34001
Ecologicamente estar correto
Pagar os meus impostos, ser leal
Seguindo o dia a dia sempre igual
No fardo e no carinho eu me completo,
Senzala se mostrando em predileto
Verão aonde em traje ritual
Mergulho na piscina de cristal
E bebo o mesmo açúcar, o mais dileto,
Um copo de cerveja um bar à noite
A moça me servindo em vão pernoite
Riscando cada dia assim do mapa
A vida passa e nada de surpresa
Levado pela infame correnteza
Até chegar ao fim, na fria lapa.
34002
Não posso me omitir, mas mesmo assim
Prefiro me calar perante ao fato
Se nele na verdade eu me retrato
Um rato do passado em botequim,
Bebendo deste farto e torpe gim
O beijo noutro tanto não resgato
E quando me percebo, um pardo gato
A noite se aproxima de seu fim.
Opaca realidade dita a norma
E nada do que passa a vida informa
Senão esta mortalha em riso e gozo,
Assim de tempo em tempo o temporal
Prepara mais um tombo, outro degrau
Final se aproximando majestoso?
34003
Encontro o mesmo bar onde se esconde
A ponte com passado e morto eu venho
Sentir o fundo corte, imenso e tenho
Ligando com a vida o velho bonde
Porquanto a cada passo não sei onde
Ainda se mostrara em vão empenho
O frágil caminhar ou desempenho
Tocado pelo quanto não responde
E sei que existe ainda em erma senda
Sem ter sequer quem queira ou chegue e atenda
O telefone chama e se repete
O fato costumeiro em tom nefasto
Enquanto do futuro já me afasto
Menino mais traquinas pinto o sete.
34004
Num beco sem saída a vida apronta
E sei do quanto posso ou mais pudera
O vento da soturna primavera
Brincando vez em quando faz de conta
A mesa noutro canto sinto pronta
E sei do vendaval que inda tempera
O corte quando muito regenera
A face desta espúria e velha tonta
Manhã por onde escapa a fantasia
Bebendo desta fonte que inebria,
Mascaro o que inda resta deste pote,
E teimo contra tudo e contra todos
Sabendo de armações, tantos engodos
Sem ter sequer aonde o bem esgote.
34005
Saveiros entre mares revoltosos
Apenas o meu cais não se apresenta
Assim ao enfrentar cada tormenta
Em dias mais difíceis pedregosos,
Meus medos em carinhos majestosos
Ou face sem disfarce se apresenta
E quando novo passo a vida tenta
Os dias nãos seriam enganosos.
Chafurdo no meu ego e busco ver
Retrato tão cansado e nele ter
Realidade exposta nua e crua,
O tempo coletando velhos danos
Mudando vez em quando antigos planos,
Porém a sorte volta contra e atua.
34006
Fazendo outro soneto eu tento ainda
Ver fatos entre sonhos e mentiras,
E quanto mais deveras tu me atiras
Maior a minha sorte e o tempo brinda,
Vencesse o que me resta e não deslinda
As vidas entre mortes, rotas tiras,
Mesquinharias tantas noutra miras
Aos poucos minha história já se finda.
Resolvo os meus problemas, bebo a fonte
E nela cada dia mais se conte
Até chegar ao quanto ou nada além,
A porta se fechando a cada passo
O vento aonde tento e me desgraço
Falar deste passado sempre vem...
34007
Jornadas entre trevas e fornalhas
As ondas de meu mar são mais imensas
E quando no vazio ainda pensas
Ou mesmo sobre o nada inda batalhas
Expondo as mais complexas cordoalhas
E nelas ou deveras recompensas
As sortes se traçando em vãs e intensas
Mordidas que deveras inda espalhas
Reveses costumeiros, dia a dia,
O porte da verdade não seria
Sequer a menor sombra do que sonho,
Eu tento vicejar o morto fato
Do qual a cada ausência me resgato
Regato aonde o corpo exposto ponho.
34008
Levado pelo vento da esperança
Girando o catavento da emoção
No porto mais diverso, a solidão
Ao mar imenso e vago já se lança
Resolvo cada fato nesta lança
E beijo sem destino ou direção
A frota se perdendo sem timão
Nem mesmo resta a sombra da lembrança
De um dia mais feliz ou mesmo quando
Bebera neste cálice nefando
A paz que desejara e nunca vinha,
Cobrando no silêncio a minha morte
O quanto do vazio me comporte
Traduz a produção da fútil vinha.
34009
Quisera ter de vós ainda o gozo
Na boca espumas tantas; rios ritos
Os dias não seria mais finitos
Nem vossa maravilha o majestoso
Brinda em tempestade este espinhoso
Desejo aonde teimo contra os gritos
Insanos dos defuntos, velhos mitos
E neles outro dia caprichoso.
Resisto às novidades, ancião
Meu peito não tem vaga pro futuro
E quando no cenário vão procuro
Vestir a mesma face do bufão,
Erguendo ainda um brinde ao que pudesse
Servir-vos, com certeza me apetece.
34010
Em tantas estelares maravilhas
Ourives dos segredos mais diversos
Ao ter nas mãos os olhos teimo em versos
Falando das antigas armadilhas
E quando novamente ainda brilhas
Rezando pelas mãos de outros imersos
Vergando sob o peso dos dispersos
Sonhares percebendo mesmas trilhas
E nelas se perfaz a caminhada
Percorro inutilmente a madrugada
E tento vislumbrar possível cais,
Mas quando se percebe ausente aurora
O fardo sobrepesa e me devora
Do sol que imaginara, nem sinais...
34011
Acaricia o tempo, coração!
Jogado pelos cantos vai em frente
E tenta conseguir, mesmo freqüente
O passo rumo em nova direção
O boteco da esperança, solidão
O fardo da existência sempre agüente
E tanto quanto possa ainda tente
Vencer as diferenças da estação
O medo de sonhar, deixa de lado
O quanto se pudesse noutro prado
Vestir as emoções de um tempo bom,
Resista aos mais diversos pensamentos
E tente contornar os tantos ventos
E aumente se possível sempre o som.
34012
Viver o que pudesse em dia a dia
Deixando os sortilégios para trás
E quanto mais procuro mais desfaz
O peso do que possa a fantasia,
O jeito é contornar com melodia
O passo mais terrível e ou mordaz
Assim sendo cruel, porém tenaz
A morte de viés o tempo adia,
Cerrados entre sonhos vasos, versos
E neles prosseguindo entre dispersos
Caminhos na procura por descanso,
Pecado é mergulhar neste vazio
E quando mesmo busco ou já recrio
O tempo mais feliz sequer alcanço.
34013
Renovo a cada dia o fato e o fardo
E sei o beijo amargo do que fora
No tempo mais audaz a sofredora
Manhã buscando sempre o mesmo cardo,
O passo na verdade até retardo
E tento nova fonte sonhadora,
Uma alma sem juízo e pecadora
A cada nova sorte outro petardo,
Abaixando esta guarda nada vem
Perdendo sem saber deveras trem
O vento sem proveito, a sorte é grande
Sevícias costumeiras, dores pranto
E quando novo tempo tento e canto
O mundo sem saber busca e comande.
34014
Boiando como fosse costumeiro
Jorrar entre estas pútridas verdades
E tanto quanto possa inda degrades
Rompendo este caminho assim me esgueiro
E venço com terror cada porteiro
Tentando destruir diversas grades
Dos sonhos já não tendo variedades
Além dos velhos tantos mensageiros
Façamos do presente outro momento
Aonde com destreza teimo e tento
Vencer os meus antigos temporais,
E sei que muito além se inda pudesse
A sorte desdenhando qualquer prece
Premissa de outros velhos carnavais.
34015
Arcando com enganos cada vez
Que tento procurar felicidade
Eu sei do quanto possa e já degrade
O mundo onde deveras nada vês
Porquanto se fazendo em altivez
O gesto mais profano em qualidade
Diversa da quanto mais te agrade
Passado neste instante tu revês
E sabes muito bem a conseqüência
Do passo dado em fúria ou eloqüência
Mordendo cada dia do futuro,
E assim entre botecos e aguardentes
Os dias se mostraram mais urgentes
E o todo na verdade te asseguro.
34016
Escudos que criaste por reflexo
Quixotes disparando disparates
E quando noutro tanto me retrates
Perdendo cada verso qualquer nexo,
Eu sigo e sei apenas ser anexo
Ao quanto desejara e não contrates
Nem mesmo se pudesse em teus resgates
Vencer o meu antigo e vão complexo,
Eu tento discernir diversidade
Aonde cada dia desagrade
Quem tenta e não consegue nada além
Do medo ou do repente noutro tanto
E quando se buscasse sem encanto
Apenas o vazio ainda vem...
34017
A sina se repete vez em quando
E tudo refletindo este vazio
E nele quanto tempo desafio
Bebendo cada sorte ou sonegando
O gesto noutra face se mostrando
E todo o meu caminho até recrio
Vencendo o contratempo ou mais vadio
O velho coração se transtornando.
Vontade de chorar e não sabendo
O quanto desta vida diz adendo
Ou mesmo prejuízo quando vem
Separação refaz o sofrimento
E quando em agonia quero e tento
Ausente de meus braços, sem ninguém...
34018
Convulsas emoções a noite traz
E tento novamente alguma luz
E sei que a tempestade se produz
Aonde imaginara mais audaz,
Se eu quero e se procuro alguma paz
O jeito é caminhar em contraluz
Vencendo cada passo aonde já me pus
E sei quando a verdade ora desfaz
Bebendo cada gole vida afora
O tempo em nova face me devora
E mostra a morta cara da saudade,
Ainda se eu pudesse acreditar
Nos raios enganosos do luar,
Só sei que no final a morte invade.
34019
Resisto o quanto eu posso e sempre engano
O tempo com verdades e mentiras
E quanto a cada passo tu retiras
O vento com seu ar cotidiano
No tanto se mostrando o mesmo plano
Ao qual sem perceber queres e atiras
Diversa sincronia em iguais miras
E assim a cada passo eu já me dano.
Não tendo mais por que saber do fim
Nem mesmo algum romance até chinfrim,
Viola se prepara em despedida,
Bordões bordando sons em diapasão
Aonde poderia um coração
Se nada resistira desta vida...
34020
O canto que louvasse a voz macia
E nesta tempestade ou sorte além
O todo que deveras me convém
O tempo noutro tempo sempre adia,
O vento com certeza não sabia
Do quanto cada dia nada tem
Ou mesmo sem saber se existe bem
Eu tento vencer esta agonia
E dela contatando morte e pejo
Além deste cenário que ora vejo
Eu tento desfiar verso por verso
O manto mais sagrado da emoção
Amor tocando fundo o coração
E nele muitas vezes me disperso.
34021
Correndo assim tanto perigo
Quem tenta e desafia o coração
Tentando disfarçar a solidão
Gerando novamente desabrigo
Às vezes procurando não consigo
Buscando inutilmente a solução
E tendo no meu peito esta canção
Aonde sem saber teimo e prossigo
Vagando pelas ruas, lua nua
E tanto quanto a vida continua
Desnuda maravilha se aproxima
E tento embora saiba ser complexo
Beber este caminho estando anexo
A perplexa beleza muda o clima.
34022
Saudades maltratando o velho peito
Agarra nos meus pés, procuro a paz
E quando novamente o vento traz
Enquanto com terrores não aceito
Eu busco na amizade o antigo pleito
E dele cada passo mais audaz,
Seguindo a noite em fúria tanto faz
Apenas quero o sonho satisfeito,
Chorando no teu ombro, companheiro
O mundo que pensara e busco inteiro
Na ausência de clemência nada tem.
E tento pelo menos um alento
Ausente dos meus olhos; teimo e tento
E volto para casa sem ninguém...
34023
Menina aonde encontro o meu futuro?
Não posso me furtar à fantasia
A solidão deveras tanto adia
O passo sempre dado num escuro.
Eu bebo esta emoção e te asseguro
O medo na verdade é companhia
Sangrando no meu peito em agonia
Tocando bem no fundo, amor eu juro.
Menina poderia um grande sonho
E nele cada verso que componho
Mantendo esta fantástica ilusão
Gerada pela sorte de quem ama
E sabe discernir problema e chama,
Deixando no passado a solidão...
34024
Falando deste amor que eu quero tanto
Beijando a fantasia aonde eu possa
Sem ter a porta aberta para a fossa
Traçar esta emoção na qual eu canto
E tento novamente e assim, portanto
O mundo se mostrando quanto endossa
A sorte que se tem de ser tão nossa
A vida se gerando sem quebranto,
Pudesse ainda ter esta esperança
E nela cada dia mais avança
Bebendo esta delícia em corpos nus,
Deixando que se entregue tão somente
A vida na verdade toma e mente,
Mas quando num amor, reflete a luz.
34025
Vestindo a solidão, velha trapaça
Encantos procurados pelos cantos
Gerando tão somente desencantos
O tempo na verdade se esfuma,
E quando me lembrando beijo e praça
Os olhos se atormentam buscam tantos
Momentos entre luzes sem espantos
E assim a minha vida, inteira, passa.
Mergulho no passado e te procuro
O quanto deste porto foi seguro
E o tempo destruiu inteiro o cais,
Felicidade agora não mais vem
Buscando dentro em mim seguindo aquém
Dos dias tão diversos, magistrais...
34026
Procuro a companheira em terra e serra
O beijo da morena me sacia,
Mas quando me percebo em fantasia
Apenas o vazio já descerra
A porta da esperança o tempo emperra
O corte se aprofunda e não traria
Sequer a menor sombra ou melodia
E tanto te desejo, e queres guerra.
A morte se mostrando ao fim da cena
O quanto do passado me envenena
A sorte noutra face diz do quando
Amor não mais pudera segurar
Perdendo esta vontade devagar
O tempo tão somente amor negando.
34027
Pudesse acreditar noutro momento
Palavras entre tantas, a paixão
Renega qualquer sonho e a solidão
A cada nova ausência eu alimento,
Pudesse novamente novo vento
Pudesse ser além da ingratidão
Pudesse ver em ti a solução
Procuro e só encontro o desalento.
O amor não se mostrando por inteiro
O sonho que buscara vai ligeiro
Não deixa menor sombra, já se esquece
E todo o pensamento busca a paz
Amor que tanto tento e se desfaz,
Ao menos se este encanto enfim, pudesse...
34028
A lua sobre o mar em noite imensa
A sorte se mostrando noutra face
E quanto mais feliz o sonho eu trace
Mais longe dos meus olhos, recompensa
No amor quando demais a gente pensa
E tenta convencer qualquer impasse
Porquanto a própria vida nos desgrace
A morte na verdade não compensa,
Mas quero a liberdade neste amor
Aonde se pudesse lua e mar
Quem dera noutro tanto te encontrar
Mergulho neste encanto sedutor
E tento mesmo inútil um alento
Que cesse totalmente o sofrimento.
34029
Perdendo a cada instante rumo e prumo
Tentando novo encanto onde não tem
E vejo-me decerto sem ninguém
Os erros tão comuns por certo assumo
E quando ainda tento e me acostumo
Ao caos e nele vejo o teu desdém
O beijo na verdade não contém
Sequer uma emoção e não me aprumo,
Pudesse acreditar em teus carinhos
Os dias não seriam mais sozinhos,
A vida se moldando em outra cor,
Mas quando a realidade toma a cena
O quanto em solidão doma e apequena
Uma alma sem caminho em desamor...
34030
Não posso mais sequer acreditar
No encanto que procuro e não sei mais,
Exposto aos duros dias, velhos ais
Ausente de meus olhos a vagar
O sonho sem caminho onde encontrar
Os beijos que recebo são venais
Pudesse navegar, mas sem o cais
Que faço neste imenso e turvo mar?
Clemência pelo menos o que busco,
Porém o passo dado em vão, tão brusco
Não deixa qualquer sombra, sigo assim
Apodrecido em vida, o sofrimento
Tomando cada instante e quando tento
Percebo a minha história está no fim...
34031
Sedento de ilusão meu peito busca
Apenas vislumbrar a lua mansa
E quando novamente já se lança
Encontra solitária em brumas fusca
O beijo da mulher a sombra ofusca
Resíduo resta ao longe na lembrança
E tudo o que eu quisera não se alcança
A vida se mostrando amarga e brusca,
Ainda nada tendo em minhas mãos,
Os dias repetindo seguem vãos
E tento a solução, mas nada vem
Pudesse acreditar em ser feliz,
Mas quanto mais desejo e mais eu quis,
O amor só me trazendo o teu desdém...
34032
Doçuras entre sonhos, teus afagos
Os dias rondam sóis em praia e luz,
Mas quando a tempestade reproduz
Procelas invadindo mansos lagos,
Os tempos que eu julgara serem magos,
Ainda mais distante desta cruz
E nela todo o sonho que inda pus
Gerando tão somente mais estragos.
Riscando cada dia, nada resta
Procuro alguma noite em luz e festa,
Mas quando se percebe a solidão
Eu tento disfarçar com a canção
Que tanta maravilha ao sonho empresta,
Apenas paliando. É tudo em vão...
34033
Deliciosamente nua vem
A dona dos meus olhos, minha pele
Ao farto deste anseio me compele
Dos sonhos e delírios muito além,
O vento do passado não convém
Ao nada simplesmente já me atrele
E quando esta menina se revele
O verso se mostrando em farto bem.
A vida que era triste, num momento
Tocada por ternura e sentimento
Transforma toda a dor em plenitude,
Que seja sempre assim a vida inteira
E nada da saudade ainda queira
Fazer com que este encanto agora mude.
34034
Das flores espalhadas pela casa
Lembranças de um momento mais feliz,
O tanto que se foi e nada quis
Senão a mesma sorte aonde embasa
A morte reacende cada brasa
E toda a fantasia contradiz,
Na ausência de esperança a cicatriz,
O passo rumo ao tanto já se atrasa;
Não deixe sem cuidado a tua vida
A cada nova ausência a despedida
Tecida pelas ânsias de um amor,
Pudesse acreditar noutra vontade,
Porém a poesia logo invade,
Gerando este poder transformador.
34035
A vida na janela vai passando
O tempo não tem tempo de parar,
E a gente se imagina a caminhar
Por ruas mais tranqüilas, tempo brando,
Mas quando esta saudade vem tomando
Tornando sem sentido este lugar
Vontade de voltar e mergulhar
Aonde o mundo houvera transbordando.
Aborda-me a esperança leda e triste,
O quanto deste encanto não persiste
Desisto e nada tendo sigo em vão
Descrenças e fantasmas morte em vida
A cada dor que volta sendo urdida
Nas ânsias resolutas da paixão.
34036
A vida se entregando ao grande amor
Sem medo sem juízo e sem promessa
Do quanto a cada passo recomeça
Diversa maravilha a se compor,
Pudesse este poder, o redentor
Sem nada que em verdade ainda impeça
Ou pregue no futuro alguma peça
Vivendo tão somente este calor,
Amar e ser feliz é o que me basta,
Porquanto a vida fora mais nefasta
Agora nesta luz que eu imagino
Bebendo claridade a cada instante
O mundo nos teus braços deslumbrante
Mudando para sempre o meu destino.
34037
Amar quando demais é dor e canto
E neste paradoxo em que ora estou
O quanto do meu sonho inda restou
Traçando a cada dia outro quebranto,
O vento se dilui e assim me espanto
Sobrando muito pouco do que sou,
E o quadro aonde a vida se embaçou
Tecido pelo medo em raro encanto;
Pudesse todo amor trazer a paz
E quando na verdade satisfaz
Amar sem ter limites, faz tão bem,
Mas quanto mais desejo algum instante
Aonde cada sonho se agigante
Apenas solidão, ainda vem...
34038
Vazia noite traz o temporal
E quando se percebe a solidão
E nela cada dia outro senão,
Porém se preparando este punhal
Alçando mansamente algum degrau
Encontro nesta vida a solução
E dela bebo cada nova direção
Ancoro nos meus sonhos, amor nau,
Viuvez de uma esperança? Longe dela!
O quanto do prazer já me revela
O gozo insaciável de uma noite
Aonde nada venha senão luz
Enquanto o mesmo tempo reproduz
A vida noutra face em que se acoite.
34039
Não quero mais saber do quanto esgota
A força da paixão insaciável
O rumo noutro tanto navegável
Bebendo cada instante gota a gota,
O peso do passado te amarrota?
O fardo te parece insustentável
Num mundo muitas vezes mais amável
Imagem de uma vida amarga e rota.
Apenas quero a doce insensatez
Do amor quando em amor, amor refez
Vibrando com total sinceridade
Sem medo do que seja tempestade
Assim enquanto o sonho agora invade
Vivendo desta forma em que me vês.
34040
Cadenciando o passo rumo ao farto
Bebendo cada gole desta vida
Sem medo sem juízo e sem partida
O tempo noutro tempo não reparto,
O fato de sonhar adentra o quarto
E toma sem saber toda a guarida
A sorte desta forma sendo urdida
Traçando com beleza o gozo e o parto.
Eu sei quanto é preciso navegar
Sorvendo inteiramente o imenso mar
Sentindo a claridade em pleno céu
No amor que sem pecado e sem saudade
Agora com ternura toma e invade,
Deixando uma tristeza ao largo, ao léu...
34041
Revejo entre os meus ermos e guardados
Alguns instantes mesmo de ilusão
E neles aflorando esta emoção
Ditando com certeza rumos, fados,
Os olhos muitas vezes embotados
Trazendo à tona toda a tradução
Das loucas discordâncias da paixão
E nelas outros dias enlaçados
Resumo em versos vozes e palavras
Os tempos em distintas, várias lavras
Gerando desprazeres ou loucuras
E tento após saber do fim da tarde
O quanto do que resta ainda aguarde
Ou mesmo o quanto disto me asseguras.
34042
Respondo à voz do vento com sorrisos
E sei dos dias tanto mais complexos
As nuvens entre luas e reflexos
Dos sonhos e momentos imprecisos.
Mergulho nos meus tantos prejuízos
E busco noutros dias alguns nexos
E sei dos meus tormentos mais perplexos
Tramando dias vários e concisos.
Abrindo esta janela vejo apenas
Os olhos onde tanto me envenenas
Enquanto me serenas noutra esfera,
Assim ao se mostrar dicotomia
O passo aonde a luz deveras guia
A treva de minha alma já tempera.
34043
Houvesse alguma flor nesta manhã
Tocada pelos raios deste sol,
E quando nada vejo em arrebol
A fonte se negando, ora malsã,
As flores do meu peito noutro afã
O gesto que pensara outrora em prol
O fardo de seguir sem ter farol,
Certeza de saber da vida vã,
E fosse um colibri ou nada além
Do medo de viver quanto contém
Ausência de carinhos, frio e espinho,
Não posso reviver cada momento
E assim quando me afasto em vão eu tento
Resgate de outro tempo, e vou sozinho...
