terça-feira, 18 de maio de 2010

33251 até 33300

33251

Ausência de você domina a sala
A vida não seria sempre assim,
O tempo de sonhar chegando ao fim,
Uma alma sem destino nada fala,
O quanto da saudade me avassala
Meu medo de viver tomando enfim
Cenário dolorido de onde vim,
Restando este vazio e o mundo cala.
Após a tempestade esta saudade
Dizendo do passado onde eu pudera
Viver felicidade em primavera
E agora esta tristeza que me invade
A vida vai ficando sem por que,
Ausência dolorida de você...

33252

Pudesse ainda ver o seu sorriso,
Saber deste momento mais feliz
Porém a minha vida não mais quis
Distante dos meus olhos Paraíso...
O tempo mais dorido, e mais preciso
De tudo já não resta cicatriz,
O amor domina e tudo se desdiz
Tomando totalmente o meu juízo.
Restando ao sonhador um verso em vão,
E novos dias nunca mais trarão
Sequer uma lembrança do passado,
Vibrando dentro em mim este desejo
E quando na verdade nada vejo,
O quadro se mostrando desolado...


33253

O tempo merecia melhor chance
Mas quadro após tempesta nada diz,
O mundo como fosse um chafariz
Inunda qualquer coisa que inda alcance
E tanto quanto ao nada a sorte lance,
Quebrando a minha cara e o meu nariz,
O peso de viver já não mais quis
Matando no começo este romance.
Rezando assim amor pela cartilha
Enquanto noutra face nunca brilha
Sabendo da armadilha preparada,
Depois de tanta luta ora sem luz,
Vestindo a solidão, turvo capuz
Não resta nem sequer sombra da estrada.

33254

Magias entre facas, foices, coices, mãos
E tudo o que pudesse no bagaço
E quando novamente ainda passo
O tempo procurando dias vãos,
Mergulhos nos medonhos vastos nãos
O corte se aprofunda em dor e em aço
Do amor já não restando algum pedaço,
Os corpos esmagados pelos chãos,
O caos após o caos se refletindo
No olhar que antes julgara mesmo lindo
E agora se percebe em luz sombria,
Rezando pela glória de quem ama,
A vida repetindo o mesmo drama
Enquanto a realidade se esvazia.


33255

Não tendo paciência: é fim de papo
O quanto não podia ser diverso
E quando sobre o vago ainda verso
Não resta nem sequer tapa ou sopapo
E sei que na verdade viro um trapo
Conforme a realidade e até disperso
Do todo quando muito desconverso
Buraco com mentiras sempre tapo,
Farrapo do que fora ser humano,
O beijo condenando ao desengano
Num veredicto sórdido e venal
Riscando assim do mapa nome e foto,
O amor não tem controle se é remoto
E morre qual bandido no final.


33256

Eu quero ter ao menos a alegria
De quem se fez talvez mais inocente
Porquanto novo mundo ainda invente
Diverso do que tanto quis um dia,
E quando a realidade já mordia,
No olhar de quem desejo; transparente
A fonte quantas vezes inclemente
Deveras com ternura me traria
Nas mãos já decepadas da ilusão
O forte dos meus dias, solidão
Refém da mesma mesa em bares tantos,
Pereço mal começo a disfarçar
E morro a cada dia devagar
Porém já não suporto falsos prantos.


33257

Feridas entreabertas, chagas, ritos
Diversos destas tribos, morte e gozo,
O tempo que já fora majestoso
Cabendo nos espaços infinitos
Agora repetindo velhos mitos
E trama com destino caprichoso
Desdém acumulado em pavoroso
Delírio feito em dias mais bonitos.
Voando sobre os vales e montanhas
Sabendo das partidas e das sanhas
Marcado pela faca em fino corte,
Preparo a melodia para o fim
E beijo a tempestade que há em mim,
Porquanto nem o sonho me conforte.


33258

Girando contra a força das marés
Lutando com mim mesmo já perdi
E tudo o que sonhara ou mesmo vi
Não serve nem sequer como galés
O tempo me mirando de viés
Os olhos mais sensatos sei em ti
E o corte propagando o que senti
Contigo não percebo nem meus pés.
E quando ao flutuar eu me permito
Além do que pensara mais finito,
Rasgando a poesia do meu peito,
Conforme cada verso que se emenda
A vida preparando outra contenda
Enquanto no vazio não me deito.


33259

Largando a companhia de quem tanto
Um dia fora amiga e agora ausente,
O tanto do passado se pressente
Gerando noutra face desencanto,
E quando na verdade tento e canto
Por mais que a solidão ainda atente,
Perfaço o meu caminho mais contente,
E gero novo tempo enquanto espanto
O peso do vivido dentro em mim,
Ressoa o que pudera ser jardim
E agora numa seca se destrói,
O vento consumindo cada folha
Porquanto toda a sorte se recolha
Lembrança do passado sempre dói.


33260

Vivendo sem saber sequer da paz
Aonde noutra face a vida tenta
Mostrar o que deveras apascenta
Meu mundo com terror é mais audaz,
Gerando a prestação em que se faz
A sorte noutro instante mais sedenta
Da glória aonde nada se aparenta
E bebe o que ficara para trás.
Resinas entre pedras, construções,
E novamente assim tu decompões
Esmigalhando o quanto poderia
Saber do quando pude ser feliz,
E agora a realidade contradiz,
Deixando a minha estrada mais sombria.

33261

Devassa todo o espaço, o pensamento
E traça libertário caminhar
Por onde poderia imaginar
Ao menos o poder de um forte vento
E quantas vezes sigo ou mesmo tento
Sabendo das angústias a vagar
Por toda imensidão de terra e mar,
Alheio ao que pudesse o sofrimento
E sei da liberdade por viver
A cada novo instante a dor, prazer
E quando me assomando ao mesmo nada
Por onde ainda existe algum tropeço,
As ordens mais atrozes obedeço
Seara com certeza malfadada...

33262

Andara procurando alguma paz
Aonde não pudesse haver além
Da mesma inconseqüência que contém
Ainda que pudesse ser audaz,
A morte aproximando-se já traz
O todo em maravilha onde convém
Viver outra esperança mesmo aquém
Do tempo mais feliz ou tanto faz,
Esqueço cada frase e volto ao quanto
O verso não traçara outro desenho
E quanto muitas vezes me contento,
Singrando o que pudera e diz o canto
Apago qualquer sombra de uma vida
Há tanto noutra face desmedida...

33263

Legado de um tormento que me deste
Qual fora alguma forma de ilusão
Aprendo a conservar a direção
Em meio aos meus caminhos, velha veste,
E tudo que não serve me reveste
E mostra a mesma espúria podridão,
Negando a carcomida embarcação
Nem mesmo a fantasia ainda ateste
E tento disfarçar com versos, sonhos
E sei dos patamares mais medonhos
E neles os resquícios de uma vida
Jogada sobre os caos, ou tanto urdida
Na face desenhada pelo anseio
Aonde na verdade nada veio...

33264

O mundo se acompanha do vazio
Porquanto nada existe além do não
E todo o meu resumo em perdição
No quadro em que redimo, desafio,
Estando sempre assim vou por um fio,
A queda não conhece proteção
E tento perceber libertação
No vento mais atroz e mesmo frio,
Arcar com as palavras mais doridas
E ver ao desnudarem velhas vidas
A mesma cena ingrata aonde um dia
Usara com ternura esta vontade
Que o tempo renegou e na verdade
Há tanto noutro fato se perdia...


33265



Amiga já faz tempo que não tenho
Sequer notícia alguma de quem tanto
Um dia se fizera em medo e pranto
E agora se mostrando em novo empenho
Traduz felicidade e se contenho
Ainda dentro em mim o velho espanto
De quem imaginara cada canto
Diverso do que ainda desempenho,
Extintas ilusões no meu caminho
A morte se aproxima e nem ligo,
Aonde no passado quis o abrigo
Traçando outro cenário, eu me avizinho
Da imensa e mais total hipocrisia
Gerada pela inútil poesia.

33266

A vida nos afasta sem querer
Dos vários descaminhos onde tento
Sentir ao menos paz e o sofrimento
Mostrando a cada dia o renascer
Da amarga melodia em que quis crer
E nela novos rumos eu invento
E quando desespero ou desalento
Tomando toda a fonte em desprazer
Permite esta inconstância mais atroz
Ninguém escutaria ainda a voz
De quem se fez apenas ilusão,
E assim ao me esquivar dos espinheiros
Os dias adentrados, derradeiros
Propõe somente angústia e podridão.


33267

Tu sabes como é grande o meu desejo
E mesmo assim renegas o que sentes
E quando novos dias mais presentes
Puderem discernir o que prevejo,
O fardo se tornando a cada ensejo
Razão das mais incríveis, vãs sementes
Porquanto noutro rumo mais freqüentes
As pedras entre as tantas que não vejo,
Resisto por saber ao fim da tarde
O quanto a solidão ainda aguarde
E teima em heresias, mas ajuda
Uma alma sem sentidos nem porquês
E quando noutra face tu te vês
Fotografia fútil e enfim miúda.

33268

Ao meu lado, é tão bom poder te ter
E saber os meus anseios mais comuns
Os dias sem ninguém serão alguns,
Mas nada me restando em tal prazer,
E o quanto poderia ainda em mim
Vencer os meus propósitos e ardis,
No quanto a fantasia não me quis
Nem mesmo poderia até o fim,
Gerando a primavera aonde outono
Reinando sem sequer saber da sorte
Que tanto poderia e não conforte
E quando da poesia eu já me adono,
Adorno-me nos versos mais felizes
E neles novamente me desdizes.

33269

Tivemos quase sempre bem juntinhos
Momentos em que tudo parecia
Ainda envolto em tramas de alegria
E até imaginamos casas, ninhos,
Mas quando me percebo em tais carinhos
A noite se apresenta bem mais fria
E o quanto se fizera não podia
Traçar com calmaria tais caminhos,
Assim ao me entregar sem ter certeza
No todo que talvez ainda presa
Uma alma se embrenhando em solidão
Vasculha cada parte do que resta
E vendo pelo menos qualquer fresta,
Encontra o que pensara solução.


33270


E viva a liberdade mesmo em morte,
E quanto mais se vê noutro momento
A dor inutilmente em sofrimento
Querendo cada dia como um norte,
Assisto finalmente à triste sorte
E nela se em verdade me atormento
Buscando sem sentido qualquer vento,
O canto perde enfim suave aporte.
Os olhos já cansados de quem tanto
Lutara contra as duras injustiças
E quando em terras frias, movediças
Prefaciando a dor em cada canto
Vestígios de um momento mais feliz
A própria realidade já desdiz.

33271

O tempo que se vive a cada instante
Renasce noutra face mais diversa
E quando a minha vida segue imersa
Naquilo que pensara deslumbrante
Por quanto a própria vida, esta mutante
Em nova direção agora versa
Estranhamente molda uma conversa
E nela cada passo se adiante
Gerando a inconsistência aonde busco
Viver o que talvez pareça brusco,
Metamorfoses várias ditando alma
Assim nesta total efervescência
O mundo não conhece consciência
E a volta do que fomos nos acalma...



33272

Em todos os problemas desta vida
Resumo os meus enganos e promessas
E quando noutra face recomeças
A história há muito tempo está perdida,
E sei da imensidade da avenida
Aonde em fantasia me endereças
E quando as novas noites vão avessas
Às tantas onde vira a despedida
Resido no passado ou no futuro
E beijo cada gole onde amarguro
Ou mesmo me salina a sorte e o rito,
Assim meu verso se condena às mutações
Diversas e complexas direções,
Gerando o que talvez seja infinito.


33273


Trilhamos diferentes, os caminhos,
E quando convergimos nada temos
Senão os mesmos olhos, velhos demos,
E neles as saudades e os carinhos,
Resumo cada verso nos espinhos
E nele todo o fruto que colhemos
Expressam esta dor onde vivemos
Por vezes solidários ou sozinhos.
Negando alguma sorte ou mesmo o brilho
Restando ao coração de um andarilho
Beber a liberdade em novo passo,
Resisto aos teus apelos e vontades
Ou quando ainda abrindo portas grades
O todo já refeito eu mais desfaço.


33274


Mas nunca imaginamos despedida
Assim que se percebe alguma luz
O quanto da verdade decompus
Não deixa que se veja clara a vida,
O pórtico da esperança noutra urdida
Vivenciando o tempo em contraluz
Refere-se ao passado aonde eu pus
A sorte que bem sei fora vencida,
Acasos entre tantas tempestades,
Matando as minhas fúrias e vontades
Resisto bravamente e tento o fim,
Zunindo dentro em mim sons do passado,
O peso de viver velho legado,
Tramando este caminho mais chinfrim.


33275


A sorte que te leva, agora traz
Cenários variáveis destas eras
E nelas quando tanto degeneras
Encontra finalmente o mundo em paz,
Resumo cada verso mais tenaz
Deixando para trás as minhas feras
E quando me alimento em tais esperas
Do nada represento o passo audaz
A morte não traduz uma verdade,
E o peso mais amargo da saudade
Não verga qualquer uma das histórias
Milênio após milênio, tudo igual,
Engodo se mostrara ritual
E as hordas sempre vivas nas memórias.

