À fantasia tanta glória e luz
Bastante que deveras a permita
Enquanto tão fugaz; louca e bonita
Ao mesmo tempo dói e nos seduz,

Ansiosamente exposto em raros nus
O sonho aonde a sorte em vão palpita
Trazendo em suas sanhas a pepita
Que quando lapidada reproduz

Diamantino gozo da esperança
À qual a nossa vida já se lança
Após tantos tormentos, desvario.

E quando percebendo ao meu alcance,
Enquanto no vazio já se lance
O amor em luzes fartas eu recrio.

A CLARIDADE

Se não houvesse mais a claridade
Que tanto nos impele e propicia
Caminho pelo qual a fantasia
Deveras nos encontra e quando invade

Por mais que tolha cedo a liberdade
Expressa esta emoção em raro dia,
Ouvindo estes acordes, melodia
Entranha dentro da alma; ansiedade.

Vestindo a transparência de quem ama,
Mantendo bem distante medo e drama
Seguindo em direção ao raro sol

Que a noite em lua imensa anunciara
Numa manhã brilhosa, mansa e clara
O amor vai dominando este arrebol.



MARCOS LOURES

terça-feira, 24 de abril de 2018

PELO SONHO 416

A mente clareada pelo sonho
Que tantas vezes traz felicidade
E mesmo em outro rumo rompe a grade
E traz este Eldorado que componho

Usando deste barco aonde ponho
A luz que me permita a liberdade
Alçando a imensidão que tanto agrade
Tornando o meu caminho mais risonho,

Perpetuando a voz de uma esperança
Que contra vendavais, peleja e avança
Tornados e tempestas desconhece,

Nas mãos este timão que nos transporta
Abrindo com certeza qualquer porta,
Nas teias deste amor que a vida tece.


MARCOS LOURES

VONTADE

Vontade remodela esta quimera
Que outrora infernizara a minha vida,
Aonde se perpetra a despedida
O amor sonegaria a primavera,

E quanto mais se quer, deseja e espera
A história noutra cena ressurgida
A poesia invade a fria ermida
E com calor e paz já nos tempera,

Vestindo de emoção tal frialdade
Bem antes que esta sanha se degrade
Vencer os vários medos, prosseguir

Sabendo deste sol a clarear,
E o dia que deveras vai mostrar
O redentor refúgio no porvir.


MARCOS LOURES;

DESTE SONHO

Pisando nas entranhas deste sonho
Audaciosamente nada temo,
E quando novamente aqui me algemo
Pensando num instante mais medonho,

A força que perdera recomponho
E vivo a liberdade, encontro o remo
Navego contra as ondas, medos cremo
Aos demos de minha alma, já me oponho

E contrapondo assim cada momento
Por mais que o prosseguir se mostre lento
Atento nada perco, nem desfaço

Os passos rumo à luz que ora nos guia,
Vibrando nesta mesma sintonia
Jamais demonstrarei qualquer cansaço.


MARCOS LOURES

PEDREGULHOS

Meus pés enfrentam tantos pedregulhos
E sei que na verdade não teria
A paz que muitas vezes a alegria
Demonstra com paixão, raros orgulhos

Nas ânsias dos desejos, os mergulhos
Nesta água mesmo turva, atroz e fria,
A sorte se lançando mostraria
O encanto de sereias e marulhos,

Extraviando barcos, perco o cais,
E quanto se procura por venais
Caminhos que deveras desconheço,

Não posso sonegar esta querência,
E quando se aproxima da demência
A vida se lançando sem tropeço.


MARCOS LOURES

ARAGENS 420

Aragens tão diversas vida e morte,
Ausência do querer e ter comigo
O amor que se mostrasse mais amigo
E a paz num raro enlevo que conforte,

Por mais que tantas vezes seja forte
Vencer os dissabores não consigo
E mesmo quando envolto em vão perigo
Não tenho nem pressinto melhor sorte.

Amar e ter apenas o vazio
Resposta costumeira, desafio
Ao qual já não consigo responder,

Apenas o silêncio me transporta
Além deste momento em que a comporta
Fechada não permite se escorrer.


MARCOS LOURES

SONHOS TANTOS 421

Amor ao recender aos sonhos tantos
E neles traduzir o que se quer
Aonde uma esperança traz encantos
Desejos delicados da mulher

À qual se permitindo claros mantos
Transcende ao próprio amor e se puder
Traduz com elegância velhos cantos
Beleza que jamais se fez qualquer,

Argúcia em voz macia, conquistando
Deveras um caminho bem mais brando
E tudo se transforma e me serena

Na força incontestável deste fogo
Aonde muito além do simples rogo,
Quem vence traz palavra mais amena.


MARCOS LOURES

TERNURAS

Sonhara com enlevos e ternuras
Mudando a direção dos turvos dias
Além do que sobejas fantasias
As sendas mais felizes que procuras,

E quando na verdade mais querias
Momentos de prazer, mortas torturas
Deixando no passado as amarguras
E as noites sem ninguém, deveras frias,

Assisto ao caminhar de quem desejo
E nele a cada passo outro lampejo
Da luz que se irradia deste olhar,

Sonhando com teus beijos e carinhos,
Os passos que darei jamais sozinhos,
E um novo mundo agora, desvendar.


MARCOS LOURES

ADORMECER

Pudesse adormecer ao lado teu
E ter as mesmas luzes que ora emanas,
Manhãs deveras raras, soberanas
Deixando para trás a treva e o breu,

O amor que neste amor tanto se deu
Por mais que se pensassem tão profanas
Loucuras onde a dor em paz enganas
Vivendo sem temor o que escolheu

Caminho redentor em plena glória
Aonde se traduz sem ter vanglória
A imensidão soberba do amanhã

Envolto em claridade e perfeição
Tramando estas belezas que virão
Negar melancolia tão malsã.


MARCOS LOURES

LUA PLENA

Se abrindo sobre nós a lua plena
Tocando nossos corpos com seu brilho,
E quando em tal delírio maravilho
Caminho que decerto me serena

Cigana fantasia diz da amena
Beleza sobre a qual ainda trilho
Vagando pelo espaço, um andarilho,
Que à própria solidão já se condena,

Vestindo a claridade prateada
Da rara deusa nua, tão amada,
Vencendo os meus momentos de terror,

Eu sei que finalmente encontraria
Nos braços da mulher a estrela guia
Levando aos descaminhos deste amor.

MARCOS LOURES

BELA VISÃO

Uma bela visão que me domina
Enfeitiçando o olhar e o pensamento,
O encanto que no encanto eu incremento
Transforma esta emoção em rica mina,

E vendo esta beleza cristalina
E nela me lançando, sinto o alento
Que tantas vezes quero, sempre tento,
E sei que a cada dia mais fascina,

Expondo em cada verso esta emoção
Eu sei que novos dias me trarão
A redentora paz que necessito,

Outrora muitas vezes mais aflito
Buscando qualquer porto, ancoradouro,
Agora em raios fartos eu me douro.