34044
A sorte em teus rocios despejada
Marcando cada dia desta vida,
Se cansas ou se alcanças a saída
Depois de certo tempo vejo o nada,
A antiga companheira, madrugada
Porquanto se quisesse ser urdida
Nas tramas da emoção, mas distraída
Não deixa que se sinta outra alvorada.
E quando não refeita a sensação
Morrendo a cada instante desde então
Servindo de repastos à saudade
A velha rapineira de costume
Aonde cada amor assim se esfume
Negando qualquer tom ou claridade.
34045
De todos os maiores sonhos tento
Veicular a vida em luz e porto,
Mas quando me percebo semimorto
Exposto aos vendavais do sentimento
Restando tão somente o desalento
A vida se perdendo num aborto
O dia com seu ar temível, torto
Em pleno pesadelo, sofrimento.
Distâncias entre pontos mais distantes
No quanto ainda teimas e adiantes
O mundo se perdendo em fardo e dor,
Provar as heresias e os amargos
Dos dias entre dores, vãos embargos
Traçando ao fim de tudo o decompor...
34046
Sob o claro momento em lua cheia
O verso se faz manso e num instante
A sorte que pensara atordoante
Agora doutro sonho se recheia,
Galgando a poesia que incendeia
Mudando este cenário, se agigante
A vida noutro sonho fascinante,
E tanto quanto posso a luz rodeia,
O amor gerando assim tal frenesi
E nele com certeza me perdi
Vivendo sem limites a paixão,
Riscando do meu mapa a solidão
Encontro a luz guiando a direção
Do todo que encontrei amor em ti.
34047
Perceba a cada toque a poesia
Da noite incomparável que nos tem
Outrora num vazio e sem alguém
Que ainda me trouxesse companhia
O vento com terror a vida urdia
E a cada abismo imenso outro desdém,
E nele o mesmo corte, sinto bem
A sorte noutra face se esvaia...
Ocasos entre nuvens, tantas brumas,
E quando em novos dias tomas rumas
As velhas luzes sinto se apagando,
O medo transbordando este cenário
E o que era no princípio imaginário
Agora um quadro rude e até nefando...
34048
Olhando para trás vejo o vazio
Ausência de canções, um passo em falso
E quando este percurso diz percalço
O tempo se renega e sem rocio
A velha noite estende um ar tão frio,
E busco quanto mesmo eu me descalço
Dos dias mais felizes noutro encalço
E em versos doloridos sou sombrio.
Porquanto em outra gente algum sorriso
Ou mesmo um novo templo se mostrando,
Pretextos para a morte demonstrando
Tormenta em mar insano, e eu me matizo
Nas trevas, brumas, medos, temporais
Sabendo não virás, amor, jamais....
34049
Alimenta-me o sonho, mas não posso
Seguir em temporais a minha sina,
E quando a própria ausência determina
O quanto não consigo, o medo emposso,
E tanto sem seguir o verso endosso
E morro sem sentido, foz e mina,
O aborto da esperança desatina
E tento renascer e em dor me acosso.
Dos escuros caminhos contumazes
As trevas entre grises ventos trazes
Granizos destroçando uma esperança.
O caos gerado então persiste em mim,
O tempo se moldando e já sem fim
Às ruínas da emoção sonho me lança...
34050
Eu quero desvendar cada segundo
Do amor que me comporte ou me transporte
E leve para além da própria morte
E neste instante me aprofundo
Girando o coração aonde inundo
Meu mundo de canções e mudo a sorte
Aonde cada dia me conforte
Um velho coração mais vagabundo
Rondando cada estrela já se guia
Nas tramas entre luzes, fantasia
E o beijo mais audaz da moça eu quero,
Vivendo finalmente a paz intensa
E nela cada ausência se compensa
Num dia em teu carinho, mais sincero...
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
terça-feira, 25 de maio de 2010
33950 até 34000
33951
O fogo a fome a fúria
A angústia do não ser
A falta do prazer
A dor o medo a incúria
No estado de penúria
Aonde há bem querer?
No quanto me envolver
Em lástima e lamúria
Não tento invento ou canto
No quanto pude apenas
Viver quando envenenas
Serenas? Mas, portanto
O corpo pende quando
O nada se formando...
33952
No canto sala e mesa
O fardo o sangue a dor
Entanto sonhador
Na falta de destreza
Intensa correnteza
Fosse navegador
Vencer o quanto for
Sem ser fera nem presa
Nas ânsias ondas praias
Morenas coxas saias
Balanço Rio e Mar
A sorte a faca o acoite
O sol varando a noite
Na mesa deste bar.
33953
Aonde não pude
Sentir outro vento
Pudesse um momento
Final juventude
Tomar atitude
Seguir sem alento
Gozar sofrimento
Enquanto não mude
Sentido ou começo
O quanto me esqueço
E lembro mais tarde,
O cardo, a coragem
Mesma paisagem
Que ainda me aguarde.
33954
Quando bruscamente
O tempo porfia
Da desarmonia
O tempo não mente,
Quando brusca a mente
O quanto podia
Na farta heresia
O fato premente,
Assim outro tanto
No quanto pudera
Qual fera eu me espanto
No canto calada
Na véspera, a espera
Quando encurralada.
33955
O verso sem rumo
Vagando no espaço
Porquanto não traço
Ou mesmo consumo
O vento que assumo
Faltando um pedaço
Rodando num laço
Minha alma é qual fumo,
Vasculho a tocaia
O quanto se traia
Ou mesmo se quer,
No fundo o caminho
Em pedras e espinho
Num cardo qualquer.
33956
Sou brisa e tempesta
Vital ventania
O quanto me guia
Também me detesta
Ao fundo esta fresta
Em peso e agonia
Em tanta alegria
Final de uma festa
Gerada no caos
Alçando em degraus
A escada da vida,
Ascendo apogeu
Depois bebo o breu
Até despedida...
33957
Um sopro, uma luz
A vida se fez
E quanta altivez
Assim se produz
Na fonte reluz
O que tu não crês
No amor que não vês
No corte e no pus.
Gerando este fato
Do qual me retrato
E tento a saída
Castrar o animal
Posar triunfal
Perdendo esta vida?
33958
Sou parte e sou todo
E quando me entranho
Nas asas sem ganho
Bebendo do lodo,
O fardo do engodo
O mundo que estranho
Meu sonho é tamanho,
A vida é um rodo
E roda no tempo
Gira contratempo
E tempos depois
O fim se prepara
O quanto da apara
Dizer de nós dois.
33959
Cevando este trigo
Do joio disperso
Alçando no verso
O quanto prossigo
E tanto persigo
Na conta se imerso
Um canto diverso
Versando outro antigo,
Refeito da queda
Palavra me seda
Torpores e coma,
Sem nada a perder
Nem tanto querer
Não há quem me doma.
33960
O fato se expondo
No quadro final
O gosto do sal
O mundo é redondo?
No quanto arredondo
Momento fatal,
Quem sabe cristal
Em erros se expondo
A terra tão frágil
A fera sendo ágil
O salto, a tocaia,
No fundo surpresa
Também vira presa
Do tempo que a traia.
33961
A serpente açoda
Virando esta folha
O quanto recolha
A sorte, uma roda
E nela se poda
O passo na encolha
A fome esta bolha
O templo da moda,
Cartazes e ritos
Momentos e gritos
A festa, o tormento,
No pântano em mim
O engano sem fim
Que assim alimento.
33962
Do lago secando
As águas de um rio
Na fonte, o desvio
O mundo negando
O quanto é nefando
O tempo de estio
Etéreo pavio
Rápido queimando,
A vida uma guerra
Assim se descerra
Na cena final,
O pano se abaixa
A lápide, a faixa
É a pá de cal.
33963
Um gole café
A ponta da faca
A sorte se empaca
Na falta de fé?
O quanto não é
Nem corte ou estaca
O corpo na maca
A morte e a galé
Rondando na mente
Girando no bar
A mesa o cantar
Que tanto desmente
O quanto se sente
Também a rodar...
33964
A fonte secara
O corte profano
Assim cada engano
A capa na cara
E assim se prepara
Olhar soberano
E quando me dano
O fim se declara
Em tantos palpites
E nunca te omites
Apenas adias
Legado ou herança
A mão já se lança
Em fontes vazias.
33965
Peçonha em pessoa
O cravo ou a rosa
A sorte se goza
Também não ressoa
E quando revoa
A voz majestosa
Ou já caprichosa
Prosseguindo à toa
Voltando da cena
Amor se apequena
E trama outro enredo
No quarto calado
O corpo cansado,
À fúria eu concedo.
33966
Chegado o momento
Lacustre tempesta
O corpo se empresta
Além do tormento
E quanto apresento
O fim desta festa
Calado me atesta
O riso e o lamento.
Capacho do sonho
Por vezes medonho
Ou quanto maior
Não me deixa ver
E aquém do prazer
Labuta e suor.
33967
No olhar o horizonte
Nas mãos a certeza
Minha alma já presa
Ou tanto confronte
No quanto desponte
Servida na mesa
Bandeja em destreza
Na ausência de ponte
Mergulho no nada
A porta arrancada
O vento se espalha
E tomando a cena
Ao fim me condena
Sem luta ou batalha.
33968
Não quero o cuidado
Nem mesmo algum nexo
Se eu tento perplexo
O peso cotado
No fardo gerado
No peso complexo
Ausente reflexo
Traduz meu legado.
Na copa e na fronde
Aonde se esconde
O que fora vida?
O beijo lacera
Na boca outra espera
Já tanto perdida...
33969
Palavras ao vento
Servindo em repasto
Ao quanto desgasto
Ou tanto alimento,
No pouco se atento
O verso mais gasto,
O gesto, um emplasto
Da dor um provento.
Perceba-se logo
No quanto inda rogo
Procurando a paz,
Jazigo de um sonho
Se o nada componho
A lavra se faz.
33970
O gesto preciso
O passo no falso
E quando descalço
Minha alma sem siso,
O vento conciso
Fatal cadafalso
Perpetuo encalço
E em nada matizo.
Legar o que possa
Montanhas ou fossa
Um vale profundo,
Do charco vivido
No tempo regrido
E dele me inundo.
33971
Viver se pudesse
O tempo de amar
E assim navegar
Imensa benesse
A dor já se esquece
Encontro este mar
Aonde tocar
A força da prece
No quanto se reza
O amor embeleza
E trama segredos,
Mas quantos caminhos
Embalde, sozinhos
Desdéns e degredos...
33972
Nas mãos o futuro
No olhar outro dia
A sorte seria
O quanto procuro?
No vão, salto o muro
A porta se abria
Ou tanto, se esguia,
Gerando outro escuro
Caminho sem tréguas
Distantes mil léguas
Dos olhos de quem
Pudesse conter
Além do prazer
O amor que não vem...
33973
Aponta-me o vão
E tento outra sina
E quando domina
Imenso serão
No verso, o porão
A sorte assassina
A fonte, outra mina
Imenso verão.
Chagásica espreita
E quando se deita
Amor sem vivê-lo
Do riso e da prece
O templo se esquece
Tece pesadelo...
33974
Amar e não ter
Outro provimento
Senão tal tormento
E nele saber
O verso a tolher
O passo eu lamento
E quando incremento
Algum bem querer,
Restando-me só
Semeio este pó
Sem dó sem estima,
Desta cordoalha
Já rota, batalha
Em foice ou esgrima.
33975
Dos bares de então
Dos dias passados
Os olhos, os prados
Final estação
O trem, o portão,
Passos apressados
Os dias contados,
A falta de chão.
Não posso parar
Nem penso em sonhar
Qualquer ventania
O pasto mal feito
Depois eu me deito
E a sorte se adia...
33976
Pecados e medos
Enquanto eu cometo
A sorte num gueto
Os dias mais ledos,
Os vãos e segredos
No quanto prometo
E assim me arremeto
Sem rumos e enredos.
Procedo ao que possa
Viver sem a troça
Comum de quem ama,
O corte a façanha
A fúria me entranha
No fim resta a lama.
33977
Pudesse descobrir qualquer alento
No tempo muito além de algum instante
E quantas vezes tento e se adiante
Ao próprio caminhar, o pensamento,
Da fonte inesperada me alimento
E sei do quanto possa degradante
A ponta do punhal mais penetrante
Tramando na tocaia o sofrimento.
Regido pelo medo e nada mais
No quanto poderiam temporais
Mergulhos noutros ermos que não trago,
Mas sinto sem promessa ou recompensa
A sorte noutra face em que convença
Na própria discordância de um afago.
33978
Prenunciando a morte que virá
Após a chuva forte de hoje à tarde
Por quanto cada passo já retarde
A solução não vejo aqui ou lá,
Ainda noutro sol não brilhará
Nem mesmo quando muito ainda aguarde
O corte bem mais forte sem alarde
Adentra e desde sempre marcará
Quem tenta outra saída e nada vê
Somente o caminhar e sem por que
Resiste aos mais doridos horizontes,
Mas sei que na verdade pouco resta,
E tento apenas ver pequena fresta
Por onde novo tempo ainda apontes.
33979
Jogado em algum canto pelas ruas
Nefasta realidade me aproxima
Do quanto ainda resta em auto-estima
Diverso do caminho em que inda atuas
Assim assisto ao fim das nossas luas
E tento conquistar, o amor se prima
Enquanto noutra face a vida esgrima
E além do que pudera tu flutuas.
Restando ao caminhante o desabrigo
E tento novo rumo, mas prossigo
Nos bares e nas noites vagas, só.
Mentores da ilusão amores tantos
E neles se tramando em desencantos
Caminho retornando ao mesmo pó.
33980
Não quero o desabrigo de um amor
Que possa condenar ao cardo e espinho
Prefiro caminhar sempre sozinho
Não tendo novo tempo ao meu dispor.
Gerado com ternura noutra cor
Se às vezes na ilusão em vão me aninho,
Eu bebo e tento até saber do vinho
Ou mesmo um delicado e bom licor.
Mas tudo se reflete neste vago
Anseio por um tempo bem mais firme,
Sem nada que inda possa ou mais confirme
Das velhas emoções sequer me alago,
E tento discernir sorte e mortalha,
Mas quanto mais eu tento, mais se falha.
33981
Descrevo ou mesmo até vivo e retrato
O rumo em que desfio o dia a dia
Usando como uma arma a fantasia
O sonho se traduz em pouso e fato,
Do tanto quanto sou assim ingrato
Ou mesmo noutra face mostraria
Realidade torpe em que se fia
O pensamento aonde às vezes me ato.
Eu lembro dos meus ermos quando tento
Vencer o mais profano sentimento
Exposto em galerias dentro da alma,
Do mostruário apenas um sinal
O corte se aprofunda e bem ou mal
A poesia vem sedando e acalma.
33982
O medo a faca a foice o corte e o cego
Caminho que entre pedras inda invento
Sem faro noutro instante sei tormento
E beijo cada curva onde navego,
O pendular momento onde me apego
E quantas vezes sigo sem provento
Do pensamento em vão se me alimento
O mundo noutro instante já renego.
Audaciosamente quis a vida
O parto muitas vezes inaudito
E quando nos meus sonhos acredito
Preparo uma mortalha ou beijo o luto,
Não sei se ainda posso, e assim reluto
Da labiríntica loucura uma saída...
33983
Pudesse em elegância a decadência
Mostrar a sutileza em fina classe,
Mas sei que quanto mais a sorte trace
Caminho mais diverso da clemência
O peso profanando esta cadência
Gerando novamente algum impasse
Oferecendo ao tapa uma outra face
Do quanto poderia, penitência.
Resisto ou tento ao menos ter nos olhos
Além dos espinheiros, dos abrolhos
O brilho desta flor, mesmo de plástico,
Assim na queda livre vejo a vida
Sem ter sequer sinal do quanto olvida
Um mundo que já fora tão fantástico.
33984
Dos inocentes olhos da esperança
O peso desta vida em glória e medo,
E sendo cada dia onde concedo
O passo no vazio já me lança
A vida sem saber sequer lembrança
Do quanto poderia ser enredo
Ou mesmo entranho algum segredo
E nele nova porta em aliança.
Rondando cada cena do que um dia
Vivera em treva ou luz, eu poderia
Saber de alguma chance, mas não vejo
Sequer a menor sombra do futuro
E tento tão sombrio, o mundo escuro
Apenas da alegria algum lampejo.
33985
As mãos entrelaçadas tentam luzes
E nelas outras luzes mais profundas,
E quando destas luzes tu te inundas
Caminhos mais diversos reproduzes,
Ao mesmo tempo vejo finas cruzes
E nelas as mortalhas mais imundas,
Pudessem se trazer as vagabundas
Manhãs por onde tentas e conduzes
Não sei e na verdade nem mais acho
O rumo de um ser vil feito em capacho
Rolando pelas pedras e penhascos,
Dos dias mais felizes, nada resta
E quando se percebe alguma fresta
Sorriso de ironia dos carrascos.
33986
Não tento ou não pudesse acreditar
Na fonte inesgotável vida e morte
E ainda quando a cena me reporte
À falta de caminho ou de lugar
Aonde eu possa mesmo mergulhar
Sem ter sequer sentido medo ou norte,
E ainda que deveras já me corte
O porte não permita mais sangrar.
Em casas casos rastros medos ritos
Os dias entre dias são finitos
E tantas horas perco procurando
Algum sentido mesmo na existência
E quando me percebo em penitência
O tempo pelas mãos; sinto escoando...
33987
Aprendo com meus erros ou não posso
Seguir entre as diversas tempestades,
E mesmo se talvez já não te agrades
Do sonho quando em sonho a dor emposso
Fartura do que fora outrora nosso
E agora noutra face tu degrades
Perceba quantos dias vagos brades
Lutando pelo tempo e não remoço.
Especular verdade dita a ruga
E todo este caminho a vida suga
Sem ter a menor pena, nem dar chance
E ainda que tivesse uma esperança
O vento noutro rumo logo avança
E assim neste vazio a voz se lance.
33988
Vagando pelas ânsias de quem tenta
Sentir algum alento após a queda
Do sonho aonde o tempo mesmo veda
O passo navegando outra tormenta,
No fardo aonde tudo se acalenta
Pagando sem sentir, mesma moeda,
O verso na verdade ainda seda
E nele teimo em rito que apascenta.
Desvio o meu olhar e busco a fonte
Aonde cada luz imensa aponte
Tramando outra saída bem mais clara,
O sol regando em brilhos a manhã
Palavra sem sentido, amor, é vã
E nisto a minha vida se declara.
33989
Andando sem destino noite adentro
No passo contra a fúria do passado
Gestando novo dia, tendo ao lado
O peso do sonhar eu me concentro
No fato de saber do novo centro
Por onde possa ver encaminhado
O dia novamente renovado
Mantendo o coração mais vivo e dentro
Jazigos entre restos do que eu fora
Na face mais atroz ou tentadora
Resgates de outro tempo em dor e pranto,
E quando me aproximo ou me retrato
No quanto poderia ser o prato
Servido neste enredo em desencanto.
33990
O siso o rosto o peso o corte e o tanto
Semeiam dentro em mim a discordância
E possa com terror ou elegância
Gerar o que talvez pudesse enquanto
Não sei quando sonhar ou mesmo canto
No peso derivado em leda infância
Não quero outra saída ou militância
Portanto sigo ao vento e assim me espanto.
Olhos sorvendo luzes no horizonte
Audaciosamente já desnudo
E quando o meu passado tento ou mudo
Encontro a realidade que o confronte
Assim ao me sentir desamparado
Eu bebo em conta-gotas outro enfado.
33991
Arcando com meus erros sigo em frente
E tento nova fonte aonde eu sei
Que tanto poderia nova grei
Ou mesmo conseguir quem de repente
Pudesse trazer luzes novamente,
E assim inutilmente eu me fartei
Do mundo em que penara e mergulhei
Nos antros mais profanos de uma mente.
Revivo cada passo e tento ainda
A sorte noutra face e a vida brinda
Com trapos e farrapos nada mais,
O pântano gestado pelo medo
E nele se deveras teimo e cedo
Bebendo os mais dispersos vendavais.
33992
Anestesias tantas entre farpas
E nelas outros dias não veria
Quem tanto mergulhando em fantasia
Encontra nos caminhos as escarpas,
Ascendo aos vãos penhascos da emoção
Volvendo ao meu caminho em passos rudes
E sei que talvez tentes, mesmo mudes
Traçando novo passo e direção
Fadando-me ao engano triunfal
Jorrando em tal sangria a morte e a pena
A vida por si só tanto apequena
Jogando sobre mim a pá de cal.
Quem fora sonhador mortalhas veste
E bebe a tempestade mais agreste...
33993
Risonho caminhar por entre sonhos
Promessas discernidas da verdade
No quanto cada passo me degrade
Fadados por mergulhos enfadonhos
Em ritos e delírios mais medonhos
Ao mesmo tempo bebo a tempestade
E vejo quanto possa à saciedade
Riscar outros desejos tão risonhos.
Mapeio os meus espectros e os devoro
E quando nos vazios me decoro
Aflora-se a vontade da mortalha,
As lágrimas descendo rosto afora,
O medo aonde o tempo se devora
Gerado pelo corte da navalha.
33994
Ocasos entre nuvens e fornalhas
Acesas maravilhas entre trevas
E quando noutra face teimas, nevas
Marcando com terríveis cortes, falhas?
Ourives do temor por onde espalhas
Dispersas ilusões em mesmas cevas
No quanto do meu mundo ainda levas
As mortes entre tantas velhas gralhas
Escadas que me levem para além
Do topo das montanhas, cordilheiras,
E quando a noite bebo e nada vem
Senão mesmo acordes, cortes, tramas
E quando noutro tanto tu reclamas
Ao ver este contraste já te esgueiras.
33995
Estrelas entre quedas mortes facas
E vês o meu retrato muito aquém
Do vandalismo exposto onde contém
As fontes mais terríveis, mesmo opacas
E quando noutro tanto tu me aplacas
Com fúria ou tempestade sempre vem
A noite noutra face de um desdém
Amortalhada noite onde empacas
O passo rumo à morte dita o bem.
Guitarras em noturnas vãs viagens
Moldando com horror velhas aragens
E nelas os meus dias vão contados,
Resisto o quanto posso e nada tento,
Mas sei quanto vazio este provento
Marcando com o sangue os vis tratados.
33996
Liberdade soando em tais instantes
Transborda no horizonte mais brumoso,
A morte em podridão incrível gozo
Nefasta maravilha em diamantes,
E posso mesmo quando me adiantes
Riscar o temporal em majestoso
Caminho preparado ou pedregoso
Cenário mais propício pros levantes
Espreito a minha morte e até me afasto
Porquanto sei deveras mais nefasto
O fardo aonde gero outro momento,
Pesquiso e vago infames ventanias
E nelas outras tantas que recrias
Traçando o mais completo desalento.
