segunda-feira, 28 de março de 2011

16

Sou apenas repentista
E se posso em redondilhas
Entranhar onde se assista
Com certeza o quanto trilhas,
Na verdade não resista
Meu amor às armadilhas
Quem me dera ser artista
E seguir-te enquanto brilhas.
Noutro passo, novo rumo,
Mato a minha ansiedade
E se possa e me acostumo
Tanta luz dita a verdade
Deste sonho em raro sumo
Onde a sorte em paz agrade.


17

Nos compêndios do passado
Nas entranhas do futuro
Cada verso engalanado
Todo passo ora inseguro,
A verdade do traçado
Já não molda o que procuro,
Nem viesse lado a lado
Quando o nada eu configuro,
Nunca mais veria o brilho
Que desponta no horizonte
E se tanto a vida aponte
Onde tento e atento trilho,
O meu mundo desaponte
Coração deste andarilho.

18

Nada mais pudesse ver
Nem sentir já que a verdade
Custo mesmo a aparecer
E se surge nos degrade,
O caminho sem prazer
A tolice que me invade,
O meu mundo a se perder
Onde quis felicidade.
Nada mais podendo enquanto
Cada canto representa
A verdade onde me espanto
E no fim a vida atenta
Traça em nós o desencanto
E a palavra me atormenta.

19

Armações da vida eu sinto
Pouco a pouco me tomando,
O meu passo em raro instinto
Noutro rumo desabando,
E se possa enquanto minto,
Traduzir o mundo quando
No cenário onde é distinto
O momento atroz do brando.
Participo a cada engano
Do que possa me alentar,
E se sei quanto me dano
Vasculhando céu e mar,
O final baixando o pano,
Mas não canso de tentar.

20

Ondas tais que sei na areia
Onde o mundo é movediço,
A vontade me incendeia
E o caminho além cobiço,
Nos requebros da sereia,
Emoção explode em viço,
O meu prazo não se ateia
Noutro tom bem mais mortiço.
As palavras sendo assim
Trazem tanta dimensão
Do que trago vivo em mim
Sem saber da direção
Nem sequer enquanto eu vim,
Outros olhos me verão.

21

Apresentas calmamente
O que tanto me afligira
No que possa e não se mente
Mente nega uma mentira.
E demente a vida sente
O que tenta e se retira
No final, impaciente
A verdade sempre gira.
Nada mais eu pude ver
Nem quisera ter de fato,
As loucuras do prazer
Cada dia em que as constato
Busco mesmo merecer
Iguarias no meu prato.

22

Na palavra que se dera
Em sentido tão diverso
Entre a leda e vaga espera
Esperança sempre eu verso,
E se possa a vida fera
Momentâneo tom disperso
No vagar onde esta esfera
Traz o sonho mais perverso,
Invertendo a direção
Nada mais pude fazer
E se trago a solidão
Com certeza me perder,
Entre tal devastação
Nada mais pudesse ver.

23

Régias noites solitárias
Entre tantas que eu buscara,
As palavras sendo várias
Tão somente a velha escara.
As verdades são corsárias
E o caminho se escancara
Busco em raras luminárias
A incerteza, mesmo clara.
O vazio deste verso
Onde verso o meu caminho
Frente e verso desconverso
E tentara noutro ninho
O sentido do universo
Que soubera tão daninho.

24

Esbravejo contra tudo
E não vejo solução
Onde possa e desiludo
Deixo lá meu coração,
A verdade onde amiúdo
O cenário em solidão,
O meu verso mais agudo
Não permite a negação,
Entoando o que pudera
Ser além de uma cantiga
A palavra que se espera
Tantas vezes mais antiga,
Só deixara esta insincera
Relação que desabriga.

25

Outra vez em novo dia
Cada queda representa
O que pude e não havia
Numa luta violenta,
Engajando a poesia
Tantas vezes desatenta,
O caminho não traria
Nem o sonho que o sustenta.
Resumindo cada fato
Noutro tal quando o constato
Expressões diversas, trago.
E os meus dias mais doridos
Entre tantos consumidos,
Aumentando o ledo estrago.

26

Restaurasse do que um dia
Fosse festa e nada mais,
Hoje o tempo mudaria
E talvez sem temporais
A saudade não viria
Nem traria nos bornais
O que possa a fantasia
Traduzindo o nunca mais.
Plagas hoje tão distantes
Horizontes distorcidos,
No caminho não garantes
Nada vês; busco os sentidos
Entre os tantos, desencantes
Em momentos já perdidos.

27

Na vida que possa
Trazer outro sol
Saudade que é nossa
Ditando o farol,
Palavra se endossa
Tomando arrebol
E sei desta fossa
Sendo um girassol.
Risonho caminho
Pudera seguir
E quanto é mesquinho
Decerto o porvir
E quando me aninho
Tento prosseguir.

28

Versasse no fato
De quem tanto quis
E sempre retrato
Vital cicatriz
A vida resgato
E vou por um triz
No tempo constato
O quanto desfiz.
Vestindo o vazio
Seguindo sem fé
O mundo recrio,
E sei por quem é
Num tempo tão frio
Sem bar nem café.

29

Das tramas da vida
As lamas e o medo,
A sorte remida
No velho segredo
A mesma ferida.
No fim meu degredo
A lua sumida,
Matando este enredo
Já não mais comporta
A sorte que eu quero
Abrindo tal porta
Tentar ser sincero
A vida conforta,
E traz o que espero.

30

Marcar com o xis
Questões tão diversas
E ser o que eu quis
E nada dispersas
Aonde feliz
Pudesse e não versas
Vagar por um triz
Em loucas conversas.
Versões de uma vida
Que tanto quisera
A sorte puída
A luta insincera
A cada ferida
Amor desespera.

31

Aprendo com dor
E sei ser assim,
O passo onde for
Trazendo no fim
O quanto em valor
Reflete o que vim
Do sol gerador,
Mais nada há em mim,
O prazo a cumprir
O preço a pagar
O que no porvir
Pudesse tocar,
Amor se o sentir
Eu beba o luar.

32

Não tento outro rumo
Tampouco esta sorte
E quando eu assumo
O risco do corte,
A vida sem prumo
O manto diz morte,
E assim deste sumo,
Mais nada comporte
Somente o vazio
E sei sempre disto,
O quanto procrio
Já nem mais resisto,
O mundo; esvazio
Enquanto desisto.

33

O preço que pago
O dia sem medo,
O tempo em afago
Caminho em segredo,
No mar que divago
O barco eu concedo
E sei deste estrago
Deveras tão ledo.
Relendo o que vejo
E tento e não creio.
O vivo desejo
Audaz sem receio
Trazendo sem pejo
Algum devaneio.

34


Não choro nem temo
O tempo onde viva
Olhando meu Demo
A sorte cativa
O preço onde algemo
A vida que priva
Passado se o cremo
Jamais volta e criva.
O passo sem nexo
O canto destoa,
Encanto onde anexo
A luta tão boa,
E sei do complexo
Tormento onde ecoa.

35

Navego em teu mar
E tanto se faz
O quanto vagar
Procurando a paz,
No mesmo lugar
Deveras tenaz
Não posso deixar
O amor para trás,
Somente a semente
Cevada em cuidado,
O tempo desmente
O quanto alegado
Traduz novamente
O velho recado.

36


Não pude saber
O quanto se quer
O mundo a trazer
No olhar da mulher
O dom do querer
Sem prazo qualquer
O que possa haver
Enquanto vier.
Não tive detalhes
Da vida sem prumo
E sei que batalhes
Ousando outro rumo,
E mesmo que atalhes
Meu medo consumo.

37

Abraço o vazio
E tento o futuro
No gueto onde crio
Enorme este muro,
E sei do sombrio
Cenário e procuro,
Depois deste frio
O canto ora obscuro.
Perpétua vontade
E nada se vendo
Ainda a verdade
Deveras contendo
No que se degrade
Por vezes horrendo.

38

As noites tão brancas
De quem solitário
Procura entre as francas
Verdades, corsário
O mundo onde espancas
Sem ser necessário
Ou mesmo desancas
Num ar temerário
O todo que um dia
Pudesse diverso
E sem alegria
Caminho disperso
E nesta agonia,
Sem rumo hoje verso.

39

Nascendo o que fora
De nós o produto
A voz sonhadora,
O canto tão bruto
Sorte tentadora,
Porém sigo astuto
Da luz redentora,
O passo eu refuto.
Vestindo a quimera
Que tanto me cabe
O quanto da espera
Traduz o que acabe
E já destempera
Enquanto desabe.

40

Da vida este traço
Representa o traste
E quanto mais faço
Nem mesmo notaste
O dia onde passo
A luta negaste
E o canto em cansaço
Remete ao desgaste.
Nascer de uma sorte
Diversa e cruel,
O sonho diz corte
O gosto de fel,
A queda, outra morte
Sem prazos, ao léu.
Poderia ter além
Do que tanto imaginei
Nada mais já me convém
Nem sequer o que busquei,
O vazio me detém
Outro tempo, mesma lei
Onde vale o que se tem,
E jamais quanto sonhei.
Só me resta a leda estada
Nas tormentas da ilusão
Desta sorte deflagrada
Vejo apenas solidão,
E quem fora sempre nada
Nega sorte; árido chão.


2


Resplandece dentro em nós
O momento mais gentil
E quem dera ter na voz
O que tanta gente ouviu,
O sentido mais feroz
E deveras o mais vil,
Traz em si diversas mós
E o meu mundo já puiu,
E punindo com vazios
Os anseios mais sublimes
Onde quer teus desafios
Nada além decerto estimes,
Os enredos, velhos fios
Desfilando antigos crimes.

3

Na palavra que se expresse
Novo tempo ou mesmo até
No que pude em rara prece
Desenhar a minha fé,
O momento onde se esquece
O tormento por quem é,
No final nada merece
Quem deseja e não dá pé.
O versar entre as paredes,
Os momentos mais sutis,
E se tanto sei das sedes
Bebo a sorte e quero em bis
Mesmo embora noutras redes
Descansar e ser feliz.

4

No cantar amanhecendo
Entoando a liberdade
O meu canto ora desvendo
Quando o sonho em paz invade,
E o que possa obedecendo
A suprema claridade,
Onde fora atroz e horrendo
Um momento em paz agrade.
Quem se fez ou não pudera
Apresenta em regozijo
O que possa e mata a fera
Muito além do quanto exijo,
A verdade se tempera,
Quando o rumo; enfim, alijo.

5

Sordidez tendo limite
O que tanto a vida traz
Na verdade necessite
Pelo menos desta paz,
Onde o tempo se permite
E viver sempre é capaz
De traçar o que acredite
Noutro rumo ou tanto faz.
Já não tendo qualquer chance
De saber o que me espere,
Onde a vida não alcance
O caminho destempere
No cenário onde se lance,
Cada engano o degenera.

6


Navegar e ter no olhar
O cruzeiro nos guiando,
Onde tanto imenso mar
Poderia ser nefando
Na vontade de chegar
Ou no gozo delirando,
O que possa se mostrar
Quero agora e sempre, quando.
O meu prato predileto
O meu canto em tom maior,
Minha vida hoje eu repleto
Ignorando este suor
E se possa ser discreto,
Cada passo eu sei de cor.

