quarta-feira, 30 de maio de 2012

TROUXESTE

TROUXESTE

Trouxeste dentro em ti do passado,
Os restos que te pesam tanto, amor.
Resquício do que fora retratado
Em cada gesto teu, seja onde for.

Teu passo a cada dia vai marcado
Tomado muitas vezes sem vigor,
Em cada corte já cicatrizada
Demonstra o teu viver tão sofredor.

Revelas sentimentos contraditos,
Afagas tua cólera insensata
Ocultas pensamentos que, malditos

O teu sorriso quase não disfarça.
A mão que acaricia e não maltrata
Tu mordes, simplesmente e já se esgarça...

MARCOS LOURES

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA

Meus tempos de criança, a vida leva
E deixa tão somente o quanto um dia
Pousasse em voz soturna e até sombria
Fazendo do brilhante sol, a treva,

Negando em aridez a minha ceva,
O pouso noutro encanto mostraria
A face mais atroz da fantasia
Que agora tão distante e rude, neva.

Procuro dentro da alma algum sinal
De um dia que pudesse noutro astral
Traçar alguma luz ao fim de tudo.

Porém, mal percebendo esta tolice,
O próprio caminhar me contradisse
E mesmo sem apoio algum, me iludo...

Marcos Loures

MEU ALTAR

MEU ALTAR

Aonde fiz altar, teu corpo belo
Trazendo a cada noite nova prece
Enquanto esta loucura assim se tece
Momento mais airoso enfim revelo,

E quando se entranhando traço anelo
E bebo com ternura tal benesse
O amor sem ter juízos obedece
No teu delírio o meu deveras selo,

E sendo teu somente e nada além
O quanto de desejo nos contém
Persiste mesmo após o amanhecer

Adentro os paraísos que me dás
E sei o quanto posso ser audaz
Vicejando esta insânia ao bel prazer.

MARCOS LOURES

MEUS ERROS

MEUS ERROS

Meus erros são comuns e disto eu sei
Distando da esperança que me trague
Um mundo tão diverso aonde eu vague
Moldando em alegria a bela grei,

Meu verso num instante eu desenhei
E sinto que de fato a vida estrague
O quanto se fizera simples blague
Ou mesmo no não ser a velha lei,

Apenas apresento o mesmo engano,
Riscando o quanto fora enquanto explano
Em voz dispersa o sonho que não veio,

Ao menos poderia num repente,
Traçar o quanto em paz inda apresente
Um mundo sem ternura em devaneio...

Marcos Loures

SEREIA

SEREIA

Erguendo-se desnuda esta sereia
Deitada em minha cama, seminua,
E quando uma alma embebe-se e flutua
A fúria prazerosa me incendeia,

E a lua se derrama prata e cheia,
E quando sobre nós a dama atua
A senda mais audaz já continua
Seara com prazeres se recheia.

E tento desvendar cada mistério
E dele me tornando algum vassalo,
Silente coração já nada eu falo

Domino por segundos este império
E como um cavaleiro enluarado,
Deveras num momento, enamorado...

MARCOS LOURES

BAGACEIRAS...

BAGACEIRAS...

Os vinhos nesta orgia mais banal,
São quase bagaceiras, nada valem,
Bem antes que estes tolos já me calem,
Eu falo e me transtorno, não faz mal,

Pagando o mesmo preço, é tudo igual,
Porquanto as almas toscas se avassalem,
Não tendo mais os colos que me embalem,
Procuro noutra face o ritual,

Sem louros de vitória, sem a glória
Refaço a cada mês a mesma história
Pagando este aluguel para viver,

Se o verso não tem pé nem tem cabeça
Já serve para aquela que endereça
O resta nem precisa me entender...

MARCOS LOURES

ORIGINAL CAMINHO

ORIGINAL CAMINHO


Original caminho desengana
Quem tenta procurar alguma senda
Aonde na verdade se desvenda
A face muitas vezes soberana

Daquela que se diz tola e profana
No fundo aos meus desejos não atenda
E pode-se dizer que estando à venda
Não Vale sequer mês, talvez semana.

Peçonha se demais, matando a cobra,
E quando do que nada às vezes sobra
Não serve como alento a quem picara

Assim ao se trazer pura verdade
Nem tudo que se fala aqui te agrade
Diverso caminhar, mesma seara?

MARCOS LOURES

TRAÇOS...

TRAÇOS...

Da rara formosura apenas traço
E nada do que pode merecer
Talvez ainda mostre este prazer
Embora na verdade sem espaço

O quanto meu caminho se faz lasso
E o quando não já pode apetecer
Transcende a qualquer dor dita o cansaço
Além do que eu pudesse conceber,

E assim ao me mostrar quase desnudo
Se eu posso ou se não devo mais acudo
E teimo contra a força desumana

A poesia traz e tão somente
O que deveras quis ser a semente,
Mas sei que no final decerto engana...

MARCOS LOURES

O QUANTO EU PUDE...

O QUANTO EU PUDE...

Unicamente sendo por talvez
Expressar o quanto pude e não refaço
Se o magistral permanecer diz passo
O que a verdade poderá não vês

Se eu sou medonho e no disfarce crês
O meu caminho em podridão eu traço
E no poder que da senzala espaço
Ocupa alcanço a procurar porquês

Não mais liberto ou tentaria ser
O que decerto sonegou prazer
Não vale a pena nem se Deus quisesse

Assim se mudo ou transmudo em prece
O quanto valho e na verdade vejo
Não merecendo nem sequer desejo.

MARCOS LOURES

SEM MISTÉRIOS

SEM MISTÉRIOS


A vida sem mistérios não teria
Sequer esta beleza em que se tenta
Vencer qualquer discórdia, uma tormenta
Que quando não tem fim jamais se adia,

E vendo assim a imensa fantasia
Na qual e pela qual a dor se aumenta
E quanta vez eu vejo e me atormenta
Enquanto traz o medo ou a alegria,

Imensurável tempo em carrossel
Girando eternamente dita o léu
E o véu que assim decerto nos recobre

E trama o que não sendo passa a ser,
Gerando a fonte imensa do prazer
Somente ao existir se faz mais nobre.

MARCOS LOURES

segunda-feira, 28 de maio de 2012

PRESSÁGIOS

PRESSÁGIOS

Em ênfases diversas mil presságios
Marcantes entre enganos dos oráculos,
A vida reaviva seus tentáculos
E sinto bem mais perto meus naufrágios,

As tramas cobram velhos rudes ágios,
E tento reagir, faltam vernáculos,
Os céus trilhando raros espetáculos
Adentram sem saber vagos estágios,

E sinto o menosprezo onde pacífico
Tentara algum momento tão magnífico,
Resumo o meu anseio mais patético,

E o quanto se fizera outrora cálido
Agora se desenha rude e pálido,
Esquálido sentir quase esquelético...

Marcos Loures

"Nessa casinha de varandas! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

"Nessa casinha de varandas! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Olhando essa casinha de varandas,
Sonho estar nela contigo, ó amado,
Um sonho bom, um sonho já sonhado,
Mesmo sem saber por onde tu andas!

Sonho, ainda, deitar contigo na rede,
Beijando loucamente do meu jeito,
Encostando meu rosto no teu peito,
E sentindo de teu corpo tanta sede!

Olharmos juntos para o infinito,
Na certeza desse amor tão bonito,
Fito um azul no céu, quão perfeito!

Sim, tantas nuvens por aqui já passaram...
Em nossas vidas sequer embaçaram...
Tal querida paixão há em nosso peito!

© SOL Figueiredo


Imagem de um sobrado envolto em flores
Que tanto nos pareça mais bucólica,
Deixando uma alma em paz e quase eufórica,
Seguindo com ternura aonde fores,

A casa se entregando em bons olores,
Numa emoção diversa e mesmo histórica,
Na luz inebriante e categórica
Que tanto reluzia em seus pendores,

Nas flóreas ilusões de um tempo aonde
O muito em claridade corresponde,
Cadenciando a paz crisalidada

Num átimo voando a libertária
Palavra que se mostre solidária
Grassando sobre uma alma enamorada...

PENDORES

PENDORES

Perscruto o quanto houvera além do fardo
Que tanto se desdenha em dor superna,
E sei da sensação que a vida interna
E nisto outro momento em vão resguardo,

O verso não seria algum petardo,
Nem mesmo a sensação que ora se inverna
Embora a imensidão se faça terna
Restasse após o fim somente um bardo,

Um velho sonhador se faz um fóssil
Num mundo tantas vezes mais indócil
Amalgamado em turvas insolvências,

Heréticos pendores de um futuro
Na expressa solidão que configuro
Gerada por sementes em demências...

Marcos Loures

VER? TENTES.

VER? TENTES.

Explicitando a farsa aonde eu vejo
As marcas doloridas de uma sórdida
Vertente solitária quase mórbida
Mesclando com a luta em vago ensejo.

Seguindo passo ao nada em sutil órbita,
Eclodem nebulosas e prevejo
Apenas o que expresso e não desejo,
Nem mesmo esta alva tez, sutil e nórdica.

Apesar do que outrora quis pelúcia,
Ao ver na realidade a corja, a súcia,
Nas hordas demoníacas, teus véus,

Desembainhando a fúria em tosca espreita,
A morte noutro rumo se deleita
E giro entre diversos e ermos léus...

Marcos Loures

TEU SORRISO...

TEU SORRISO...

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Pablo Neruda


Não preciso do pão, a fome passa,
Não preciso da luz, não temo o escuro.
Nem alegria; circo, rua e praça,
Nem sensação de um ar que seja puro.

Mesmo esperança... tonta e velha farsa,
Eu não temo o chão, frio, pobre e duro.
Trazendo para o sangue esta fumaça
Das fábricas, dos carros... isso; aturo.

Não preciso da boca que me mente,
Não preciso do mar, estrela e lua.
De nada necessito, nem de gente...

Das ruas entupidas, não preciso.
Nem alma quando inútil já flutua.
Mas nunca me retire o teu sorriso...

MARCOS LOURES

VENCENDO OS OBSTÁCULOS

VENCENDO OS OBSTÁCULOS

Ao ter já percebido que amizade
Supera qualquer trauma em nossa vida,
Vivendo enfim total felicidade,
Eu vejo uma tristeza em despedida,

Meus versos já supondo a claridade
Esbarram-se nas curvas de saída,
Saúdam desse amor prosperidade,
Cultivam esperança decidida.

Eu quero por sentindo no meu canto
Que ufana uma vitória sem temores.
Amiga não permita o desencanto

Que cala nossa voz, trama seqüelas.
Misturam-se nos céus milhões de cores,
Nas telas em que o canto bom revelas...

MARCOS LOURES

CICATRIZ

CICATRIZ

Na cicatriz do amor que foi demais,
O gosto do que fora já se aflora.
Não sei se poderei falar agora
Do tempo que não volta nunca mais.

Descendo de esperanças ancestrais
Na voz que se calou, antes canora,
A tarde dessa vida, não sonora
Morrendo em cada curva, cala a paz.

Restando o sentimento de costume
Quando deste rosal, seca o perfume.
O medo do futuro sei que invade.

Não vivo mais pensando em ilusão,
Fechando toda a porta, coração,
Te peço pelo menos, amizade...

MARCOS LOURES

Delírios

Delírios

Especulares formas ditam ermos
Delírios entre enganos e tormentas
E quando noutro rumo tu fomentas
As sórdidas vontades de assim sermos,

Presenciando a luta em rudes termos,
Ousando enquanto a força ora alimentas
Mascaro com palavras mais sangrentas
O quase quando o nada concebermos.

Ocasiões diversas, verso enquanto
A morte se provém do desencanto
E o canto em qualquer canto expressa o nada,

E nisto o que ora venha e se proceda
Avança avassalando esta alameda
Há muito sem sentido e desolara...

Marcos Loures

LETARGIA...

LETARGIA...

A boca tão voraz que te descobre
Entregue em mil lascívias, languidez.
A pele delicada que me cobre
No contato integral, nossa nudez.

Insensatez profana e divinal,
Desejos se misturam, lambuzados...
No toque mais profundo e sensual
Dois corpos por si mesmos, devorados...