33276

Fazendo do meu dia, mais brilhante,
Encanto que sorvera qual remédio,
Mas tudo se passando sem assédio
Do quanto poderia num instante
Viver a realidade degradante
Deixando o coração bater em tédio
E novo caminhar, em rito médio
Após o que pensara mais gigante,
Revejo estes cenários mais fugazes
E tanto poderiam noutras frases
Falarem do que um dia quis em festa,
Aborto as esperanças e renasço
O mundo mesmo quando vago e escasso
Mantém ainda aberta qualquer fresta.


33277


Encontro finalmente a minha paz,
E nada do que tanto imaginara
A fonte noutro tanto se prepara
E mostra esta figura mais audaz,
Resisto enquanto posso, mas atrás
O mundo novamente traça a escara
E quando o peso toma esta seara
Servir ao que pudesse, tanto faz.
Recebo a voz do vento e tão distante
Do quanto poderia e se adiante
O mundo não recebe mais a voz,
De quem se fez ausente e agora tenta
Vencer com calmaria uma tormenta
E chega mansamente em fria foz.


33278

Depois de tanto amor titubeante
O ocaso se tornara mais freqüente
E quando dos meus olhos já se ausente
O mundo aonde vira o deslumbrante
Caminho aonde tudo se agigante
Porém realidade se apresente
E morto em vida vivo plenamente
A forte sensação do degradante
Cenário em ato amargo e sei final,
Mas tudo não passado deste fato
Aonde com terror se eu me retrato
Encontro noutro tanto o mesmo igual
Alento ou desalento necessário
O todo se mostrando sempre vário.


33279

Sabendo que virás. Felicidade
Não sabe do endereço, o que fazer?
Se o todo nada mais amanhecer
O peso não valia esta verdade
Apenas a real futilidade
E a morte novamente a se render
Peçonha após peçonha posso crer
No quanto a vida mesmo desagrade
E risco cada sonho do caminho,
Metade do que eu quis já não conheço
Porém outra metade inda padeço
E sei que preferindo estar sozinho
O resto não importa, jogo fora,
Somente a poesia ainda ancora.


33280

Amiga tô morrendo de saudade
Do corpo inusitado da esperança
Quebradas ilusões onde a pujança
Traçara com ternura a liberdade,
No todo percorrido, sociedade
Ao largo do vazio já se lança
E tanto quanto pode ainda alcança
O medo da tortura em tempestade.
No peso de viver caminho à toa
Enquanto a viva voz inda ressoa
Gestando qualquer luz que não a minha
Assim esta vendeta dita vida
Morrendo sem saber da despedida
No fardo que deveras sempre vinha.

33281




Andando sem apoio e me perdendo
Em meio aos costumeiros vendavais
Adentro noutro tempo e tento o cais
E nada mais pudesse nem desvendo,
Restando qualquer cor, ou manso adendo
Entranho no planeta do jamais
E bebo velhos vinhos rituais
Aos poucos noutro tanto me vertendo,
Verdades absolutas? Já cansei
De ter que obedecer diversa lei
E nada me pudesse ainda dar
O sonho nem tampouco a temperança
E quando a sorte a morte, o corte alcança
O resto vai ficando em seu lugar.


33282

As noites se transformam em suplícios
Na ausência ou na presença da esperança
E toda esta fartura não avança
Jogando os meus caminhos, precipícios
E tanto me entregara aos fartos vícios
E quando a faca toca e assim alcança
O peito de quem busca ser criança
Tristeza vai cavando seus ofícios,
O pantanal do amor já nem mais quero,
O risco de viver um quadro fero
Não vale algum sorriso etéreo e falso,
Prefiro caminhar em fina areia
Se a lua doutro lado me incendeia,
Lirismo vai criando o cadafalso.


33283

Amar o que pudesse ser suave
E ter noutra faceta a sorte quando
O mundo noutro tanto desabando
Deixando que a verdade sempre agrave
Minha alma se liberta e sendo uma ave
Etéreos entre fúrias revoando
As esperanças fogem, ledo bando
E tento na alegria última nave,
São parcos os caminhos de que tenta
Vencer com calmaria esta tormenta
E a festa continua mesmo assim,
Somando o que não sou e não seria
A sorte se mostrara mais vazia,
E chego sem ter penas ao meu fim.

33284


O tempo vai passando e, nada tendo,
O tanto que pudesse se fez vago
E quando no vazio ainda alago
Eu beijo a tempestade onde desvendo
O fardo noutro canto convertendo
E tento do passado algum afago,
Restando do que eu fora mero bago
O parto noutro aborto se contendo.
Chegando de mansinho a lua toma
E bebe deste vinho enquanto doma
A noite em luz suprema e maviosa,
Minha alma sem juízo e melindrosa
Ao ver este cenário inusitado
Encontra os sacros rumos do pecado.


33285

Os dias, verdadeiros precipícios
E neles outros tantos mergulhados
Vivendo as alegrias dos passados
E nelas os delírios dos inícios
Os passos tantos vezes são fictícios
E quando se percebem desolados
Escondem outros tantos demarcados
Em farpas mais venais, duros comícios,
Assisto ao que pudesse ser alento
E neste pensamento ainda invento
Momento de poder acreditar
Nas ânsias costumeiras de quem sonha,
Porquanto a própria vida não reponha
Deixando tudo aquém, a divagar.


33286


Não vejo nada além duma ilusão
E até que poderia ser diverso,
Mas quando a cada dia desconverso
Moldando com terror outra estação
Encontro este vazio na amplidão
E sinto neste tanto quanto imerso
Perceba a sensação do fútil verso
Traçando noutro encanto embarcação,
Restando a quem porfia acreditar
Vitória que decerto não virá
Nem mesmo quando o sol rebrilhará
Tomando toda a força do luar,
Silenciando uma alma pouco a pouco,
O grito quase inútil segue rouco.

33287

Marcada dentro d’alma a ferro e fogo
A carne se apodrece com ternura
E quando noutro tanto se amargura
Eu perco enquanto ganho o mesmo jogo,
O quadro se mostrando desde logo
Na face mais audaz que se procura,
Ainda não vislumbra nem perdura
Porquanto cada instante ainda rogo.
E teimo noutra face da verdade,
A porta não se abrira nem a quero,
O fato de poder ser mais sincero
Enquanto tantas vezes desagrade
Permite a liberdade de quem sonha
No verso em tez suave ou tão medonha.


33288


Arrebenta sem demora o coração
E deixe este segredo assim de lado,
O peso muitas vezes demarcado
Demonstra a imensidade deste não,
Acordo com terror ou tentação,
E beijo o mesmo gosto anunciado
No pendular caminho desmembrado
Restando ao menos gozo e diversão,
Espécies mais diversas, tanto humano,
E o corpo condenado ao mesmo engano
Não deixa mais filhotes nem pedaços,
E assim ao mergulhar no meu inferno
Bebendo deste vinho e pão interno
Eu tento com futuro velhos laços.


33289

E tudo se perdendo... Volta logo
E trague o que deveras não mais sei,
Bebendo cada história tento a grei
E nela com terror eu já me afogo,
O quanto não pudera nem mais rogo
Não vale cada dia que passei,
Vestindo esta quimera que agora usei
Os reinos para sempre fora eu jogo,
Não quero a serventia do vazio
Nem mesmo a imensidão do tal ocaso,
E quando doutro sonho já me aprazo
O peito sem querer eu esvazio
E o frio doma assim este cenário
Que embora doloroso é necessário.

33290


Quem dera se soubesses como estou,
Quem tanto não diz nada nem diria,
Assim ao perseguir a fantasia
O quadro há tanto tempo desenhou
Faceta mais diversa do que sou
E nesta tão dorida hipocrisia
Ainda se buscando a eucaristia
O peso na verdade me envergou.
Resisto enquanto posso e ainda tento
Vencer em calmaria o forte vento
Jogando meus navios contra o cais,
Armando dentro em mim os mais doridos
Caminhos entre tantos percorridos
Espalho pelas ruas vendavais...

33291


Vasculho teu sorriso em cada canto
E busco tão somente algum apoio
E quando a solidão invade o arroio
Do qual em cada curva cevo encanto
Gerando do vazio algum quebranto
E tento separar trigo de joio
Condeno-me ao não ser e neste aboio
Tentando um sentimento eu me adianto
E sinto a companhia de quem fora
Apenas noutro instante sedutora
E agora se desnuda em face escusa,
O amor não mais conheço e nem pudera
Gestando a tempestade amarga fera
Enquanto a realidade ainda abusa.

33292

Se fomos, quase nada me restou
Do todo que pensara ainda haver
O mundo noutro encanto ou desprazer
Pudesse traduzir o que inda sou,
Resisto enquanto o sol não mais dourou
Matando desde agora o amanhecer
E quando noutro tanto o verdecer
Marcando o meu destino, se negou
Ao fato de poder acreditar
No fardo que inda tenho e procurar
Momento mais tranqüilo mesmo quando
O tempo se desanda e de onde vim
Traduz o que restara dentro em mim,
E assim outro momento se mostrando.


33293


Procuro ter na vida, um novo encanto
E tudo poderia ser diverso
Do quanto ainda tento e desconverso
Buscando a poesia invés do pranto,
E sendo mais feliz eu me adianto
À velha solidão do etéreo verso,
Pudesse noutra face estar disperso
Na mesma solidão ausente o manto
Do peso de uma vida ensandecida
E nada poderia traduzida
No resto que me pesa em plenas costas
Assim ao se fazer realidade
No quanto a mesma insânia desagrade
A cena noutras cenas descompostas.


33294

À noite, tanto tempo, sem revê-la
A lua não se mostra mais desnuda
E o quanto do passado não acuda
Cegando cada brilho desta estrela,
E tendo a sensação de um vago espasmo
Percorro os siderais caminhos quando
O mundo se pudera constelando
Gerando qualquer sonho e ainda pasmo
Procuro algum alento onde não há
Nem mesmo a menor sombra de ilusão
Assim ao disfarçar intenso chão
O quadro se desenha desde já.
Bebendo cada sorte inusitada
Não resta do presente quase nada.


33295´

Vou como quem perdeu a sua estrela
E sabe desolado o imenso céu
O coração percorre sempre ao léu
Na busca inconseqüente por revê-la
Embaralhando os olhos neste espaço
Discirno tempestades costumeiras
Porquanto as luzes sejam traiçoeiras
Ainda sem destino tento e passo
O tempo de sonhar em luzes falsas
E quando na verdade poderia
Singrar com emoção a poesia
Usando os sentimentos, toscas balsas
Assisto ao que não fora nem pudera
Deixando para trás a primavera.


33296



Se tu soubesses que jamais amei
Talvez não me deixasses conduzir
O passo rumo ao frágil vão porvir
Usando do vazio, tola lei
E quando nos teus olhos me espelhei
Tateio na procura do sentir
Momento mais audaz e sem seguir
A estrela que deveras soneguei,
Restando tão somente esta canção
E nela novos dias mostrarão
O fardo que carrego e sei tão grande,
Por quanto noutro tanto se demande
O tempo que pensara salvador
Agora bem distante de um amor.


33297

Meus momentos felizes, ao teu lado
Não pude conceber porquanto a vida
Ao mesmo tempo dita a despedida
Enquanto noutro tanto diz enfado,
Resisto e mesmo quando provocado
Percorro desde então mera saída
E creio noutra sorte decidida
Marcando este vazio, meu legado,
Não pude acreditar sequer no sonho
E quando a solução quero ou proponho
Arrisco-me a saber do que pudesse
Tramar em libertária consciência
Deixando para trás toda a ciência
Bebendo do prazer, suprema messe.

33298

De tudo que sonhava, procurei
Sentir a voz do vento me tocando
E quando imaginara bem mais brando
Apenas o vazio eu encontrei,
Restando do passado alguma lei
E dela todo o mundo desvendando
O tempo noutro tanto mergulhando
Assisto ao caminhar e me matei,
Vasculho dos escombros desafios
E tento procurar pelos pavios
Ainda não tentara ver a sombra
Do todo que se fez apenas frágil
Aonde poderia ser mais ágil
A morte pouco a pouco já me assombra.


33299


Viver cada segundo, apaixonado
Cenário adolescente aonde uma alma
Mergulha sem saber futuro trauma
E tenta sem enganos velho prado,
Restando depois disso o mesmo enfado
Aonde não pudesse crer na calma
E tanto a solidão já não me acalma
O beijo noutro tanto disfarçado,
Esgoto-me qual fora um ledo rio
Enquanto meus caminhos desafio,
As margens inundadas do meu sonho,
Vestindo esta diversa fantasia
O tempo não pudera nem urdia
Caminho aonde a paz tento e proponho.


33300

Dançavas nas estrelas, minha amada,
E assim se demonstrara em evidência
O encanto que hoje vira penitência
Deixando com terror já demarcada
Na pele de quem sonha outra parada
Inverte com horror esta imprudência
E tanto poderia dar ciência
Do rumo se fazendo em mansa estrada,
Legando a quem já dera tanto e a culpa
O quanto deste encanto não se esculpa
Nem trame nova face em mesmo rito,
Assim ao me sentir inutilmente
O corpo do prazer agora ausente
Prepara este caminho ao infinito.