7

Redondilhas num soneto?
Ou quem sabe noutro enredo.
O que tanto não prometo
E deveras mal concedo,
Gera apenas novo gueto
Onde sigo desde cedo,
Ao vagar quando cometo
Outro passo em vão procedo.
O segredo da existência
O momento sem sentido,
O que possa em previdência
Noutro passo eu dilapido
E se quero em evidência,
O meu sonho é desvalido.

8

Nas tramóias de uma vida
Avidez já se desenha
E o que possa em tal ferida
Traduzir o quanto venha,
E preparo em despedida
A verdade que a contenha,
Nada mais já se lapida
Na escalada desta penha.
E se possa em ar mais fresco
Desejar a liberdade,
Do passado tão dantesco
Vejo a rara claridade,
E no quanto em quixotesco
Desenhar a sorte invade.

9

Sendo a vida de tal forma
Intratável e inconstante
O que possa e se transforma
Muda a face num instante,
A verdade sem ter norma
Novamente não garante
O que faça da reforma
O vazio doravante,
Esquecendo cada passo
Ouço os mares dentro em mim,
O meu mundo não mais traço
E percorro cedo o fim,
Já me expondo a tal cansaço,
Explodindo este motim.

10

Embarcando noutra luta
Na incerteza da colheita
A verdade não se escuta,
Quando ouvida não se aceita,
E a saudade mais astuta
Toma e bebe e se deleita,
Passo novo se reluta
E o vazio em nós se deita.
Jazigos desta esperança
Sem saber do que teria,
No momento onde se lança
Outro tempo não viria,
Nem sabendo da pujança
Muitas vezes: ironia.

11

Na palavra que me expresse
O momento mais sutil,
Ao sentir em reza e prece
O que o tempo não previu,
Minha vida ora se tece
De um anseio quase vil,
E o que aos olhos se oferece
Na verdade ninguém viu.
Ouso acreditar no fato
E se pude ou mesmo quis,
O caminho onde o constato
Traz em versos mais gentis
Cada curva do regato
Desenhada em cicatriz.

12

Basta mesmo do que possa
A saudade sem sustento,
A verdade não é nossa,
Nem tampouco o frio e o vento,
Mas se tanto se faz troça
Onde o passo audaz eu tento,
No caminho nada endossa,
Tão somente o sofrimento.
Aumentando o velho corte
Nada mais se vendo aclara
O que traz decerto a morte
Aprofunda tal escara,
A incerteza toma o norte,
E o vazio se escancara.

13

Libertário companheiro
Entre os ermos de uma vida
Sem saber do verdadeiro
Desenhar onde divida
A incerteza num ligeiro
Caminhar em despedida,
O meu mundo, o derradeiro
Diz da sorte repartida.
Não vencendo o que se fez
Nem tentando outro cenário
A verdade, insensatez,
Meu amor é solitário
E o delírio não mais vês
Num desenho temerário.

14


Levaria desde cedo
O que tens dentro do peito,
E se tanto amor concedo
No final jamais aceito.
O tormento diz segredo
A verdade nega o pleito
E se tento novo enredo
Sigo mesmo satisfeito.
Apresento ao fim de tudo
O vazio que repassas
Nos anseios eu me iludo
Invadindo velhas praças
E se possa eu me desnudo
E também além já passas.

15

Não seria mais quem és
Se no fundo fosses tanto,
O meu passo de viés
No final não mais garanto,
E do barco sem convés
O naufrágio, não espanto,
Meu momento diz galés
O teu passo busca encanto.
Divergindo e de tal forma
O que tanto não se visse
Poderia e se deforma
Ou talvez, mera tolice,
No que possa em vã reforma
Com certeza nunca ouvisse.

domingo, 27 de março de 2011

191

Aprendendo esta lição
Quantas vezes neste audaz
Caminhar a vida traz
Outra sorte em dimensão,
E perversa a sensação
E podendo ser tenaz
O meu canto deixa atrás
A temida solidão,
Versejando me liberto
Mesmo quando no deserto
Ascendera à plenitude,
Vicejando esta esperança
O meu canto ora se lança
Onde o mundo desilude.

192

Apresento o que pudera
Desvendar num novo salto,
E se possa no ressalto
Desacato esta quimera,
E bebendo noutra esfera
Coração em sobressalto,
O meu mundo mesmo incauto
Traduzisse a longa espera.
Resumindo o que se quer
Nos anseios da mulher
Que deseja claramente
Outro fato se apresente
E moldando o meu futuro
Traz o sonho e me aventuro.

193

Já não tento novamente
Outra sorte e direção
Onde quer que se apresente
Com certeza o coração
O caminho mais frequente
Traz no fundo esta emoção
E pudera pertinente
O cenário desde então,
Resumindo cada verso
Onde tanto me converto
O desejo mais disperso
Procurando algum acerto,
Nega em si a claridade
E a tormenta nos degrade.

194

No aprazível caminhar
Entremeio verso e sonho,
E se possa desejar
Onde amor; tento e componho,
Não queria desenhar
Nem sequer o mais bisonho
Canto em busca deste mar
Que deveras te proponho.
O versar sobre o que possa
Na incerteza de ser nossa
A palavra em consonância,
O meu canto não se vendo
No momento atroz e horrendo
Desenhando a discrepância.

195

Não quero e não teria melhor sorte
Quem busca do passado o seu destino.
E vendo o que pudesse cristalino
Já nada neste instante me conforte.

A vida sonegando algum aporte
Confessa com temor e me alucino
Ousando novamente em ser menino
Prevendo com terror o novo corte,

Jamais acreditei em fantasias
Diversas das que tanto ora querias
Moldando noutro enredo a vida frágil,

O passo se mostrara bem mais ágil
E tendo no final outro caminho,
Decerto não irei jamais sozinho.

196

Bebendo a vaga sorte aonde eu poderia
Versar com tão sutil anseio em tom tenaz
E quanto mais se quer a vida não me traz
Senão a mesma luta inerte em fantasia.

Verdugo da emoção, o mundo não traria
Deixando o que desejo agora para trás
E o medo de viver sem ter sequer a paz,
Matando lentamente em tétrica agonia.

A voz que não se cansa e mostra nova tática
Ousando ser diversa e nisto nada prática
Temática dispersa em tempo mais feliz

Vivesse tão somente o canto onde desejo
O mundo muito além do mero e vão lampejo
Trazendo a cada instante o quanto eu sempre quis.

197


Não pude desvendar
Sequer algum tropeço
Aonde eu reconheço
Decerto o meu lugar,
E sem qualquer luar
O sonho, este adereço
Ousando em recomeço
A sorte a se mostrar,
Vagando pelo mundo
Enquanto me aprofundo
Na imensa noite e, claro,
O tempo se anuncia
Em ritmo de alegria
E o canto à paz; preparo.

198

Esqueço qualquer tom
Do dia mais sutil,
E nisto o quanto viu
Sabendo ser tão bom
Viceja neste dom
O passo onde é gentil
O mundo outrora vil,
Agora muda o som,
E sei do quanto possa
Vencer a luta, a fossa
Vestindo a plenitude
De quem se faz além
Do sol e sempre vem
Trazendo a magnitude.

199

Já não posso contra o vento
Desvendar o que não venha
A palavra em sentimento
Traduzindo a mesma senha
Onde vivo e me alimento
Do que possa e já contenha
Traz em si contentamento
E deveras nos convenha
Acredito no futuro
E preparo no presente
Um caminho onde asseguro
O que tanto a vida sente.

200

Nova etapa que termina
Novo dia, pois virá
E decerto desta mina
Esperando desde já
A verdade cristalina
E o meu canto moldará
A palavra que alucina
E deveras mudará
O cenário onde se prima
Pelo tom em concordância
Outro tempo molda a rima
Sem temor, sequer ganância.
181

No caminho aonde outrora
Eu pudera desenhar
Qualquer noite de luar
A saudade desancora
E se tanto revigora
O meu sonho noutro mar,
O que pude desejar
Noutro rumo não demora,
Revestindo a mesma cena
Onde o todo me serena
E a vontade se traduz,
Nas entranhas deste encanto
O que possa e já garanto
Traz enfim a rara luz.

182

Ousaria acreditar
Nas estrelas que não vejo,
E se tanto em raro arpejo
Busco o sonho desvendar
O que trame no luar
Argentino o meu desejo
E se possa noutro ensejo
Tantas vezes navegar.
O meu prato predileto
Onde além eu me repleto
Sem saber da antiga fome,
Emoção traçando o rumo
E em verdade eu me resumo
Ao que tanto não nos dome.

183

Ouço o canto da sereia
Entranhando todo o mar
E pudesse mergulhar
Quando a sorte nos rodeia,
Desta lua imensa, cheia,
Sinto o sonho a me encantar,
Mas sabendo no vagar
Movediça, enfim a areia.
Mares tantos, oceanos
E de baixo para cima
A certeza em raros planos
Gera o sonho onde se prima
A emoção supera os danos,
Mas amor com dor traz rima...


184

Jamais pude imaginar
Onde tanto procurava
Na expressão vulcão e lava
O que possa mergulhar
No vazio a me entregar
Alma turva e mesmo escrava
Nesta angústia que me trava
E me impede de sonhar.
Vendo apenas o caminho
Entre rudes esperanças
O meu passo é mais daninho
Mesmo quando tu avanças
E traçamos das lembranças
O que fosse antigo ninho.

185

Neste mar duro e bravio
Já não posso mais sentir
O que tanto a resumir
Transformasse o que desfio
Trafegando em ledo rio,
Nada mais a consumir
E somente o que há de vir
Superasse o desvario
De quem quis a liberdade
Muito embora já degrade
O que possa ser encanto,
Caminheiro onde se cansa
Traz no olhar esta mudança
E traduz o sonho em canto.

186

Aprazível tal cenário
Onde em flores desenhaste
O que sei e não notaste
Transformasse itinerário
E podendo o necessário
Sei do quanto mergulhaste
Se esta vida traz desgaste
Meu desejo é temerário.
E traduz o que pudesse
Numa graça da benesse
Transcender ao quanto trago,
Vejo apenas cada cena
E decerto o que serena
É deveras teu afago.

187

Outro verso e nada além
Sentimento? Roto, morto
E sabendo deste porto
Meu caminho não convém,
Em cenários o que têm
São delírios torpes. Torto
Faço na alma algum aborto
E prossigo sem ninguém.
Ao tentar em dimensão
Tão diversa desde então
Nada faço e nem consigo.
Deste vórtice voraz
O caminho contumaz
Leva sempre ao desabrigo.

188

Demarcando cada espaço
Pondo os olhos no futuro
Do meu canto me asseguro
Mesmo sendo o sonho escasso.
O que possa e já não traço
Noutro rumo o configuro
Gero além do velho muro
Meu momento em teu cansaço.
Esperando pelo menos
Dias calmos e serenos.
Onde a fera traz as garras
Afiadas e tortura
Quem decerto a paz procura
E do rumo ora desgarras.

189

Merecesse qualquer chance
Quem lutara até o fim,
O cenário de onde vim
Talvez tente e mesmo alcance
Onde o tempo ora me lance
Transtornando o que há em mim,
E traçando sempre assim
Outra sorte em vil nuance.
Meu caminho se presume
Onde a vida traz o lume
E mergulha no passado,
O meu canto se demanda
Onde a sorte traz a branda
Sensação de dor e enfado.