A noite fascinante não termina...
Volúpias não se bastam, querem mais...
O gosto desta boca determina

Que o tempo nunca passe... amor... jamais...
Na letargia mole de nós dois,
Cigarros e carinhos do depois...


MARCOS LOURES

PROFANAS

PROFANAS

Jorraste como fúria em tempestade
Matando com teus erros meu momento
E sigo enquanto possa e assim fomento
O todo que de fato se degrade,

Ausente de meus olhos, liberdade,
O mundo se anuncia contra o vento
E bebo do vazio num lamento
Enquanto cirzo em vão felicidade.

Augúrios entre enganos são comuns,
Dos tantos não restaram mais alguns
E bebo em tua boca o fel que emanas,

Rupturas entre espaços e cantares,
Enquanto noutro engano mergulhares
As horas se desenham mais profanas...

Marcos Loures

O FIM

O FIM

Organizando o fim desde o tropeço
Equânimes cenários distam sonhos
E vejo outros momentos mais bisonhos
Da vida sem sentido ou adereço,

E quando revelando o meu começo
Medido entre tormentos enfadonhos
Os olhos poderiam ser risonhos,
O manto da discórdia é mais espesso...

Rumino os meus temores, mas prossigo,
E sei do quanto envolto em falso abrigo
O mundo se desnuda e nada ajuda,

Senzalas que atravessam gerações
E nelas o meu mundo agora expões
Na faca que penetra; fina, aguda...

Marcos Loures

RESTANDO O QUE DESTROÇA

RESTANDO O QUE DESTROÇA

Não quero acreditar no quanto possa
A farsa que montaste a cada instante
Marcando com terror o que adiante
Tramando a cada engano a imensa fossa,

Restando o quanto vejo e nos destroça
Na pútrida expressão equidistante
Mostrando o mesmo nada doravante
Enquanto a solidão decerto roça,

Envolvo meus anseios nos teus erros
E sei do quanto siga em tais desterros
Na ausência ou na angústia que trouxeste,

O mundo sem sentido e sem proveito
Recende ao quanto alheio, ainda aceito,
Negando este cenário antes celeste...

Marcos Loures

MANSO AMOR

MANSO AMOR

Alegria nascendo a cada dia
Trazendo um vento calmo de esperança
Na luta sem final contra a lembrança
De toda dor que mata a fantasia.

A cada novo tempo, a poesia
Inunda-se sem quer sombras da vingança
Rondando nosso amor em aliança
E trama contra a noite negra e fria...

Crisântemos florescem no jardim,
Eu guardo belas flores dentro em mim
Pedindo que este canto nunca engane.

Por mais que seja triste a madrugada
A vida se refaz nesta alvorada
Que trouxe o manso amor de Viviane...

MARCOS LOURES

BENDITO SEJA

BENDITO SEJA

Bendito seja amor que nos tortura,
Maltrata e nos corrói, depois redime.
Bendita essa mulher, que eu não estime
Outra, pois nela encontro minha cura.

Bendita seja a lua em sua alvura,
Que em seu louvor minha alma sempre prime.
Que meu verso em delírio sempre rime
Em toda essa altivez, toda brandura...

Bendito seja o sol, também a chuva,
Bendito seja o vinho, feito da uva
Sempre erotizada em fantasia.

Bendito seja o cio que transtorna,
Cálice do prazer, no gozo entorna.
Bendito nosso orgasmo dia a dia...

MARCOS LOURES

ENTRE MEUS BRAÇOS

ENTRE MEUS BRAÇOS

Quem dera te envolver entre meus braços
E aos poucos no entrelace sensual
Invadir teus recônditos espaços
Numa troca de fluidos magistral.

Quem dera te tocar sob os lençóis,
E penetrar teus mares abissais
Nos brilhos de milhões de raros sóis
Nas fontes flamejantes e termais.

Violo teus segredos, os penetro,
E formo meus castelos, sou o rei,
Tocando teu prazer, invado, cetro...
Fazendo do desejo nossa lei.

Na conjunção de côncavo/convexo,
Delícias e loucuras perdem nexo...

MARCOS LOURES

Sapo na Gaiola. Cuma é o nome dele?

Sapo na Gaiola. Cuma é o nome dele?

Por Marcos Loures 20/06/2006 às 19:50

Sobre os tempos de criança na pequenina Miraí. Eu era feliz e não sabia...

Tem algumas coisas na vida que não nos esquecemos. A infância é uma etapa maravilhosa da vida, onde a malícia é palavra desconhecida.
Quando eu tinha meus cinco ou seis anos de idade, na casa de minha vó, na bucólica Miraí, era uma criança livre, feliz e sem medos.
No rádio e na televisão, tocava-se muito aquela música de Dercy Gonçalves, a da perereca na gaiola, quem não conhece?
Pois bem, havia chovido muito na véspera e a terra extremamente úmida atraíra um daqueles sapos, comuns nos brejos e nas pequenas cidades.
Não tive dúvidas, peguei o batráquio e, me aproveitando de uma gaiola vazia que tinha sido abandonada perto do tanque de roupas, resolvi colocar o bichinho dentro de sua nova casa.
Acredito que ele não tenha gostado muito daquela residência que eu tinha reservado para poder aprisioná-lo.
Sapo na gaiola, gaiola na mão, sai feliz da vida a mostrar para todo mundo meu novo bichinho de estimação.
Minha mãe colocou as mãos sobre a cabeça, minha vó recriminando minha escolha, mas eu estava feliz e isso me bastava.
Meu pai tinha saído para pescar e não se encontrava em casa no momento em que fiz a estranha opção.
Durante o dia todo, fiquei tentando adivinhar de que se alimentaria o anfíbio.
Tentei pegar folhas e nada, tentei colocar um pedaço de carne, neca de pitibiriba.
O pobre animal estava assustadíssimo, pulando toda hora e batendo de encontro a grade da gaiola, inutilmente tentando fugir.
Quando meu pai retornou da pescaria, ao contrário da bronca que eu esperava, teve uma reação diferente.
Sorrindo, me perguntou qual seria o nome do bicho.
Eu não tinha imaginado ainda, parei e pensei, repensei até que ele me deu a sugestão:
“Xoxota”.
Prontamente aceitei o nome, e o eu sapo recém batizado, continuou, mesmo deixando de ser pagão, não gostando da brincadeira.
Mas, para mim aquilo era o êxtase.
Saí pelas ruas de Miraí mostrando a todo mundo o meu sapo Xoxota.
Para todos que passavam, eu perguntava se conhecia o meu Xoxota.
Minha irmã, dona da gaiola, invejando tal sucesso do bichinho resolveu intervir.
“Se a gaiola é minha, quem mora nela também, portanto, Xoxota também!”
Ao ver que o troço ia feder gaiola, Xoxota e a confusão armada, meu pai interveio:
“A partir de agora, para evitar a confusão, vou soltar Xoxota”.
Xoxota livre saiu pulando em direção ao quintal, feliz da vida...

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/06/356217.shtml

Segunda Guerra Mundial - João Polino, o Herói de Santa Martha

Segunda Guerra Mundial - João Polino, o Herói de Santa Martha



Autoria: Marcos Loures

Nos idos dos anos quarenta, havia uma ebulição no mundo, a segunda guerra mundial era a notícia em todos os jornais e rádios do país.
A entrada do Brasil na guerra mexia com os brios do nosso amado povo e, em Santa Martha não era diferente.

No único rádio do distrito, que ficava na praça principal, João Polino, ao invés da maioria da população que se espremia para poder ouvir o programa musical de Francisco Alves na Rádio Nacional, se interessava verdadeiramente pelo que ocorria do outro lado do mundo.
Como bom comunista, sem o saber, torcia imensamente pela vitória dos Aliados contra o regime fascista de Mussolini e, principalmente, contra o nazismo alemão.
Nas discussões que se faziam em torno das mesas do principal botequim do distrito, o “Santamartense”, não media palavras e nem conseqüências ao defender o líder russo.
Do outro lado, alguns descendentes de italianos ou de alemães eram as principais vítimas das críticas e comentários do nosso herói.
Até que, um dia, a despeito de todos aqueles que achavam que o jovem era somente um “catador de marra”, ao saber da entrada do Brasil na guerra e a convocação de Voluntários para irem ao combate, não pestanejou.
Entrando em contato com alguns conhecidos, no Rio de Janeiro, se ofereceu para entrar em combate.
Foi um Deus nos acuda; sua irmã, Oracina, estava assustada com tal atitude mais radical do tempestuoso irmão.
Não houve quem o demovesse da idéia, nem mesmo o pároco de Santa Martha, o padre Josias, velho conselheiro do vilarejo.
Ao dizer que havia recebido a confirmação de que tinha sido aceito, João causou verdadeiro clímax entre os habitantes. Não foram poucas as moçoilas que suspiraram frente à possibilidade de, simplesmente, conversar com tal herói.
Num dia frio, daqueles que ninguém esquece, partiu nosso amigo para o Rio de Janeiro, em busca das aventuras que a Europa preparava...
Passados seis meses da viagem, eis que uma notícia caiu como uma bomba em Santa Martha. No domingo, no trem das sete horas, iria chegar de retorno do Velho Continente, o heróico João Polino.
Banda de música na Praça, feriado escolar, todo mundo alvoroçado para recepcioná-lo.
Às sete e meia, pois o trem sempre atrasa, chegou com toda pompa e circunstância, para deleite de toda a população, o nosso Pracinha.
Fogos de artifício e os dobrados tocados no coreto da Praça Santa Bárbara. Os alunos da Escola Municipal, uniformizados, com Dona Louza à frente, reverenciavam o maior herói da história Santamartense.
Depois do rasta-pé que durou a madrugada inteira, João Polino, vivendo como se fosse um sonho, custara a dormir.
No dia seguinte, logo cedo, foi até ao armazém do Seu José Reis, usufruir um pouco da fama.
Ao ser indagado como fora a experiência, João não pestanejou: Que a Guerra estava sendo muito difícil, que tinha matado mais de quarenta alemães, etc. Falara, inclusive, que a Alemanha era muito bonita, e que não tinha dúvidas de que, assim que o povo alemão fosse libertado do nazismo, o país iria se recuperar.
José Reis, quieto, ouvia tudo e nada falava...
Mas, ao perceber que João se referia à Alemanha e não à Itália, estranhou.
-Hei João, quer dizer que a Alemanha é muito bonita? Aonde foi a pior batalha?
-Berlim. Respondeu João Polino, sem pestanejar...
Educadamente José não falou nada, e nem comentou o fato de João ter retornado a Santa Martha com uma morenice de fazer inveja...

http://versoseacordes.com/prosa/contos/282-segunda-guerra-mundial-joao-polino-o-heroi-de-santa-martha

O umbigo na terra.

O umbigo na terra.


Por Marcos Loures 16/07/2006 às 11:01

Sobre a terra seca, as rugas e o riacho.