33201 até 33250

33201

Vestindo as minhas tolas ilusões
E nelas nada vejo senão isto
O peso transtornando e até desisto
Das loucas e diversas sensações
Ainda que sentisse em vibrações
Momentos mais gostosos e, benquisto
Pudesse acreditar no quanto existo
Diversamente agora quando pões
Os pratos sobre a mesa e me desancas,
Palavras que talvez sejam mais francas,
Mas não representando o que ora quero,
Porquanto me alimento em fantasias
Ainda quando mesmo me dirias
Jamais desejaria ser sincero.


33202


Restando do poeta quase nada
A frase muitas vezes não traduz
O quanto do passado reproduz
A fonte nunca mais iluminada
Cenário aonde toda a tez marcada
Por fúria e por completa e vaga cruz
Gestada pela ausência de uma luz
A sorte nunca fora mais traçada
Por quem se desejara novo rumo,
E tanto quanto posso eu me consumo
No fato de poder ainda ver
Diante dos meus olhos a palavra
Na qual a fantasia ainda lavra
Gerada num instante de prazer.

33203

Faço parte do quanto quis e não
Soubera discernir neste cenário,
Guardando as esperanças num armário
Não quero e nem preciso direção,
Morrendo desde sempre, mostrarão
Meus olhos outro tempo necessário
E sendo dos meus sonhos um corsário
Vagando pelas sanhas de um verão
E nele não se vê ainda vivo
O peito deste agora teu cativo
E quase libertário, mas sereno.
Só sei que na distância prometida
Eu perco pouco a pouco a minha vida
Nesta medida enquanto me enveneno.

33204

Metamorfoses tantas neste que
Fartando-se do vago não pudera
Vencer a solidão nem mesmo a fera
Aonde poderia e nada vê
O fardo pelo qual o mundo crê
No quadro desmembrado degenera
E toda a fantasia não espera
Podendo conhecer o que não lê.
À cargo de tentar outra esperança
A morte na verdade já me lança
Entranho por imensos precipícios
E quando quis voltar nada podia
O corte propagado em noite fria
Denota esta voraz noção dos vícios.

33205

Trazendo a primavera agora em mim,
Engrenagens diversas inventando
O peso noutro tanto transbordando
Matando o que inda resta, chego ao fim,
Decepo minhas mãos, calo o clarim,
Resisto ao que pudera noutro bando
A morte se aproxima retalhando
E dela todo o início dita enfim
Capacho da ilusão somente um verme,
E o corpo apodrecido quieto e inerme
Transcende ao que pudesse ser real,
E o golpe que pensara ser fatal
Permite uma saída noutra face
Enquanto a solidão deveras grasse...

33206

Minhas mágoas traduzem a canção
Aonde me fizeste quase um rei,
E agora noutro tempo desabei
E vi que tudo fora sempre em vão,
Aonde se mostrasse em negação
Caminho pelo qual decerto errei
E bebo este passado e me entranhei
Do tempo em falso guizo, sedução.
Minhas palavras ditam a verdade
Porquanto a própria vida nos degrade
O fim já se aproxima e nada resta,
Apenas o vazio dita a festa
E nela não se vê sonata e dança
Representando assim minha esperança.


33207

Falar do meu passado e crer no quanto
O dia que virá trará certeza
Da rara e mais sublime natureza
Do amor que sem sentido agora canto,
O todo se mostrando em desencanto,
A vida noutra vida estando presa
O corte se aprofunda e a correnteza
Levando para o nunca e já me espanto.
Pudesse conceber feliz momento
E tantas vezes sinto e até invento
Um templo onde pudesse saciar
Vontade incomparável de sentir
Nos sonhos este amor raro elixir
E apenas o vazio a se mostrar...

33208

Cantando esta emoção aonde um dia
Pudesse acreditar noutra aliança
A sorte no vazio já se lança
Matando o que restara em poesia,
A vida vai perdendo a serventia
E quando se percebe outra esperança
Mentira sobre tudo a voz alcança
Repete a mesma face amarga e fria.
Medonha garatuja se desenha
Na face de quem tanto quis a luz
O amor cujo caminho em rara senha
Soubera e já perdi faz tanto tempo
Agora noutro instante reproduz
Apenas tão somente contratempo.

33209


Fizemos da esperança nossa casa
Beijando qualquer lua ou temporal
O amor se mostraria um ritual
Aonde qualquer luz dizendo em brasa
Pudesse novamente enquanto apraza
O sonhador em verso sensual,
Mas quando se percebe o desigual
Caminho toda a sorte se defasa.
E o peso do viver vergando as costas,
As chagas pouco a pouco são expostas
E o medo sobrevém aonde um dia
Gestara com ternura outro momento
Tomado pela dor e sofrimento
Somente a ingratidão nos tomaria.

33210

Serena madrugada diz do quanto
Amor pudesse ser maior
E quando me tomando de suor
Bebendo desta luz em raro encanto,
Ainda sonhador deveras canto
E sei da melodia até de cor,
Vivendo o quanto pude de melhor
Delírio pelo qual eu me agiganto.
Serena madrugada diz do todo
E agora não se vê senão tal lodo
Do pantanal imenso, solidão,
Os olhos procurando alguma paz
E tudo foi ficando para trás
Negando o que pudesse ser verão...

33211

Roubasse algum momento de alegria
Num beijo ou numa jura, ou num tormento
O quanto te desejo e me alimento
Do sonho que este verso me traria,
O fato de viver a fantasia
E nela a cada dia mais aumento
O tom da melodia e este fomento
Transgride enquanto mesmo me alivia
Segredos entre tantos doces sonhos,
E os dias serão claros e risonhos
Enquanto eu me fizer somente teu,
O amar e ser além da eternidade
Vivendo com total sinceridade
Meu rumo neste prumo se perdeu...


33212

Jamais eu roubaria algum instante
Aonde nada mais pudesse crer,
E ter esta alegria de um prazer
Deveras tão somente fascinante,
E busco a cada passo que adiante
O tempo desejoso, amanhecer
E tanto se mostrasse sem querer
O quanto amor se torna deslumbrante,
No todo aonde tudo mais redime,
Amar e ter além do quanto estime
O sonho mais audaz, tempestuoso,
Cevar com tanta luz este caminho
No qual com meu amor eu me avizinho
Da plenitude feita em festa e gozo...

33213


Marcando em minha pele, tatuagem
De um tempo mais feliz que ora não vejo
Ainda vivo em mim fatal desejo
Qual fora tão somente uma miragem
E assim ao perpetrar nova viagem
Nas ânsias mais atrozes, num lampejo,
Encontro toda sorte que eu almejo
E sinto novamente a fresca aragem
Vivendo sem perguntas, medos planos
Momentos divinais e soberanos
Repetem as histórias do passado,
Vibrando no desejo mais atroz
Ouvindo neste instante a tua voz,
O mundo que eu sonhara vislumbrado...

33214

Encontro meus pedaços por aí
Vagando bar em bar e noite a fora
O sonho de viver já se demora
E nele toda a glória que senti
Enquanto novo mundo pressenti
E nele toda a sorte me devora
Aonde a fantasia ora se ancora
Voltando e vejo amor, estas aqui.
Recordo cada frase e num momento
O tanto quanto posso em claro alento
Vibrando em sintonia com meu sonho,
A sorte semeada num instante
Tornando este caminho alucinante
Aonde no passado era medonho...

33215


Sentindo esta emoção aonde a vida
Pergunta sem respostas por que tanto.
O vento pelo qual eu já me encanto
E assim a própria história resolvida
Nas ânsias delicadas, sendo urdida
A sorte que pudesse sem quebranto
Toar a todo instante e em todo canto
Na glória sem saber de despedida,
Vestida de ilusões uma alma quer
Seara apaixonante da mulher
E nela reconforto após a luta,
Um porto aonde tudo se traduza
Na fonte que deveras nos conduza
Vencendo em calmaria a força bruta.


33216

Apaixonado encontro o teu destino
E bebo deste vinho em cada arfar
Desejo noutro tanto a se mostrar
E nele com certeza me fascino,
E quando sem defesas não domino
Vontade de chegar e te tocar
E aos poucos sem juízo desnudar
Toando dentro em mim tal desatino,
Vencido pela sorte de ser teu
O quanto deste encanto se verteu
No amor que agora trago no meu peito,
Sensatas ilusões? Já não conheço,
Apenas vou colhendo o que mereço
E sem limite algum em ti me deito.

33217


Desejo-te desnuda e sensual
No canto mais sublime em harmonia
Amor quando demais já se procria
Em rito mavioso e sem igual,
O quanto deste fato é natural
E nele se perfaz a fantasia
Gerada pelo amor em alegria
Tragando em esperança sonho e sal,
Atados pelo sonho nada além
E quando tudo deve e nos convém
Não quero outro momento em minha vida,
E nós ao encontrarmos nosso rumo
O mundo sem juízo quero e assumo
Em ti a minha sorte vai, perdida...


33218

Ao mesmo tempo encontro luz e medo
Naquela a quem bebi tanta alegria
E sei também da fúria e da agonia
No quanto tantas vezes me concedo,
E sei que de manhã, de noite ou cedo
O todo deste tempo se traria
Em nova cor diversa da agonia
E beijo a tempestade sem segredo.
Felicidade é tudo o que mais quero
E sendo assim contigo amor sincero
Não tenho mais pecados pra pagar,
Vencidas as quimeras costumeiras
As horas não seriam traiçoeiras
Apenas quero em ti poder amar.


33219

Acordo e quando ancoro o pensamento
Nas luzes que deixaste como um rastro,
Bebendo cada gota já me alastro
E tanto quanto posso ainda invento
Caminho aonde apenas bebo o vento
E tendo a sensação de força e mastro,
O amor se torna então supremo lastro
E trama com ternura outro momento,
Espere mais um pouco fique aqui
O todo no teu mundo eu descobri
Não quero mais perder a direção,
E assim ao me entregar sem mais defesas
Encontro finalmente em tais belezas
A vida com sentido em teu verão.

33220


Felicidade diz do quanto espero
Do amor sem ter promessas, só por ser
E ainda se mostrando a enaltecer
O fato mais sutil e tão sincero
E nele não seria mais austero
Vivendo a plenitude do prazer
Sentindo-me decerto renascer
Após este tormento duro e fero,
Resisto e te proponho um novo mundo
No amor onde sem medo me aprofundo
E vou neste mergulho até raiz
Sorvendo cada gota deste encanto
E assim ao me entregar com paz eu canto,
Sabendo finalmente ser feliz...


33221

Aprendo cada vez que venho aqui
Bebendo desta sorte inigualável
Amar além do quanto imaginável
Aonde com certeza mais sorvi
O tanto que pudera e descobri
Intento mais que sempre desejável
Retrata este desejo incomparável
E nele esta beleza que há em ti,
Dançando em noite terna, ser só teu
E toda a fantasia se verteu
Num ato muito além do mais querido,
Revejo a cada instante o tanto amor
E nele se mostrando encantador
Tocando com ternura esta libido.


33222

Singrando esta divina maravilha
E nela se percebe o meu intento
Palavras que desejo ou mesmo invento
Aonde a fantasia já palmilha
Restando dentro em mim esta armadilha
Na qual eu com doçura eu me alimento
E sei desta alegria em provimento
Enquanto o teu olhar decerto brilha,
Resumo em versos, sonhos, rimas, frases
Os belos devaneios que me trazes
Pulsando como fosse a primavera
E deste caminhar sem mais defesas
Entregue às mais sublimes correntezas
A vida nos teus braços se tempera.

33223

Acordos entre vários caminhares
Tocado pela sorte mais sensível
O amor quando se mostra assim incrível
Toando com ternura em tantos lares,
Girando sem destino em raros ares
Aonde se mostrasse mais audível
O mundo demonstrando um invencível
Desejo aonde sempre me tocares
Aprendo com vontades, meus anseios
E sinto-me disperso em tantos veios
E vejo-te decerto a cada sonho,
Assim ao me entregar tão simplesmente
O quanto se deseja corpo e mente
Um mundo mais suave eu te proponho.


33224

Saudades deste amor que já não volta
O tempo não pudesse ser assim,
E tanto desejando amar em mim
O vento solitário traz revolta
E toda a solidão tomando a escolta
Por quanto está vazio o meu jardim,
E toda a sensação traçando enfim
Lembrança que domina e não mais solta,
Das gotas de desejo que me rondam
Momentos do passado voltam, sondam
Tomando cada passo que inda dou,
Viver esta tormenta satisfaz
Quem tanto se cansara desta paz
E nos meus próprios antros mergulhou.


33225

Colares entre estrelas, raro brilho
Galgando tais espaços siderais
Vivendo e desejando sempre mais
Aonde em luzes fartas eu polvilho
O amor aonde tanto um andarilho
Pudesse ter em ritos magistrais
Momentos para os quais fundamentais
Chegando ao meu limite eu te palmilho,
Solidão ao demonstrar a turva face
Condena cada instante e enfim não trace
Sequer a solução que busco ainda.
Resolvo meus problemas quando quero
Sentir este momento mais austero
Aonde a fantasia se deslinda.

33226

Perdido sem espaço em cada rota
Aonde todo o tempo diz do não
E quando ainda busco algum verão
A sorte sem juízo já se embota
E tudo ultrapassando qualquer cota
Tramando a cada ausência a negação
E nela sem saber quando virão
Os dias onde a sorte se denota
Certeza a cada tempo transformando
E sei que talvez seja desde quando
O amor não seja utópico e persista
Dourando cada dia desta vida,
E assim ao perceber clara saída
Eu possa ser enfim mais otimista.