MARCOS LOURES

AGORA

Junto ao seio de quem desejo agora
E sei que também quer mesmo desejo,
Um dia mais feliz inda prevejo
No quanto deste amor que nos devora,

E quando a fantasia se assenhora
E toma este cenário em azulejo,
O amor deveras belo e mais sobejo
Já sabe que não tem segredo ou hora,

E ancora-se deveras nos meus braços,
Depois de tantos dias tristes lassos
Os passos permitiram a chegada

À glória onde este gozo propicia
Além de simplesmente uma alegria,
Belíssima fulgor tomando a estrada.


MARCOS LOURES

TEUS LÁBIOS 428

Sequioso de teus lábios não me canso
De crer ser mais possível ter nas mãos
Momentos decisivos sem os nãos
Tornando o meu caminho bem mais manso,

E quando outros delírios eu alcanço
Percebo ter deixando imensos vãos
E neles sepultado belos grãos
Agora se aflorando em tal remanso,

Um sonhador se mostra mais capaz
E quando o sonho invade e satisfaz
Realidade muda o nosso fado,

É como se pudesse não dormir
Vivendo sem temor e prosseguir,
Continuo a sonhar, mas acordado.


MARCOS LOURES

MEL

Bebendo deste mel farto que dás
Transcendo ao próprio sonho, vivo além
E quando os temporais ferozes vêm
Encontro em teu recanto tanta paz,

Outrora a vida fora tão mordaz,
E sei que muitas vezes sem ninguém
Sabendo o sofrimento que contém
A ausência de um querer, mesmo fugaz,

Mereceria ao menos um momento
Poeira devagar tomando assento
Vontade saciada em doce mel,

Contigo desvendando tais segredos,
Deixando no passado velhos medos,
Alcanço mesmo em solo, o imenso céu.

MARCOS LOURES

SOMBRAS

Vivem nestas sombras mais atrozes
Diversas criaturas e percebo
Que quanto mais audaz mundo concebo
Escuto do passado torpes vozes,

Momentos de prazer? Meros algozes
Diversa fantasia em que me embebo
O amor jamais passou de algum placebo
Em meio aos desvarios mais ferozes,

Saber das desventuras que virão
Nas sendas tão obscuras da paixão
Invado descaminhos e me perco

Nas ânsias onde outrora imaginara
A luz mais deslumbrante, imensa e rara
Diversa deste escuro em tosco cerco.


MARCOS LOURES

BORBOLETA

Qual fora em minhas mãos a borboleta
Esvaecendo em luzes tão profusas,
Enquanto minhas noites são confusas
E ao devaneio o sonho me arremeta,

A vida se mostrando qual cometa,
Em ondas tão diversas quando me usas
E sei que sendo teu, o quanto abusas
Um erro costumeiro que acometa

Quem tanto se tornando assim amada,
Já sabe desfiar cada segundo
E quando nos teus braços me aprofundo,

Aos poucos emergindo noutra estrada
Revoas e levando assim contigo
O amor que me condena ao desabrigo.


MARCOS LOURES

DIVERSAS FLORES 432

Vivendo deste sol, diversas flores
Que tornam meu canteiro mais bonito,
E quando se transporta ao infinito
Seguindo descaminhos onde fores

Bebendo a fantasia dos albores,
Fazendo da esperança quase um mito,
O outrora sentimento mais aflito
Agora se permite em novas cores,

Receba com carinho tal mensagem
E dela percebendo esta paisagem
Na qual insiro amor, fato incisivo,

Saber das dissonâncias da ilusão
O encanto mesmo sendo temporão
É dele e tão somente que inda vivo.


MARCOS LOURES

ORGASMO

Sentindo o teu perfume e vejo a vida
Que tantas vezes sinto em tal essência,
A luta se desenha em consistência,
Porém encontro a sorte, outra saída.

E sinto o meu delírio te encontrando,
Loucuras entre dois, cenário; sinto,
E quando este vulcão, não mais extinto,
Jamais se mostraria, calmo e brando.

Meus lábios procurando esta loucura
E sinto como fosse uma erupção,
Trazendo a cada passo, outra explosão,
Que tanto nos domina, e sempre cura.

Não mais teremos nunca algum marasmo,
E explodes essa fome, a cada orgasmo...

MARCOS LOURES

DIVERSAS FLORES 432

Vivendo deste sol, diversas flores
Que tornam meu canteiro mais bonito,
E quando se transporta ao infinito
Seguindo descaminhos onde fores

Bebendo a fantasia dos albores,
Fazendo da esperança quase um mito,
O outrora sentimento mais aflito
Agora se permite em novas cores,

Receba com carinho tal mensagem
E dela percebendo esta paisagem
Na qual insiro amor, fato incisivo,

Saber das dissonâncias da ilusão
O encanto mesmo sendo temporão
É dele e tão somente que inda vivo.

MARCOS LOURES

TUA PELE

TUA PELE

Sentindo em tua pele, meu anseio,
Vagando pelas noites sem destino,
Procuro como fosse algum menino,
Beijando com vontade, cada seio.

E tantas vezes tramas, novos passos,
Meus olhos, a nudez dessa rainha,
E quantas vezes sendo sempre minha
Desenho esta loucura, doces traços.

Sentindo o quanto fora sem mais nexo,
Gemidos e delírios, fontes busco,
E quando noutro instante, não ofusco,
Tocando mansamente o teu sexo.

Até que chegue; em luzes, teu gozo,
Bebendo o teu prazer, delicioso...


MARCOS LOURES

SIGO MANSO


A deusa desnudada em clara luz,
Deixando seu caminho para além,
E o tempo se desnuda e segue alguém,
Vagando quando possa e me seduz.

A lenda se refaz na sorte e cruz,
O todo que quisera, nada vem,
Nem mesmo houvera a lida me convém,
Reflete o desejado em contraluz.

Recebo em tuas rosas os espinhos,
Procuro pelo menos velhos ninhos,
Agora abandonados sem descanso.

Deveras se pudesse prosseguisse,
O amor delira entranha, esta tolice,
E mesmo sem destino, sigo manso...

MARCOS LOURES

O TEU PERFUME

Sentindo o teu perfume que se exala
Tomando neste instante a casa inteira,
Revendo cena bela e costumeira
Revejo-te deitada em minha sala,

Enquanto esta emoção deveras cala
O coração dos sonhos já se inteira
E sente esta ternura mensageira
Do dia mais feliz em rara gala,

Refaço a caminhada aonde um dia
Vestindo esta ilusão que se recria
No aroma que recende ao farto amor

Eu tenho nos meus olhos esta imagem
Fantástica beleza qual miragem
De toda uma alegria, refletor.



MARCOS LOURES

NÉCTAR

O néctar dos desejos, dos amores
Bebido em tua boca neste instante
Tornando este momento deslumbrante
Um colibri sedento encontra as flores

Em luzes divinais e multicores
Matizes deste sonho que agigante
Um mundo já deveras fascinante
Sem medo e sem algias, sem rancores.