190

Nada mais se visse quando
O cenário desabasse,
O meu mundo em desenlace
Noutro tanto se moldando,
Versa sobre o mais infando
Caminhar onde notasse
O tormento a cada impasse
Ou o nada revelando.
Nas angústias costumeiras
As palavras derradeiras
Em ladeiras quedas, trago.
E se bebo deste sonho
O que agora mal proponho
Gera apenas novo estrago.
171

Na verdade o que se faz
Pouco importa a quem consegue
Caminhar e não sonegue
O cenário feito em paz
A verdade mais audaz
Tendo o rumo onde prossegue
Quando tempo além trafegue
Nova estrela a vida traz.
De outros tempos, oriundo
O cenário onde aprofundo
O meu canto em desatino,
Bebo o néctar que me deste
E se possa ser celeste
Nos teus braços me alucino.

172

Coletando a poesia
Metáforas vou colhendo
Onde o tempo fora horrendo
Esperança já recria,
Necessito da alegria
E se possa ora desvendo
O cenário me envolvendo
Muito mais do que eu queria.
Resumindo o quanto quero
E jamais fora insincero
Trago os olhos no futuro
Sendo o mundo sempre assim,
Traço em ti o que desejo
E no céu feito azulejo
Meu começo, o todo e o fim.

173

Já não tenho o que temer
Nem pudesse ser diverso
Onde reina este universo
Feito sempre em bem querer
Nas entranhas do prazer
Com certeza quero e verso
E não sendo enfim disperso
Posso em ti ora me ver.
Navegar sempre é preciso
E o momento onde matizo
O meu mundo traduzisse
Tanto quero e assim tateio
Sem saber sequer receio
Superando uma mesmice.

175

Banho os olhos no futuro
E procuro estar contigo
E deveras se eu consigo
O meu passo eu asseguro,
Nada mais quando perduro
Nos anseios e prossigo
Mesmo vendo algum perigo,
Neste solo árido e duro.
Respirando o poluído
Caminhar entre temores,
Meu cenário revolvido
Mesmo quando não mais fores,
Nas vontades da libido
Toco espinho e bebo flores.

176

Cravejando o que me resta
Em brilhantes, mesmo falsos,
Os diversos cadafalsos
Traduzindo cada fresta,
O que tanto nos empesta
Versa em tantos vãos percalços
E os desejos vão descalços
Provocando a rude festa.
Madrugada em lua cheia
Nua, a deusa me rodeia
E desvenda este mistério
Tanto amor vida comporta
Sempre abrindo a mesma porta
Sem saber qualquer critério.

177

Cadencia o passo quando
Outro tanto se arremete
No caminho o canivete
No meu corpo aprofundando,
Tantas vezes versejando
Onde o rumo se promete
A viagem se repete
No cenário agora brando.
Inda vejo o colorido
Destes tempos geniais
E o meu canto presumido
Traça em novos rituais
Dias quando não duvido
Dos momentos magistrais.

178

Coração exposto traz
Toda a sorte que busquei
E se faz do amor a lei
Com certeza é mais audaz.
Deixo tudo para trás
E se em ti eu mergulhei
Cada verso que tracei
Outro tempo se desfaz,
Revelando o amanhecer
Possa mesmo merecer
O que a vida me prepara,
Mesmo sendo tão discreto
O que possa e me completo
Transcendesse a tal seara.

179

Absorvendo a queda sigo
Contra tudo o que vier.
Nos anseios da mulher
Redenção traça o perigo,
E também o desabrigo
Onde o tanto que se quer
Refletindo o malmequer
No final, teimo e prossigo.
Restaurando cada passo
Mesmo quando sigo lasso
Nada resta do passado,
Ventania anunciasse
O cenário em clara face
Neste encanto, abençoado.

180

Participo do que um dia
Tantas vezes desejei.
Ouso mesmo ser o rei
Onde nada mais havia,
Sendo assim tal utopia
Traça o quanto recriei
Do momento onde entranhei
A verdade eu não veria.
Pouso mansa e claramente
E decerto não desmente
O meu verso mais sutil.
Caminhando contra a fúria
Do que possa em tal injúria,
Mas jamais alguém a viu.
161

A verdade que produza
Movimentos vida afora.
Traz a sorte mais confusa
Onde o passo me apavora,
No que possa e sempre abusa
Com certeza não demora,
A expressão que não mais usa
Trama a dor quando devora,
O vazio se permite
E talvez não seja assim,
O viver tem seu limite,
Tem começo, meio e fim,
E se tanto amor palpite
Nada trago dentro em mim.

162

Jamais pude acreditar
Nas tramóias do destino,
Onde a vida tem lugar
O que tente; determino.
O meu passo a se mostrar
Muitas vezes qual menino
Que procura no luar,
O cenário cristalino.
Mas o pulso sendo forte,
Nada escapa da visão
Que decerto nos comporte
Tendo em mãos o meu timão,
Sei decerto do meu norte
Sem mudar a direção.

163


Sendo assim a vida eu sigo
Sem temer qualquer derrota,
Vendo além algum perigo
Vou mantendo a mesma rota,
O que possa e não abrigo
Diz do verso onde não brota
Esperança que persigo
Sem saber nada denota.
Investindo cada passo
No que possa ser diverso.
Meu caminho quando o traço
Vago além deste universo
E se o tempo for escasso,
Sem tormento desconverso.

164

Porém tanto se deseja
O que outrora fora um bem
Entregara de bandeja
E depois nada e ninguém,
A verdade que se almeja
Noutro passo pouco tem,
E se possa enquanto seja
Transformasse em tal desdém.
Rude e leda caminhada
Já não traz um horizonte
Toda noite tão nublada
Sequer lua além se aponte
Paisagem degradada
Destruindo qualquer fonte.

165

Tanta coisa traz a vida
E no fundo nada vale
Onde a luz está perdida
Meu caminho em dor exale
A esperança em despedida
Da montanha morto o vale
A vontade descumprida
Minha voz, o tempo a cale.
Desvendar qualquer mistério
Ou razão aonde um dia
Derrubando o velho império
No final nada teria
Da frieza do minério
Outro passo em nostalgia.

166

Remontando ao que passei
Numa torpe mocidade
Quando em vão eu mergulhei
Em nome da liberdade
Caminhando ora sem lei
Sem ter nada que me agrade,
O desenho eu vislumbrei
Com terrível falsidade,
Num detalhe me perdi
E sabendo deste ocaso,
Meu futuro estava ali,
E meu passo sempre atraso,
Vida afora eu descobri,
Não foi obra de um acaso.


167

Quando eu vejo este retrato
Na gaveta da lembrança
Resumindo o velho fato
O passado ora me alcança
E se tanto assim constato
O que fora rude lança
No momento onde o regato
Sem ter fonte não avança;
Num instante mais cruel
Nada mais me conteria,
A palavra feita em fel
Traduzindo a covardia
Renegando o próprio céu
Traça enfim lenta agonia.

168

Percebendo este querer
De quem nunca desejara
Só nas tramas do poder
Desenhando em tal seara
Um caminho a se perder
Noutra sorte e se prepara
Tão somente sem saber
Onde a vida se escancara.
E decerto neste jogo
Corpo nu por sob a lua,
Juventude traz o fogo
E deveras sempre atua
Renegando qualquer rogo,
Demarcando a vida crua.

169

Neste instante, num repente
Quem se fez em rara entrega
Vendo o olhar que apenas tente
Novo mar e ali navega
E depois, já mais contente
Deixa a vida quase cega
E se mostra impertinente
E jamais a alguém se apega,
O cenário lamentável
Desnudando a realidade
O momento intolerável
Onde a vida se degrade,
Sendo enfim rude e intratável
Destruindo a liberdade.

170


Ao rever a velha cena
No vazio do horizonte
A verdade me condena
E sonega qualquer fonte
Onde a sorte se envenena
Nada mais ora desponte
Vida amarga concatena
O que possa e desaponte.
Quando enfim; percebo erguida
Lagrimada em turbilhão,
Revolvendo em dura vida
A terrível maldição
Intratável tal ferida
Eterniza a solidão.
151

Desta vida em medo e dor
Tantas vezes quis saber
Seja lá conforme for
Os anseios do querer,
Rumo feito em redentor
Caminhar que eu possa ver,
Se não vem traz no bolor
O momento a se perder.
Marca; deixa para trás
E jamais se percebesse
Deste mundo já sem paz
O que tanto não tecesse
Meu tormento é tão mordaz,
É melhor que eu esquecesse.


152


Da princesa sertaneja
Que se fez enfeitiçada
A vontade já não seja
Noutra forma desenhada
E se tanto se azuleja
A verdade traz do nada
O que possa e sempre almeja
Alma sempre alucinada.
Versos; tento e nada vem,
No sustento d esperança
Quem se fez antes meu bem
No vazio ora se lança
E meu mundo sem ninguém,
Sem proveito, tanto cansa.

153

Não desejo mal algum,
Só pretendo a liberdade,
Coração traz do nenhum
Novo brilho, mas a grade
Impedindo o que é comum:
O querer felicidade,
Onde o tanto se fez um
Nada mais traz claridade.
Pouso neste sentimento
E se tanto quero e tento
Descobrir um novo afeto.
Maltratando esta emoção
Nos termos da solidão,
Com certeza não completo.

154

Pude ver depois da tarde
Outra fonte cristalina
Do que tanto sempre aguarde
E no fim já nos domina
Sem saber o que retarde
O meu mundo nesta sina,
Vivo sem quem me resguarde
Da magia feminina.
Numa noite em tantas brumas
Enfileiro pensamentos
E se tanto te acostumas
Enfrentando fortes ventos
Na verdade quando esfumas
Causas raros desalentos.

155

Eu bem sei que na verdade
Um factóide e nada mais,
Onde quis tranquilidade
Bebo novos vendavais
E o caminho em liberdade?
Noutro rum tu te esvais
E se perco a realidade
Não a quero, pois jamais.
No que possa em delirante
Desenhar eu me inebrio
E o que tento e se adiante
Marca com tal desafio
O cenário doravante,
E meu canto eu inicio.

156


Tantos anos, meses, dias
E deveras esperava
Entre fartas poesias
Coração exposto à lava,
Na verdade me querias,
A minha alma sendo escrava
De quem traz em utopias
O que jamais esperava.
Sendo em ti o que hoje sou
O caminho muda a rota
E o meu canto se entranhou
Na incerteza que denota
Muito pouco me restou,
Novo amor no peito brota.

157

Amarroto o meu passado
E vislumbro no futuro
Mesmo quando agora evado
Outro passo além do muro,
O caminho desenhado
Eu bem sei ser inseguro,
Mas presumo o seu recado
E deveras me aventuro.
Bebo em tua mansidão
Emoções que não têm fim,
No caminho em provisão
Previsão trazendo em mim,
Outros tempos nos verão,
Até quando eu morra, enfim.

158

Mas também se eu tenho medo
Do que possa acontecer
Do ciúme, este arremedo
Traduzindo em desprazer,
Tão somente assim procedo
Nos enredos do querer,
Muito embora bem mais cedo,
Com certeza irei morrer.
Toda noite te procuro
Alva como a bela lua,
Contrastando com o escuro
Esta deusa bela e nua,
Mas distante me torturo,
E a minha alma te cultua.

