41
Envolto nestas tétricas mentiras
Esboço reações; inutilmente,
O quanto no vazio se apresente
Expondo o que se veja em várias tiras.
O sonho pouco a pouco tu retiras
E trazes o que possa novamente
Traçar este momento feramente
Enquanto sem defesas, interfiras.
Camoniano verso, sonho incauto,
O risco de viver em tom mais lauto
Esculpe pouco a pouco esta heresia
Vertiginosamente num mergulho
Aos poucos resta apenas mero entulho
Aonde houvera há tempos, fantasia.
42
Nada trago após a queda
E desvendo o meu passado
Onde o medo se envereda
Noutro tempo desolado,
Verso sobre a que ora seda
E vagando lado a lado
Com o quanto já se veda
Mundo atroz, morto em enfado.
Presumisse qualquer sorte
E se tanto nos conforte
Fortaleça o pensamento,
Mas o vértice também
Quando o tombo cedo vem,
Redobrando o sofrimento.
43
Poesia amortalhando
O que tanto quis e sonho,
O meu mundo em contrabando
Tão somente o decomponho.
O caminho desde quando
Noutro termo já proponho,
Espreitasse, redundando
Neste escuso andor bisonho.
Apresento como enredo
O que possa e se concedo
Qualquer tempo após o vago,
Entremeio em verso e tédio
Sem saber de algum remédio
Ou do quanto inútil, trago.
44
Bastaria acreditar
Num instante mais feliz,
O que possa ao naufragar
Traça o quanto inda não quis,
O meu barco a se guiar
Pelo ocaso e por um triz
O que tento imaginar
Gera o tom opaco e gris.
Quando escuto a voz de alguém
Que sonoramente traça
O meu rumo nada tem
E sequer ousando em graça
O que gera este desdém
Pouco a pouco se esfumaça.
45
Não temo o que venha
Nem tempo ruim,
O mundo contenha
O quanto há em mim,
Vagando se empenha
E traz logo o fim,
A sorte convenha,
Mas tão leda assim?
O caos se aproxima
E o fim nos redime
O tempo outro clima
A morte é sublime
E o vento suprima
O quanto me oprime.
46
Não quero o que trazes
Tampouco o que vês
A vida em tais fases
Mera estupidez,
Sem rumo, sem bases,
O mundo talvez
Pudesse e não fazes
O quanto inda crês.
Restauro o passado
E vejo este enfermo
Momento traçado
Em tétrico termo
Seguindo ao teu lado
Num mundo tão ermo.
47
Perdoe meu canto
Se tanto magoa
A voz num espanto
Traduz o que ecoa
E nada garanto
Sequer a canoa
A luta sem pranto,
Jamais fora boa.
Vitórias, permutas
E quando não vejo
Além do que lutas
Afãs e desejo
As frases astutas
Num ar malfazejo.
48
Versando outra vez
Aonde pudera
Trazer no que crês
A vida insincera
E tanto se fez
Ou mesmo se espera
Na frágil vã tez
Da louca pantera.
Encontro meu rastro
Em cada passada,
E quando me alastro
Ao fim vejo o nada,
Os sonhos que castro
Na noite isolada...
49
Vestígios do quanto
Pudesse viver
O mundo, portanto
Não sabe o prazer
Que quando o garanto
Presumo o querer,
Porém se me espanto
Já nada colher.
Somente o vazio
Aonde perfaço
O tempo em estio
Apenas cansaço
E deste sombrio
Cenário, meu passo.
50
Alheio ao que veio
Ou mesmo prometa
O quanto em permeio
Anseio e arremeta
A voz onde ateio
O sonho um cometa
E sigo em receio
Repito a falseta.
E sei do não ser
E ser e não sei
O quanto viver
Em tão vasta grei
Ou mesmo perder,
O quanto sonhei…
PARA TANTOS, PRINCIPALMENTE MARCOS GABRIEL, MARCOS DIMITRI E MARCOS VINÍCIUS. MINHA ESPERANÇA. RITA PACIÊNCIA PELA LUTA.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
31
Arcar com erros tantos quando a vida
Expressa tão somente o que tu vês
Exposto numa imensa sordidez
Ao mesmo tempo a vejo sem saída.
O quanto poderia e não decida
A luta em mais completa insensatez
O mundo nos traçando o que não crês
E a senda que julgara em paz, perdida.
Apressando este caos que por herança
Recebo e deixarei para os meus filhos,
Ousamos percorrer tétricos trilhos
E o passo neste escasso vão se lança.
E refazendo assim a mesma história
Que em cada gen expressa a vil memória.
32
Eu não me preparei para o futuro,
Ainda sigo atado ao que já fora,
A face tantas vezes sonhadora
Esbarra aonde sou tão inseguro.
O pouco que me resta, configuro
Na teia enquanto a sorte promissora
Expressa a mais atroz devoradora
Essência de um momento opaco, escuro.
E mesmo que me iluda, a morte vem
E traz no seu sorriso de desdém
A face mais irônica e venal.
O fim se aproximando e nada resta
Talvez invés de lágrima uma festa
Redima o quanto fui ledo e boçal.
33
Ocasionando quedas e tropeços,
Atropelando o tempo em vãs respostas
Nas mesas iguarias decompostas,
Nos olhos meros ermos e adereços.
Os sonhos renegando os teus apreços
Os ritos entre as sortes quando gostas
E as lutas sem proveito, são propostas,
Porém tanto perdi tais endereços
Apenas trago na alma este porão
E dele ouso crer na dimensão
Exata que me resta sobre a Terra.
Assim o que se possa desenhar
Talvez consiga ao menos um lugar
Onde descanse em paz, já sob a terra.
34
A virulência expressa em todo olhar
Que possa no horizonte em tom sombrio,
O mundo se perdendo e já desvio
O rio se distando deste mar.
Não quero e não devesse mergulhar
Nos ermos do passado onde recrio
Somente sem segredos meu estio,
Sem ter uma esperança aonde arar…
Incauto caminheiro do que um dia
Tentasse desvendar, mesmo sabendo
Que tudo não passasse de um remendo
Traçando noutro engodo, esta ironia
E vejo o quanto pude ou mais pretendo
Sabendo que mais nada em paz teria.
35
Volta e meia em meia-volta
O meu passo perde a rota
E o que possa já se solta
E transporta esta derrota,
A verdade não revolta
Nem tampouco me amarrota,
Sigo sempre tento a escolta
Do que possa e não denota.
Qualquer música ou promessa
Qualquer festa vale a pena,
O que tanto se confessa
Muitas vezes me condena,
Mas o tempo se meça
Onde a vida não é plena.
36
A verdade se moldando
No que pude adivinhar
O momento fora brando
Nada encontro em seu lugar,
O versejo se entornando
Onde eu tento imaginar
O que fora desde quando
Posso a vida renegar.
O meu canto sem sentido
O sentido sem encanto
E o prazer que busco tanto
Noutro passo resumido,
Verso inverto e vivo aquém
Do que tento e nada tem.
37
Nada mais pudesse crer
Senão nisto que me trazes
Tanto sonho em desprazer
Tantas noites mais mordazes,
Os meus passos são tenazes
E o meu canto a se perder
Traz em versos novas bases
Onde o fim, possa prever.
Rudimentos; tão somente,
O meu verso se desmente
Quando a vida mesmo cala,
E transborda do passado
O meu canto acorrentado
Nas entranhas da senzala.
38
A saudade que há de um dia
Transcorrer com maciez,
Noutro ponto perderia
O que tanto a vida fez,
O meu passo não traria
Nem sequer em lucidez
A verdade, uma ironia,
Ou quem sabe o que tu vês.
Carcomida sorte agora
No que possa e me apavora
Desarvora tão somente
O vencido caminheiro
Tenta além do ser primeiro
O que possa e não desmente.
39
Noutro canto desta casa
A verdade se apresenta
Onde o tempo já me atrasa
E a saudade me atormenta,
Vendo o quanto a luta abrasa
Nesta face mais sangrenta
O meu canto não se embasa
No que traz cada tormenta.
Entretanto o livre verso
Segue solto no universo
E transcende ao próprio canto.
Entre o ser, poder; lutar
E quem sabe num luar
Eu encontre o que amo tanto.
40
A medalha merecida,
A mortalha em riso e dor,
A palavra adormecida
O cenário em nova cor,
Esperança apodrecida
Agradece este louvor
Da certeza corroída
Onde possa ou não compor.
Viveria pelo menos
Um momento mais gentil,
Entre tantos os venenos
Que destilas só se viu
O que possa em novas trilhas
Desenhar mil maravilhas.
Arcar com erros tantos quando a vida
Expressa tão somente o que tu vês
Exposto numa imensa sordidez
Ao mesmo tempo a vejo sem saída.
O quanto poderia e não decida
A luta em mais completa insensatez
O mundo nos traçando o que não crês
E a senda que julgara em paz, perdida.
Apressando este caos que por herança
Recebo e deixarei para os meus filhos,
Ousamos percorrer tétricos trilhos
E o passo neste escasso vão se lança.
E refazendo assim a mesma história
Que em cada gen expressa a vil memória.
32
Eu não me preparei para o futuro,
Ainda sigo atado ao que já fora,
A face tantas vezes sonhadora
Esbarra aonde sou tão inseguro.
O pouco que me resta, configuro
Na teia enquanto a sorte promissora
Expressa a mais atroz devoradora
Essência de um momento opaco, escuro.
E mesmo que me iluda, a morte vem
E traz no seu sorriso de desdém
A face mais irônica e venal.
O fim se aproximando e nada resta
Talvez invés de lágrima uma festa
Redima o quanto fui ledo e boçal.
33
Ocasionando quedas e tropeços,
Atropelando o tempo em vãs respostas
Nas mesas iguarias decompostas,
Nos olhos meros ermos e adereços.
Os sonhos renegando os teus apreços
Os ritos entre as sortes quando gostas
E as lutas sem proveito, são propostas,
Porém tanto perdi tais endereços
Apenas trago na alma este porão
E dele ouso crer na dimensão
Exata que me resta sobre a Terra.
Assim o que se possa desenhar
Talvez consiga ao menos um lugar
Onde descanse em paz, já sob a terra.
34
A virulência expressa em todo olhar
Que possa no horizonte em tom sombrio,
O mundo se perdendo e já desvio
O rio se distando deste mar.
Não quero e não devesse mergulhar
Nos ermos do passado onde recrio
Somente sem segredos meu estio,
Sem ter uma esperança aonde arar…
Incauto caminheiro do que um dia
Tentasse desvendar, mesmo sabendo
Que tudo não passasse de um remendo
Traçando noutro engodo, esta ironia
E vejo o quanto pude ou mais pretendo
Sabendo que mais nada em paz teria.
35
Volta e meia em meia-volta
O meu passo perde a rota
E o que possa já se solta
E transporta esta derrota,
A verdade não revolta
Nem tampouco me amarrota,
Sigo sempre tento a escolta
Do que possa e não denota.
Qualquer música ou promessa
Qualquer festa vale a pena,
O que tanto se confessa
Muitas vezes me condena,
Mas o tempo se meça
Onde a vida não é plena.
36
A verdade se moldando
No que pude adivinhar
O momento fora brando
Nada encontro em seu lugar,
O versejo se entornando
Onde eu tento imaginar
O que fora desde quando
Posso a vida renegar.
O meu canto sem sentido
O sentido sem encanto
E o prazer que busco tanto
Noutro passo resumido,
Verso inverto e vivo aquém
Do que tento e nada tem.
37
Nada mais pudesse crer
Senão nisto que me trazes
Tanto sonho em desprazer
Tantas noites mais mordazes,
Os meus passos são tenazes
E o meu canto a se perder
Traz em versos novas bases
Onde o fim, possa prever.
Rudimentos; tão somente,
O meu verso se desmente
Quando a vida mesmo cala,
E transborda do passado
O meu canto acorrentado
Nas entranhas da senzala.
38
A saudade que há de um dia
Transcorrer com maciez,
Noutro ponto perderia
O que tanto a vida fez,
O meu passo não traria
Nem sequer em lucidez
A verdade, uma ironia,
Ou quem sabe o que tu vês.
Carcomida sorte agora
No que possa e me apavora
Desarvora tão somente
O vencido caminheiro
Tenta além do ser primeiro
O que possa e não desmente.
39
Noutro canto desta casa
A verdade se apresenta
Onde o tempo já me atrasa
E a saudade me atormenta,
Vendo o quanto a luta abrasa
Nesta face mais sangrenta
O meu canto não se embasa
No que traz cada tormenta.
Entretanto o livre verso
Segue solto no universo
E transcende ao próprio canto.
Entre o ser, poder; lutar
E quem sabe num luar
Eu encontre o que amo tanto.
40
A medalha merecida,
A mortalha em riso e dor,
A palavra adormecida
O cenário em nova cor,
Esperança apodrecida
Agradece este louvor
Da certeza corroída
Onde possa ou não compor.
Viveria pelo menos
Um momento mais gentil,
Entre tantos os venenos
Que destilas só se viu
O que possa em novas trilhas
Desenhar mil maravilhas.
21
O tempo se aproxima do momento
Aonde se decide tudo ou nada,
E quanto mais adentro em tez velada
O fim se aproximando, em ledo intento.
E possa imaginar, ao menos tento,
A velha construção já destroçada
E apenas ao vazio a rota escada,
Erguida nos degraus do sofrimento.
Etéreo caminhante do finito
Adentro esta senzala e quando a fito
Não vejo outro cenário: eternas trevas
E quando imaginasse por ventura
A sorte que infundada se procura,
Sobre o cadáver pútrido, tu cevas.
22
Não presumisse a vida de tal forma,
Arcando com meus ermos e vazios,
O dia prosseguindo segue os rios
E a luta a cada instante me deforma;
Apenas o que resta mal se informa
E os vagos delirares, tão sombrios
Os termos onde vejo em desvarios
As sendas quando a vida se transforma…
Somente resta então esta carcaça
E o tempo que se esvai ora esfumaça
E segue em terminais diversos, rudes.
O quanto em ironia tu professas
Revives do passado tais promessas
E sei que no final te desiludes.
23
Negar o que não vejo e nem pressinto,
Talvez possa trazer ao teu olhar
O mundo tão diverso a se traçar
No quanto este vulcão agora extinto.
O tempo de outro tempo vai distinto
E o néctar não refaz e ao sonegar
A etérea sensação de navegar
Defesa desdenhosa e não consinto.
Invólucro desfeito, meus destroços,
Somente restarão porosos ossos
E o fardo da existência se desfaz.
Não quero e nem presumo nova chance,
Somente no vazio a morte lance,
Trazendo a entediante e opaca paz.
24
Quisera poder crer noutro momento
Em divergência clara com o quanto
Tramara a vida em ledo desencanto,
De um tempo exposto ao rude e turvo vento.
Apenas onde creio e mesmo tento
Ousar além da queda em rude espanto,
O verso não traduz e não garanto
Sequer o que renove o sofrimento.
Contraditório; sigo e não presumo
Nem mesmo o quanto possa em vão resumo
No acréscimo de um tempo sem valia.
E morto, pelo tempo abandonado,
O verso na gaveta, embolorado,
Expressa o que jamais resistiria.
25
Não quero este otimismo do imbecil,
Tampouco me iludir. Tudo já basta.
A vida noutro instante a vejo gasta
Em tom decerto sórdido e sutil.
O quanto desta história ora se viu,
A rota sensação que nos afasta
Do quanto poderia, mas a casta
Dos sonhos noutro tom não permitiu.
Dos deuses que inventamos; nosso alento
O corte na raiz traduz o fato
E quando o nada após teimo e constato,
Embora novo sonho vago; tento
O preço a se pagar; não mais resgato
O corpo ora servido em rude prato
26
As vísceras expostas da esperança,
São tétricas, porém tudo alimenta
A sórdida ilusão, venal, sedenta
Buscando com o nada uma aliança.
Propensa ao que não tenha, a vida lança
A luz inutilmente e sempre tenta,
Porquanto da ilusão que ora fomenta
Entoa na alma simples, temperança.
Já não precisaria de milagre
Tampouco divindade ou vil castigo,
A sorte por si mesma ora nos sagre
Ou traga em ódio e rude pestilência,
E quando em paz ou quase, assim prossigo
Permito com a morte, convivência.
27
Disseste de um momento redentor?
Não bastaria o tédio desta vida?
Após a desejada despedida
O quanto do vazio a recompor?
Embora frutifique cada flor,
Semente traz a forma evoluída,
Mas nada se eterniza e já perdida
Presume o dia fúnebre do ator.
Enceto este caminho, mero inseto
E quando o ciclo aqui, enfim completo,
Apenas me despeço e sigo ao nada.
Lamentos? Na verdade eu agradeço.
Quem fora na existência um adereço
Imagem pelo tempo abandonada...
28
Eternizar o que? Nada me resta,
A pútrida esperança; decompões
E sei das mais diversas ilusões
Assim como da luz turva e funesta.
Já não mais poderia crer na festa
Em ritos tão atrozes, emoções
Jogadas pelo tempo nos porões
E vez em quando vista em leda fresta.
Não quero este funéreo e vago clima,
A morte que decerto me aproxima
Do quanto represento: eterno nada.
Bendita seja então, e nada fale
Enquanto a realidade me avassale
Verdade finalmente escancarada.
29
Amores são verdugos ilusórios
E tramam outros caos onde existia
A luta sem promessa de outro dia
Nem mesmo sonhos calmos, meritórios.
Os dias se repetem – merencórios-
Restando como leda companhia
Somente esta indomável poesia
Resumo dos meus ermos, vãos empórios.
Na sórdida presença de um futuro
Sem paz, sem alegria, ora asseguro
O fim tão ansiado desta peça;
Bufão que imaginara ser possível
Um mundo mais suave e até plausível,
Porém nos próprios pés tanto tropeça.
30
Quisera até falar de amores, sonho...
Palavras que adocicam; mentirosas.
Aonde cultivara algumas rosas
O tempo desolara em tom medonho.
O resto do que sou já decomponho
E sei das minhas noites caprichosas,
Versando sobre trilhas pedregosas,
Da própria poesia, ora me oponho.
Quisera ter nos olhos o horizonte
E ver além do quanto já se via,
Mas quando se aproxima a mais sombria
Verdade noutro tom agora aponte,
E o tétrico momento se desnuda
Sem nada que deveras traga a ajuda.
O tempo se aproxima do momento
Aonde se decide tudo ou nada,
E quanto mais adentro em tez velada
O fim se aproximando, em ledo intento.
E possa imaginar, ao menos tento,
A velha construção já destroçada
E apenas ao vazio a rota escada,
Erguida nos degraus do sofrimento.
Etéreo caminhante do finito
Adentro esta senzala e quando a fito
Não vejo outro cenário: eternas trevas
E quando imaginasse por ventura
A sorte que infundada se procura,
Sobre o cadáver pútrido, tu cevas.
22
Não presumisse a vida de tal forma,
Arcando com meus ermos e vazios,
O dia prosseguindo segue os rios
E a luta a cada instante me deforma;
Apenas o que resta mal se informa
E os vagos delirares, tão sombrios
Os termos onde vejo em desvarios
As sendas quando a vida se transforma…
Somente resta então esta carcaça
E o tempo que se esvai ora esfumaça
E segue em terminais diversos, rudes.
O quanto em ironia tu professas
Revives do passado tais promessas
E sei que no final te desiludes.
23
Negar o que não vejo e nem pressinto,
Talvez possa trazer ao teu olhar
O mundo tão diverso a se traçar
No quanto este vulcão agora extinto.
O tempo de outro tempo vai distinto
E o néctar não refaz e ao sonegar
A etérea sensação de navegar
Defesa desdenhosa e não consinto.
Invólucro desfeito, meus destroços,
Somente restarão porosos ossos
E o fardo da existência se desfaz.
Não quero e nem presumo nova chance,
Somente no vazio a morte lance,
Trazendo a entediante e opaca paz.
24
Quisera poder crer noutro momento
Em divergência clara com o quanto
Tramara a vida em ledo desencanto,
De um tempo exposto ao rude e turvo vento.
Apenas onde creio e mesmo tento
Ousar além da queda em rude espanto,
O verso não traduz e não garanto
Sequer o que renove o sofrimento.
Contraditório; sigo e não presumo
Nem mesmo o quanto possa em vão resumo
No acréscimo de um tempo sem valia.
E morto, pelo tempo abandonado,
O verso na gaveta, embolorado,
Expressa o que jamais resistiria.
25
Não quero este otimismo do imbecil,
Tampouco me iludir. Tudo já basta.
A vida noutro instante a vejo gasta
Em tom decerto sórdido e sutil.
O quanto desta história ora se viu,
A rota sensação que nos afasta
Do quanto poderia, mas a casta
Dos sonhos noutro tom não permitiu.
Dos deuses que inventamos; nosso alento
O corte na raiz traduz o fato
E quando o nada após teimo e constato,
Embora novo sonho vago; tento
O preço a se pagar; não mais resgato
O corpo ora servido em rude prato
26
As vísceras expostas da esperança,
São tétricas, porém tudo alimenta
A sórdida ilusão, venal, sedenta
Buscando com o nada uma aliança.