Seu moço, aqui é minha terra, meu torrão natal, meu e dos meus pais, dos meus irmãos e dos meus avós.
Aqui estão enterrados todos aqueles que amei, em cada palmo desse chão, está a história desse que vos fala.
Filho de Dona Zica e de Seu Lula, gente simples, trabalhadores, que a terra engoliu de velhice, velhice de sertanejo que começa depois dos trinta.
As rugas precoces e profundas me lembram a terra seca, profunda nas grotas e nas curvas do rio seco. O suor molha mais os sulcos que a chuva, coisa difícil por aqui.
Chuva que, quando vem, transforma a vida, vida boa, vida próspera nas colheitas de mandioca, feijão, milho; no leite gorduroso das cabras e da vaquinha, companheira fiel no arado e no alimento.
Mas, a cacimba da alma, tantas vezes aguada pela dor da morte, carpida e tristonha, das perdas da vida e das vidas, tem a água salobra, que prende na garganta, não desce, empanturra.
Meus irmãos, dos quinze que Deus deu, a seca, a fome, a desidratação e a surucucu levaram oito. Sete restaram, todos fortes e valentes, todos foram embora, menos eu.
Fiquei aqui, essa é minha terra seu doutor. Meu umbigo está grudado nesse chão.
O riacho, quando vivo, é tão bonito, mas, na seca, com seu leito cheio de areia e de pedra, leva as mães, como levava a minha, com a lata na cabeça, em busca da água barrenta no açude seco.
Nessa terra, moço rico tem água, fazendeiro rico tem gado, e tem os caboclos e jagunços.
Meu pai, pobre e lutador, morreu sem bala, sem tiro, sem morte matada, a não ser dos calangos e dos bichos da seca.
Gambás e cobras ajudavam a matar a fome, mitigada pela palma, disputada com o gado.
Somente o carcará, bicho danado, tinha pasto nas carnes dos bichos mortos pela queimada e pela seca.
Vaqueiro, sou vaqueiro com meu gibão e cravinote, pronto para a batalha, correndo entre os espinheiros dessa caatinga seca e sedenta.
Minha mãe, me recordo sempre, dizia, entre as orações de graças e de pedidos de perdão, pelo pecado cruel de existir, que onde o umbigo está, a vida continua, a distância traz a falta de paradeiro.
A pedra que não cria limo, é pedra rolando, inconstante e que, quem muito muda não cria limo.
Meu limo está entranhado nessa vaquinha, nesse arado, nesse chão.
Não vou embora não seu moço, fico aqui até o derradeiro dia.
Minha esperança é tão verde quanto meu sonho, quanto os olhos da amada, os olhos da terra que tento cultivar.
No cultivo da espera por outro tempo, um dia...
Os moços prometeram, vi na televisão, mas é tanta promessa que não tenho mais pressa, nem esperança.
Vou vivendo, às avessas, sem amanhã, na espreita do calango, na ponta da espingarda, com o rosto, a cada dia, formando as serras e os vales.
Vou ficando, quem sabe um dia, essa terra, minha terra, seja mais mansa e mais amiga.
Minha mãe e meu pai, meus irmãos, trago comigo, pesando o coração, deixando meu andar de banda, por estas bandas onde vivo, aonde vou também, um dia, me juntar com meu umbigo e alimentar esse chão.
Faminto de todo meu povo, matando a fome do sertão.
Meu sangue, regando a terra, para que, quem sabe, um dia, os homens desse país, pensem um pouco na gente.
Nós somos brasileiros, esse é o nosso país, mais que brasileiros, nordestinos, essa é nossa sina e mais que nordestinos sertanejos.
Aqui, nessa caatinga; aqui, nesse sertão, é nosso primeiro e derradeiro solo, o solo sem consolo, o solo sem apoio, no aboio do meu gado, da minha vaquinha Estrela, do meu boi Fubá, da estrela solar que esturrica, que seca e mata.
A terra, meu único bem, bem amado bem te vi, no mandacaru que, a cada florada, traz a esperança do milho, do feijão e da mandioca.
Por isso, seu doutor, não vou embora, nunca na minha vida.
Não deixo o meu Ceará, é aqui a seara onde será, meu sertão, a terra prometida, minha lida e minha sina, minha raiz.

Publicado no CMI

http://brasil.indymedia.org/es/green/2006/07/357800.shtml?comment=on

Do deus-aspirina às sanguessugas de Cristo

Do deus-aspirina às sanguessugas de Cristo

Por Marcos Valério Mannarino Loures em 27/06/2006 na edição 387

Têm chamado a atenção nos programas religiosos que invadem a maior parte dos canais abertos de televisão, além dos canais pertencentes a igrejas, inclusive a católica, a freqüência de "milagres", constantes e diários. Ocorrem a todo momento. Em alguns programas evangélicos e católicos, chegam a cifras recordes. E esses milagres são das mais variadas espécies. Temos para todos os gostos e preferências.

Há milagres relacionados à vida financeira, inclusive com casos de recuperação econômica ou ganho em loterias que, de demoníacas, passam a ser operadoras sob os auspícios dos mais diferentes "santos". Há os milagres de ordem familiar, em que a "impactação" divina leva alcoólatras a pararem de beber, prostitutas a deixarem de se prostituir, drogados a abandonarem as drogas, como se para que tais fatos ocorram seja necessário apenas o auxílio direto dos deuses.

Um sem número de demônios invade cada templo ou igreja, sendo raros nos locais onde poderiam ser mais comuns, como em prostíbulos, bares, casas de comércio, de câmbio ou até mesmo no Congresso Nacional. Quem quiser ver um demônio de perto é só freqüentar algumas de nossas igrejas que, por certo, lá encontrará demônios, capetas, "inimigos" em profusão.

Creio que algumas denominações colocam a palavra "Deus" na porta dos seus templos, para que o visitante tenha a certeza de que aquela é uma casa de Deus, embora a quantidade de vezes que se fala em "diabos" leve o incauto a pensar exatamente o contrário. Num dos programas mais conhecidos da televisão, repetido diariamente em vários outros canais, constata-se a presença do "Deus Aspirina".

Maléficos e irresponsáveis

Pouco antes de pedir dinheiro, situação em que o pastor em questão é mestre, o dito cujo inicia uma sessão de "milagres" no mínimo estranha. Após "ordenar" que os demônios das doenças abandonem "os corpos" dos doentes, em nome de Deus (embora pareça que Deus seja nada mais nada menos do que um empregado ou serviçal de tal pastor), ele pergunta quem se "curou". Aí se inicia uma tal de cura de dor no ombro, dor no braço, dor na coluna, dor de cabeça, dor... Ou seja, nada mais nada menos do que os "milagres" da aspirina ou de outro analgésico qualquer.

Sinceramente, nos meus 20 anos de medicina, não presenciei nada que não possa ser explicável pela ciência. Isso não quer dizer que não haja milagres – mas não os vi. Obviamente alguns dieão: "A culpa é sua, porque não tens fé bastante para vê-los". O problema é que se eu não obtiver o resultado esperado com um tratamento científico não caberá tal desculpa. A falta de fé é a justificativa para o fracasso. Bela e confortável desculpa...

Pois bem, após a sessão de milagres aspirínicos, tal pastor "passa a sacolinha", cobrando muito mais caro pelas "curas" do que um médico recebe do SUS pelo mesmo serviço, isso incluindo o analgésico. Tenho observado, com temor e indignação, muitos pacientes abandonarem o tratamento por causa desses "milagreiros" de meia tigela. Recordo-me de uma criança diabética, insulino-dependente que um bem-intencionado imbecil, semi-analfabeto, mas treinado por uma ala da igreja católica na arte de "passar um ferrinho" e diagnosticar, tratando em nome de uma tal "medicina natural", quase a matou quando suspendeu a insulina e passou a mandar a paciente tomar chá de "pata de vaca"! Se não fosse a intervenção rápida e eficaz de um pediatra, a menina teria morrido, graças ao estímulo de setores da igreja católica a "pais-de-santo", raizeiros e benzedeiras tão maléficos quanto irresponsáveis.

Criminoso asqueroso

Aliás, há uma cultura disseminada de que pai-de-santo cura, pastor cura, padre cura e médico mata. O pior é que esses facínoras travestidos de religiosos não têm responsabilidade legal por seus absurdos crimes, todos "bem-intencionados". O que me permite afirmar que de boas intenções o inferno está cheio. Aproveitando-se do baixo nível cultural do nosso povo, aliado à esperança tresloucada dos desesperados, milhares de entidades e estelionatários enriquecem, enquanto a saúde pública vai ficando cada vez mais pobre. É necessária uma atitude firme e contínua contra esse tipo de charlatanismo que impera em nossos meios de comunicação. A TV é concessão pública, e não pode ser utilizada desta forma que, além de desinformar, coloca a saúde do povo em risco.

Setores da imprensa colaboram para que isso ocorra por omissão e medo, já que, entre as principais redes de televisão e de rádio nacionais, há várias igrejas e "pastores" em sua base de patrocínio e de "sublocação" da concessão pública. Essa vergonhosa agressão ao povo mais humilde e sofrido, roubado duas vezes, tanto na negativa do poder público de repassar os impostos em ações mais amplas de saúde quanto na exploração criminosa, através das "dádivas", "contribuições" etc. que suplantam, em muito, os dízimos devidos a cada igreja.

Tudo bem que isso ocorra em todas as camadas sociais, mas estelionatário que explora a pobreza e a miséria é um tipo de criminoso asqueroso e não terá perdão nenhum, nem aqui nem no céu, pois esses exploradores do corpo sofrido de Jesus e os vendilhões das casas de Deus fazem parte de um dos piores tipos de criminosos, os sanguessugas de Cristo.

PUBLICADO NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/do_deusaspirina_as_sanguessugas_de_cristo

DITANDO OS MEUS CAMINHOS...

DITANDO OS MEUS CAMINHOS...

Ditando meus caminhos, alva lua
Trilhando por sertões e pelas ruas
Minha alma assim noctâmbula; flutua,
Procura pelas ninfas, belas, nuas...

Nas folhas prateando minhas sendas,
Mostrando qual destino perseguir.
Na femina presença sedas, rendas;
Pretendo te tocar e te sentir...

Nas floridas searas, rumo e sina,
Pairando meus segredos, teu canteiro.
Tua presença, amada, diamantina
Com brilho sensual e verdadeiro...

A lua com seus rastros... tudo quieto...
Polvilhando o meu sonho mais secreto...

MARCOS LOURES

ACIMA DE TUDO A ÉTICA.

ACIMA DE TUDO A ÉTICA.

Não consigo entender o que hoje vejo
Estampado nas folhas de um jornal,
Escrito por quem sabe algum boçal,
Num ato tão venal e malfazejo,

Pousando noutro enredo, o meu desejo,
Explicitasse um passo onde o real
Marcasse e não trouxesse o marginal
Cenário que se trama em vago ensejo.

Os erros cometidos são punidos?
Retratações apenas? Sendo lidos,
Destroçam sem temer as punições,

Lutar pela sublime liberdade,
Permite outra vertente quase herética?
É necessário sim haver uma ética.

Marcos Loures

Em homenagem às vítimas da IMPRENSA MARROM que se aproveita da falta de um conselho de ética, que poderia separar o joio do trigo, em nome de uma “liberdade de imprensa” que começa a ser dilapidada já na subserviência dos meios de comunicação aos seus “patrões”. ´
Parabenizando desde já os que não se venderam, infelizmente muitas vezes sem voz ativa, principalmente nos meios televisivos deste país.

VELHAS ILUSÕES

VELHAS ILUSÕES

As velhas ilusões que alimentamos
De um tempo aonde o mundo fosse além
Do nada que de fato inda contém,
Matando este arvoredo, os podres ramos.

Aonde sem escravos, donos e amos,
Um novo horizonte feito em raro bem,
Um canto sem tormento e sem porém,
Apenas decepções; colecionamos.

Pressinto noutro vento o mesmo engodo,
Amostras denegrindo enfim o todo
Neste inerente enredo apocalíptico,

Será que o problema é só político?
Talvez a face que de fato se degrade
Expresse em tons fiéis: humanidade...

Marcos Loures

ILUSÕES

ILUSÕES

Ilusões povoando o pensamento,
Flamejam sensações mais discrepantes.
Torrentes que me invadem num momento,
Nas carnes sensuais, dilacerantes.

No mundo dos meus sonhos toma assento.
Teus olhos tão morenos, radiantes,
Nos céus em brilho farto, tomam tento
Meus barcos nos teus mares, navegantes...

Nas rútilas manhãs, o teu clarão,
Inflama meu desejo, fico tonto.
Atado estou às tramas da paixão

E tudo o que pensara aqui já conto
Sabendo o quanto amor, sendo vital,
Em tudo o que eu fizer, fundamental...

MARCOS LOURES

BRINDANDO...

BRINDANDO...

Um brinde ao que se fora e não voltara
Gerando dentro da alma este tormento
E quando novo rumo, embalde eu tento,
A vida se desenha mais amara,

Eclode o quanto irrompe em farsa clara
Expondo ao mais cruel e tosco vento,
O medo se desenha em vão fomento
E a morte a cada esquina se prepara.

Não mais que versos tolos, nada além
Do quanto em agonia sei que vem,
Num tempo se fazendo mais herético,

Algum sorriso que inda exponho,
Transcende ao quanto sigo, e sou medonho,
Vivendo outro cenário ora poético.

Marcos Loures

Meu amor, minha poesia! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Meu amor, minha poesia! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Tu és a minha doce inspiração,
Ó amado, penso em ti, noite e dia,
Vou tentando descrever em poesia...
O que sinto por ti, és a minha paixão!