159

Que fazer; sabendo assim
O destino aventureiro
Derramando sobre mim,
Canto audaz e derradeiro,
Nada mais do meu jardim,
Só tal rosa no canteiro
Tanto amor que tendo um fim
Mostra o mundo sem luzeiro.
E pudesse ser eterna
A loucura que me guia,
Mas a vida sem lanterna
Renegando a fantasia,
O meu sonho não se hiberna
Traz o tanto que eu queria.

160


Tempo passa, a vida sigo
E decerto estás aqui,
Meu olhar em desabrigo
E viceja o brilho em ti,
Se decerto eu sou antigo
Tu estás como eu a vi
No meu canto estou contigo,
Mas bem sei que te perdi,
Sou somente o quanto resta,
E deveras reconheço
Emoção fechando a fresta
Presumindo outro tropeço
Minha vida em vida gesta,
Porém és desde o começo…
141

Não pergunte o que fazer
Dos momentos onde possa
Desejar e se perder
Sem saber burro ou carroça
No horizonte tento ver
Novamente esta palhoça
Onde ver meu bem querer
Talvez traga o que remoça
Coração envilecido
Pela vida sem juízo
E se tento e não duvido
Acumulo o prejuízo,
Na verdade sendo ouvido
Canto aonde o bem diviso.


142

Quis a sorte que a saudade
Dominasse a direção
Do que fora liberdade
E mudando de estação
Cada dia se degrade
E transforme em solidão
O que tanto em claridade
Perde toda a dimensão.
Já não tenho nem certeza
Do que possa ter após
Destruída a velha mesa
Nada resta mesmo em nós
Enfrentar a correnteza?
Vida rude e tão feroz.

143

Bebo amarga sensação
Do que fosse tão cruel
E se tanto em negação
Já perdera enfim meu céu
Não me resta nem o chão.
Prosseguindo sempre ao léu
Entre toda a dimensão
Vejo o velho carrossel,
Vagamente a mente vaga
E tocando a antiga plaga
Relembrando o que passou,
Nada mais do quanto reste
Num momento tão agreste
Traduzisse o quanto sou.

144


Deste amor que sem limite
Todo dia desejasse
E decerto necessite
Sem saber qualquer impasse,
Onde o tempo se acredite
Com certeza muda a face
E o tormento não permite
O que tanto em paz traçasse.
Minha amada num instante
Do castelo que em sapê
Transformada em delirante
Caminhada onde se vê
A vontade que agigante
Tanto amor em seu por que.

145

Mas a sorte traz desdita
A desdita nos derrota
A derrota necessita
De quem sempre nega rota,
Passo traz quem acredita
Na incerteza quando brota
E decerto a mais bonita
Cada instante mais remota.
Vendo o tempo e tendo o vento
Como fosse mensageiro
Outro tanto ainda tento
E me entrego por inteiro
Enfrentando o sofrimento,
Quem me dera, passageiro.

146

Pois depois da sorte em versos
Tantas vezes a agonia
Em sentidos mais diversos
Novamente me traria
O que possam mais perversos
Os caminhos dia a dia,
E se encontro ora dispersos
Tanta dor os reunia.
E do amor que igual não visse
Quem deseja sempre alguém
Na verdade o que cobice
Quase sempre nunca vem,
Mas sem ser qualquer tolice
Nada traz simples desdém…

147

Vendo tal felicidade
Sem poder conter de fato
Nem secar com crueldade
A nascente do regato
Na vertente em liberdade
O futuro é mais ingrato
Renegando a claridade
Noite serve cada prato
E o medonho se mostrando
Onde outrora fosse brilho,
No caminho desde quando
Sem saber inda palmilho,
O meu passo me tornando
Sem sentido, este andarilho.

148

A beleza feita em glória
Tanta história por viver
E trazendo na memória
Cada gole de prazer
Esperança é promissória
Tempo volta a recolher,
E a incerteza merencória
Sempre nega o bem querer,
De um amor tão forte e claro
Sem temer qualquer tormento
Onde o todo que declaro
Espalhado pelo vento
Proferindo o desamparo
Dele imenso sofrimento.

149

Quando inveja adentra a cena
Nada pode com tal fato,
E da vida mais amena
Outro rumo eu já constato,
Tanto amor sempre condena
Mesmo quando com recato
Trace a vida mais serena;
A verdade se anuncia
E se mostra tão venal
Onde houvesse poesia,
Vejo turvo este final,
Noite nega a luz do dia,
Neste amor, a pá de cal.

150

Quando a vida por vingança
Renegar felicidade
Nada mais; a sorte alcança
Impedindo a claridade,
Onde a lida expressa a lança
Meu caminho se degrade,
E o vazio me afiança
Impedindo o que me agrade.
Antes fosse desenhada
Esta sorte em garatuja
A minha alma maltratada
Sem proveito algum já fuja
Vendo em trevas; transformada,
Meu amor numa coruja.
131

A palavra tendo espaço
Dentro da alma de quem sonha
Tantas vezes no cansaço
Trama a lenda onde se enfronha
O caminho que hoje traço
Já não traz sequer a fronha
Do momento aonde escasso
O meu verso não se ponha,
Vencedor ou já vencido,
Pouco importa, pois batalha
Traz o tempo ora perdido
Prejuízo em vã navalha
E o meu passo eu dilapido
Tanto quanto a vida falha.

132

Nas entranhas deste mundo
Entre grutas, furnas, gretas
Onde apenas me aprofundo
Entoando estas trombetas
E se tento e já me inundo
Do que tanto me prometas
Coração mais vagabundo
Segue os sonhos, meus cometas
E cometo a cada instante
Novo engano e sei do preço
Que se paga doravante
Sem saber o que mereço
Num momento onde inconstante
Esperava o recomeço.

133

Das entranhas deste imenso
Sertanejo coração,
Muitas vezes o que penso
Traz somente a alegação
Do momento onde compenso
Com sorriso a solidão.
O desejo deixa tenso,
Alivia uma paixão.
E procuro com certeza
Novo rumo sem sucesso,
Espalhando sobre a mesa
O caminho onde regresso
E se possa ser a presa,
Qualquer luz mata, o confesso.

134

Mas depois de tanta luta
Sem saber onde me apóia
Esperança não reluta
E entre mares turvos bóia.
Na vontade mais astuta
Apoiando na tipóia
O que possa e não se escuta
Não traduz a antiga jóia.
Entre ventos do passado
Tento a brisa de um futuro,
Porém sendo condenado
Meu caminho é sempre escuro,
Num cenário iluminado,
Trevas tantas eu procuro.


135

O que pude num repente
Traduzir em tom suave,
Noutro passo se apresente
Como fosse eu qualquer ave,
E o cenário impertinente
Adentrando o quanto agrave
Do sentido onde inclemente
Trago as asas como nave.
Resistindo o quanto possa,
Tento ser, mesmo diverso,
Quem supera a vera fossa
E produz sentido inverso,
Mas a luta não endossa
E deveras vago eu verso.

136

Talvez seja um impostor,
Talvez não, mas mesmo assim,
Nas entranhas de um amor,
Nunca tive o meu jardim,
Escalando aonde eu for
Acendendo este estopim
Onde a luz provoque a dor,
Eu prossigo e até meu fim.
Esperando alguma chance
De mudar a direção,
Mas no quanto a vida avance
Em total revelação
O meu mundo não alcance
Desbravando o coração.

137

Nas tormentas onde pude
Desenhar conforme a sorte
O que tanto sendo rude
Novamente desconforte,
Procurar a juventude?
Não se vendo qualquer norte
Esboçando esta amplitude
Traduzida pelo corte.
Nada mais me redimisse
Nem talvez a eternidade,
Simplesmente uma tolice
Sem ousar na liberdade
O que a vida contradisse
Não me traz felicidade.

138

Tantos séculos passados
Outros tantos que virão,
Os caminhos degradados
Nesta espúria dimensão
Ventos onde desejados
Sonhos não se moldarão,
Desejasse novos fados,
Noutro rumo e direção.
Mas a sina em vã fortuna
Não permite qualquer luz.
Inda mesmo que reúna
O que possa e me seduz,
A minha alma ora me puna
Desta sorte eu faço jus?

139



Só queria a primavera,
Pelo menos num instante
Ou talvez em nova esfera
Um momento radiante
O que tanto desespera
É saber deste constante
Desenhar em mim tal fera,
Roto mundo, discrepante.
De que vale a vida quando
Nada disso se concebe
O desejo desenhando
Luminosa e bela sebe,
Mas o tempo me nublando
Sol algum busca ou recebe.

140

Escutar quem se já se cala
Nos anseios sem sucesso.
A palavra que avassala
Traduzisse algum progresso.
Mas o tempo toma a sala
E se nega e te confesso,
Preferia uma senzala
Ao cenário onde professo
Meu destino aristocrata
Onde há luz esta alma esconde
Ao não querer mais ouro ou prata
Arvoredo já sem fronde
A verdade me maltrata,
Mesmo sendo eterno Conde.
121

Eu não sou nenhum bandido
Muito embora a sorte diga
O que tanto eu invalido
Com a história mais antiga
E se vejo resumido
Meu caminho em toda briga
Nada mais terá sentido
Nem tampouco mesmo a viga.
O vagar em noite fria
Canivete, foice e faca
Quando o tempo se esvazia
E a verdade nos ataca
A saudade não traria
Poesia que inda aplaca.

122

Do distante mar que trago
Dentro da alma nada vês
E se tanto num afago
Presumisse noutra vez
O meu mundo onde divago
Pressentisse o que não crês
E se possa e não indago,
Não existe nem talvez.
Assim sendo, companheiro
O que fiz; e pouco importa,
Traz sentido derradeiro
Arrombando a velha porta,
E se andaste no chiqueiro
Alma porca semimorta.

123

Mas não fiz o meu caminho
Nas hordas beligerantes
De tal forma se mesquinho
O meu passo não garantes,
Entre o rumo mais daninho
Outros tantos por instantes
Desenhassem o sozinho
Mundo em cenas degradantes.
Resta pouco e sem defesa
Nada mais posso fazer
Minha vida sem surpresa
O meu canto a se perder
Na verdade em fortaleza
O que pude e tento crer.

124

Nos anseios de um momento
Entre as pedras e espinheiros
Onde busco e mesmo invento
Os cenários verdadeiros
Entregando o peito ao vento
Sou daninha em tais canteiros
E se possa o sentimento
Dias rotos, costumeiros.
Mas talvez o que suporte
Mude o canto enquanto escuto,
E se possa noutro norte
Na verdade não reluto,
Não trouxera qualquer corte
Muito embora em passo bruto.

125

Nas entranhas desta corja
Aprendendo a caminhada
Onde a sorte então se forja
E não deixa quase nada,
Lacerando o que restasse
De um moleque sem destino,
No vazio desenlace
Tempo busco e não domino,
Acrescento ao que vier
Qualquer toque ou mesmo o rumo,
Onde o peso audaz, qualquer
Traça o todo onde resumo
O cenário que puder
Embebido em todo o sumo.

126

Inda quando molecote
O meu passo em sincronia
Onde quer que se denote
Traz decerto e mostraria
O que possa e não se note
Nesta vaga estrebaria,
E sem nada que se anote
Noite invade e volta ao dia.
Resumindo o meu passado
Sem saber sequer do medo,
Onde sigo aliviado
O caminho onde concedo
E se mal-acompanhado
Este foi o meu enredo.

