Luto
Meu tempo se esvaindo enquanto luto
E tento contra tudo e contra tantos
Vencer os mais diversos desencantos
De um todo mais atroz e mesmo bruto,
E quando noutro engodo não reluto
E bebo as ilusões de tantos prantos,
Alados pensamentos, vis quebrantos,
E o prazo em derrocada nega o fruto.
O medo se estampando a cada olhar
E o mundo no vazio a demonstrar
O quanto restaria e não viera,
Alimentando apenas o que outrora
Pudera e de repente me devora,
Na face sem disfarces da pantera...
Marcos Loures
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