Propensa ao que não tenha, a vida lança
A luz inutilmente e sempre tenta,
Porquanto da ilusão que ora fomenta
Entoa na alma simples, temperança.
Já não precisaria de milagre
Tampouco divindade ou vil castigo,
A sorte por si mesma ora nos sagre
Ou traga em ódio e rude pestilência,
E quando em paz ou quase, assim prossigo
Permito com a morte, convivência.
27
Disseste de um momento redentor?
Não bastaria o tédio desta vida?
Após a desejada despedida
O quanto do vazio a recompor?
Embora frutifique cada flor,
Semente traz a forma evoluída,
Mas nada se eterniza e já perdida
Presume o dia fúnebre do ator.
Enceto este caminho, mero inseto
E quando o ciclo aqui, enfim completo,
Apenas me despeço e sigo ao nada.
Lamentos? Na verdade eu agradeço.
Quem fora na existência um adereço
Imagem pelo tempo abandonada...
28
Eternizar o que? Nada me resta,
A pútrida esperança; decompões
E sei das mais diversas ilusões
Assim como da luz turva e funesta.
Já não mais poderia crer na festa
Em ritos tão atrozes, emoções
Jogadas pelo tempo nos porões
E vez em quando vista em leda fresta.
Não quero este funéreo e vago clima,
A morte que decerto me aproxima
Do quanto represento: eterno nada.
Bendita seja então, e nada fale
Enquanto a realidade me avassale
Verdade finalmente escancarada.
29
Amores são verdugos ilusórios
E tramam outros caos onde existia
A luta sem promessa de outro dia
Nem mesmo sonhos calmos, meritórios.
Os dias se repetem – merencórios-
Restando como leda companhia
Somente esta indomável poesia
Resumo dos meus ermos, vãos empórios.
Na sórdida presença de um futuro
Sem paz, sem alegria, ora asseguro
O fim tão ansiado desta peça;
Bufão que imaginara ser possível
Um mundo mais suave e até plausível,
Porém nos próprios pés tanto tropeça.
30
Quisera até falar de amores, sonho...
Palavras que adocicam; mentirosas.
Aonde cultivara algumas rosas
O tempo desolara em tom medonho.
O resto do que sou já decomponho
E sei das minhas noites caprichosas,
Versando sobre trilhas pedregosas,
Da própria poesia, ora me oponho.
Quisera ter nos olhos o horizonte
E ver além do quanto já se via,
Mas quando se aproxima a mais sombria
Verdade noutro tom agora aponte,
E o tétrico momento se desnuda
Sem nada que deveras traga a ajuda.
11
Na verdade o que não pude
E tampouco desejara
Desvendar cada atitude
Onde o nada se prepara,
Inda mais quando amiúde
Tanta dor nos desampara
Preparando este ataúde,
Minha vida aguarda a apara.
O versar sem mais sentido
O sentido que não vem
Onde quer já desprovido
O momento sem ninguém
O meu mundo revolvido
Continua mesmo sem.
12
Nada mais pudera ver
Senão falsas impressões
Do que pude conceber
Em dispersas dimensões,
E se tanto ao renascer
Outro engodo; agora expões
Onde tente reviver
Nada mais: desilusões.
Este atento coração
Sem coragem de lutar
Onde sofre em solidão
Imagina ausente mar
E presume desde então
O meu sonho a se abortar.
13
Quando sigo tais estradas
Onde sei que nada vem,
As manhãs ensolaradas
São caminhos de um desdém,
Procurando em desoladas
Sortes; busco novo alguém,
Mas as sendas desenhadas
Não traduzem gozo e bem.
Noutras tramas me perdendo
Noutro rumo nada vejo
O que fora se vertendo
Nos engodos do desejo
E o meu tempo agora horrendo
Não desvenda o que ora almejo.
14
Minha vida em solidão
Tanto tempo sem destino,
Quanto mais na imensidão
Sem um porto eu me alucino
Imagino algum verão
E deveras já me inclino
Aos anseios deste não,
Onde nada mais domino.
Vendo a sorte de tal forma
Resumida no vazio,
Onde a vida se deforma,
Na verdade nada crio
E do quanto traz reforma,
Com certeza desconfio.
15
As pegadas que deixaste
Sobre a areia do passado,
No caminho em tal contraste
Sigo em tom atroz, velado,
E o que possa não notaste
Neste tanto aonde evado,
O meu sonho, mero traste
Hoje vejo abandonado.
Ergo os olhos e não sinto
Nem o brilho presumido,
O meu sonho agora extinto
Quando o todo eu dilapido,
No vazio claro e distinto
Resta apenas este olvido.
16
Quando deixo o meu caminho
Na procura de outro enquanto
Desejasse até sozinho
Tão somente um manso canto,
O meu sonho dita o ninho,
E deveras se me espanto
Nada trago além do espinho
E também nada garanto.
Resumindo esta opereta
No que pude imaginar
O meu passo se acometa
Do cometa a me levar
Onde a vida ora arremeta
Sem nem ter como ancorar.
17
Nada eu tenho, e nada resta
Desta nada de onde eu vim,
Uma imagem pela fresta
O vazio dentro em mim,
O que tanto ora se atesta
Mergulhar em mar sem fim,
O meu canto em voz funesta
Morto na alma algum jardim.
Restaurasse o passo quando
Outro tanto se moldara,
A verdade noutro bando
A palavra mansa e clara,
O meu mundo desabando
Neste nada se escancara.
18
Perdi tudo no começo
Desta vaga caminhada,
E se possa, reconheço,
A palavra mais velada,
Noutro rumo em adereço
Noutro sonho, outra guinada,
Quando tenho o que mereço
Na verdade eu tenho o nada.
Jaze dentro da alma fria
Esta espúria noite em vão
O que pude em fantasia
Nega a própria dimensão,
E meu sonho não teria
Nem sequer vaga emoção.
19
Águas frescas, clara fonte
Onde o mundo traz o quanto
Neste instante o tempo aponte
Ao que possa em raro encanto,
Mas o tempo se desponte
No vazio e não garanto
Nem sequer outro horizonte
Desenhado em rude canto.
O meu prazo determina
O final de cada jogo
Onde tanto desatina
Quem pudesse neste fogo
Transformar a cristalina
Sorte em vago e ledo rogo.
20
A saudade renascesse
Do que possa desvendar
Onde quer e merecesse
Pelo menos descansar,
O meu tempo se envolvesse
Nestas teias de um luar
E se tudo eu esquecesse
Pudesse recomeçar.
Vida traz o que detrás
De uma sorte mais discreta
Já moldasse o quanto faz
E deveras tendo em meta
O meu canto mais audaz,
Permitisse ser poeta.
Na verdade o que não pude
E tampouco desejara
Desvendar cada atitude
Onde o nada se prepara,
Inda mais quando amiúde
Tanta dor nos desampara
Preparando este ataúde,
Minha vida aguarda a apara.
O versar sem mais sentido
O sentido que não vem
Onde quer já desprovido
O momento sem ninguém
O meu mundo revolvido
Continua mesmo sem.
12
Nada mais pudera ver
Senão falsas impressões
Do que pude conceber
Em dispersas dimensões,
E se tanto ao renascer
Outro engodo; agora expões
Onde tente reviver
Nada mais: desilusões.
Este atento coração
Sem coragem de lutar
Onde sofre em solidão
Imagina ausente mar
E presume desde então
O meu sonho a se abortar.
13
Quando sigo tais estradas
Onde sei que nada vem,
As manhãs ensolaradas
São caminhos de um desdém,
Procurando em desoladas
Sortes; busco novo alguém,
Mas as sendas desenhadas
Não traduzem gozo e bem.
Noutras tramas me perdendo
Noutro rumo nada vejo
O que fora se vertendo
Nos engodos do desejo
E o meu tempo agora horrendo
Não desvenda o que ora almejo.
14
Minha vida em solidão
Tanto tempo sem destino,
Quanto mais na imensidão
Sem um porto eu me alucino
Imagino algum verão
E deveras já me inclino
Aos anseios deste não,
Onde nada mais domino.
Vendo a sorte de tal forma
Resumida no vazio,
Onde a vida se deforma,
Na verdade nada crio
E do quanto traz reforma,
Com certeza desconfio.
15
As pegadas que deixaste
Sobre a areia do passado,
No caminho em tal contraste
Sigo em tom atroz, velado,
E o que possa não notaste
Neste tanto aonde evado,
O meu sonho, mero traste
Hoje vejo abandonado.
Ergo os olhos e não sinto
Nem o brilho presumido,
O meu sonho agora extinto
Quando o todo eu dilapido,
No vazio claro e distinto
Resta apenas este olvido.
16
Quando deixo o meu caminho
Na procura de outro enquanto
Desejasse até sozinho
Tão somente um manso canto,
O meu sonho dita o ninho,
E deveras se me espanto
Nada trago além do espinho
E também nada garanto.
Resumindo esta opereta
No que pude imaginar
O meu passo se acometa
Do cometa a me levar
Onde a vida ora arremeta
Sem nem ter como ancorar.
17
Nada eu tenho, e nada resta
Desta nada de onde eu vim,
Uma imagem pela fresta
O vazio dentro em mim,
O que tanto ora se atesta
Mergulhar em mar sem fim,
O meu canto em voz funesta
Morto na alma algum jardim.
Restaurasse o passo quando
Outro tanto se moldara,
A verdade noutro bando
A palavra mansa e clara,
O meu mundo desabando
Neste nada se escancara.
18
Perdi tudo no começo
Desta vaga caminhada,
E se possa, reconheço,
A palavra mais velada,
Noutro rumo em adereço
Noutro sonho, outra guinada,
Quando tenho o que mereço
Na verdade eu tenho o nada.
Jaze dentro da alma fria
Esta espúria noite em vão
O que pude em fantasia
Nega a própria dimensão,
E meu sonho não teria
Nem sequer vaga emoção.
19
Águas frescas, clara fonte
Onde o mundo traz o quanto
Neste instante o tempo aponte
Ao que possa em raro encanto,
Mas o tempo se desponte
No vazio e não garanto
Nem sequer outro horizonte
Desenhado em rude canto.
O meu prazo determina
O final de cada jogo
Onde tanto desatina
Quem pudesse neste fogo
Transformar a cristalina
Sorte em vago e ledo rogo.
20
A saudade renascesse
Do que possa desvendar
Onde quer e merecesse
Pelo menos descansar,
O meu tempo se envolvesse
Nestas teias de um luar
E se tudo eu esquecesse
Pudesse recomeçar.
Vida traz o que detrás
De uma sorte mais discreta
Já moldasse o quanto faz
E deveras tendo em meta
O meu canto mais audaz,
Permitisse ser poeta.
Deter-vos junto a mim; eu poderia,
Porém ao perceber em vós o anseio
Do libertário encanto de outro veio,
A imagem vos tornasse então sombria.
Servir-vos-ei conquanto o que viria
Trouxessem aonde fordes sem receio,
Além de simplesmente um mero meio
O quanto em vosso posso moldaria.
Mas tendo-vos deveras tão distante
Vagando em pensamentos doravante
Num ermo caminhar tão temerário
Prefiro-vos liberta; amor corsário
Seguindo rumo a novo itinerário
Ao mesmo instante em paz já se adiante.
------------------------------------------------------------------------
Propor-vos-ei além de tais rochedos
Um cais onde pudéssemos chegar
E após o imenso e rude navegar
Enfrentando tempestas, rumos ledos.
A vida se anuncia após penedos
E traz a dimensão clara de um mar,
Qual fosse noutra face o tanto amar
Que seduzindo traz-nos tais degredos.
E vós quando mostrai vossos temores,
Embora envolta até por vis amores,
Ao distardes dos sonhos. Realidade.
Numa eclosão de burlas e rancores
Ter-vos-á distante claridade,
Porquanto infausto mundo nos degrade.
Discorrendo-vos sobre rocas várias
Em turba noite atroz, sem complacência
Ao menos quando a vida dá ciência
Das ermas noites vagas, procelárias...
Buscasse em vossos olhos luminárias
Talvez a escuridão em fluorescência
Trouxesse tão somente a complacência
Em claras evidências. Temporárias?
Ultrizes tramas ditam o que venha,
E ao longe divisando praia e penha
Que possa após naufrágio ter enfim,
A paz já sonegada; que soergue
E num remanso cálido este albergue
Frutificando o sonho que há em mim.
¬¬¬¬¬¬¬
Nas fontes cristalinas, vosso olhar,
Encontro este horizonte em azulejo,
E quanto uma ilusória fonte; vejo,
Presumo o quanto possa nos levar
Ao perceberdes como desvendar
A vida em cada via, todo ensejo
Trazendo tão somente o quanto almejo
Após por descaminhos tanto errar.
Das constelares guias noite afora,
Num sórdido momento a vida ancora
E traz entre os meus ermos, novo engano?
Em prados verdejantes; cristalina
Fonte aonde a ausência determina
Em rudes evidências, desengano...
--------------- 6----------------
Os olhos entre os rudes e silvestres
Arcanos desenganos que acumulo,
A vida quando apenas perambulo
Trazendo dolorosos, firmes mestres.
E mesmo quanto em sonhos tu me adestres
Por entres vagas sórdidas ondulo
E tento num anseio, um novo pulo
Mesmo por sobre travas vis, rupestres.
E dos diversos íngremes tormentos,
Penedos e falésias sonhos vãos,
Aonde se moldassem em alentos
Renováveis anseios, novos nãos,
Persistindo ao sabor dos fortes ventos
Inúteis cevas quando em podres grãos.
------------------7------------------------------
Concertos em atônita harmonia
Diversidade explícita e feroz
O cântico desprende um tom atroz
E mostra ser de sórdida valia
O quanto deste engodo ora avaria
Deixando sem sentido o que há em nós,
Nesta híbrida vertente eis o algoz
Em cujas mãos o nada verteria.
Apêndices diversos desditosos
Aonde quis os dias exitosos,
Arcaicas noites ditam o vazio.
E quando poderiam majestosos,
Erráticos momentos e, sombrio,
Apenas tento em torpe desafio.
-------------------------8--------------------
Negar a própria imagem. Tosco espelho,
Aonde em distorcida face eu vejo
A marca mais profunda de um desejo
Há tanto que deveras eu me engelho.
E inutilmente quando me ajoelho,
A vida num jaez em vil lampejo
Recende ao duro passo e o quanto almejo
Não passa deste espúrio e vão conselho.
E se enfadonho rumo vós moldais
Enquanto esperávamos cristais
A rota imagem traz mais fielmente
As cãs que agrisalharam a esperança
E ao féretro precoce, imagem lança,
E esta dispnéia atroz não mais desmente.
------------9----------------------------------
Herméticos caminhos a quem tenta
Ousar acreditar em breve espaço,
E quanto se anuncia mais escasso
O tempo se transforma em tal tormenta,
Nem mesmo uma ilusão inda apascenta
Quem fora noutro rumo e me desfaço,
Alçando o que pudera nalgum traço
Buscando uma esperança qual placenta.
Sem ter esta concreta provisão,
O rústico cenário se anuncia,
E vejo o quanto; a vida, fora em vão
Deixando tão somente a mais sombria
Presença desta pétrea sordidez
Aonde noutro sonho, não mais crês.
------------------------- 10-------------
Alabastrinas luas deitam nuas
Tocando vossa pele e sendo assim,
Ao transportar do espaço este jardim
Transcendem raros brilhos sobre as ruas.
Escusado dizer o quanto em vós
Refletem-se diversos brilhos, quando
O mundo noutro tom se emoldurando
Aplaca uma faceta mais feroz.
E vendo tal contraste – bronze e prata,
Aurífera esperança renascendo,
E raro amanhecer já se prevendo,
Do sol enaltecendo ao longe a mata.
A natureza eclode em azulejo
E a divindade em vida, aqui eu vejo.
Porém ao perceber em vós o anseio
Do libertário encanto de outro veio,
A imagem vos tornasse então sombria.
Servir-vos-ei conquanto o que viria
Trouxessem aonde fordes sem receio,
Além de simplesmente um mero meio
O quanto em vosso posso moldaria.
Mas tendo-vos deveras tão distante
Vagando em pensamentos doravante
Num ermo caminhar tão temerário
Prefiro-vos liberta; amor corsário
Seguindo rumo a novo itinerário
Ao mesmo instante em paz já se adiante.
------------------------------------------------------------------------
Propor-vos-ei além de tais rochedos
Um cais onde pudéssemos chegar
E após o imenso e rude navegar
Enfrentando tempestas, rumos ledos.
A vida se anuncia após penedos
E traz a dimensão clara de um mar,
Qual fosse noutra face o tanto amar
Que seduzindo traz-nos tais degredos.
E vós quando mostrai vossos temores,
Embora envolta até por vis amores,
Ao distardes dos sonhos. Realidade.
Numa eclosão de burlas e rancores
Ter-vos-á distante claridade,
Porquanto infausto mundo nos degrade.
Discorrendo-vos sobre rocas várias
Em turba noite atroz, sem complacência
Ao menos quando a vida dá ciência
Das ermas noites vagas, procelárias...
Buscasse em vossos olhos luminárias
Talvez a escuridão em fluorescência
Trouxesse tão somente a complacência
Em claras evidências. Temporárias?
Ultrizes tramas ditam o que venha,
E ao longe divisando praia e penha
Que possa após naufrágio ter enfim,
A paz já sonegada; que soergue
E num remanso cálido este albergue
Frutificando o sonho que há em mim.
¬¬¬¬¬¬¬
Nas fontes cristalinas, vosso olhar,
Encontro este horizonte em azulejo,
E quanto uma ilusória fonte; vejo,
Presumo o quanto possa nos levar
Ao perceberdes como desvendar
A vida em cada via, todo ensejo
Trazendo tão somente o quanto almejo
Após por descaminhos tanto errar.
Das constelares guias noite afora,
Num sórdido momento a vida ancora
E traz entre os meus ermos, novo engano?
Em prados verdejantes; cristalina
Fonte aonde a ausência determina
Em rudes evidências, desengano...
--------------- 6----------------
Os olhos entre os rudes e silvestres
Arcanos desenganos que acumulo,
A vida quando apenas perambulo
Trazendo dolorosos, firmes mestres.
E mesmo quanto em sonhos tu me adestres
Por entres vagas sórdidas ondulo
E tento num anseio, um novo pulo
Mesmo por sobre travas vis, rupestres.
E dos diversos íngremes tormentos,
Penedos e falésias sonhos vãos,
Aonde se moldassem em alentos
Renováveis anseios, novos nãos,
Persistindo ao sabor dos fortes ventos
Inúteis cevas quando em podres grãos.
------------------7------------------------------
Concertos em atônita harmonia
Diversidade explícita e feroz
O cântico desprende um tom atroz
E mostra ser de sórdida valia
O quanto deste engodo ora avaria
Deixando sem sentido o que há em nós,
Nesta híbrida vertente eis o algoz
Em cujas mãos o nada verteria.
Apêndices diversos desditosos
Aonde quis os dias exitosos,
Arcaicas noites ditam o vazio.
E quando poderiam majestosos,
Erráticos momentos e, sombrio,
Apenas tento em torpe desafio.
-------------------------8--------------------
Negar a própria imagem. Tosco espelho,
Aonde em distorcida face eu vejo
A marca mais profunda de um desejo
Há tanto que deveras eu me engelho.
E inutilmente quando me ajoelho,
A vida num jaez em vil lampejo
Recende ao duro passo e o quanto almejo
Não passa deste espúrio e vão conselho.
E se enfadonho rumo vós moldais
Enquanto esperávamos cristais
A rota imagem traz mais fielmente
As cãs que agrisalharam a esperança
E ao féretro precoce, imagem lança,
E esta dispnéia atroz não mais desmente.
------------9----------------------------------
Herméticos caminhos a quem tenta
Ousar acreditar em breve espaço,
E quanto se anuncia mais escasso
O tempo se transforma em tal tormenta,
Nem mesmo uma ilusão inda apascenta
Quem fora noutro rumo e me desfaço,
Alçando o que pudera nalgum traço
Buscando uma esperança qual placenta.
Sem ter esta concreta provisão,
O rústico cenário se anuncia,
E vejo o quanto; a vida, fora em vão
Deixando tão somente a mais sombria
Presença desta pétrea sordidez
Aonde noutro sonho, não mais crês.
------------------------- 10-------------
Alabastrinas luas deitam nuas
Tocando vossa pele e sendo assim,
Ao transportar do espaço este jardim
Transcendem raros brilhos sobre as ruas.
Escusado dizer o quanto em vós
Refletem-se diversos brilhos, quando
O mundo noutro tom se emoldurando
Aplaca uma faceta mais feroz.
E vendo tal contraste – bronze e prata,
Aurífera esperança renascendo,
E raro amanhecer já se prevendo,
Do sol enaltecendo ao longe a mata.
A natureza eclode em azulejo
E a divindade em vida, aqui eu vejo.
domingo, 3 de abril de 2011
41
Outras vezes vida afora
Encontrei os meus retalhos
Quando a sorte desancora
Busco apenas tais atalhos.