Audaciosamente invado a noite
E tendo esta emoção que agora acoite
Os sentimentos vários que carrego,

Ouvindo a voz do mar que se repete
Enquanto a maravilha já reflete
Um mundo feito em luz ao qual me entrego.



MARCOS LOURES

PLENO VERÃO 435

Vaidosas emoções amor desfila
E traz a cada passo outra esperança
Promessa de delírios na lembrança
Que tanto me seduz e ora perfila

Momentos onde a vida demonstrara
Felicidade extrema em farta paz,
E quanto mais feliz o amor nos traz
Caminho feito em glória imensa e clara,

Andejas ilusões, mares profundos,
Sincrônicos andares, noites belas,
E quando novos rumos me revelas
Encontro nos teus braços raros mundos

E neles eu desfio esta emoção
Qual fora um belo sol, pleno verão.


MARCOS LOURES

BEM MAIS JUSTO

No mundo bem mais justo em que me fio,
Encontraria a sorte benfazeja
Além de uma justiça se deseja
A caridade em glória; um desafio

Mudando o caminhar em que desfio
Os dias mais atrozes, que assim seja
Felicidade plena que se almeja
Deixando para traz o imenso frio

No qual se desenhara cada instante
Vivido sem a luz que deslumbrante
Permite ao caminheiro uma esperança

Utópica e insensata fantasia
Produto de um poeta e a poesia
Que aos mais diversos rumos já se lança.


MARCOS LOURES

DELICADO BEIJO

No delicado beijo da alegria
Rondando uma esperança que não vem,
O quanto a minha vida segue aquém
Do todo que deveras quero e guia

O amor não sendo apenas utopia
Em si toda a verdade já contém
E dela novamente sou refém
Nas ânsias desta imensa fantasia

Aonde poderia ter a sorte
Do encanto que deveras me conforte
Mudando a direção de cada passo,

E sendo sem limites, a emoção
Caminhos mais pacíficos trarão
As ilusões que em luzes várias traço.


MARCOS LOURES

É QUE ME GUIO

No canto que te faço é que me guio
E sei que poderei ter a esperança
Da eterna sensação de ser criança
Etéreo mais contente desafio

Descendo esta ilusão sobejo rio
Aonde toda a glória ora se lança
Nas mãos carrego o fogo da lembrança
E toda a fantasia; em paz, desfio.

Escuto neste vento a voz do amor,
Deveras muitas vezes sedutor
Caminho pelo qual felicidade

Mostrando-se deveras já desnuda,
Enquanto a minha estrada assim transmuda,
E toda esta alegria em luz me invade.


MARCOS LOURES

DELÍCIA

No som desta delícia em melodia,
O amor não saberia outro momento
E quando me tomando o pensamento
Deveras tanta coisa fantasia

O velho coração sem agonia
Vivendo finalmente o manso alento
E quando outro desejo agora invento
Percebo de teus olhos a magia,

Alquímico poder que ora se emana
E toda a sorte audaz e soberana
Invade o sentimento do poeta,

Aonde novos dias mostrarão
A paz sendo decerto a solução
Além de simplesmente rumo e meta.


MARCOS LOURES

PROMETE A TEMPESTADE

O fogo que promete a tempestade,
Vulcânica explosão tomando o tanto,
E quando me permite; ouvindo o canto,
Que trama a sorte em gozo, claridade.

Tocando com ternura a liberdade,
Deixando para trás, rude quebranto,
Transforma este momento, e logo encanto,
Na senda mais suave quebra a grade.

Desnuda esta divina maravilha,
Transforma agora e sempre brilha,
Nas coxas, os teus seios, ponto a ponto.

E vejo nesta ceia feita; e tonto,
Revelas tuas rotas, sou feliz,
E tudo que pudera quero quis…

MARCOS LOURES

TUA PRESENÇA

Tua presença amada é o que me resta
Exposto às mais diversas intempéries
As dores em terríveis, longas séries
Tornando minha vida mais funesta

E toda a solidão que ainda vejo
Nos sonhos, pesadelos corriqueiros
Amores entre nuvens, mensageiros
Da insânia que domina este desejo

Arcando com tamanhas ilusões
As tantas tempestades que ora trago,
O mundo sem carinho e sem afago
Que em falsas faces sinto quando expões

Mecânicas vorazes dilaceram
As esperanças tolas que me esperam.


MARCOS LOURES

CORRIQUEIRAS

Às coisas corriqueiras e normais
Porquanto vos entrego em voz suave
Por mais que a realidade ainda entrave
Momentos que deveras transformais

Em luzes que permitam novo cais,
Enquanto a fantasia desagrave
Astuciosamente expondo a nave
Aonde muitas vezes decolais.

Vagando por espaços mais sombrios,
Os dias em terríveis desafios
Seriam para vós mais verdadeiros

E deles entre nuvens e tempestas,
O amor promete além de meras festas,
Mas vejo os dissabores costumeiros.


MARCOS LOURES

CADA TOQUE

CADA TOQUE


Seguindo a cada toque transformando,
Vivendo num momento o todo encanto,
Deixando no passado, o tolo pranto,
Trazendo em tuas mãos o teu comando.

Nossos corpos unidos, dominando,
O tempo traz diverso, agora canto,
E beijo tuas rotas, quanto tanto,
Teu gozo com meus ritos, vou moldando.

E nus corpos procuram dela areia,
Rasgando a praia em brilhos, claro sol,
Tornando imenso e raro esse arrebol.

Vivendo o quanto possa a nossa festa,
Os seios; minha boca, adentro, a fresta,
E tudo num instante me incendeia...

MARCOS LOURES

LOUCA FARRA


Tocando nos teus seios, louca farra,
A boca desnudando tua pele,
Meu corpo no teu todo, ora atrele,
A fera se transforma, e tudo agarra,

Vestida do desejo mais audaz,
A noite se promete e o tempo; sigo,
Convenço-me saber estar contigo,
O gozo que contemplas, tudo traz,

A fonte iluminada dizes ruas,
E sabes conquistar, quanto delira,
Ouvindo o som sublime da lira,
Tuas pernas, deslizam, seguem nuas.

E quero sem pudores, os amantes
Trazendo em tuas formas, diamantes...

MARCOS LOURES

O TEU DESEJO

O TEU DESEJO

Sentindo o teu desejo sem limite
Vagando em cada poro, tua boca,
A vida se desnuda, a deusa louca,
E quando se percebe e se permite,

Vivendo a desnuda deusa e tramas,
A tua transparência quer além,
E o todo se desenha e quero vem,
Fogueiras em delírios, tuas chamas.

Molhando a roupa, sinto o teu prazer,
Colhendo tuas flores, primaveras,
E quando se transforma, toca feras,

Bebendo deste mel que trazes louca,
E quando a senda; vens, a doce boca,
Tomando cada gota, conceber...