33227

Meu verso quer apenas este alento
Embora saiba sempre do vazio
Aonde com certeza sinta o frio
Fatal de qualquer medo e sofrimento,
E quando outro caminha ainda tento
Vagando sem certeza, desafio
O mundo aonde nada mais eu crio
Senão este terror no pensamento,
Amar e ter certeza, ser amado,
Vivendo em sintonia, sempre ao lado
De quem se poderia ser a mais
Do que talvez a sorte já moldasse
Assim ao se mostrar a clara face
Vencendo os mais terríveis vendavais.


33228

Eu quero e necessito ser feliz,
Não busco outra resposta nem podia,
A vida sem ninguém corre fazia
Distante do que tanto quero e quis,
E quando noutro passo me desfiz
Gerando dentro em mim tenaz sangria
O quanto do passado ainda urdia
Amar é ser eterno, um aprendiz.
Tatuo com teu nome minha pele,
E quando esta loucura nos compele
Gerando outro delírio dentro em nós,
Eu sei deste caminho sem ter volta
E mesmo quando a sorte diz revolta
Maior será do amor a imensa voz.


33229

Temperar o nosso canto com ternura
Bebendo a mais real felicidade
E nisto reviver cada saudade
Aonde toda a luz sempre perdura,
Assim o tanto encanto que nos cura
Trazendo toda a luz à saciedade
Magia deste instante que me invade
E deixa-se antever gozo e tortura.
Perdido sem saber de qualquer rumo
No quanto te desejo e me acostumo
Na dura solidão que tu me deste,
O peso de viver se torna amargo
E quando solitário enfim te largo
O mundo em trevas torpes me reveste.

33230

Queimando a minha pele este desejo
Do tempo mais feliz que ainda possa
Falar desta alegria tua e nossa
Embarcações dizendo do que almejo,
O cais mais soberano e já prevejo
O quanto de ternura ora se apossa
E deixa para trás o medo e a fossa
Amor é muito mais que algum lampejo
Ancoro meu delírio em teu caminho
E quando me percebo e me avizinho
Das tuas emoções também sou teu
Em tantos desafios vida afora
O amor quando no amor assim aflora
Na eternidade então se converteu...

33231

Vestindo a cantoria aonde eu pude
Saber das ilusões mais costumeiras
Porquanto tantas vezes tu me queiras
Negando qualquer forma de atitude
Assim ao já perder a juventude
Pensando com ternura em tais bandeiras
Agora se não vejo mais roseiras
Ainda quanto mais a vida ilude
Permito-me entranhar por novo sonho
E assim todo o poder bebo e reponho
Deixando para trás tanta tristeza
Vencer os meus antigos dissabores
Rondando meu caminho belas flores
E ter a cada passo esta certeza.

33232

Procuro uma saída aonde há tanto
Soubera ser difícil, mas eu tento
E quanto mais audaz o pensamento
Maior a queda, eu sei, e o desencanto,
Mas mesmo assim ainda teimo e canto
E quando novo tempo quero e invento
O vento me transporta e num alento
Deixando para trás o duro pranto
Desafiando a sorte a cada passo,
No quanto em poesia eu me desfaço
Resisto aos mais complexos temporais,
E vejo quantas vezes fora incauto,
E sigo sem saber de sobressalto
Até os meus momentos terminais.

33233


Não deixe para trás o que deveras
Pudesse maltratar quem tanto sonha
Portanto a cada dia mais reponha
O quanto desta vida ainda esperas
E sei que sendo assim tu regeneras
Vivendo este caminho, se proponha
A crer noutro momento em tez risonha
Apascentando enfim frias quimeras,
E sei do quanto posso junto a ti
E tendo esta certeza percebi
O mundo noutra face mais suave,
E quando me pergunto aonde vou,
Respondo na medida em que inda sou
Eu mesmo passageiro, porto e nave.


32234


Aprendo com meus erros, isso é fato,
Não pude retornar desde o começo
E sei de que cada falta em que mereço
A punição, por isso me retrato,
O tempo se mostrara sempre ingrato
E tendo da incerteza este endereço
Risonho retornar tento e me esqueço
Da imensa turbulência em tal regato,
Vestígios de outros dias encontrando
Aonde vejo o mundo mais nefando
Recebo cada instante como fosse
Um último momento de alegria,
E quanto mais embalde se faria
A vida não seria jamais doce.

33235

Ouvindo a voz do vento me chamando
E sei que tantas vezes pude crer
No encanto revivido e amanhecer
Momento mais suave e tento brando,
Aos poucos fui até me acostumando
A ter somente a dor e o desprazer
Cansado inutilmente de querer
Meu mundo noutro tanto desabando,
E agora que me resta este vazio
Aonde tantas vezes teimo e crio
Fazendo do meu verso, um desabafo,
Cacifes que pensara nunca os tenho,
Porquanto fora torpe tanto empenho
Nem mesmo da ilusão medonha eu safo.


33236

Reside ainda em mim uma vontade
De crer ser mais possível ver um dia
Aonde tanta luz emergiria
Deixando para trás o que degrade
Porquanto cada canto desagrade
Diversa deva ser a melodia
E nela outro momento refaria
Não tendo do passado nem saudade,
Mas tudo fora em vão agora eu vejo
Somente o que deveras o desejo
Fizera com meus passos, senda inútil,
E assim mesmo sonhando com a luz
O quanto do prazer jamais eu pus
Tornando o meu viver apenas fútil.


33237

Acordo com meus olhos embotados
Vivendo cada dia como quem
Cansado de saber que nada vem,
Mergulha sem destino em torpes prados,
Os dias que buscara iluminados,
Apenas solitário, sem ninguém
A dor quando demais sempre convém
Acreditar em tais enunciados,
E assim destes oráculos eu creio
A vida se perdendo sem um veio,
Redonda caminhada rumo ao nada,
Depois de me vestir com fantasias
Diversas das que tanto me trarias
A sorte noutro rumo, mal traçada.

33238


Apenas um poeta e nada mais,
Resisto contra tudo o que lutara
E desde quando a vida gera a escara
E nela tais momentos tão venais
Pudesse caminhar sem ter jamais
Que ver esta distância que separa
A vida de outra vida sendo clara
A fonte em tais tormentos, terminais,
Vestindo esta emoção quem dera eu veja
Além do que decerto se preveja
A sorte maviosa e tão sublime
Que após os temporais ainda venha
Reabra meu caminho, acenda a lenha
E assim todo o pecado se redime.


33239

No ponto de chegada nada tem
Somente a mesma ausência corriqueira
Quem tanto faz do sonho uma bandeira
Termina inutilmente sem ninguém,
O quanto da esperança segue aquém
Do tanto que deveras já se queira
O mundo não conhece a verdadeira
História aonde amor nada contém
Senão mesmo pedaços, vil escória
E toda a solução se faz inglória
Gestando um triste aborto da esperança
E quando noutro fato eu possa crer,
Amor ao se tornar a enfraquecer
Ao nada novamente já me lança.


33240


Ouvir a voz do tempo e tentar crer
Que a vida se renova a cada instante
Porquanto cada dia degradante
Em outro bem melhor irá nascer,
Eu quero e até pretendo reviver
Momento aonde a sorte se agigante,
Mas sei que na verdade o triunfante
Caminho não se deixa percorrer.
Medonha face exposta da verdade
E quando nada cala e tanto invade
Gerando em mim vazio insuperável,
Respondo com total monotonia
E quando a solução a vida adia
Meu mundo continua indecifrável...


33241

Aprendo a cada instante quando vejo
A cena repetindo o mesmo não
Na ausência de caminho e direção
O quanto buscaria neste ensejo
E sei que este vazio em azulejo
Grisalha com terror toda a amplidão
E sei das tempestades que virão,
E assim o meu final tento e prevejo,
De todos os meus dias os mais duros
Aqueles feitos turvos céus escuros
E toda a sorte morre num vazio
Aonde mergulhara uma esperança
O meu olhar somente o nada alcança
E aos poucos cada dia é um desafio.


33242

Olhando para trás e procurando
Apenas um momento em que pudesse
Vencer este temor e ter a messe
De um tempo não dorido e nem nefando
Porém minha alma segue assim nevando
E nada do que eu busco inda se tece,
Passado novamente se obedece
Aonde quis meu sonho perfilando
Momentos redentores e não tinha,
Saudade se inda existe, sendo minha,
Não deixa qualquer rastro no teu peito,
E tento disfarçar, mas não consigo,
O mundo revivendo o desabrigo
Enquanto em solidão inda me deito.


33243


Mortalhas que me deste como brinde
E assim eu mergulhei noutro vazio
E quando novo tempo ainda fio
Não tendo solução que ora deslinde,
Adentro este terror tão costumeiro
O canto se tornando amargo e duro,
E quando alguma luz inda procuro,
Nem mesmo uma esperança por luzeiro,
Rasgando o coração, nada mais sobra,
O pantanal aonde em trevas ando
O amor que fora outrora em contrabando
A sorte desta forma se desdobra
E cada dia torna-se feroz
O próprio respirar é meu algoz.


33244

Perpetuando o sonho aonde um dia
Pudesse acreditar noutro cenário,
O amor além de torpe e temerário
A sorte de quem tanto quer adia,
E resta apenas isso: a fantasia
E nela como fosse num armário
O encanto que julgara necessário
Guardado já sem uso ou serventia,
Do todo que este sonho ora previu,
O mundo não mostrara mais gentil
E o fardo se acumula em minhas costas,
Buscando inutilmente algum caminho,
Porquanto seguirei sempre sozinho,
Terríveis faces torpes ora expostas.

33245

Respostas que procuro pela vida
Em tantas horas são mediocridade
E apenas cada fato desagrade
Quem tanto porfiara e já duvida
Que exista além da mera despedida
Um mundo aonde amor seja verdade
E quanto mais o sonho se degrade
A sorte não se mostra bem urdida,
Restando a quem procura, simplesmente
O quanto deste todo se pressente
E nada representa esta porção
Qual barco em solitária noite escura,
Minha alma por farol, logo procura,
Mas como se não sabe a direção?


33246

Pecado é não tentar e desistir
O amor não se permite em omissão
Além de ser divina esta missão
No fato de moldar nosso porvir,
Assim como se fosse permitir
Que encontre novamente a direção
Após a tempestade ou furacão
E ajuda o caminheiro a redimir
Os erros do passado, mesmo assim,
Vagando sem destino dentro em mim
O amor não me permite respirar,
Pudesse ter nos olhos o que eu quero,
Mas sei deste desejo amargo e fero,
Na ausência de algum porto onde ancorar.


33247

Arcando com meus erros e segredos,
Não pude perceber se existe em mim
Um ponto de chegada, pois no fim
A sorte se esvaindo entre meus dedos,
Os dias que buscara morrem ledos
E a seca destroçando o que é jardim,
Matando pouco a pouco até que assim
A vida não perceba mais enredos,
E tanto poderia acreditar
Ainda ser possível navegar
Embora sem alívio, dia a dia,
E tudo se transforma num momento
E quando exposto ao forte e duro vento
O barco sem um cais naufragaria...


33248

Ouvindo a voz de quem tanto eu queria
E nada mais restara senão isto,
Deveras se teimoso ainda insisto
Quem sabe nova mente noutro dia,
E tudo não pudesse em harmonia,
Mas quando se pretende ser benquisto
A cada derrocada mais persisto
E beijo a tempestade que me guia.
Atropelando o tempo sou refém
Do nada quando em nada se contém,
Matando com terror o que pudera
Gestar dentro de mim a imensa festa,
Mas quando nem o sonho mais me resta
A vida se transforma em vil quimera...



33249

Nas curvas do caminho, águas de março
Ganhando o coração de quem se queira
Vencendo a mesma estrada costumeira
Enquanto noutra face me disfarço
E nunca sem saber se ainda esgarço
O verso feito em luz ou em bandeira
Descendo qualquer rua, na ladeira
O quanto vai restando é mais esparso,
E o passo que se dá buscando a meta
No todo ou no vazio se completa
E tudo poderia quando quero,
Mas nada do desejo se cumprindo
O tempo sem ter tempo sempre é findo,
E o mundo se mostrando agora fero.

33250

Restando este retalho sobre a cama,
Aonde nada mais pude viver,.
O bêbado desejo de saber
Quando a verdade chega e já reclama,
Não quero mais pisar em lodo e lama
Tampouco outro vazio perceber
Toando dentro em um novo ser
Do qual a sorte muda toda a trama
Viver esta fatal tormenta agrade
A quem buscara só felicidade?
Não posso mais seguir sem ter descanso,
E a morte se apresenta de soslaio
Fazendo do meu sonho seu lacaio,
E assim sem mais conversa a paz alcanço.

33151 até 33200

33151

Seguindo cada nuvem neste céu
Imensamente azul que tu me deste,
Depois da vida amarga em tom agreste
Agora a sorte inverte este papel,
E bebo a maravilha quando ao léu
Do tanto que em ternura se reveste
O mundo aonde a vida mais quiseste
Traçando com beleza um claro véu,
Divina poesia me invadindo
Tornando o dia a dia bem mais lindo
E vejo quanto posso ser feliz,
Vencendo os meus temores, sendo assim,
Vivendo todo amor que existe em mim
No sonho mais audaz que um dia eu quis.