Os meus dias sendo falhos
A verdade me apavora,
Arvoredos, frondes, galhos
No final cadê a flora?
O vencido vencedor
Mata tudo e não permite
Que se entenda qual limite
Possa mesmo se propor,
A esperança já morrendo
E o planeta derretendo.
42
Libertário pensamento
Sem ter nada que o contenha,
Solto a voz e assim enfrento
O que possa e mesmo venha,
Não se traça num lamento
O que tanto me convenha
Nem deveras desalento
Traz o mundo onde se empenha
A palavra de quem sabe
Dos anseios mais doridos,
O meu tempo não mais cabe
Noutros erros cometidos,
Antes que isto já desabe
Procurasse outros sentidos.
43
Ser poeta é mais que sonho,
Ser poeta é ter na dor
Um momento onde componho
O caminho em vão louvor,
Um atroz rumo medonho
E sem ter qualquer rancor,
O meu erro eu decomponho
Noutro instante a me propor.
Ousaria acreditar
Quixotescas maravilhas
Ou até desafiar
O cenário aonde trilhas
Esquecendo do luar,
Entranhando em armadilhas.
44
Esquivando de quem siga
Noutro lado da calçada
A palavra mesmo amiga
Traz o sempre ou mesmo o nada,
A incerteza desabriga
Quem buscara a tão sonhada
Esperança mais antiga
Noutro rumo, destroçada.
Vejo o mundo sem saber
Do que possa ter nas mãos,
Meu caminho em desprazer
Desafia em dias vãos
O que tanto pude ver
Em diversos, toscos chãos.
45
Encontrando o que pudera
Ser diverso do que eu quis
Desta louca e tola fera
O meu mundo, um aprendiz,
Na verdade destempera
E produz a cicatriz
Onde a sorte foi sincera
A esperança fora atriz,
Nada mais tivesse em prumo
Nem o quanto em vão resumo
Nos meus ermos mais distantes
Percebendo o fim do jogo,
Meu caminho ora sem rogo
No final nada garantes.
46
Esperasse pelo menos
Um momento mais sutil
Entre tantos vãos venenos
O que agora a vida viu
Traz os dias duros, plenos
E o que possa se previu
Noutros atos, tão pequenos
Neste mundo atroz e vil.
Rumaria ao quanto pude
Sem saber o que me trazes
Tanto amor já desilude
E pudera noutras fases
Reduzindo a juventude
Em tormentos tão mordazes.
47
Acordando sem saber
Onde possa me ancorar
A vontade de viver
Superando a de encontrar
Outro rumo ou me perder
Nalgum raio de luar,
A saudade possa ter
Onde em paz sempre ancorar.
Sendo o sonho mais voraz
Sendo a vida incoerente
O que possa sempre traz
O que apossa ou já se tente
No momento onde se faz
O caminho imprevidente.
48
Açodasse uma esperança
Onde a sorte se desdenha
O meu mundo em temperança
Com certeza não contenha
O que pude em confiança,
Mas a sorte não mais venha
Desenhar cada mudança
Noutro rumo onde convenha.
A palavra não traduz
O que sinto ou mesmo quis,
Onde houvera qualquer luz
Vejo apenas cicatriz,
Nada mais do que propus
Neste céu somente gris.
49
Já cansado de lutar
Em palavras e atitudes
Noutro rumo desviar
O que tanto desiludes,
Na incerteza deste mar
Onde tudo ora transmudes
Na vontade de ancorar
Versos morrem, são açudes.
Cada prazo que eu me dera
Num vazio se mostrara
Na verdade esta pantera
Na tocaia se prepara,
Sendo tola a minha espera,
Incerteza a desampara.
50
Esperasse mais um dia
Ou quem sabe eternidade,
No final nada teria,
Nem talvez a liberdade,
Onde possa e tentaria
Decifrar a claridade,
Mas envolto na utopia
Meu momento desagrade.
O versar sem mais proveito
O caminho desigual
Adentrando o velho leito
Outro corte em ritual,
Cada vez já não aceito
Esse mundo em tom dual.
Outras vezes vida afora
Encontrei os meus retalhos
Quando a sorte desancora
Busco apenas tais atalhos.
Os meus dias sendo falhos
A verdade me apavora,
Arvoredos, frondes, galhos
No final cadê a flora?
O vencido vencedor
Mata tudo e não permite
Que se entenda qual limite
Possa mesmo se propor,
A esperança já morrendo
E o planeta derretendo.
42
Libertário pensamento
Sem ter nada que o contenha,
Solto a voz e assim enfrento
O que possa e mesmo venha,
Não se traça num lamento
O que tanto me convenha
Nem deveras desalento
Traz o mundo onde se empenha
A palavra de quem sabe
Dos anseios mais doridos,
O meu tempo não mais cabe
Noutros erros cometidos,
Antes que isto já desabe
Procurasse outros sentidos.
43
Ser poeta é mais que sonho,
Ser poeta é ter na dor
Um momento onde componho
O caminho em vão louvor,
Um atroz rumo medonho
E sem ter qualquer rancor,
O meu erro eu decomponho
Noutro instante a me propor.
Ousaria acreditar
Quixotescas maravilhas
Ou até desafiar
O cenário aonde trilhas
Esquecendo do luar,
Entranhando em armadilhas.
44
Esquivando de quem siga
Noutro lado da calçada
A palavra mesmo amiga
Traz o sempre ou mesmo o nada,
A incerteza desabriga
Quem buscara a tão sonhada
Esperança mais antiga
Noutro rumo, destroçada.
Vejo o mundo sem saber
Do que possa ter nas mãos,
Meu caminho em desprazer
Desafia em dias vãos
O que tanto pude ver
Em diversos, toscos chãos.
45
Encontrando o que pudera
Ser diverso do que eu quis
Desta louca e tola fera
O meu mundo, um aprendiz,
Na verdade destempera
E produz a cicatriz
Onde a sorte foi sincera
A esperança fora atriz,
Nada mais tivesse em prumo
Nem o quanto em vão resumo
Nos meus ermos mais distantes
Percebendo o fim do jogo,
Meu caminho ora sem rogo
No final nada garantes.
46
Esperasse pelo menos
Um momento mais sutil
Entre tantos vãos venenos
O que agora a vida viu
Traz os dias duros, plenos
E o que possa se previu
Noutros atos, tão pequenos
Neste mundo atroz e vil.
Rumaria ao quanto pude
Sem saber o que me trazes
Tanto amor já desilude
E pudera noutras fases
Reduzindo a juventude
Em tormentos tão mordazes.
47
Acordando sem saber
Onde possa me ancorar
A vontade de viver
Superando a de encontrar
Outro rumo ou me perder
Nalgum raio de luar,
A saudade possa ter
Onde em paz sempre ancorar.
Sendo o sonho mais voraz
Sendo a vida incoerente
O que possa sempre traz
O que apossa ou já se tente
No momento onde se faz
O caminho imprevidente.
48
Açodasse uma esperança
Onde a sorte se desdenha
O meu mundo em temperança
Com certeza não contenha
O que pude em confiança,
Mas a sorte não mais venha
Desenhar cada mudança
Noutro rumo onde convenha.
A palavra não traduz
O que sinto ou mesmo quis,
Onde houvera qualquer luz
Vejo apenas cicatriz,
Nada mais do que propus
Neste céu somente gris.
49
Já cansado de lutar
Em palavras e atitudes
Noutro rumo desviar
O que tanto desiludes,
Na incerteza deste mar
Onde tudo ora transmudes
Na vontade de ancorar
Versos morrem, são açudes.
Cada prazo que eu me dera
Num vazio se mostrara
Na verdade esta pantera
Na tocaia se prepara,
Sendo tola a minha espera,
Incerteza a desampara.
50
Esperasse mais um dia
Ou quem sabe eternidade,
No final nada teria,
Nem talvez a liberdade,
Onde possa e tentaria
Decifrar a claridade,
Mas envolto na utopia
Meu momento desagrade.
O versar sem mais proveito
O caminho desigual
Adentrando o velho leito
Outro corte em ritual,
Cada vez já não aceito
Esse mundo em tom dual.
26
Um caminho num repente
Que se possa desejar
Traz o quanto se apresente
E pretendo transformar,
O meu mundo que aparente
Muito além de algum lugar
Onde possa novamente,
Sem sentido mergulhar,
Tramaria dentre tantos
Erros, danos e tormentos,
Ao sentir em desencantos
Os diversos pensamentos,
Redimisse noutros cantos
Os temíveis desalentos.
27
Arco mesmo com tais falhas
E sei bem do quanto faço,
Quantas vezes tu batalhas,
Embaralhas cada passo,
E o cenário onde retalhas
O que possa a cada traço
Traz no olhar as frias gralhas
E no sonho outro cansaço.
Esperasse pelo menos
Ter no fim a claridade,
Mas a vida em seus venenos
Renegasse a liberdade,
Dos meus dias, mesmo os plenos
Desejei felicidade.
28
Resumindo cada engano
Onde o tanto se fez raro,
O meu mundo quando dano
Novamente em dor declaro
O que possa mais profano,
Num cenário que escancaro
Novamente em desumano
Desejar no despreparo.
Desamparo cada passo
E transformo em temporal,
Meu momento mesmo escasso
Enfrentando o vendaval,
Nada vejo e se desfaço
Roupas sujas no varal.
29
Apresento com ternura
O que a vida não me dera
Onde a sorte configura
Vejo além a tola espera,
A verdade se assegura
No que possa e destempera,
A palavra não perdura
Quando a sorte é mais austera.
O vencer e ser vencido
O sonhar e ter nas mãos
Um momento decidido
Pelos passos, turvos, vãos
E desenho sem sentido
Outros velhos, podres grãos.
30
Apresento o que pudesse
Ser diverso ou mesmo rude,
A verdade já se esquece
Do que tanto nos ilude,
Não redime qualquer prece
Necessita de atitude
Mesmo quando a vida tece
Outro céu em magnitude.
Veja a sorte se perdendo
Veja o dia noutro rumo,
O meu passo em dividendo
O caminho onde costumo
Produzir o que desvendo
Ou sentir o que consumo.
31
Nada mais se vendo após
O momento que tentasse
Traduzir em viva voz
O que fora algum impasse,
Nada segue mesmo em nós
Onde o mundo destroçasse
O caminho mais feroz,
Onde o nada desenhasse.
A verdade me conforma,
Outro tanto rege em norma
O que pude acreditar,
Liberdade, liberdade.
Encontrar felicidade
É deveras te encontrar.
32
Nas entranhas de tais furnas
Onde a vida poderia
Ter além das cãs soturnas
Um momento de alegria,
As palavras vãs, noturnas
O cenário onde veria
Que deveras tu te enfurnas
Nesta senda em utopia.
Versejando mansamente
Sem ter nada que nos trace
O momento se apresente
E provendo o desenlace
Nestas presas da serpente,
A nudez da alma mostrasse.
33
Mares fartos, onde um dia
Ausentasse da promessa
Que pudera e não adia
O que tanto recomeça
Quem conhece a fantasia
Noutro passo já tem pressa
De viver a alegoria
Na verdade que se peça
Ouso até falar de sorte
Quando vejo em teu olhar
O que tanto me conforte
Outro rumo a desenhar
Um momento bem mais forte,
Invadindo céu e mar.
34
Nas angústias de quem tenta
Desvendar tal equação,
A palavra mais sangrenta
A temida negação,
O meu mundo não fomenta
Mais sequer a dimensão
Onde vivo tal tormenta
Que atormenta o coração.
Alimenta-se esperança
Noutro passo, num instante
E meu sonho sempre avança
Não se cansa e se adiante,
O momento em aliança
Novo tempo me garante.
35
Renegar um preconceito
E tentar abrir a mente,
Onde o todo sempre aceito
Noutro rumo se acrescente,
Vejo o mundo em calmo pleito
E o meu sonho num crescente
Transbordando rio e leito
Invadindo inteira a mente.
Labaredas e ardentias
Tanto quis nova aliança
E se possa noutros dias,
Alimente esta esperança
Que talvez, já não verias,
Mas o pensamento alcança.
36
Acordando o que deveras
Poderia nos trazer
Entre noites duras, feras
Um momento de prazer.
E se possa em primaveras,
Outras sendas do querer
Na verdade nada esperas
Nem tampouco amanhecer;
O meu verso se desenha
No que possa ser diverso
E se tanto se contenha
Noutro canto desconverso
E complexo se desdenha
Um cenário em vão, perverso.
37
Revivendo cada dia
Dos momentos mais felizes,
O que possa em poesia
Desvendar em tantas crises
O que tanto poderia
Transformando as cicatrizes
Numa tétrica alquimia
Feita em medos e deslizes.
Rudimentos de uma vida
Que pensara já liberta.
Noutro ponto de partida
A palavra descoberta
A verdade resumida
No final nem me desperta.
38
Arvoredos e alamedas
Ruas, sonhos e calçadas
E se tanto amor; concedas
As palavras maltratadas,
Em lençóis cetins e sedas
Nossas noites madrugadas
Adentrando tais veredas
Noutras tantas desejadas.
Resumindo cada fato
No que possa me trazer
O caminho onde constato
Toda a glória de um prazer,
O meu mundo hoje retrato
E consigo o teu querer.
39
Nada mais eu tive quando
Outro tempo desfilasse
A verdade desnudando
O que tanto se mostrasse
Na certeza se moldando
O momento onde se trace
A beleza me inundando
Onde o canto adivinhasse.
Nada mais se vendo após
Outro passo em noite rude,
Desenhado em mesma foz
O que tento e sei já pude,
Quando vejo rotos nós
O meu passo ora se ilude.
39
Não ousasse desejar
Melhor sorte quando um dia
Entranhando este luar
Bebo a luz em harmonia
Do que possa desenhar
Nada mais se perderia
O meu mundo a desvendar
Esta luz que se irradia,
Marcas deste novo instante
Onde o tempo muda a rota
E meu passo já garante
No lugar de uma derrota
A alegria doravante
Que em sorriso ora se nota.
40
Não seria de tal forma
A palavra mais correta
Onde o mundo não deforma
A verdade toma a seta
E desvenda esta reforma
Que pudesse ser completa
E o futuro agora informa
Da vontade predileta.
Ousaria ter no olhar
Muito além de alguma luz,
O que tente imaginar
Noutro rumo reproduz
A vontade de lutar,
Quando o sonho eu te propus.
Um caminho num repente
Que se possa desejar
Traz o quanto se apresente
E pretendo transformar,
O meu mundo que aparente
Muito além de algum lugar
Onde possa novamente,
Sem sentido mergulhar,
Tramaria dentre tantos
Erros, danos e tormentos,
Ao sentir em desencantos
Os diversos pensamentos,
Redimisse noutros cantos
Os temíveis desalentos.
27
Arco mesmo com tais falhas
E sei bem do quanto faço,
Quantas vezes tu batalhas,
Embaralhas cada passo,
E o cenário onde retalhas
O que possa a cada traço
Traz no olhar as frias gralhas
E no sonho outro cansaço.
Esperasse pelo menos
Ter no fim a claridade,
Mas a vida em seus venenos
Renegasse a liberdade,
Dos meus dias, mesmo os plenos
Desejei felicidade.
28
Resumindo cada engano
Onde o tanto se fez raro,
O meu mundo quando dano
Novamente em dor declaro
O que possa mais profano,
Num cenário que escancaro
Novamente em desumano
Desejar no despreparo.
Desamparo cada passo
E transformo em temporal,
Meu momento mesmo escasso
Enfrentando o vendaval,
Nada vejo e se desfaço
Roupas sujas no varal.
29
Apresento com ternura
O que a vida não me dera
Onde a sorte configura
Vejo além a tola espera,
A verdade se assegura
No que possa e destempera,
A palavra não perdura
Quando a sorte é mais austera.
O vencer e ser vencido
O sonhar e ter nas mãos
Um momento decidido
Pelos passos, turvos, vãos
E desenho sem sentido
Outros velhos, podres grãos.
30
Apresento o que pudesse
Ser diverso ou mesmo rude,
A verdade já se esquece
Do que tanto nos ilude,
Não redime qualquer prece
Necessita de atitude
Mesmo quando a vida tece
Outro céu em magnitude.
Veja a sorte se perdendo
Veja o dia noutro rumo,
O meu passo em dividendo
O caminho onde costumo
Produzir o que desvendo
Ou sentir o que consumo.
31
Nada mais se vendo após
O momento que tentasse
Traduzir em viva voz
O que fora algum impasse,
Nada segue mesmo em nós
Onde o mundo destroçasse
O caminho mais feroz,
Onde o nada desenhasse.
A verdade me conforma,
Outro tanto rege em norma
O que pude acreditar,
Liberdade, liberdade.
Encontrar felicidade
É deveras te encontrar.
32
Nas entranhas de tais furnas
Onde a vida poderia
Ter além das cãs soturnas
Um momento de alegria,
As palavras vãs, noturnas
O cenário onde veria
Que deveras tu te enfurnas
Nesta senda em utopia.
Versejando mansamente
Sem ter nada que nos trace
O momento se apresente
E provendo o desenlace
Nestas presas da serpente,
A nudez da alma mostrasse.
33
Mares fartos, onde um dia
Ausentasse da promessa
Que pudera e não adia
O que tanto recomeça
Quem conhece a fantasia
Noutro passo já tem pressa
De viver a alegoria
Na verdade que se peça
Ouso até falar de sorte
Quando vejo em teu olhar
O que tanto me conforte
Outro rumo a desenhar
Um momento bem mais forte,
Invadindo céu e mar.
34
Nas angústias de quem tenta
Desvendar tal equação,
A palavra mais sangrenta
A temida negação,
O meu mundo não fomenta
Mais sequer a dimensão
Onde vivo tal tormenta
Que atormenta o coração.
Alimenta-se esperança
Noutro passo, num instante
E meu sonho sempre avança
Não se cansa e se adiante,
O momento em aliança
Novo tempo me garante.
35
Renegar um preconceito
E tentar abrir a mente,
Onde o todo sempre aceito
Noutro rumo se acrescente,
Vejo o mundo em calmo pleito
E o meu sonho num crescente
Transbordando rio e leito
Invadindo inteira a mente.
Labaredas e ardentias
Tanto quis nova aliança
E se possa noutros dias,
Alimente esta esperança
Que talvez, já não verias,
Mas o pensamento alcança.
36
Acordando o que deveras
Poderia nos trazer
Entre noites duras, feras
Um momento de prazer.
E se possa em primaveras,
Outras sendas do querer
Na verdade nada esperas
Nem tampouco amanhecer;
O meu verso se desenha
No que possa ser diverso
E se tanto se contenha
Noutro canto desconverso
E complexo se desdenha
Um cenário em vão, perverso.
37
Revivendo cada dia
Dos momentos mais felizes,
O que possa em poesia
Desvendar em tantas crises
O que tanto poderia
Transformando as cicatrizes
Numa tétrica alquimia
Feita em medos e deslizes.
Rudimentos de uma vida
Que pensara já liberta.
Noutro ponto de partida
A palavra descoberta
A verdade resumida
No final nem me desperta.
38
Arvoredos e alamedas
Ruas, sonhos e calçadas
E se tanto amor; concedas
As palavras maltratadas,
Em lençóis cetins e sedas
Nossas noites madrugadas
Adentrando tais veredas
Noutras tantas desejadas.
Resumindo cada fato
No que possa me trazer
O caminho onde constato
Toda a glória de um prazer,
O meu mundo hoje retrato
E consigo o teu querer.
39
Nada mais eu tive quando
Outro tempo desfilasse
A verdade desnudando
O que tanto se mostrasse
Na certeza se moldando
O momento onde se trace
A beleza me inundando
Onde o canto adivinhasse.
Nada mais se vendo após
Outro passo em noite rude,
Desenhado em mesma foz
O que tento e sei já pude,
Quando vejo rotos nós
O meu passo ora se ilude.
39
Não ousasse desejar
Melhor sorte quando um dia
Entranhando este luar
Bebo a luz em harmonia
Do que possa desenhar
Nada mais se perderia
O meu mundo a desvendar
Esta luz que se irradia,
Marcas deste novo instante
Onde o tempo muda a rota
E meu passo já garante
No lugar de uma derrota
A alegria doravante
Que em sorriso ora se nota.
40
Não seria de tal forma
A palavra mais correta
Onde o mundo não deforma
A verdade toma a seta
E desvenda esta reforma
Que pudesse ser completa
E o futuro agora informa
Da vontade predileta.
Ousaria ter no olhar
Muito além de alguma luz,
O que tente imaginar
Noutro rumo reproduz
A vontade de lutar,
Quando o sonho eu te propus.
11
Nada mais se poderia
Ver após o cataclismo
E se tento novo dia
No vazio agora eu cismo,
Entre o ser e o não teria
Vejo apenas tal abismo,
E moldando em agonia
O que possa cada sismo.
Rebelasse contra a sorte
Tão diversa e dolorida
Sem ter nada que conforte
A expressão já distraída
Traz ausência e neste corte,
Outra senda presumida.