33997
Espúria fonte feita em risco e morte
No peso do viver que me atropele
O tanto do vazio se revele
Na falta de emoção e de suporte,
O medo de sonhar ainda corte
Sem ter sequer quem busque ou mesmo zele
Assim o meu caminho já se sele
Na imensa charqueada que o comporte.
Alago estas estradas com a fúria
Gerada pela insânia ou vã loucura
Aonde cada passo se mistura
Traçado pelos olhos da penúria
Erguendo cada dia um pouco mais
Quebrando o que restara dos cristais.
33998
Histéricos momentos de alegria?
Não pude contornar qualquer tormento
E quando na verdade ainda tento
A morte noutra face moldaria
O vandalismo imenso da agonia
Eu sei que me restara este excremento
E nele quanto muito sigo atento
Buscando revolver imenso dia
Apraz-me o não saber de outro caminho
E sei que prosseguindo mais sozinho
Terei qualquer instante mesmo parco
Da sorte ou do sorriso procurado,
Mas sei quanto se vê neste nublado
Mergulho onde meu passo ainda abarco.
33999
Aquém da fantasia ou da verdade
Apreços entre dias e senzalas
No quanto de outros dias teimas, falas
Encontra a face escusa que degrade
E tente revelar o quanto agrade
No pendular espaço em que te calar
Ou mesmo adentras louca pelas salas
E quanto mais se vê maior a grade.
Resisto ao vendaval e tento até
Gerar com minha estada nova fé
Reflexos de mim mesmo noutro espaço
Atento às variantes deste tempo
Poupada luz enfrenta o contratempo
Por onde a cada instante me desfaço.
34000
Olhando para trás quase não vejo
A face decomposta da verdade
E tento novamente até que invade
Cruel caminho aonde em vão latejo
O ponto de partida, meu desejo,
Não deixe completar realidade
E sei do pouso além que ainda agrade
Espécie de tormenta onde apedrejo
A sorte desdenhosa, porém farta
E dela cada passo se descarta
Criando falsos mitos vida afora,
Dos deuses entranhados dentro em mim,
Mergulho neste mar que sei sem fim
Aonde a fonte bebe e me devora.
O fogo a fome a fúria
A angústia do não ser
A falta do prazer
A dor o medo a incúria
No estado de penúria
Aonde há bem querer?
No quanto me envolver
Em lástima e lamúria
Não tento invento ou canto
No quanto pude apenas
Viver quando envenenas
Serenas? Mas, portanto
O corpo pende quando
O nada se formando...
33952
No canto sala e mesa
O fardo o sangue a dor
Entanto sonhador
Na falta de destreza
Intensa correnteza
Fosse navegador
Vencer o quanto for
Sem ser fera nem presa
Nas ânsias ondas praias
Morenas coxas saias
Balanço Rio e Mar
A sorte a faca o acoite
O sol varando a noite
Na mesa deste bar.
33953
Aonde não pude
Sentir outro vento
Pudesse um momento
Final juventude
Tomar atitude
Seguir sem alento
Gozar sofrimento
Enquanto não mude
Sentido ou começo
O quanto me esqueço
E lembro mais tarde,
O cardo, a coragem
Mesma paisagem
Que ainda me aguarde.
33954
Quando bruscamente
O tempo porfia
Da desarmonia
O tempo não mente,
Quando brusca a mente
O quanto podia
Na farta heresia
O fato premente,
Assim outro tanto
No quanto pudera
Qual fera eu me espanto
No canto calada
Na véspera, a espera
Quando encurralada.
33955
O verso sem rumo
Vagando no espaço
Porquanto não traço
Ou mesmo consumo
O vento que assumo
Faltando um pedaço
Rodando num laço
Minha alma é qual fumo,
Vasculho a tocaia
O quanto se traia
Ou mesmo se quer,
No fundo o caminho
Em pedras e espinho
Num cardo qualquer.
33956
Sou brisa e tempesta
Vital ventania
O quanto me guia
Também me detesta
Ao fundo esta fresta
Em peso e agonia
Em tanta alegria
Final de uma festa
Gerada no caos
Alçando em degraus
A escada da vida,
Ascendo apogeu
Depois bebo o breu
Até despedida...
33957
Um sopro, uma luz
A vida se fez
E quanta altivez
Assim se produz
Na fonte reluz
O que tu não crês
No amor que não vês
No corte e no pus.
Gerando este fato
Do qual me retrato
E tento a saída
Castrar o animal
Posar triunfal
Perdendo esta vida?
33958
Sou parte e sou todo
E quando me entranho
Nas asas sem ganho
Bebendo do lodo,
O fardo do engodo
O mundo que estranho
Meu sonho é tamanho,
A vida é um rodo
E roda no tempo
Gira contratempo
E tempos depois
O fim se prepara
O quanto da apara
Dizer de nós dois.
33959
Cevando este trigo
Do joio disperso
Alçando no verso
O quanto prossigo
E tanto persigo
Na conta se imerso
Um canto diverso
Versando outro antigo,
Refeito da queda
Palavra me seda
Torpores e coma,
Sem nada a perder
Nem tanto querer
Não há quem me doma.
33960
O fato se expondo
No quadro final
O gosto do sal
O mundo é redondo?
No quanto arredondo
Momento fatal,
Quem sabe cristal
Em erros se expondo
A terra tão frágil
A fera sendo ágil
O salto, a tocaia,
No fundo surpresa
Também vira presa
Do tempo que a traia.
33961
A serpente açoda
Virando esta folha
O quanto recolha
A sorte, uma roda
E nela se poda
O passo na encolha
A fome esta bolha
O templo da moda,
Cartazes e ritos
Momentos e gritos
A festa, o tormento,
No pântano em mim
O engano sem fim
Que assim alimento.
33962
Do lago secando
As águas de um rio
Na fonte, o desvio
O mundo negando
O quanto é nefando
O tempo de estio
Etéreo pavio
Rápido queimando,
A vida uma guerra
Assim se descerra
Na cena final,
O pano se abaixa
A lápide, a faixa
É a pá de cal.
33963
Um gole café
A ponta da faca
A sorte se empaca
Na falta de fé?
O quanto não é
Nem corte ou estaca
O corpo na maca
A morte e a galé
Rondando na mente
Girando no bar
A mesa o cantar
Que tanto desmente
O quanto se sente
Também a rodar...
33964
A fonte secara
O corte profano
Assim cada engano
A capa na cara
E assim se prepara
Olhar soberano
E quando me dano
O fim se declara
Em tantos palpites
E nunca te omites
Apenas adias
Legado ou herança
A mão já se lança
Em fontes vazias.
33965
Peçonha em pessoa
O cravo ou a rosa
A sorte se goza
Também não ressoa
E quando revoa
A voz majestosa
Ou já caprichosa
Prosseguindo à toa
Voltando da cena
Amor se apequena
E trama outro enredo
No quarto calado
O corpo cansado,
À fúria eu concedo.
33966
Chegado o momento
Lacustre tempesta
O corpo se empresta
Além do tormento
E quanto apresento
O fim desta festa
Calado me atesta
O riso e o lamento.
Capacho do sonho
Por vezes medonho
Ou quanto maior
Não me deixa ver
E aquém do prazer
Labuta e suor.
33967
No olhar o horizonte
Nas mãos a certeza
Minha alma já presa
Ou tanto confronte
No quanto desponte
Servida na mesa
Bandeja em destreza
Na ausência de ponte
Mergulho no nada
A porta arrancada
O vento se espalha
E tomando a cena
Ao fim me condena
Sem luta ou batalha.
33968
Não quero o cuidado
Nem mesmo algum nexo
Se eu tento perplexo
O peso cotado
No fardo gerado
No peso complexo
Ausente reflexo
Traduz meu legado.
Na copa e na fronde
Aonde se esconde
O que fora vida?
O beijo lacera
Na boca outra espera
Já tanto perdida...
33969
Palavras ao vento
Servindo em repasto
Ao quanto desgasto
Ou tanto alimento,
No pouco se atento
O verso mais gasto,
O gesto, um emplasto
Da dor um provento.
Perceba-se logo
No quanto inda rogo
Procurando a paz,
Jazigo de um sonho
Se o nada componho
A lavra se faz.
33970
O gesto preciso
O passo no falso
E quando descalço
Minha alma sem siso,
O vento conciso
Fatal cadafalso
Perpetuo encalço
E em nada matizo.
Legar o que possa
Montanhas ou fossa
Um vale profundo,
Do charco vivido
No tempo regrido
E dele me inundo.
33971
Viver se pudesse
O tempo de amar
E assim navegar
Imensa benesse
A dor já se esquece
Encontro este mar
Aonde tocar
A força da prece
No quanto se reza
O amor embeleza
E trama segredos,
Mas quantos caminhos
Embalde, sozinhos
Desdéns e degredos...
33972
Nas mãos o futuro
No olhar outro dia
A sorte seria
O quanto procuro?
No vão, salto o muro
A porta se abria
Ou tanto, se esguia,
Gerando outro escuro
Caminho sem tréguas
Distantes mil léguas
Dos olhos de quem
Pudesse conter
Além do prazer
O amor que não vem...
33973
Aponta-me o vão
E tento outra sina
E quando domina
Imenso serão
No verso, o porão
A sorte assassina
A fonte, outra mina
Imenso verão.
Chagásica espreita
E quando se deita
Amor sem vivê-lo
Do riso e da prece
O templo se esquece
Tece pesadelo...
33974
Amar e não ter
Outro provimento
Senão tal tormento
E nele saber
O verso a tolher
O passo eu lamento
E quando incremento
Algum bem querer,
Restando-me só
Semeio este pó
Sem dó sem estima,
Desta cordoalha
Já rota, batalha
Em foice ou esgrima.
33975
Dos bares de então
Dos dias passados
Os olhos, os prados
Final estação
O trem, o portão,
Passos apressados
Os dias contados,
A falta de chão.
Não posso parar
Nem penso em sonhar
Qualquer ventania
O pasto mal feito
Depois eu me deito
E a sorte se adia...
33976
Pecados e medos
Enquanto eu cometo
A sorte num gueto
Os dias mais ledos,
Os vãos e segredos
No quanto prometo
E assim me arremeto
Sem rumos e enredos.
Procedo ao que possa
Viver sem a troça
Comum de quem ama,
O corte a façanha
A fúria me entranha
No fim resta a lama.
33977
Pudesse descobrir qualquer alento
No tempo muito além de algum instante
E quantas vezes tento e se adiante
Ao próprio caminhar, o pensamento,
Da fonte inesperada me alimento
E sei do quanto possa degradante
A ponta do punhal mais penetrante
Tramando na tocaia o sofrimento.
Regido pelo medo e nada mais
No quanto poderiam temporais
Mergulhos noutros ermos que não trago,
Mas sinto sem promessa ou recompensa
A sorte noutra face em que convença
Na própria discordância de um afago.
33978
Prenunciando a morte que virá
Após a chuva forte de hoje à tarde
Por quanto cada passo já retarde
A solução não vejo aqui ou lá,
Ainda noutro sol não brilhará
Nem mesmo quando muito ainda aguarde
O corte bem mais forte sem alarde
Adentra e desde sempre marcará
Quem tenta outra saída e nada vê
Somente o caminhar e sem por que
Resiste aos mais doridos horizontes,
Mas sei que na verdade pouco resta,
E tento apenas ver pequena fresta
Por onde novo tempo ainda apontes.
33979
Jogado em algum canto pelas ruas
Nefasta realidade me aproxima
Do quanto ainda resta em auto-estima
Diverso do caminho em que inda atuas
Assim assisto ao fim das nossas luas
E tento conquistar, o amor se prima
Enquanto noutra face a vida esgrima
E além do que pudera tu flutuas.
Restando ao caminhante o desabrigo
E tento novo rumo, mas prossigo
Nos bares e nas noites vagas, só.
Mentores da ilusão amores tantos
E neles se tramando em desencantos
Caminho retornando ao mesmo pó.
33980
Não quero o desabrigo de um amor
Que possa condenar ao cardo e espinho
Prefiro caminhar sempre sozinho
Não tendo novo tempo ao meu dispor.
Gerado com ternura noutra cor
Se às vezes na ilusão em vão me aninho,
Eu bebo e tento até saber do vinho
Ou mesmo um delicado e bom licor.
Mas tudo se reflete neste vago
Anseio por um tempo bem mais firme,
Sem nada que inda possa ou mais confirme
Das velhas emoções sequer me alago,
E tento discernir sorte e mortalha,
Mas quanto mais eu tento, mais se falha.
33981
Descrevo ou mesmo até vivo e retrato
O rumo em que desfio o dia a dia
Usando como uma arma a fantasia
O sonho se traduz em pouso e fato,
Do tanto quanto sou assim ingrato
Ou mesmo noutra face mostraria
Realidade torpe em que se fia
O pensamento aonde às vezes me ato.
Eu lembro dos meus ermos quando tento
Vencer o mais profano sentimento
Exposto em galerias dentro da alma,
Do mostruário apenas um sinal
O corte se aprofunda e bem ou mal
A poesia vem sedando e acalma.
33982
O medo a faca a foice o corte e o cego
Caminho que entre pedras inda invento
Sem faro noutro instante sei tormento
E beijo cada curva onde navego,
O pendular momento onde me apego
E quantas vezes sigo sem provento
Do pensamento em vão se me alimento
O mundo noutro instante já renego.
Audaciosamente quis a vida
O parto muitas vezes inaudito
E quando nos meus sonhos acredito
Preparo uma mortalha ou beijo o luto,
Não sei se ainda posso, e assim reluto
Da labiríntica loucura uma saída...
33983
Pudesse em elegância a decadência
Mostrar a sutileza em fina classe,
Mas sei que quanto mais a sorte trace
Caminho mais diverso da clemência
O peso profanando esta cadência
Gerando novamente algum impasse
Oferecendo ao tapa uma outra face
Do quanto poderia, penitência.
Resisto ou tento ao menos ter nos olhos
Além dos espinheiros, dos abrolhos
O brilho desta flor, mesmo de plástico,
Assim na queda livre vejo a vida
Sem ter sequer sinal do quanto olvida
Um mundo que já fora tão fantástico.
33984
Dos inocentes olhos da esperança
O peso desta vida em glória e medo,
E sendo cada dia onde concedo
O passo no vazio já me lança
A vida sem saber sequer lembrança
Do quanto poderia ser enredo
Ou mesmo entranho algum segredo
E nele nova porta em aliança.
Rondando cada cena do que um dia
Vivera em treva ou luz, eu poderia
Saber de alguma chance, mas não vejo
Sequer a menor sombra do futuro
E tento tão sombrio, o mundo escuro
Apenas da alegria algum lampejo.
33985
As mãos entrelaçadas tentam luzes
E nelas outras luzes mais profundas,
E quando destas luzes tu te inundas
Caminhos mais diversos reproduzes,
Ao mesmo tempo vejo finas cruzes
E nelas as mortalhas mais imundas,
Pudessem se trazer as vagabundas
Manhãs por onde tentas e conduzes
Não sei e na verdade nem mais acho
O rumo de um ser vil feito em capacho
Rolando pelas pedras e penhascos,
Dos dias mais felizes, nada resta
E quando se percebe alguma fresta
Sorriso de ironia dos carrascos.
33986
Não tento ou não pudesse acreditar
Na fonte inesgotável vida e morte
E ainda quando a cena me reporte
À falta de caminho ou de lugar
Aonde eu possa mesmo mergulhar
Sem ter sequer sentido medo ou norte,
E ainda que deveras já me corte
O porte não permita mais sangrar.
Em casas casos rastros medos ritos
Os dias entre dias são finitos
E tantas horas perco procurando
Algum sentido mesmo na existência
E quando me percebo em penitência
O tempo pelas mãos; sinto escoando...
33987
Aprendo com meus erros ou não posso
Seguir entre as diversas tempestades,
E mesmo se talvez já não te agrades
Do sonho quando em sonho a dor emposso
Fartura do que fora outrora nosso
E agora noutra face tu degrades
Perceba quantos dias vagos brades
Lutando pelo tempo e não remoço.
Especular verdade dita a ruga
E todo este caminho a vida suga
Sem ter a menor pena, nem dar chance
E ainda que tivesse uma esperança
O vento noutro rumo logo avança
E assim neste vazio a voz se lance.
33988
Vagando pelas ânsias de quem tenta
Sentir algum alento após a queda
Do sonho aonde o tempo mesmo veda
O passo navegando outra tormenta,
No fardo aonde tudo se acalenta
Pagando sem sentir, mesma moeda,
O verso na verdade ainda seda
E nele teimo em rito que apascenta.
Desvio o meu olhar e busco a fonte
Aonde cada luz imensa aponte
Tramando outra saída bem mais clara,
O sol regando em brilhos a manhã
Palavra sem sentido, amor, é vã
E nisto a minha vida se declara.
33989
Andando sem destino noite adentro
No passo contra a fúria do passado
Gestando novo dia, tendo ao lado
O peso do sonhar eu me concentro
No fato de saber do novo centro
Por onde possa ver encaminhado
O dia novamente renovado
Mantendo o coração mais vivo e dentro
Jazigos entre restos do que eu fora
Na face mais atroz ou tentadora
Resgates de outro tempo em dor e pranto,
E quando me aproximo ou me retrato
No quanto poderia ser o prato
Servido neste enredo em desencanto.
33990
O siso o rosto o peso o corte e o tanto
Semeiam dentro em mim a discordância
E possa com terror ou elegância
Gerar o que talvez pudesse enquanto
Não sei quando sonhar ou mesmo canto
No peso derivado em leda infância
Não quero outra saída ou militância
Portanto sigo ao vento e assim me espanto.
Olhos sorvendo luzes no horizonte
Audaciosamente já desnudo
E quando o meu passado tento ou mudo
Encontro a realidade que o confronte
Assim ao me sentir desamparado
Eu bebo em conta-gotas outro enfado.
33991
Arcando com meus erros sigo em frente
E tento nova fonte aonde eu sei
Que tanto poderia nova grei
Ou mesmo conseguir quem de repente
Pudesse trazer luzes novamente,
E assim inutilmente eu me fartei
Do mundo em que penara e mergulhei
Nos antros mais profanos de uma mente.
Revivo cada passo e tento ainda
A sorte noutra face e a vida brinda
Com trapos e farrapos nada mais,
O pântano gestado pelo medo
E nele se deveras teimo e cedo
Bebendo os mais dispersos vendavais.
33992
Anestesias tantas entre farpas
E nelas outros dias não veria
Quem tanto mergulhando em fantasia
Encontra nos caminhos as escarpas,
Ascendo aos vãos penhascos da emoção
Volvendo ao meu caminho em passos rudes
E sei que talvez tentes, mesmo mudes
Traçando novo passo e direção
Fadando-me ao engano triunfal
Jorrando em tal sangria a morte e a pena
A vida por si só tanto apequena
Jogando sobre mim a pá de cal.
Quem fora sonhador mortalhas veste
E bebe a tempestade mais agreste...
33993
Risonho caminhar por entre sonhos
Promessas discernidas da verdade
No quanto cada passo me degrade
Fadados por mergulhos enfadonhos
Em ritos e delírios mais medonhos
Ao mesmo tempo bebo a tempestade
E vejo quanto possa à saciedade
Riscar outros desejos tão risonhos.
Mapeio os meus espectros e os devoro
E quando nos vazios me decoro
Aflora-se a vontade da mortalha,
As lágrimas descendo rosto afora,
O medo aonde o tempo se devora
Gerado pelo corte da navalha.
33994
Ocasos entre nuvens e fornalhas
Acesas maravilhas entre trevas
E quando noutra face teimas, nevas
Marcando com terríveis cortes, falhas?
Ourives do temor por onde espalhas
Dispersas ilusões em mesmas cevas
No quanto do meu mundo ainda levas
As mortes entre tantas velhas gralhas
Escadas que me levem para além
Do topo das montanhas, cordilheiras,
E quando a noite bebo e nada vem
Senão mesmo acordes, cortes, tramas
E quando noutro tanto tu reclamas
Ao ver este contraste já te esgueiras.
33995
Estrelas entre quedas mortes facas
E vês o meu retrato muito aquém
Do vandalismo exposto onde contém
As fontes mais terríveis, mesmo opacas
E quando noutro tanto tu me aplacas
Com fúria ou tempestade sempre vem
A noite noutra face de um desdém
Amortalhada noite onde empacas
O passo rumo à morte dita o bem.
Guitarras em noturnas vãs viagens
Moldando com horror velhas aragens
E nelas os meus dias vão contados,
Resisto o quanto posso e nada tento,
Mas sei quanto vazio este provento
Marcando com o sangue os vis tratados.
33996
Liberdade soando em tais instantes
Transborda no horizonte mais brumoso,
A morte em podridão incrível gozo
Nefasta maravilha em diamantes,
E posso mesmo quando me adiantes
Riscar o temporal em majestoso
Caminho preparado ou pedregoso
Cenário mais propício pros levantes
Espreito a minha morte e até me afasto
Porquanto sei deveras mais nefasto
O fardo aonde gero outro momento,
Pesquiso e vago infames ventanias
E nelas outras tantas que recrias
Traçando o mais completo desalento.
33997
Espúria fonte feita em risco e morte
No peso do viver que me atropele
O tanto do vazio se revele
Na falta de emoção e de suporte,
O medo de sonhar ainda corte
Sem ter sequer quem busque ou mesmo zele
Assim o meu caminho já se sele
Na imensa charqueada que o comporte.
Alago estas estradas com a fúria
Gerada pela insânia ou vã loucura
Aonde cada passo se mistura
Traçado pelos olhos da penúria
Erguendo cada dia um pouco mais
Quebrando o que restara dos cristais.
33998
Histéricos momentos de alegria?
Não pude contornar qualquer tormento
E quando na verdade ainda tento
A morte noutra face moldaria
O vandalismo imenso da agonia
Eu sei que me restara este excremento
E nele quanto muito sigo atento
Buscando revolver imenso dia
Apraz-me o não saber de outro caminho
E sei que prosseguindo mais sozinho
Terei qualquer instante mesmo parco
Da sorte ou do sorriso procurado,
Mas sei quanto se vê neste nublado
Mergulho onde meu passo ainda abarco.
33999
Aquém da fantasia ou da verdade
Apreços entre dias e senzalas
No quanto de outros dias teimas, falas
Encontra a face escusa que degrade
E tente revelar o quanto agrade
No pendular espaço em que te calar
Ou mesmo adentras louca pelas salas
E quanto mais se vê maior a grade.
Resisto ao vendaval e tento até
Gerar com minha estada nova fé
Reflexos de mim mesmo noutro espaço
Atento às variantes deste tempo
Poupada luz enfrenta o contratempo
Por onde a cada instante me desfaço.