MARCOS LOURES

ALUCINAÇÃO

Nesta alucinação que a sorte empresta
Diversos os matizes percebidos,
E os dias entre fúrias e libidos
Adentram pesadelos, várias frestas,

E quando se permitem novas festas
As ânsias entre os sonhos mal vividos
Delírios disfarçados permitidos
Assentam suas luzes e tempestas,

Assisto à derrocada deste insano
Amor que se mostrara em novo plano
Diverso do que outrora se fez canto,

E morto sem qualquer explicação
Desejo novas sendas que trarão
Ao menos um resquício de um encanto.


MARCOS LOURES

A FANTASIA

Eu vos amo e desejo muito mais
Que um simples e fatal momento atroz,
E quando escuto ao longe a vossa voz
Decerto noutras sendas derramais

O quanto se prepara em sensuais
Delírios, percebendo enfim em nós
O quão se fez do anseio tosco algoz
Além do que concebo e demonstrais,

Ansiava-vos em fontes radiantes
E quando vos bebesse em tais instantes
Medonho pesadelo saberia

Quem tanto se entregando ao mais profundo
Vivesse esta ilusão aonde inundo
Com gozo mais sobejo, a fantasia.


MARCOS LOURES

UM SONHO

Um sonho mavioso em dança e festa
Após os dissabores costumeiros,
Aonde se mostrassem mais inteiros
Delírios entre cores; mas não resta

Sequer uma alegria onde se atesta
Os sonhos tão reais e verdadeiros
Dos deuses os divinos mensageiros,
Deixando para trás noite funesta,

Assim eu poderia ver enfim
O renascer de flores no jardim,
Canteiro que cuidara com ternura,

Mas quando vejo a treva em que se faz
O passo mais dorido e tão mordaz,
Percebo que a agonia vã perdura.


MARCOS LOURES

MADRIGAIS

Trazendo novamente os madrigais
Aonde um menestrel se permitira
A crer no amor imenso, fúria e pira
Que agora num delírio transformais,

Vencendo a dor intensa e nunca mais
Em nós ressurgiria então esta ira
Que em turva insensatez consumiria
O gozo deste encanto em manso cais,

Servindo-vos de guia, este farol
Aonde se reflete cada sol
Dourando nosso belo amanhecer,

E ter-vos sempre ao lado, sem demora,
O amor quando na paz em luz se ancora
Resume-se deveras no prazer.


MARCOS LOURES

RENASCER AS PRIMAVERAS

Deixando renascer as primaveras
Depois destes invernos tão ferozes,
E quando se percebem torpes vozes
De velhas conhecidas, tais quimeras

Além do que talvez ainda esperas
Momentos se tornando mais atrozes,
Sequer perceberia quais algozes
Mostrando suas garras, dentes, feras.

Horripilantes fardos, dores tantas
E nelas quanto mais queres e encantas
Infundes tal pavor negando a luz

À qual a fantasia nos conduz
Qual fosse uma falena suicida
Deixando no prazer, a própria vida.

MARCOS LOURES

VENCER AS TEMPESTADES

Vencer as tempestades e quimeras
Depois das costumeiras derrocadas
Aonde se pensaram as estradas
A cada novo dia degeneras

E quando no sofrer decerto esmeras
E bebo deste etéreo e tenso nada,
A faca nos temores afiada
Refazem nos meus olhos outras eras.

Andara entre cometas, falsos astros,
A vida ao retirar de mim meus lastros
Deixando-me à mercê da própria sorte,

Naufrágios se tornando corriqueiros
Nesta aridez matando os meus canteiros,
Prenunciando enfim a minha morte.


MARCOS LOURES

MARES RAROS


Tua pele desenha em mares raros,
E mostras a beleza mais sutil,
O mundo caminhando, o quanto viu,
Os dias desejando vivos, claro.

Percebo quanto queira além do todo,
Mergulho em tuas grutas tua senda,
Das tramas delirantes, se desvenda
O mundo sem temer, sequer engodo.

Em tuas pernas, rotas me perdendo,
As bocas se encaixando, corpos jus.
Trazendo em noite bela, imensa luz,
Somando sempre mais, algum adendo,

Vivendo sem temores, sempre assim,
O todo quanto quero, estás em mim...

MARCOS LOURES

EM CADA INSTANTE

Sentindo em cada instante
O todo delirando sem limite,
Sem medo de viver, tudo permite,
E a cada mergulhando, me agigante.

Teu corpo no meu corpo, provocante,
A cada o templo vive e me excite
Caminho desejado, nada evite,
A deusa sem pudor, a louca amante.

Explodem-se loucuras; quero mais,
As horas mais sublimes divinais,
Os corpos se entregando, noite intensa,

E abraços entranhando em gozos raros,
Vivendo os versos belos claros.
A noite delirante, louca imensa...


MARCOS LOURES

A CHAMA QUE NOS QUEIMA

A chama que nos queima e que me doura
Transforma toda forma de poder,
Aonde se pudesse ter prazer
Mensagem mais feliz e duradoura,

Perpetuando a glória imorredoura
Do quanto se pensara sempre em ser
Além do que deveras possa ver
A vida nova luz em paz agoura

Estendo-me ao etéreo mundo aonde
A sorte se define e não se esconde,
Jogadas minhas cartas sobre a mesa,

Encontro no final desta viagem
Beleza sem igual rara paisagem
No amor que me prepara tal surpresa.


MARCOS LOURES

VULCÃO

Vivendo entre desejos, nossas rotas,
Mergulho no teu corpo, sem temores,
E vibro com meus sonhos, os amores,
E sabes os delírios, sem derrotas.

Saber eternamente, quando brotas,
Louca ávida revela sem pudores,
A vida se transforma em vivas cores,
Orgasmos se moldando, não remotas.

Tua nudez expressa esta beleza,
Seguindo sigo sempre a correnteza
E toco teus mamilos, infinito.

Chegando mansamente ao todo e sinto,
Aonde se renova amor, bonito,
Saindo enquanto outrora, nunca extinto.

MARCOS LOURES

IRRIGAÇÃO

Talvez na irrigação encontre enfim
A solução final para a aridez
Na qual uma esperança se desfez
Tomando com furor nosso jardim

E quando vejo o mundo dentro em mim
Moldado por cruel insensatez
Escondo-me da dor e sei, talvez
Aonde quis princípio veja o fim.

Assento o meu olhar neste horizonte
Bem antes que a tempesta já desponte
Toando com terror vozes profanas,

E sinto nos teus olhos a inclemência
Do amor que se mostrando em tal ausência
Traduz o quanto ainda tu me enganas.



MARCOS LOURES

SEMPRE AMOR



Amor que me conduza e possa ter
Além de todo tempo que me resta,
A vida se envolvendo, em plena festa.
Marcando o que teimasse conceber.

A vida se fazendo a cada ser,
O tempo sem temor, agora gesta,
Vencendo a tempestade nesta entrega,
Criando além do todo e receber.