12
Nada mais pudesse ter
Se não mesmo a minha crença
Onde amor ao perceber
O que tanto nos convença
Presumindo o bem querer
Quando a sorte recompensa
O que possa mesmo crer
Nesta luz imensa e intensa.
Ousaria acreditar
Nos caminhos mais doridos
E se possa caminhar
Entre as sendas dos sentidos
Tanto queira imaginar
Dias claros presumidos.
13
Na palavra que amansasse
O diverso coração
Que vencendo todo impasse
Molda nova dimensão
E se tanto demonstrasse
O que possa em direção
Tão diversa a que inda trace
Tramando libertação.
O meu passo não permite
Que se veja num limite
Os tormentos e delírios,
Vagamente quis a glória,
Mas sabendo merencória
Minha vida entre martírios.
14
Nada mais a não ser isto
Que talvez mudasse o rumo,
O que possa e mesmo insisto
Na verdade eu já resumo
Num momento onde persisto,
E se perco agora o prumo,
Primo por não ser benquisto,
Mas deveras não me esfumo.
Volto sempre à mesma cena
E a vontade me condena,
E não posso ter diverso
Caminhar entre os tormentos,
Desenhando em fortes ventos
O meu mundo vão, perverso.
15
Adentrando outro planeta
Ou vagando sideral
O que tanto se cometa
Traça um rumo desigual,
A palavra me arremeta
Ao tormento digital
E se possa e se intrometa
No final acaba mal,
Ouso ter olhar distante
Do que tanto quis e sinto
O caminho que garante
Muito além do mero instinto
Noutro passo, degradante,
Com certeza apenas minto...
16
Esbraveja no meu peito
A vontade de seguir
E pudera de outro jeito
Mesmo em luta conseguir
O que tanto não aceito,
Mas garante algo por vir,
No caminho já desfeito
Outro vejo a redimir.
Resumindo o que vivesse
Noutro rumo que além desse
Poderia ter de fato
Um instante de ilusão,
Mas voltando ao mesmo não,
Solidão; vejo e constato.
17
Esquecendo este detalhe
Quando o mundo não trouxera
A palavra que retalhe
E alimente a tola fera,
O momento que se talhe
Outro tanto desespera,
Num caminho onde se atalhe
A verdade destempera.
Gestações já renegadas
Sem deixar seque pegadas
Do que fomos. É passado,
Mas as tramas repetidas
Traçam velhas novas vidas,
Num temor anunciado.
18
Ao vencer os meus temores
Entranhasse noutras sendas
E se fosse como fores
Nada mais que meras lendas,
Dos jardins já sem pudores
Flores mortas tu desvendas
E revelas as contendas
Onde tanto vejo horrores.
Cada sorte representa
O que nunca se quis tanto,
Nada mais quero e garanto
A não ser velha tormenta
Que alimenta a solidão
Sem destino e previsão.
19
Acolhendo dentro da alma
O que resta de um passado
Que deveras traz no trauma
O que possa, desolado,
O meu mundo pede a calma,
Mas sigo desesperado,
Conhecendo inteira a palma
Deste mar já rebelado.
Na verdade o que se tem
Não permite mais a alguém
O desenho de uma sorte,
Tão diversa da que pude
E se tanto em plenitude
Nem a morte me conforte.
20
Não me deixe caminhar
Em completa solidão
Onde busque o imenso mar
Outras sortes mudarão
O que pude desejar
Desenhando em duro chão
A vontade de lutar,
O caminho sempre em vão.
Mas no fundo o que se quer
É seguir, cabeça ereta
O meu mundo sem qualquer
Ilusão que ora incompleta
Não me traga o que puder
Num amor, a doce seta.
21
Ouso até seguir os passos
De quem tanto desejei,
Outros dias, velhos traços
No passado desvendei
E o que vejo são escassos
Sonhos onde mergulhei
No vazio em dias lassos
Vários laços; destrocei.
Resumindo cada instante
No poder de ter no olhar
O que tanto nos garante
A ventura de sonhar
E se possa doravante
Noutro encanto mergulhar.
22
Apresentas com firmeza
O que um dia desejaste,
A palavra com certeza
Provocando outro desgaste,
Pondo as cartas sobre a mesa,
Renegando o que tomaste
Sem temor e com surpresa,
E deveras tudo baste.
O meu mundo desabara
A verdade me condena
Caminhando em vã seara
Vendo enfim dolosa cena
O que tanto se prepara
No final não me serena.
23
Acordando deste sonho
Entre mares e procelas,
O que possa e já proponho
Noutro rumo me revelas,
Entre os dias, sou medonho,
Coração abrindo as velas,
O momento mais bisonho
Superando velhas celas.
Ouso ser em liberdade
O que tanto pude crer,
Meu amor já não degrade
A ventura de viver,
E saber da claridade
Traz nesta alma amanhecer.
24
Resumindo cada fato
Onde o tanto não traria
O que vejo e já retrato
Nos ermos da poesia,
A verdade que constato
Outro tempo poderia
Num momento mais sensato,
Mas bem sei que não viria.
Cada vez já me afastando
Do caminho onde se trilha
O momento desde quando
A palavra se polvilha
No cenário desabando
Preparando uma armadilha.
25
Não queria ter além
Do que possa num instante
Vendo sempre o que contém
Neste mundo degradante,
O meu passo traz um bem
Que pudera radiante,
Mas o tempo tanto tem
Que no fim nada garante.
Ousaria ter no olhar
O que possa sem temor,
Vivo sempre a procurar
Nestas sendas raro amor,
E voltando a divagar
Sem guardar qualquer rancor.
Nada mais se poderia
Ver após o cataclismo
E se tento novo dia
No vazio agora eu cismo,
Entre o ser e o não teria
Vejo apenas tal abismo,
E moldando em agonia
O que possa cada sismo.
Rebelasse contra a sorte
Tão diversa e dolorida
Sem ter nada que conforte
A expressão já distraída
Traz ausência e neste corte,
Outra senda presumida.
12
Nada mais pudesse ter
Se não mesmo a minha crença
Onde amor ao perceber
O que tanto nos convença
Presumindo o bem querer
Quando a sorte recompensa
O que possa mesmo crer
Nesta luz imensa e intensa.
Ousaria acreditar
Nos caminhos mais doridos
E se possa caminhar
Entre as sendas dos sentidos
Tanto queira imaginar
Dias claros presumidos.
13
Na palavra que amansasse
O diverso coração
Que vencendo todo impasse
Molda nova dimensão
E se tanto demonstrasse
O que possa em direção
Tão diversa a que inda trace
Tramando libertação.
O meu passo não permite
Que se veja num limite
Os tormentos e delírios,
Vagamente quis a glória,
Mas sabendo merencória
Minha vida entre martírios.
14
Nada mais a não ser isto
Que talvez mudasse o rumo,
O que possa e mesmo insisto
Na verdade eu já resumo
Num momento onde persisto,
E se perco agora o prumo,
Primo por não ser benquisto,
Mas deveras não me esfumo.
Volto sempre à mesma cena
E a vontade me condena,
E não posso ter diverso
Caminhar entre os tormentos,
Desenhando em fortes ventos
O meu mundo vão, perverso.
15
Adentrando outro planeta
Ou vagando sideral
O que tanto se cometa
Traça um rumo desigual,
A palavra me arremeta
Ao tormento digital
E se possa e se intrometa
No final acaba mal,
Ouso ter olhar distante
Do que tanto quis e sinto
O caminho que garante
Muito além do mero instinto
Noutro passo, degradante,
Com certeza apenas minto...
16
Esbraveja no meu peito
A vontade de seguir
E pudera de outro jeito
Mesmo em luta conseguir
O que tanto não aceito,
Mas garante algo por vir,
No caminho já desfeito
Outro vejo a redimir.
Resumindo o que vivesse
Noutro rumo que além desse
Poderia ter de fato
Um instante de ilusão,
Mas voltando ao mesmo não,
Solidão; vejo e constato.
17
Esquecendo este detalhe
Quando o mundo não trouxera
A palavra que retalhe
E alimente a tola fera,
O momento que se talhe
Outro tanto desespera,
Num caminho onde se atalhe
A verdade destempera.
Gestações já renegadas
Sem deixar seque pegadas
Do que fomos. É passado,
Mas as tramas repetidas
Traçam velhas novas vidas,
Num temor anunciado.
18
Ao vencer os meus temores
Entranhasse noutras sendas
E se fosse como fores
Nada mais que meras lendas,
Dos jardins já sem pudores
Flores mortas tu desvendas
E revelas as contendas
Onde tanto vejo horrores.
Cada sorte representa
O que nunca se quis tanto,
Nada mais quero e garanto
A não ser velha tormenta
Que alimenta a solidão
Sem destino e previsão.
19
Acolhendo dentro da alma
O que resta de um passado
Que deveras traz no trauma
O que possa, desolado,
O meu mundo pede a calma,
Mas sigo desesperado,
Conhecendo inteira a palma
Deste mar já rebelado.
Na verdade o que se tem
Não permite mais a alguém
O desenho de uma sorte,
Tão diversa da que pude
E se tanto em plenitude
Nem a morte me conforte.
20
Não me deixe caminhar
Em completa solidão
Onde busque o imenso mar
Outras sortes mudarão
O que pude desejar
Desenhando em duro chão
A vontade de lutar,
O caminho sempre em vão.
Mas no fundo o que se quer
É seguir, cabeça ereta
O meu mundo sem qualquer
Ilusão que ora incompleta
Não me traga o que puder
Num amor, a doce seta.
21
Ouso até seguir os passos
De quem tanto desejei,
Outros dias, velhos traços
No passado desvendei
E o que vejo são escassos
Sonhos onde mergulhei
No vazio em dias lassos
Vários laços; destrocei.
Resumindo cada instante
No poder de ter no olhar
O que tanto nos garante
A ventura de sonhar
E se possa doravante
Noutro encanto mergulhar.
22
Apresentas com firmeza
O que um dia desejaste,
A palavra com certeza
Provocando outro desgaste,
Pondo as cartas sobre a mesa,
Renegando o que tomaste
Sem temor e com surpresa,
E deveras tudo baste.
O meu mundo desabara
A verdade me condena
Caminhando em vã seara
Vendo enfim dolosa cena
O que tanto se prepara
No final não me serena.
23
Acordando deste sonho
Entre mares e procelas,
O que possa e já proponho
Noutro rumo me revelas,
Entre os dias, sou medonho,
Coração abrindo as velas,
O momento mais bisonho
Superando velhas celas.
Ouso ser em liberdade
O que tanto pude crer,
Meu amor já não degrade
A ventura de viver,
E saber da claridade
Traz nesta alma amanhecer.
24
Resumindo cada fato
Onde o tanto não traria
O que vejo e já retrato
Nos ermos da poesia,
A verdade que constato
Outro tempo poderia
Num momento mais sensato,
Mas bem sei que não viria.
Cada vez já me afastando
Do caminho onde se trilha
O momento desde quando
A palavra se polvilha
No cenário desabando
Preparando uma armadilha.
25
Não queria ter além
Do que possa num instante
Vendo sempre o que contém
Neste mundo degradante,
O meu passo traz um bem
Que pudera radiante,
Mas o tempo tanto tem
Que no fim nada garante.
Ousaria ter no olhar
O que possa sem temor,
Vivo sempre a procurar
Nestas sendas raro amor,
E voltando a divagar
Sem guardar qualquer rancor.
Com linguagens diferentes,
Mesma métrica mantendo,
Diferenças aparentes?
Noutro enredo me envolvendo,
Quando vejas e até tentes
Reunir cada remendo
No final, impertinentes
Teias várias; já tecendo.
Uno pontos de partida
Em chegadas tão diversas,
Sendo assim a própria vida
Quando nela segues, versas.
Trovejando na partida,
Sonetar rotas dispersas.
Num anseio que não possa
Traduzir felicidade
Cada sorte quando endossa
Torna clara a realidade,
Se esperança fora nossa,
O que tanto agora invade,
Muitas vezes nos destroça
Cerceando a liberdade,
Mas quem há de perceber
Os temores deste que ama
O meu mundo sem prazer
Ao manter acesa a chama
Tanto possa parecer
Divergir da mesma trama.
3
Onde quer que se procure
Entre tantas heresias
Nada mais nos assegure
Do que eu busco e já querias,
Nada existe que perdure,
Sonhos são bijuterias
E o momento ora torture
Nestas noites mais sombrias.
Bebo um pouco do passado
Procurando algum futuro,
Mas não tendo nada ao lado
O meu passo neste escuro
Traz o tombo anunciado,
Restos vagos eu procuro...
4
Repentista que das Minas
Enfrentei de peito aberto
O que tanto já dominas
Neste mundo ora deserto,
Quando vejo cristalinas
Sortes tento estar por perto,
E se tanto vês e atinas
Tão somente eu me desperto.
Vivo além destas montanhas
Em terrenos capixabas,
Entranhando em novas sanhas,
Esperança; não desabas,
Das partidas e das manhas
Abro em mim diversas abas.
5
Um cometa tão somente
Assim passo pela vida
E se deixo uma semente
Noutra face carcomida
O que vejo e se apresente
Traz no olhar a despedida
E o que fora ora inclemente
Alimenta esta ferida.
Esquecendo do que um dia
Pude ser e não quisera
Na tocaia se veria
Com certeza outra quimera,
Mas quem tem a poesia,
Com vagar imenso espera.
6
Redondilhas num repente
Noutro tom se faz caminho
O meu passo sempre tente
Já não ser ledo e mesquinho,
Quando a vida se apresente
Num instante, já me aninho
Num anseio tão frequente
Sendo amor um raro ninho.
Versejando com ternura
Na brandura de quem ama,
O que possa e me assegura
Traz a vida em viva chama,
Não querendo na amargura
Reviver temível drama.
7
Ouso mesmo acreditar
Que tal dia vai surgir
E vagando bar em bar,
Da verdade irei fugir,
Mas se possa enfim contar
Com quem vejo a refulgir
O meu mundo num luar
Recomeço em paz a agir.
Tanta sorte de quem cabe
Neste espaço sideral
Antes mesmo que desabe
O meu mundo tal e qual
Noutro ponto nada acabe,
Sendo amor um pedestal.
8
Nas entradas e bandeiras
Noutros pontos sem promessas
O quanto agora queiras
Noutro passo recomeças
As horas mais verdadeiras
São aquelas onde peças
Pelas lutas derradeiras,
Encaixando tantas peças.
Nada mais se poderia
Quem presume novo passo,
Outro tempo a cada dia
Com certeza quero e traço,
Vou bebendo a fantasia
Sem saber de algum cansaço.
9
Na palavra que nos traz
Um momento mais suave,
Meu caminho antes audaz
Hoje nada mais entrave,
Ao saber do que se faz
Esperança feito uma ave
Voa além e tão tenaz,
Do meu peito cerzi a nave
Que permita a liberdade
Mais além neste horizonte
E sabendo da verdade
Onde o coração aponte,
Não temendo a claridade
Vejo em ti a nobre fonte.
10
São verdades que alimento
Quando tento novo dia
E se possa num momento
Viver clara fantasia,
Já não posso num tormento
Desenhar o que eu queria,
Este sonho ora alimento
Redundando em alegria.
Ouço a voz que nos permite
Caminhar e sem limite
Nada mais se vendo após,
A palavra que me alenta
Numa vida tão sangrenta,
Reatando firmes nós.
Mesma métrica mantendo,
Diferenças aparentes?
Noutro enredo me envolvendo,
Quando vejas e até tentes
Reunir cada remendo
No final, impertinentes
Teias várias; já tecendo.
Uno pontos de partida
Em chegadas tão diversas,
Sendo assim a própria vida
Quando nela segues, versas.
Trovejando na partida,
Sonetar rotas dispersas.
Num anseio que não possa
Traduzir felicidade
Cada sorte quando endossa
Torna clara a realidade,
Se esperança fora nossa,
O que tanto agora invade,
Muitas vezes nos destroça
Cerceando a liberdade,
Mas quem há de perceber
Os temores deste que ama
O meu mundo sem prazer
Ao manter acesa a chama
Tanto possa parecer
Divergir da mesma trama.
3
Onde quer que se procure
Entre tantas heresias
Nada mais nos assegure
Do que eu busco e já querias,
Nada existe que perdure,
Sonhos são bijuterias
E o momento ora torture
Nestas noites mais sombrias.
Bebo um pouco do passado
Procurando algum futuro,
Mas não tendo nada ao lado
O meu passo neste escuro
Traz o tombo anunciado,
Restos vagos eu procuro...
4
Repentista que das Minas
Enfrentei de peito aberto
O que tanto já dominas
Neste mundo ora deserto,
Quando vejo cristalinas
Sortes tento estar por perto,
E se tanto vês e atinas
Tão somente eu me desperto.
Vivo além destas montanhas
Em terrenos capixabas,
Entranhando em novas sanhas,
Esperança; não desabas,
Das partidas e das manhas
Abro em mim diversas abas.
5
Um cometa tão somente
Assim passo pela vida
E se deixo uma semente
Noutra face carcomida
O que vejo e se apresente
Traz no olhar a despedida
E o que fora ora inclemente
Alimenta esta ferida.
Esquecendo do que um dia
Pude ser e não quisera
Na tocaia se veria
Com certeza outra quimera,
Mas quem tem a poesia,
Com vagar imenso espera.
6
Redondilhas num repente
Noutro tom se faz caminho
O meu passo sempre tente
Já não ser ledo e mesquinho,
Quando a vida se apresente
Num instante, já me aninho
Num anseio tão frequente
Sendo amor um raro ninho.
Versejando com ternura
Na brandura de quem ama,
O que possa e me assegura
Traz a vida em viva chama,
Não querendo na amargura
Reviver temível drama.
7
Ouso mesmo acreditar
Que tal dia vai surgir
E vagando bar em bar,
Da verdade irei fugir,
Mas se possa enfim contar
Com quem vejo a refulgir
O meu mundo num luar
Recomeço em paz a agir.
Tanta sorte de quem cabe
Neste espaço sideral
Antes mesmo que desabe
O meu mundo tal e qual
Noutro ponto nada acabe,
Sendo amor um pedestal.
8
Nas entradas e bandeiras
Noutros pontos sem promessas
O quanto agora queiras
Noutro passo recomeças
As horas mais verdadeiras
São aquelas onde peças
Pelas lutas derradeiras,
Encaixando tantas peças.
Nada mais se poderia
Quem presume novo passo,
Outro tempo a cada dia
Com certeza quero e traço,
Vou bebendo a fantasia
Sem saber de algum cansaço.
9
Na palavra que nos traz
Um momento mais suave,
Meu caminho antes audaz
Hoje nada mais entrave,
Ao saber do que se faz
Esperança feito uma ave
Voa além e tão tenaz,
Do meu peito cerzi a nave
Que permita a liberdade
Mais além neste horizonte
E sabendo da verdade
Onde o coração aponte,
Não temendo a claridade
Vejo em ti a nobre fonte.
10
São verdades que alimento
Quando tento novo dia
E se possa num momento
Viver clara fantasia,
Já não posso num tormento
Desenhar o que eu queria,
Este sonho ora alimento
Redundando em alegria.
Ouço a voz que nos permite
Caminhar e sem limite
Nada mais se vendo após,
A palavra que me alenta
Numa vida tão sangrenta,
Reatando firmes nós.
sábado, 2 de abril de 2011
23
Pondo as coisas no lugar
Tendo o meu olhar mais firme
O que possa desejar
Neste ponto se confirme,
O que tento adivinhar
Noutro passo reafirme
O cenário a se mostrar
Onde possa conduzir-me
Nos temores corriqueiros
Meus anseios se repetem
Outros dias, mais ligeiros
Tempos novos já refletem
E os momentos em meneios
Encaixando, se completem.
24
A verdade não sonega
O que o tempo perfilara
A palavra mesmo cega
Traz a sorte da seara,
E o meu mundo não navega
Onde nunca mais se ampara
Deste mínimo hoje mega
O meu canto desprepara.
Esbarrando nos anseios
De quem tanto quis além
Ouço apenas, novos meios
Do que possa e já não tem
Sem saber dos devaneios
Com certeza sou ninguém.
25
Nada mais tive nas mãos
Nem sequer alguma sorte
Os meus olhos ermos chãos
O meu tempo diz da morte,
E se possa em rumos vãos
Outro sonho que comporte
Quem me dera, dos irmãos
O que tente em bom suporte.
Nas entranhas do infinito
Cada passo é condizente
Com o quanto mesmo grito
Noutro tom o que apresente
O meu mundo em novo rito.
26
Nada mais pudesse ver
Do que tanto desejei
O meu canto a se perder
Noutro espaço, noutra grei
O cenário a se verter
No que um dia procurei
Outro mundo eu passo a ter,
Num anseio me encontrei.
Novo dia em tom diverso
Universos que inda possa
Traduzindo noutro verso
A verdade já nos roça
E transcende ao mais disperso
Desejar aonde imerso.
27
O meu tempo se aproxima
E do todo imaginário
Outro sonho em ledo clima
No momento necessário
Movimento que redima
O que possa e sou corsário
Navegar nos aproxima
Num caminho solidário.