33152

Amar desesperado e claramente
Quem tanto se fez minha em sonho outrora,
Beleza sem igual já nos decora
Tomando sem perguntas a alma e a mente,
Resisto enquanto a sorte não desmente
O sonho mais feliz no qual se ancora
O pensamento vivo e sem demora
Bebendo a imensa glória plenamente.
Permito-me cantar e procurar
Momento tão suave aonde ver
O belo e mais supremo amanhecer
Tocado por encanto que sem par
Transforma a minha vida em luz e calma,
Adentrando deveras a minha alma...


33153

Estrela redentora que me guia
Levando para além do sentimento
E quando na verdade me apascento
Bebendo da mais clara poesia
Nem mais um vago e amargo triste dia
Tampouco qualquer sombra: sofrimento,
O tempo se transforma e o pensamento
Agora em luzes claras me traria
Não tenho outro desejo senão esse
E quando a minha vida recomece
Nas tramas divinais de um grande amor,
Traduz-se em alegria toda a glória
E a doce sensação de uma vitória
A cada novo beijo a se compor.


33154

Desejo-te deveras mais que tudo
E bebo cada gota do suor
Sabendo deste canto em tom maior
E sei que porventura não me iludo,
Resisto aos meus temores, mas, contudo
O todo que pensara ser pior
Mostrando a velha dor que sei de cor,
Porém ao te encontrar eu me transmudo
E risco este horizonte em luz suave
Fazendo deste amor caminho e nave,
Atrevo-me a viver a primavera
Depois de tantos dias, meses, anos
Vivendo tão somente desenganos
A sorte noutro instante regenera.


33155


Não posso me calar perante ao canto
Aonde se mostrara a imensidão
De um tempo sem temor nem divisão
Vibrando com ternura a cada encanto,
E sei do meu caminho e até, portanto
Vislumbro novos dias que virão
Eternizando em mim raro verão
E todo este delírio seca o pranto.
Sentindo a poesia de um alento
Aonde noutro tanto me alimento
E beijo a terna luz que tu me trazes,
Vivendo sem querer saber da dor,
Num mundo renovado e encantador,
Momentos tão felizes quanto audazes.

33156


Ainda se pudesse acreditar
Na vida quando em vida renovada
Seguindo sem perguntas esta estrada
E nela vislumbrando todo o mar,
E assim ao permitir o novo amar,
Ao menos posso crer numa alvorada
A sorte noutra história demarcada
Tocada pelo mundo devagar,
Riscando já do mapa uma tristeza
Encontro finalmente esta grandeza
Que possa permitir tanta alegria,
E assim a sorte em mim não mais se cala
E atravessando o quarto, a copa a sala
Domina sem sentir a poesia.


33157

Eu tanto procurei felicidade
Por ânsias mais diversas desta vida
E quando imaginara já perdida
Presença maviosa tudo invade
E rompe do passado qualquer grade
No amor que não pergunta e nem duvida
A história nunca mais tão dividida
Ainda que deveras não agrade
Ao velho sofrimento tão tenaz,
E quantas vezes sonho satisfaz
Trazendo algum alento a quem tentara
Vencer a solidão e a cada instante
Bebendo este cenário deslumbrante
Encontra a luz tomando esta seara.


33158


O tempo nada traz senão a brisa
Falando da saudade sem limites,
E quando noutro rumo inda acredites
A vida noutro instante sempre avisa
Do tempo que deveras martiriza
E traz entre temores quando evites
As soluções dispersas ou te omites
Na força mais cruel e tão concisa.
Não pude acreditar e vou sem medo
E quantas vezes teimo e me concedo
Rendido sem defesas ao que tento
Vestir com alegria em paz suprema
E quando na verdade nada tema
A vida já provém o meu sustento.


33159

Os meus olhos cansados do vazio
Ao qual me acostumara e vez em quando
No tanto que pudesse me tomando
Tornando o meu caminho bem mais frio
Enquanto o dia a dia desafio
E tento novo alento desvendando
Beleza onde outrora fora em bando
O sonho se queimando no pavio
Deixando qualquer marca dentro em mim,
As águas derrubando qualquer ponte
E nesta fantasia já se aponte
O mundo que pensara ser sem fim.
Gestado pela mesma inconseqüência
Que possa reviver tanta clemência


33160

Eu quero uma mulher que me permita
Acreditar nos sonhos, nada mais
E vença com carinho os temporais
Qual fora a fonte imensa e tão bendita
Aonde a própria sorte trama a dita
E possa se mostrar em tais cristais
Divina criatura em magistrais
Caminho onde tudo enfim palpita,
Os olhos apascentem e com calma
Invada plenamente dentro da alma
Deste que se fez apenas sonhador,
Eu quero esta mulher maravilhosa amante
E tanto se permite radiante
Tocada pelas ânsias de um amor...

33161

Amar e sem medidas perceber
Belezas que esta vida possa dar
E tanto poderia imaginar
O mundo com delírio e com prazer
E quando toda a sorte adentra o ser
Qual fosse um belo raio de luar
Vontade de somente mergulhar
E tanto acreditar no amanhecer.
Vencido caminheiro em sofrimento
Agora noutro encanto me apascento
E vivo a maravilha deste instante,
Embora se perceba pontual
O sonho como fosse imensa nau,
Transforma qualquer pedra em diamante.

33162

Ao quanto se pudesse amor e sonho
Vestindo a fantasia mais audaz
E neste mesmo instante satisfaz
Enquanto novo mundo enfim componho,
O quadro se mostrasse mais risonho
A vida noutro instante ainda traz
Esta alegria aonde satisfaz
Até um coração atroz medonho.
Vivendo a plenitude sem perguntas
Enquanto com meus sonhos teu ajuntas
Sabemos discernir farta emoção
Vibrando em consonância posso ver
O mundo num instante e perceber
As horas mais felizes que virão.


33163

O todo não pudesse ser apenas
A face mais completa do que sou,
E quando neste intento mergulhou
Amor ao se mostrar em raras cenas
Diverso das loucuras onde acenas
Com todo este delírio que restou
A quem sem ter mais rumos navegou
Buscando outras palavras mais amenas.
Os dias seguem sendo sempre assim,
O início recomeça após o fim
Refaço após a chuva imenso sol,
E tudo até chegar o inevitável
Caminho aonde o tempo imaginável
Perdido plenamente do farol.


33164

Jogado pelos cantos da casa
A vida não pudesse ainda ver
Sequer a menor sombra de um querer
Que a própria realidade já defasa
E o beijo se perdendo não apraza
Negando qualquer sombra do prazer,
E tantas vezes quis o amor beber,
Porém a minha sorte sempre atrasa
E molda com terror onde pudera
Viver a imensidão da primavera
E nada mais espera senão isto,
E tendo a face escura da verdade
Porquanto cada passo se degrade,
Ao fim da tempestade, eu já desisto.

33165

Depois de tanto tempo sem te ver
Amigo como é dura a vida enquanto
O tempo se mostrando em dor e pranto
Negando a quem sonhara algum querer,
Vestindo a fantasia de outro ser
Espalho pelas ruas o quebranto
Usando amarrotado e roto manto
E nele ainda busco me aquecer,
A vida não permite soluções
Somente alegorias, podridões
E tudo se perdendo sem sentido.
Andando sem destino em rua amarga,
Ao poucos esta vida já me larga
Num rumo em tanto medo, enfim perdido.


33166

Amigo quantas vezes imagino
O tempo noutro canto, verdejando
E tudo se mostrasse bem mais brando
Porém o sentimento eu não domino
E quando noutro tanto me fascino,
O todo neste instante desabando
A morte sinto enfim se aproximando
E sei que aos poucos tanto desatino,
Menino sem juízo, do passado
Agora vendo o sonho desolado
Não tendo fantasia, nunca mais
Sabendo da esperança tão distante
Por mais que na ilusão já se agigante
Os dias sonegando os meus cristais.


33167

As ondas entre tantas transparências
E as praias em desertas fantasias
Matando o que pudessem alegrias
Negando quaisquer luzes, aparências,
Diversas emoções, coincidências
E nelas outras luzes não trarias
Mergulho nas esperanças mais vadias
E sinto meramente as indolências.
Pudesse acreditar noutro caminho
Porém ao prosseguir sempre sozinho
Amordaçado sonho já se cala
E o tempo em vendavais se transcorrendo,
O amor aos poucos sinto vai morrendo
Não resta claridade em minha sala.

33168

Perdido caminheiro em noite vaga
Somando os meus vazios nada tenho
E quando novamente em tolo empenho
A velha solidão ainda afaga
Quem tanto poderia e já se alaga
No medo onde deveras me convenho,
Pudesse novamente noutro cenho
Sentir a fantasia, antiga plaga,
Resisto embora saiba não possível
Vencer a dor imensa até incrível
Que toma cada instante desta vida,
E o medo não permite solução
Sem rumo sem carinho e diversão,
A sorte dela mesma já duvida.


33169

De tanta fantasia que eu pudera
Traçar em versos fartos ilusões,
E neles as diversas diversões
Geradas por quem tanto se tempera
Na glória florescente em primavera
E agora se pressentem emoções
Enquanto tantas horas tu repões
Perdidas noutros dias; louca espera.
Revivo com ternura o que passamos,
Mas logo percebendo o quanto erramos,
Não deixo qualquer dúvida e partindo
Encontro a liberdade que maltrata
A sorte se mostrando tão ingrata
No encanto que eu buscara agora findo.

33170

Legando aos meus meninos o que um dia
Pudesse reviver em primavera,
Porém a própria vida destempera
E o sonho a cada instante já se adia,
O canto se transforma em heresia
A boca que me beija, amarga fera,
A porta do passado não mais gera
A liberdade imensa que eu queria.
Perceba a maravilha sonegada
E tanto pude crer numa alvorada
Aonde em turbilhão se fez a cena,
A morte em plena vida, eis a verdade
Porém quem dera ao menos liberdade
Que enquanto me atordoa, já serena...

33171

Tem pena de quem tanto se lamenta
Buscando te esquecer e não consigo,
Ao mesmo tempo busco o teu abrigo
Embora no teu peito uma tormenta,
Menina que decerto me apascenta
E representa sempre este perigo,
Vivendo este terror amor amigo
Preciso nesta luz onde violenta.
Restara ao sonhador velho chorinho
E tanto poderia, mas sozinho
Jamais eu me entreguei além do cais,
Vencido pela insânia de um momento
Bebendo esta loucura quero e tento
Ainda ver cenários magistrais.


33172

Pudesse caminhar em plena paz
Deixando os espinheiros onde outrora
A sorte dolorida ainda aflora
E torna o meu momento mais mordaz,
Pudesse ser assim e ter tenaz
A sombra de uma vontade que decora
Uma alma sem saber sequer desta hora
Aonde a fantasia satisfaz.
Vestindo esta emoção pudesse ainda
Viver a poesia mais infinda
E crer na libertária fantasia.
Mas quando a solidão bate na porta,
Mortalha se aproxima e desconforta
O passo noutro instante em agonia...

33173


Singrando por espaços siderais
Vestindo luzes fartas, belos brilhos,
E quanto se percebem empecilhos
Os dias entre tantos vendavais
Venais as tempestades sem iguais,
E ainda noutros termos os ladrilhos
Por onde se pudessem novos trilhos,
Cenários de um amor, fenomenais,
Mas tudo se derrama em falsa luz
E quando a solidão se reproduz
Num tempo mais amargo e tão cruel,
Invés da poesia e da esperança
O tempo sem destino só se lança
Às sendas dolorosas, medo e fel.

33174

Das breves alegrias nada trago
O tempo se mostrara mais amargo
E quando as esperanças todas largo
A vida sonegando algum afago,
O beijo desejado, manso e mago,
O encanto com terror o sonho embargo
E morro sem sentir se ainda alargo
O passo com amor aonde alago
O temporal inunda alma e tento
Sorver com alegria último vento
Riscando dos meus dias a ilusão.
Mas sei quanto é inútil caminhar
Lutando contra as forças deste mar
E nele a ventania em profusão...


33175

A morte ronda a sala, o quarto, a vida
E o medo de seguir contra a maré,
O tempo se mostrando e sei quem é
O corte anunciando outra saída,
A porta se trancando não duvida
Aonde se perdera a sorte e a fé,
O todo se mostrara uma galé
A noite eternamente apodrecida.
O canto sem sentido, o vago caminhar
Ausência de sonho, de terra e luar,
O calor dominando cada momento
E tento procurar algum descanso,
Mas nada conseguindo ainda avanço
Bebendo tão somente este lamento.


33176

Ligeiro caminhar levando ao nada
E tanto poderia ser diverso
Se o mundo aonde ainda em sonhos verso
Trouxesse uma manhã tão desejada,
Mas quando me percebo e esta alvorada
Num tom tão tenebroso quão perverso
E nele cada toque mais disperso
Gerando após a vida a derrocada.
Restara uma esperança pelo menos
E nela outros momentos mais serenos,
Aonde no passado nada houvera,
Quem sabe no futuro? Um novo dia?
Ainda resta em mim a poesia
Embora a realidade gere a fera.