Viver contigo em paz e harmonia,
Quero um amor repleto de emoção,
Tenho por ti, tamanha admiração,
Todavia, desejo-te todos os dias!

Eu tento tirar-te de minha mente,
Mas meu coração mente o que sente,
Escondendo bem fundo, sem compaixão!

Nessa vida, sigo e já vou em frente,
Ardente, quero-te assim latente,
Amante, oferto-te enfim meu coração!

© SOL Figueiredo

Os dias caminhando em harmonia
Permitem o que em paz ora vislumbro
E quando comungando me deslumbro
Com toda esta certeza que traria

Num cenário gentil um novo astral
Moldando em rendas raras esta teia
E mesmo quando a dor volta e rodeia,
O bem se fortalece e vence o mal,

Negar outros enganos vida afora,
Gerar em novos planos a magnífica
Visagem tão feliz quanto pacífica
Querência que deveras já se aflora

Especular desenho entranho, pois,
Caleidoscópico caminho a dois...

Lutando... ainda

Lutando... ainda

Mereça qualquer sorte ou mesmo assim
Lutando contra tudo e, na verdade,
Cansado do meu mundo que se evade
Deixando esta semente, o mero fim.

Envolto no que possa de onde vim
Festejo no final a liberdade,
Embora sem saber se existe a grade
Ou resta alguma flor, morto jardim.

Fascínios entre enredos divergentes
Percebo o que recebo e me apresentes
Nas tuas mais diversas, ledas táticas,

As horas mais sombrias quando apáticas
As mágicas resultam ilusórias,
Envoltas em palavras vãs e inglórias...

Marcos Loures

TEU CORPO

TEU CORPO

Teu corpo majestoso assim floria,
Em meio a tantas flores, meu jardim.
Vivendo meu desejo em fantasia,
Nos imortais sonhares, trago enfim

O canto que me deste, em harmonia;
Amor que ao se entregar, jamais tem fim.
Envolto em minha voz, em poesia,
Aprende que a verdade existe sim.

Nas chamas, vibrações e nos anseios,
Espaços percorrendo, estrelares.
As mãos que acariciam os teus seios,

Silêncios destas bocas ocupadas,
Vagando em nossos corpos, mil lugares,
Nas horas mais divinas, aguardadas...

MARCOS LOURES

Tal incêndio consome meu interior! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Tal incêndio consome meu interior! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Esse sentimento parece explodir,
Invadiu todo o meu corpo a dentro,
Tu és para mim, o único centro,
Já nem aguento, estás aqui a me consumir!

Queimando-me pouco a pouco, esquento,
Altas labaredas e fagulhas a cuspir,
Um vulcão de larvas em mim a implodir,
Esse sentir, sim, devora-me por dentro!

Nunca e nem ninguém jamais provocou...
Tal incêndio consome meu interior,
Penso e tento ser, enfim, só o teu amor,
Aumenta o tormento, por ti buscou!

Restou a esperança que há porvir,
Sentir que nosso amor, por fim, vai fluir!

© SOL Figueiredo

Fluindo entre diversas tempestades,
O rio se encaminha para o mar,
É nisto que consiste o bem de amar
E nele mansamente agora invades,

Ousar acreditar, rompendo grades,
Tateio pouco a pouco, devagar,
E quando me imagino a divagar
Encontro nos teus olhos, claridades.

Traçando em poucas linhas, num soneto,
Ao quanto se apresenta, eu me arremeto,
E sigo cada rastro que tu deixas,

Embora mal percebas sigo os passos
E mesmo quando enfrento dias lassos,
Jamais escutarás; de mim, vãs queixas...

SEM TEMORES...

SEM TEMORES...

Falar das tantas lutas que esta vida
Promete e nos remete a cada instante,
Apenas o que vejo doravante
Tramasse em labirinto outra saída,

A mesma face em sonhos construída
O tempo que deveras se adiante
E o gesto onde alegria me agigante
Presume uma esperança em luz urdida.

Não quero tão somente os empecilhos,
Vencer as decepções em novos trilhos
Criando ou mesmo até sentindo o vento

Tocando os meus anseios, sendo lúdico,
Tornando o quanto quero agora público,
A senda sem temor, assim fomento...

Marcos Loures

A LUZ QUE NOS GUIA ADOLÓNIMO AGUIAR e marcos loures

A LUZ QUE NOS GUIA ADOLÓNIMO AGUIAR e marcos loures

o que seria pelo mundo caminhar
sem versos Marcos para nos guiar?
não haveria Louros, só haveria dor
seria penoso, não haveria amor!

Adolónimo Aguiar.

Amigo me permita te dizer
Do quanto emocionaste o trovador
Que tenta na expressão do claro amor
Traçar linhas de um tolo amanhecer,

A vida se esculpindo pode ter
Momentos tão diversos; corte e flor,
Lutando contra o quanto mostre em dor
Vivendo muitas vezes por viver.

Mas quando me deparo co’o carinho
De um novo clarear eu me avizinho
E sinto quanto vale sempre a pena,

O verso quando em paz nos aproxima,
Traçando em claridade toda a rima,
Em novas caminhadas nos serena...

Dote Raro

Dote Raro

Não mais que este temor que nos assalta
Vestindo a hipocrisia de um futuro
Ao qual sem mais sentido algum procuro
Sem mesmo presumir a antiga malta,

Não quero este jamais na face incauta
Da sórdida expressão por sobre o muro
Do tempo em aridez, solo tão duro,
Num átimo, sedenta luta pauta.

No prazo que se faça em vã crisálida
A face resultara bem mais pálida
Na esquálida verdade que deparo,

O fardo se mostrara imensurável
E o quanto se tentara mais arável,
Transforma alguma luz em dote raro...

Marcos Loures

Contratempos

Contratempos

O mundo em rotação constante expressa
A multifacetária rota que consiste
No todo mais suave, audaz e triste,
Enquanto a própria luta recomeça

E nada se mostrasse tão depressa
Conquanto a solidão inda persiste
No olhar do que não fora e não resiste
À fúria que refere a farsa, a peça.

Não quero outra comédia sequer drama,
Pousando no vazio onde se trama
A mesma sensação do quanto há tempos

Ditara este vagar em tom poético,
Meu mundo se desdenha quando eclético
E rola em meio aos tantos contratempos...

Marcos Loures

VERDUGO DAS ILUSÕES

VERDUGO DAS ILUSÕES

Nascido de um momento mais sublime,
Verdugo de ilusões ,cala em meu peito.
Às vezes, insensato, me deprime,
Noutras já se mostra satisfeito.

Dos erros cometidos, me redime,
Em fúria estremecendo no meu leito,
Na sensação voraz remete ao crime,
Mortalha que emoldura do seu jeito.

Mas quando penso em ti, deusa vestal,
Recende teu perfume; raro olor.
Se torna levemente sensual.
Apascentando sempre, sem batalha,

Repleta meu caminho em puro amor,
Meu sonho, vivo fio da navalha...


MARCOS LOURES

NA BOCA QUE ME OFERECES

NA BOCA QUE ME OFERECES

Na boca carmesim que me ofereces,
Cintilam as estrelas em tiaras,
Os beijos são altares, nossas preces,
Alagam-se em ternuras, claras, caras...

Pedindo que o amor demais; confesses,
Teus braços nos meus braços quando amparas,
Propagas ilusões, tresloucas, teces
Com fios prateados, luas raras...

Na limpidez tranqüila de teus lábios,
A lividez do medo não desponta.
Meus sonhos já procuram rumo. Cabe-os

Nesta harmonia imensa e sedutora
Desta emoção sincera que desponta,
Na boca que ofereces, redentora...

MARCOS LOURES

NUVENS...

NUVENS...


Desfraldam-se essas nuvens altaneiras
Nublando todo o céu de uma esperança.
De todas as certezas, as primeiras,
Que nevam e me negam toda dança.

Verdades que se mostram quais bandeiras
Meu sonho sem temor, por certo alcança.
Nas montanhas gerais, azuis, mineiras,
Um grito benfazejo de bonança...

Altivas emoções que assim propagas,
Roçando meus cabelos, tuas mãos...
No vinho do desejo me embriagas,

Convidas para a festa, ganho o céu.
Dos dias que tivera, todos vãos,
As nuvens já se afastam, abrem véu...

MARCOS LOURES

DORMÊNCIA DUELO RONALDO RHUSSO e marcos loures

DORMÊNCIA DUELO RONALDO RHUSSO e marcos loures

É esse amortecer que é tão sentido
e evoca um fim pra cada dor que é fato
o arauto, o sinal claro: estou perdido!
E eis que percebo a falta até do tato...

Aninho em mim mesmo o que era tido
aquém do ouvir sereno e assaz recato
e não escuto o som há muito ouvido!
É certo que na boca o antes regato

achou de ficar seco e eu vi-me junto
ao ponto cego do existir oculto
e o cheiro já nem sinto, é dissipado,

é fato consumado, é fim de assunto;
agora me procuro e nem qual vulto
encontro a mim mesmo, estou velado.

Ronaldo Rhusso

Nos ermos de meu ser busco encontrar
Em meio a meus escombros a verdade,
Percorro descaminhos, realidade,
E nada está de fato em seu lugar...

Na sôfrega batalha para achar
Algum sinal com tal sinceridade
Afastando afinal a obscuridade
Aonde eu possa enfim me desnudar,

Percebo neste espelho que me trazes,
Os olhos embaçados, mas audazes
Da fera envelhecida e já sem dentes.

Mas que inda crê na força de outras eras,
No inverno vou buscando primaveras,
Velando a minha imagem entrementes...

Marcos Loures

A distorção é fato consumado
e o beijo da mortífera, conforta
a minha sede por uma outra porta
a qual me leve calmo pr'outro lado

em companhia alegre do esperado
aluvião ao qual meu ser comporta
e em me delir, sereno, então reporta
o ser que fui há tempos, e olvidado,

ao que compôe o resto em mim contido
a fim de dar vazão à vil dormência
e me apagar aos poucos co'a anuência

herdada um dia pelo que hei vivido
em troca dessa vã maledicência
em forma estranha e triste da existência...


Ronaldo Rhusso


Perceba quantas vezes vou errante
Escravo dos meus medos, meus anseios,
E faço de ilusões, doridos meios
Na busca mais freqüente, até constante.

A morte, sobretudo me garante,
Antiga sabedora destes veios,
Que jamais valeriam tais receios,
O mundo segue sempre para adiante.

Portanto, distorções são usuais,
Motivos pra viver; os quero mais,
Já que depois de tudo, findará

O tempo se esgotando tão depressa,
Será que nova etapa recomeça
Após o meu final? Responda já!

Marcos Loures


Essa louca dormência nos sentidos
vem, e desperta a dúvida latente!
Vem tornando o viver tão mais plangente...
Pensamentos comuns são invadidos

e me lembram das dores de outros idos
que tornaram-me a vida diferente...
Hei me dado ao sofrer e é permanente
lamentar e ter medos combatidos.

A vida é prima-irmã da Dona morte.
Uma pára e outra leva, toca em frente!
De repente entendi que continua

e atua esperando o Rei que é forte
é suporte pro ente, felizmente,
e virá reluzente mais que a lua!

Ronaldo Rhusso

A Morte nos desnuda por inteiro
Inevitável ponto de partida,
Quem sabe, de chegada, companheiro,
Haverá decerto nova vida?

Só sei que sempre mostra a dolorida
Face do viver, que é tão ligeiro,
Porém como uma meta a ser cumprida,
Momento da existência, o derradeiro.

Aprendo a cada novo amanhecer
A crer que esta alegria de viver,
É tudo o que desejo e que me resta,

As dores ensinando, dia a dia,
Maturidade sempre propicia,
Ensinando a encarar a hora funesta...

Marcos Loures


Santa hora da morte eu já rejeito
adornando a doença que corrói
com a força latente que em meu peito
ganha pulso e a tristeza, então, destrói.

A dormência me segue e não tem jeito
hei de um dia aquecer corpo que mói
ao poeta e não tem sequer respeito,
pois castelos bonitos, eis, constrói!

Nova vida é um fato que o espelho
me fez ver nos milagres contundentes;
é que eu tenho meu próprio Mar Vermelho

e navego em mim mesmo, entrementes
não sou desses que pode dar conselho
eu sou puro milagre em meio a entes.