127

Hoje a vida me permite
Trabalhar, embora seja
Informal e sem limite
Todo dia esta peleja
No que tanto necessite
Muito embora mais não veja
O meu passo não evite
E decerto nada almeja,
Sendo assim recolho a sobra
E buscando este alimento
Minha sina se desdobra
Entregando ao duro vento
O que o tempo sempre cobra
Cada dia um novo aumento.

128

Nas ruas onde adormeço
Outra vez pudesse a lua
Transferir este adereço
Que no céu, belo flutua,
Muito mais do que mereço
A beleza deusa nua
Estendendo em recomeço
O que além já continua.
Mas a chuva e a tempestade
Quando vêm nada segura
Na total calamidade
A verdade sendo dura,
Meu caminho sempre invade
E decerto me tortura.

129


Desta forma levo a vida
Como possa e Deus quiser
Na verdade construída
Muito além do que se quer,
Onde traga resumida
Esta face e o que vier,
Presumindo a despedida,
Sem saber um tom qualquer,
Conseqüência do passado
O futuro refletindo,
Onde o tempo desolado,
Também possa ser tão lindo,
O meu canto degradado,
Mansamente se esvaindo.

130

O que dizes, meu amigo,
Na verdade faz sentido,
Onde possa e se me abrigo
Outro rumo eu dilapido,
Cadencio e já nem ligo,
Finjo nem ter mesmo ouvido,
Voz do povo é um perigo,
Disto eu sei e não duvido.
Com porcos; quem se alimenta
Dos farelos também come.
Quando vivo na tormenta
O que sou decerto some,
Mas Jesus Cristo me alenta
Também teve sujo o nome.
111

Tanto assopra quanto morde
Minha vida não sossega
E caminha quase cega
Onde o canto não aborde
E decerto já recorde
Do que possa e não se entrega
A verdade em novo acorde
Nas violas já se nega.
Vendedor das ilusões
Entre versos e repentes
Onde o tanto não compões
Ou decerto nem mais tentes
Descarrilas os vagões
E os meus ermos tu pressentes.

112

Mais um trago que está frio
E a vontade é de falar
O momento onde desfio
Traduzindo em cada bar
O que possa e desafio
Não deixando descansar
Sem destino, desvario
E vagasse céu e mar.
Procurando do passado
Qualquer coisa que inda trace
O meu mundo desolado
Oferece nova face,
Mas decerto enquanto brado,
Ninguém mesmo ainda ousasse.

113

Sertanejo coração
Não respeita nem o medo,
Onde vejo a dimensão
Do momento onde o concedo
Sei que os dias mostrarão
Mesmo tarde ou sendo cedo
A diversa direção
Onde esqueço algum segredo.
Das mortalhas e muralhas
Carregando dentro em mim,
Na verdade se batalhas
Também tens a alma ruim,
E negando tantas falhas,
O meu verso traz o fim.

114

Engravido quem decerto
Sabe bem o que deseja
O meu mundo se deserto
Noutra face esta peleja
Encontrando o campo aberto
Sendo sempre como seja
A palavra onde me alerto
Não traduz o quanto veja.
Acrescento cada morte
Como fosse mais um passo
Ao caminho que comporte
Todo o meu velho cansaço,
E se possa e não suporte
Outra vez sigo devasso.

115


Mataria por prazer,
Esteja certo, meu amigo,
Mas agora ao perceber
Quanto sou decerto antigo,
O meu mundo eu passo a ver
Da maneira que consigo
Sem sequer poder saber
Se inda tenho algum abrigo,
Barbarizo quando sonho
E se tanto sou medonho
Enfadonha a vida agora,
Deposito e não se entenda
Qualquer verso de uma lenda
Que decerto me devora.

116


Nesta praça jogo damas
E se queres outro fato,
Acendendo velhas chamas
O que tanto ora retrato
E misturam tantas tramas
Onde o fim ora constato
E se possa quando clamas
Mar bravio hoje é regato.
Mas resgato alguma luz
Quando a sorte traz lembranças
E também se reproduz
Toda vez que tu me lanças
A verdade feita em cruz
Sem querer tantas mudanças.

117

Tantos filhos, filhas, netos
E decerto o que viria
Não traria mais completos
O que basta a cada dia,
Os meus sonhos prediletos
Balas, facas, heresia,
Nos momentos mais diletos
Todo enredo outra sangria.
Mas do pouco que me resta
Do momento aonde pude
Encontrar a luz funesta
Nesta sorte mesmo rude,
Coração vergando em festa
Quando lembra a juventude.

118


Cicatrizes que carrego
Corpo tanto maltratado,
Olho esquerdo? Há tempos cego
Em descuido foi vazado,
E o martelo traz no prego
O destino desenhado,
Mesmo quando em paz sossego
Outro tempo é relembrado.
Bravamente a mente escora
O que tanto se quisera
E sabendo sem demora
Que em verdade se fui fera
O que resta e vês agora
Pouco a pouco degenera.

119

Dos grisalhos da esperança
Resta apenas solidão
E meu passo não avança
Nem permite a solução
E se tanto em confiança
Expandindo a negação,
Onde houver qualquer mudança
Meus olhos jamais verão.
Esquecido nalgum canto,
Noutro tempo desigual,
O meu mundo, eu não garanto
Provisão neste bornal,
A saudade traz o manto
Que amortalha o meu final.

120

Mas agora de partida
Volto após o tempo escuro,
Onde perco a minha vida
Minha paz eu asseguro,
Qualquer bala após perdida
Ultrapassa o velho muro,
E se possa decidida
Sorte em morte o que procuro.
Mas não posso nem falar
Se eu tentar estou errado,
Tudo tendo o seu lugar,
Seu destino já traçado,
Porém como imaginar
Um jagunço aposentado?
101

Na verdade o que se tenta
Após quedas costumeiras
Enfrentando esta tormenta
Onde nada mais tu queiras
Ouso mesmo quando esquenta
A verdade em tais ladeiras
Sobe e nada mais aguenta
Quanto mais as derradeiras
Emoções que não prometo
E se tanto quero a sorte,
Na verdade me acometo
Do momento onde suporte
Refazendo do soneto
O que possa além do corte.

102

Cordoalhas rotas; vejo
E da queda prometida
Nada mais que algum desejo
Traduzisse a torpe vida,
Sem cansaço algum pelejo,
Mas presumo a despedida.
Coração demais andejo
Noutra senda tão comprida
Avenida da esperança
Alameda sem proveito
E se o passo sempre avança
No final não me deleito
E tentando outra mudança
Qualquer sonho em paz, aceito.

103

Nas versões diversas vira
O que pude e mesmo quis,
Mas a sorte, esta infeliz
Tanto dá conforme tira,
E se possa noutra mira
Traduzir o que não fiz,
O cenário se retira
E mergulho por um triz.
Navegando sem destino
Onde a sina não permite
O que tanto determino
E procure sem limite,
O meu mundo eu extermino
E não quero outro palpite.


104

Depois disso que te falo
Nada mais se poderia
Ouso enquanto sou vassalo
Desta festa em agonia,
Mas decerto eu sendo o calo
Que jamais confortaria,
Bebo o quanto ora avassalo
Nesta louca confraria.
Restaurando cada engano
No final nada me resta
Tão somente o mesmo dano
Onde a vida nega a fresta
E o meu sonho soberano,
Pouco a pouco ora me empesta.

105

Nasci contra esta vontade
Que regesse o pensamento
E se tanto a vida agrade
Noutro instante já lamento,
O meu passo se degrade
E produz ressentimento,
No caminho cada grade
Traduzindo o sofrimento.
Mas do pouco que se visse
Noutro rumo desenhado
Escapando da mesmice
Tento quando além evado
Mesmo que ninguém me ouvisse
Jamais ficarei calado.

106

Quando a vida se prepara
Na tocaia a cada espreita
O meu mundo em noite clara
Tanta luz que me deleita.
Mas a sorte desampara
Quem conselho não aceita
E descrente da seara
Bala solta já se ajeita,
E sangria após sangria
Nada mais se vendo enfim,
Noutro sol não nasceria
Nem sabendo de onde vim,
Corpo agora florescia
Nos estercos de um jardim.

107

E da sorte em podridão
Inda resta alguma luz,
Onde sem a dimensão
Mais exata de uma cruz,
Sepultado feito um grão
Outro verso reproduz
E vazando pelo chão
Meu caminho se produz
Oferendas em florais
Entre dias divergentes
Quanto ao frio que tu sentes
Prenuncia os temporais,
Vago em sonhos tão dementes
Não conheço algum jamais.

108

Quando em plena primavera
Florescência determina
O que tanto ora se espera
E deveras rege a mina
Onde outrora uma cratera
Noutro tom já se examina
E vencendo destempera
E decerto te alucina,
Vasculhando com cuidado
Verás solo revolvido
No momento desejado
Onde o caos não dilapido
E por certo um rude brado
Toda noite sendo ouvido.

109

A beleza se espraiando
Outro tom a vida sele
E se veja desde quando
Cada passo se atropele
Onde pude desenhando
Carcomida inteira a pele
Mas o tempo desejando
Noutro engodo me compele
De tal forma me apresento
Entre cores mais sutis
E se toco o pensamento
Vou seguindo ora feliz,
Ao reger o sofrimento
Cada sonho ora desfiz.

110

E da flor que ofereceste
Os espinhos ferem tanto
E deveras percebeste
O que atento ora garanto
Morte apenas recebeste
Ou talvez o desencanto
Onde outrora luz teceste
Resta apenas o teu pranto.
Nada mais se vendo após
A mortalha em flor tecida,
Desdenhando o tom atroz
Desvendando a apodrecida
Incerteza em turva foz,
Renascendo a morte em vida.
91

O tempo sem provento
O vento aonde tente
A sorte imprevidente
Ou mesmo algum alento
Divirjo num momento
E sei do impertinente
Cenário descontente
Em ledo movimento.
Casualmente eu vejo
O quanto do desejo
Pudesse ser bem mais,
E sendo assim a vida
A história presumida
No fim tu sempre trais.

92

Orgástica loucura
Ou mesmo em noites brancas
No fundo sendo francas
As sortes; nada cura.
O preço da procura
Presume o que desancas
E sei das ânsias mancas
Enquanto configura.
Ascendo ao que se fez
Em plena rigidez
E nada mais se possa,
Assertivas diversas
E nelas desconversas
Gerando após a fossa.

93

Repare cada engano
E trace nova meta,
A luta se completa
Enquanto enfim me dano,
O verso soberano
Na vida de um poeta
E sei do quanto explano
Atinge-me tal seta.
Amor em tom disperso
E sei do mundo imerso
No encanto de quem trame
A vida noutro passo
E sei do quanto traço
Além de algum ditame.

94

Perfumando o caminho
Nas sendas mais sutis
O quanto já se quis
E molda o ser daninho
Vencendo este mesquinho
Delírio e por um triz,
O céu deveras gris
O risco onde me alinho.
Não tendo outra versão
Sequer esta aversão
Traduza mais um dia,
Emendas entre cortes,
E nada mais suportes
Enquanto em não traria.

95

Aprendo com meu erro
E sei do quanto pude
Vencido em atitude
Dispersa de um desterro
Amor quando no enterro
Da sorte que amiúde
O verso em plenitude
Esquece sonho e cerro.
Apraz-me tão somente
Viver o que apresente
A vida noutra rota,
E sei do quanto vista
A senda já revista
Enquanto o não denota.

