Noites vãs.
Sidéreas ilusões em noites vãs
Postergo cada passo até que o nada
Expressa sorte sendo desenhada
Encontra a solidão destas manhãs
Os dias entremeiam seus afãs
E a porta da esperança escancarada
Na tétrica vontade anunciada
Nas vagas tempestades, minhas cãs,
Os olhos enrugados, voz sombria,
O pouco que deveras restaria
A quem se fez além de mero ocaso,
Ao menos posso ver nalgum soneto
O quanto do que tento e me acometo
Notando o mundo imerso onde me aprazo.
Loures
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