Ronaldo Rhusso


O quanto em desafios traz a vida,
Misteriosamente faz milagres,
Porquanto tanto amor; deveras sagres,
Encontras com louvor uma saída.

A sorte do viver jamais se olvida,
Mesmo quando há acidez, velhos vinagres
No amor que a cada dia mais consagres
Adiarás decerto as despedidas...

Poeta tendo uma alma imorredoura,
Em plena tempestade, ele se doura,
Erguendo o seu olhar, vê sempre além.

A morte leve o corpo, deixa a fama,
Mantendo na palavra a imensa chama,
Que eterna, vez em quando sempre vem...

Marcos Loures


Eu acredito que essa é a nova vida:
Permanecer em cada verso lindo!
Eternizar-se em obras, nessa lida,
aproveitando o Dom, pois que é infindo!

Posteridade tem quem solta a brida
anunciando a dor, porém sorrindo
enquanto o Mal não ache uma acolhida;
enquanto o amor entenda que é bem vindo!

O corpo morre e fica em vil dormência;
os Cromossomos juntam-se à terra;
memória não tem mais, nem recompensa...

Um dia alguém que sofre de demência
descobre textos... Pronto! A morte encerra!
Outro imortal renasce... Mas compensa?

Ronaldo Rhusso

Talvez seja melhor ficar calado,
O tempo remedia, mas não cura,
Se o pensamento voa, sendo alado,
Algum belo remanso ele procura,

Da luta, eu te garanto, estou cansado,
Porém nossa batalha inda perdura,
Viver a poesia, amargo Fado,
Às vezes com espinhos, a ternura...

Morrer e depois disso ser alguém?
Um velho paradoxo se repete,
Melhor seria ter outro caminho,

Mas quando a tarde cai e a noite vem,
O dedo no teclado pinta o sete,
E volta sem pensar ao mesmo ninho...

Marcos Loures

Razão tu tens, irmão, poeta e amigo!
Então deslizo e falo de outra vida
Em céu, em Terra Nova prometida!
A mim costuma ser o que eu persigo...

Viver, morrer, aqui é um perigo!
E eu sei, também a ti, ELE convida
A ir pr’esse lugar que é sem medida.
Ah! Creias, tou falando de um abrigo!

Eu sei que ELE virá porque já veio.
Repare no comer da multidão!
Tilintam sinos dessa falsa fé,

Mas Cristo, eu sei, te quer doar um seio
Além do que o pulsar do coração.
Ta bom! Sou sonhador, mas isso é fé!

Ronaldo Rhusso


Nós temos a esperança feita em fé
De um tempo bem mais calmo e mais suave,
Após nossa viagem, noutra nave
Que faça este percurso; aonde? Até?

Mas quando a noite chega e traz vazios,
Mergulho num abismo sem respostas,
E mesmo que ainda crie, firmes crostas,
Às vezes dolorosos arrepios...

Eu creio, nunca nego, em Cristo Deus,
E faço desta crença uma bandeira,
Dizer sempre até logo e nunca adeus,

Marcando desde sempre pela dor,
Amiga tão voraz e costumeira,
Parceira de oração e de louvor...

Marcos Loures

Eu conheço um segredo pra dormência;
pras horas onde as sombras atormentam...
É fácil! Só há perda aos que não tentam.
Cuidar de alguém melhora a permanência

ao lado do Senhor e a paciência
se torna gotas que aos poucos sustentam
e cobrem densas noites, alimentam...
O enfado passa a vir sem a frequência

de modo que outras cores enxergamos.
Cuidar dos que estão próximos é fácil;
Missão é carregar gente que está

melhor que nós e assim fortificamos
a mente que costuma ser retrátil,
mas será transformada: Ele virá!

Ronaldo Rhusso

Carregando este amor que fortalece
E traz uma esperança interminável,
Por mais que o solo seja farto, arável,
Uma alma sem destino, em vão fenece;

Fazendo de um soneto, quase prece,
Um mundo que imagino mais amável
Humanidade sendo palatável,
Às normas do Divino, alma obedece

Fraternidade sólida esperança,
A fera mais voraz, o amor amansa
Quem vive esta certeza sabe bem,

Somente esta alegria tem valor,
Um novo amanhecer, a se propor,
Perpassa este horizonte e segue além...

Marcos Loures


Falaste do amor com maestria
e eu sinto que é o segredo da vitória!
Consegues perceber toda essa glória
que banha todo o amante da poesia?

É ela que me leva a noite e dia
sorver cada momento dessa história
que em versos escrevemos e a memória
há de ficar marcada em alegria!

É com amor que temos derramado
os nossos corações para os leitores
nesse minimizar de dissabores

com nosso versejar que é de bom grado
a fim de ter também colaborado
com o renovar da vida em lindas cores!

Ronaldo Rhusso

A poesia é nossa mola; mestre
Que faz com que possamos ter nas mãos
Sementes do futuro, fartos grãos;
Tomara que este amor, o povo adestre,

Aragem em que vivo hoje, campestre,
Não deixa que eu conceba serem vãos,
Lutemos companheiro, pois irmãos
Não deixam que o vazio já fenestre

E invada sobre nós desesperança,
Nos versos com carinho esta aliança
Permite que se creia no amanhã.

E temos o poder da poesia
Que é feita de magia e fantasia,
Divino, com certeza, nosso afã...

Marcos Loures

Divino e prazeroso, ó mestre amigo!
Às vezes té me esqueço dos terrores
que assaltam-me em forma de vis dores
e roubam-me essa paz, é o que eu lhe digo!

Então me zango e escrevo o que eu consigo
em forma fixa ou como os amadores.
O fato é que me vêm, em multicores,
palavras que me são perfeito abrigo!

A graça é que podemos recriar
um mundo diferente qual encarte
e o feio com firmeza por de parte.

Não é maravilhoso e até sem par
o dom que possuímos de rimar
a dor co'ardor e o amor co'a cor da arte?

Ronaldo Rhusso


O dom de ser poeta, uma magia
Que jamais desprezei e que sustenta
Durante a tempestade; uma alma assenta
E bebe do prazer e da agonia.

Vencer o dissabor do dia a dia,
Por mais que a vida seja violenta,
A noite em poesia nos alenta,
Como se fosse então uma alquimia.

Pedra filosofal que lapidamos,
Escravos das palavras? Somos amos,
E ramos destes velhos arvoredos

Que escassos, mas garanto valiosos,
Os versos que fazemos; orgulhosos,
Desvendam da existência seus segredos...

Marcos Loures


Amigos das palavras temos sido;
Senhores de nós mesmos e dos versos.
O dom que praticamos tem movido
Milhares de espíritos dispersos

A despertarem desse combalido
Estado lamentável que, ora imersos,
Sufoca cada anseio que era tido
Como uma solução pros mais diversos

Dilemas da existência em vil dormência,
Estado em que se encontra a maioria
Sem virtudes, sem justa paciência;

Sem gana pra viver em harmonia
C’o bem comum, com ordem, com decência;
Consigo mesmo e com a fantasia.

Ronaldo Rhusso


Possamos espalhar aos quatro ventos
O som da poesia que nos toca,
O rio que em tal mar se desemboca
Carrega junto a si, os sentimentos,

Poeta faz das dores, seus alentos,
O amor em fantasia ali se aloca,
Agigantando sempre cada roca
Tornada continente, pensamentos...

Que possa ser assim durante a vida,
Eternos companheiros da alegria,
E imersos em fantasmas que criamos,

E quando chegar nossa despedida,
Vivemos o que o sonho nos pedia,
Que a liberdade nega escravos e amos...

Marcos Loures


Espero que esssa tal de despedida
demore a Eternidade para vir
e que tenhamos sempre e sem medida
muita alegria antes do partir.

Enquanto isso vou gozar a vida
a fim de me esquivar do despedir;
compor, honrar essa'rte sem a brida
a qual me tolhe e esforço-me a delir.

Viver os sonhos traz a paz que é dom,
é dádiva importante e eu quero é mais!
Sorver da liberdade satisfaz.

Eu posso até do encanto ouvir o som!
Mas quem da poesia dá o tom
sou eu, és tu que és mestre, és mui capaz!


Ronaldo Rhusso


Respirando este ar puro em que respiras
Os sonhos que trazemos; parceria,
A dádiva divina é maestria,
E acende da esperança tantas piras,

Enquanto poesia tu transpiras,
O velho trovador, pouco queria,
Somente algum resíduo de alegria,
Mudando pra melhor terríveis miras,

Almejo estar contigo nesta glória
Aonde a gente escreve nossa história
Marcada com a dor, com esperança

Arejas com teu riso o sofrimento,
E tendo Nosso Deus, alívio e alento,
Um claro amanhecer, a vida alcança.

Marcos Loures


Que bom pode dizer do teu valor!
Compartilhar de versos que enriquecem
e que aos corações, decerto, aquecem
tornando espinhos maus em bela flor!

Sofrer faz parte e até vejo na dor
algum motivo além e os que padecem
aos poucos se apercebem, então crescem
e dão valor à vida e ao dom do amor!

Talvez a privação do paladar
prepare o ser humano pra deixar
aquilo que não vai ter lá no céu.

Eu vejo a privação da liberdade
motivo pra buscar sobriedade
e ver na Eternidade doce mel!

Ronaldo Rhusso

Assim como ao poeta se permite
O ter em suas mãos, clareza rara,
O verso que também apóia e ampara,
Esconde das tristezas, seu limite,

Por mais que na verdade eu acredite,
A bela fantasia me é tão cara,
E quando a voz da vida em vão dispara,
Retorno o meu olhar, busco Afrodite.

Não deixaremos nunca que se apague
O brilho que somente a Musa traz,
Vivendo a plenitude e sendo audaz,

Não vejo quem polua ou mesmo estrague
As mãos do que burila tal argila,
E o sonho entre seus versos já desfila...

Marcos Loures


A Musa inspira, é fato, isso eu não nego.
Carrego essa certeza e busco a minha...
Eu tinha o privilégio, mas fui pego
qual cego até perder minha rainha...

Definha em mim a alma e não sossego;
entrego-me à jornada e sigo a linha
que é vinha a ser cuidada e a ela eu rego.
Sonego a calma e vem-me um frio na espinha...

Sozinha a fantasia é pouca monta.
Desmonta até vontade de viver.
Meu ser nem teme mais o vil sofrer.

Dizer que a vida é bela e não dar conta
afronta claramente o sonho antigo?
Persigo uma resposta. A tens, amigo?


Ronaldo Rhusso


Só sei que não sabendo quase nada,
Além do que me toca o coração,
Instinto bem maior que a razão,
A vida em loteria transformada,

Um'alma, muitas vezes malfadada,
Que encontra nos seus ermos, solução,
Sabendo que somente amor, perdão,
Garantem a viagem sossegada,

Espero pela chuva com o olhar
De quem sabe: ela irá fertilizar
Crisálidas da terra: grãos, sementes

E assim se refazendo a cada dia,
A vida nos permite a poesia,
Tramando a realidade que ora mentes...

Marcos Loures

É nesse refazer com paciência
que temos o antídoto ansiado
pra desfazer o estado da dormência
algoz que contra nós tem festejado.

Talvez temos mostrado a complacência
com cada inimigo e não amado
aquele que se esconde em vil dolência
atrás de cada verso elaborado.

Perdão tem dupla mão e é tão bonito!
E torna essa viagem mais segura.
Mas reconheço que só alma pura

deixa a realidade e vira mito.
Por mim se a morte vem eu solto um grito
e digo: vá de retro, ô bicha escura!

Ronaldo Rhusso


Cantemos, pois à vida, companheiro,
E mesmo que sofrida, é tudo o que
Existe de concreto e o tempo inteiro
Navego em suas ondas, sem cadê?

Não posso sonegar o verdadeiro
Caminho pelo qual em Deus se crê,
Do parto até a partida, mensageiro
Da paz que sabe bem o que se vê.

Não creio nos demônios, nem os temo,
Distante de meus sonhos, vejo o Demo
Mefisto não passando de ilusão,

Porém no amor divino, num mergulho,
Eu bebo destas águas e me orgulho,
De ser a cada dia mais cristão...