34000
Olhando para trás quase não vejo
A face decomposta da verdade
E tento novamente até que invade
Cruel caminho aonde em vão latejo
O ponto de partida, meu desejo,
Não deixe completar realidade
E sei do pouso além que ainda agrade
Espécie de tormenta onde apedrejo
A sorte desdenhosa, porém farta
E dela cada passo se descarta
Criando falsos mitos vida afora,
Dos deuses entranhados dentro em mim,
Mergulho neste mar que sei sem fim
Aonde a fonte bebe e me devora.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
33901 até 33950
33901
Se são inúteis versos os que eu faço
Falando dos momentos onde o sonho
Domina a realidade, eu me proponho
A crer ser impossível novo passo
E quando vago em vão ganhando o espaço
Por vezes acredito ser risonho
Aquilo que bem sei ser tão medonho,
Errático cometa eu me desfaço
E tento com palavras conduzir
Meu mundo para um manso e bom porvir,
Embora seja engodo o que eu percebo,
Das tantas heresias, sigo além,
Porém ao pressentir, nada convém
Senão a mesma fantasia em que me embebo.
33902
Das lágrimas comuns a quem deseja
Além do que pudesse dar a vida
E sente a própria sorte sem guarida
Enquanto num instante isto preveja
Ou mesmo noutra face enfim poreja
A dita há tanto tempo sendo urdida
Razões aonde o sonho se invalida
Porquanto uma ilusão atroz e andeja
Vagara em siderais etéreos sóis
E quando nesta ausência de faróis
Revê cada segundo, ainda incauto
Percebo o que pudesse transcender
À própria sincronia de um viver
Aonde a cada passo, um sobressalto...
33903
Regando com as lágrimas a vida
O fardo se divide ou se acumula?
O fato de sonhar desestimula
O passo noutra face, sem saída...
E quando se percebe a imensa gula
E nela toda a sorte sendo urdida,
Galgando cada espaço esta ferida
Imensa nosso sonho beba e engula.
Aguça-se a vontade e nada traz
Senão as variantes onde a paz
Pudesse caminhar tranquilamente,
Mas quando a bala adentra o peito e a calma
Perdida sem sentido rondando a alma
A dor se mostra viva e totalmente.
33904
Jamais imaginara o simples fato
De crer nalguma luz que inda me traga
A fúria desta vida em turva vaga
Ou cale a placidez de algum regato
E quando noutro canto eu não retrato
A bela fantasia que me afaga
Enquanto a solidão moldando a adaga
Penetra simplesmente, eu me destrato
E rasgo cada carta aonde havia
A dúbia persistência da alegria
Pagando com a mesma vã moeda,
E assim ao perceber a inútil luta
Ainda quanto tento já reluta
A sorte que deveras doma e seda.
33905
Viver o amanhã
Aonde pudera
Conter primavera
Ou mesmo malsã
A sorte que espera
Quem tanto venera
E sabe ser vã
A via por onde
O todo se esconde
E aponta o punhal,
Vencer os meus medos
Senti-los mais ledos
E ser triunfal.
33906
Jazigos diversos
Que trago em meu peito
Enquanto me aceito
Ou sigo em dispersos
Caminhos e versos
No fato ou direito
Singrar satisfeito
Dos sonhos regressos,
Palavras e frases
Ocasos e tardes
No quanto retardes
O passo desfazes
E geras o vão
Sem dó nem perdão.
33907
Acossa-me o medo
Do tempo perdido
E quando sentido
Por vezes se eu cedo,
Ausente segredo
Por onde regrido
Ao nada vivido
Ou quanto enveredo
Riscando do mapa
A dita que encapa
Escapa das mãos
Vencido ou calado,
O templo sagrado
Os dias mais vãos.
33908
A brasa e o cigarro,
O tempo, o caminho
E quando avizinho
Ou mesmo me esbarro
Aonde fui barro
O sangue diz vinho,
A cruz e o espinho,
A tosse o catarro,
O peso da vida
A corte negada,
Tentando a escalada
Na sorte cumprida
Em faca, em adaga,
A morte me alaga.
33909
Jorrando, não pára
O tempo que escoa
Uma alma se ecoa
Na fonte, na ampara
No jeito, na cara
A vida é canoa
E tanto se boa
Ou má se declara
A fonte secando
O novo gerando
Do velho puído,
Assim se refaz
O passo tenaz
Diverso tecido.
33910
As mãos calejadas
Os pés em feridas,
Assim estas vidas
Atrozes, caladas
Aonde em estradas
Pudessem urdidas
Ou mesmo em saídas
Em fios de espadas
Num porto inseguro
Se ainda procuro
Não vendo outro tempo,
Resisto e persisto,
Se Cristo ou Mefisto
Igual contratempo.
33911
Resolvo caminho
Diverso daquele
Que tanto revele
O passo daninho
E sendo sozinho
Amar não apele
Nem tanto revele
Fartura em carinho
A ceva sortida
A sorte e a saída
Vital labirinto
E quando outra face
Se mostra ou se trace
Cada sonho extinto.
33912
O medo do fato
O peso no quanto
O verso sem canto
O tempo retrato
No beijo ou num ato
No vaso em que planto
Na trova ou no pranto
Na várzea, no mato,
A vida é peleja
E quando poreja
Saudade ou delírio
Traduz ventania
Ou quanto podia
Mortalha e martírio.
33913
Jardim onde tento
Após o plantio
O vento vazio
Total desalento
Verter pensamento
Enfrentando estio
No verso que eu crio
No tempo me invento
E rastros e passos
Além dos espaços
Sem cais ou bornal,
Vagando em estrelas
Não sei sequer vê-las,
Mas bebo este astral.
33914
Palavra sucinta
O tempo se entranha
Na farpa, na apanha
No quanto se minta,
Ou mesmo na extinta
Palavra em que a sanha
Por vezes assanha
Em outras se pinta,
O passo sem nexo
Face sem reflexo
Espelhos da vida,
A fonte, a nascente,
A morte apresente
Início e saída...
33915
Total contra-senso
O peso e a medida
A sorte sentida
Aonde compenso
O passo se intenso
Mudança de vida
O corte, a ferida,
Mundo tão extenso
E tento ou refaço
O prazo e o compasso
No tanto que possa
A porta se abrindo
O vento seguindo
Minha alma remoça.
33916
Menino levado
O tempo não pára
E quando dispara
Por sonho levado
Refaz o recado
Acerta esta apara
A farpa escancara
No fardo enredado,
Vencer a artimanha
De quem sempre ganha
Não posso ou consigo,
Entrego-me então
Amor temporão?
Imenso perigo...
33917
Negar a promessa
De quem se fez tanto
O peso do encanto
Na dita se expressa,
Ausência confessa
Ou mesmo se eu canto
A morte eu espanto
E o tempo se engessa.
Aumentando o prazo
Percebendo o ocaso
Além do horizonte,
Mas sei da fatal
Estada final
Que aos poucos se aponte.
33918
O vento no rosto
O gesto, o pavio,
O quanto recrio
Ou mesmo é reposto,
Do tanto se oposto
Nada desafio
E tento o rocio
Deitando em recosto
No colo de quem
Audaz logo vem
E traz o que eu quero
Assim ao saber
Do intenso prazer
Atroz, mas sincero.
33919
A velha almofada
A sorte enredando
O peso sem quando
Saber de outro nada,
Versão consagrada
Retrato nefando,
O muro tramando
A queda na escada
Degrau pós degrau
O farto se faz
E o tempo voraz
Além do final
Deseja outro tanto
E foge ao quebranto.
33920
Cercados de mágoas
Os sonhos passados
Os dias tramados
Aonde deságuas
Podendo das águas
Traçar ondas fados
Os gestos, pecados
As noites são fráguas
E o peso da vida
Por onde surgida
Determina o fim,
Do todo ou do farto,
No quanto reparto
Volvendo ao que vim.
33921
Por vezes entulho
Ou noutras montanha
Assim sendo a sanha
Da qual não me orgulho
No farto mergulho
Palavra que assanha
Partida já ganha
Real pedregulho,
Servir ou servido
O quanto é sentido
Ou tanto sentir,
Não pude sincero
Saber se venero
Ou nego o por vir.
33922
Peso do passado
Recados futuros
Por cima dos muros
Assim meu legado
Aonde tramado
Em dias escuros
Ingênuos e puros
O medo, o pecado
O preço e o perdão
Santa Inquisição
Revive no clero
Por isso o castigo
No tanto prossigo
Eu anseio e quero.
33923
Chacais de batina
Em tal sacrilégio
Poder sempre régio
Fatal determina
A morte domina
Imenso colégio
Cevar privilégio
Domando esta mina
E dela se vendo
O quanto não crendo
Na Sé, me liberto
O tempo o destino
Povo libertino?
No imenso deserto...
33924
A falta de sorte
O pântano em mim
Do princípio ao fim
O quanto conforte
Sem tramas, o Norte
O corte, o capim,
Através de mim
A dita diz morte,
O pêndulo, o tempo,
Gerar contratempo
Cobrar o pedágio,
Depois no batismo
Se enfim nego ou cismo
Terrível presságio?
33925
Negar profecias
Gerar virgindades
Rompendo tais grades
Em novas recrias,
Velhas fantasias
Da qual inda brades
No quanto te agrades
Fatais heresias,
Recém empossado
O verso em pecado
O terço, o Juízo,
Enquanto o Cordeiro
Na cruz, verdadeiro
Libertário siso...
33926
Amar o doente
E crer no perdão,
No quanto em senão
A vida desmente,
Assim cada crente
Insana aversão
Sem ter direção,
A morte apresente
Na fome na faca
O passo que empaca
Não deixa seguir
Quem tanto pudera
Sabendo da fera
Sangrando o porvir.
33927
Demônios criados
Juízos negando
O mundo nefando
Além dos pecados,
Ouvir os recados
O tempo cevando
A morte sem quando
Em pesos fadados
Ao farto ou ao nobre
O todo recobre
A parte, o pedaço,
A seca, a aridez,
No quanto tu crês
O medo eu repasso.
33928
Jogando nos cantos
Os olhos do Pai
E quando se esvai
Em totais quebrantos
As ditas dos santos
O quanto se trai
O vento contrai
Matando os encantos
De quem fora farto
E agora reparto
Ou tento, afinal,
Do amor sem limites
Se nele acredites
Negues ritual.
33929
Do joio e do trigo
Mesmo agricultor
Na paz e no amor
O todo persigo,
Mas quando o consigo
O vento a se opor
No libertador
Liberdade sigo,
E sei do medonho
Caminho e me oponho
Ao fardo que herdei,
Perdão se compondo
Ou tanto podando
Falsidade é lei.
33930
Peçonha diversa
Expressa o enfadonho
Caminho onde ponho
Ou mesmo já versa
A velha conversa
O tempo eu componho
E quando proponho
Palavra é dispersa.
Não vejo outro senso
Por isso se eu penso
Renego o demônio,
E tento outra face
Onde não se trace
Total pandemônio...
33931
O Credo pernóstico
Dono da verdade
No quanto degrade
Gerando outro agnóstico
Pudesse um diagnóstico
Desta realidade
Sem medo e sem grade
O amor em acróstico?
Não quero esta cruz
Nem mesmo a tortura
O quanto me cura
O amor se eu compus
Bem mais necessário
O ser libertário...
33932
Templos, vendilhões
Velha realidade
No quanto se agrade
Vender nos portões
De antigos porões
O todo se invade
E assim se degrade
Gerar provisões,
Dos dízimos, ditos
Os olhos proscritos
De quem infinito
Amor distribui,
Mas hoje se pui
Neste povo aflito.
33933
Não quero cegado
O tempo do amor
Nem mesmo compor
Imenso e vão gado
Aonde o negado
Mostrar e propor
E quem não se por
Decerto calado
Que seja no inferno
Neste fogo eterno
Jogado afinal.
Assim a sudário
Gerando outro erário
Velho ritual.
33934
O vinho sanguíneo
O tempo renega
O quanto sossega
Um povo em fascínio
Gerando o domínio
Da mão dura e cega
E nela se apega
Fatal vaticínio.
Demônios, milagres,
No quanto consagres
Verás falsa luz,
Assim o liberto
Também num deserto
Jogado na cruz.
33935
Deste amor que gera
Vida eu também vejo
Morte num desejo
Criando em mim fera
O todo tempera
Além de algum pejo
O tanto que almejo
Volver primavera,
Mas sei necessário
O fim, um corsário
Saqueia e produz
No novo vindouro
Eterno tesouro
Em trevas e em luz.
33936
Se é feito da adaga
O chão que ora piso
O quanto preciso
O preço, esta paga
A fuga da plaga
Noutro paraíso
Viver prejuízo
No amor que se traga
Na fonte ou começo
E quando eu mereço
Ou não salvação,
Servir sem medida
Agora da vida
Mil vidas virão.
33937
Na mão do pastor
A força, o cajado
Cevando este gado
Em fúria e terror,
Invés deste amor
Que é nosso legado
Gerando o pecado
O preço a propor,
O templo em paredes
Não mata tais sedes,
A sede se faz
No quanto acredito
No amor infinito
Em perdão e paz.
33938
Amar e saber
Das mãos do pastor
Aonde em rancor
O gozo e o prazer,
E disto se crer
Na falta de amor,
Falso redentor
Morrendo em se ver
Desnuda esta face
Negando este espelho
Não quero o joelho
Nem mesmo se trace
Na miséria e fome
Que a plebe consome.
33939
Acordos velados
Os olhos não vêm
E quando se aquém
Dos dias vedados
Vendidos pecados
Aos dias de quem
Sabendo do Bem
E nele os traçados
Seguindo infinito
Amor nosso rito
Não mito vulgar,
Não quero esta igreja
Maldita ela seja
De Deus sou o altar.
33940
Menino sagrado
Aos deuses do quanto
E quando me espanto
Revendo o passado
Eu vejo a meu lado
Caríssimo manto
Do pai do quebranto
Gerindo o pecado,
Farsante figura
E nela a amargura
De quem não amando
A mando da glosa
Enquanto assim goza
Gerando o nefando.
33941
Arco iridescente
Aonde se vê
No olhar de quem crê
Na face do crente
O Amor envolvente
Sem tanto por que
Apenas o quê
Do quanto é presente
Sem preço este apreço
Vital recomeço
Etéreo seguir
Sentindo esta face
Perdão que se trace
Liberte o por vir.
33942
No brilho do olhar
De quem no horizonte
Conhece este fonte
Do bem de se amar
Sem nada cobrar
Nem nada desconte
Aonde se aponte
O tanto a tomar
A face composta
De quem em resposta
Entrega-se inteiro
Saber quanto agrade
Viver liberdade
Ao Pai carpinteiro.
33943
Pudesse saber
Do amor e perdão
Nele a redenção
Eterno viver,
Sentindo o prazer
E dele virão
Os dias; verão
Etéreo querer.
Libertária luz
Sem medo e sem cruz,
No templo que um Pai
Gerando em amor,
Criou; Redentor,
E em farsas se esvai.
33944
Eu quero esta fonte
Do Amor, a nascente
Que tanto envolvente
Ao Pai sempre aponte,
E assim se confronte
A face doente
De quem inda tente
Negar esta ponte.
Não quero este deus
Vendido nos breus
E preso na cruz,
Eu quero e persisto
No encanto de um Cristo
Liberto Jesus!
33945
Pedágio cobrado
Por quem se entroniza
E tanto da brisa
Gestando o pecado,
No olhar recobrado
Do amor que matiza
E assim climatiza
Além de um legado,
Velha carpideira
A mão rapineira
De quem gera igreja
Que tanto batalha
Trazendo a navalha
Maldita ela seja!
33946
Não quero o batismo
Nem fogo nem água
Apenas sem mágoa
No quanto inda cismo
Sem ter cataclismo
Aonde deságua
O Amor feito em frágua
Distante do abismo,
Além na Montanha
Assim esta sanha
Que é feita na fé
Rompendo esta algema
Jamais teima e tema
Maldições da Sé.
33947
Um deus constantino
Vendido com juro
Não quero eu te juro
No amor me fascino
E quanto ao destino
Se é ledo ou escuro
Além deste muro
Aonde sem tino
O padre o pastor
O frei a vingança
Na mão que já lança
Nas trevas o Amor
Castrando Jesus,
Jogado na cruz.
33948
Cevando na esquina
Num puteiro ou bar,
Venal lupanar
O amor que fascina,
O Pai me ilumina
Fazendo sonhar
Teimando em cismar
Além desta mina
O quarto, o motel
Dali vejo o Céu
Na paz e no amor,
Nas mãos liberdade
O quanto se brade
Real Redentor!
33949
Não quero o beócio
Nem mesmo o venal
Aonde o carnal
Gere o Sacerdócio
Nem quero este sócio
Vendido afinal
Parto virginal
Sem nada que endosse-o,
Nem quero o Juízo
Do amor impreciso
Castigos e crime,
Eu quero somente
Saber da semente
Que tanto redime.
33950
Peçonha de cobra
Vestida à caráter
A célula mater
Que tanto recobra
E assim vende e cobra
Invés deste frater
Gerado num pater
No qual amor sobra,
E desdobra a face
Aonde se grasse
O preço final,
Nem mesmo consagre
O ausente milagre
Pecado venal.
Se são inúteis versos os que eu faço
Falando dos momentos onde o sonho
Domina a realidade, eu me proponho
A crer ser impossível novo passo
E quando vago em vão ganhando o espaço
Por vezes acredito ser risonho
Aquilo que bem sei ser tão medonho,
Errático cometa eu me desfaço
E tento com palavras conduzir
Meu mundo para um manso e bom porvir,
Embora seja engodo o que eu percebo,
Das tantas heresias, sigo além,
Porém ao pressentir, nada convém
Senão a mesma fantasia em que me embebo.
33902
Das lágrimas comuns a quem deseja
Além do que pudesse dar a vida
E sente a própria sorte sem guarida
Enquanto num instante isto preveja
Ou mesmo noutra face enfim poreja
A dita há tanto tempo sendo urdida
Razões aonde o sonho se invalida
Porquanto uma ilusão atroz e andeja
Vagara em siderais etéreos sóis
E quando nesta ausência de faróis
Revê cada segundo, ainda incauto
Percebo o que pudesse transcender
À própria sincronia de um viver
Aonde a cada passo, um sobressalto...
33903
Regando com as lágrimas a vida
O fardo se divide ou se acumula?
O fato de sonhar desestimula
O passo noutra face, sem saída...
E quando se percebe a imensa gula
E nela toda a sorte sendo urdida,
Galgando cada espaço esta ferida
Imensa nosso sonho beba e engula.
Aguça-se a vontade e nada traz
Senão as variantes onde a paz
Pudesse caminhar tranquilamente,
Mas quando a bala adentra o peito e a calma
Perdida sem sentido rondando a alma
A dor se mostra viva e totalmente.
33904
Jamais imaginara o simples fato
De crer nalguma luz que inda me traga
A fúria desta vida em turva vaga
Ou cale a placidez de algum regato
E quando noutro canto eu não retrato
A bela fantasia que me afaga
Enquanto a solidão moldando a adaga
Penetra simplesmente, eu me destrato
E rasgo cada carta aonde havia
A dúbia persistência da alegria
Pagando com a mesma vã moeda,
E assim ao perceber a inútil luta
Ainda quanto tento já reluta
A sorte que deveras doma e seda.
33905
Viver o amanhã
Aonde pudera
Conter primavera
Ou mesmo malsã
A sorte que espera
Quem tanto venera
E sabe ser vã
A via por onde
O todo se esconde
E aponta o punhal,
Vencer os meus medos
Senti-los mais ledos
E ser triunfal.
33906
Jazigos diversos
Que trago em meu peito
Enquanto me aceito
Ou sigo em dispersos
Caminhos e versos
No fato ou direito
Singrar satisfeito
Dos sonhos regressos,
Palavras e frases
Ocasos e tardes
No quanto retardes
O passo desfazes
E geras o vão
Sem dó nem perdão.
33907
Acossa-me o medo
Do tempo perdido
E quando sentido
Por vezes se eu cedo,
Ausente segredo
Por onde regrido
Ao nada vivido
Ou quanto enveredo
Riscando do mapa
A dita que encapa
Escapa das mãos
Vencido ou calado,
O templo sagrado
Os dias mais vãos.
33908
A brasa e o cigarro,
O tempo, o caminho
E quando avizinho
Ou mesmo me esbarro
Aonde fui barro
O sangue diz vinho,
A cruz e o espinho,
A tosse o catarro,
O peso da vida
A corte negada,
Tentando a escalada
Na sorte cumprida
Em faca, em adaga,
A morte me alaga.
33909
Jorrando, não pára
O tempo que escoa
Uma alma se ecoa
Na fonte, na ampara
No jeito, na cara
A vida é canoa
E tanto se boa
Ou má se declara
A fonte secando
O novo gerando
Do velho puído,
Assim se refaz
O passo tenaz
Diverso tecido.
33910
As mãos calejadas
Os pés em feridas,
Assim estas vidas
Atrozes, caladas
Aonde em estradas
Pudessem urdidas
Ou mesmo em saídas
Em fios de espadas
Num porto inseguro
Se ainda procuro
Não vendo outro tempo,
Resisto e persisto,
Se Cristo ou Mefisto
Igual contratempo.
33911
Resolvo caminho
Diverso daquele
Que tanto revele
O passo daninho
E sendo sozinho
Amar não apele
Nem tanto revele
Fartura em carinho
A ceva sortida
A sorte e a saída
Vital labirinto
E quando outra face
Se mostra ou se trace
Cada sonho extinto.
33912
O medo do fato
O peso no quanto
O verso sem canto
O tempo retrato
No beijo ou num ato
No vaso em que planto
Na trova ou no pranto
Na várzea, no mato,
A vida é peleja
E quando poreja
Saudade ou delírio
Traduz ventania
Ou quanto podia
Mortalha e martírio.
33913
Jardim onde tento
Após o plantio
O vento vazio
Total desalento
Verter pensamento
Enfrentando estio
No verso que eu crio
No tempo me invento
E rastros e passos
Além dos espaços
Sem cais ou bornal,
Vagando em estrelas
Não sei sequer vê-las,
Mas bebo este astral.
33914
Palavra sucinta
O tempo se entranha
Na farpa, na apanha
No quanto se minta,
Ou mesmo na extinta
Palavra em que a sanha
Por vezes assanha
Em outras se pinta,
O passo sem nexo
Face sem reflexo
Espelhos da vida,
A fonte, a nascente,
A morte apresente
Início e saída...
33915
Total contra-senso
O peso e a medida
A sorte sentida
Aonde compenso
O passo se intenso
Mudança de vida
O corte, a ferida,
Mundo tão extenso
E tento ou refaço
O prazo e o compasso
No tanto que possa
A porta se abrindo
O vento seguindo
Minha alma remoça.
33916
Menino levado
O tempo não pára
E quando dispara
Por sonho levado
Refaz o recado
Acerta esta apara
A farpa escancara
No fardo enredado,
Vencer a artimanha
De quem sempre ganha
Não posso ou consigo,
Entrego-me então
Amor temporão?
Imenso perigo...