33177

Cerzindo com furor o passo aonde
O tempo não pudesse ser assim
Meu canto sem limites chega ao fim
E nele toda a sorte já se esconde
Por tanto que pudera e perco o bonde
Portanto que eu desejo e sei enfim
Do tempo sem ter tempo dentro em mim
Pergunto e solidão volta e responde,
Repondo a minha história em claro trilho,
E quanta fantasia em estribilho
Vencendo a realidade mais atroz...
Procuro pelas luzes da cidade
E quando vejo assim temeridade
Encanto se mostrando mais feroz...

33178

Tristeza não se acaba e me domina
A velha fantasia nada vale,
Porquanto a minha voz o tempo cale,
Nem mesmo restará dispersa mina,
Ao que esta alegoria se destina
Montanha dominando todo o vale
Saudade vai tecendo em dores xale
E tudo neste instante desatina.
Fascínio de morena em praia e sol,
Delírios desejado no arrebol
O quadro se pintara mais bonito.
Mas quando me percebo em solidão,
Ainda não se vê sequer verão
E o tempo repetindo o velho rito.

33179


Pudesse caminhar em carnavais
Diversos entre cores, fantasias,
Mas quando do passado tu surgias
Mostrando os teus momentos mais venais,
Estrelas se perdendo siderais
E nelas primavera não trarias
Momentos tão dispersos, utopias
Realidade se transforma e nunca mais...
Há tanto que eu busquei uma resposta
A vida noutro rumo foi proposta
E toda esta verdade não produz
Sequer do que eu desejo algum alento
Sozinho bebo enfim e me atormento
Buscando pelo menos frágil luz.


33180

Ainda se pudesse a poesia
Tocar a tua pele mansamente
O tanto que hoje sigo qual demente
Buscando sem saber outra agonia,
Vestindo esta dorida alegoria
O corpo se entregando a vida mente
E tudo do que eu quero mais se ausente
Na noite em tempestade amarga e fria,
Resisto, mas percebo quanta dor
O tempo sonegando qualquer flor,
Atrocidades ditam o caminho
E sei do meu futuro noutra cena
Quem sabe este cenário não tem pena,
E sigo o meu cantar, mesmo sozinho.

33181

Vestindo a solução que tanto busco
Vencendo os meus anseios contumazes
O amor quando deveras tu me trazes
De um jeito carinhoso ou mesmo brusco
No quanto com ternura já me ofusco
Usando tuas mãos como tenazes
Vencendo as tempestades, duras fases
Nas sendas mais gostosas me chamusco.
Eu tento cada frágua discernir
E sinto quanta glória no por vir
Venturas maviosas, mel e fel
E quando se mostrara mais cruel
Restando solitária ou cabisbaixa
A sorte nos chamando tudo encaixa.

33182

Sem ter sequer temor nem adjetivo
Que possa traduzir amor e glória
Vibrando a cada dia nova história
Sabendo deste encanto em que me crivo,
Resisto enquanto posso, mas não me privo
Da lua enamorada em que a memória
Vislumbra como fosse uma vitória
Teimando contra a sorte, sobrevivo.
Cativo deste encanto em primavera
As rosas no jardim, a sorte espera
A doma cada instante do viver,
Vencido sem saber se quero ou não,
Momentos mais diversos mostrarão
Como dominas sempre enfim meu ser...

33183

Amor quando demais domando tudo
E nada do que deixa posso ver
Além desta vontade de querer
E tanto me entregara e até me iludo,
O beijo se mostrando enquanto mudo
O rumo que pudera conhecer
Vestindo a fantasia e te saber
No todo quanto quero e assim transmudo
Seara onde ilusões beberam tanto,
Agora noutra face já me encanto
E arisco pensamento agora é teu,
Vestindo esta beleza soberana
A vida noutra cena não se engana
Meu mundo no teu mundo se perdeu...

33184

Não quero te perder nem poderia
Viver sem a presença deste sonho
E quando novamente em ti me ponho
Por mais que a vida seja amarga e fria
Aonde se pensara em ventania
O tempo se mostrando mais risonho,
E quando neste tanto eu já me enfronho
De um enfadonho mundo outro se cria,
Servindo como fosse algum lacaio
O tanto deste sonho aonde espraio
E vivo tão somente por saber
Do amor que nos conquista plenamente
E ainda quando ao longe o canto ausente,
Desta ilusão não canso de beber.


33185

Nada mais seria senão isto
Um mundo em tempestade, nada mais,
Vencido pelos tantos vendavais
No quanto te desejo sempre insisto,
E quando a solidão enfim despisto,
E tento novos dias, sensuais
Bebendo nestas taças de cristais
Deveras ao saber-te tanto existo.
Eu quero tão somente a poesia
E nela toda a glória se irradia
Domando com ternura um mundo fero.
Assim ao perceber tal claridade
O mundo com brandura agora invade
E nele sem temores, me tempero.

33186

Gestando esta alegria poderia
Viver outro segundo em paz imensa,
E quando noutro amor a recompensa
Deixando no passado a noite fria,
Escuto a tua voz e a melodia
Tomando toda a cena, agora intensa
E nela todo o medo se compensa
Gerando esta diversa fantasia
Persisto num caminho mais audaz
E quando esta harmonia, o sonho traz
Quem fora mais mordaz, hoje sorri.
E tantas vezes tive o olhar distante
Mas quando me percebo radiante
Encontro esta razão de ser em ti.

33187

Vagando por estrelas, infinito
Recebo cada tom em luzes várias
E bebo as nossas sortes necessárias
Fazendo da esperança quase um rito,
E tendo tanta glória não me omito
E sei das horas tensas, procelárias,
Ainda que resistam luminárias
Talvez o dia não pudesse ser bonito
Não fosse esta presença mais feliz
De quem tanto se dá e nada quis
Somente o mesmo amor que ainda sinto,
O tempo não permite outro caminho
E quando nos teus braços eu me aninho,
Revivo o doce alento outrora extinto...


33188

Falar da magnitude de um amor
Que sei não tem limites, nem teria,
A sorte do passado mais sombria
Agora nos teus braços ganha cor,
E o medo se transforma em tal louvor
E nele toda a vida se recria,
Gerando a cada sonho a fantasia
Deixando no passado mero horror.
Resido no futuro quando em ti
E volto ao meu caminho onde senti
O todo mais feliz em cena imensa
O peso do passado ainda oprime,
Porém tua presença me redime
No amor que a cada dia nos convença.

33189


Levando a minha vida sem sentido
Perdendo qualquer rota, sigo assim
Vagando sem saber sequer de mim,
Um barco sem um cais, ledo e perdido,
Na tez maravilhosa adormecido
Acordo solitário e bebo o fim,
Mortalha onde pensara ser cetim,
Um mundo noutra face apodrecido.
Resolvo meus dilemas com palavras
E nelas cultuando velhas lavras
Tentando uma colheita que não vem,
Mas mesmo assim insisto e tento ainda
A sorte imaginária e se deslinda
Somente a mesma vida sem ninguém.


33190

O cômodo caminho que eu buscara
Durante as tempestades usuais
Entranha noutro rumo em vendavais
E deixa a minha vida, desampara,
O quanto se pudesse ser mais clara,
Mas nada do que mostra em desiguais
Caminhos são diversos dos fatais
Aonde toda a morte se prepara.
Ao fundo do poço adentro a cada instante
E tento pelo menos inda crer
No amor que renovado eu possa ver,
Embora nada disso se adiante
A farsa não me basta, quero a vida,
Resposta há tanto tempo em vão, perdida...


33191

Perdendo o meu caminho em noite fria
Vagando por poemas sonhos medos
E tento desvendar velhos enredos
Enquanto sobrevém a poesia
Tomando com loucura e mais queria
Vencer os meus temores e segredos,
Os dias novamente em degredos
E neles onde a história refaria
Momento mais feliz enquanto pude
Viver a minha ausente juventude
Ainda que isto mude pouco a pouco
O quadro se anuncia em tom diverso,
E bebo a solidão enquanto imerso
No encanto aonde com certeza me treslouco.


33192

Acordo e sem saber se ainda existe
Alguma marca viva do que fomos,
E tento subverter o quanto somos
Usando o mesmo olhar ausente e triste,
No todo que deveras se consiste
A vida dividida em tantos gomos,
E neles os meus dias viram pomos
Diversos deste canto e o sonho em riste
Transcende ao que pudera ser real,
Vestindo este momento sempre igual
Negar o meu caminho é o quanto resta,
Por isso não consigo mais saber
Se existe ainda um rumo pro prazer
Nem mesmo se inda posso crer em festa.

33193


A vida roda e gira sem parar
Levando tudo aquilo que puder
E sem da fantasia sem sequer
Poder noutro momento saciar
Vontade de sonhar e de tocar
O corpo delicado da mulher
Havendo neste encanto o que inda houver
Bebendo cada gota do luar.
Resido no que fora sonho e sei
O tanto quanto possa noutra lei
Seguir o descaminho mais freqüente,
Resumo cada verso no que tanto
Gerado por terror em dor e pranto,
Ainda sem razões vida apresente.

33194

Rondando em cada passo o que pudera
Vestir outro momento em plena luz
Se ao tanto ainda agora já me opus
O peso na verdade destempera,
E quantas vezes vejo esta quimera
Por onde noutro tanto me propus
Ainda quando ao longe não reluz
Sequer o que sobrou da primavera,
Fogueira da ilusão queimando tudo,
E quando noutro fato eu já me iludo
Miúdo coração de nada vale,
Bem cedo poderia acreditar
Nos raios mais brilhantes do luar,
Tomando este cenário em claro xale.


33195

Pudera ser criança novamente
E ter noutra palavra uma alegria
O quanto roda a vida, e mostraria
A face desolada de um demente,
Porém o quanto tanto se apresente
O medo noutra forma, em agonia,
E o gesto na verdade mudaria
A morte no que tange e represente.
Resisto quando tento ser feliz,
Porquanto cada verso que hoje eu fiz
Falasse deste sonho, mais distante,
E sei que nada vale a poesia
Não fosse alimentada em fantasia,
Ainda quando o medo se adiante.


33196

Vagasse sem caminho vida afora
Beijando a tempestade ao deus dará
E tudo se transforma desde já
Enquanto a solidão toma e devora,
Não tendo mais um porto aonde ancora
O barco que jamais navegará
Por sendas tão distante, mostrará
A morte sem juízo e desde agora.
Qual fosse um mero servo da esperança
Aonde o meu olhar jamais alcança
É lá onde eu pudesse ter o porto,
Mas sei do quanto vago em noite fria
E beijo sem temor a ventania
Sabendo do meu sonho semimorto.


33197

A face desnudada da verdade
Mostrando em tons sombrios o meu mundo
E quando neste fato me aprofundo
Eu sei do quanto a vida se degrade,
Jamais eu poderia em liberdade
Cantar o coração tão vagabundo
Girando sem sentido quando inundo
O tempo com terror ou claridade,
Esgueiro-me entre pedras e cascalhos,
O tempo nega aos sonhos assoalhos
E o vértice se torna em perigeu,
Ao menos o meu mundo já se deu
A quem se fez amante e companheira,
Não posso mais sentir outro tormento
E quando nos teus braços me apresento
A paz te traz em mim qual mensageira.


33198

Amar e ter nos olhos a presença
De quem se desejara sempre mais,
E posso acreditar que os temporais
Não tendo mais sequer quem se convença
Da paz que poderia em recompensa
Gerada por momentos desiguais,
Carrego tais estrelas nos bornais
E ausência se transforma em dor imensa.
As mágoas que carrego dentro em mim,
O fardo se apresenta até o fim
E o vento sonegando a direção,
Pudesse tanto amar e até seria
Melhor o meu cantar e a poesia,
Mas quando me percebo sei do não.

33199


Evita meus olhares teu olhar
E sabes muito bem o quanto aponte
No tanto que quisera ser a fonte
Por onde poderia crer luar,
E sei ao mergulhar em claro mar
Beleza dominando este horizonte
E nele toda a glória já desponte
Traçando cada rumo a divagar.
Nas sendas maviosas dos quadris
Eu quero e sei o quanto sou feliz
Nesta dança diversa e sensual,
Assim o meu mundo no teu tanto se completa
A sorte que me fez ser um poeta
Demonstra outro momento sem igual.

33200


E se de tanto amar pudesse ver
Além de simples luzes, brilho além
E quanta maravilha isto contém
No encanto que começo a perceber
Aonde se mostrasse o bem querer
E toda a fantasia que inda vem
Domina este passado sem ninguém
E passo a acreditar noutro prazer.
Servindo de alimária? Nunca mais.
Eu quero deste anseio sem jamais
Perder a sensação de liberdade,
Porquanto a minha vida sendo tua
Imensa claridade bela e nua
Agora a minha noite inteira invade.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

33101 até 33150

33101

A lua se derrama sobre a praia
Tocando com ternura a pele nua
Da deusa que deveras continua
Enquanto esta beleza já desmaia
A vida noutra cena ora se espraia
E quando por sobre tudo enfim flutua
Suprema maravilha feita em lua
O mar em sons diversos doura a raia,
Neste cenário deito em raro brilho,
Eu vendo-te por perto maravilho
E inebriadamente em desatino,
Sorvendo tanta luz quanto possível,
Toando ao longe um som sobejo e incrível,
Também aos poucos sonho e me ilumino.