96


Brindando com o fel
O verso que não veio
Seguindo em tom alheio
Por vezes mais cruel,
O mundo em carrossel
O passo em devaneio
E sei do que não creio
Anseio um bom farnel.
Afunilando a vida
Deveras tão sofrida
Vencida pelo ocaso,
E sigo em direção
Aos dias que verão
O quanto enfim me atraso.

97

Na viperina voz
De quem prepara o bote
O quanto ora se note
Explode em tom feroz,
Vestígios trago em nós
E quando nos derrote
O tempo não rebrote
Na senda mais atroz,
O peso de uma vida
Agora já perdida
Pendula e ora perdura,
A vaga sensação
Do tempo feito em não
Na noite assaz escura.

98

Vivendo sem saber
O quanto possa ou tente
Do tanto impertinente
Marcando cada ser,
Negando amanhecer
O risco imprevidente
E o todo se apresente
Num claro alvorecer.
Restauro com meu sonho
O mundo onde proponho
A paz que nos redime,
E sei do meu momento
Envolto em turbulento
Cenário; mas sublime.

99

Calando o quanto tenha
A vida sem sentir
O quanto do porvir
Precisa desta senha.
E sei de cada ordenha
E nela o presumir
O fato de existir
Decerto não convenha.
Resvalo no vazio
E sei que propicio
Apenas o que outrora
Vencido caminheiro
No tempo derradeiro
A sorte não vigora.

100

São versos simplesmente
E nada mais e nisto
O tanto que consisto
Expressa o quanto mente
Uma alma impertinente
Ou mesmo se resisto
O preço onde conquisto
A queda em vão se sente.
Não pude acreditar
E sem qualquer lugar
Apenas o cansaço
Enfrenta o dia a dia
E mata o que viria
Trazer e ora desfaço.
81

Mapeias com o sonho
As Terras mais distantes
E mesmo que adiantes
O mundo onde o proponho
Verá o ser medonho
E nele por instantes
Cenários degradantes
Num canto ora enfadonho.
Enfronho-me no vário
E torpe vil cenário
Viçosa noite eu quis,
Mas quando me entregara
A luta a cada apara
Jamais me fez feliz.

82

Não meça esta verdade
Conforme peso e traço,
No fundo o que inda faço
Talvez já se degrade,
O verso em realidade
Morrendo de cansaço
Agora em tom escasso
Sonega a claridade.
Pudesse ser diverso
E ter no olhar disperso
O mundo que não creio,
Mas tanto sendo assim
Principiando o fim
Prefiro estar alheio.

83

Sonetos entre enganos
Espalho sem saber
Se estendo algum prazer
Ou mesmo velhos danos,
E no frigir dos planos
Os olhos possam ver
Apenas o querer
Em rudes desenganos.
Anseio qualquer meta
E nada se completa
Senão a mesma luta
E sei do quanto pude
Viver em plenitude
E nada mais se escuta.

84

O tanto que pudera no passado
Jamais me apresentasse algum futuro
E sei do quanto resta e se procuro
No dia mais audaz, decerto evado,
E sinto este caminho desenhado
Nas tramas de um anseio ora inseguro
Saltando sem defesas sobre o muro
Embora saiba estar acostumado.
Arcar com erros tais e ver em frente
O tanto que talvez já ninguém sente
Ou mesmo não desmente esta ilusão,
Lunática presença do que outrora
Pudesse desejar e sem ter hora
Explode numa turva procissão.

85

O verso que se fez invade cada instante
E sei do que talvez pudesse ser maior
O tempo se desnuda e sinto em meu suor
O tanto quanto quis e nada mais garante.
O verbo com certeza em voz tão dissonante
Expressa na verdade o quanto sei de cor
Na estante da esperança não sei o que é pior
O que vivera outrora ou viva doravante.
Restando do meu canto apenas o vazio
Ainda quando muito o sonho eu desafio
E sei que cada fio entoa outro destino,
Sabendo disto sigo em busca de algum cais
E mesmo que se veja em dias tão banais
Sem rumo e sem caminho, enfim me desatino.

86

Não veja
Tal sorte
A morte
Deseja
Andeja
Sem norte
Comporte
Se almeja
Vencida
A vida
Nem resta
A festa
Que um dia
Queria.

87

Nas tramas deste enredo
A voz não calaria
E sei do meu segredo
Refeito a cada dia,
O tempo atroz e ledo
Exclui a calmaria
E nada que concedo
Decerto acalmaria
O velho coração
Cansado de sonhar
Negando a duração
Do quanto possa amar.
Deixando na estação
A vida sem lugar.

88

Mantendo o mesmo rumo
Depois da tempestade
O quanto se degrade
O tempo onde me esfumo,
O tanto enquanto aprumo
O verso não agrade
E sei fatalidade
E nisto eu me resumo.
Vagando sem destino
Deveras mal domino
O traço aonde vês
A vida de tal forma
Que quando nos deforma
Gerasse estupidez.

89

Negar o que não tenho
E ser bem mais tranquilo
E quando não vacilo
Enfrento o fraco empenho
E sei que enquanto venho
O mar traz o bacilo
Do tempo onde desfilo
E nada mais convenho,
Restaurações em ruas
Deveras sempre nuas
Cultuas com teu canto,
Mas quando se aproxima
A vida em ledo clima
Deveras eu me espanto.

90

Na reta de chegada
A sorte não presume
O quanto sem costume
Sonega e já se evada
Marcando a desolada
Vontade onde resume
O lento e vago ardume,
Depositando o nada,
A voz se faz presente
E quanto se pressente
Do tempo mais sutil,
O mundo se envereda
E sei que cada queda
Transcende ao que se viu.
71

Versando até o fim
Reverso da medalha
O quanto que se espalha
Traduz o todo em mim,
Não posso e sei que assim
A vida sendo falha
Prepara o que atrapalha
Matando o meu jardim.
Aonde quis bromélias
Jasmins, rosas, camélias
Apenas tanta areia,
O verso se tramando
Num solo tão infando
Jamais toma e incendeia.

72

O prazo que se finda
O trem que já perdi
O mundo desde aqui
A vida não mais blinda,
O risco sendo ainda
O todo quando o vi
Vestígio e nada ouvi
E a luta se deslinda;
Audaciosamente
O tempo tanto mente
E remetendo ao fato,
Porquanto ser feliz
Traduz o que mais quis
E o fim ora retrato.

73

Não mais se vendo o quanto
Talvez inda feliz
Do tempo onde se quis
Viver em pleno encanto,
Mas quando não garanto
O verso e por um triz
Tateio em céu mais gris
E bebo enfim o pranto.
Restando o quase nada
E vejo desenhada
A foz num novo enredo,
O canto se profana
A luta soberana
E a paz; jamais concedo.

74

Cismando contra a sorte
Que me joga por terra
A vida ora se encerra
E nada mais comporte,
Aonde fora forte
O tempo não mais cerra
A luta quase guerra
Jamais tanto conforte,
Restando o mesmo nada
Semente degradada
Nas tramas deste solo,
E quantas vezes; vi
O todo audaz e em ti,
Somente ora me assolo.

75

Brincar de ser além
Desta saudade imensa
A vida não compensa
E pensa no que tem,
O mar que traz ninguém
Em onda sempre vença
Marcando tal doença
Com dor e sem vintém.
O prazo determina
A frágil solução
E sei que desde então
Estando seca a mina
O vento não permite
Além de algum limite.

76

Navego contra as ondas
E vejo a tempestade
Que tanto nos degrade
E nela tu respondas
Pousando aonde escondas
A sorte feita em grade
Atroz sinceridade
Enquanto o fundo; sondas;
Espero um pouco mais
E sei dos dias tais
Ainda que distantes,
Os olhos mais sombrios
Tramando em desafios
Os ermos onde espantes.

77

Negociando o fato
De ser ou não tentar
Ainda desenhar
A face onde resgato
O mundo tão ingrato
A luta a se sonhar
O verso a navegar
O marco num regato
Já tanto poluído
A vida em tal ruído
Esquece qualquer meta,
E sei do que pudera
Tramando em voz austera
O que jamais completa.

78

Não meça com teu medo
Este caminho vago
E tanto se divago
Traduzo este segredo
E sei do desenredo
Aonde o que ora afago
Persiste enquanto o trago
Ou mesmo assim procedo.
Restaurações diversas
Somente tu não versas
Talvez por aversão,
O manto se puindo
O tempo outrora lindo
Esgota esta estação.

79

Inverno meu caminho
E sei que sem lanterna
A sorte sempre aderna
E volta ao tom mesquinho,
E nisto se me alinho
Aonde o mundo hiberna
Palavra bem mais terna
Eterno vão daninho;
O verso se aproxima
E tenta nova rima
E prima pelo ocaso.
Ainda sem saber
Do quanto possa haver
Aos poucos já me atraso.

80

Livrando o pensamento
Do quanto em cotas vês
O dia sem talvez
O tempo onde alimento
Meu barco contra o vento
A rude insensatez
E tudo se desfez
Em ledo desalento.
Propriedades tais
E nelas desiguais
Anseios dizem tudo.
O prato predileto
O rumo que completo
Conforme em vão me iludo.
61

Não vejo saída
Tampouco queria
A sorte a alegria
Dominam a vida
E sei da partida
E nada veria
Sequer fantasia
A senda esvaída
Nas tramas da noite
Enquanto me açoite
O tempo fugaz,
Não vejo mais nada
A sorte enredada
Jamais algo traz.

62

Desta alma os perfumes
Invadem meu quarto
E quando comparto
Com tanto que rumes
Navego teus lumes
E bebo já farto
Cenário onde parto
Além dos costumes.
Resumo num verso
O quanto disperso
Imerso em teus sóis
E tanto se queira
Palavra ligeira
Agora destróis.

63

Quisera tal fato
Aonde o que reste
Neste tempo agreste
Deveras constato
E sei deste trato
E quando se infeste
A luta onde investe
O passo e resgato,
O manto sagrado
O dia eu degrado
E vago sem rumo,
No passo contido
O que dilapido
Também mal consumo.

64

Bebesse do mel
Do tempo sem nexo
Amor mais complexo
Levando em farnel
Estrelas e céu,
O mar num reflexo
O sonho ora anexo
E sei seu papel,
Estantes diversas
E nelas tu versas
Imersas palavras
Nos tempos sutis
O quanto mais quis
Eu sei já não lavras.

65

Decomposto cerne
Do verso em pedaços
E sei destes lassos
Caminhos e hiberne,
O mundo concerne
E vaga entre laços
Dispersos cansaços
Meu corpo ora inerme.
Não pude e não tento
Vencer qualquer vento
E mesmo que a sorte
Mudando de rota
Não mais se denota
No quanto suporte.

66

Reajo e procuro
Vencer cada engano
E se ora me dano
Num solo inseguro
O quanto é maduro
O verso num plano
Diverso que explano
E tramo no escuro.
O passo sem tréguas
Distando mil léguas
De quem desejei,
O tempo traduz
O quanto sem luz
A vida eu verei.