33917
Negar a promessa
De quem se fez tanto
O peso do encanto
Na dita se expressa,
Ausência confessa
Ou mesmo se eu canto
A morte eu espanto
E o tempo se engessa.
Aumentando o prazo
Percebendo o ocaso
Além do horizonte,
Mas sei da fatal
Estada final
Que aos poucos se aponte.
33918
O vento no rosto
O gesto, o pavio,
O quanto recrio
Ou mesmo é reposto,
Do tanto se oposto
Nada desafio
E tento o rocio
Deitando em recosto
No colo de quem
Audaz logo vem
E traz o que eu quero
Assim ao saber
Do intenso prazer
Atroz, mas sincero.
33919
A velha almofada
A sorte enredando
O peso sem quando
Saber de outro nada,
Versão consagrada
Retrato nefando,
O muro tramando
A queda na escada
Degrau pós degrau
O farto se faz
E o tempo voraz
Além do final
Deseja outro tanto
E foge ao quebranto.
33920
Cercados de mágoas
Os sonhos passados
Os dias tramados
Aonde deságuas
Podendo das águas
Traçar ondas fados
Os gestos, pecados
As noites são fráguas
E o peso da vida
Por onde surgida
Determina o fim,
Do todo ou do farto,
No quanto reparto
Volvendo ao que vim.
33921
Por vezes entulho
Ou noutras montanha
Assim sendo a sanha
Da qual não me orgulho
No farto mergulho
Palavra que assanha
Partida já ganha
Real pedregulho,
Servir ou servido
O quanto é sentido
Ou tanto sentir,
Não pude sincero
Saber se venero
Ou nego o por vir.
33922
Peso do passado
Recados futuros
Por cima dos muros
Assim meu legado
Aonde tramado
Em dias escuros
Ingênuos e puros
O medo, o pecado
O preço e o perdão
Santa Inquisição
Revive no clero
Por isso o castigo
No tanto prossigo
Eu anseio e quero.
33923
Chacais de batina
Em tal sacrilégio
Poder sempre régio
Fatal determina
A morte domina
Imenso colégio
Cevar privilégio
Domando esta mina
E dela se vendo
O quanto não crendo
Na Sé, me liberto
O tempo o destino
Povo libertino?
No imenso deserto...
33924
A falta de sorte
O pântano em mim
Do princípio ao fim
O quanto conforte
Sem tramas, o Norte
O corte, o capim,
Através de mim
A dita diz morte,
O pêndulo, o tempo,
Gerar contratempo
Cobrar o pedágio,
Depois no batismo
Se enfim nego ou cismo
Terrível presságio?
33925
Negar profecias
Gerar virgindades
Rompendo tais grades
Em novas recrias,
Velhas fantasias
Da qual inda brades
No quanto te agrades
Fatais heresias,
Recém empossado
O verso em pecado
O terço, o Juízo,
Enquanto o Cordeiro
Na cruz, verdadeiro
Libertário siso...
33926
Amar o doente
E crer no perdão,
No quanto em senão
A vida desmente,
Assim cada crente
Insana aversão
Sem ter direção,
A morte apresente
Na fome na faca
O passo que empaca
Não deixa seguir
Quem tanto pudera
Sabendo da fera
Sangrando o porvir.
33927
Demônios criados
Juízos negando
O mundo nefando
Além dos pecados,
Ouvir os recados
O tempo cevando
A morte sem quando
Em pesos fadados
Ao farto ou ao nobre
O todo recobre
A parte, o pedaço,
A seca, a aridez,
No quanto tu crês
O medo eu repasso.
33928
Jogando nos cantos
Os olhos do Pai
E quando se esvai
Em totais quebrantos
As ditas dos santos
O quanto se trai
O vento contrai
Matando os encantos
De quem fora farto
E agora reparto
Ou tento, afinal,
Do amor sem limites
Se nele acredites
Negues ritual.
33929
Do joio e do trigo
Mesmo agricultor
Na paz e no amor
O todo persigo,
Mas quando o consigo
O vento a se opor
No libertador
Liberdade sigo,
E sei do medonho
Caminho e me oponho
Ao fardo que herdei,
Perdão se compondo
Ou tanto podando
Falsidade é lei.
33930
Peçonha diversa
Expressa o enfadonho
Caminho onde ponho
Ou mesmo já versa
A velha conversa
O tempo eu componho
E quando proponho
Palavra é dispersa.
Não vejo outro senso
Por isso se eu penso
Renego o demônio,
E tento outra face
Onde não se trace
Total pandemônio...
33931
O Credo pernóstico
Dono da verdade
No quanto degrade
Gerando outro agnóstico
Pudesse um diagnóstico
Desta realidade
Sem medo e sem grade
O amor em acróstico?
Não quero esta cruz
Nem mesmo a tortura
O quanto me cura
O amor se eu compus
Bem mais necessário
O ser libertário...
33932
Templos, vendilhões
Velha realidade
No quanto se agrade
Vender nos portões
De antigos porões
O todo se invade
E assim se degrade
Gerar provisões,
Dos dízimos, ditos
Os olhos proscritos
De quem infinito
Amor distribui,
Mas hoje se pui
Neste povo aflito.
33933
Não quero cegado
O tempo do amor
Nem mesmo compor
Imenso e vão gado
Aonde o negado
Mostrar e propor
E quem não se por
Decerto calado
Que seja no inferno
Neste fogo eterno
Jogado afinal.
Assim a sudário
Gerando outro erário
Velho ritual.
33934
O vinho sanguíneo
O tempo renega
O quanto sossega
Um povo em fascínio
Gerando o domínio
Da mão dura e cega
E nela se apega
Fatal vaticínio.
Demônios, milagres,
No quanto consagres
Verás falsa luz,
Assim o liberto
Também num deserto
Jogado na cruz.
33935
Deste amor que gera
Vida eu também vejo
Morte num desejo
Criando em mim fera
O todo tempera
Além de algum pejo
O tanto que almejo
Volver primavera,
Mas sei necessário
O fim, um corsário
Saqueia e produz
No novo vindouro
Eterno tesouro
Em trevas e em luz.
33936
Se é feito da adaga
O chão que ora piso
O quanto preciso
O preço, esta paga
A fuga da plaga
Noutro paraíso
Viver prejuízo
No amor que se traga
Na fonte ou começo
E quando eu mereço
Ou não salvação,
Servir sem medida
Agora da vida
Mil vidas virão.
33937
Na mão do pastor
A força, o cajado
Cevando este gado
Em fúria e terror,
Invés deste amor
Que é nosso legado
Gerando o pecado
O preço a propor,
O templo em paredes
Não mata tais sedes,
A sede se faz
No quanto acredito
No amor infinito
Em perdão e paz.
33938
Amar e saber
Das mãos do pastor
Aonde em rancor
O gozo e o prazer,
E disto se crer
Na falta de amor,
Falso redentor
Morrendo em se ver
Desnuda esta face
Negando este espelho
Não quero o joelho
Nem mesmo se trace
Na miséria e fome
Que a plebe consome.
33939
Acordos velados
Os olhos não vêm
E quando se aquém
Dos dias vedados
Vendidos pecados
Aos dias de quem
Sabendo do Bem
E nele os traçados
Seguindo infinito
Amor nosso rito
Não mito vulgar,
Não quero esta igreja
Maldita ela seja
De Deus sou o altar.
33940
Menino sagrado
Aos deuses do quanto
E quando me espanto
Revendo o passado
Eu vejo a meu lado
Caríssimo manto
Do pai do quebranto
Gerindo o pecado,
Farsante figura
E nela a amargura
De quem não amando
A mando da glosa
Enquanto assim goza
Gerando o nefando.
33941
Arco iridescente
Aonde se vê
No olhar de quem crê
Na face do crente
O Amor envolvente
Sem tanto por que
Apenas o quê
Do quanto é presente
Sem preço este apreço
Vital recomeço
Etéreo seguir
Sentindo esta face
Perdão que se trace
Liberte o por vir.
33942
No brilho do olhar
De quem no horizonte
Conhece este fonte
Do bem de se amar
Sem nada cobrar
Nem nada desconte
Aonde se aponte
O tanto a tomar
A face composta
De quem em resposta
Entrega-se inteiro
Saber quanto agrade
Viver liberdade
Ao Pai carpinteiro.
33943
Pudesse saber
Do amor e perdão
Nele a redenção
Eterno viver,
Sentindo o prazer
E dele virão
Os dias; verão
Etéreo querer.
Libertária luz
Sem medo e sem cruz,
No templo que um Pai
Gerando em amor,
Criou; Redentor,
E em farsas se esvai.
33944
Eu quero esta fonte
Do Amor, a nascente
Que tanto envolvente
Ao Pai sempre aponte,
E assim se confronte
A face doente
De quem inda tente
Negar esta ponte.
Não quero este deus
Vendido nos breus
E preso na cruz,
Eu quero e persisto
No encanto de um Cristo
Liberto Jesus!
33945
Pedágio cobrado
Por quem se entroniza
E tanto da brisa
Gestando o pecado,
No olhar recobrado
Do amor que matiza
E assim climatiza
Além de um legado,
Velha carpideira
A mão rapineira
De quem gera igreja
Que tanto batalha
Trazendo a navalha
Maldita ela seja!
33946
Não quero o batismo
Nem fogo nem água
Apenas sem mágoa
No quanto inda cismo
Sem ter cataclismo
Aonde deságua
O Amor feito em frágua
Distante do abismo,
Além na Montanha
Assim esta sanha
Que é feita na fé
Rompendo esta algema
Jamais teima e tema
Maldições da Sé.
33947
Um deus constantino
Vendido com juro
Não quero eu te juro
No amor me fascino
E quanto ao destino
Se é ledo ou escuro
Além deste muro
Aonde sem tino
O padre o pastor
O frei a vingança
Na mão que já lança
Nas trevas o Amor
Castrando Jesus,
Jogado na cruz.
33948
Cevando na esquina
Num puteiro ou bar,
Venal lupanar
O amor que fascina,
O Pai me ilumina
Fazendo sonhar
Teimando em cismar
Além desta mina
O quarto, o motel
Dali vejo o Céu
Na paz e no amor,
Nas mãos liberdade
O quanto se brade
Real Redentor!
33949
Não quero o beócio
Nem mesmo o venal
Aonde o carnal
Gere o Sacerdócio
Nem quero este sócio
Vendido afinal
Parto virginal
Sem nada que endosse-o,
Nem quero o Juízo
Do amor impreciso
Castigos e crime,
Eu quero somente
Saber da semente
Que tanto redime.
33950
Peçonha de cobra
Vestida à caráter
A célula mater
Que tanto recobra
E assim vende e cobra
Invés deste frater
Gerado num pater
No qual amor sobra,
E desdobra a face
Aonde se grasse
O preço final,
Nem mesmo consagre
O ausente milagre
Pecado venal.
domingo, 23 de maio de 2010
33851 até 33900
33851
Momentos discordantes
Vivências tão diversas
E quando ainda versas
Conforme se fez antes
Olhos deslumbrantes
Noites mais dispersas
Entre tons, conversas
Dias fascinantes,
Busco alguma luz
Nada reproduz
O quanto nunca pude
Ausente de mim,
Vou chegando ao fim,
Morta a juventude.
33852
Frutos generosos
Sonhos mais audazes
Quando ainda trazes
Ritos risos gozos
Tempos majestosos,
Dias mais mordazes
Vida feita em fases,
Termos caprichosos,
Ganho ou perco o jogo
Penso em prece e rogo
Nada mais valia,
Morte adentra à bala
O silêncio fala
Turva sincronia.
33853
Vulgares ternuras
Medos inconstantes
Olhos degradantes
Inúteis procuras
E quando torturas
Logo te adiantes
Mudas por instantes
Tramitas loucuras,
Sendo assim a vida
Entre pó poeira
Sorte aventureira
Rota distraída,
Nada mais se queira
Leda despedida...
33854
Com seus pés morenos
Dias noites tardes
Quanto mais retardes
Outros sonhos plenos
Diversos venenos
Inda quando aguardes
Noutro tanto guardes
Olhos mais amenos,
Bebo a tempestade
E se tanto agrade
Vomito este pus
Onde tantas vezes
Sonho dita reses
Sonegando a luz.
33855
Tenta em elegância
Passo mais audaz,
O que tanto faz
Não diz discrepância
Busco alguma estância
E se tento a paz,
Nada satisfaz
Nem a nova instância
Gero o que não quero
Mergulho sincero
Noutra tempestade,
Beijo a morte em vida,
E sem ter saída
O terror me invade.
33856
Entre as tais beldades
Luas mortas vejo
E sequer desejo
Novas claridades
Onde as liberdades
Verso mais sobejo
Tento outro lampejo
Mesmo que tu brades,
Grades são constantes
E se permanentes
Quanto mais tu sentes,
Maiores levantes,
Rendo-me ao não ser,
Mato algum querer.
33857
Outros frutos puros
Feitos dos meus dias
Onde merecias
Sem sequer apuros,
Cortes bem mais duros,
Mas as heresias
Entre as ventanias
Cobram altos juros,
Lembro cada fato
E se eu me retrato
Mera circunstância
Corte na raiz
Onde fui feliz
Viva discordância...
33858
Virgens paraísos
Olhos indiscretos
Poemas concretos
Ausentes juízos
Riscos, prejuízos
Contos prediletos
São diversos vetos
Mas poucos os sisos,
Entre cataclismo,
Quando tento e cismo
Abismos gerados,
Dias novos quando
Outro transbordando
Mortos os legados.
33859
Carne que macia
Atrai predadores
Onde houvera flores,
Farta fantasia
Nada mais havia,
E se ainda fores
Não verás as cores,
Ausente utopia.
Tento nova chance
E quando se lance
Noutro fato a vida
Resto sem ninguém
O que me contém
Deveras acida.
33860
Ledas mordeduras
Fera incontrolável
Onde achara amável
Noites vãs e escuras,
E quando não curas,
Tempo inadiável
Noutro tanto arável
Fartas amarguras.
Sendo a vida assim,
Vasculhando em mim
Restos do que um dia
Pude acreditar
Mas sem ter luar,
Onde há poesia?
33861
Vencer o pecado
E crer no futuro
Se tanto procuro
O bem sonegado
Ouvindo o recado
Andando no escuro
Porquanto inda juro
Não ter escutado,
Resumo-me ao fato
De ter mais ingrato
O rumo que tento
Assim sem destino
O quanto o menino
Buscara um provento.
33862
Jogado nas ruas
Entregue às rapinas
Corpos de meninas
Bonitas e nuas
Aonde cultuas
As dores fascinas
Também exterminas
As carnes mais cruas
Recebo em desdém
O quanto convém
A quem mais pudesse
Sentir a promessa
No corpo tropeça
Rezando uma prece.
33863
Jorrando sem medo
Olhando pro nada
Aonde esta estada
Por vezes concedo
E assim se procedo
Buscando esta alçada
Por tanto tocada
Ausente segredo,
Resumo o meu fardo
Enquanto resguardo
Meu mundo no vão
Entrego-me ao tanto
E quando me espanto
Esqueço o verão.
33864
Rasgando o meu terno
O mundo outro rumo
E quanto resumo
Da vida em inferno
Queria e em hiberno
No quanto eu assumo
E teimo e consumo
Na ausência do eterno,
O corte mais fundo
Do nada me inundo
E bebo o vazio,
Por ter sobre mim
O peso do fim,
O dia eu desfio.
33865
Nas mãos o cajado
No olhar o horizonte
O quanto se aponte
A cor do pecado,
O risco marcado
O tempo defronte
A vida sem ponte
O corpo velado,
A morte não trama
Além do que é chama
E clama por isto,
No tempo mais duro
O chão que procuro,
Aonde eu desisto.
33866
No peito o carrasco
Nas mãos a promessa
O tempo professa
Arrebata o casco,
O vento o teu asco
A sorte confessa
E nada se expressa
Temendo o fiasco,
O peso da vida
A sorte sentida
Sentidos; confisco
E tento outra sina
No quanto destina
A vida, este risco.
33867
Cevara o vazio
E tento outra sorte
No quanto fui forte
No quanto sou frio,
Morrendo este rio
Sem ter mais aporte,
Na dor que conforte
No meu desvario,
Resumo este pouco
E quando treslouco
Encontro a saída,
Assim sem paragem,
A vida é viagem
Há tanto perdida...
33868
Lavando os teus pés
Olhando este solo,
A vida sem dolo,
Razão sem galés
Os dias viés
O quanto me assolo
Na ausência de colo,
Buscara outras fés,
A roda do tempo
Vital contratempo
Não pára sequer
E tento outro rumo
Porém já me esfumo
Se nada vier.
33869
Ourives do sonho
Palavras cultivo
E quando inda vivo
O passo reponho
Se tanto é medonho
Do quanto me privo
Encanto cativo
E nada proponho,
Assumo meu erro
Bebendo o desterro
O tiro, o penhasco,
O amor maltrapilho
Estrelas que trilho
Buscando o carrasco.
33870
A vida é clichê
E nela acredito
Além do finito
Quem sabe o por que,
Mas quando se vê
O quanto é bonito
O mundo em que omito
Negando um cadê
Resisto o que possa,
A vida diz troça
Destroça a verdade
E o cume do monte,
No quanto desponte
Nega a claridade...
33871
Riscado do mapa
O corpo celeste
Enquanto reveste
Com dor esta capa
O medo me encapa
E tudo se investe
No quanto é agreste
Ou quando se escapa
Das mãos do poeta
A vida completa
Ou mesmo um pedaço
Se tanto queria
Viver fantasia,
Caminho desfaço.
33872
No tempo ou no vento
No riso ou na praga,
A morte me afaga
Ditando o momento
Se quando me alento
Cultivo esta chaga
Vagando outra plaga
Permaneço atento
O pranto o sossego,
A falta de apego
O corte profundo,
Galgando o infinito
O quanto não grito
De dores me inundo.
33873
Dos braços em teia
Do tempo em pedaços
Os olhos tão baços
A vida incendeia
A sorte se alheia
Os dias são traços
E neles regaços
O quanto se anseia
A mão sobre mim,
O vento, o jardim,
A seca, aridez,
Jogado num canto
No verso que canto
Meu mundo não vês.
33874
A pesca e o anzol,
O rito o ciúme,
A sorte o costume
O medo arrebol,
À sede de sol
Que tanto acostume
Ou mesmo se aprume
Viver sempre em prol
Do todo ou do nada
A sorte moldada
Nas ânsias da vida,
E assim percebendo
O tempo morrendo
Curada a ferida.
33875
Dos tantos jargões
Adágios diversos
Também os meus versos
Encontram razões
Em tantos senões
Caminhos perversos
Nos olhos imersos
Nos velhos porões,
Portões já fechados
Destinos negados
Ausência de paz,
A morte é saída
E tanto pedida,
Que nunca se faz.
33876
O quanto pudera
Saber de outro dia
Aonde se urdia
A sorte, esta fera
Se o medo me gera
Também me irradia
Fatal utopia
Não posso e tempera
Sangria se estanca
E quando me espanca
A vida me ensina,
Percorro o vazio
E tanto desfio
Corcel perde a crina.
33877
No preço a pagar
No riso alegado
O tempo traçado
Sem nunca chegar,
A lua a vagar
O olhar desprezado,
O vento, o recado
O vento solar,
A carne se expõe
O tempo compõe
E nada refaz
Se eu mais inda quis
Gerei cicatriz
Terrível, mordaz.
33878
Ouvindo esta voz
Distante de mim,
O cheiro, o capim,
O passo veloz,
O quanto este algoz
Bebera sem fim
O mundo em que vim
Sem rio e sem foz,
Acasos e ocasos
Em dias sem prazos
Em ritos vulgares,
Por tanto não vês
Quanta insensatez
Aonde tocares.
33879
Dos velhos umbrais
O vento batendo
O sonho estupendo
Dizendo jamais
Os sóis e os varais
O medo se erguendo
Passado movendo
Tomando os quintais,
Assim não resisto
E quando persisto
Encontro o meu eco
No peso, no fardo
O passo retardo
E assim amo e peco.
33880
Pegadas no chão
São rastros do quando
O tempo mudando
Traçando o verão,
Em nova ilusão
O mesmo se dando,
O mundo negando
Qualquer solução,
Quisera talvez
O quanto não crês
Nem mesmo pudera
Mas sei do que tanto
Gerasse este pranto,
Morta a primavera.
33881
Aos sonhos se brinda
Na noite medonha
E quando se sonha
Porquanto se finda
O tempo deslinda
A morte proponha
Aonde se exponha
Deveras, ainda
A face da sorte
E quando comporte
Etéreos momentos
Ascendo ao celeste
Porquanto vieste
Trazendo teus ventos.
33882
Chamadas ao léu
O corte a semente
O todo pressente
Qual um carrossel
Tocando o meu céu
No todo ou no ausente
Amor se freqüente
É sede de fel,
O gesto, o progresso
O novo regresso
Começo do fim,
O tempo se trama
Na fúria da chama
Que acende o estopim.
33883
Não choro se a vida
Percorre outro tanto
E quando me encanto
Encontro a saída
Se tanto perdida
Ou mesmo entretanto
No parto no espanto
Nas ânsias urdida
Peçonha diversa
Ao nada se versa
E gera o vazio,
Assim também sou
Se nada restou
Também me recrio.
33884
Palavras e vento
Senzalas e medo
O tanto concedo
E beijo o provento
Enquanto me invento
Traçando outro enredo
Vedado segredo
O nada eu fomento,
Atento ao que fora
Vital sonhadora
Palavra sem nexo,
Do quarto vazio
Aonde me espio,
Ali, meu reflexo.
33885
Um gesto um sinal
O corpo se esvai
E quando se trai
A sorte final,
Ausente degrau
O sonho já cai
E o nervo contrai
Caminho abissal,
Navego sem rumo,
E tanto me esfumo
Enquanto me faço,
Do todo que um dia
Pensara seria
Não resta um pedaço.
33886
Janelas do peito
Abertas a quem
Bebendo este bem
Mesmo contrafeito
Derrotas aceito
E tento o que vem,
O quanto contém
Diverso do pleito
Não posso sentir
A luz de um porvir
Se a morte me ronda,
Quem dera voltasse
Negasse este impasse
A vida sendo onda.
33887
Meu verso se faz
No tempo passado
O sonho acabado
Ausência de paz,
O quanto é capaz
De ter sempre errado
O rumo negado
O vento mordaz,
Alheio à promessa
O medo confessa
E o jeito é tentar
Embora distante
Um mundo, um instante
Num outro lugar.
33888
O quanto não peço
Nem possa pensar
No tempo a passar
Meu erro confesso
E se nada meço
Nem pude contar
Estrela e luar
Distante sucesso,
Vagando entre estrelas
Pudesse contê-las
Quem sabe teria
A noite mais clara,
Porém se declara
Ausente e sombria...
