É faca que em seus gumes
Já corta e nos maltrata,
Mas sabe quando ingrata
A vida em tais costumes
Ausentes os meus lumes
A noite em densa mata,
O amor quando desata
Deveras não aprumes,
Mas quando se porfia
E traça em alegria
Presença soberana,
O tanto quando teço
Deveras obedeço
A voz que nunca engana.
MARCOS LOURES
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