67

Brandindo com fúria
A sorte eu não vejo
E sei do desejo
Exposto em penúria,
Acorda esta injúria
E tanto prevejo
O mundo azulejo
Agora em incúria
Na parte que reste
O tempo da peste
Revivo contigo,
E bebo este amargo
Cenário e não largo
Nem mesmo consigo.

68

Na parte contrária
A voz não se cala
E sei desta sala
Aonde luz vária
Vital, necessária
Pousando avassala
E quando nesta ala
A luta é primária.
O verso se acalma
O tempo sem trauma
A palma das mãos
Traçando em tal solo
O mundo sem dolo
Cevando outros grãos.

69

Não vejo o passado
Conforme disseste
O tempo reveste
O sonho acordado,
E quanto mais brado
Maior este agreste
Momento que deste
O teu vil recado.
Aprendo em engodo
E sei do meu lodo
Em teu lamaçal,
O vento profano
O dia onde engano
Meu verso final.

70


Jogando esta sorte
Aonde o que visse
Nem mesmo é tolice
Que tanto conforte,
Apenas ser forte
Quem nada desdisse
E nem mesmo ouvisse
O canto da morte,
Restauro outro dia
E nada viria
Veria sem nexo,
No espelho da vida
Na bala perdida,
O mesmo reflexo.
51

Meu tempo passando
E nada se faz
Ao menos tenaz
O verso inundando
Sem saber nem quando
O prazo já traz
A fonte mordaz
Agora secando.
O medo o tormento
E tanto que enfrento
O vento não diz,
Do manto que cobre
O passo tão nobre,
Jamais fui feliz.

52

Na voz que se cala
No tempo onde o dia
Moldando traria
A sorte vassala,
Adentro esta sala
E vejo ironia
No quanto teria
No solo que abala.
Meu verso sem rumo
A vida eu resumo
No não mais frequente
E tanto se queira
A paz verdadeira
E nada mais tente.

53

Bisonha verdade
Anseia outro passo
E quando desfaço
Encontro a saudade
Por mais que inda brade
Depois do cansaço
O manto sem traço
Da tal claridade
Ousando sentir
O quanto há de vir
Nas curvas da vida,
O pote quebrado
O sonho negado
A luta perdida.

54

Vagar sem saber
O tempo que resta
A sorte funesta
Tanto desprazer
E sei do querer
Ousando na fresta
Aonde o que presta
Não pude viver,
Anseios diversos
E nestes meus versos
Imersa ilusão,
Sonhando suave
A vida se entrave
No mesmo senão.

55

Beber cada gole
Da vida sem rumo
E quando acostumo
O tempo me engole,
O verso que assole
O mundo aonde aprumo
E sei do resumo
Enquanto não role
A pedra dos sonhos
Em dias bisonhos
Enfronho meu passo,
Depois quando vejo
O raro desejo
O canto eu desfaço.

56

Viperina sorte
Que tanto em tocaia
Jamais não me traia
E trace o suporte
Ainda sem norte
A lua na praia
A sorte se espraia
E o vento me corte,
Não pude e nem quero
E sendo sincero
Jamais poderia,
Ousar noutro fato
Que quando constato
Matasse a alegria.

57

Um canto qualquer
Um dia sem paz
O verso se faz
Enquanto puder
Ousar no que quer
E ser mais audaz
Vencendo onde traz
A luz se quiser,
Mas tanto o que vês
Nesta insensatez
A tez de um passado,
Diverso do encanto
Que demoro tanto
E sonho, esboçado.

58

Não pude e nem sinto
O verso mais rude
E sei da atitude
Aonde em instinto
Vagando em distinto
Caminho não mude
Nem mesmo me ilude
Tenaz labirinto,
Das Tebas da vida
A sorte medida
Nos ermos que sigo,
A luta não trama
Além do que chama
Traçando o perigo.

59


Um gole, o café
O santo remédio
A vida em tal tédio
E sei por quem é
Pousando sem fé
E sei que este assédio
Desfaz cada prédio
Navegando até.
O mar sobre as ondas
E quando respondas
Escondas os termos,
E sinto o fastio
Quando eu desafio
O fato de sermos.

60


Jamais pude ter
O tempo ao meu lado
O verso calado
O mundo a perder
A rota a se ver
Sentido no enfado
O todo que evado
Não deixa o querer,
Repare este fato
E nele constato
O prato vazio,
Amar sem proveito
E se não aceito,
O sonho; eu recrio?
41

Não abro mais o bico
Tampouco poderia
Ousar na sintonia
Diversa; enquanto explico
Meu verso e nisto fico
Ousando em ironia
Tentando hipocrisia
E basta ser mais rico.
Complico com o quanto
O todo aonde espanto
O canto sem proveito,
Do todo que pudera
Encontro em ti a fera
E toda a caça; aceito.

42

Já não mais me aprouvera
Pousar em rumos tais
Ainda que fatais
As sortes ditam fera.
A voz demais sincera
Os ermos desiguais
E trago em meus bornais
O quanto agora espera.
Não tento acreditar
Nas velhas fantasias
E tudo o que trarias
Tomando este lugar
Decerto não mais trame
Amor como ditame.

43

Vestígios de um momento
Há tanto abandonado,
O mundo em seu recado
Não traz o sentimento
E quando a paz eu tento
O dia desvendado
Marcando com enfado
O sol que em vão sustento.
Do vento que presume
O tempo em raro ardume,
Cardumes da esperança
Quem nada mais consegue
Apenas não sossegue
E ao tanto em vão se lança.

44

Vagando no passado
Em termos mais sutis
Ainda ser feliz
É no lançar de um dado.
O prazo resgatado
O tanto que desfiz
No sonho do aprendiz
A vida dá recado.
O pranto não se extingue
Amor como estilingue
Atinge e nos maltrata,
No fim em alvo e seta
Pudera ser poeta,
Saudade; esta insensata.

45

No pranto que rolasse
Dos olhos de quem ame,
O tempo noutro exame
Traduz um novo impasse
E mostra nesta face
O sonho qual enxame
Vagando aonde clame
Tramando o desenlace,
Nesta alvorada vens
E saibas sem desdéns
O que contém tal jogo,
O dia sem promessa
A sorte recomeça
E traz a fúria e o fogo.

46

Não meça tais anseios
Tampouco veja o fim
Aonde o que há em mim
Presume tais rodeios,
Os dias mais alheios
A paz neste jardim,
O corte sendo afim
Dos ermos devaneios.
Um gole de aguardente
E nada mais se sente
Sentidos entre ocasos,
Assim seguindo o rumo
Enquanto não me aprumo
Expresso velhos casos.

47

Ousasse perceber
O quanto resta em nós
A vida mesmo atroz
Traduz qualquer prazer,
Assim cada querer
Produz enlace e nós
E sempre segue após
Ainda o posso ver.
A parte que me cabe
Bem antes que desabe
Expressa esta emoção
Do mundo em que me arribo
O tempo sem estribo
Vaga sem direção.

48


Migrante bandoleiro
Dos términos fugazes
Aonde o que me trazes
Matasse o meu canteiro,
O tempo corriqueiro
Os olhos tão mordazes
E sei das tantas fases
E nelas eu me inteiro.
Reparo cada passo
E sei quanto mais traço
Desfaço o que não fiz,
Assisto ao quanto veja
A sorte em tal peleja
Marcando este aprendiz.

49

Não fala do sonho
Tampouco da luz
Aonde conduz
O tempo bisonho,
E tanto componho
Ou mesmo seduz
O que não reluz
Já nem mais proponho.
Restando de nós
Apenas a foz
E o passo sem nexo,
O mundo atormenta
E sei da sangrenta
Batalha que anexo.

50

Já não poderia
Pousar noutro ponto
A vida desconto
Diversa e vazia,
O tempo traria
O mundo em que conto
E quando me apronto
A noite esvazia.
O verso sem rima
A lua que prima
Agora nublada,
A sorte se esvai
E o quanto me trai
Traduz sempre o nada.
31

A cada verso trago
O traço de outro verso
E neste passo imerso
Ousando noutro afago,
O tempo quando vago
Em voga o mais diverso
Cenário do universo
Uníssono e divago.
Exótica paisagem
Erótica paragem
Viagem prosseguindo,
Depositando o sonho
Enquanto em vão me oponho
O tempo atenta lindo.

32

De um tema variado
Os dados tão sutis
Desmentem o que fiz
E nisto outro recado,
O preço avaliado
Avariado eu quis
E ser tal aprendiz
Não deixa o passo dado
Ousando na palavra
O quanto desta lavra
Arvora o coração,
Aurora que vivera
A sorte em leda cera
Em decomposição.

33

Compostos entre dias
Diversos e fatais
Os olhos desiguais
As horas; não verias
E sei das agonias
E nelas outras tais
Quebrando os meus vitrais
Em versos e heresias.
Repare cada luta
Da vida mais astuta
Na bruta sensação
Do tempo onde sem sonho
O pouco que componho
Expõe vã dimensão.

34

Espias da janela
O mundo que não vês
E nesta insensatez
O medo se revela,
O tempo quando em cela
Presume a estupidez
E o quanto se desfez
Moldando a espúria tela.
O canto mais audaz
Em nada satisfaz
Ao não se completar
Depois já se calando
O teto desabando,
Não resta nem sonhar...

35

Braseiros entre fúrias
E nada mais restaura
A sorte que nesta aura
Pudesse sem penúrias.
O vento sem proveito
O leito de outro rio,
O canto onde esvazio
O mundo do meu jeito
Cansado desta luta
Aonde nada vinha
Somente a ladainha
Ainda aqui se escuta,
A bruta força vence,
Porém não me convence.

36

Reparo cada passo
Com traços divergentes
E sei conquanto sentes
A força do cansaço,
E quando ora te abraço
Expondo os mais ardentes
Momentos envolventes
Regando cada traço
Do prazo que se quer
Ou mesmo num qualquer
Caminho aonde venha
A fonte mais sutil
Do amor que tanto viu
Tramando fogo e lenha.

37

Encampo cada verso
Ao meu momento em luz,
E mesmo o que produz
Rezando no universo
O prazo mais disperso
O fato reconduz
Ao quanto fora pus
E agora sinto imerso.
O beco sem saída
A lida que não lida
Com toda a sorte ou sonho.
Depois do meu fracasso,
Apenas mero traço
De um tempo mais bisonho.

38

Bramisse com a voz
De quem nada sustenta
Somente a tão sangrenta
Vontade mais feroz,
O canto sendo algoz
O manto me alimenta
Na fúria que ora aumenta
E toma logo após,
O medo num fastio
O quanto desafio
O fio da meada,
Depois da sorte grande
O mundo já desande
Não deixando mais nada.

39

Apresentar em mim
O que não mais teria
Nem mesmo moldaria
O sonho de outro fim,
O verso traz assim
A luta em agonia
A lua que eu veria
Já morta nega o sim,
E vinha entre detalhes
Os dias que retalhes
Os termos mais sutis,
E sei do quanto pude
Embora um tanto rude,
Tentar sempre o que eu quis.

40

Na paz que nos trouxesse
A sensação imensa
Da vida em que se pensa
Pousando noutra prece,
O farto rumo esquece
Da velha recompensa
E nada mais compensa
O sonho e não merece.
Respiro o poluído
Cenário destruído
E nada me acalenta,
Apenas vejo a vida
Já tanto desvalida
Nas tramas da tormenta.
21

Um dia a bala vem
Perdida ou com tal mira
Que nada mais retira
Nem mesmo sigo além
O verso não convém
Envolto em tal mentira
O pouco que se atira
Traduz o raro bem.
Prenunciando o quanto
Apenas desencanto
E canto sem sentir
O manto se entreabrindo
E nisto o tempo infindo
Resolve então partir.