33889
Escrevo o que sinto
Ou mais se tentasse
Vencer noutra face
O medo, este instinto
Pensara que extinto
Mas sempre inda grasse
Jamais se negasse
Por isso é que minto,
Ou digo a verdade
Ou mergulho em vão
O tempo o senão,
A morte, esta grade
Consagro este cerco
Enquanto me perco.
33890
Preciso este passo
Num rumo qualquer
Não sei se vier
O quanto desfaço
Ou mesmo se traço
Um gozo sequer,
Pudesse o que quer
Mas sei do cansaço,
A voz se calando
O tempo negando
O quanto viria,
O jeito é tentar
Mesmo devagar
Vencer outro dia.
33891
Quisera ser sonho
O quanto perdi
E vendo daqui
O quadro bisonho
Se o todo reponho
Disperso senti
Olhar posto em ti,
Por vezes tristonho.
Quanta luminária
Na vida corsária
O saque, o final,
Assim rapineira
Aos poucos se esgueira
Só resta um degrau...
33892
Cevando o vazio
O quanto se colhe
O amor se recolhe
Num tempo sombrio,
O vento me escolhe
Também desafio
E quando o recrio
Em dilúvio molhe
O passo diz lama
O traço se trama
O drama não traz
Sequer fantasia
Mergulho a utopia
Procurando a paz.
33893
A morte me espera
E bebe o futuro
Do quanto procuro
A dor, a quimera
No fundo tempera
O tempo mais duro,
Encontrando o muro
Saltando esta fera
Terrível sangria
O mundo se erguia
Do fim ao começo,
Amor diz do nada
Muda de calçada,
Um mero adereço.
33894
Serena-me o peito
O fim que se vê
O nada o por que
O corte se aceito
E quando me deito
Casas de sapê
Amor nada crê
Apenas enjeito,
Revivo o passado
A chaga o pecado
Recado do fim,
A farpa penetra
A noite discreta
Não há nada em mim...
33895
Alheio ao caminho
Esbarro no quando
O mundo negando
Seguindo sozinho,
O tempo, o carinho,
O risco nefando
A vida pesando
Sonho passarinho,
Sem eira nem beira
A sorte estradeira
Vagando sem rumo,
Enquanto me busco
No solo mais brusco
Assim eu me esfumo...
33896
Aporto no cais
Distante do sonho
No quanto me enfronho
Já sei nunca mais,
Outrora demais
Agora bisonho,
O fardo medonho
Dias magistrais
Olhares distantes
Sutis diamantes
Instantes de dor,
O carma, o pecado,
A sanha e o recado,
E nada a compor.
33897
Lavando em segredo
O peso da vida
No quanto é sofrida
Temor e degredo
Vivendo procedo
E tento a saída
E quando surgida
Eu vejo e concedo
Algum manso alento
E quanto mais tento
Perdido me encontro,
A sorte não nega
O vento carrega
Fatal desencontro.
33898
Cerzindo esta face
Em tramas discretas
Palavras concretas
Conduzem o impasse
E quanto mais passe
Além destas metas,
As vozes depletas
E nada se trace,
Resisto o que posso,
O mundo se é nosso
Também o perdi,
O que me restara
O corte, outra escara,
Encontrei em ti.
33899
Escuto esta voz
Do tempo que escorre
A vida de porre
O medo se atroz
Assim corto os nós
E nada socorre
Quem tanto hoje morre
Na sorte sem foz,
Ouvindo o vazio
Ainda recrio
O mundo em segredo,
Mas sei do futuro
O passo no escuro
Num rumo tão ledo.
33900
Após o vazio
O quanto virá?
O sol brilhará
Em tempo sombrio?
Fatal desvario
Eu sei desde já
E tudo trará
A ausência de rio,
A morte na curva
A visão tão turva
O beijo do espinho,
Legado que deixo,
Porém não me queixo
Não morro sozinho...
Momentos discordantes
Vivências tão diversas
E quando ainda versas
Conforme se fez antes
Olhos deslumbrantes
Noites mais dispersas
Entre tons, conversas
Dias fascinantes,
Busco alguma luz
Nada reproduz
O quanto nunca pude
Ausente de mim,
Vou chegando ao fim,
Morta a juventude.
33852
Frutos generosos
Sonhos mais audazes
Quando ainda trazes
Ritos risos gozos
Tempos majestosos,
Dias mais mordazes
Vida feita em fases,
Termos caprichosos,
Ganho ou perco o jogo
Penso em prece e rogo
Nada mais valia,
Morte adentra à bala
O silêncio fala
Turva sincronia.
33853
Vulgares ternuras
Medos inconstantes
Olhos degradantes
Inúteis procuras
E quando torturas
Logo te adiantes
Mudas por instantes
Tramitas loucuras,
Sendo assim a vida
Entre pó poeira
Sorte aventureira
Rota distraída,
Nada mais se queira
Leda despedida...
33854
Com seus pés morenos
Dias noites tardes
Quanto mais retardes
Outros sonhos plenos
Diversos venenos
Inda quando aguardes
Noutro tanto guardes
Olhos mais amenos,
Bebo a tempestade
E se tanto agrade
Vomito este pus
Onde tantas vezes
Sonho dita reses
Sonegando a luz.
33855
Tenta em elegância
Passo mais audaz,
O que tanto faz
Não diz discrepância
Busco alguma estância
E se tento a paz,
Nada satisfaz
Nem a nova instância
Gero o que não quero
Mergulho sincero
Noutra tempestade,
Beijo a morte em vida,
E sem ter saída
O terror me invade.
33856
Entre as tais beldades
Luas mortas vejo
E sequer desejo
Novas claridades
Onde as liberdades
Verso mais sobejo
Tento outro lampejo
Mesmo que tu brades,
Grades são constantes
E se permanentes
Quanto mais tu sentes,
Maiores levantes,
Rendo-me ao não ser,
Mato algum querer.
33857
Outros frutos puros
Feitos dos meus dias
Onde merecias
Sem sequer apuros,
Cortes bem mais duros,
Mas as heresias
Entre as ventanias
Cobram altos juros,
Lembro cada fato
E se eu me retrato
Mera circunstância
Corte na raiz
Onde fui feliz
Viva discordância...
33858
Virgens paraísos
Olhos indiscretos
Poemas concretos
Ausentes juízos
Riscos, prejuízos
Contos prediletos
São diversos vetos
Mas poucos os sisos,
Entre cataclismo,
Quando tento e cismo
Abismos gerados,
Dias novos quando
Outro transbordando
Mortos os legados.
33859
Carne que macia
Atrai predadores
Onde houvera flores,
Farta fantasia
Nada mais havia,
E se ainda fores
Não verás as cores,
Ausente utopia.
Tento nova chance
E quando se lance
Noutro fato a vida
Resto sem ninguém
O que me contém
Deveras acida.
33860
Ledas mordeduras
Fera incontrolável
Onde achara amável
Noites vãs e escuras,
E quando não curas,
Tempo inadiável
Noutro tanto arável
Fartas amarguras.
Sendo a vida assim,
Vasculhando em mim
Restos do que um dia
Pude acreditar
Mas sem ter luar,
Onde há poesia?
33861
Vencer o pecado
E crer no futuro
Se tanto procuro
O bem sonegado
Ouvindo o recado
Andando no escuro
Porquanto inda juro
Não ter escutado,
Resumo-me ao fato
De ter mais ingrato
O rumo que tento
Assim sem destino
O quanto o menino
Buscara um provento.
33862
Jogado nas ruas
Entregue às rapinas
Corpos de meninas
Bonitas e nuas
Aonde cultuas
As dores fascinas
Também exterminas
As carnes mais cruas
Recebo em desdém
O quanto convém
A quem mais pudesse
Sentir a promessa
No corpo tropeça
Rezando uma prece.
33863
Jorrando sem medo
Olhando pro nada
Aonde esta estada
Por vezes concedo
E assim se procedo
Buscando esta alçada
Por tanto tocada
Ausente segredo,
Resumo o meu fardo
Enquanto resguardo
Meu mundo no vão
Entrego-me ao tanto
E quando me espanto
Esqueço o verão.
33864
Rasgando o meu terno
O mundo outro rumo
E quanto resumo
Da vida em inferno
Queria e em hiberno
No quanto eu assumo
E teimo e consumo
Na ausência do eterno,
O corte mais fundo
Do nada me inundo
E bebo o vazio,
Por ter sobre mim
O peso do fim,
O dia eu desfio.
33865
Nas mãos o cajado
No olhar o horizonte
O quanto se aponte
A cor do pecado,
O risco marcado
O tempo defronte
A vida sem ponte
O corpo velado,
A morte não trama
Além do que é chama
E clama por isto,
No tempo mais duro
O chão que procuro,
Aonde eu desisto.
33866
No peito o carrasco
Nas mãos a promessa
O tempo professa
Arrebata o casco,
O vento o teu asco
A sorte confessa
E nada se expressa
Temendo o fiasco,
O peso da vida
A sorte sentida
Sentidos; confisco
E tento outra sina
No quanto destina
A vida, este risco.
33867
Cevara o vazio
E tento outra sorte
No quanto fui forte
No quanto sou frio,
Morrendo este rio
Sem ter mais aporte,
Na dor que conforte
No meu desvario,
Resumo este pouco
E quando treslouco
Encontro a saída,
Assim sem paragem,
A vida é viagem
Há tanto perdida...
33868
Lavando os teus pés
Olhando este solo,
A vida sem dolo,
Razão sem galés
Os dias viés
O quanto me assolo
Na ausência de colo,
Buscara outras fés,
A roda do tempo
Vital contratempo
Não pára sequer
E tento outro rumo
Porém já me esfumo
Se nada vier.
33869
Ourives do sonho
Palavras cultivo
E quando inda vivo
O passo reponho
Se tanto é medonho
Do quanto me privo
Encanto cativo
E nada proponho,
Assumo meu erro
Bebendo o desterro
O tiro, o penhasco,
O amor maltrapilho
Estrelas que trilho
Buscando o carrasco.
33870
A vida é clichê
E nela acredito
Além do finito
Quem sabe o por que,
Mas quando se vê
O quanto é bonito
O mundo em que omito
Negando um cadê
Resisto o que possa,
A vida diz troça
Destroça a verdade
E o cume do monte,
No quanto desponte
Nega a claridade...
33871
Riscado do mapa
O corpo celeste
Enquanto reveste
Com dor esta capa
O medo me encapa
E tudo se investe
No quanto é agreste
Ou quando se escapa
Das mãos do poeta
A vida completa
Ou mesmo um pedaço
Se tanto queria
Viver fantasia,
Caminho desfaço.
33872
No tempo ou no vento
No riso ou na praga,
A morte me afaga
Ditando o momento
Se quando me alento
Cultivo esta chaga
Vagando outra plaga
Permaneço atento
O pranto o sossego,
A falta de apego
O corte profundo,
Galgando o infinito
O quanto não grito
De dores me inundo.
33873
Dos braços em teia
Do tempo em pedaços
Os olhos tão baços
A vida incendeia
A sorte se alheia
Os dias são traços
E neles regaços
O quanto se anseia
A mão sobre mim,
O vento, o jardim,
A seca, aridez,
Jogado num canto
No verso que canto
Meu mundo não vês.
33874
A pesca e o anzol,
O rito o ciúme,
A sorte o costume
O medo arrebol,
À sede de sol
Que tanto acostume
Ou mesmo se aprume
Viver sempre em prol
Do todo ou do nada
A sorte moldada
Nas ânsias da vida,
E assim percebendo
O tempo morrendo
Curada a ferida.
33875
Dos tantos jargões
Adágios diversos
Também os meus versos
Encontram razões
Em tantos senões
Caminhos perversos
Nos olhos imersos
Nos velhos porões,
Portões já fechados
Destinos negados
Ausência de paz,
A morte é saída
E tanto pedida,
Que nunca se faz.
33876
O quanto pudera
Saber de outro dia
Aonde se urdia
A sorte, esta fera
Se o medo me gera
Também me irradia
Fatal utopia
Não posso e tempera
Sangria se estanca
E quando me espanca
A vida me ensina,
Percorro o vazio
E tanto desfio
Corcel perde a crina.
33877
No preço a pagar
No riso alegado
O tempo traçado
Sem nunca chegar,
A lua a vagar
O olhar desprezado,
O vento, o recado
O vento solar,
A carne se expõe
O tempo compõe
E nada refaz
Se eu mais inda quis
Gerei cicatriz
Terrível, mordaz.
33878
Ouvindo esta voz
Distante de mim,
O cheiro, o capim,
O passo veloz,
O quanto este algoz
Bebera sem fim
O mundo em que vim
Sem rio e sem foz,
Acasos e ocasos
Em dias sem prazos
Em ritos vulgares,
Por tanto não vês
Quanta insensatez
Aonde tocares.
33879
Dos velhos umbrais
O vento batendo
O sonho estupendo
Dizendo jamais
Os sóis e os varais
O medo se erguendo
Passado movendo
Tomando os quintais,
Assim não resisto
E quando persisto
Encontro o meu eco
No peso, no fardo
O passo retardo
E assim amo e peco.
33880
Pegadas no chão
São rastros do quando
O tempo mudando
Traçando o verão,
Em nova ilusão
O mesmo se dando,
O mundo negando
Qualquer solução,
Quisera talvez
O quanto não crês
Nem mesmo pudera
Mas sei do que tanto
Gerasse este pranto,
Morta a primavera.
33881
Aos sonhos se brinda
Na noite medonha
E quando se sonha
Porquanto se finda
O tempo deslinda
A morte proponha
Aonde se exponha
Deveras, ainda
A face da sorte
E quando comporte
Etéreos momentos
Ascendo ao celeste
Porquanto vieste
Trazendo teus ventos.
33882
Chamadas ao léu
O corte a semente
O todo pressente
Qual um carrossel
Tocando o meu céu
No todo ou no ausente
Amor se freqüente
É sede de fel,
O gesto, o progresso
O novo regresso
Começo do fim,
O tempo se trama
Na fúria da chama
Que acende o estopim.
33883
Não choro se a vida
Percorre outro tanto
E quando me encanto
Encontro a saída
Se tanto perdida
Ou mesmo entretanto
No parto no espanto
Nas ânsias urdida
Peçonha diversa
Ao nada se versa
E gera o vazio,
Assim também sou
Se nada restou
Também me recrio.
33884
Palavras e vento
Senzalas e medo
O tanto concedo
E beijo o provento
Enquanto me invento
Traçando outro enredo
Vedado segredo
O nada eu fomento,
Atento ao que fora
Vital sonhadora
Palavra sem nexo,
Do quarto vazio
Aonde me espio,
Ali, meu reflexo.
33885
Um gesto um sinal
O corpo se esvai
E quando se trai
A sorte final,
Ausente degrau
O sonho já cai
E o nervo contrai
Caminho abissal,
Navego sem rumo,
E tanto me esfumo
Enquanto me faço,
Do todo que um dia
Pensara seria
Não resta um pedaço.
33886
Janelas do peito
Abertas a quem
Bebendo este bem
Mesmo contrafeito
Derrotas aceito
E tento o que vem,
O quanto contém
Diverso do pleito
Não posso sentir
A luz de um porvir
Se a morte me ronda,
Quem dera voltasse
Negasse este impasse
A vida sendo onda.
33887
Meu verso se faz
No tempo passado
O sonho acabado
Ausência de paz,
O quanto é capaz
De ter sempre errado
O rumo negado
O vento mordaz,
Alheio à promessa
O medo confessa
E o jeito é tentar
Embora distante
Um mundo, um instante
Num outro lugar.
33888
O quanto não peço
Nem possa pensar
No tempo a passar
Meu erro confesso
E se nada meço
Nem pude contar
Estrela e luar
Distante sucesso,
Vagando entre estrelas
Pudesse contê-las
Quem sabe teria
A noite mais clara,
Porém se declara
Ausente e sombria...
33889
Escrevo o que sinto
Ou mais se tentasse
Vencer noutra face
O medo, este instinto
Pensara que extinto
Mas sempre inda grasse
Jamais se negasse
Por isso é que minto,
Ou digo a verdade
Ou mergulho em vão
O tempo o senão,
A morte, esta grade
Consagro este cerco
Enquanto me perco.
33890
Preciso este passo
Num rumo qualquer
Não sei se vier
O quanto desfaço
Ou mesmo se traço
Um gozo sequer,
Pudesse o que quer
Mas sei do cansaço,
A voz se calando
O tempo negando
O quanto viria,
O jeito é tentar
Mesmo devagar
Vencer outro dia.
33891
Quisera ser sonho
O quanto perdi
E vendo daqui
O quadro bisonho
Se o todo reponho
Disperso senti
Olhar posto em ti,
Por vezes tristonho.
Quanta luminária
Na vida corsária
O saque, o final,
Assim rapineira
Aos poucos se esgueira
Só resta um degrau...
33892
Cevando o vazio
O quanto se colhe
O amor se recolhe
Num tempo sombrio,
O vento me escolhe
Também desafio
E quando o recrio
Em dilúvio molhe
O passo diz lama
O traço se trama
O drama não traz
Sequer fantasia
Mergulho a utopia
Procurando a paz.
33893
A morte me espera
E bebe o futuro
Do quanto procuro
A dor, a quimera
No fundo tempera
O tempo mais duro,
Encontrando o muro
Saltando esta fera
Terrível sangria
O mundo se erguia
Do fim ao começo,
Amor diz do nada
Muda de calçada,
Um mero adereço.
33894
Serena-me o peito
O fim que se vê
O nada o por que
O corte se aceito
E quando me deito
Casas de sapê
Amor nada crê
Apenas enjeito,
Revivo o passado
A chaga o pecado
Recado do fim,
A farpa penetra
A noite discreta
Não há nada em mim...
33895
Alheio ao caminho
Esbarro no quando
O mundo negando
Seguindo sozinho,
O tempo, o carinho,
O risco nefando
A vida pesando
Sonho passarinho,
Sem eira nem beira
A sorte estradeira
Vagando sem rumo,
Enquanto me busco
No solo mais brusco
Assim eu me esfumo...
33896
Aporto no cais
Distante do sonho
No quanto me enfronho
Já sei nunca mais,
Outrora demais
Agora bisonho,
O fardo medonho
Dias magistrais
Olhares distantes
Sutis diamantes
Instantes de dor,
O carma, o pecado,
A sanha e o recado,
E nada a compor.
33897
Lavando em segredo
O peso da vida
No quanto é sofrida
Temor e degredo
Vivendo procedo
E tento a saída
E quando surgida
Eu vejo e concedo
Algum manso alento
E quanto mais tento
Perdido me encontro,
A sorte não nega
O vento carrega
Fatal desencontro.
33898
Cerzindo esta face
Em tramas discretas
Palavras concretas
Conduzem o impasse
E quanto mais passe
Além destas metas,
As vozes depletas
E nada se trace,
Resisto o que posso,
O mundo se é nosso
Também o perdi,
O que me restara
O corte, outra escara,
Encontrei em ti.
33899
Escuto esta voz
Do tempo que escorre
A vida de porre
O medo se atroz
Assim corto os nós
E nada socorre
Quem tanto hoje morre
Na sorte sem foz,
Ouvindo o vazio
Ainda recrio
O mundo em segredo,
Mas sei do futuro
O passo no escuro
Num rumo tão ledo.
33900
Após o vazio
O quanto virá?
O sol brilhará
Em tempo sombrio?
Fatal desvario
Eu sei desde já
E tudo trará
A ausência de rio,
A morte na curva
A visão tão turva
O beijo do espinho,
Legado que deixo,
Porém não me queixo
Não morro sozinho...
33801 até 33850
33801
Vivendo do seu lado, ser amado
A vida poderia ser divina,
Porém ao mesmo tempo em que fascina
Demonstra outro caminho, desolado,
O vento se mostrando variável
A cena se aproxima da loucura
E quando a fantasia já perdura,
Em novo amanhecer, claro e louvável
O mesmo vento traça outro cenário
E perco a direção, seguindo ao léu,
Do inferno ao mais superno e claro céu,
O quanto tudo é mesmo temporário,
Vencer as variantes desta vida
Enquanto fecha a porta traz saída.
33802
Amores que vivemos; fino trato
E nesta galhardia, a tempestade
Gerando com ternura, ainda invade
Promessa de carinho e de maltrato
Acordo em dissonância e vejo o quanto
O mundo poderia ser diverso,
Porém ao mesmo tempo me disperso
E beijo o temporal em novo encanto,
Resumos de uma história que insensata
Permite as dores, luzes, cruzes, riso,
Negando o que pensara em paraíso
E tanto me alivia e me maltrata.
Resisto ao que pudesse ser o fim,
Mas sei desta inconstância viva em mim.
33803
Em teu amor por certo, me retrato
E vejo as várias faces de um amor,
Ao mesmo tempo traz ao sonhador
O mundo em turbulência ou num regato
Suavidade intensa e sendo assim
O quanto poderia e já não vejo,
As tantas ilusões ditam desejo
A flor entre daninhas no jardim,
O riso adentra o pranto e não sacia,
O peso de sonhar vergando a vida
E quando se prepara a despedida,
Tu trazes nos teus olhos fantasia
E tudo se refaz em noite imensa,
A dor trazendo o gozo em recompensa...
33804
Como posso dizer que sou feliz
Se tudo não passara de ilusão
Nesta inconstância imensa esta visão
Esgarça tudo aquilo que mais quis,
O fato de sonhar não mais pudera
Vencer a realidade tão feroz,
E quando ainda penso enfim em nós
Renasce a adormecida e vã quimera,
O amor tem destas coisas, disso eu sei,
Mas não suporto mais o temporal
Ausente de algum porto a minha nau
Já não conhece a paz, sublime grei,
E quando no naufrágio encontra o fim
O mundo não podia ser assim...
33805
Estando aqui contigo, minha luz
Eu posso acreditar numa esperança
E quando este vazio a voz alcança
O medo se transforma e reproduz
As cenas temerárias do passado
Aonde imaginara ao menos paz,
E quantas vezes tudo se desfaz
O corte a cada dia aprofundado,
O medo vai reinando sobre tudo
E tanto quis apenas ser feliz,
O mundo quando atroz mais nada quis
E mesmo assim decerto ainda iludo
O coração com frases, sonhos, versos,
Porém são tão complexos universos...
33806
Depois de viver tanto por um triz
Tentando adivinhar um novo passo
Ao mesmo tempo aquém eu me desfaço
E a vida continua, vaga atriz.
O peso de sonhar vergando as costas
Cenário se transforma e nada vejo
Senão as meras sobras de um desejo
Aonde as noites mortas são expostas
Sonego qualquer luz e assim prossigo
Galgando cada estrela em tom cruel
A treva dominando todo o céu
O medo de sonhar, trago comigo
E sei ser tão difícil prosseguir
Sem ter nada deveras no por vir...