Vagamente lembro a sorte
Tantas vezes maltratada
E se bebo o que comporte
Expressão já desenhada
Busco enfim um novo norte
Ou talvez não veja nada.
28
Na palavra dita em paz
O que reza traz no olhar
Onde o mundo satisfaz
Sem saber o que vai dar,
O cenário se é capaz
De outro sonho retratar
Mesmo quanto mais tenaz
Expressasse algum luar;
Embrenhando no horizonte
O que possa ter no fim,
Onde o sonho sempre aponte
Vicejando dentro em mim
Construindo a clara ponte
Que desponte, sempre assim.
29
Jamais pude imaginar
Qualquer sonho aonde um dia
Pude mesmo desejar
O que tanto se queria
Noutro rumo em claro mar
E se tanto moldaria
O caminho a desnudar
Onde a vida em poesia.
Nada mais se vendo além
Do que tanto quis atento
O meu mundo quando vem
Espalhando além, no vento.
E o que possa ainda tem
Novo dia em pensamento.
30
A saudade não traduz
O que tanto desejaste
E se possa contra a luz
Ter no olhar raro contraste
Onde o todo se produz
Noutro canto se desgaste
O momento que seduz
Reduzindo ao nada o traste.
O meu verso sem sentido
O sentido mais perverso
Onde vejo resumido
O cenário aonde eu verso,
Tanto sonho traduzido
Quantas vezes o disperso.
31
Nas tormentas costumeiras
Nas palavras doloridas
Entremeia nas roseiras
As verdades concebidas
E se tanto em corriqueiras
Luzes tu não mais dividas
Mesmo quando tanto queiras
Não verás o quanto agridas.
E vivazes dias trazes
Entre enganos e retalhos
Procurando nessas fases
Os caminhos em atalhos
Mesmo quando são audazes
Os anseios, mesmo falhos;
32
Mergulhando no vazio
Onde o tempo não promete
O que tanto hoje recrio
Na verdade compromete
E gerando novo estio,
Desvendando o que reflete
O momento em desvario
No corte do canivete.
Conivente com a sorte
De tal forma desolada
Aonde o nada me comporte
Renegando uma alvorada
Meu anseio perde o norte
No final não sobra nada.
33
Aprendendo a cada engano
Outra vez pudesse ter
Onde apenas eu me dano
Sem sentir nem perceber
Do vazio cada plano,
E concebo sem saber
A versão em tom profano
Desenhando o desprazer.
Poderia pelo menos
Encontra alguma paz
Em momentos mais amenos.
Mas meu Pai, o Satanás
Entremeia em seus venenos
O que a vida ora desfaz.
34
Na carniça apodrecida
A rapina banqueteia
O que fora outrora vida.
Pouco a pouco noutra teia
Vendo apenas despedida
Onde a sorte devaneia
Na palavra ensandecida
Arrancando cada veia;
E o cadáver entre os vermes
Olhos pútridos e inermes
Renascendo em bela flor.
Restitui uma esperança.
Quando a morte nos alcança
Noutra forma o recompor.
35
Morto quem vivera em trevas
Nada mais esperaria
Do cadáver que hoje cevas
Esta cena ora sombria.
Esperanças. Ledas levas
Cada dia apodrecia
Larvas, vermes onde nevas
E jamais amanhecia.
Neste inferno que me deste
Sentimento feito em peste
Desta pútrida verdade.
Decomposto pouco a pouco,
Resta o quanto me treslouco
Sordidez em luto invade.
36
Cadavérica figura
Expressando o que nos rege
A verdade que tortura
No sorriso deste herege.
Numa irônica brandura
Falsamente nos protege
E o que possa em amargura
Dentro da alma ora lateje;
E no caos, a tua herança
Sem saber aonde alcança
Viperina face escusa,
Só a morte me redime,
Num momento onde sublime
Esperança se recusa.
37
Jamais tive algum alento
Mero espectro vida afora
O que possa em sofrimento
Pouco a pouco me devora.
Quem me dera isolamento
De uma morte sem demora
Nela o raro acolhimento
Desejado desde agora.
Nesta fétida presença
De quem tanto me convença.
Vale a pena algum descanso,
E da tétrica verdade
Onde houvesse o que degrade
Meu caminho seja manso.
38
E gargalhas, rapineira
Quando vês a morte em mim.
Redimindo a vida inteira
No bendito e podre fim,
A palavra derradeira
Transmudando agora enfim.
O que fora cordilheira
E hoje morre torpe assim.
A mortalha não te cabe,
Nem tampouco qualquer luto.
Quando sórdido desabe
Eu te peço e não reluto,
Noutra rota ou patrimônio
Compartilhes co’o demônio.
39
As esferas infernais
Aguardando esta chegada
De quem viva em temporais
Esta estrada desolada
E presumo quando esvais
Numa imensa derrocada
Teus carinhos, tão venais
Cada beijo uma estocada;
Peço apenas ter em paz
Meus momentos derradeiros
Se de tudo for capaz
Corpo esterca outros canteiros
Teu sorriso tão mordaz
Dita os termos corriqueiros.
40
Escarraste no meu rosto,
Em sofrível noite vã
E o cadáver decomposto
Não verá nova manhã
Satisfeito assim teu gosto
Nesta sorte tão malsã
Inda sentirás o gosto
Desta pútrida maçã;
Da visão que cultivaste
Sou apenas este traste
Que decerto perambula
Sem sentido vida afora
E o que tempo já devora
Morbidade dita a gula.
41
Olho o corpo ensangüentado
Sobre a cama e identifico
O que fora meu passado
Onde a morte eu edifico,
E se tento ter ao lado,
O caminho enquanto fico
Tanta vez; mortificado,
E o meu sonho; o contra-indico.
Conseguiste o teu intento,
A palavra sempre rude
Expressando o que ora tento
E deveras nunca pude
Desenhar em sofrimento
No apogeu, na plenitude.
42
Das vergastas que ora estalas
Neste corpo moribundo
As palavras avassalas
O meu tempo noutro mundo,
E se possa em tuas salas
O que tanto agora inundo
A minha alma já não calas,
Coração prossegue imundo.
A vergonha que estampasse
Num esgar da tosca face
Que se fez bela e sombria.
Vejo em ti diversas gralhas
E; portanto se gargalhas
Neste riso há ironia.
43
Nada mais se vendo enquanto
Outro tempo prostitui
O que possa e se me espanto
No vazio constitui.
O meu tempo em desencanto
Outro tanto agora rui,
E o versejo quando canto
Tão somente me polui.
A verdade não se visse
Mesmo quando em tal tolice
Apresenta a podridão.
De quem sabe e se alimenta
Desta sorte tão sangrenta
Em total ebulição.
44
Pouco resta para tanto
E se possa ser assim
O mergulho neste pranto
Traz o quanto existe em mim,
Sordidez a cada canto
Dominando este jardim,
O meu mundo em desencanto
Outra voz traduz o fim;
Esperasse algum momento,
Mas palavra solta ao vento
Não teria algum valor,
Dos caminhos preferidos
Outros tais, empedernidos
Tramam farto dissabor.
45
Bastaria algum instante
Ou talvez; quem sabe, a luz
E o que possa e se garante
Ao vazio me conduz,
Mesmo quando o sonho espante
Geração traz e reluz
O que tanto desencante
A verdade aonde a pus.
Resumindo o meu anseio
Neste ponto enquanto veio
Esta equânime vontade
O meu canto desengana
A palavra mais profana
Traduzisse realidade.
46
Apresento o meu olhar
Nas tramóias da existência
E pudesse descansar
Sem a dura convivência
Do que pude desejar
Sem sequer ter a ciência
Deste rude caminhar
Com temor e incoerência.
Vejo as tramas e enalteço
A verdade em tal tropeço
E me entrego ao que não veio,
Perseguindo o quanto resta
Desta vida tão funesta
Pouso em solo atroz e alheio.
47
Meu momento se resume
No que possa e não se vê
Nem sequer o rude cume
E talvez viver o que
Permitisse algum perfume
No que possa e não se crê
Numa história e se acostume
E jamais a luz revê.
O meu mundo se desbota
E se possa em nova nota
Traduzir o que se faz
E o meu canto semeasse
Outra vida em desenlace
Desenhar o que é mordaz.
48
Nada mais eu pude ter
Onde o mundo se adivinha
No caminho a se perder
Pouso em paz e a sorte minha
Traduzindo sem querer
O que possa e não continha
Sem o prazo a se tecer
A palavra mais daninha;
O verdugo traz no olhar
O cenário sem proveito,
A verdade a divagar
Na incerteza deste pleito
Onde eu pude imaginar
Tenho em canto o quanto aceito.
49
Nada mais se vendo após
O que trago sem sentido
O caminho traz em nós
O cenário dividido,
Tantas vezes destes pós
Outros tantos; dilapido
E o que possa presumido
Traz a viva e dura voz,
E seduz o que talvez
Não viesse e se desfez
Num momento mais sutil
Entremeio o que se veja
Na palavra onde a peleja
Sem sentido algum se viu.
50
A verdade não se trama
Nos anseios mais tenazes
O que possa além do drama
Tantas vezes tu me trazes
E se possa em cada rama
Desenhar o que não fazes
O momento traz e clama
Outros dias mais mordazes.
Nada mais pudesse ter
Ouro, prata, dor e tédio.
Permaneço sem querer
Ou saber qualquer assédio
Do caminho a enaltecer,
Esperança, um vão remédio...
Pondo as coisas no lugar
Tendo o meu olhar mais firme
O que possa desejar
Neste ponto se confirme,
O que tento adivinhar
Noutro passo reafirme
O cenário a se mostrar
Onde possa conduzir-me
Nos temores corriqueiros
Meus anseios se repetem
Outros dias, mais ligeiros
Tempos novos já refletem
E os momentos em meneios
Encaixando, se completem.
24
A verdade não sonega
O que o tempo perfilara
A palavra mesmo cega
Traz a sorte da seara,
E o meu mundo não navega
Onde nunca mais se ampara
Deste mínimo hoje mega
O meu canto desprepara.
Esbarrando nos anseios
De quem tanto quis além
Ouço apenas, novos meios
Do que possa e já não tem
Sem saber dos devaneios
Com certeza sou ninguém.
25
Nada mais tive nas mãos
Nem sequer alguma sorte
Os meus olhos ermos chãos
O meu tempo diz da morte,
E se possa em rumos vãos
Outro sonho que comporte
Quem me dera, dos irmãos
O que tente em bom suporte.
Nas entranhas do infinito
Cada passo é condizente
Com o quanto mesmo grito
Noutro tom o que apresente
O meu mundo em novo rito.
26
Nada mais pudesse ver
Do que tanto desejei
O meu canto a se perder
Noutro espaço, noutra grei
O cenário a se verter
No que um dia procurei
Outro mundo eu passo a ter,
Num anseio me encontrei.
Novo dia em tom diverso
Universos que inda possa
Traduzindo noutro verso
A verdade já nos roça
E transcende ao mais disperso
Desejar aonde imerso.
27
O meu tempo se aproxima
E do todo imaginário
Outro sonho em ledo clima
No momento necessário
Movimento que redima
O que possa e sou corsário
Navegar nos aproxima
Num caminho solidário.
Vagamente lembro a sorte
Tantas vezes maltratada
E se bebo o que comporte
Expressão já desenhada
Busco enfim um novo norte
Ou talvez não veja nada.
28
Na palavra dita em paz
O que reza traz no olhar
Onde o mundo satisfaz
Sem saber o que vai dar,
O cenário se é capaz
De outro sonho retratar
Mesmo quanto mais tenaz
Expressasse algum luar;
Embrenhando no horizonte
O que possa ter no fim,
Onde o sonho sempre aponte
Vicejando dentro em mim
Construindo a clara ponte
Que desponte, sempre assim.
29
Jamais pude imaginar
Qualquer sonho aonde um dia
Pude mesmo desejar
O que tanto se queria
Noutro rumo em claro mar
E se tanto moldaria
O caminho a desnudar
Onde a vida em poesia.
Nada mais se vendo além
Do que tanto quis atento
O meu mundo quando vem
Espalhando além, no vento.
E o que possa ainda tem
Novo dia em pensamento.
30
A saudade não traduz
O que tanto desejaste
E se possa contra a luz
Ter no olhar raro contraste
Onde o todo se produz
Noutro canto se desgaste
O momento que seduz
Reduzindo ao nada o traste.
O meu verso sem sentido
O sentido mais perverso
Onde vejo resumido
O cenário aonde eu verso,
Tanto sonho traduzido
Quantas vezes o disperso.
31
Nas tormentas costumeiras
Nas palavras doloridas
Entremeia nas roseiras
As verdades concebidas
E se tanto em corriqueiras
Luzes tu não mais dividas
Mesmo quando tanto queiras
Não verás o quanto agridas.
E vivazes dias trazes
Entre enganos e retalhos
Procurando nessas fases
Os caminhos em atalhos
Mesmo quando são audazes
Os anseios, mesmo falhos;
32
Mergulhando no vazio
Onde o tempo não promete
O que tanto hoje recrio
Na verdade compromete
E gerando novo estio,
Desvendando o que reflete
O momento em desvario
No corte do canivete.
Conivente com a sorte
De tal forma desolada
Aonde o nada me comporte
Renegando uma alvorada
Meu anseio perde o norte
No final não sobra nada.
33
Aprendendo a cada engano
Outra vez pudesse ter
Onde apenas eu me dano
Sem sentir nem perceber
Do vazio cada plano,
E concebo sem saber
A versão em tom profano
Desenhando o desprazer.
Poderia pelo menos
Encontra alguma paz
Em momentos mais amenos.
Mas meu Pai, o Satanás
Entremeia em seus venenos
O que a vida ora desfaz.
34
Na carniça apodrecida
A rapina banqueteia
O que fora outrora vida.
Pouco a pouco noutra teia
Vendo apenas despedida
Onde a sorte devaneia
Na palavra ensandecida
Arrancando cada veia;
E o cadáver entre os vermes
Olhos pútridos e inermes
Renascendo em bela flor.
Restitui uma esperança.
Quando a morte nos alcança
Noutra forma o recompor.
35
Morto quem vivera em trevas
Nada mais esperaria
Do cadáver que hoje cevas
Esta cena ora sombria.
Esperanças. Ledas levas
Cada dia apodrecia
Larvas, vermes onde nevas
E jamais amanhecia.
Neste inferno que me deste
Sentimento feito em peste
Desta pútrida verdade.
Decomposto pouco a pouco,
Resta o quanto me treslouco
Sordidez em luto invade.
36
Cadavérica figura
Expressando o que nos rege
A verdade que tortura
No sorriso deste herege.
Numa irônica brandura
Falsamente nos protege
E o que possa em amargura
Dentro da alma ora lateje;
E no caos, a tua herança
Sem saber aonde alcança
Viperina face escusa,
Só a morte me redime,
Num momento onde sublime
Esperança se recusa.
37
Jamais tive algum alento
Mero espectro vida afora
O que possa em sofrimento
Pouco a pouco me devora.
Quem me dera isolamento
De uma morte sem demora
Nela o raro acolhimento
Desejado desde agora.
Nesta fétida presença
De quem tanto me convença.
Vale a pena algum descanso,
E da tétrica verdade
Onde houvesse o que degrade
Meu caminho seja manso.
38
E gargalhas, rapineira
Quando vês a morte em mim.
Redimindo a vida inteira
No bendito e podre fim,
A palavra derradeira
Transmudando agora enfim.
O que fora cordilheira
E hoje morre torpe assim.
A mortalha não te cabe,
Nem tampouco qualquer luto.
Quando sórdido desabe
Eu te peço e não reluto,
Noutra rota ou patrimônio
Compartilhes co’o demônio.
39
As esferas infernais
Aguardando esta chegada
De quem viva em temporais
Esta estrada desolada
E presumo quando esvais
Numa imensa derrocada
Teus carinhos, tão venais
Cada beijo uma estocada;
Peço apenas ter em paz
Meus momentos derradeiros
Se de tudo for capaz
Corpo esterca outros canteiros
Teu sorriso tão mordaz
Dita os termos corriqueiros.
40
Escarraste no meu rosto,
Em sofrível noite vã
E o cadáver decomposto
Não verá nova manhã
Satisfeito assim teu gosto
Nesta sorte tão malsã
Inda sentirás o gosto
Desta pútrida maçã;
Da visão que cultivaste
Sou apenas este traste
Que decerto perambula
Sem sentido vida afora
E o que tempo já devora
Morbidade dita a gula.
41
Olho o corpo ensangüentado
Sobre a cama e identifico
O que fora meu passado
Onde a morte eu edifico,
E se tento ter ao lado,
O caminho enquanto fico
Tanta vez; mortificado,
E o meu sonho; o contra-indico.
Conseguiste o teu intento,
A palavra sempre rude
Expressando o que ora tento
E deveras nunca pude
Desenhar em sofrimento
No apogeu, na plenitude.
42
Das vergastas que ora estalas
Neste corpo moribundo
As palavras avassalas
O meu tempo noutro mundo,
E se possa em tuas salas
O que tanto agora inundo
A minha alma já não calas,
Coração prossegue imundo.
A vergonha que estampasse
Num esgar da tosca face
Que se fez bela e sombria.
Vejo em ti diversas gralhas
E; portanto se gargalhas
Neste riso há ironia.
43
Nada mais se vendo enquanto
Outro tempo prostitui
O que possa e se me espanto
No vazio constitui.
O meu tempo em desencanto
Outro tanto agora rui,
E o versejo quando canto
Tão somente me polui.
A verdade não se visse
Mesmo quando em tal tolice
Apresenta a podridão.
De quem sabe e se alimenta
Desta sorte tão sangrenta
Em total ebulição.
44
Pouco resta para tanto
E se possa ser assim
O mergulho neste pranto
Traz o quanto existe em mim,
Sordidez a cada canto
Dominando este jardim,
O meu mundo em desencanto
Outra voz traduz o fim;
Esperasse algum momento,
Mas palavra solta ao vento
Não teria algum valor,
Dos caminhos preferidos
Outros tais, empedernidos
Tramam farto dissabor.
45
Bastaria algum instante
Ou talvez; quem sabe, a luz
E o que possa e se garante
Ao vazio me conduz,
Mesmo quando o sonho espante
Geração traz e reluz
O que tanto desencante
A verdade aonde a pus.
Resumindo o meu anseio
Neste ponto enquanto veio
Esta equânime vontade
O meu canto desengana
A palavra mais profana
Traduzisse realidade.
46
Apresento o meu olhar
Nas tramóias da existência
E pudesse descansar
Sem a dura convivência
Do que pude desejar
Sem sequer ter a ciência
Deste rude caminhar
Com temor e incoerência.
Vejo as tramas e enalteço
A verdade em tal tropeço
E me entrego ao que não veio,
Perseguindo o quanto resta
Desta vida tão funesta
Pouso em solo atroz e alheio.
47
Meu momento se resume
No que possa e não se vê
Nem sequer o rude cume
E talvez viver o que
Permitisse algum perfume
No que possa e não se crê
Numa história e se acostume
E jamais a luz revê.
O meu mundo se desbota
E se possa em nova nota
Traduzir o que se faz
E o meu canto semeasse
Outra vida em desenlace
Desenhar o que é mordaz.
48
Nada mais eu pude ter
Onde o mundo se adivinha
No caminho a se perder
Pouso em paz e a sorte minha
Traduzindo sem querer
O que possa e não continha
Sem o prazo a se tecer
A palavra mais daninha;
O verdugo traz no olhar
O cenário sem proveito,
A verdade a divagar
Na incerteza deste pleito
Onde eu pude imaginar
Tenho em canto o quanto aceito.
49
Nada mais se vendo após
O que trago sem sentido
O caminho traz em nós
O cenário dividido,
Tantas vezes destes pós
Outros tantos; dilapido
E o que possa presumido
Traz a viva e dura voz,
E seduz o que talvez
Não viesse e se desfez
Num momento mais sutil
Entremeio o que se veja
Na palavra onde a peleja
Sem sentido algum se viu.
50
A verdade não se trama
Nos anseios mais tenazes
O que possa além do drama
Tantas vezes tu me trazes
E se possa em cada rama
Desenhar o que não fazes
O momento traz e clama
Outros dias mais mordazes.
Nada mais pudesse ter
Ouro, prata, dor e tédio.
Permaneço sem querer
Ou saber qualquer assédio
Do caminho a enaltecer,
Esperança, um vão remédio...
1
Quem jamais não poderia
Enfrentar os desafetos
Sabe os tons de um novo dia
Entre os rumos prediletos,
E se tente em poesia
Realçar os mais completos
Sonhos; tenta em harmonia
Bons momentos, mas discretos.
Cavalgasse vida afora
Nas tramóias da ilusão,
Quando o tempo desarvora
Em temida confusão,
No meu peito então aflora
A mais clara confissão.
2
Nada mesmo do que eu tente
Demonstrando com carinho
Traz no olhar imprevidente
O cenário onde me alinho,
O prenúncio, de repente,
Do que possa em tal ninho
Encontrara quem alente
Ou o canto mais mesquinho.