22

Revolvendo o passado
Revólveres e fugas
Os olhos, cãs e rugas
O cerco anunciado,
E quando enfim me evado
Ainda quando alugas
Decerto não refugas
E vejo o velho enfado.
As cartas sobre a mesa
O dado já rolando
E o tempo desde quando
Tentara outra surpresa
E presa do que sou
De mim, nada restou.

23

Além do mais, o menos
Compensa o que se quer,
A trama que vier
Os dias mais serenos,
Os olhos são venenos
Nas mãos de uma mulher
Que segue sem sequer
Tentar dias amenos.
Não pude e nem talvez
Ainda o quanto vês
Transcende ao que ficara
A voz já me intrigando
Do tempo desenhando
A turva e vã seara.

24


O amar tranquilamente
É tudo o que se tenta,
Porém a voz sangrenta
Não deixa plenamente
E o tempo nos desmente
Embora a noite atenta
Moldara enquanto venta
O dia ora inclemente.
Resplandecendo o fato
Enquanto o que constato
Num ato se traduz,
Vestígios de outras eras
E sei que não me esperas
Nem mesmo em mera luz.

25

Buscando cada anseio
Na boca mais gentil,
O quanto amor se viu
Tocando manso o seio
E sei em devaneio
O corte aonde o vil
Percebe o que cerziu
E traz já sem rodeio.
O mar dentro do peito
O peito noutro mar,
E assim ao navegar
O sonho quando aceito
Explode sem temor
Em ânsias de um amor.


26

Os corpos se tocando
Os brindes mais audazes
E sei que quanto trazes
Traduzes desde quando
O mundo nos tornando
Deveras mais vorazes
E após diversas fases
O dia se blindando
Num canto em privilégio
Vencendo o sortilégio
Deste régio tormento,
Não tento amanhecer.
Apenas posso ver
Sentindo o manso vento.

27

Um sempre doce sonho
É pura hipocrisia,
O mundo não traria
Um ar tão enfadonho.
E quanto mais componho
A sorte dia a dia
Já nada mais veria
Nem mesmo o que proponho;
Vestígio de uma senda
Diversa já desvenda
O tempo sem cuidado,
O manto que me deste
Azul quase celeste
Agora, desbotado.

28

Pudessem tão suaves
As noites entre nós,
Os corpos, mesma voz
Os dias sem entraves,
Vagando em plenas naves
O amor moldando a foz
E sei do canto atroz
E dele suas chaves.
Respiro e neste tanto
O peso que levanto
Permite nova luz,
Assim ao me entranhar
Nas tramas de um luar
O sonho em paz seduz.

29

Das naves libertárias
Aos ermos de quem tenta
Vencer qualquer tormenta
Em formas necessárias
Já não são solitárias
As noites quando alenta
O tempo que apascenta
Em rotas solidárias.
Jorrando dentro da alma
A vida nos acalma
E trama novo passo,
Depois do que viera
A luta noutra esfera
Desenha um vão compasso.

30

Desejo sempre imenso
Do sonho que liberte
Ainda que deserte
O mundo enquanto penso
Num dia menos tenso
E nisto já se acerte
Outrora um corpo inerte
Agora um ser intenso.
Restando deste fato
A sorte onde retrato
Um ato sem fastio,
E bebo tão somente
O quanto se apresente
Em manso desafio.
Mereceria a paz
Quem tanto quer a vida
E sabe da comprida
Estrada e segue atrás,
O risco onde se faz
Presume a despedida
Abrindo outra ferida
Exposta em tom mordaz,
Acolho cada embrulho
E sei quanto me orgulho
Do entulho que hoje sou,
Não veja cada engano
Qual fosse mais um dano
Que expressa o que restou.

2


Já não mais se pensasse
A vida como outrora,
E sei que desarvora
A sorte em tal impasse
O ser não ser não passe
E o tempo não demora,
Sentir a qualquer hora
A luta onde se trace.
Vestígios de uma senda
Diversa onde se atenda
E estenda o coração,
Não pude conceber
Sequer algum prazer
No imenso e torpe não.

13


Juntando cada caco
Do quanto já não somos,
Unindo velhos gomos,
O resultado é fraco,
E sei que em cada naco
O mundo enquanto o fomos
Trouxesse velhos tomos
E o resto; no buraco.
Acrescentar o nada
E disto em tal mistura
O quanto se procura
Desenha a desolada
Imagem do que um dia
Pudesse fantasia,
Porém só resta o nada.

14

Não veja; amada minha
A vida desse jeito
O quanto mais aceito
Traz senda tão daninha
Somando o que não tinha
Eu sigo satisfeito
E tento – é meu direito-
A noite mais mansinha.
Resplandecendo a lua
Deitada inteira e nua
Na cama e sem juízo,
Assim sem mais temor,
Nos antros de um louvor
Esboças paraíso...

15


Circulo entre meus danos
E tento novamente
Voltar e não desmente
A vida em velhos planos,
Tentando em desenganos
O quanto se apresente
E sinto imprevidente
Cenário em rudes panos.
A peça não termina
Um ato após se vê
E o quanto nunca dê
Para esgotar a mina,
Mas quando chega o fim,
Não resta nada em mim.

16

Louvado seja quem
Soubesse do passado
E tendo desenhado
A vida que convém,
Após o ser ninguém
Mostrando o já moldado
Caminho desolado
Da sorte muito aquém,
Querendo ou não querendo
Apenas sou remendo
E emendo cada parte
Do pouco que se desse
A vida sem tal messe
Jamais em paz comparte.

17

Fizesse da partilha
Apenas mais uma ato,
Mas quando mal eu trato
O tempo em armadilha
Prepara nova trilha
E sinto este retrato
Aonde o desacato
Matasse a maravilha;
Das ilhas e dos ermos
Aprendermos e sermos
São coisas conflitantes?
Armando outra cilada
A vida não diz nada
E nada me garantes.

18

O feto afeto fita
O faz o que se tenta
Na sorte virulenta
A luta mais aflita,
E nada ora reflita
O quanto da tormenta
Pudesse e violenta
Quem não mais acredita.
Apreços e vontades
Aonde tanto brades
As grades não contêm.
O mundo desabando
E o peso em contrabando
Traduz velho desdém.

19

Restaurações diversas
Em prazos mais sutis,
E tendo o quanto quis,
Sonhos em sedas persas.
As jóias tão dispersas
Pudesse ser feliz,
E sei que por um triz
Ao menos desconversas.
Viceja dentro da alma
O tanto que me acalma
Ou traumas de um passado
E quando a sorte trama
Além de qualquer chama
O amor dita o chamado.

20

No caos onde se veja
A luta sem final,
O verso bem ou mal
Anseia o quanto seja,
A vida malfazeja
O rastro até fatal
Guardando no bornal
A mão que se caleja,
Nas tramas deste campo
Aonde não acampo
Nem poupo o coração,
Do tanto que se visse,
Ainda em tal crendice
Procuro a direção.
Há tempo para tudo, disso eu sei.
Mas nada se repete sobre a Terra.
Somente algum passado desenterra
Fossilizando uma alma arcaica grei.
E tanto quanto possa eu te esperei,
Porém o ciclo agora já se encerra
Não tendo mais nem paz tampouco guerra,
Somente pela vida, então passei.
Mas que se dane o tempo de sonhar,
Decerto não restasse mais lugar
Entre os tecidos feitos de esperança.
O quanto se perdera sem razão,
Traduz sempre afinal o mesmo não,
E o passo no vazio nunca avança.

2

Ao martelar a mesma história eu sinto
Que na verdade tudo fora engano
E se puder seguir em novo plano,
Eu agradeço muito e não te minto.
Vulcão? Decerto está – bem sei- extinto.
Agora o que me resta onde me dano
Expressa algum esforço sobre-humano
Nem mesmo baseado num instinto.
Vestir hipocrisia e ter somente
O quanto da expressão não se desmente
Deixando demarcada em minha pele,
Vontade de sumir e nada mais,
Cansado de lutar em vendavais
Tua presença, amiga, me repele.

3

Fizera dos meus dias outros tantos
E neles desenganos, nada além
Do quanto na verdade sempre vem
Jorrando como fossem meros prantos,
Não tente caminhar entre quebrantos
No prazo onde deveras nada tem
Somente e mente exposta ao vil desdém
Composta sem resposta em desencantos.
Procuro algum sinal do que tivemos
E vago sem cansaço nos extremos
E nada do que somos diz em glória
Lavando a roupa suja nada resta,
E sei que este caminho agora empesta
O pouco que inda havia: nem memória...

4

Um toque mais suave
A vida não se entrega
E quanto mais navega
Maior do mar o entrave,
Dos sonhos cada chave
Ou vento que se nega
Bebendo o que sonega
Expressa a velha clave.
Arcádico desejo
O sonho que ora vejo
Revejo do passado,
Embolorada sorte
Sem nada que conforte,
Não deixa nada ao lado.

5


Capacidade dita
O dito que não sigo
Também cada perigo
Proclama a dor maldita
E sei que a vida fita
O caos e não prossigo
Depois vivo comigo
A senda em falsa grita.
Restauro cada engodo
E somo neste todo
Sanando o que viesse,
O tempo se amacia
Embora a cada dia
Revejo a velha messe.

6

Um ato onde resgato
O fato consumado
E estando acostumado
Deveras do regato
O sonho que retrato
Transcende ao alagado,
No porto desenhado,
Apenas desacato,
Ingrato caminheiro
Não sabe o verdadeiro
Sentido que seguira,
Arcando com meu dano
Se eu tanto ora me engano
Tecendo outra mentira.

7


Na sordidez da vida
Desta ávida loucura
O tempo me tortura
E a luta sempre acida,
Reúne em despedida
A sorte sem ternura
Quisera uma alma pura,
Na senda repartida.
Mas nada do que tente
Ousando ser frequente
Expressa um dia bom,
A paz que nos redime
O verso além do crime
As luas de neon.

8

Quis tanto e nada veio
Anseio o que viria
Ousando em ironia
Saber de algum anseio
Diverso deste meio
Enquanto me iludia
Meu mundo ruiria
Presente em devaneio.
Arcar com arcas, barcas
E sei quanto são parcas
As sortes de quem aja,
No fundo afundo mais
E bebo lamaçais
No bote a velha naja.

9

Grumete; eu quero apenas
Em paz poder meu mar,
E quanto mais lutar
Repito velhas cenas,
Ligando as tais antenas
Por onde navegar
Se eu possa mergulhar,
Jamais tu me serenas.
Mas vejo e revelando
O dia desde quando
O quanto fora além,
Somente a mente expondo
O tempo e nada pondo
Do pouco que se tem.

10

Tsunamis dentro em nós
Guerrilhas e tramóias
E sei que enquanto bóias
Ninguém te escuta a voz,
A luta pelas jóias
As ramas da feroz
Noção que logo após
Deveras não apóias.
Esqueço e se tropeço
O mundo que confesso
Com fé não mais seria
Capazes noites vãs
Tentando outras manhãs,
Repete o dia a dia.