Marcos Loures

Um canto para a vida é boa ideia!
Festejo o refestelo do meu ser
que pronto pra não ver em panaceia
resposta para não envelhecer

prefere entrar em anos pois a estreia
almeja que se possa esquecer.
Ser jovem é mexer numa colmeia
e nunca preocupar-se em correr.

Espíritos do mal até que existem;
eu trombo com alguns no dia a dia.
São eles os que ao belo resistem

e tiram desse mundo a fantasia.
Dormência têm na mente, mas persistem
até roubarem cores da alegria.

Ronaldo Rhusso


Não deixe que estes tolos, vãos bufões
Dominem esta cena, meras brisas,
Poeta feito em luz; protagonizas,
Tocando com leveza os corações...

Acaso existem forças, turbilhões
Que apenas com teus versos suavizas,
E quando noutras cores tu matizas
As nuvens buscam outras direções.

Escreves com beleza e com cadência,
E enfrentas com denodo tal dormência
Vencendo esta batalha dia a dia,

Louvando o bem maior com maestria,
E com tanto talento, a poesia
Reclama e sente logo tua ausência...

Marcos Loures


A poesia age com brandura;
ela é mulher gentil e nos quer bem.
A vejo como um bálsamo, uma cura,
alívio mui mais rápido que um trem

do tipo que é expresso e da lonjura
faz estreito caminho e faz tão bem!
Ela é parceira hábil e assegura
a nós que lemos tudo o que convém

direito de sorver em teus sonetos
a mensagem mais pura e confortante;
abrir de alma explêndida e tonante!

Contigo é fácil crer em bons duetos
andar em letras por Jardins e Guetos,
pois teu talento é fato assaz marcante!

Ronaldo Rhusso


Amigo, com certeza tu me dás
Esta oportunidade rara e benfazeja
De ter em cada verso, o que deseja
Quem vive uma esperança feita em paz.

Às vezes delicado ou mesmo audaz,
Um trágico poema que lateja,
Sorriso de criança, alma almeja,
Mas nada se compara e satisfaz

A quem faz do soneto, grito e voz,
Do que esta companhia que me fazes
Em versos muitas vezes mais vorazes,

Sabendo ser comum a nossa foz,
Descendo as corredeiras com bravura,
No canto em que espalhamos a cultura...

Marcos Loures


Esse rasgar de seda é verdadeiro
E não vai denegrir nosso trabalho.
Os fatos transparentes que ora espalho
Podem ser comprovados por inteiro.

Se eu digo que a dormência é mal certeiro
Quem pode duvidar ou meter malho?
Será só carta fora do baralho
Tão certo como és mestre qual oleiro

Que molda o barro com exatidão
E em cada obra põe o coração.
Avante, ó rimadores e prosistas!

Encantai esse mundo, sois artistas!
Derramai poesia com coragem!
Enfrentai, desse mundo, a vil voragem!

Ronaldo Rhusso

Cortando a solidão, a poesia
Embarca com denodo em raros barcos,
Distante dos tormentos, criando arcos
Aonde um novo tempo se desfia,

O verso se desnuda em fantasia,
Embora os bons momentos sejam parcos,
Ronaldos são bem poucos, mas são marcos
Que fazem do viver pura alegria.

Assim sem nada além de um verso puro,
Um canto em amizade, um hino à vida,
Se em meio a tantos males me depuro

E vejo com vigor esta saída,
Quem dera se também a humanidade,
Levasse a poesia à santidade...

VENTO FRIO...

VENTO FRIO...

Nos umbrais percebendo o vento frio
Que invade sem perguntas, toma tudo.
Coração vai entregue e tão vazio,
Sem canto e sem promessa onde me iludo.

O meu mar se asfixia, perde um rio
No sentimento ignóbil, seco, rudo,
Impede a sensação de um novo estio,
Deixando-me calado, inerte, mudo...

Somente me restando uma saída
Do labirinto atroz desta saudade.
Tramando a solução em minha vida,

Pr’a todas incertezas quando houver,
Sozinho, sem ter porto, sem mulher...
Restando só um sopro da amizade...

MARCOS LOURES

FRAGRÂNCIAS DELICADAS

FRAGRÂNCIAS DELICADAS

Desejo desnudar teus belos seios,
Intumescidos, loucos e sedentos,
Nos toques mais suaves, meus anseios,
Fragrâncias delicadas, pensamentos...

Entrar por tuas minas e teus veios,
Calando meus caminhos mais sedentos,
Deitando em teus cabelos, meus enleios,
Meus dedos te percorrem, calmos, lentos...

Nos rumos que me levam aos mistérios
Que tento desvendar, tua nudez...
Sabendo desfrutar gozos etéreos.

Carnais estes meus sonhos mais intensos,
Sangrando assim, total insensatez...
Momentos deliciosos, livres, tensos....

MARCOS LOURES

ROLANDO COM AS PEDRAS DO CAMINHO

ROLANDO COM AS PEDRAS DO CAMINHO

Rolando com as pedras no caminho,
Imaculados sonhos, anjos, vícios.
As mãos que se misturam num carinho,
As pernas nos beirais, nos precipícios...

Em toda a castidade proclamada,
Revestes os teus sonhos de princesa.
Na boca que ofereces, desejada,
O rastro de delícias sobre a mesa.

Nos lodos misturados, aturdidos,
Profundas emoções diamantinas..
Segredos sob os mantos bem urdidos,
Tremulam tuas mãos, quase meninas.

E deitas do meu lado, tão gentil,
No toque prazeroso, enfim... sutil...

MARCOS LOURES

ESQUINAS

ESQUINAS

Não mais que qualquer fato demonstrasse
A farsa feita vida que oferecesses
Em busca da emoção sempre te esqueces
Da rude solidão em desenlace,

Não quero novo tempo ou mesmo a face
Sombria do que dizem vagas messes,
Rumando sem saber quanto padeces,
Cada momento surge em novo impasse.

Não quero ser apenas o que um dia
Vencido pelo sonho onde porfia
Grassasse este infinito sem porquês,

E quanto mais distante tu me vês,
Talvez seja somente uma defesa,
Na esquina sempre existe outra surpresa...

Marcos Loures

ESQUINAS

ESQUINAS

Não mais que qualquer fato demonstrasse
A farsa feita vida que oferecesses
Em busca da emoção sempre te esqueces
Da rude solidão em desenlace,

Não quero novo tempo ou mesmo a face
Sombria do que dizem vagas messes,
Rumando sem saber quanto padeces,
Cada momento surge em novo impasse.

Não quero ser apenas o que um dia
Vencido pelo sonho onde porfia
Grassasse este infinito sem porquês,

E quanto mais distante tu me vês,
Talvez seja somente uma defesa,
Na esquina sempre existe outra surpresa...

Marcos Loures

NUNCA SE ESQUEÇA

NUNCA SE ESQUEÇA

Menina nunca esqueça que o encanto
Que trazes nesta vida é passageiro.
Depois deste período, o derradeiro
Sonho virá trazendo um triste pranto.

E destas flóreas sendas; manso canto
De um pássaro ferido por inteiro
Será talvez teu último parceiro
Todo universo enfim em desencanto!

Mas não temas a noite, ela virá
E tantos pesadelos te trará
Perceba, a juventude sempre engana...

Teus olhos de risonhos, doces brilhos,
Procurarão, embalde novos trilhos,
E sobreviverás, pois soberana...

MARCOS LOURES

AVISO AOS NAVEGANTES... da net

Por ter tido problemas sérios com alguns grupos, tendo sido inclusive violentamente agredido num grupo de Jornalistas, do qual me retirei após a maneira leviana com a qual fui tratado, passarei a publicar meus textos somente nos murais, não sairei dos grupos, mas minha participação será esporádica. Perdoem o incômodo que gerei com meus versos arcaicos e/ou pobres, mas não quero ser tratado com SEM NOÇÃO entre outros adjetivos mais agressivos.
Portanto, respeitando as regras dos grupos e tentando não me estressar, estarei somente no meu espaço.
Abraços a todos os amigos e agradeço a paciência de vocês.

Marcos Valério Mannarino Loures

EU QUERO O TEU SORRISO

EU QUERO O TEU SORRISO

Eu quero o teu sorriso esculturado
Em teu rosto tão belo, angelical.
Distante do que fora amargurado,
Maliciosamente sensual...

Meu verso te buscando extasiado,
Encontra-te querida, bem e mal,
Ferindo um coração apaixonado,
Rolando meu desejo pelo astral...

Às vezes te concebo noutra história,
Amante de meus sonhos mais queridos.
Vencer todos os medos, minh glória,

Bem sabes quanto quero o teu amor.
Porém destes meus sonhos, vãos, perdidos,
Espero renascer jardim e flor...

MARCOS LOURES

EU SEMPRE TE QUIS

EU SEMPRE TE QUIS

Eu sempre te quis, nunca percebeste
Em tua vida leve e sem pecado.
Meu mundo sempre trouxe amargurado
Desejo que jamais tu recebeste
Durante toda a vida. Nunca leste
Os caminhos que traça o triste fado.
O mundo, que percebes encantado
Te enganas pois em ouro não reveste...
Agora que tu sabes que te quero,
Embora tanto doa, sou sincero
E trago, no meu peito, esta saudade
Dos tempos onde tinha um doce beijo
Rondando dia e noite meu desejo:
Ser teu. Querida, mate esta vontade!

MARCOS LOURES

QUANTOS CAMINHOS?

QUANTOS CAMINHOS?

Quantos caminhos tenho até chegar
A mansidão do colo de quem amo,
Passando por montanhas, vales, mar,
Vivendo qual cativo fujo d’amo

E busco a liberdade par em par
Com sonhos que já tive e sempre exclamo
Na fúria de poder não mais deixar
Que o tempo se assoberbe em cada ramo

Das matas ciliares do que penso,
E tramo toda noite em minha cama;
Vivendo em tal angústia; sempre tenso,

Aguardo que termine nossa história
Da forma que mais quero e que reclamo,
Louvando o nosso amor em plena glória...

MARCOS LOURES

domingo, 27 de maio de 2012

NOITES VÃS

NOITES VÃS

Nossas noites passando vãs, errantes,
Lascivas sensações, à flor da pele...
Meus lábios no teu corpo, navegantes,
Espreitam na nudez que me revele
As escondidas minas, diamantes.
Pedindo que em meus sonhos já se atrele
Os sonhos de quem quero, por instantes.
Antes que a solidão venha e congele...
As nossas carnes, vivas ardentias,
Intumescidos lagos, empoçados
Vibrantes os desejos, fantasias...
As sombras bruxuleiam, nosso quarto,
Delícias destes rios desaguados
No mar tão prazeroso. Pleno e farto...

MARCOS LOURES

AMOR EM VÃO

AMOR EM VÃO


Amor que tão distante, em vão não me compete...
Vestida de saudade, a lua se entristece...
É lagrima que cai, inunda este carpete.
A dor, embevecida, amarga tela tece...

Amor que nunca cura, embalde se repete,
Não adianta crença, esqueça sua prece...
Desfila a solidão, a lua por vedete,
Minha pobre esperança, em lágrimas fenece...

Porém me resta o canto, o meu fiel parceiro...
A benção mais divina inunda o mundo inteiro!
Por tanto tempo quis o brilho da manhã!

O canto abençoado atravessando o mar...
Inunda o sofrimento, acorda o meu luar.
Nas bênçãos deste amor, o meu belo amanhã...

MARCOS LOURES

A SUA CARTA

A SUA CARTA

Recebi sua carta, minha amiga.
Em todas as palavras um adeus...
No fundo de minha alma vá, prossiga,
Consigo não irão os olhos meus...

A sensação que tenho, tão antiga,
Desfeitos tantos sonhos de himeneus,
E de querer, enfim, que já consiga
Viver mais plenamente os sonhos seus...

Bem sei que depois disso vou sozinho...
É certo que tentamos ser felizes.
O fio deste amor jamais foi linho,

Não quero recordar a nossa dor.
Vivemos nosso céu, vieram crises,
Mas sinto um novo vento... salvador...

