segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SEXTINA 1002

Ainda que pudesse ter no olhar
Diversa maravilha ou mesmo a luz
Que quantas vezes busco e nada traz
Sequer uma esperança que me alente
Vivendo o quanto houvera e nada resta
Senão o que deveras desconversa,

Em avidez a sorte desconversa
E marca o quanto possa num olhar
E sei da solidão quando ela resta
Trazendo no final a frágil luz
Que mesmo quando trame o que ora alente
Deveras o vazio enfim me traz,

O quanto se perdera e o sonho traz,
E nisto o dia a dia desconversa,
Ainda que pudesse o que me alente
Marcando com brandura cada olhar,
Na velha sutileza feita em luz,
Somente uma esperança ainda resta

E nisto caminhando enquanto resta
Um dia que pudera e já se traz,
Moldando a cada instante nova luz
A morte sem sentido desconversa,
O quanto se desenha neste olhar
Decerto o meu caminho enfim alente,

Não quero alguma voz que ainda alente
Ou mesmo esta incerteza que ora resta
Marcando o quanto pude noutro olhar
Tramar o que deveras não se traz
O mundo sem sentido desconversa
E a sorte ora sonega a farta luz.

Pousando sobre nós a imensa luz
E nisso o quanto possa e nos alente
A vida noutro instante desconversa
E sei do que se trame e mesmo resta
Enquanto a solidão deveras traz
A torpe sensação do vago olhar,

E quanto neste olhar procure a luz
Que a vida quando traz decerto alente,
Um brilho se inda resta, desconversa...

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