Beijando em tua boca este delírio,
Não mais pudesse algum martírio,
A luz que tanto trazes, minha amada,

A sorte se desenha a cada passo,
Os temporais, os medos; nada traço,
Vivendo a luz que tramas, desejada...



MARCOS LOURES

SECA

A seca em que se fez nossa lavoura
Não deixa-se notar uma esperança
E quando esta intempérie mais avança
Um corvo crocitando nos agoura,

Espero outra impressão que possa dar
À vida uma beleza mais suave,
Na audácia do vazio já se agrave
Tomando o meu canteiro e meu pomar,

Não posso mais viver esta ilusão
Tampouco quero amenas fantasias,
E quando o meu caminho em vão desvias
Momentos mais soturnos mostrarão

O quanto se perdeu nesta colheita,
Do amor que em luzes frágeis não se deita.


MARCOS LOURES

NÃO DEIXE

Não deixe que este sonho chegue ao fim,
Jamais aceitaria este momento
Se nele encontro paz e assim me alento
Perceba tão somente por que vim

Dizer desta esperança, um estopim
Aonde mesmo em glória me atormento,
Não abandona nunca o pensamento
Que amor seja deveras de festim.

Esqueço os meus anseios em teus braços
E deles faço sempre fortes laços
Que possam permitir a caminhada,

Sabendo que me espera um claro sol,
Guiado por teus olhos, meu farol,
Tornando a minha vida iluminada.


MARCOS LOURES

SE O RUMO

Se o rumo não encontro novamente
Depois de ter perdido a lucidez
O quanto deste sonho se desfez
Deveras traduzindo esta semente

Que antanho se fez glória e agora ausente
Não deixa que se entenda este talvez
E nele tu não queres ou não vês
O fim do nosso amor, a dor pressente.

E quando não houver mais claridade
Apenas tão somente a tempestade
Estrondos mais funestos, noite fria

Recordarás de tudo o que eu te disse,
Ainda parecendo vã tolice,
Mas que aos meus tristes se desfia.


MARCOS LOURES

SEM TER TUA PRESENÇA

Sem ter tua presença eu perco o cais
E abandonado ao vento, não mais creio,
Exposto aos vagalhões e vendavais,
Apenas nos meus olhos o receio

De um dia em que este amor diga jamais
E nele se desmancha o belo veio
Que tanto desejara e nunca mais
Eu saberei em paz, gozo e recreio.

Vasculho nas gavetas da memória
E vejo a mesma luz tão merencória
Que um dia fora a tônica de um sonho,

E quando relembrando a imagem estúpida,
Quimera que se fora mansa e cúpida
Agora traduzindo um ar medonho.

MARCOS LOURES

TÃO SOMENTE

É meu jeito, querida tão somente;
Por isso não se assuste se ao voltares
Mudanças nesta casa tu notares,
O amor nos torna pleno de repente

E quando outro caminho já se invente
Moldando no prazer nossos altares
Bebendo a imensidão de vários mares
E neles toda a glória é mais premente.

Viver estas fantásticas torrentes
E nela uma ventura que pressentes
Transformações diárias e constantes,

Aonde se fizera luz sombria,
O amor com toda força se irradia
Momentos com certeza deslumbrantes.



MARCOS LOURES

POR VEZES

Por vezes eu me calo e nada mais
Traduz esta esperança tão ausente
O amor que em desamor planta a semente
Conforme muitas vezes demonstrais

Não tendo na verdade em vossas mãos,
Significado algum para quem trai,
E assim a fantasia já se esvai
Matando em nascedouro belos grãos

E frutificando o ódio ao vão se lança
Deixando para trás ética e gozo,
O quanto se demonstra pavoroso
Levando para nunca a confiança

Transforma a nossa vida neste inferno,
Aonde se quisera amor eterno.


MARCOS LOURES

SEMPRE VERDADEIRO

O meu amor foi sempre verdadeiro
E embora muitas vezes nada fale,
Por mais que novos sonhos eu escale
O nosso com certeza é o derradeiro,

Ainda que pensasse no canteiro
Aonde outra emoção inda se instale,
Nas mãos de tanta luz, o amor embale
Dos deuses o sobejo mensageiro,

Seria muito bom se prosseguíssemos
E novos caminhares conseguíssemos
Legando o sofrimento ao vão passado,

Assim nas mãos de um deus feito menino,
Enquanto nos teus braços me fascino
Escuto deste amor mais alto brado.


MARCOS LOURES

ESTE SONHO

Do quanto que este sonho já venero
Em meio aos dissabores tão freqüentes
Por mais que outros caminhos inda inventes
Contigo tudo aquilo que mais quero,

O amor sendo deveras tão sincero
Permite esta alegria em que presentes
Delícias entre gozos envolventes
Traduzem o prazer onde me esmero

E vendo as luzes várias deste encanto,
Aonde se pensara noutro tanto
Refaço a cada dia outra ilusão

Temendo os descaminhos não me ausento,
O mundo solitário e tão violento,
Nos braços deste amor a redenção.


MARCOS LOURES

ESTAR SEMPRE CONTIGO

Estar sempre contigo o tempo inteiro
Morrendo a cada dia mais um tanto,
A vida se transcorre em desencanto
Cenário se mostrando o derradeiro,

A morte se aproxima e nela vejo
Além da claridade terminal,
O gozo quase insano e sensual,
Fomentando em delírio tal desejo,

Anseio este momento como fosse
Infecta maravilha à qual me empenho,
E quando percebendo o que contenho,
A sorte no passado em agridoce

Caminho se traduz em nunca ter,
Somente esta vontade de morrer.


MARCOS LOURES

ASAS LIBERTAS DA ESPERANÇA

ASAS LIBERTAS DA ESPERANÇA

As asas mais libertas da esperança
Alcançam nos meus sonhos teus segredos.
Unidos – benfazeja esta aliança-
Apascentamos sempre nossos medos.

O mundo vai seguindo em plena paz,
Anunciando a glória que virá
Amor que com certeza satisfaz,
Trazendo teu sorriso para cá.

Persigo cada passo em que liberta
Tua presença chega até aqui.
Amor que nos tocando; desperta.

Meus sonhos que em teus braços, revivi.
Amar e ser feliz, um belo sonho,
Que audaz, de peito aberto, eu te proponho...

MARCOS LOURES

QUEM SABE...

QUEM SABE...

Quem sabe um cavaleiro enluarado
Adentra em teu castelo nesta noite.
O vento que tu sentes, amainado,
Permite que este sonho já se acoite

Deixando o medo imenso assim de lado,
Jamais a tempestade em louco açoite
Virá ao teu castelo que, encantado,
Permite ao cavaleiro um bom pernoite.

Sinceras as palavras que te digo,
Amar demais é ter decerto abrigo
Nos braços de quem sabe o que tu queres.

Carinhos tão macios quanto audazes,
Nos quais felicidades, satisfazes,
Bendita entre milhares de mulheres...