Ouso crer mesmo não tendo
Quem pudera ter nas mãos,
Muito além que tal remendo
Tempos duros, frios, vãos
Espalhando e após colhendo
Resultados desses grãos.
3
Quantas vezes eu professo
Nesta forja o meu futuro,
E se possa e até confesso
Ter no olhar o mais seguro
Garantindo o meu regresso
Sem saber de algum apuro,
Desenhando sem progresso
O momento onde perduro.
Partilhando do que tanto
Desejara e não viera,
O meu sonho eu mal garanto
Espalhando esta insincera
Solidão aonde o pranto
Abre em nós nova cratera.
4
Não mergulho nos meus ermos
Nem tampouco em tais entranhas
Onde tanto por não termos
Nada mais eu tenho ou ganhas,
A verdade é que ao podermos
Explorar novas montanhas
O que possa ao já perdermos
Desolasse nossas sanhas.
Entoando o que inda resta
Da canção que não cerzira,
Traz a vida enquanto infesta
Traz a morte e nos retira,
Sensação de simples festa,
Noutro passo em rude mira.
5
Nada mais pudesse ter
E tampouco o desejasse
Verdade reconhecer
E saber do desenlace
Onde possa alvorecer
Mesmo quando ora nublasse
A vontade de viver,
Ultrapassa algum impasse.
Nada vejo e me permito
Entre sonhos, num instante
Desenhar além do mito
O que possa e nos garante
Um lugar neste infinito
Caminhar que se adiante.
6
Adianto cada passo
Rumo ao porto onde teria
Muito mais que me cansaço
O momento em poesia,
E se possa noutro traço
Viver em plena harmonia
Onde o tempo mesmo escasso
Novo sol me mostraria.
Vendo assim o desafeto
Num cultivo mais audaz,
O meu mundo ora completo
Nos anseios desta paz,
E se tanto me repleto
Novo encanto satisfaz.
7
Jogo os olhos no horizonte
Vivo além do que se sinta
O meu canto sempre aponte
Para a sorte nunca extinta,
Vejo o quanto já desponte
A emoção onde não minta
Quem pudesse noutra fonte
Desejar a luz distinta.
Represando o meu anseio
E contendo em tal barragem
O meu mundo em devaneio
Perfazendo outra viagem
Onde tanto o que ora veio
Traz no amor sua bagagem.
8
Nada mais pudesse ver
Ou tampouco presumir
Nos caminhos do prazer
Tanta coisa a permitir
O que possa recolher
Ou deveras repartir,
Num suave amanhecer
Revelando o que há de vir.
Relutar? É necessário,
Mas o tempo nunca cessa
E o que fora itinerário
Fica apenas na promessa,
O meu mundo, torpe e vário
Sem esperas recomeça.
9
Lavo os olhos na saudade
De quem tanto quis um dia,
O meu canto em realidade
Mata a sorte em ironia,
O que possa e se degrade
Noutro tom ora jazia,
E cerzindo esta verdade
Morro ou vivo em agonia.
Ouso crer no que se tente
Tento crer no que eu ousasse
O meu mundo onde aparente
O sorriso em clara face
Tantas vezes descontente
Nem o sonho suportasse.
10
Nas palavras mais doridas
Ou sinceras esperanças
Entranhando nossas vidas
Onde tanto além avanças
Encontrar nas despedidas
O sorriso das crianças
E traçar antes perdidas
Nalgum canto tais lembranças;
Versejando ou mesmo até
Desenhando com meu sonho
O que possa – imensa fé –
Ou num dia mais bisonho
Permitir só por quem é
O ponteio que componho.
11
Navegar entre os rochedos
E buscar um manso porto
Conhecer tantos segredos
Renegar qualquer aborto,
Entre sonhos, ermos, ledos
O meu passo segue torto,
E se possa em desenredos,
Presumir o encanto morto.
Nada mais pudesse quando
Outro tempo se anuncia
O meu mundo desabando
Onde o tanto poderia
Transformar em novo bando
A verdade em alegria.
12
Nada mais se vendo após
O que tanto acreditara
Esperança feita algoz
Tantas vezes maltratara
E o que sentisse entre prós
Noutro tom gerando a apara
Corta rente e nega em nós
O que possa e se prepara.
O vencido sonhador
Já não tendo onde encontrar
O que possa em desamor
Tão somente constatar
Sem o brilho redentor
De quem traz um manso olhar.
13
Nada mais se poderia
Nos anseios mais doridos
E se tento alegoria
Dias torpes e perdidos.
Os meus olhos, a harmonia,
Os cenários divididos
E a palavra não traria
Nem sequer mansos sentidos,
Ousaria ter nas mãos
O futuro que não vem,
Entre as horas, mesmos nãos
E prossigo em tal desdém,
Envolvido pelos vãos
Sem saber de mais ninguém.
14
Nada mais pudesse ter
Quem deseja a calmaria
O meu mundo a se perder
Mais um pouco, a cada dia,
O cenário a se verter
Tanta coisa poderia
E no rumo sem saber
O que tanto restaria,
Vejo o olhar de quem se dera
Muito mais do que tentasse
Ao seguir em louca espera
Novo tempo não repasse
A verdade tão sincera
Que jamais se duvidasse.
15
Nada peço, mas prossigo
E provoco a derrocada
O meu tempo em desabrigo
Sem destino a velha estrada,
O caminho diz perigo,
Minha noite atocaiada,
Porém mesmo assim prossigo
Bebo o sonho da alvorada.
Nada mais pudesse ter
Quem tentasse nova luz,
O meu canto a se perder
Onde encanto não produz,
E se tanto pude ver
Num recanto a minha cruz.
16
Jorram dores entre fartos
Delirares, solidão,
Os momentos sem os partos
As sangrias pelo chão,
Os pedaços nestes quartos
Morte em doce redenção.
O meu canto não se ouvira
Nem tampouco esta tortura,
O que possa e se retira
Traz no olhar rude procura,
E o que vejo dita a mira,
Mesmo em noite mais escura.
Escusado é te dizer
Vejo enfim, algum prazer.
17
Não perdendo qualquer sonho
Ou morrendo noutro passo,
O que possa e decomponho
Traz a marca do cansaço
E se sinto este enfadonho
Delirar por onde traço
O meu mundo mais bisonho
Envolvido por tal laço.
Nada mais pudera ter
Quem se fez bem mais potente
O meu verso a se perder
Onde o tanto num repente
Traz no olhar o bem viver
Ou decerto ainda tente.
18
Busco as tramas do passado
E desenho em bruscas formas
O que possa lado a lado
Em alado tom transformas,
E se eu sigo ou se me evado,
Outros passos, novas normas,
Do desenho demonstrado
Não se vejam mais reformas,
Ouso mesmo acreditar
No que pude e não tivera
A vontade a demarcar
O que trame em dura esfera,
O meu canto a destrinchar
Nem saudade ainda espera.
19
Nada mais pudesse ver
Quem se fez em claro sol,
O meu mundo a se perder
Toma inteiro este arrebol,
O caminho amanhecer
E se eu sigo, girassol,
Nos teus olhos conceber
Maravilhas de um farol
Ouso crer na luz que tanto
Possa mesmo nos guiar
E se teimo em raro canto,
Não pudesse navegar
Entre os ermos, já me espanto
E me canso de lutar.
20
Nada mais pudesse quem
Entre os medos costumeiros
Ao traçar o que inda tem
Busca sonhos derradeiros,
O meu mundo sem desdém
Anuncia em teus canteiros
O carinho que o detém
Muito além de corriqueiros,
Quero a boca mais suave
O cenário sem entrave
Ave solta, liberdade,
E se bebo com fartura
Deste amor que me assegura
Envolvido em claridade.
21
Nada mais pudesse quando
O meu tempo se fez rude,
O tormento desaguando
Na esperança, mero açude,
O cenário desabando
O momento que me ilude,
Onde possa em claro bando
Ter no olhar tal plenitude.
Versejando sobre o tanto
Que se fez felicidade
Onde o mundo eu mal garanto
Não teria na verdade
Nada mais do que este pranto
Que denigre a luz que invade.
22
Aprendendo a dizer não
Quanta vez eu me maltrato
Desta louca sensação
Outro tempo, atroz e ingrato,
Encontrando a dimensão
Do que possa em roto prato
Envolvendo o coração
No que tento e não constato.
Ao sentir o vento manso
O que possa traduzir
No meu canto quando avanço
Novo dia a resumir
O que tanto quero e alcanço
Ou pudera consumir.
Quem jamais não poderia
Enfrentar os desafetos
Sabe os tons de um novo dia
Entre os rumos prediletos,
E se tente em poesia
Realçar os mais completos
Sonhos; tenta em harmonia
Bons momentos, mas discretos.
Cavalgasse vida afora
Nas tramóias da ilusão,
Quando o tempo desarvora
Em temida confusão,
No meu peito então aflora
A mais clara confissão.
2
Nada mesmo do que eu tente
Demonstrando com carinho
Traz no olhar imprevidente
O cenário onde me alinho,
O prenúncio, de repente,
Do que possa em tal ninho
Encontrara quem alente
Ou o canto mais mesquinho.
Ouso crer mesmo não tendo
Quem pudera ter nas mãos,
Muito além que tal remendo
Tempos duros, frios, vãos
Espalhando e após colhendo
Resultados desses grãos.
3
Quantas vezes eu professo
Nesta forja o meu futuro,
E se possa e até confesso
Ter no olhar o mais seguro
Garantindo o meu regresso
Sem saber de algum apuro,
Desenhando sem progresso
O momento onde perduro.
Partilhando do que tanto
Desejara e não viera,
O meu sonho eu mal garanto
Espalhando esta insincera
Solidão aonde o pranto
Abre em nós nova cratera.
4
Não mergulho nos meus ermos
Nem tampouco em tais entranhas
Onde tanto por não termos
Nada mais eu tenho ou ganhas,
A verdade é que ao podermos
Explorar novas montanhas
O que possa ao já perdermos
Desolasse nossas sanhas.
Entoando o que inda resta
Da canção que não cerzira,
Traz a vida enquanto infesta
Traz a morte e nos retira,
Sensação de simples festa,
Noutro passo em rude mira.
5
Nada mais pudesse ter
E tampouco o desejasse
Verdade reconhecer
E saber do desenlace
Onde possa alvorecer
Mesmo quando ora nublasse
A vontade de viver,
Ultrapassa algum impasse.
Nada vejo e me permito
Entre sonhos, num instante
Desenhar além do mito
O que possa e nos garante
Um lugar neste infinito
Caminhar que se adiante.
6
Adianto cada passo
Rumo ao porto onde teria
Muito mais que me cansaço
O momento em poesia,
E se possa noutro traço
Viver em plena harmonia
Onde o tempo mesmo escasso
Novo sol me mostraria.
Vendo assim o desafeto
Num cultivo mais audaz,
O meu mundo ora completo
Nos anseios desta paz,
E se tanto me repleto
Novo encanto satisfaz.
7
Jogo os olhos no horizonte
Vivo além do que se sinta
O meu canto sempre aponte
Para a sorte nunca extinta,
Vejo o quanto já desponte
A emoção onde não minta
Quem pudesse noutra fonte
Desejar a luz distinta.
Represando o meu anseio
E contendo em tal barragem
O meu mundo em devaneio
Perfazendo outra viagem
Onde tanto o que ora veio
Traz no amor sua bagagem.
8
Nada mais pudesse ver
Ou tampouco presumir
Nos caminhos do prazer
Tanta coisa a permitir
O que possa recolher
Ou deveras repartir,
Num suave amanhecer
Revelando o que há de vir.
Relutar? É necessário,
Mas o tempo nunca cessa
E o que fora itinerário
Fica apenas na promessa,
O meu mundo, torpe e vário
Sem esperas recomeça.
9
Lavo os olhos na saudade
De quem tanto quis um dia,
O meu canto em realidade
Mata a sorte em ironia,
O que possa e se degrade
Noutro tom ora jazia,
E cerzindo esta verdade
Morro ou vivo em agonia.
Ouso crer no que se tente
Tento crer no que eu ousasse
O meu mundo onde aparente
O sorriso em clara face
Tantas vezes descontente
Nem o sonho suportasse.
10
Nas palavras mais doridas
Ou sinceras esperanças
Entranhando nossas vidas
Onde tanto além avanças
Encontrar nas despedidas
O sorriso das crianças
E traçar antes perdidas
Nalgum canto tais lembranças;
Versejando ou mesmo até
Desenhando com meu sonho
O que possa – imensa fé –
Ou num dia mais bisonho
Permitir só por quem é
O ponteio que componho.
11
Navegar entre os rochedos
E buscar um manso porto
Conhecer tantos segredos
Renegar qualquer aborto,
Entre sonhos, ermos, ledos
O meu passo segue torto,
E se possa em desenredos,
Presumir o encanto morto.
Nada mais pudesse quando
Outro tempo se anuncia
O meu mundo desabando
Onde o tanto poderia
Transformar em novo bando
A verdade em alegria.
12
Nada mais se vendo após
O que tanto acreditara
Esperança feita algoz
Tantas vezes maltratara
E o que sentisse entre prós
Noutro tom gerando a apara
Corta rente e nega em nós
O que possa e se prepara.
O vencido sonhador
Já não tendo onde encontrar
O que possa em desamor
Tão somente constatar
Sem o brilho redentor
De quem traz um manso olhar.
13
Nada mais se poderia
Nos anseios mais doridos
E se tento alegoria
Dias torpes e perdidos.
Os meus olhos, a harmonia,
Os cenários divididos
E a palavra não traria
Nem sequer mansos sentidos,
Ousaria ter nas mãos
O futuro que não vem,
Entre as horas, mesmos nãos
E prossigo em tal desdém,
Envolvido pelos vãos
Sem saber de mais ninguém.
14
Nada mais pudesse ter
Quem deseja a calmaria
O meu mundo a se perder
Mais um pouco, a cada dia,
O cenário a se verter
Tanta coisa poderia
E no rumo sem saber
O que tanto restaria,
Vejo o olhar de quem se dera
Muito mais do que tentasse
Ao seguir em louca espera
Novo tempo não repasse
A verdade tão sincera
Que jamais se duvidasse.
15
Nada peço, mas prossigo
E provoco a derrocada
O meu tempo em desabrigo
Sem destino a velha estrada,
O caminho diz perigo,
Minha noite atocaiada,
Porém mesmo assim prossigo
Bebo o sonho da alvorada.
Nada mais pudesse ter
Quem tentasse nova luz,
O meu canto a se perder
Onde encanto não produz,
E se tanto pude ver
Num recanto a minha cruz.
16
Jorram dores entre fartos
Delirares, solidão,
Os momentos sem os partos
As sangrias pelo chão,
Os pedaços nestes quartos
Morte em doce redenção.
O meu canto não se ouvira
Nem tampouco esta tortura,
O que possa e se retira
Traz no olhar rude procura,
E o que vejo dita a mira,
Mesmo em noite mais escura.
Escusado é te dizer
Vejo enfim, algum prazer.
17
Não perdendo qualquer sonho
Ou morrendo noutro passo,
O que possa e decomponho
Traz a marca do cansaço
E se sinto este enfadonho
Delirar por onde traço
O meu mundo mais bisonho
Envolvido por tal laço.
Nada mais pudera ter
Quem se fez bem mais potente
O meu verso a se perder
Onde o tanto num repente
Traz no olhar o bem viver
Ou decerto ainda tente.
18
Busco as tramas do passado
E desenho em bruscas formas
O que possa lado a lado
Em alado tom transformas,
E se eu sigo ou se me evado,
Outros passos, novas normas,
Do desenho demonstrado
Não se vejam mais reformas,
Ouso mesmo acreditar
No que pude e não tivera
A vontade a demarcar
O que trame em dura esfera,
O meu canto a destrinchar
Nem saudade ainda espera.
19
Nada mais pudesse ver
Quem se fez em claro sol,
O meu mundo a se perder
Toma inteiro este arrebol,
O caminho amanhecer
E se eu sigo, girassol,
Nos teus olhos conceber
Maravilhas de um farol
Ouso crer na luz que tanto
Possa mesmo nos guiar
E se teimo em raro canto,
Não pudesse navegar
Entre os ermos, já me espanto
E me canso de lutar.
20
Nada mais pudesse quem
Entre os medos costumeiros
Ao traçar o que inda tem
Busca sonhos derradeiros,
O meu mundo sem desdém
Anuncia em teus canteiros
O carinho que o detém
Muito além de corriqueiros,
Quero a boca mais suave
O cenário sem entrave
Ave solta, liberdade,
E se bebo com fartura
Deste amor que me assegura
Envolvido em claridade.
21
Nada mais pudesse quando
O meu tempo se fez rude,
O tormento desaguando
Na esperança, mero açude,
O cenário desabando
O momento que me ilude,
Onde possa em claro bando
Ter no olhar tal plenitude.
Versejando sobre o tanto
Que se fez felicidade
Onde o mundo eu mal garanto
Não teria na verdade
Nada mais do que este pranto
Que denigre a luz que invade.
22
Aprendendo a dizer não
Quanta vez eu me maltrato
Desta louca sensação
Outro tempo, atroz e ingrato,
Encontrando a dimensão
Do que possa em roto prato
Envolvendo o coração
No que tento e não constato.
Ao sentir o vento manso
O que possa traduzir
No meu canto quando avanço
Novo dia a resumir
O que tanto quero e alcanço
Ou pudera consumir.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
41
Um pacato cidadão
Na verdade busca o sonho
E se possa sempre em vão
O cenário que componho
Trago além nesta amplidão
O caminho onde proponho
Nesta clara dimensão
O momento mais bisonho.
Resumindo cada passo
No que possa e sei que tento
O meu verso não abraço
Nem abarco o velho invento
O meu mundo segue escasso,
Explodindo em vão lamento.
42
Nada mais me interessasse
Nem as tramas do futuro
Nem sequer a mesma face
De um momento mais escuro.
O caminho se moldasse
Como possa e até te juro
Neste rude desenlace
Raro encanto? Não procuro.
Sei dos erros e prometo
Enfrentar qualquer procela
Trova em forma de soneto
Onde o todo se revela
E se possa e me arremeto
Rompo enfim desta alma a cela.
43
Negocio com o prazo
Que me deste, senhorio,
O meu tempo neste ocaso
Traz o sonho em desafio,
E se possa enquanto atraso
Vicejando em tom vazio,
Bebo o ledo atroz descaso
E o não ser já propicio.
Adentrando o que se fez
Entre noites tenebrosas
Ouso mesmo no que vês
Espinheiros sobre as rosas,
O que possa insensatez
Traz as horas pedregosas.
44
Nada mais se quer quem busca
Entre tempos mais diversos
A verdade nos ofusca
E traduz dispersos versos,
A palavra sendo brusca
Outros erros mais perversos.
Quem no fogo se chamusca
Traz os olhos sempre emersos,
E sem ter a previsão
Do que possa em rude fato
No meu canto em dimensão
Navegasse onde constato
A verdade em solidão
E deveras não resgato.
45
O versar sobre o que vejo
O desenho mais fiel
O meu mundo em tal lampejo
Molda assim o tom cruel,
E o que possa e se pelejo
Traça a rota em carrossel,
Muitas vezes sei do pejo
Outras bebo inteiro o céu.
Na palavra, o desatento
Caminhar em meio ao rude
Desenhar enquanto tento
O que possa e sempre mude
O meu dia em sofrimento
Com certeza sempre ilude.
46
Nada mais se vendo após
O que pude acreditar
Já não tento mais em nós
Qualquer sonho em vão luar,
E se somos tanto sós
Os meus dias a moldar
Entre medos rudes pós
Nada mais a se mostrar,
O versejo sem razão
O desejo sem proveito
Onde possa em direção
Ao que vejo satisfeito
Noutro beijo a sensação
Do que fora meu direito.
47
Não queria melhor sorte
Nem tampouco a luz em mim,
Onde o nada me conforte
Volto a ter enquanto vim
Sem saber o quanto aborte
Ilusão antes sem fim,
O meu mundo traz no corte
O que possa ser assim
Vagamente a mente vaga
E desmente o que tentei
No momento em leda plaga
Outro tanto em turva grei,
No que possa e não se afaga
Tão somente mergulhei.
48
No meu mundo sem provento
No que possa em tempestade
O meu canto quando invento
Trago a força de vontade
E se mostra em elemento
O que vivo em liberdade
Adentrando contra o vento
Esquecendo a claridade,
Nada pude e nem pudera
Nem talvez o quanto sinta
A palavra mais austera
Na verdade quase extinta
O que possa e não se espera
Sei que tanto finja e minta.
49
Nas entranhas do meu sonho
Emblemático momento
Onde possa o que componho
E bebendo o rude vento
No final me decomponho
Em total alheamento
E buscando enquanto ponho
Meu olhar em rudimento,
Na palavra mais gentil
No sentido que se esgota
A verdade traz o vil
Caminhar onde a derrota
Traz o quanto não se viu
Adentrando a velha grota.