MARCOS LOURES

FONTE LÍMPIDA E FRESCA DOS AMORES

FONTE LÍMPIDA E FRESCA DOS AMORES

Fonte límpida e fresca dos amores...
Nos cantos destes pássaros felizes,
As searas prometem tantas flores,
Abraçadas nas asas das perdizes...

Na pompa onde se mostram tais pendores,
Não sei desses receios nego crises.
Os álamos as luzes os odores
No mato se misturam mil matizes...

Neste missal criado por um Deus
Luxuoso desfile se repete,
Nas várzeas e montanhas, olhos meus

Deslumbramento tal que me compete
Pintar na poesia luz e breus,
No centro deste quadro amor reflete...


MARCOS LOURES

NO VIÇO DESTAS FOLHAS

NO VIÇO DESTAS FOLHAS

No viço destas folhas, primavera
Reflete-se nos raios deste sol;
Paramento divino, girassol
Altares catedrais, uma tapera.

Tudo reluz, paisagem, quem me dera
Pudesse percorrer, ser o farol.
A natureza orgástica... Na fera
Que repousa, reparo um triste rol.

As marcas tão profundas, dentes, garras.
Escondo-me, sou presa, neste arbusto,
Num átimo rompendo essas amarras

Reparo nos teus olhos, minha fada...
De frágil, num repente, sou robusto.
Na força que me dás, querida amada!

MARCOS LOURES

AS FERIDAS DA ALMA

"As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz.
Machado de Assis

AS FERIDAS DA ALMA

Amiga, estas feridas de minha alma,
Quais profundas escaras me maltratam,
Apenas teu carinho já me acalma,
Teus olhos no meu peito se retratam...

Vencendo o desamor com atenção,
Demonstras quanto és bela, companheira,
Afloras tal beleza em coração,
Estarei ao teu lado a vida inteira.

Na paz que proporciona a cada dia
Com tal satisfação que sempre encanta,
Mostrando quanto é bom ter alegria,
Numa alma que em pureza se agiganta.

Curaste tais feridas. Cicatrizes,
Respaldos para dias mais felizes...

MARCOS LOURES

DOURADO SONHO

DOURADO SONHO

Dourado sonho dominando tudo...
Os olhos esquecidos adormecem...
Nas horas mais doridas não esquecem
E deixam o meu dia quase mudo...

Não posso compreender, porém, contudo,
Que as noites que vieram se padecem
Dos sonhos que perdemos e enlouquecem
Fazendo um coração já tartamudo.

Amor interagindo com saudade
Matando, sem querer, felicidade.
Nos braços que me entrego, em fantasia...

A vida me promete este tesouro,
O sol que me ilumina, onde me douro,
Tu és a minha estrela da alegria!


MARCOS LOURES

SEM LUZ

SEM LUZ

A vida não teria tanta luz
Se quem eu sempre quis não me quisesse
Aí não bastaria toda prece
Imagem que no olhar se reproduz.

Sem medo da saudade; amor traduz,
Bem mais do que meu canto já merece.
De todos os meus sonhos não se esquece
Aquela que em meu verso se seduz,

Somente essa menina que chegou
Em meio à tempestade, já brilhou
A flor do meu desejo mais profundo.

Mar e sol, lua e vida soberana
Um peito apaixonado não se engana
E morre nos teus braços num segundo...

MARCOS LOURES

TUDO O QUE ME TROUXE A MADRUGADA

TUDO O QUE ME TROUXE A MADRUGADA

Se tudo que me trouxe a madrugada
Se esvai mal amanheça o novo dia,
De que me valerá esta poesia
Um canto que não serve para nada.

Não posso conceber mulher amada
Que não me traga luz e fantasia
Na vida um novo mundo em cantoria
E força que supera a longa estrada.

Desculpas não aceito por não ter
Verdades neste mundo por saber.
Eu canto sem temer, pois neste canto

Misturo sentimentos que disfarço
E guardo no universo que não traço.
Embora vá sozinho e sem espanto...

MARCOS LOURES

NOUTRO TEMPO

NOUTRO TEMPO

Um dia a mais, noutro tempo.
Noutro tempo fui tão só,
Doendo a vida, dá dó,
A quem tempo e contratempo,
No meu tempo, passatempo,
Foi solitária agonia
Que me fez perder Maria,
Que me trouxe solidão,
Nunca sim, somente não,
Naufragando a poesia...

MARCOS LOURES

TANTO MEDO

TANTO MEDO


Tanto medo sem motivo,
Eu garanto pro senhor,
Que, por mais que esteja vivo,
Nunca mais incomodou,
A gente tem, com certeza,
Um pé atras, posso crer.
Mas, em toda a natureza,
Outro igual nunca vai ter.
Nascido de mãe nervosa,
E de pai desconhecido,
Vivendo a vida tão prosa ,
Tendo esse olhar mais perdido.
De menino, ele assombrava
Quem passasse no caminho,
Nunca que ele descansava,
Mesmo que andasse sozinho.
Criado por tia tonta,
Sem ter noção do pecado,
Qualquer coisa que se apronta,
Nem adivinha o recado.
Sendo feito de garrucha,
A caneta que escrevia,
Se esfregando, usando bucha,
Pele dura, nem ardia.
Sem medo de bala ou faca,
Sem temer Deus nem diabo,
Fincando o chão com estaca,
De vivente, dando cabo.
Foi moleque temerário,
Dono de todo o sertão,
Não precisava honorário,
Nem tampouco gratidão.
A morte feito lazer,
Não precisava pagar,
Não queria nem saber,
Tinha prazer no matar...
Pouca gente duvidava
De toda essa valentia,
Sua fama já se dava,
Pelo sertão, percorria…
Mas, na semana passada,
Um fato então lá se deu,
Nas matas das Embolada,
Onde o capeta nasceu.
Tocaiaram Chico Bento,
Deram três tiros de sobra,
Fora esse envenenamento,
Da mordida duma cobra,
Cascavel que deu o bote,
Mas um cabra sertanejo,
Resistindo até a morte,
Na desgraça dando beijo,
Mas, para azar do destino,
Dessa ele não escapou,
Foi-se embora tal menino,
Que a desgraça carregou;
Por cima das tempestades,
Que a vida madrasta armou,
Esquecendo as crueldades,
Que falam que praticou.
Na verdade era um garoto,
Morte sempre bafejou,
Da sorte só teve arroto,
Inté que um dia, voou…

MARCOS LOURES

MINHA HISTÓRIA

MINHA HISTÓRIA

Menina, me dê licença,
D”eu contar a minha história ,
Enquanto a cabeça pensa,
Vou falando de memória.
Nasci nas terras do Juca,
Lá pras bandas do Meião.
Saudade quando cutuca,
Maltrata meu coração.
Minha mãe foi benzedeira,
A melhor que havia lá,
Curava qualquer besteira,
Qualquer doença que há.
Com a fé de quem rezava,
Dia inteiro, se preciso,
Tanto mal ela curava,
E tá lá, no Paraíso.
Foi embora, a dor é tanta,
Mas, bonita sua cruz,
Morreu sexta feira santa,
Mesmo dia que Jesus.
Lá no Céu teve festança,
Movida a muito forró,
Teve prenda e teve dança.
Teve tudo o de melhor.
Meu pai, foi sertanejo,
Lavrador com muito orgulho,
Lutando com tanto pejo,
Viveu sem fazer barulho,
A morte também, destino,
Levou meu querido pai,
Deixando, tal desatino,
Que, da lembrança, não sai.
Fiquei sozinho na lida,
Sem mulher ou companheira,
Tudo que tenho na vida,
É a viola, estradeira.
Tenho o sol como meu guia,
A lua por namorada,
Vou cantando todo dia,
Canto só, sem ter parada.
Não quero cantar tristeza,
Nem tampouco solidão,
Vou cantando essa beleza,
A beleza do sertão.
A vida deu regalia
E tomou, sem perguntar,
Se era isso o que eu queria,
Mas não posso reclamar.
Foi Deus quem me deu o dom,
Dessa viola tocar,
Quando dela, tiro um som,
Canto sem pestanejar.
Não quero amar a ninguém,
Nem me prender a Maria,
Preciso de ter um bem,
Que a mim, não pertencia.
Pois somente assim, menina,
Não tendo amor que se implora,
Nem tendo vida que atina,
A minha viola chora...

MARCOS LOURES

PASSARINHO...

PASSARINHO...

Vivendo só da saudade,
Percebendo a solidão,
Companheira nesse chão,
Onde errante, cedo ou tarde,
Procurei felicidade.
Nada tive, vou sozinho,
Buscando novo caminho,
Partindo pelas estradas,
Nas noites enluaradas,
Vou voando, passarinho.

MARCOS LOURES

SERTANEJA...

SERTANEJA...

No sertão do Ceará
Encontrei linda princesa,
Carregada de tristeza,
De tanta dor prá contar.
Beleza igual ao luar,
O luar do meu sertão,
Que, com toda essa emoção,
Não consigo lhe esquecer.
Tão bela quanto você,
Não fez Deus, na criação.

MARCOS LOURES

DELÍRIOS

DELÍRIOS

Percorro meus delírios, sonhos, medos...
Segredos ponho, barcos e tempestas;
Festas e fantasias, carnaval...
Aval de Deus permite cada luz...
Iluminas as minas de minha alma...
Acalmas todas dores que virão.
Por certo não conjugas sofrimento
Com meus desejos mais sutis, carinho...
Num átimo, meu último segundo.
Caçando tais estrelas ness’astral.
Sim, nossa verdadeira manhã morre.
Escorrem dos meus dedos, nossa vida.
Ávida vida, deve breve vértice...
Artífice da sorte, motes mortes...
Temo o temor, tremendo teus tentáculos.
Meus oráculos mentem, nada tenho...
Venho desse jamais tivesse sido...
Duvido do óbvio, vingo minhas chagas.
Algas nas águas, mágoas nas lagoas;
Entoas novas loas, trovas, canto.
Tanto tempo terei temporal, medo...
Segredo meu segredo segregado...
Minhas minas terminas temerária.
Na confusão dos cios, ciclovia...
Havia álibi, livre colibri.
Mas quando vi, estavas só vagando...
E te perdi, pedi a penitência.
Feche teus olhos, veja o meu desejo.
Num martírio, deliro e nada resta,
Pela fresta, janelas, portas... Morta
A solidão, revive viva vida.
Não quero mais senão, sertão, serralha.
Nem a canalha forma que me forma.
E que me informa: foste tão fugaz...

MARCOS LOURES

NUNCA MAIS SABER TEU NOME

NUNCA MAIS SABER TEU NOME

Nunca mais saber teu nome,
Nem querer te conhecer,
Preferia, assim, viver,
Sabendo que tudo some,
Vivendo amor sem ter fome,
Nem escolhendo parada,
Devorando a madrugada,
Da poeira, companheiro,
Seguindo esse mundo inteiro,
Sem ter medo, sem ter nada!

MARCOS LOURES

VITÓRIA?

VITÓRIA?

A vida sempre trouxe tanta dor,
Embora em poucas lutas que venci
Guardei essa esperança por aqui
Sabendo que jamais verei a cor

Duma felicidade e seu calor.
Por tanto que lutei sempre esqueci
Que a noite quando chega traz em si
O frio da saudade em seu vigor.

Mas nada me trará outro caminho.
Meu mundo percorrer a pé, sozinho,
E nada mudará a triste história...

Porém ao acordar nesta manhã,
Ao ver essa menina, novo afã,
Será que enfim, terei minha Vitória?

MARCOS LOURES

CADA SONHO

CADA SONHO

Amada não permita que ambição
Destrua cada sonho que tivemos,
Vivendo tanto tempo; uma lição
Depois de certos dias aprendemos.

Quem cega com desejos, coração,
Não sabe quanto amor; na vida, temos;
Tomados por imensa sensação
Dessa alegria toda que vivemos

Quando não queremos nada além
Da doce recompensa do prazer
Que damos para quem nos quer também.

Querida, nosso amor merece tanto,
Por isso é que não posso te perder;
Abrindo o coração, ouça o meu canto!

MARCOS LOURES

NOS JARDINS DA VIDA

NOS JARDINS DA VIDA

Nos jardins desta vida, tantas flores,
Os retratos divinos da esperança.
Por onde meu olhar, feliz, alcança
Milhares e milhares, meus amores!