33102

Branqueia-se esta praia em lua imensa
Adentro esta beleza em raros tons,
E ao longe das sereias, cantos, sons
Gerando a quem delira a recompensa,
Assim em tanto amor a vida pensa
E extrema maravilha, fartos dons,
O amor transcende aos ritos, claros, bons
No tanto quanto o sonho em luz intensa
Permite ao navegante este farol,
Tomando a noite como um claro sol,
Inunda-se em fagulhas cada instante,
E sendo companheiro da ilusão
Expondo sem defesas, coração
Percebo este momento deslumbrante...


33103

O quanto deste amor desejo e estimo,
Formado com delírios de um desejo
E toda a sorte agora em benfazejo
Caminho se mostrando em raro mimo,
Dos erros do passado eu me redimo
E um novo amanhecer ora prevejo,
Enquanto aproveitando deste ensejo
Os medos contumazes recrimino,
E tento adivinhar novo momento
Aonde com ternura me apresento
E beijo os lábios doces da morena
E tantas maravilhas se mostrando
Num clima mais suave, manso e brando
Felicidade enfim ora se acena.


33104

Olhando-te desnuda, devaneio
E vago por estrelas mais distantes,
Bebendo destas horas fascinantes,
Na alvura demonstrada em cada seio,
O amor que tanto quero sem receio
Tramando os mais sublimes diamantes
E nele com certeza te agigantes
Tornando mais feliz o que eu anseio,
Gerando com ternura a plenitude,
E mesmo quando a noite ainda ilude
Em brumas dominando a clara lua,
Bem sei que no final, o manso vento
Desnuda o véu brumoso, e num alento
Deidade em prata estende-se, enfim, nua.

33105

Sufoco esta vontade de tocar
A pele delicada e sou sincero,
Vivendo este momento onde venero
O raio mais sublime de um luar
Tocando a tua face devagar,
Aonde no passado o medo fero
Agora noutro tom eu me tempero
E sinto-me deveras flutuar.
Amar-te e perceber o quão divino
Enquanto a todo instante me alucino
Rendido pelo farto e claro amor,
Assim ao me entranhar em claro espaço
Futuro fabuloso então eu traço,
E vejo esta alegria a se compor.


33106

Correndo pela areia, uma beldade
Entoa com seus passos melodias
E quando mais audazes fantasias
Maior eu sei em mim, felicidade,
No encanto que decerto agora invade
E nele novos tempo em que crias
Gerados em ternuras e harmonias
Tornando qualquer sonho realidade,
Não posso me negar a tal desejo
E assim a cada instante mais eu vejo
O mundo que buscara em minhas mãos,
Os dias solitários, tolos, vãos
Deixados para trás não alimento,
Matando o que restara em sofrimento.

33107

Enquanto noutros campos devaneias
Vagando por caminhos espinhosos,
Os dias mais felizes caprichosos
Em luas sempre claras, belas cheias
Aonde com ternura me incendeias
Momentos sempre raros prazerosos,
Agora em tua ausência, desairosos,
Estradas de esperanças vão alheias,
Eu tento desvendar cada mistério
E sinto a vida assim em vão critério
Perdido sem alento em noite fria,
Enquanto tu caminhas noutros prados,
Meus cantos não serão abençoados,
Tampouco mais terei um claro dia.

33108

Por onde caminhaste em noite escusa?
Deixaste para trás quem quanto quer,
Não tendo mais notícias nem sequer
Sabendo de quem tanto quer e abusa
Do amor deixando uma alma mais confusa,
Deidade em forma rara de mulher,
No quanto te querendo e se quiser
Destino com o teu a vida cruza,
E sei que na verdade ainda sonhas,
Porquanto novas luas mais risonhas
Talvez inda percebam-te sereia,
Mas quando tu cansares deste intento
Perceberá em mim, o que inda tento
Provar quando minha alma te rodeia.

33109

Longíssimo caminho desvendado
Por quem se fez amor e não pudera
Saber da etérea luz em primavera
E busca novo rumo em mesmo fado,
O tempo noutro encanto decorado,
Deixando-se antever a cruel fera
Na qual a fantasia não tempera
E desespera sempre quem ao lado
Mergulha sem defesas, plenamente,
Porquanto dos meus olhos sempre ausente
Quem tanto desejei e nunca vinha,
A sorte que imagino ser só minha,
Não traça outro caminho senão este
E nele toda a glória concedeste.

33110

Bravias ondas deitam sobre a areia
Traduzem as vontades que inda trago
Buscando tão somente algum afago
Do amor onde meu sonho se incendeia
Percebo nos teus olhos a candeia
E toma a placidez um claro lago,
E quando em tais delírios eu me alago
Bebendo desta lua rara e cheia
Eu vejo-te por perto, ninfa nua
Seara se assemelha ao Paraíso,
E assim ao ser decerto mais conciso
A sorte benfazeja agora atua
E toma com firmeza cada laço
Enquanto em fantasia amor eu traço.

33111

Em leve transparência o meu desejo
Aflora-se ao sentir-te junto a mim,
A boca de um delírio carmesim,
Um beijo mais suave, o que ora almejo
E quando o realizo já prevejo
O mundo em flóreas cores, meu jardim
Tocado por perfume sinto enfim
O amor tornando o céu, puro azulejo,
Verdeja uma esperança no meu peito
E tendo este momento satisfeito
Girando como fosse um carrossel
Alçando deste vale a cordilheira
Minha alma se liberta e ora se esgueira
Eleva-se ao superno e imenso céu.

32112

Molhada pela escuna em noite clara
A pele se mostrando em arrepios
Desejos aflorando velhos cios
O amor incomparável se prepara
E a sorte que pensara outrora rara
Vencendo os teus temores, desafios
Atinge o limiar dos desvarios
E como fosse um sol noturno ampara
Beijando mansamente bocas, lábios
Os dedos percorrendo, loucos, sábios
E as ânsias se completam num segundo,
E assim ao ver tão mansa maravilha
O amor embevecido também trilha
As rotas mais sublimes deste mundo.


32113

Tocando-nos sereno de uma noite
Maravilhosamente embelecida,
Assim ao se mostrar a nossa vida
Meu sonho busca em ti claro pernoite,
E quando o teu amor no meu se acoite
A dita noutra forma amanhecida
Traduz das ilusões a mais querida
E deixa a solidão, cruel açoite
Vagando sem destino, sem paragem,
O vento em brisa mansa, doce aragem
Adentra este cenário e me inebria,
Amar e ter nas mãos esta certeza
Do encanto aonde uma alma quer ser preza
A noite se completa em claro dia.



33114

Pisando com ternura a fria areia,
Qual fosse flutuar, os pés descalços
Ao vê-la deixo ao longe meus percalços
E a doce maravilha me incendeia,
O amor que tantas vezes já pleiteia
Vencer os mais difíceis cadafalsos
Em dias tão doridos, tristes, falsos
Agora se completa e nos rodeia.
Por mais que movediça seja a vida,
Encontro esta beleza em paz urdida
E tento dos meus sonhos, o resgate,
Assim ao me entregar sem ter sequer
Momentos de tristezas à mulher
No encanto que deveras me arrebate.

33115

Esta umidade em lábios, pés e vento
Tocando mansamente meus anseios
E sinto quando roço os belos seios
Do amor e do desejo este incremento
E quando neste instante mais me alento,
Deixando no passado os vãos e alheios
Caminhos, dolorosos, tristes veios,
Ternura emoldurando o pensamento.
Romântico poeta enamorado
Diverso do vazio do passado
Agora embevecido se enlouquece,
No amor quando se mostra sem disfarce
Sem nada que o perturbe nem esgarce
Como se fosse o encanto de uma prece.


31116

Os ares perfumados pelo aroma
Da bela criatura que desnudo
E quando me entregando em ti me mudo
Felicidade imensa já nos toma,
O coração audaz o amor que doma
Deixando-me decerto quase mudo,
No encanto sem igual e sem escudo
Meu corpo no teu corpo, leve coma.
Assim ao me mostrar eternidade
No instante em que o desejo nos invade,
A praia se transforma em paraíso,
E o vento em maciez nos teus cabelos,
Matando os meus diversos pesadelos,
E enfim nesta beleza me matizo.


31117

Aonde tu pudesses ser diversa
Das ondas em marés mais fortes, creio
O amor que quando chega sem receio
Domando toda a cena agora versa
Beijando mansamente desconversa
E deixa o sofrimento além e alheio,
Enquanto tais estrelas eu rodeio,
Minha alma nesta senda segue imersa.
Viver cada momento e ser feliz,
É tudo o que deveras sempre quis
Quem tanto relutara e agora espera
Apenas um momento mais suave
Liberto coração qual fosse uma ave
Entrega-se ao delírio, louca fera.

31118

Aonde tu irias neste instante
Fugindo de meus braços se em ti tenho
Além do quanto quero e já me empenho
O mundo noutra face, fascinante,
O amor como se fosse um diamante
Perfaz em claro sol, o desempenho
E traça este caminho de onde venho
Matando o meu passado degradante,
Dos bares e tormentas de onde eu vim,
Primaveril amor toma o jardim
E ceva com ternura a bela rosa,
E a vida que já fora amarga e fria,
Agora nos teus braços irradia
E sinto esta magia majestosa.

31119

A pele se entregando à doce brisa
E sinto-te deveras mais feliz,
Ao ver o quanto amor sempre nos diz
Enquanto uma saudade se divisa,
Não posso perceber enquanto avisa
A sorte de outro tempo em que me fiz
Além de meramente um aprendiz,
Meu sonho em tais espaços já desliza
E chega mansamente ao que pudera
Viver eternamente em primavera
E ter a estrela guia que eu buscara,
A vida se transforma plenamente
Porquanto tanta glória se apresente
Tomando com ternura esta seara...


31120

O orvalho declinando em tua face
Ao sol que se apresenta e doura a terra,
Reflexo mavioso já descerra
E nesta fantasia em que se trace
Beleza incomparável assim grasse
Domando o coração, vencendo a guerra
Aonde a solidão cruel emperra
Caminho pelo qual dorido impasse
Gerara a imensidão do nada ter,
E agora quando envolto em teu prazer
Já não comporta mais qualquer tormenta,
O amor se faz presente e me domina,
Qual fosse da esperança a fonte a mina,
Aonde a corredeira se fomenta...

33121

Suor ao se espalhar em nossa pele
Ao brilho deste sol maravilhoso,
Enquanto se percebe o raro gozo
O amor ao grande amor já nos compele,
Porquanto esta vontade ora se sele
Transforme um mundo outrora caprichoso
Vibrando noutro tom mais prazeroso
Aonde a fantasia enfim se atrele.
Escondo-me das dores e dos medos,
Desvendo da esperança seus segredos
E tomo cada gole deste encanto,
Por ser assim o amor, rebelde e doce
Tormenta em paraíso, como fosse
Ao mesmo tempo luz, treva e quebranto.

33122

Palpitam de desejos corações
E quando os seios tocam no meu rosto,
O amor quando se vendo assim exposto
Causando no meu peito ebulições
E quanta maravilha tu expões
Do sonho que em mil sonhos recomposto
O gesto solitário de um desgosto
Morrendo entre diversos turbilhões.
Assisto aos meus momentos mais sublimes
E quanto mais desejas ou me estimes
Adentro novos mundos e te encontro,
Embora saiba a vida ser assim,
O início prenuncia após, o fim,
Jamais imaginando o desencontro...

33123

Apaixonadamente a vida toma
Cenário aonde um dia se fez tanto
Dorido caminhar em desencanto
E agora se mostrando além da soma,
Vontade sem igual decerto doma
O coração tomado por quebranto
E quando me percebo e mal me espanto
Meus olhos nos teus olhos, leve coma.
Resisto o que pudesse, mas ao fim
Adentro sem defesas, sigo assim
Jamais imaginando liberdade,
No quanto sou feliz em ser só teu,
Meu barco nos teus mares se perdeu
Felicidade uma alma insana brade!

33124

O vento ao te tocar com mansidão
Roçando os seus cabelos, devaneios
E assim ao se mostrar sobejos veios
Encontro dos meus sonhos, direção,
O amor eternizando este verão
E deixa para trás tantos anseios,
E quando se mostrasse em novos meios
Caminhos para as sortes que virão,
O tanto quanto posso ser feliz
Envolto neste sonho e em tal matiz
Por onde se percebe a claridade
Singrando este oceano das paixões,
Encontro finalmente as emoções
No encanto incomparável que me invade.


33125

Sentando nesta praia ouvindo o mar
Que traz em seu marulho uma esperança
E quanto mais ao longe o olhar alcança
Vontade de nas águas mergulhar,
E crer noutras sereias, desvendar
Aonde a solidão ainda lança
A fonte que pudesse em temperança
E sem defesas mesmo, me entregar
Vencido pela ausência do carinho
Nos ermos do oceano enfim me aninho
E tento pelo menos liberdade,
Porquanto a vida nega barco e vela,
Meu mundo se entranhando na procela
Na angústia sem medidas que me invade.