MARCOS LOURES

DIAS ENCANTADOS

DIAS ENCANTADOS

Amor que nos tocando faz sentido
E mostra em sonhos, dias encantados,
Em versos mais sutis e delicados,
Apascentando quem fora temido

Por ter depois de tudo se exaurido
Ao perceber temores sepultados
Encontra os seus caminhos demarcados
Vivendo este desejo percebido

Nos olhos de quem sabe quanto e quando,
Os rumos mais felizes desfraldando
Eternamente vibra em alegria,

Espalha o seu sorriso mais contente
E sabe do querer completamente
Que aos mandos deste amor já se cobria...

MARCOS LOURES

REFLETORES

REFLETORES

Querida, quantas luzes nos teus braços,
que são os refletores de um amor.
Iluminando assim, todos os passos
que faço e que refaço com fervor.

Eu leio nos teus olhos, belos traços
quem dera se pudesse, um escritor
dizer em versos livres deste ardor.
Andando em tuas ruas, sendas, paços

encontro nas esquinas os sinais
que levam, sem ter dúvidas a ti,
sentido e direção de cada verso.

Eu quero em nosso amor vagar astrais
e ter de novo o sonho que perdi,
além deste infinito; do universo...

MARCOS LOURES

ENAMORADA

ENAMORADA

Amiga enamorada, eu tanto quero
caminhar pareado com teus passos,
lançando os sentimentos nos espaços
matando o sofrimento vil e fero.

Do amor que tanto tens, querida, espero
que estreitem-se mais fortes nossos laços.
Teu canto que idolatro e até venero
exprime com certeza, em belos traços

o mundo benfazejo feito em paz,
que todo este carinho já nos traz
fazendo da alegria nosso canto

Vencer a solidão, amada amiga,
permite que esta vida enfim, prossiga
ao espelhar amor em seu encanto..


MARCOS LOURES

CARINHO GIGANTESCO

CARINHO GIGANTESCO

Amiga não me importa o que fizeste
Tampouco o que fizeres pela vida.
Carinho gigantesco nos reveste
E tenho em ti a sorte mais querida

De ver quanto poder de ti se emana
Decerto, uma pureza que é sem par.
Na força da amizade, soberana,
Eu posso te dizer: é bom te amar

Em cada novo dia, reconheço
O quanto que és leal e boa amiga.
Deixando já de lado este tropeço

Minha alma na tua alma enfim, se abriga.
E vamos de mãos dadas sem temores,
Aguando este jardim em belas flores...


MARCOS LOURES

A IMENSA MARAVILHA DE TE AMAR

A IMENSA MARAVILHA DE TE AMAR


Desejos proibidos e profanos,
Momentos de total entrega eu quero
Entre beijos ferozes quase insanos,
Num gozo sem limites, louco e fero.

Caminhos sensuais, doces viagens,
Delírios incontidos, mil delícias,
Aos céus mais delicados, decolagens
Envolto com ternura em tais carícias.

Alçar o firmamento e num instante
Sentir-me feito um deus; e ser inteiro,
Podendo ser amigo e ser amante,
De todos os desejos teu parceiro.

E entregue sem defesas, ser teu par,
Na imensa maravilha que é te amar...

MARCOS LOURES

MIL SEGREDOS

MIL SEGREDOS

Desvendo mil segredos em minha alma
Depois da mais cruel desfaçatez,
A vida prometendo ter na calma
Um brilho de carinho e lucidez.

O vento de teu canto já me acalma,
Trazendo para o sonho, a sensatez.
Beber de nosso amor em bela taça,
Embriaguez se mostra num instante.

O tempo em que distante, duro passa,
Percebe em teu olhar ser rutilante
O brilho da emoção que não disfarça,

Ladrilha o meu caminho em diamante.
Do amor que nos transforma a cada canto,
Transborda em alegria e puro encanto...


MARCOS LOURES

AMOR QUE EU TANTO QUERO

AMOR QUE EU TANTO QUERO

Amor que tanto quero e não me canso
De sempre desejar, tu sabes disso.
Prazeres sem iguais contigo alcanço
Delícia que me traz beleza e viço.

Deitando no teu colo, meu remanso,
O fogo que incendeia, logo atiço,
No jogo feito em gozos, eu avanço,
O corpo da morena eu já cobiço

E faço deste enredo sensual
Meu canto preferido e mais audaz,
De toda a fantasia, eu sou capaz

Na mina que penetro, triunfal,
Sorvendo em água quente, eu me sacio,
Trazendo a primavera em pleno estio...

MARCOS LOURES

UMA ROSA ESQUECIDA NO JARDIM

UMA ROSA ESQUECIDA NO JARDIM

Uma rosa esquecida no jardim
Perfumando, penetra na janela
Florindo todo amor dentro de mim,
Lembrança do rosal já se revela

Na rosa recolhida, carmesim,
Chamando num momento só por ela,
Mulher que eu tanto quis, até que enfim
Eu tenho esta emoção rara e singela

Do amor que me tomou, na perfeição
Da rosa que nasceu dentro do peito,
Tomando sem espinhos, coração

Deixando-me decerto satisfeito.
A rosa renascendo em minha cama,
A todos os prazeres já me chama...

MARCOS LOURES

A SOLUÇÃO

A SOLUÇÃO

Não posso suportar a tua ausência
E vejo a solução dos meus problemas
Rompendo num rompante estas algemas,
Tocando a lucidez em sua essência.

Vibrando com; talvez, tanta inocência,
Misturo os atuais e velhos temas,
Não quero lapidar tais falsas gemas,
Só peço com carinho, esta clemência...

No quarto, sem a luz, vago sem rumo,
E quando imaginando algum aprumo
Assumo os fatais erros do passado,

Servindo ao grande amor que não virá,
Pergunto novamente desde já
Por onde caminhei, se estive errado...

MARCOS LOURES

O AMOR QUE TANTO QUIS

O AMOR QUE TANTO QUIS

Buscando pelo amor que tanto quis
Vasculho por estrelas, ganho o espaço,
De todos estes sonhos, aprendiz,
Atando bem mais forte cada laço.

Felicidade andara por um triz,
Agora na firmeza do teu braço,
Concebo, finalmente ser feliz,
Seguindo estas pegadas passo a passo.

Levados pelas ondas deste mar,
Chegamos finalmente à bela praia
Aonde nós possamos mergulhar,

Deixando para trás qualquer tocaia.
Vivendo o nosso amor a cada dia,
Encontro em teus abraços, poesia...

MARCOS LOURES

FARTO GOZO

FARTO GOZO

Lascívias e luxúrias, farto gozo,
Amores e desejos, mil prazeres.
Abarco tais vontades, orgulhoso
De ter a mais divina das mulheres.
O mundo é deveras caprichoso
Ao dar este banquete em mil talheres.
Sacio minha sede em cada fonte
Que trazes, em molduras divinais.
Mergulho nos teus vales; subo o monte,
Na orgástica certeza e quero mais.
Enlanguescentes luzes no horizonte
Demonstram as belezas deste cais
Naufrágio que se faz ancoradouro,
Nas pernas e nos seios, meu tesouro...