Um dia, nosso Deus em seus favores
Aos homens, nos deixou essa lembrança:
Apenas quem tiver alma tão mansa
Que saiba conhecer os seus olores

E guarde, na memória seus perfumes
Será um ser liberto de queixumes.
Um sentimento nobre e sedutor;

Felicidade está muito mais perto
Do que tu pensas. Disto esteja certo.
Por isso nos jardins plantei amor.

MARCOS LOURES

AMIZADE

AMIZADE

Uma amizade é feita a cada dia
E sinto quanto eu possa traduzir
No sonho mais bonito e no porvir
O mundo que em tais braços se faria,

Negar esta emoção em fantasia
É como sem saber sequer mais ir
Vencido pela dor do pressentir
A sorte de tal forma vã, sombria,

Amiga olhando firme no horizonte
Perceba este caminho que ora aponte
E traga um sol imenso em plenitude,

Ainda que deveras tudo mude,
Quem tem esta certeza da amizade
Percebe sempre o mundo em claridade...

Marcos Loures

O CANTO DA PROMESSA

O CANTO DA PROMESSA

Mares e marés, matas, cachoeira
O canto da promessa já se cala.
A dor que me tortura a vida inteira
Batendo nesta porta, entra na sala...

E traz a tempestade verdadeira
Que pesa em minha vida, quero amá-la;
Tomando em meu destino, a dianteira.
Calando-me não deixa sequer fala.

Quem sabe encontrarei no fim da vida
Depois de tanto amor em despedida
Depois da solidão terrível fera,

No cimo das montanhas, meu cansaço,
Encontro nestes rastros o teu traço
Trazendo para mim a primavera...

MARCOS LOURES

NOITES CONSTELARES

NOITES CONSTELARES

Tantas vezes, nas noites constelares,
Teus rastros pelos astros, eu procuro.
Vagando em tantos brilhos, nos luares,
Iluminando assim um mundo escuro

Aonde me encontrei por tanto tempo,
Os passos se perdendo nesta estrada,
A cada nova curva e contratempo,
O medo de não ter nova alvorada...

Surgiste como um sol queimando lento,
Na aurora divinal, uma esperança,
Amada, não me sais do pensamento,
O teu olhar, teu lume sempre alcança

E traz; a cada dia, uma certeza,
A vida do teu lado; uma beleza...

MARCOS LOURES

ESPERANÇA

ESPERANÇA

Percebo meu futuro da janela
Espero mas não posso mais contar
Com a luz, com o brilho do luar
Já que nem toda noite se revela.

Meu barco vai sem quilha e perde a vela
Dentro de pouco tempo, naufragar.
Não quero ser sozinho e peço par,
Amor que me liberta desta cela

Por onde nem a luz deu sua cara,
Corcel que voa solto já dispara
Em busca de outro céu já não se cansa.

No risco que permite minha caça
Amor que não consigo se esvoaça
E dorme nos teus braços,esperança!

MARCOS LOURES

CARINHOS...

CARINHOS...

Amor só se conquista com carinho,
Assim também se fez nossa amizade.
Quem não pretende ser jamais sozinho
Não deve demonstrar autoridade.

Com guerras não farás um belo ninho,
Somente pela paz, felicidade,
A rosa não conquista pelo espinho,
Somente na alegria, saciedade...

Sendo assim querida, mais amável,
O mundo te será mais benfazejo,
O vento que te sopra favorável,

Aquele que me acalma e me acarinha,
Fazendo da harmonia o seu desejo
Tornando essa alegria tua e minha...

MARCOS LOURES

UFANO

UFANO

Ufano da vitória contra o mal,
Amor já se apresenta enfim, sorrindo.
Com toque de malícia e sensual,
Em pétalas de flores vai se abrindo.

Perfuma totalmente minha casa,
Aromas delicados, olorosos,
Ao mesmo tempo chega e já me abrasa
Abraços tão gentis e calorosos.

Recebo teu carinho qual sedento
Viandante por desertos quer oásis,
Secando toda fonte, sofrimento,
Vagueio por teus braços, luas, fases.

E sinto-me vencido e tão feliz,
Amor que sana em paz a cicatriz...

MARCOS LOURES

VIVENDO DESTA LUZ

VIVENDO DESTA LUZ

Refeito deste susto que passei
Em busca dum amor mais que perfeito
Em mansa claridade já me deito
E quero me esquecer que nunca sei

Se queres ou não queres minha lei
Se sabes ou não sabes do meu leito.
Da boca que me morde o meu confeito?
Jamais serei aquilo que sonhei!

Eu quero a mansidão sem ter espora
A parte que me cabe não demora
Sei que serei feliz ao lado teu.

Mas posso te dizer deste meu verso
Que rasga sem temer este universo
Vivendo desta luz que em ti nasceu...

MARCOS LOURES

TOMANDO TODO O CENÁRIO

TOMANDO TODO O CENÁRIO

O sol que já traspassa essa janela
Adentra devagar, tomando tudo,
Na claridade imensa se revela
Amor tão delicado sem contudo.

Não nego o sentimento que me arvora,
Nem temo insensatez que ele proclama.
Minha alma na tua alma se decora
Acende portentosa intensa chama.

Dourando cada fio de cabelo
Daquela que envolveu meu pensamento,
Amor quando é demais, quero revê-lo,

A cada novo dia em bom momento.
Beleza em transparência diamantina,
Abraça, quando adentra e me domina....

MARCOS LOURES

RENASCER

RENASCER

Se em branca neve nascem rosas belas
Se em árido deserto nascem flores,
Amor quando impossível me revelas,
Nas horas insensatas, bons humores,

Se tramas sentimentos coerentes
Mil vezes estarás sem ter sentido.
Às vezes nos momentos envolventes
Se perde totalmente o concebido.

Amor/incoerência se equivalem,
Trazendo no non sense uma razão,
Tão perto e tão distante não me falem

Do manso sentimento em supetão.
Um coração caótico abrandado,
Que renasce ao morrer apaixonado...

MARCOS LOURES

PAZ...

PAZ...

Não quero transformar a nossa casa
Num terreno propício para a guerra,
Amor sem ser feliz logo desterra
Ao ver nosso castelo ardendo em brasa.

Se tudo que vivemos nos abrasa
Total devastação na nossa terra
Meu barco, solto ao mar, à deriva, erra.
Sou pássaro perdido sem ter asa.

Em verdadeiro campo de batalha
Não posso mais conter, a dor se espalha;
E nada do que fomos vida traz...

Espero que te lembres da alegria
Do tempo em que tivemos harmonia,
E em nosso mundo voltará a paz...

MARCOS LOURES

VAGAR NO INFINITO

VAGAR NO INFINITO

Eu quero desvendar teu poço escuro,
Roubar desta umidade; fonte e mel,
No gosto mais suave e, sei, tão puro,
Atento ao teu desejo viajo ao céu...

Por vezes, o meu passo é inseguro,
Por outras, me tonteio em carrossel;
As mãos tão delicadas que seguro,
Desnudam-me e retiram o teu véu...

E vivo agonizante nos teus braços,
Gemidos, alaridos suspirosos,
Numa paixão vadia, nossos passos,

Maravilhosamente te desnudo,
Abrimos os caminhos mais gostosos,
E mergulhamos livres... Sim... com tudo...

MARCOS LOURES

ATORMENTADO

ATORMENTADO

Atormentando amor com versos vários,
Diversos do que sempre me propus,
Recebo destes ventos temerários
O gosto mais amargo que supus.

Fechando o sofrimento em calendários
Passados do que amor que agora pus.
Invado teus desejos, não templários
Bebendo de teu corpo farta luz...

Se faço com meu gesto teu ciúme,
Me esparso e vou disperso no meu canto.
Roubando do jardim, todo o perfume

Matando a sensação de tua ausência,
Amor sentindo em ti, total encanto,
Já sabe e necessita de premência...

MARCOS LOURES

BANDEIRAS...

BANDEIRAS...

Conhecer os caminhos , as bandeiras
Saber de cada estrada e seara.
As defesas em lutas derradeiras,
Desfrutar da pepita bela e rara.

Penetrar casamatas e trincheiras,
Convidando teu corpo, amada, para
As guerras, novas danças nas esteiras,
Nada; nem a distância nos separa.

Nos lençóis, no sofá ou no quintal.
Bebendo à nossa glória mil champanhas,
No vale, na montanha, no curral.

Descendo por teus rios, matas, mar.
Adentro finalmente nas entranhas
Conhecer... conquistar... colonizar...

MARCOS LOURES

MEU CANTO

MEU CANTO

Fazendo do meu canto um instrumento
Que dê algum prazer ou alegria,
Servindo pr’a quem canta de um alento
Trazendo pr’a quem ouve a fantasia.

Meu verso passa a ser um instrumento
Que traz dentro de si a sintonia
Perfeita e minimiza o sofrimento.
Num mundo que bem sei ser utopia

Por isso canto amor, louvo a amizade;
Meu canto talvez seja outro retrato
Diverso dessa dura realidade.

Desculpe, meu amigo, se isso traz
Distâncias entre o sonho e o triste fato.
À guerra eu preferi a santa paz...

MARCOS LOURES

ESQUECE O NOSSO AMOR

ESQUECE O NOSSO AMOR

Esquece o nosso amor. Tu me disseste,
Mais uma vez, querida, obedeci.
O vento que soprava, sudoeste,
Agora noutros ventos me perdi.

Por mais que uma ilusão já não me reste
Apenas te saber, cuidar de ti...
O que fazer? Manter a mesma veste
Se nada do que quis encontro aqui?

Seguir por outro rumo, obediente,
Beijando tantas bocas que nem sei,
Vivendo ou mais tentando estar contente,

No continente imenso. Uma outra chama,
Quem sabe se depois, seguindo a lei,
Te encontre novamente em minha cama...

MARCOS LOURES

UM PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

UM PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

Ok, minha querida, tudo bem...
Aceito a decisão e fim de papo.
A solidão parece que já vem,
Fazer o quê? Eu juro não escapo

Depois talvez ressurja noutro alguém
Mas por enquanto resta só um trapo.
Sozinho, minha amada, sou ninguém,
O coração esgarça num fiapo.

As malas arrumaste, podes ir!
Pra casa dos teus pais, e boa sorte.
Não tenho quase nada a te pedir,

Somente desejar felicidade...
Tá bom... serei portanto bem mais forte,
Meu prêmio de consolo... Uma amizade....

MARCOS LOURES

EU TE AMO

EU TE AMO

Amar a Jesus Cristo, nosso irmão,
E ter esta certeza dentro em nós
Na mais suave e calma, doce voz,
A vida trama a rara direção,

E os dias mais gentis que inda virão
O tempo renegando o mundo algoz,
A sorte se anuncia e nestes nós
Eu vejo a mais perfeita dimensão.

Do amor que não pudera ser diverso
E quando em alegrias me disperso
Vagando no infinito em alegria,

O Reino do Meu Pai se anunciando
Num dia mais tranquilo, desde quando
O sonho mais feliz entranharia.

Marcos Loures

Nesse barro que me esbarro! SOL FIGUEIREDO e marcos loures

Nesse barro que me esbarro! SOL FIGUEIREDO e marcos loures


Nesse barro que me esbarro,
Vou sofrida em triste vida,
Modelando máscaras doídas,
Perdida, narro esse escarro!

Cuspo fora a dor da latência,
Cumpro uma missão bem comprida,
Revelo minh’alma já contida,
Sentida, pareço sem clemência!

Esbarro em gente que mente,
Sigo em frente, sou demente,
Finjo contente, com fé na vida!

Sem rumo, já sem semente,
Aturdida, corro na tua frente,
Sim, tu és meu presente da vida!

© SOL Figueiredo


A vida regurgita a dor enquanto
Meu passo segue além do quanto outrora
Pudesse desenhar o que ora aflora
Moldando com certeza o seu quebranto,

Porém quando envolvido em teu encanto,
A dor que habita na alma não demora,
E o mundo se desenha em rara escora
E mesmo após a queda eu me levanto,

Petardos quando em volta do que um dia
Mostrasse simplesmente uma sombria
Verdade que domina e nos transforma,

Apoios em momentos tão coléricos
Expressam caminhares quase homéricos
Ditando em esperança a nova norma...