33126

Sentada nesta praia em fria areia
Pensando no passado, e no horizonte
O sol quanto mais forte já se aponte
Vazio dentro da alma te incendeia,
Assim a sorte molda quase alheia
E nega este caminho, resta a ponte
Das ilusões diversas onde apronte
O mundo noutra face em que não creia.
Restando a quem deseja ser feliz
Apenas visionário tom, matiz
Diverso do que seja o dia a dia,
E quando teu olhar se perde além
A imensa bruma invade e te contém
Enquanto inútil sol inda irradia.


33127

A mão por sobre o colo, olhar sombrio,
Cabisbaixa não vês minha presença
Saudade do que fora é tão imensa
Enquanto a própria sorte eu desafio,
Perdendo esta ilusão, tão frágil fio,
Não tendo quem deveras te convença
A vida renegando a recompensa
Traçando nos meus dias dor e frio.
Pudera acreditar noutro momento
E assim ao libertar o sentimento
Alçar espaços novos, céu sublime
Mas quando te percebo mais ausente
Por mais que outro caminho ainda eu tente
Nem mesmo esta esperança nos redime.


33128

Deitada sobre a areia em tantas mágoas
Olhando para além e nada vendo,
O amor quando demais, raro e estupendo
Enquanto noutro sonho tu deságuas
Apaga da esperança meras fráguas
E deixa este caminho que desvendo
E aos poucos dos teus braços me perdendo
Longínquos os destinos, novas águas.
E tudo não passara de ilusão
Teu mundo segue em nova direção
Enquanto resto aqui tão solitário,
Bem sei quanto é difícil navegar
Sabendo-se disperso deste mar,
Porém também o sei mais necessário...

33129

As mãos ora engelhadas entre as ondas
Procuram caracóis, conchas e estrelas
E quando posso ainda aqui revê-las
Porquanto noutro mundo tu te escondas,
Ainda quando invernos frios sondas
As horas mais sublimes revivê-las
E tanto poderia enfim contê-las
Mas sem sequer ouvir jamais respondas
E sinto-me decerto naufragado
Vivendo cada instante do passado
Morrendo pouco a pouco, insanamente,
Tormento após tormento a vida passa,
O amor que tanto eu quis, mera fumaça
E apenas o vazio se pressente.

33130

Dormindo sobre os sonhos de quem ama
O temporal invade a noite fria,
Ao longe sem respostas, melodia
Qual fosse em plenitude última chama,
Assim ao perceber temor e drama
A sorte se transforma em agonia,
E quando novo tempo se queria
O velho com clamor imenso chama,
E tudo o que pudera ser diverso
Agora emoldurando o triste verso
Impede cada passo rumo ao tanto,
E sendo necessário outro momento,
Bebendo cada gole em sofrimento,
Inútil desalento, mas eu canto...

33131

À noite em solidão, abro a janela
E solto a minha voz em desespero
No quanto tanto amor sendo sincero
Uma alma em amargura já revela,
E quando noutra cena, a velha cela
Da qual ao tentar fuga, vejo o fero
Momento em que deveras bem mais quero,
Porém uma esperança não se atrela,
Riscando este horizonte estrela guia
Bebendo cada gole em poesia
Fartando-se do sonho em que mergulho,
Ao longe um brilho apenas, vejo além
E sei que na verdade nada vem,
Castelo que eu buscara, mero entulho...

33132

Eu bebo do luar ensandecido
Momentos mais felizes que não tive,
Porquanto a solidão ainda crive
Meu corpo com terror em duro olvido,
Percebo este caminho dividido,
E vejo mesmo quando não estive
Do quanto cada passo ora me prive
De um mundo desejado e até sentido.
Da lua em tons vermelhos, noite imensa,
E assim no que não fora uma alma pensa
E tenta discernir a claridade
Que existe, mas bem sei já não me entranha
E a lua se escondendo na montanha
Responde com terror, eis a verdade...


33133

Suspiros entre audazes tentativas
Inúteis os meus ritos, mas persisto
E quando me percebo ainda existo
Palavras que tu dizes, mais altivas
Porquanto dentro em mim tu sempre vivas
Às vezes solidão até despisto,
E tento perceber que não só isto
Existe, mas ao ver-me enfim desisto.
Pudesse imaginar outra alegria
E nela uma alma tola fantasia
Bebendo cada gota da esperança,
Mas quando se percebe insanidade
Do amor que busco em forma de verdade
A voz sem ter respostas nada alcança.

33134

A noite se embeleza em tantos brilhos
E vaga-lumes seguem as estrelas
Bebendo cada instante aonde vê-las
Desenhos em clarões, sobejos trilhos,
Os sonhos como fossem andarilhos
Seguindo os rastros quando ao escondê-las
Sonegas e portanto sem sabê-las
Apenas coletando os empecilhos,
Risonha vida aonde se pudesse
Saber desta alegria, uma benesse
À qual jamais consigo imaginar,
A noite se enobrece em plena festa,
Porém a turbulência em mim se empresta
Matando sem ter pena este luar.


33135

Avisto ao longe os sonhos já perdidos
E tento recompor o meu caminho
E quando da esperança me avizinho
Rondando com ternura meus sentidos,
Percebo que tocando os meus ouvidos
O som de um inefável, bom carinho
Permite que eu não seja mais sozinho,
Os dias poderão ser divididos.
Mas quando acordo e bebo a solidão,
Expresso com meu canto e o violão
Apenas se mostrando em tom menor.
O todo deste encanto se perdendo
Aonde noutro mundo em louco adendo
Quisera transpirar gozo e suor.

33136

As lágrimas molhando a tua face
Derramam-se decerto por alguém
Que enquanto já se ausenta ou não mais vem,
Aos poucos o teu sonho já desgrace,
Riscando a poesia nada trace
E mata quando vive muito além
Do gozo imaginável e não tem
Sequer outro tormento, torpe impasse.
Gerado pela insânia de um momento
Aonde noutro sonho me apresento
E sei que não me notas, mas prossigo,
Quem dera ser o amante desejado,
Mas quando me percebo do teu lado
Apenas sendo um mero, vão amigo.

33137


As águas desta chuva em meu jardim
Molhando cada rosa, em doce orvalho,
Assim ao mesmo tempo onde trabalho
O pensamento doura e torna enfim
O mundo abençoado e vejo ao fim
Da tarde a maravilha em assoalho
E quando novos sonhos amealho
Sorvendo o doce aroma de um jasmim,
Imaginável senda se desnuda
E a sorte noutra face não se muda
Inunda-me a esperança mais feliz,
E sei que agora posso finalmente
Tocado pela sorte em corpo e mente
Viver esta alegria que bem quis.


33138

Segredos que conheces muito bem
Contados pelo sonho em que entranhara
O pensamento em bela face rara
Mistérios e delírios já contém
E sabes quanto quero tanto e além
Da noite aonde o sonho se escancara
Viver a poesia bela e clara
Do amor no quanto amor ora convém.
Percebo-te deveras sonhadora
E assim como talvez um dia fora
Minha alma embevecida se alimenta
Do sonho que te move e ora me guia
Reparto cada instante de alegria
Sabendo logo após vaga tormenta...


33139

Morena com beleza sensual
Tocando a minha pele; sonho apenas...
E quando as noites fossem mais serenas
O dia neste belo ritual,
A plenitude agora em desigual
Caminho aonde tanto me envenenas
Diverso do que outrora quis amenas
As sendas num caminho em vão, dual.
Recebo cada verso como ainda
Pudesse acreditar quando deslinda
A noite em lua e estrelas redimindo
O passo rumo ao tanto que desejo,
Mas quando a turva cena agora eu vejo
O todo que eu sonhara sei-o findo.

33140

Tu já nem sentes mais necessidade
De ter esta presença que buscara,
E assim a minha vida segue amara
E toda esta tristeza agora invade,
No quanto amor se trama e já degrade
O passo noutra senda semeara
A vida que deveras fora clara
E teima contra toda a realidade,
Mas nada deste sonho já compensa
A solidão pressinto e quando imensa
Não tento disfarçar e assim num pranto
O mundo desejado se esvaíra
Ao longe a solidão acerta a mira
Entorna nos meus dias desencanto.

33141

Porquanto em solidão ainda gemo
Na ausência de quem tanto desejara
A sorte noutra face se declara
E assim em pensamento atroz eu temo
O dia que virá em tom supremo
E nada do que ainda se fez clara
Demonstra novidade e enfim me ampara,
Vagando sem destino em sonho algemo,
Negando qualquer sorte a quem deseja
Momento mais feliz mesmo que seja
Apenas ilusão e nada mais,
Sentindo esta emoção noutro caminho,
O todo me traduz este sozinho
Delírio entre diversos temporais.

33142


Eu tanto necessito ser feliz!
Jamais imaginei outra seara,
Mas quando a própria vida mais negara
O todo que em verdade bem mais quis
Deixando tão somente a cicatriz
E nela a face escusa e tão amara
O tempo novamente semeara
O amor onde já fora e se desdiz.
Viver ao fim da tarde o amanhecer
É como redimir-se dos enganos,
Mas quando se percebem novos danos
Percebo cada sonho perecer,
O sol não combinando com a lua,
A velha solidão, pois continua...


33143

Restando a quem procura pelo menos
Saber de outra existência traz alento
E quando novamente me alimento
Dos dias mais tranqüilos e serenos,
Pensando nos momentos áureos, plenos
Aonde se mostrasse manso vento
E tendo no final discernimento
Dos tantos e diversos vis venenos,
Partindo para o quanto poderia
E tendo a minha mão sempre vazia,
O quadro se aproxima em dura tez,
Assim ao mergulhar dentro de mim,
Pressinto duramente o amargo fim
E nele todo o sonho se desfez...


33144

Recomeçando aos poucos meu caminho
Depois de tantos anos solitário
Eu sei o quanto o sonho é necessário
E dele se pudesse me avizinho,
Mas quando sem ninguém cadê carinho?
O mundo se mostrara um adversário
E todo o meu delírio imaginário
Não deixa qualquer sombra onde sozinho
Tentara pelo menos lenitivo,
Agora me percebo bem mais vivo
E busco finalmente a estrela guia
E sei que ela virá no fim da estrada,
A sorte noutra senda remoçada
Transcende a qualquer dor ou fantasia.

33145

Legado de quem ama é ser feliz?
Gestando outro momento mais atroz
Aonde ninguém ouça a minha voz
Desfaço a velha jura que já fiz
Pensando neste tanto em que se quis
Porquanto a própria vida é mais feroz
Atando estes caminhos, novos nós
E neles a esperança tanto diz...
Eu beijo a tua boca imaginária
E vejo ao fim da noite a luminária
Que tanto poderia me guiar,
Mas quando me confundo com a sorte,
Ao ver tanta beleza que conforte,
Apenas meros raios de luar.

33146

Beijo as tuas mãos, belas, pequenas
E sinto-te deveras junto a mim,
Amor que tanto quis jamais sem fim
Mudando em pouco tempo velhas cenas,
Tocando com ternura tais melenas
Bebendo deste espaço que há em mim
Riscando o paraíso bebo enfim
As noites mais sublimes e serenas.
Já não consigo mais saber dos rumos
Diversos entre quedas desaprumos
E tento novamente mergulhar
No quanto tanta luz pudesse ver
Bebendo a me fartar deste prazer
E nele jamais posso descansar...

33147

Reféns dos dias duros e sombrios
Seguimos contra a fúria das marés
Ainda sinto em mim frias galés
Vencendo os mais antigos desafios,
Descendo as ilusões, diversos rios
E beijo com ternura o que não és
Riscando em aflição, traçando os pés
Tocando com terror valor e brios,
Sedento caminheiro em noite clara
A porta dos meus sonhos escancara
E nada do que eu quis ainda existe,
Morrendo pouco a pouco, mera sombra,
O mundo na verdade ainda assombra
O velho coração amargo e triste.


33148

Ausência de quem tanto desejei
Deixando a minha casa mais vazia
Apenas solidão tomando guia
O passo feito em turva, tosca grei,
E quando noutro sonho me adentrei
Sentindo finalmente a poesia
Ainda se pudesse a melodia
Que tantas vezes tolo imaginei.
Mas tudo se refaz e a vida segue
Por mais quando em instantes a alma negue
Prossegue a caminhada rumo ao tanto
E neste caminhar a paz desnuda
E quanto mais desejo a tua ajuda
Maior sinto afinal o desencanto...


33149


Retorno aos meus momentos mais felizes
Bebendo desta sorte que não vejo
E sinto cada noite este desejo
Embora revivendo tantas crises
O quanto do passado ainda dizes
E neles tão somente algum lampejo
Vibrando com ternura tanto almejo
Viver além de meras cicatrizes.
Restando ao sonhador seguir o passo
Do quanto num delírio ainda traço
Vestindo a fantasia de um alento,
E tento o lenitivo mais audaz
E toda a minha história se desfaz
Deixando para trás o sofrimento.


33150

Negando cada passo ainda tento
Vestir a fantasia, um carnaval
Aonde no passado triunfal
Percebo tão somente o frágil vento
De quem se mostra em tanto sofrimento
E busca novamente outro degrau,
Resisto sem saber do quanto é mal
Viver apenas dor, ressentimento.
E tudo fora em vão, mas sei valeu
O todo que deveras fora meu
Agora se dilui, mas eu prossigo,
Vencendo as tempestades costumeiras
E tendo neste amor minhas bandeiras
O vento se mostrando enfim abrigo.