50
Completando o que propus
Na verdade quero mais,
O que tanto já fez jus
Expressasse em vendavais
O momento em que conduz
Os diversos temporais
Os meus olhos, velha cruz
Noutros erros terminais,
Apresento o que se queira
Na incerteza mais cruel,
E se amor fosse bandeira
Outro passo em carrossel
Ultrapassa esta barreira
E desenha além meu céu.
Um pacato cidadão
Na verdade busca o sonho
E se possa sempre em vão
O cenário que componho
Trago além nesta amplidão
O caminho onde proponho
Nesta clara dimensão
O momento mais bisonho.
Resumindo cada passo
No que possa e sei que tento
O meu verso não abraço
Nem abarco o velho invento
O meu mundo segue escasso,
Explodindo em vão lamento.
42
Nada mais me interessasse
Nem as tramas do futuro
Nem sequer a mesma face
De um momento mais escuro.
O caminho se moldasse
Como possa e até te juro
Neste rude desenlace
Raro encanto? Não procuro.
Sei dos erros e prometo
Enfrentar qualquer procela
Trova em forma de soneto
Onde o todo se revela
E se possa e me arremeto
Rompo enfim desta alma a cela.
43
Negocio com o prazo
Que me deste, senhorio,
O meu tempo neste ocaso
Traz o sonho em desafio,
E se possa enquanto atraso
Vicejando em tom vazio,
Bebo o ledo atroz descaso
E o não ser já propicio.
Adentrando o que se fez
Entre noites tenebrosas
Ouso mesmo no que vês
Espinheiros sobre as rosas,
O que possa insensatez
Traz as horas pedregosas.
44
Nada mais se quer quem busca
Entre tempos mais diversos
A verdade nos ofusca
E traduz dispersos versos,
A palavra sendo brusca
Outros erros mais perversos.
Quem no fogo se chamusca
Traz os olhos sempre emersos,
E sem ter a previsão
Do que possa em rude fato
No meu canto em dimensão
Navegasse onde constato
A verdade em solidão
E deveras não resgato.
45
O versar sobre o que vejo
O desenho mais fiel
O meu mundo em tal lampejo
Molda assim o tom cruel,
E o que possa e se pelejo
Traça a rota em carrossel,
Muitas vezes sei do pejo
Outras bebo inteiro o céu.
Na palavra, o desatento
Caminhar em meio ao rude
Desenhar enquanto tento
O que possa e sempre mude
O meu dia em sofrimento
Com certeza sempre ilude.
46
Nada mais se vendo após
O que pude acreditar
Já não tento mais em nós
Qualquer sonho em vão luar,
E se somos tanto sós
Os meus dias a moldar
Entre medos rudes pós
Nada mais a se mostrar,
O versejo sem razão
O desejo sem proveito
Onde possa em direção
Ao que vejo satisfeito
Noutro beijo a sensação
Do que fora meu direito.
47
Não queria melhor sorte
Nem tampouco a luz em mim,
Onde o nada me conforte
Volto a ter enquanto vim
Sem saber o quanto aborte
Ilusão antes sem fim,
O meu mundo traz no corte
O que possa ser assim
Vagamente a mente vaga
E desmente o que tentei
No momento em leda plaga
Outro tanto em turva grei,
No que possa e não se afaga
Tão somente mergulhei.
48
No meu mundo sem provento
No que possa em tempestade
O meu canto quando invento
Trago a força de vontade
E se mostra em elemento
O que vivo em liberdade
Adentrando contra o vento
Esquecendo a claridade,
Nada pude e nem pudera
Nem talvez o quanto sinta
A palavra mais austera
Na verdade quase extinta
O que possa e não se espera
Sei que tanto finja e minta.
49
Nas entranhas do meu sonho
Emblemático momento
Onde possa o que componho
E bebendo o rude vento
No final me decomponho
Em total alheamento
E buscando enquanto ponho
Meu olhar em rudimento,
Na palavra mais gentil
No sentido que se esgota
A verdade traz o vil
Caminhar onde a derrota
Traz o quanto não se viu
Adentrando a velha grota.
50
Completando o que propus
Na verdade quero mais,
O que tanto já fez jus
Expressasse em vendavais
O momento em que conduz
Os diversos temporais
Os meus olhos, velha cruz
Noutros erros terminais,
Apresento o que se queira
Na incerteza mais cruel,
E se amor fosse bandeira
Outro passo em carrossel
Ultrapassa esta barreira
E desenha além meu céu.
31
Acordo com o vento
Batendo na janela
E o quanto mesmo tento
Por vezes se revela
Num ato mais atento
Abrindo cada vela
O barco em sentimento
Além navega e sela
O rumo que se quer
O tempo sem qualquer
Momento em tempestade,
No fim em novo cais
Cenários magistrais
Intensa claridade.
32
Apenas pude ver
O fim de cada escândalo
Amor a se perder
Num tempo quando em vândalo
Caminho sem conter
Perfumes deste sândalo
O fato num enredo
Diverso do que tento
E sei e me concedo
Buscando estar atento
E mesmo em tal segredo
Expresso o sentimento.
Vestígios de uma luta
Há tanto atroz e astuta.
33
Já não me caberia
Falar do que inda trago
O verso em fantasia
O dia em raro estrago,
O passo onde traria
O mundo e se divago
A morta poesia
Expondo nu tal lago,
O corte mais profano
Hedônico passado,
E sei do quanto engano
O dia desolado,
Entrando pelo cano
Ou dando outro recado.
34
Trovejo em tempestade
E tento estar atento
Ao quanto já me invade
Em ledo pensamento
Viver a liberdade
E nisto outro provento,
Alçando em claridade
Abrindo o peito ao vento.
Não tento acreditar
Nos erros onde eu faço
Meu mundo a desvendar
O sonho em embaraço
O rumo a se negar
Desfaz da vida o traço.
35
Bebendo mais um gole
Do quanto caberia
A vida quando assole
Expressa a mais vazia
Vontade que console
Quem tanto poderia
Ousar no quanto bole
Com a alma a poesia,
O preço a se pagar
O medo não se cansa
O tempo a desenhar
O quanto em aliança
Marcasse este luar
Em sórdida esperança.
36
Apresentando o fato
Aonde o que se quer
Expressa o que retrato
Nos olhos da mulher
E sei e já constato
Momento outro qualquer
Vencendo o velho trato
E trota onde puder
Corcel ou num tropel
Quem dera algum rocim,
Negando sol e céu
Ausento do jardim
E bebo deste fel
Que trazes para mim.
37
Não quero acreditar
Nem mesmo que inda reste
O mundo sem luar
Em solo mais agreste,
O marco a se moldar
No tanto que deteste
O canto a desenhar
Em nós sonho celeste,
Agonizando apenas
Enquanto me envenenas
Sem medo e sem saber
O quanto poderia
Em novo e claro dia
Talvez a me perder.
38
Bebesse mais um pouco
Ou mesmo sempre mais
Envolto feito um louco
Imerso em temporais
E quase mesmo rouco
Gritando onde jamais
O mundo que treslouco
Trouxesse seus cristais
Vagando sem sentido
Sem rumo e direção
Somente desprovido
Do quanto em tal razão
Encontra o resumido
Caminho em solidão.
39
Jamais pudesse ter
O olhar neste horizonte
E quanto mais verter
Meu passo aonde aponte
O tanto a se fazer
No rumo em clara fonte,
O verso sem querer
Já nada mais desconte.
Vagando sem sucesso
Aonde ter eu possa
O mundo sem regresso
E nisto o que remoça
Expressa onde confesso
A vida que eu quis nossa.
40
Toando mansamente
O quanto pude e sigo
O tempo toma a mente
E sei em tal abrigo
O marco não desmente
O quanto em vão prossigo
O mundo este demente,
Vagando não persigo,
Espero o que semeias
E nisto mares tantos
Buscando nas sereias
Além dos raros cantos,
As tramas que incendeias
Trazendo claros mantos.
Acordo com o vento
Batendo na janela
E o quanto mesmo tento
Por vezes se revela
Num ato mais atento
Abrindo cada vela
O barco em sentimento
Além navega e sela
O rumo que se quer
O tempo sem qualquer
Momento em tempestade,
No fim em novo cais
Cenários magistrais
Intensa claridade.
32
Apenas pude ver
O fim de cada escândalo
Amor a se perder
Num tempo quando em vândalo
Caminho sem conter
Perfumes deste sândalo
O fato num enredo
Diverso do que tento
E sei e me concedo
Buscando estar atento
E mesmo em tal segredo
Expresso o sentimento.
Vestígios de uma luta
Há tanto atroz e astuta.
33
Já não me caberia
Falar do que inda trago
O verso em fantasia
O dia em raro estrago,
O passo onde traria
O mundo e se divago
A morta poesia
Expondo nu tal lago,
O corte mais profano
Hedônico passado,
E sei do quanto engano
O dia desolado,
Entrando pelo cano
Ou dando outro recado.
34
Trovejo em tempestade
E tento estar atento
Ao quanto já me invade
Em ledo pensamento
Viver a liberdade
E nisto outro provento,
Alçando em claridade
Abrindo o peito ao vento.
Não tento acreditar
Nos erros onde eu faço
Meu mundo a desvendar
O sonho em embaraço
O rumo a se negar
Desfaz da vida o traço.
35
Bebendo mais um gole
Do quanto caberia
A vida quando assole
Expressa a mais vazia
Vontade que console
Quem tanto poderia
Ousar no quanto bole
Com a alma a poesia,
O preço a se pagar
O medo não se cansa
O tempo a desenhar
O quanto em aliança
Marcasse este luar
Em sórdida esperança.
36
Apresentando o fato
Aonde o que se quer
Expressa o que retrato
Nos olhos da mulher
E sei e já constato
Momento outro qualquer
Vencendo o velho trato
E trota onde puder
Corcel ou num tropel
Quem dera algum rocim,
Negando sol e céu
Ausento do jardim
E bebo deste fel
Que trazes para mim.
37
Não quero acreditar
Nem mesmo que inda reste
O mundo sem luar
Em solo mais agreste,
O marco a se moldar
No tanto que deteste
O canto a desenhar
Em nós sonho celeste,
Agonizando apenas
Enquanto me envenenas
Sem medo e sem saber
O quanto poderia
Em novo e claro dia
Talvez a me perder.
38
Bebesse mais um pouco
Ou mesmo sempre mais
Envolto feito um louco
Imerso em temporais
E quase mesmo rouco
Gritando onde jamais
O mundo que treslouco
Trouxesse seus cristais
Vagando sem sentido
Sem rumo e direção
Somente desprovido
Do quanto em tal razão
Encontra o resumido
Caminho em solidão.
39
Jamais pudesse ter
O olhar neste horizonte
E quanto mais verter
Meu passo aonde aponte
O tanto a se fazer
No rumo em clara fonte,
O verso sem querer
Já nada mais desconte.
Vagando sem sucesso
Aonde ter eu possa
O mundo sem regresso
E nisto o que remoça
Expressa onde confesso
A vida que eu quis nossa.
40
Toando mansamente
O quanto pude e sigo
O tempo toma a mente
E sei em tal abrigo
O marco não desmente
O quanto em vão prossigo
O mundo este demente,
Vagando não persigo,
Espero o que semeias
E nisto mares tantos
Buscando nas sereias
Além dos raros cantos,
As tramas que incendeias
Trazendo claros mantos.
21
Das sementes que cultivo
A esperança brota e traz
No momento enquanto vivo
O que pudesse ser em paz,
Outro tempo mais altivo
Outra sorte mais tenaz
Na verdade o ser cativo
Esperasse o canto audaz
De quem vive o que se tenta
Na incerteza de outro passo,
Enfrentando esta tormenta
Resta apenas o cansaço
E se possa e me alimenta
Desta sorte um novo traço.
22
Encontrando no caminho
Quem decerto eu lá deixei
O meu passo em tanto espinho
Na tortura feita em lei,
O que vejo e se me alinho
Onde o rumo eu desvendei,
Traça o quanto sou sozinho
E jamais algo encontrei
A não ser o que se trace
Ministrando uma esperança
A verdade em desenlace
No final apenas lança
O que foge e se embarace
Na incerteza que nos cansa.
23
Nada mais eu poderia
Ou talvez quando incendeia
A verdade mais sombria
Desfiando inteira a teia,
O que possa em fantasia
Nada mais invade a areia
E sentindo a maresia,
O que venha se receia.
O jeito mais melindroso
O caminho sem cuidado,
O temor do pedregoso
Desenhar enquanto invado
Outro tempo pavoroso
Onde houvesse algum enfado.
24
Nada mais se faz além
Do que um dia desejaste
O meu canto quando vem
Destroçando em tal desgaste
O que nada diz tão bem
Quando o todo que negaste
O viver sem ter ninguém
Traz em sonhos o contraste,
E deveras já constate
O que possa me alentar
A palavra em arremate
Tento mesmo disfarçar
Onde quer que se resgate
Nada resta em seu lugar.
25
Vendo o quanto ainda tenho
E procuro pelo menos
Entre as tramas do desenho
Quaisquer dias mais serenos,
E os meus olhos de somenos
Outros olhos, quando venho
Entranhando tais venenos
Nada mais quero e contenho,
Resumindo o fato nisto
O meu tempo não traz luz,
E se possa e já desisto
No final carrego a cruz,
E se vejo e até resisto,
Outro engano se produz.
26
Produzindo do prodígio
O que pude acreditar
No momento sem litígio
Outro tanto a desenhar
Sem deixar qualquer vestígio
Do que viva em tal sonhar
Onde possa em vão prestígio
Noutro engano mergulhar,
Dos estágios que se vêm
Nas etapas que ultrapasso,
Os meus olhos no desdém
O meu canto em teu cansaço,
O que resta e sabe bem
Dita o velho sonho escasso.
27
Nada mais se vendo após
O que tanto quis um dia
O meu mundo segue em nós
O que possa em alegria,
O desenho mais atroz
Na verdade não traria
Sendo os sonhos rudes, sós
O cantar em harmonia.
Visto o sonho e tento o passo
Entre o quanto ser não ser
Marco a vida enquanto traço
A ventura do querer,
E se possa em tal cansaço,
Nada mais pudesse ter.
28
Na incerteza aonde pude
Desenhar algum repente
O que vejo sendo rude
Não traduz o quanto sente
Quem deveras desilude
E se mostra imprevidente
O meu canto em juventude
A palavra penitente,
O sentido sem saber
Do que possa e mesmo quero,
A vontade de viver
Num momento mais sincero
Permitindo alvorecer
Todo o brilho que ora espero.
29
Acordando o que se faz
E se busca noutro verso
Onde o mundo foi audaz
Muito embora mais perverso
Desenhar o que não traz
Nos meus olhos, o universo
Vedo o passo e sei mordaz
O sentido onde disperso
Ventania eu deixo e sigo
O que pude ou mesmo tento
Na verdade estar contigo
É sanar o sofrimento,
E se vejo este perigo,
Meu desenho é mais atento.
30
Nada mais se visse quando
Outro dia irradiasse
Ouso mesmo revelando
O que possa e sempre passe
No tormento me entranhando
Desolando a velha face
O caminho desabando
Onde quer que a vida trace
A medonha desventura
O que sonha e não reluz,
A saudade me tortura
E em verdade não faz jus
Ao que tanto se procura
E deveras me seduz.
Das sementes que cultivo
A esperança brota e traz
No momento enquanto vivo
O que pudesse ser em paz,
Outro tempo mais altivo
Outra sorte mais tenaz
Na verdade o ser cativo
Esperasse o canto audaz
De quem vive o que se tenta
Na incerteza de outro passo,
Enfrentando esta tormenta
Resta apenas o cansaço
E se possa e me alimenta
Desta sorte um novo traço.
22
Encontrando no caminho
Quem decerto eu lá deixei
O meu passo em tanto espinho
Na tortura feita em lei,
O que vejo e se me alinho
Onde o rumo eu desvendei,
Traça o quanto sou sozinho
E jamais algo encontrei
A não ser o que se trace
Ministrando uma esperança
A verdade em desenlace
No final apenas lança
O que foge e se embarace
Na incerteza que nos cansa.
23
Nada mais eu poderia
Ou talvez quando incendeia
A verdade mais sombria
Desfiando inteira a teia,
O que possa em fantasia
Nada mais invade a areia
E sentindo a maresia,
O que venha se receia.
O jeito mais melindroso
O caminho sem cuidado,
O temor do pedregoso
Desenhar enquanto invado
Outro tempo pavoroso
Onde houvesse algum enfado.
24
Nada mais se faz além
Do que um dia desejaste
O meu canto quando vem
Destroçando em tal desgaste
O que nada diz tão bem
Quando o todo que negaste
O viver sem ter ninguém
Traz em sonhos o contraste,
E deveras já constate
O que possa me alentar
A palavra em arremate
Tento mesmo disfarçar
Onde quer que se resgate
Nada resta em seu lugar.
25
Vendo o quanto ainda tenho
E procuro pelo menos
Entre as tramas do desenho
Quaisquer dias mais serenos,
E os meus olhos de somenos
Outros olhos, quando venho
Entranhando tais venenos
Nada mais quero e contenho,
Resumindo o fato nisto
O meu tempo não traz luz,
E se possa e já desisto
No final carrego a cruz,
E se vejo e até resisto,
Outro engano se produz.
26
Produzindo do prodígio
O que pude acreditar
No momento sem litígio
Outro tanto a desenhar
Sem deixar qualquer vestígio
Do que viva em tal sonhar
Onde possa em vão prestígio
Noutro engano mergulhar,
Dos estágios que se vêm
Nas etapas que ultrapasso,
Os meus olhos no desdém
O meu canto em teu cansaço,
O que resta e sabe bem
Dita o velho sonho escasso.
27
Nada mais se vendo após
O que tanto quis um dia
O meu mundo segue em nós
O que possa em alegria,
O desenho mais atroz
Na verdade não traria
Sendo os sonhos rudes, sós
O cantar em harmonia.
Visto o sonho e tento o passo
Entre o quanto ser não ser
Marco a vida enquanto traço
A ventura do querer,
E se possa em tal cansaço,
Nada mais pudesse ter.
28
Na incerteza aonde pude
Desenhar algum repente
O que vejo sendo rude
Não traduz o quanto sente
Quem deveras desilude
E se mostra imprevidente
O meu canto em juventude
A palavra penitente,
O sentido sem saber
Do que possa e mesmo quero,
A vontade de viver
Num momento mais sincero
Permitindo alvorecer
Todo o brilho que ora espero.
29
Acordando o que se faz
E se busca noutro verso
Onde o mundo foi audaz
Muito embora mais perverso
Desenhar o que não traz
Nos meus olhos, o universo
Vedo o passo e sei mordaz
O sentido onde disperso
Ventania eu deixo e sigo
O que pude ou mesmo tento
Na verdade estar contigo
É sanar o sofrimento,
E se vejo este perigo,
Meu desenho é mais atento.
30
Nada mais se visse quando
Outro dia irradiasse
Ouso mesmo revelando
O que possa e sempre passe
No tormento me entranhando
Desolando a velha face
O caminho desabando
Onde quer que a vida trace
A medonha desventura
O que sonha e não reluz,
A saudade me tortura
E em verdade não faz jus
Ao que tanto se procura
E deveras me seduz.
11
Nesta estrada mais comprida
Tantas vezes capotando
Trouxe o mundo menos brando
Sem saber qual a saída,
Esperança dividida
Dia a dia me rondando
O cenário desabando
Entremeia a despedida.
Nada mais pudera ser
Onde tanto parecer
Espreitasse uma razão
A verdade não se cala
Enfrentando fogo e bala,
Na incerteza em provisão.
12
Onde o tempo faz sentido
E se mostra mais atroz
No caminho dividido
Entre o nunca e o logo após
O momento presumido
A versão dura e feroz,
Engolindo o resumido
Desvendar ora sem voz,
Nas tramóias da esperança
Esperneio, mas não posso
No tormento onde se lança
O que fora outrora nosso,
Na verdade quando cansa
Faz da vida este destroço.
13
Jogo feito; a vida marca
A ferro e a fogo tão somente
Destruindo a velha barca
Que levasse o que se sente
Onde o tempo não abarca
Onde a rota imprevidente,
Mas a morte quando embarca
Mostra o tom impertinente
De quem sabe o que deseja
E jamais descansaria
Até vencer esta peleja
Tão medonha a cada dia,
E se esboça o que não seja
Nem sequer mais fantasia.
14
Nas picadas do caminho,
Cada curva novo atalho,
E se sigo mais sozinho
O meu canto tento e espalho,
Na verdade o mais daninho
Traz o verso aonde talho
Com temor e me avizinho
Do que tanto agora falho.
Esperava melhor sorte
E talvez um claro dia,
A palavra não conforte
Quem pudera em fantasia
Conviver com o seu corte
Onde o nada serviria.
15
Abandono esta morada
E procuro uma estalagem
Onde o tanto além do nada
Desenhando esta miragem,
A verdade desfraldada
Arrebenta esta barragem
E a versão já desenhada
Expressando em molecagem
O meu mundo em tal fastio
O meu rio mais profundo
E se possa em desafio
Noutro tom diverso inundo
O que tanto em sonho adio
E o meu canto é ledo, imundo.
