sexta-feira, 15 de abril de 2011

45

Andarilho sem paragem
Busco ao menos num segundo
O que possa e já me inundo
Da diversa paisagem
E buscando a mera aragem
Sigo as tramas deste mundo
E no vago me aprofundo,
Rebentando tal barragem,
Vendo o caos que se aproxima
Vendo o fim que imaginamos
Entre tantos velhos ramos
A esperança negar o clima
E estimando o recomeço
Vejo apenas um tropeço.

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Ousando num repente acreditar
Nas tramas desta lua que não veio
E vedo o meu caminho rumo ao mar
Que nunca mais seria o um raro esteio
Do sonho que pudera navegar
E mesmo se pudesse, sigo alheio
Bebendo cada engano a se moldar
Num ato sem sentido, em vão receio.
Apenas apresento a queda após
O quanto poderia em viva voz
Vivenciar o medo e tão somente
Gerar a interminável sensação
Do dia que se perde desde então
Sem chão, improdutiva esta semente.


47

Negar o dia a dia e ser aquém
Do passo que refundo a cada instante
A vida no final não mais garante
Sequer o que esperança ora contém
De todos os caminhos sei ninguém
E sinto o que pudera doravante
A luta se mostrando ora incessante
Traduz o que em verdade sempre vem.
Apresentando o fim desta vontade
Enquanto o meu caminho já se invade
De todas as daninhas que conheço
Aprendo mesmo quando em dor intensa
A vida no final não mais compensa
Sequer o quanto quer cada adereço.

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Amar e ter nas mãos o que permita
A luta sem permuta, em claridade,
Ainda quando a sorte fora aflita
Procuro a mais sincera liberdade,
E a mão que sempre apóia necessita
Do cântico por onde a realidade
Expresse o que pudera e sem desdita
Marcasse o quanto viva em tal verdade,
Vertiginosamente o que se vê
Não traz além da sorte em tal clichê
Já tanto conhecido e sem sentido.
Depreciando o tempo de sonhar
Querendo tão somente este lutar
Agora já sem luz, empedernido.

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Já não me caberia melhor sorte
Nem mesmo algum instante aonde eu possa
Trazer esta esperança outrora nossa
E crer no que deveras me conforte.
O passo sem sentido, apenas corte
O mundo se desenha em leda fossa
E o verso sem proveito não endossa
O quanto poderia em novo aporte.
Restando muito pouco, nada vejo,
Somente o desdenhar de cada ensejo
Amortalhado sonho em tom cruel,
O verso se perdendo sem razão
A sorte traz a imensa negação
E o tempo se nublando em turvo véu.

50

Nas tramas mais diversas que embrenhei
Eu vejo o quanto pude e não mereça
A vida sem saber do que obedeça
Desperta o que deveras desejei,
A luta se anuncia e sem cabeça
A tropa se perdendo, mata o rei,
O verso que procuro e procurei
Aos poucos sem sentido me enlouqueça
Vestígios do passado que alimento
Apenas meramente um excremento
Aonde quis o todo e nada veio,
Serenamente volto ao mesmo nada,
E a luta com terror anunciada
Expressa o meu momento em devaneio.

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