MARCOS LOURES

UMA BAGUNÇA

UMA BAGUNÇA

No peito, uma bagunça faz a festa,
Amor que me despertas me enlouquece,
E nele coração tanto obedece
Que nada além do amor, inda me resta.

Abrindo devagar, deixei tal fresta
Aonde vento forte que entorpece
Entrou me dominando e nem por prece
Um outro pensamento nele gesta.

Sou teu e gosto mesmo de assim ser,
Não quero e nunca vou mais discutir.
Se eu tenho nos teus braços, meu prazer,

Se encontro em tua boca a fonte pura,
Não deixo um só momento de pedir
Amor em plenitude, uma ternura...

MARCOS LOURES

BEM QUERER

BEM QUERER

Olhar que denuncia o bem querer,
Assim meio de banda, de soslaio,
No olhar eu tantas vezes já me traio
E mostro muito além, sem perceber...

Às vezes num momento possa crer
Que um músculo qualquer, assim contraio,
Mas na cilada, amor, eu logo caio,
Demonstro sem ao menos poder ver...

Eu quero o teu amor. Isso eu não nego.
Nem posso mais negar, eis a verdade,
Se em teu olhar, amada eu fico cego,

E perco todo o rumo. O que falar?
Se nos teus olhos tenho a claridade
Que emana toda vez que vou te olhar...


MARCOS LOURES

ABORTA-SE A ESPERANÇA

Aborta-se a esperança a cada dia
E trago este vazio, após o quando
Deveras noutro mundo transformando
O que esta realidade fantasia

Felicidade é frágil utopia
E dela sem defesas me afastando,
Inerte poesia desmontando
Jogral que a realidade enfim desfia,

As presas em mortalha transformadas,
As ânsias muitas vezes debandadas
Angustiosamente nada resta

Senão tal gosto amargo do não ser,
E a morte se aproxima e passa a ter
Papel fundamental na insana festa.


MARCOS LOURES

A LUZ DO DIA

Não quero a luz do dia refletindo
Nos olhos o que fora sonhador
E quando vejo a imagem decompor,
E o tempo em minhas mãos já se esvaindo,

O quanto se mostrara outrora infindo
Agora transgredindo o falso amor,
Ainda se percebe sem valor
O chão que sob os pés eu sinto abrindo.

Estúpidos fantasmas me rondando,
As águias se aproximam, turvo bando
Falcões entre os abutres e as daninhas,

A morte se tornando a redenção
E nela minhas dores cessarão
Traduzem o vazio que continhas.


MARCOS LOURES

OCASO

O ocaso deste sonho feito em vida
Agarrando meus pés cruel quimera,
E além do que deveras não se espera
A sorte muitas vezes corroída

Mostrando a face amarga construída
Nos ermos da emoção, terrível fera
E quando esta paisagem degenera
A face num esgar já destruída.

Amedrontados olhos nada vêm
Procuro uma esperança, mas ninguém
Somente esta vontade de morrer.

E nela bebo enfim farto veneno,
E quando com delírios eu aceno,
A podridão invade todo o ser.


MARCOS LOURES

VULGARES

A podridão em faces mais vulgares
Estraçalhando o resto de uma vida,
Ao mesmo tempo enceta outra ferida
Deixando para trás tantos lugares

Aonde se erigiram meus altares
Na senda tantas vezes destruída,
Aporto novamente e sem saída
O barco se perdendo em vastos mares,

Assíduas ilusões já não contenho
E quanto fosse audaz o vago empenho
Medonhas artimanhas da cobiça

Vergando minhas costas sob o peso
E vendo este mesquinho ser surpreso,
A sorte preparando a vã carniça.


MARCOS LOURES

UTOPIA 463

Não poderia ao menos ter notado
As ânsias de um vulgar verme que tenta
Após esta ilusão feroz, sedenta
Tornando insuportável o velho Fado

Adentro os descaminhos, tanto enfado
E morto sob o fogo violento
Aonde se pudesse estar atento,
O mundo a cada dia destroçado,

E quando nas escórias eu percebo
O amor como se fosse algum placebo
Inútil nem sequer mais remedia

E deixando os cadáveres dos sonhos,
Os dias que inda restam tão medonhos
Matando qualquer forma de utopia.


MARCOS LOURES

ÁVIDOS CAMINHOS

Nos ávidos caminhos das rapinas
A podre chama traz\ a morte em glória
E quando se pensara merencória
A faca entre teus dedos, me alucinas

E bebo destas sortes cristalinas,
E delas percebendo uma vitória
Deixando para trás torpe memória
As noites tão vulgares e ladinas.

Anseio o fim da festa em velas, pranto,
E quando perceber fatal encanto
Deveras encontrando o meu final,

A fúria desdenhosa deste tempo,
Audaz a se entregar ao contratempo
Nos olhos desta fera tão venal.


MARCOS LOURES

RUMOS AO NADA

Estremecidos passos rumo ao nada
Esgares entre risos histriônicos
Os dias se mostraram catatônicos
E a boca que desejo; envenenada

Aonde se pensara nova estada
Os dias são deveras mais irônicos
E quando se fizeram desarmônicos
Traçaram o final, plena calada.

Atocaiados botes desta quem
Enquanto a sorte amarga me provém
Arrasta-se qual serpe em luz sombria,

Assíduos espetáculos de horrores,
O céu já não possui mais brandas cores,
No fogo que satânico envolvia.


MARCOS LOURES

PODENDO AS ESPERANÇAS

Podando as esperanças vale imundo
Aonde em tempestades encontrei
O mundo que deveras já tentei
E nele com certeza me aprofundo

Na ausência de alegria, um vão profundo
Tomando neste instante toda a grei
E a morte que deveras procurei
De um tolo coração tão vagabundo

Esgoto minhas forças e me perco,
As dores vão fechando assim o cerco
Não restando sequer algum sorriso

Mortalha que desenho a cada dia
E nela este terror que me sacia,
Do sangue que ora bebo e mais preciso.

MARCOS LOURES

ESPINHOS

Pisando nos espinhos que espalhaste
Nas sendas onde outrora fui feliz,
A vida se transforma e já desdiz
Moldando tão somente este desgaste,

Perambulando à toa, velho traste
A sorte derrotando este infeliz
Mergulho nesta imensa cicatriz
Aberta no meu peito em vil contraste

Esbarro nos cadáveres dos sonhos
E bebo sanguinário estes medonhos
Resíduos do que um dia fora vida,

A carne decomposta, o olhar ausente,
A morte em tal delícia se pressente
Há tempos desejada e agora urdida.


MARCOS LOURES

ÚLTIMA VELA 468

Estúpida quimera, esta ilusão
Aonde desmembrando cada sonho
Percebo quanto mais me decomponho
A imensa e insofismável podridão

E nela as rapineiras fartarão
Prazeres que deveras um medonho
Fantoche que ora sou já não me oponho
E morto em vida espero a solução

Que possa me acalmar e trazer luzes
Aonde se mostrando velhas urzes
A cruz que no caminho agora sela

Destino deste inútil ser insano
Às turras com seu mundo vão, profano,
Abrindo para o ocaso, última vela.