33807
Eu poderia apenas perceber
O quanto em desafios dita a vida
E sei da mesma história enternecida
Aonde no passado vi prazer,
Mas tudo se perdera e sem querer
A porta sonegando uma saída
A morte a cada passo sendo urdida,
Quem sabe noutro espaço eu possa ter
Ao menos um instante e nada além
O quanto do vazio me contém
Negando qualquer passo rumo ao tanto,
E sendo mais distante deste olhar
O brilho mais constante de um luar,
Restando a quem sonhara o desencanto...
33808
Antigamente, a vida era vazia
E nada traduzira ainda a sorte
De quem ao procurar quem o conforte
Noutro caminho espúrio inda se guia,
O resto se perdendo na canção
Longínqua noite expressa este tormento
E quando nalgum sonho eu me alimento,
As sombras demonstrando a negação
Do quanto poderia e não existe
O velho coração, as rugas tantas
E quando na verdade o sonho espantas
O resto se moldando em tom mais triste
Grisalhos olhos buscam horizonte,
Mas nada nem sequer luar desponte...
33809
Não tinha nem sorrisos nem a paz
Tampouco alguma sombra de esperança
A vida noutro fardo e sem mudança
Mostrando a mesma face tão tenaz
Ouvindo a melodia do que tanto
Pudesse em harmonia me trazer
Depois de tantos anos o prazer
Aonde poderia ter meu canto,
Mas sei que na verdade sigo ausente
E bebo esta ilusão e nada vejo,
O quanto do vazio inda prevejo
Sorvendo sem prazer esta aguardente
E nela uma alegria momentânea
Das dores e temores: coletânea...
33810
Corria entre meus dedos, a alegria
E tantas noites vagas, solitárias
As dores entre tantas procelárias
Apenas o que busco o tempo adia
E trama novamente em inclemência
O corte mais profundo, a dor intensa
E quando na esperança uma alma pensa
Sabendo ser apenas inocência
O mundo se transforma e num instante
Sorriso aflora e toma toda a cena,
Mas quando a vida volta e me envenena
A face que pensara deslumbrante
Voltando à realidade num segundo,
Dos medos e tormentas eu me inundo...
33811
Felicidade? Nunca ter, jamais
E procurar a sombra do passado
Aonde muita vez enamorado
Pensara ter ao menos manso cais,
O vento se transforma em temporal
E tudo se transcorre em tom diverso
Quem tanto acreditara agora imerso
Na mesma insanidade que é fatal,
Risonho caminhar em noite clara,
Cenário que em romântica loucura
Durante muito tempo se procura,
Porém a realidade desmascara
E traz em treva e dor, a face amarga
Da vida que a verdade cala e embarga.
33812
Porém, quando chegaste a minha vida
Acostumada aos medos e vazios
Tocando com ternura nervos, fios,
Mudando a mesma história repetida,
Deixando-se antever a claridade
Aonde não havia sequer luz,
O quanto deste sonho ainda pus
No mundo aonde o sonho toca e invade
Gerando novo tempo dentro em mim,
Resgate de outra vida em mansidão
Mudando deste vento a direção
Trazendo um raro brilho, pude enfim
Acreditar nas tramas de um amor,
Ao mesmo tempo duro e sedutor.
33813
A todas as tristezas dei adeus
E busco pelo menos ter visão
De um novo amanhecer e desde então
Os dias se fizeram plenos, meus,
O quanto em alegrias quero a sorte
E tento novamente um rumo manso,
E quando este momento agora alcanço
Mudando com ternura o duro norte
Eu creio finalmente em ter enfim
O quanto imaginara e não pudera
Sabendo ser dispersa a primavera
Numa aridez imensa o meu jardim,
Fascínio pelo menos temporário,
Mudando este caminho temerário...
33814
Por isso é que te peço a paz querida
Durante tanto tempo procurada
E sei que pensaria noutra estrada
Aonde a sorte ao menos vê saída,
Agora se percebe a plenitude
Do sonho feito em glórias mansamente
Porquanto dos meus olhos já se ausente
E quando se apresente tudo mude,
Eu tento acreditar noutro momento
E desta sorte creio ser capaz
Vivendo intensamente a imensa paz
Tocando com ternura o brando vento,
Distante dos meus dias o martírio
Podendo acreditar neste delírio...
33815
Não deixe que este sonho que fascina
Um dia se termine em dor e pranto,
Por isso cada vez que teimo e canto
A sorte noutra face me ilumina,
Assim ao perceber diversa sina
Daquela que eu pensara em tal quebranto
Bebendo da emoção então me encanto
E toda esta ilusão já me domina,
Um anjo que pudesse me guiar
Trazendo entre as estrelas tanta luz,
E quando esta beleza me conduz
Aos mais sobejos raios do luar
Percebo a minha vida em plena paz
No quanto este desejo satisfaz.
33816
Acreditando agora ser feliz
Depois de tantos anos de abandono,
Enquanto da esperança enfim me adono
Vivendo tudo aquilo que eu mais quis
Sabendo este cenário aonde eu fiz
O mundo em novo plano, tento e clono
O dia em claridade; eu telefono
Buscando esta resposta e quando diz
Do amor que também sentes vejo enfim
O quanto desejara e bebo assim
A sorte desejada audaciosa
Minha alma se percebe etérea e clara
E quando toda a sorte se declara
A vida neste instante é majestosa.
33817
Vivendo em claros tons a minha vida
Depois de tantos grises descaminhos
Os dias que passara tão sozinhos
A dita agora trama mais querida
A cena que pensara já perdida
E nela sem saber de teus carinhos
Singrando um mar imenso, vãos espinhos
Percebo a glória intensa enternecida.
Revendo os meus diversos desalentos
Bebendo calmamente novos ventos
Eu posso acreditar noutro cenário,
O amor que agora toca e me domina,
Mudando com ternura a triste sina
Vencendo o pesadelo temerário...
33818
De todos os desejos que eu tivera
Na vida sem sentidos, nada além
Do quanto poderia e não contém
Senão a solidão, a velha fera
Marcada em minha pele, desespera
E toma este delírio, sem ninguém
O quanto poderia e nada vem,
Gerando a dor intensa, esta quimera,
Mas quando te percebo do meu lado,
O dia há tanto tempo desejado
Na aurora delicada em tom diverso
Tocando o meu olhar diz no horizonte
Do quanto tanto amor a vida aponte
Amaciando em paz assim meu verso.
33819
O teu perfume invade esta janela
Trazendo algum alento a quem sofria,
E assim ao se mostrar tanta alegria
A sorte noutra face se revela,
Meu sonho neste instante já se atrela
E bebe com ternura a poesia,
Meu verso com brandura se extasia
E vendo-te desnuda, mansa e bela,
Imagem cristalina que apascenta
Aonde no passado uma tormenta
Agora neste instante claridade,
Prazeres mais diversos vida afora,
Acordo e esta beleza já se aflora
E a paz que tanto busco enfim me invade...
33820
Uma gota de orvalho sobre a flor,
Imagem tão suave que fascina
E vendo da emoção suprema mina
Bebendo cada gota deste amor,
Percebo um novo mundo a se compor
E tanta maravilha me domina,
A cena tão suave e cristalina
Demonstra a maravilha em rara cor,
Um velho colibri enamorado,
Ao tempo destruído e desolado
Revive neste instante este canteiro
Aonde se fizera tão feliz,
E agora como fosse um aprendiz
Mergulha neste sonho, o derradeiro...
33821
Nas pétalas brilhantes desta rosa
Tocada pelas ânsias do rocio
O encanto quanto muito em desafio
Tornando a nossa vida majestosa
O quanto deste amor em vaporosa
Manhã se torna em louco sonho e cio,
O todo se transforma e assim desfio
A sorte muitas vezes caprichosa
Toando dentro em mim velha cantiga
Aonde toda a glória em paz prossiga
Falando deste amor que tanto eu quero
Sabendo ser assim eterno e raro,
E em cada novo verso eu te declaro
Um sentimento audaz, louco e sincero...
33822
Pudesse anoitecer em teus carinhos
E ter esta certeza de um alento,
E quando deste sonho eu me alimento
Buscando desvendar claros caminhos
Os dias do passado em desalinhos
Agora se tocando em forte vento
Deixando no passado o sofrimento
Cevando com doçura raros vinhos,
Permitem novo brilho e sou capaz
De ter a maravilha que assim traz
Aos meus tormentos tantos, solução
E sei da glória imensa desta sorte
Que tanto me apazigúe e já conforte
Mudando desta vida a direção.
33823
A vida nos teus braços tão risonha
Permite caminhar entre espinheiros
Os dias que bem sei são derradeiros
Enquanto cada noite recomponha
A sorte desejosa e nos proponha
Vencer em calmaria os nevoeiros,
Os sonhos do futuro mensageiros
Transformam nossa vida enquanto sonha
Uma alma em paz somente e nada mais,
Vencendo com ternura os vendavais
E tendo este cenário mais tranqüilo
Aonde com imensa claridade
O mundo noutra face agora invade
E nele todo o amor onde desfilo...
33824
Embora toda a rosa tenha espinho
E seja a dor prenúncio do prazer,
Eu quero nos teus braços perceber
O quanto deste sonho eu me avizinho
Bebendo com fartura este carinho
E nele até quem sabe entorpecer
Vencendo cada dia e poder ver
Um manso e mais tranqüilo, claro ninho.
Seguindo cada passo deste encanto
Assim sem ter limites teimo e canto
Tocando iridescente paraíso,
O mundo nos teus braços se mostrando
Cenário mais suave aonde um brando
Delírio se transcorre mais preciso...
33825
Minha alma desejando a plenitude
Do amor quando me invade e nada diz,
Assim eu poderia ser feliz,
Porquanto toda a história já se mude,
Eu sei deste desejo que me ilude
Não sou deveras frágil aprendiz
Nem mesmo o meu passado contradiz
O quanto tanto quero e nunca pude,
Mas vivo este momento e sem pergunta,
E quando a vida toca e nos ajunta
Expressa sem saber esta emoção
Da qual e pela qual lutara tanto,
E quando finalmente em paz eu canto
Sentindo dentro em mim renovação!
33826
De todas essas flores que colhi
Durante a vida inteira agora eu sinto
Depois de imaginar há tanto extinto
O sonho desejado e vejo-o em ti.
Porquanto poucas vezes eu senti
O quanto de delírio ora me pinto
E assim qual fora um vento ou um absinto
Que embora tardiamente enfim bebi
Deixando-me em completa embriaguez
O amor quando demais conforme vês
Domina cada passo e deixa ao léu
A consciência e toma uma razão
Entregue sem sentidos à emoção
Vagando sem voar inteiro o céu...
33827
Na comprida jornada desta vida,
Depois de ter vencido temporais
Agora eu quero muito e muito mais
Após ter encontrado esta saída
Há tanto desejada e não sabida
No amor em que desejo sem jamais
Saber desta inconstância dos cristais
A sorte finalmente sendo urdida
Nos sonhos mais audazes de quem busca
Embora a vida seja amarga e fusca
Tramar ao fim de tudo claridade,
E sei que quando o sonho realizo
Deixando no passado este granizo
Apenas o calor intenso invade...
33828
Os melhores aromas que pensara
Um dia poder ter bem junto a mim
Recendendo ao supremo e bom jasmim
Delírio de uma vida intensa e rara, a
Agora nos teus braços escancara
Qual fora a plenitude de um jardim
Trazendo todo o sonho para enfim
Mudar neste segundo esta seara
E tendo esta certeza doravante
Porquanto a vida seja deslumbrante
Eu posso acreditar noutro momento
Aonde finalmente eu possa ter
Nas ondas mais suaves do prazer
Depois de tanto medo, um claro alento.
33829
Tu és do meu caminho, rosa e brilho
O templo desejado e construído
Deixando toda a dor em triste olvido
Traçando este delírio que ora trilho
E quando ao te sentir sonho eu palmilho
Num mundo renovado e enfim sentido
Depois de tanto tempo já sofrido
Qual fora um mais terrível estribilho,
Ouvindo a tua voz eu posso crer
Num novo e mais perfeito amanhecer
Aonde se dourando imenso sol,
Tocando com ternura a minha pele
Enquanto aos tantos sonhos me compele
Entorna poesia no arrebol.
33830
A rosa tem espinhos e perfume,
Gerando tanto brilho e tanta dor,
Assim também querida a se compor
O amor quando demais, trama em ciúme
Prazer além do quanto se acostume
Poder ao mesmo tempo encantador
Enquanto noutra face é traidor
Diverso caminhar por onde rume,
Tramando tempestade em calmaria,
No quanto trama treva e poesia
Um insensato algoz que nos carinha,
Verdades e mentiras, falsos guizos,
Ao mesmo tempo inferno ou paraísos,
Do eterno e do fugaz já se avizinha.
33831
Amor entre desejo e turbulência
Ao mesmo tempo invade e me destroça
Além do que talvez ainda possa
Tomando com terror e incoerência
Por outro lado gera esta clemência
Enquanto amarga e tanto pode adoça
Gerando a plenitude ou mesmo a fossa,
Traçando sem temor a virulência,
Restando dentro em mim, farta procela
Roubando o velho leme se revela
Um cais feito em naufrágio simplesmente,
Mas sei quanto eu desejo tal loucura
Que quanto mais audaz, maior ternura
E quando mais sincero, eu sei que mente.
33832
As noites que trouxeste em agonia
Gestando em mim o medo em dores fartas
Depois ao mesmo tempo tu descartas
E tramas com ternura esta alegria,
Assim enquanto luzes me traria
Jogando sobre a mesa várias cartas
Enquanto do delírio tu me apartas
Mergulhas nesta insânia em fantasia,
Amar e ser assim, louco caminho
Aonde deste horror eu me avizinho
Também já me liberta sem descanso
Vibrante sensação de guerra e paz,
No quanto num só tempo satisfaz
Por outro lado à treva e à dor em ti me lanço.
33833
Procuram-se nas bocas os anseios
E matam-se vontades, sonhos, medos,
Assim entre delírios e degredos
Caminho por diversos tensos veios,
Enquanto noutra face são alheios
Os ritos entre trevas e segredos,
Os dias solitário morrem ledos,
E tanto me permitem sem rodeios
Etéreas maravilhas, dor e cruz,
No quanto em tempestade reproduz
O porto mais suave, manso cais,
A sorte se mostrando mais diversa
E quando noutro tanto ainda versa
Quebrando ou preservando tais cristais.
33834
Em camas separadas, repartidas
Histórias tão iguais e desejosas,
Assim as noites morrem caprichosas
Traçando paralelas nossas vidas,
E tanto quanto dizes das ungidas
Cenas entre diversas caprichosas
Pacíficas loucuras belicosas
Memórias em delírios construídas,
Agindo sem pensar sequer momento,
Enquanto se transforma em desalento
Permite a imensidão deste segundo
No qual mesmo dispersos nos unimos
E assim em desespero construímos
Em limos, lodos, sonhos, nosso mundo.
33835
Esperas e torturas nos maltratam,
Mas quando estamos juntos outro inferno,
Ao mesmo tempo dita um gozo terno
Ou tanto noutro instante nos desatam
Palavras de carinho desacatam,
Aonde se pudesse luz, inverno,
E quando me afastando em paz hiberno
Nossos desejos voltam e já resgatam,
Momentos entre fúrias e carícias
Desejos delirantes e sevícias
Marcando nossas peles, cicatrizes,
No quanto tu tatuas dentro em mim
Princípio desenhando amargo fim,
Extremas maravilhas entre as crises.
33836
As noites quando estão enluaradas
Distantes destas brumas costumeiras
Dos sonhos e delírios mensageiras
Promessas de divinas alvoradas,
Anseios e desejos noites raras,
Momentos inconstantes, mas felizes
Palavras que me dizes mais suaves
Depois ao mesmo tempo tanto agraves
Assim quando os desejos contradizes
Mudando totalmente a nossa história
A noite se tornando merencória
E a lua se escondendo nas neblinas
Amor em tempestade e calmaria
Enquanto me deslumbra e me sacia
Em outro instante vens e me alucinas.
33837
Porquanto me dominas e transtornas
As horas entre loucos temporais
O quanto te desejo ou muito mais
Depois em nova face tu retornas
E mudas em diversa direção
Gestando inconseqüência em dor e pranto,
E quando neste instante eu já me espanto
Em meio aos vãos degredos, negação
Tu vens e com sorrisos me fascinas
Assim a nossa vida continua
E quantas vezes vejo a própria lua
Deitando fartos brilhos em neblinas
Tocada pela treva simplesmente
No quanto me domina, incoerente.
33838
Não quero prosseguir nesta loucura
Insânia dominando cada cena
A vida que eu queria mais serena
Dispensa qualquer dor, tanta amargura
Só quero ser feliz e na procura
Do quanto a paz mereço em cor amena,
Porém amor transtorna e me envenena
Gerando invés de paz, farta tortura;
Ausente de teus olhos vejo a paz,
Mas quando me aproximo esta mordaz
Vontade de tocar a tua pele
Assim ao mesmo tempo me compele
E trama esta transtorno em minha vida
Só busco, inutilmente uma saída...
33839
Amar e ter apenas a certeza
De um dia em calma e paz, ah quem me dera,
A sorte noutra face degenera
E toma com terror a correnteza,
Não quero caçador sequer a presa,
Apenas calmaria onde sincera
A vida moldaria a primavera
Sem ter sequer qualquer dura incerteza,
Quem sabe no futuro, noutro tempo,
Cansado de tormenta e contratempo
Vivendo tão somente amor em paz,
Distante de loucura e tempestade
No quanto este delírio já degrade
E nunca na verdade satisfaz.
33840
Amar e ter nos olhos o horizonte
Aonde eu possa ver imenso sol,
Vivendo como fosse um girassol
Bebendo e saciando nesta fonte
E assim o meu olhar tranqüilo aponte
Tocado pelo brilho do arrebol
E tendo amor sincero por farol
E dele cada dia que desponte
Tramando a mansidão que necessito,
Vivendo a plenitude do infinito
Traçando com meu sonho este momento
Deixando no passado o sofrimento
Quem sabe pelo menos possa ter
Algum alento feito em bem querer...
33841
Épocas diversas
Feitas luz e treva
Alma quando neva
Inda mesmo versas
Vestes mais perversas
Dor viva e longeva
Onde o vago leva
Negando conversas
Dispersas manhãs
Sortes tão malsãs
Vaga tempestade
Frio após o frio
Quando desafio
O terror me invade.
33842
Como me recordo
Noites temporais
Quando muito mais
Do quanto não acordo
Vou seguindo à bordo
Tempos, vendavais
Onde magistrais
Sonhos novos bordo
Tento ver ainda
Noite bela e infinda
Onde não havia
Resta dentro em mim,
Por princípio e fim
Mera poesia.
33843
Tanto comprazia
Sorte com o vento
Quando o pensamento
Dita esta alegria
Noite em fantasia
Dia em desalento
Quando às vezes tento
Conceber o dia,
Mera circunstância
Farta discrepância
Gera o temporal,
Quem me dera escada
Ventos em lufada
Ausente degrau.
33844
Sorte que assim douro
Com olhar sobejo
Bebo o que prevejo
Novo ancoradouro
Tento algum tesouro
Além do desejo
Mas não mais almejo
Perco o nascedouro
Sangro dentro em mim
Tempo de onde vim
Singro sem saber,
Ausente do sonho,
Nada mais componho
Senão desprazer.
33845
Homem e mulher
Fúria incandescente
Quando se pressente
Haja o que inda houver
Sem medo sequer
Trama esta nascente
Onde se freqüente
O amor se puder,
Verso invade o sonho
Quando recomponho
Estradas de sol,
Perco o meu caminho,
Ledo e sem carinho,
Treva em arrebol.
33846
Busco agilidade
Onde tanto pude
Leda juventude
Morta mocidade
Quando ainda invade
Faltando atitude
E portanto mude
O que já degrade
Risco o nome enquanto
Bebo o vento e canto
Tocando infinito
Quando mais me afasto
O sonho eu desgasto,
Mas ainda grito.
33847
Amoroso céu
Entre nuvens fartas
Quando tu te partas
Prosseguindo ao léu
Gira em carrossel,
Sobre a mesa, cartas,
Passado descartas
Feito em fúria e fel,
Nado contra a fonte
E tendo o horizonte
Sob o olhar imenso,
No passado ainda
Lembrança me brinda
Com terror intenso.
33848
Onde se pensara
Novamente em luz
O quanto me opus
Torna a vida amara
Tento esta seara
Nela já propus
Vivo em contraluz
Sorte se escancara
Nada se permite
Vida sem limite
Luta que não cessa,
Amar sem perdão
Nova direção?
Velha recomeça...
33849
Tocado em nobreza
Olhos mais diversos
Busco nos meus versos
A real grandeza
Tento fuga e presa,
Contos mais perversos
Outros universos
Mesma correnteza,
Sou assim e calo,
Quando tento embalo
Sonegado o sonho,
Mergulho no nada,
Tento nova escada,
Mas me decomponho...
33850
Procurando em vão
Barco, cais e porto,
Hoje semimorto
Sem a direção
Perco o meu timão
Já não me conforto
Beijo amargo e torto
Sonega a emoção,
Risco e arisco arrisco
Onde este confisco
Toma toda a cena,
Morte se moldando,
Onde outrora brando
Verdade envenena...
Vivendo do seu lado, ser amado
A vida poderia ser divina,
Porém ao mesmo tempo em que fascina
Demonstra outro caminho, desolado,
O vento se mostrando variável
A cena se aproxima da loucura
E quando a fantasia já perdura,
Em novo amanhecer, claro e louvável
O mesmo vento traça outro cenário
E perco a direção, seguindo ao léu,
Do inferno ao mais superno e claro céu,
O quanto tudo é mesmo temporário,
Vencer as variantes desta vida
Enquanto fecha a porta traz saída.
33802
Amores que vivemos; fino trato
E nesta galhardia, a tempestade
Gerando com ternura, ainda invade
Promessa de carinho e de maltrato
Acordo em dissonância e vejo o quanto
O mundo poderia ser diverso,
Porém ao mesmo tempo me disperso
E beijo o temporal em novo encanto,
Resumos de uma história que insensata
Permite as dores, luzes, cruzes, riso,
Negando o que pensara em paraíso
E tanto me alivia e me maltrata.
Resisto ao que pudesse ser o fim,
Mas sei desta inconstância viva em mim.
33803
Em teu amor por certo, me retrato
E vejo as várias faces de um amor,
Ao mesmo tempo traz ao sonhador
O mundo em turbulência ou num regato
Suavidade intensa e sendo assim
O quanto poderia e já não vejo,
As tantas ilusões ditam desejo
A flor entre daninhas no jardim,
O riso adentra o pranto e não sacia,
O peso de sonhar vergando a vida
E quando se prepara a despedida,
Tu trazes nos teus olhos fantasia
E tudo se refaz em noite imensa,
A dor trazendo o gozo em recompensa...