MARCOS LOURES

ENFADONHA VIDA

Quão enfadonha vida se apresenta
A quem tentara a luz e não percebe
A imensa escuridão da dura sebe
Aonde se mostrara a violenta

Face desta insânia que aparenta
Momento de ternura, mas concebe
A fúria que deveras já me embebe
E dela a sorte inerte ora se ausenta.

Viver sem ter sequer noção do quanto
A vida poderia, mas enquanto
Houver alguma luz, não me sacio,

Esbarro nestas hordas do passado,
E o vento há tanto tempo desolado
Trazendo ao fim da vida imenso frio.


MARCOS LOURES

SISTEMAS

Sistemas tão diversos se mostrando
Aonde não se vê qualquer disfarce
E nele a vida quanto mais esgarce
Puindo este momento outrora brando,

E vejo se mostrando desde quando
A corja que inundara destroçar-se
Vivendo por viver sem esforçar-se
O templo que sonhara desabando,

E meras ilusões vencendo o prazo,
Somente me restando o fim e o ocaso
Aonde se pensara em horizonte,

Acordo entre as estranhas armadilhas
E quanto mais ao longe ainda brilhas,
Maior o meu terror, maior desmonte.


MARCOS LOURES

ESPÚRIOS PENSAMENTOS

Espúrios pensamentos dizem tanto
E deles desfiando este novelo
Medonho com certeza o pesadelo
E nele se percebe o desencanto,

Aonde se pensara em outro canto,
Diverso do que agora posso vê-lo
Não tendo mais sequer por que nem pelo
O quadro se destrói em vão quebranto,

Assisto à derrocada desta frota
E nela a minha vida já se esgota
Mostrando ser o fim a solução,

E morto para os sonhos, não pretendo
Seguir como se fora um mero adendo
Na espreita das tempestas que virão.


MARCOS LOURES

MANDANDO

Mandando para a puta que pariu
Quem tanto se mostrara inconsequente
Por mais que a vida às vezes violente
Eu não quero ser vil nem ser servil

E assim o quanto quis se repartiu
E neste repartir tão divergente
Do quanto desejara que aparente
O mundo preparando um novo ardil,

Nas ansiedades tolas ser ou não
Ainda se mostrara uma questão
Que tanto me incomoda vez em quando,

Mas logo que este enigma decifrara
Não vou expor ao tapa a minha cara
Tampouco noutra face me ofertando.


MARCOS LOURES

OS MESMOS ERROS

Jamais repetiria os mesmos erros,
E neles refazendo a minha vida
Por tanto quanto audaz, já destruída
Apenas me restando vãos desterros,

Aonde preferira mais aterros
A sorte sem sentido, corroída,
Expressa uma alma atroz, mas decaída
Alheia às cordilheiras, montes, cerros.

E sendo sempre assim, vago e vulgar,
O mundo que desejo desbravar
Expressa no final um vão imenso,

E quando neste nada ainda penso
Retenho nos meus olhos esta imagem
Que agora se percebe qual miragem.


MARCOS LOURES

SENSAÇÕES




Vagando em sensações, procuro além
Do amor que nos promete outros momentos,
Enquanto a vida traz , unguentos,
Expressa o que poderá ser refém.

E vejo a sensação quando provêm
Tramando em alegrias, os ventos
Que levam para sempre os elementos
E sigo todo passo, em sentimentos.

Amar é ter a dor e tanta fantasia,
Pudesse arar a terra, a cada dia,
Gerando em tantos versos, ouro e prata,

Marcando com cinzéis, o que pudera,
Nos meus outonos sigo a primavera
Sofrendo ao mesmo tempo, fere e trata...

MARCOS LOURES

EM ÁGUAS CRISTALINAS 474

25474


Em águas cristalinas concebera
Imensa placidez, porém a vida
Que tanto me maltrata decidida
Expondo tão somente a frágil cera

Aonde com terror sempre acendera
Imenso fogaréu. Não se duvida
Do quanto é necessário que decida
O passo antes que o fim acontecera.

Gerando do vazio outro vazio,
Assim a minha vida ora desfio
E mostro estas feridas quais troféus

Medalhas que eu herdei de longos anos
Momentos de terror em desenganos
Cerrando da esperança os claros véus.


MARCOS LOURES

VIVENDO SEM TERNURA

Vivendo sem ternura sigo ausente
Do que se traduzira uma esperança
Apenas a mortalha que me alcança
Enquanto a vida ao largo se apresente.

Por mais que outro caminho ainda tente
Ao vago do não ser o amor me lança,
E tendo em suas mãos sede e vingança
Retrata o que se mostra enfim demente,

A vida não desmente e da navalha
Conheço cada fio e sei a dor
Morrendo a cada ausência, cada falha

Enquanto uma ilusão tosca batalha
Teimando num momento encantador,
Terror a morte aumenta e ora amealha.



VALMAR LOUMANN - MARCOS LOURES

SEM LIMITES

SEM LIMITES

Um mundo sem limites nem fronteiras
Na beira do oceano do desejo.
Palavras delicadas, verdadeiras
Não valem, com certeza, nem um beijo.

Por mais que sejam meigas, feiticeiras,
Apenas aliviam, mas não vejo
A chama que se emana das fogueiras,
Realidade insana onde dardejo

Em lábios, bocas, língua e carícias,
No baile de dois corpos noite afora,
Perfeita conjunção onde delícias

Saindo pela pele em borbotões,
Fazendo mais feliz, quem já decora
A cama com nudez e tentações...

MARCOS LOURES

MEU ALENTO

MEU ALENTO

Encontro nos teus braços, meu alento,
Depois da tempestade, doce cais.
Sentindo da alegria, o manso vento,
Querendo tua boca e sempre mais,

Rondando com firmeza, o pensamento,
Singrando uma alegria, sou capaz
De ver a redenção deste momento.
Perfeita sensação de gozo e paz..

Querendo namorar, a vida inteira,
Beijando a tua boca, a tua pele,
Roubar a bela flor desta roseira,

Deitar contigo, amor que me compele,
Na cama, numa rede ou numa esteira,
Até que a rosa plena se revele...

MARCOS LOURES

ALÉM DO QUE EU PENSARA

ALÉM DO QUE EU PENSARA

Amor vai se elevando sobre a Terra,
Além do que eu pensara; imaginário
Sonho aonde esta glória assim encerra
Um canto mais audaz e necessário.

No amor a solução pra triste guerra,
Vencendo em calmaria um adversário
Tristeza para longe amor desterra
Trazendo um braço amigo e solidário.

O pobre solitário assim padece
Ao prosseguir distante de um afeto.
O mundo em solidão segue incompleto

O nada se recebe e se oferece
Aquele que não teve um grande amor
Um barco que perdeu seu condutor...

MARCOS LOURES