33804
Como posso dizer que sou feliz
Se tudo não passara de ilusão
Nesta inconstância imensa esta visão
Esgarça tudo aquilo que mais quis,
O fato de sonhar não mais pudera
Vencer a realidade tão feroz,
E quando ainda penso enfim em nós
Renasce a adormecida e vã quimera,
O amor tem destas coisas, disso eu sei,
Mas não suporto mais o temporal
Ausente de algum porto a minha nau
Já não conhece a paz, sublime grei,
E quando no naufrágio encontra o fim
O mundo não podia ser assim...
33805
Estando aqui contigo, minha luz
Eu posso acreditar numa esperança
E quando este vazio a voz alcança
O medo se transforma e reproduz
As cenas temerárias do passado
Aonde imaginara ao menos paz,
E quantas vezes tudo se desfaz
O corte a cada dia aprofundado,
O medo vai reinando sobre tudo
E tanto quis apenas ser feliz,
O mundo quando atroz mais nada quis
E mesmo assim decerto ainda iludo
O coração com frases, sonhos, versos,
Porém são tão complexos universos...
33806
Depois de viver tanto por um triz
Tentando adivinhar um novo passo
Ao mesmo tempo aquém eu me desfaço
E a vida continua, vaga atriz.
O peso de sonhar vergando as costas
Cenário se transforma e nada vejo
Senão as meras sobras de um desejo
Aonde as noites mortas são expostas
Sonego qualquer luz e assim prossigo
Galgando cada estrela em tom cruel
A treva dominando todo o céu
O medo de sonhar, trago comigo
E sei ser tão difícil prosseguir
Sem ter nada deveras no por vir...
33807
Eu poderia apenas perceber
O quanto em desafios dita a vida
E sei da mesma história enternecida
Aonde no passado vi prazer,
Mas tudo se perdera e sem querer
A porta sonegando uma saída
A morte a cada passo sendo urdida,
Quem sabe noutro espaço eu possa ter
Ao menos um instante e nada além
O quanto do vazio me contém
Negando qualquer passo rumo ao tanto,
E sendo mais distante deste olhar
O brilho mais constante de um luar,
Restando a quem sonhara o desencanto...
33808
Antigamente, a vida era vazia
E nada traduzira ainda a sorte
De quem ao procurar quem o conforte
Noutro caminho espúrio inda se guia,
O resto se perdendo na canção
Longínqua noite expressa este tormento
E quando nalgum sonho eu me alimento,
As sombras demonstrando a negação
Do quanto poderia e não existe
O velho coração, as rugas tantas
E quando na verdade o sonho espantas
O resto se moldando em tom mais triste
Grisalhos olhos buscam horizonte,
Mas nada nem sequer luar desponte...
33809
Não tinha nem sorrisos nem a paz
Tampouco alguma sombra de esperança
A vida noutro fardo e sem mudança
Mostrando a mesma face tão tenaz
Ouvindo a melodia do que tanto
Pudesse em harmonia me trazer
Depois de tantos anos o prazer
Aonde poderia ter meu canto,
Mas sei que na verdade sigo ausente
E bebo esta ilusão e nada vejo,
O quanto do vazio inda prevejo
Sorvendo sem prazer esta aguardente
E nela uma alegria momentânea
Das dores e temores: coletânea...
33810
Corria entre meus dedos, a alegria
E tantas noites vagas, solitárias
As dores entre tantas procelárias
Apenas o que busco o tempo adia
E trama novamente em inclemência
O corte mais profundo, a dor intensa
E quando na esperança uma alma pensa
Sabendo ser apenas inocência
O mundo se transforma e num instante
Sorriso aflora e toma toda a cena,
Mas quando a vida volta e me envenena
A face que pensara deslumbrante
Voltando à realidade num segundo,
Dos medos e tormentas eu me inundo...
33811
Felicidade? Nunca ter, jamais
E procurar a sombra do passado
Aonde muita vez enamorado
Pensara ter ao menos manso cais,
O vento se transforma em temporal
E tudo se transcorre em tom diverso
Quem tanto acreditara agora imerso
Na mesma insanidade que é fatal,
Risonho caminhar em noite clara,
Cenário que em romântica loucura
Durante muito tempo se procura,
Porém a realidade desmascara
E traz em treva e dor, a face amarga
Da vida que a verdade cala e embarga.
33812
Porém, quando chegaste a minha vida
Acostumada aos medos e vazios
Tocando com ternura nervos, fios,
Mudando a mesma história repetida,
Deixando-se antever a claridade
Aonde não havia sequer luz,
O quanto deste sonho ainda pus
No mundo aonde o sonho toca e invade
Gerando novo tempo dentro em mim,
Resgate de outra vida em mansidão
Mudando deste vento a direção
Trazendo um raro brilho, pude enfim
Acreditar nas tramas de um amor,
Ao mesmo tempo duro e sedutor.
33813
A todas as tristezas dei adeus
E busco pelo menos ter visão
De um novo amanhecer e desde então
Os dias se fizeram plenos, meus,
O quanto em alegrias quero a sorte
E tento novamente um rumo manso,
E quando este momento agora alcanço
Mudando com ternura o duro norte
Eu creio finalmente em ter enfim
O quanto imaginara e não pudera
Sabendo ser dispersa a primavera
Numa aridez imensa o meu jardim,
Fascínio pelo menos temporário,
Mudando este caminho temerário...
33814
Por isso é que te peço a paz querida
Durante tanto tempo procurada
E sei que pensaria noutra estrada
Aonde a sorte ao menos vê saída,
Agora se percebe a plenitude
Do sonho feito em glórias mansamente
Porquanto dos meus olhos já se ausente
E quando se apresente tudo mude,
Eu tento acreditar noutro momento
E desta sorte creio ser capaz
Vivendo intensamente a imensa paz
Tocando com ternura o brando vento,
Distante dos meus dias o martírio
Podendo acreditar neste delírio...
33815
Não deixe que este sonho que fascina
Um dia se termine em dor e pranto,
Por isso cada vez que teimo e canto
A sorte noutra face me ilumina,
Assim ao perceber diversa sina
Daquela que eu pensara em tal quebranto
Bebendo da emoção então me encanto
E toda esta ilusão já me domina,
Um anjo que pudesse me guiar
Trazendo entre as estrelas tanta luz,
E quando esta beleza me conduz
Aos mais sobejos raios do luar
Percebo a minha vida em plena paz
No quanto este desejo satisfaz.
33816
Acreditando agora ser feliz
Depois de tantos anos de abandono,
Enquanto da esperança enfim me adono
Vivendo tudo aquilo que eu mais quis
Sabendo este cenário aonde eu fiz
O mundo em novo plano, tento e clono
O dia em claridade; eu telefono
Buscando esta resposta e quando diz
Do amor que também sentes vejo enfim
O quanto desejara e bebo assim
A sorte desejada audaciosa
Minha alma se percebe etérea e clara
E quando toda a sorte se declara
A vida neste instante é majestosa.
33817
Vivendo em claros tons a minha vida
Depois de tantos grises descaminhos
Os dias que passara tão sozinhos
A dita agora trama mais querida
A cena que pensara já perdida
E nela sem saber de teus carinhos
Singrando um mar imenso, vãos espinhos
Percebo a glória intensa enternecida.
Revendo os meus diversos desalentos
Bebendo calmamente novos ventos
Eu posso acreditar noutro cenário,
O amor que agora toca e me domina,
Mudando com ternura a triste sina
Vencendo o pesadelo temerário...
33818
De todos os desejos que eu tivera
Na vida sem sentidos, nada além
Do quanto poderia e não contém
Senão a solidão, a velha fera
Marcada em minha pele, desespera
E toma este delírio, sem ninguém
O quanto poderia e nada vem,
Gerando a dor intensa, esta quimera,
Mas quando te percebo do meu lado,
O dia há tanto tempo desejado
Na aurora delicada em tom diverso
Tocando o meu olhar diz no horizonte
Do quanto tanto amor a vida aponte
Amaciando em paz assim meu verso.
33819
O teu perfume invade esta janela
Trazendo algum alento a quem sofria,
E assim ao se mostrar tanta alegria
A sorte noutra face se revela,
Meu sonho neste instante já se atrela
E bebe com ternura a poesia,
Meu verso com brandura se extasia
E vendo-te desnuda, mansa e bela,
Imagem cristalina que apascenta
Aonde no passado uma tormenta
Agora neste instante claridade,
Prazeres mais diversos vida afora,
Acordo e esta beleza já se aflora
E a paz que tanto busco enfim me invade...
33820
Uma gota de orvalho sobre a flor,
Imagem tão suave que fascina
E vendo da emoção suprema mina
Bebendo cada gota deste amor,
Percebo um novo mundo a se compor
E tanta maravilha me domina,
A cena tão suave e cristalina
Demonstra a maravilha em rara cor,
Um velho colibri enamorado,
Ao tempo destruído e desolado
Revive neste instante este canteiro
Aonde se fizera tão feliz,
E agora como fosse um aprendiz
Mergulha neste sonho, o derradeiro...
33821
Nas pétalas brilhantes desta rosa
Tocada pelas ânsias do rocio
O encanto quanto muito em desafio
Tornando a nossa vida majestosa
O quanto deste amor em vaporosa
Manhã se torna em louco sonho e cio,
O todo se transforma e assim desfio
A sorte muitas vezes caprichosa
Toando dentro em mim velha cantiga
Aonde toda a glória em paz prossiga
Falando deste amor que tanto eu quero
Sabendo ser assim eterno e raro,
E em cada novo verso eu te declaro
Um sentimento audaz, louco e sincero...
33822
Pudesse anoitecer em teus carinhos
E ter esta certeza de um alento,
E quando deste sonho eu me alimento
Buscando desvendar claros caminhos
Os dias do passado em desalinhos
Agora se tocando em forte vento
Deixando no passado o sofrimento
Cevando com doçura raros vinhos,
Permitem novo brilho e sou capaz
De ter a maravilha que assim traz
Aos meus tormentos tantos, solução
E sei da glória imensa desta sorte
Que tanto me apazigúe e já conforte
Mudando desta vida a direção.
33823
A vida nos teus braços tão risonha
Permite caminhar entre espinheiros
Os dias que bem sei são derradeiros
Enquanto cada noite recomponha
A sorte desejosa e nos proponha
Vencer em calmaria os nevoeiros,
Os sonhos do futuro mensageiros
Transformam nossa vida enquanto sonha
Uma alma em paz somente e nada mais,
Vencendo com ternura os vendavais
E tendo este cenário mais tranqüilo
Aonde com imensa claridade
O mundo noutra face agora invade
E nele todo o amor onde desfilo...
33824
Embora toda a rosa tenha espinho
E seja a dor prenúncio do prazer,
Eu quero nos teus braços perceber
O quanto deste sonho eu me avizinho
Bebendo com fartura este carinho
E nele até quem sabe entorpecer
Vencendo cada dia e poder ver
Um manso e mais tranqüilo, claro ninho.
Seguindo cada passo deste encanto
Assim sem ter limites teimo e canto
Tocando iridescente paraíso,
O mundo nos teus braços se mostrando
Cenário mais suave aonde um brando
Delírio se transcorre mais preciso...
33825
Minha alma desejando a plenitude
Do amor quando me invade e nada diz,
Assim eu poderia ser feliz,
Porquanto toda a história já se mude,
Eu sei deste desejo que me ilude
Não sou deveras frágil aprendiz
Nem mesmo o meu passado contradiz
O quanto tanto quero e nunca pude,
Mas vivo este momento e sem pergunta,
E quando a vida toca e nos ajunta
Expressa sem saber esta emoção
Da qual e pela qual lutara tanto,
E quando finalmente em paz eu canto
Sentindo dentro em mim renovação!
33826
De todas essas flores que colhi
Durante a vida inteira agora eu sinto
Depois de imaginar há tanto extinto
O sonho desejado e vejo-o em ti.
Porquanto poucas vezes eu senti
O quanto de delírio ora me pinto
E assim qual fora um vento ou um absinto
Que embora tardiamente enfim bebi
Deixando-me em completa embriaguez
O amor quando demais conforme vês
Domina cada passo e deixa ao léu
A consciência e toma uma razão
Entregue sem sentidos à emoção
Vagando sem voar inteiro o céu...
33827
Na comprida jornada desta vida,
Depois de ter vencido temporais
Agora eu quero muito e muito mais
Após ter encontrado esta saída
Há tanto desejada e não sabida
No amor em que desejo sem jamais
Saber desta inconstância dos cristais
A sorte finalmente sendo urdida
Nos sonhos mais audazes de quem busca
Embora a vida seja amarga e fusca
Tramar ao fim de tudo claridade,
E sei que quando o sonho realizo
Deixando no passado este granizo
Apenas o calor intenso invade...
33828
Os melhores aromas que pensara
Um dia poder ter bem junto a mim
Recendendo ao supremo e bom jasmim
Delírio de uma vida intensa e rara, a
Agora nos teus braços escancara
Qual fora a plenitude de um jardim
Trazendo todo o sonho para enfim
Mudar neste segundo esta seara
E tendo esta certeza doravante
Porquanto a vida seja deslumbrante
Eu posso acreditar noutro momento
Aonde finalmente eu possa ter
Nas ondas mais suaves do prazer
Depois de tanto medo, um claro alento.
33829
Tu és do meu caminho, rosa e brilho
O templo desejado e construído
Deixando toda a dor em triste olvido
Traçando este delírio que ora trilho
E quando ao te sentir sonho eu palmilho
Num mundo renovado e enfim sentido
Depois de tanto tempo já sofrido
Qual fora um mais terrível estribilho,
Ouvindo a tua voz eu posso crer
Num novo e mais perfeito amanhecer
Aonde se dourando imenso sol,
Tocando com ternura a minha pele
Enquanto aos tantos sonhos me compele
Entorna poesia no arrebol.
33830
A rosa tem espinhos e perfume,
Gerando tanto brilho e tanta dor,
Assim também querida a se compor
O amor quando demais, trama em ciúme
Prazer além do quanto se acostume
Poder ao mesmo tempo encantador
Enquanto noutra face é traidor
Diverso caminhar por onde rume,
Tramando tempestade em calmaria,
No quanto trama treva e poesia
Um insensato algoz que nos carinha,
Verdades e mentiras, falsos guizos,
Ao mesmo tempo inferno ou paraísos,
Do eterno e do fugaz já se avizinha.
33831
Amor entre desejo e turbulência
Ao mesmo tempo invade e me destroça
Além do que talvez ainda possa
Tomando com terror e incoerência
Por outro lado gera esta clemência
Enquanto amarga e tanto pode adoça
Gerando a plenitude ou mesmo a fossa,
Traçando sem temor a virulência,
Restando dentro em mim, farta procela
Roubando o velho leme se revela
Um cais feito em naufrágio simplesmente,
Mas sei quanto eu desejo tal loucura
Que quanto mais audaz, maior ternura
E quando mais sincero, eu sei que mente.
33832
As noites que trouxeste em agonia
Gestando em mim o medo em dores fartas
Depois ao mesmo tempo tu descartas
E tramas com ternura esta alegria,
Assim enquanto luzes me traria
Jogando sobre a mesa várias cartas
Enquanto do delírio tu me apartas
Mergulhas nesta insânia em fantasia,
Amar e ser assim, louco caminho
Aonde deste horror eu me avizinho
Também já me liberta sem descanso
Vibrante sensação de guerra e paz,
No quanto num só tempo satisfaz
Por outro lado à treva e à dor em ti me lanço.
33833
Procuram-se nas bocas os anseios
E matam-se vontades, sonhos, medos,
Assim entre delírios e degredos
Caminho por diversos tensos veios,
Enquanto noutra face são alheios
Os ritos entre trevas e segredos,
Os dias solitário morrem ledos,
E tanto me permitem sem rodeios
Etéreas maravilhas, dor e cruz,
No quanto em tempestade reproduz
O porto mais suave, manso cais,
A sorte se mostrando mais diversa
E quando noutro tanto ainda versa
Quebrando ou preservando tais cristais.
33834
Em camas separadas, repartidas
Histórias tão iguais e desejosas,
Assim as noites morrem caprichosas
Traçando paralelas nossas vidas,
E tanto quanto dizes das ungidas
Cenas entre diversas caprichosas
Pacíficas loucuras belicosas
Memórias em delírios construídas,
Agindo sem pensar sequer momento,
Enquanto se transforma em desalento
Permite a imensidão deste segundo
No qual mesmo dispersos nos unimos
E assim em desespero construímos
Em limos, lodos, sonhos, nosso mundo.
33835
Esperas e torturas nos maltratam,
Mas quando estamos juntos outro inferno,
Ao mesmo tempo dita um gozo terno
Ou tanto noutro instante nos desatam
Palavras de carinho desacatam,
Aonde se pudesse luz, inverno,
E quando me afastando em paz hiberno
Nossos desejos voltam e já resgatam,
Momentos entre fúrias e carícias
Desejos delirantes e sevícias
Marcando nossas peles, cicatrizes,
No quanto tu tatuas dentro em mim
Princípio desenhando amargo fim,
Extremas maravilhas entre as crises.
33836
As noites quando estão enluaradas
Distantes destas brumas costumeiras
Dos sonhos e delírios mensageiras
Promessas de divinas alvoradas,
Anseios e desejos noites raras,
Momentos inconstantes, mas felizes
Palavras que me dizes mais suaves
Depois ao mesmo tempo tanto agraves
Assim quando os desejos contradizes
Mudando totalmente a nossa história
A noite se tornando merencória
E a lua se escondendo nas neblinas
Amor em tempestade e calmaria
Enquanto me deslumbra e me sacia
Em outro instante vens e me alucinas.
33837
Porquanto me dominas e transtornas
As horas entre loucos temporais
O quanto te desejo ou muito mais
Depois em nova face tu retornas
E mudas em diversa direção
Gestando inconseqüência em dor e pranto,
E quando neste instante eu já me espanto
Em meio aos vãos degredos, negação
Tu vens e com sorrisos me fascinas
Assim a nossa vida continua
E quantas vezes vejo a própria lua
Deitando fartos brilhos em neblinas
Tocada pela treva simplesmente
No quanto me domina, incoerente.
33838
Não quero prosseguir nesta loucura
Insânia dominando cada cena
A vida que eu queria mais serena
Dispensa qualquer dor, tanta amargura
Só quero ser feliz e na procura
Do quanto a paz mereço em cor amena,
Porém amor transtorna e me envenena
Gerando invés de paz, farta tortura;
Ausente de teus olhos vejo a paz,
Mas quando me aproximo esta mordaz
Vontade de tocar a tua pele
Assim ao mesmo tempo me compele
E trama esta transtorno em minha vida
Só busco, inutilmente uma saída...
33839
Amar e ter apenas a certeza
De um dia em calma e paz, ah quem me dera,
A sorte noutra face degenera
E toma com terror a correnteza,
Não quero caçador sequer a presa,
Apenas calmaria onde sincera
A vida moldaria a primavera
Sem ter sequer qualquer dura incerteza,
Quem sabe no futuro, noutro tempo,
Cansado de tormenta e contratempo
Vivendo tão somente amor em paz,
Distante de loucura e tempestade
No quanto este delírio já degrade
E nunca na verdade satisfaz.
33840
Amar e ter nos olhos o horizonte
Aonde eu possa ver imenso sol,
Vivendo como fosse um girassol
Bebendo e saciando nesta fonte
E assim o meu olhar tranqüilo aponte
Tocado pelo brilho do arrebol
E tendo amor sincero por farol
E dele cada dia que desponte
Tramando a mansidão que necessito,
Vivendo a plenitude do infinito
Traçando com meu sonho este momento
Deixando no passado o sofrimento
Quem sabe pelo menos possa ter
Algum alento feito em bem querer...
33841
Épocas diversas
Feitas luz e treva
Alma quando neva
Inda mesmo versas
Vestes mais perversas
Dor viva e longeva
Onde o vago leva
Negando conversas
Dispersas manhãs
Sortes tão malsãs
Vaga tempestade
Frio após o frio
Quando desafio
O terror me invade.
33842
Como me recordo
Noites temporais
Quando muito mais
Do quanto não acordo
Vou seguindo à bordo
Tempos, vendavais
Onde magistrais
Sonhos novos bordo
Tento ver ainda
Noite bela e infinda
Onde não havia
Resta dentro em mim,
Por princípio e fim
Mera poesia.
33843
Tanto comprazia
Sorte com o vento
Quando o pensamento
Dita esta alegria
Noite em fantasia
Dia em desalento
Quando às vezes tento
Conceber o dia,
Mera circunstância
Farta discrepância
Gera o temporal,
Quem me dera escada
Ventos em lufada
Ausente degrau.
33844
Sorte que assim douro
Com olhar sobejo
Bebo o que prevejo
Novo ancoradouro
Tento algum tesouro
Além do desejo
Mas não mais almejo
Perco o nascedouro
Sangro dentro em mim
Tempo de onde vim
Singro sem saber,
Ausente do sonho,
Nada mais componho
Senão desprazer.
33845
Homem e mulher
Fúria incandescente
Quando se pressente
Haja o que inda houver
Sem medo sequer
Trama esta nascente
Onde se freqüente
O amor se puder,
Verso invade o sonho
Quando recomponho
Estradas de sol,
Perco o meu caminho,
Ledo e sem carinho,
Treva em arrebol.
33846
Busco agilidade
Onde tanto pude
Leda juventude
Morta mocidade
Quando ainda invade
Faltando atitude
E portanto mude
O que já degrade
Risco o nome enquanto
Bebo o vento e canto
Tocando infinito
Quando mais me afasto
O sonho eu desgasto,
Mas ainda grito.
33847
Amoroso céu
Entre nuvens fartas
Quando tu te partas
Prosseguindo ao léu
Gira em carrossel,
Sobre a mesa, cartas,
Passado descartas
Feito em fúria e fel,
Nado contra a fonte
E tendo o horizonte
Sob o olhar imenso,
No passado ainda
Lembrança me brinda
Com terror intenso.
33848
Onde se pensara
Novamente em luz
O quanto me opus
Torna a vida amara
Tento esta seara
Nela já propus
Vivo em contraluz
Sorte se escancara
Nada se permite
Vida sem limite
Luta que não cessa,
Amar sem perdão
Nova direção?
Velha recomeça...
33849
Tocado em nobreza
Olhos mais diversos
Busco nos meus versos
A real grandeza
Tento fuga e presa,
Contos mais perversos
Outros universos
Mesma correnteza,
Sou assim e calo,
Quando tento embalo
Sonegado o sonho,
Mergulho no nada,
Tento nova escada,
Mas me decomponho...
33850
Procurando em vão
Barco, cais e porto,
Hoje semimorto
Sem a direção
Perco o meu timão
Já não me conforto
Beijo amargo e torto
Sonega a emoção,
Risco e arisco arrisco
Onde este confisco
Toma toda a cena,
Morte se moldando,
Onde outrora brando
Verdade envenena...
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