16
Mas amores que encontrei
Entre tantas heresias
Dominando em dura lei
O que às vezes me trarias,
Nos teus braços mergulhei
Envolvendo em poesias
O que agora procurei
E decerto não me guias,
Entre as noites mais escuras
Entre os sonhos mais audazes
O que possa e não perduras,
Outros dias tu me trazes,
Mas bem sei que tais loucuras
São deveras curtas fases.
17
Não importa quem se vendo
Noutro tom diverso e rude,
O meu mundo em dividendo
Vem trazendo o quanto pude
E se possa no remendo
Desenhar o que me ilude,
Verso sobre o que pretendo
Mesmo quando o passo mude,
Nada mais se faz além
Do que tanto mergulhara,
O meu mundo sem ninguém
No vazio da seara
Tantas vezes já contém
O que em medo desampara.
18
Desta história feita em luta
Do momento mais venal,
O caminho em força bruta
O cenário desigual
A verdade não reluta
E transcende ao ritual,
Esquecendo a voz astuta
Onde engano é mais fatal,
No bornal das esperanças
Sem sequer qualquer aporte,
A palavra que me lanças
Traduzindo o ledo norte,
E tramando em tais mudanças
O que tanto desconforte.
19
Neste tempo feito em pós
Outro tempo se desenha
E seguindo logo após
O que possa e sempre venha
Desbancando o mais atroz
Delirar onde contenha
O meu passo mais feroz,
Ou a vida em rude senha,
Esperando de tal forma
O que nunca mais viera,
Cada passo se transforma
E a verdade destempera,
No que possa em tal reforma
Vejo ali viva quimera.
20
Aprendendo o que não quero
Ou talvez já não mereça
A saudade neste insincero
Caminhar não mais se esqueça
E mergulho enquanto espero
Sem temor e de cabeça.
No temor me destempero
E procuro o que ofereça
Outro verso ou mesmo a paz
E jamais me imaginasse
No momento onde se faz
Novamente em tolo impasse
O meu canto mais voraz
Noutro tom já se moldasse.
Nesta estrada mais comprida
Tantas vezes capotando
Trouxe o mundo menos brando
Sem saber qual a saída,
Esperança dividida
Dia a dia me rondando
O cenário desabando
Entremeia a despedida.
Nada mais pudera ser
Onde tanto parecer
Espreitasse uma razão
A verdade não se cala
Enfrentando fogo e bala,
Na incerteza em provisão.
12
Onde o tempo faz sentido
E se mostra mais atroz
No caminho dividido
Entre o nunca e o logo após
O momento presumido
A versão dura e feroz,
Engolindo o resumido
Desvendar ora sem voz,
Nas tramóias da esperança
Esperneio, mas não posso
No tormento onde se lança
O que fora outrora nosso,
Na verdade quando cansa
Faz da vida este destroço.
13
Jogo feito; a vida marca
A ferro e a fogo tão somente
Destruindo a velha barca
Que levasse o que se sente
Onde o tempo não abarca
Onde a rota imprevidente,
Mas a morte quando embarca
Mostra o tom impertinente
De quem sabe o que deseja
E jamais descansaria
Até vencer esta peleja
Tão medonha a cada dia,
E se esboça o que não seja
Nem sequer mais fantasia.
14
Nas picadas do caminho,
Cada curva novo atalho,
E se sigo mais sozinho
O meu canto tento e espalho,
Na verdade o mais daninho
Traz o verso aonde talho
Com temor e me avizinho
Do que tanto agora falho.
Esperava melhor sorte
E talvez um claro dia,
A palavra não conforte
Quem pudera em fantasia
Conviver com o seu corte
Onde o nada serviria.
15
Abandono esta morada
E procuro uma estalagem
Onde o tanto além do nada
Desenhando esta miragem,
A verdade desfraldada
Arrebenta esta barragem
E a versão já desenhada
Expressando em molecagem
O meu mundo em tal fastio
O meu rio mais profundo
E se possa em desafio
Noutro tom diverso inundo
O que tanto em sonho adio
E o meu canto é ledo, imundo.
16
Mas amores que encontrei
Entre tantas heresias
Dominando em dura lei
O que às vezes me trarias,
Nos teus braços mergulhei
Envolvendo em poesias
O que agora procurei
E decerto não me guias,
Entre as noites mais escuras
Entre os sonhos mais audazes
O que possa e não perduras,
Outros dias tu me trazes,
Mas bem sei que tais loucuras
São deveras curtas fases.
17
Não importa quem se vendo
Noutro tom diverso e rude,
O meu mundo em dividendo
Vem trazendo o quanto pude
E se possa no remendo
Desenhar o que me ilude,
Verso sobre o que pretendo
Mesmo quando o passo mude,
Nada mais se faz além
Do que tanto mergulhara,
O meu mundo sem ninguém
No vazio da seara
Tantas vezes já contém
O que em medo desampara.
18
Desta história feita em luta
Do momento mais venal,
O caminho em força bruta
O cenário desigual
A verdade não reluta
E transcende ao ritual,
Esquecendo a voz astuta
Onde engano é mais fatal,
No bornal das esperanças
Sem sequer qualquer aporte,
A palavra que me lanças
Traduzindo o ledo norte,
E tramando em tais mudanças
O que tanto desconforte.
19
Neste tempo feito em pós
Outro tempo se desenha
E seguindo logo após
O que possa e sempre venha
Desbancando o mais atroz
Delirar onde contenha
O meu passo mais feroz,
Ou a vida em rude senha,
Esperando de tal forma
O que nunca mais viera,
Cada passo se transforma
E a verdade destempera,
No que possa em tal reforma
Vejo ali viva quimera.
20
Aprendendo o que não quero
Ou talvez já não mereça
A saudade neste insincero
Caminhar não mais se esqueça
E mergulho enquanto espero
Sem temor e de cabeça.
No temor me destempero
E procuro o que ofereça
Outro verso ou mesmo a paz
E jamais me imaginasse
No momento onde se faz
Novamente em tolo impasse
O meu canto mais voraz
Noutro tom já se moldasse.
1
Ausento da esperança enquanto tento
Vencer tantas discórdias vida afora
E quando esta saudade já demora,
Eu vejo o renascer do sofrimento,
Meu verso se perdendo em desalento
O tempo a cada instante me devora
E o medo sem saber do quanto aflora
Expressa a solidão em rude vento.
E veto qualquer chance de um futuro
Aonde poderia o que procuro
Ousando nas entranhas da ilusão,
O canto se anuncia sem temores
E sei que tanto ainda enquanto fores
Os dias em tormentas se verão.
2
Não pude acreditar neste vazio
E sei do quanto a vida traz enfim,
O vento desbravando este jardim
Aonde sem sentido o fantasio,
O tempo noutro tempo sendo esguio
O pouco que inda resta traz em mim
O sonho anunciado e mesmo assim,
Apenas vejo o dia mais sombrio.
Não quero acreditar felicidade
Tampouco viver tanta ansiedade
Depois da tempestade outro tormento,
E quando me entregando ao quanto invade
Das tramas mais diversas; raro alento
E um novo caminhar, audaz, eu tento.
3
Marcando com o verso o que um dia
Pudesse ser apenas um caminho
E quando transformado em claro ninho
Deixando para trás esta agonia,
O verso que deveras se recria.
O tempo sem ter medo onde me alinho
Expressa o quanto possa e, se sozinho,
Apenas me inebrio em poesia.
Apressando o meu passo nada vem
Somente a mesma face em tal desdém
E o corte anunciado há tantos anos,
Depois dos universos que ultrapasso,
Semente diz apenas deste traço
Envolto nos mais duros desenganos.
4
Na sorte mais diversa que se vira,
O corte aprofundando na alma rude,
Depois do que se tente em plenitude,
A luta transcorrendo onde interfira,
A morte reacende qualquer pira.
O mundo se moldando em atitude
Diversa da que eu possa e se me ilude
O sonho sem proveito já transpira,
O corte a cada passo anunciado,
A vida transmitindo o seu recado
Ousando acreditar no que não veio,
Reajo, porém sei quanto é nefasto
O mundo, então decerto ora me afasto,
E sigo o meu caminho em devaneio.
5
Não pude acreditar
Nas tramas da ilusão
Aonde a dimensão
Não tente desvendar.
A vida sem lugar
Os tempos moldarão
A minha solidão,
Num canto a divagar.
O prazo determina
O fim da velha sina
Exterminando a luz,
E sei do quanto emana
A vida mais profana
E ao nada me conduz.
6
Não vejo outro caminho
Tampouco o poderia
O verso mais daninho
A sombra deste dia,
E sei do que avizinho
Em rude melodia
O tempo em vago espinho
Jamais floresceria
O parto se negando
O marco emoldurando
O canto sem sentido,
E sigo sem temor
Aonde quer e for
Sem ter o que lapido.
7
A cada novo engano
O tempo não redime
O verso que se prime
Além do mero dano,
E quando mais ufano
Do tempo onde sublime
A vida não suprime
O tempo em tom humano,
Apenas sei do fato
E quanto mais constato
Maior a intensidade,
Do sonho em perfeição
E desta solução
Invado a liberdade.
8
Não tenho uma saída
E mesmo que inda venha
A luta em tal ordenha
Traduz senda perdida,
A sorte destruída
A vida me convenha
E sei do que inda tenha
Após qualquer saída,
O resto não se vendo
E sei deste remendo
Ousando acreditar
No tempo mais sutil
Aonde o que se viu
Não trama outro lugar.
9
Apresentando apenas
As tramas mais venais
E sei do quanto esvais
E tanto me condenas,
A sorte onde envenenas
Os dias tão banais
Quisera magistrais
E sei que não serenas.
Apesar disto tudo
Aonde desiludo
Entoas outro canto,
Depois do que se fez
Em rude insensatez
O nada ora garanto.
10
Não pude e não tivera
Sequer o que inda queira
A luta derradeira
A sorte mais austera,
O preço destempera
E trama em corriqueira
Vontade o que se esgueira
Ou enfrentasse a fera.
Apesar deste tanto,
O passo que quebranto
O manto que puísse
No fundo sem sentido
Apenas dividido
Expressa uma tolice.
Ausento da esperança enquanto tento
Vencer tantas discórdias vida afora
E quando esta saudade já demora,
Eu vejo o renascer do sofrimento,
Meu verso se perdendo em desalento
O tempo a cada instante me devora
E o medo sem saber do quanto aflora
Expressa a solidão em rude vento.
E veto qualquer chance de um futuro
Aonde poderia o que procuro
Ousando nas entranhas da ilusão,
O canto se anuncia sem temores
E sei que tanto ainda enquanto fores
Os dias em tormentas se verão.
2
Não pude acreditar neste vazio
E sei do quanto a vida traz enfim,
O vento desbravando este jardim
Aonde sem sentido o fantasio,
O tempo noutro tempo sendo esguio
O pouco que inda resta traz em mim
O sonho anunciado e mesmo assim,
Apenas vejo o dia mais sombrio.
Não quero acreditar felicidade
Tampouco viver tanta ansiedade
Depois da tempestade outro tormento,
E quando me entregando ao quanto invade
Das tramas mais diversas; raro alento
E um novo caminhar, audaz, eu tento.
3
Marcando com o verso o que um dia
Pudesse ser apenas um caminho
E quando transformado em claro ninho
Deixando para trás esta agonia,
O verso que deveras se recria.
O tempo sem ter medo onde me alinho
Expressa o quanto possa e, se sozinho,
Apenas me inebrio em poesia.
Apressando o meu passo nada vem
Somente a mesma face em tal desdém
E o corte anunciado há tantos anos,
Depois dos universos que ultrapasso,
Semente diz apenas deste traço
Envolto nos mais duros desenganos.
4
Na sorte mais diversa que se vira,
O corte aprofundando na alma rude,
Depois do que se tente em plenitude,
A luta transcorrendo onde interfira,
A morte reacende qualquer pira.
O mundo se moldando em atitude
Diversa da que eu possa e se me ilude
O sonho sem proveito já transpira,
O corte a cada passo anunciado,
A vida transmitindo o seu recado
Ousando acreditar no que não veio,
Reajo, porém sei quanto é nefasto
O mundo, então decerto ora me afasto,
E sigo o meu caminho em devaneio.
5
Não pude acreditar
Nas tramas da ilusão
Aonde a dimensão
Não tente desvendar.
A vida sem lugar
Os tempos moldarão
A minha solidão,
Num canto a divagar.
O prazo determina
O fim da velha sina
Exterminando a luz,
E sei do quanto emana
A vida mais profana
E ao nada me conduz.
6
Não vejo outro caminho
Tampouco o poderia
O verso mais daninho
A sombra deste dia,
E sei do que avizinho
Em rude melodia
O tempo em vago espinho
Jamais floresceria
O parto se negando
O marco emoldurando
O canto sem sentido,
E sigo sem temor
Aonde quer e for
Sem ter o que lapido.
7
A cada novo engano
O tempo não redime
O verso que se prime
Além do mero dano,
E quando mais ufano
Do tempo onde sublime
A vida não suprime
O tempo em tom humano,
Apenas sei do fato
E quanto mais constato
Maior a intensidade,
Do sonho em perfeição
E desta solução
Invado a liberdade.
8
Não tenho uma saída
E mesmo que inda venha
A luta em tal ordenha
Traduz senda perdida,
A sorte destruída
A vida me convenha
E sei do que inda tenha
Após qualquer saída,
O resto não se vendo
E sei deste remendo
Ousando acreditar
No tempo mais sutil
Aonde o que se viu
Não trama outro lugar.
9
Apresentando apenas
As tramas mais venais
E sei do quanto esvais
E tanto me condenas,
A sorte onde envenenas
Os dias tão banais
Quisera magistrais
E sei que não serenas.
Apesar disto tudo
Aonde desiludo
Entoas outro canto,
Depois do que se fez
Em rude insensatez
O nada ora garanto.
10
Não pude e não tivera
Sequer o que inda queira
A luta derradeira
A sorte mais austera,
O preço destempera
E trama em corriqueira
Vontade o que se esgueira
Ou enfrentasse a fera.
Apesar deste tanto,
O passo que quebranto
O manto que puísse
No fundo sem sentido
Apenas dividido
Expressa uma tolice.
quinta-feira, 31 de março de 2011
471
A morte traz no olhar
O medo e nada mais
O tempo a se mostrar
Imerso em vendavais
E sei do caminhar
Em dias desiguais
E tanto a divagar
Em termos mais banais,
Resplandecendo a vida
No quanto em tom maior
Pudesse em repartida
Vontade e sei de cor
A luta empedernida
Insano em sal, suor.
472
Não quero mais o rumo
Nem mesmo a reticência
Loucura onde resumo
O tempo em vã ciência
E toda a penitência
E bebo inteiro o sumo,
E da clarividência
Aonde em vão me esfumo.
Parece com tal senso
E sei do quanto penso
E nada mais viera,
Adentro em tais vielas
E nela me revelas
As sortes desta fera.
473
Resulto do passado
E vejo o que não veio
Meu mundo desolado
O tempo onde receio,
O verso alimentado
E nisto o que rodeio,
O canto demarcado
Em tom atroz e alheio,
E sei do que se tente
Vencer o mais frequente
Cenário em rude tom,
Meu passo se presume
E nisto em tal ardume
O passo trama o dom.
474
Não quero mais sentir
O quanto se desvenda
Gerando sem porvir
O amor em leda lenda
O medo a resumir
O sonho onde se estenda
Marcando tal contenda
Sem nada a presumir.
O verso se enaltece
E sei do quanto esquece
E ruma sem saber
O tempo deslindasse
A vida num impasse
E traz o bem querer.
475
No mundo sem sentido
No canto sem proveito
Enquanto removido
O mundo onde me deito
Perfeito e resumido
O marco onde deleito
Envolto em sonho e lido
E sigo contrafeito.
Espero alguma luz
E sei do quanto tenho,
O mundo em rude cenho
No quanto ora produz,
E sinto em tolo empenho
A vida onde se abduz.
476
Jamais eu poderia
Viver o que se tente
Depois do quanto invente
Marcando em ironia
O tempo não teria
Sequer o que frequente
Ou mesmo mais contente
Expressa esta agonia,
O mundo não avança
E o passo enquanto mansa
A vida não se esconde,
E sei porquanto aonde
O manto traz no fundo
O sonho mais fecundo.
477
Ausento do que um dia
Pudesse adivinhar
E sei do imenso mar
Em noite mais sombria,
Se a lua não viria
O tempo a se negar
O quanto sonegar
O canto em harmonia
Viceja no que possa
A vida sendo nossa
Jamais se apresentasse
Depois do que pudera
Vencendo esta quimera
Em turvo desenlace.
478
Não quero qualquer canto
Nem mesmo o que se fez
Em pura insensatez
E nada mais garanto
E sei do quanto espanto
O verso em lucidez,
Marcando o que ora vês
Em puro e ledo pranto.
Redomas protegendo
De um mundo mais horrendo
Presumo o fim de tudo,
E quando mergulhara
Na sorte em vã seara
Ao fim me desiludo.
479
Acordo e te procuro
Embora nada veja
A luta malfazeja
Em tempo atroz e escuro
Ousando além do muro
No quanto mais não seja
O tempo já poreja
E marca em ledo apuro,
O verso sem sentido
O canto onde se visse
A luta que cobice
O mundo resumido
Nos ermos da esperança
Enquanto o passo avança.
480
Na velha tempestade
No verso sem provento
Exposto ao forte vento
Buscando a liberdade,
O canto que me invade
Apenas sofrimento
E vejo o quanto atento
Pudera em claridade,
Vestir o mais cruel
Cenário em ledo véu
E versejar em vão,
Somente o que resume
O mundo em tal ardume,
Imensa dimensão.
A morte traz no olhar
O medo e nada mais
O tempo a se mostrar
Imerso em vendavais
E sei do caminhar
Em dias desiguais
E tanto a divagar
Em termos mais banais,
Resplandecendo a vida
No quanto em tom maior
Pudesse em repartida
Vontade e sei de cor
A luta empedernida
Insano em sal, suor.
472
Não quero mais o rumo
Nem mesmo a reticência
Loucura onde resumo
O tempo em vã ciência
E toda a penitência
E bebo inteiro o sumo,
E da clarividência
Aonde em vão me esfumo.
Parece com tal senso
E sei do quanto penso
E nada mais viera,
Adentro em tais vielas
E nela me revelas
As sortes desta fera.
473
Resulto do passado
E vejo o que não veio
Meu mundo desolado
O tempo onde receio,
O verso alimentado
E nisto o que rodeio,
O canto demarcado
Em tom atroz e alheio,
E sei do que se tente
Vencer o mais frequente
Cenário em rude tom,
Meu passo se presume
E nisto em tal ardume
O passo trama o dom.
474
Não quero mais sentir
O quanto se desvenda
Gerando sem porvir
O amor em leda lenda
O medo a resumir
O sonho onde se estenda
Marcando tal contenda
Sem nada a presumir.
O verso se enaltece
E sei do quanto esquece
E ruma sem saber
O tempo deslindasse
A vida num impasse
E traz o bem querer.
475
No mundo sem sentido
No canto sem proveito
Enquanto removido
O mundo onde me deito
Perfeito e resumido
O marco onde deleito
Envolto em sonho e lido
E sigo contrafeito.
Espero alguma luz
E sei do quanto tenho,
O mundo em rude cenho
No quanto ora produz,
E sinto em tolo empenho
A vida onde se abduz.
476
Jamais eu poderia
Viver o que se tente
Depois do quanto invente
Marcando em ironia
O tempo não teria
Sequer o que frequente
Ou mesmo mais contente
Expressa esta agonia,
O mundo não avança
E o passo enquanto mansa
A vida não se esconde,
E sei porquanto aonde
O manto traz no fundo
O sonho mais fecundo.
477
Ausento do que um dia
Pudesse adivinhar
E sei do imenso mar
Em noite mais sombria,
Se a lua não viria
O tempo a se negar
O quanto sonegar
O canto em harmonia
Viceja no que possa
A vida sendo nossa
Jamais se apresentasse
Depois do que pudera
Vencendo esta quimera
Em turvo desenlace.
478
Não quero qualquer canto
Nem mesmo o que se fez
Em pura insensatez
E nada mais garanto
E sei do quanto espanto
O verso em lucidez,
Marcando o que ora vês
Em puro e ledo pranto.
Redomas protegendo
De um mundo mais horrendo
Presumo o fim de tudo,
E quando mergulhara
Na sorte em vã seara
Ao fim me desiludo.
479
Acordo e te procuro
Embora nada veja
A luta malfazeja
Em tempo atroz e escuro
Ousando além do muro
No quanto mais não seja
O tempo já poreja
E marca em ledo apuro,
O verso sem sentido
O canto onde se visse
A luta que cobice
O mundo resumido
Nos ermos da esperança
Enquanto o passo avança.
480
Na velha tempestade
No verso sem provento
Exposto ao forte vento
Buscando a liberdade,
O canto que me invade
Apenas sofrimento
E vejo o quanto atento
Pudera em claridade,
Vestir o mais cruel
Cenário em ledo véu
E versejar em vão,
Somente o que resume
O mundo em tal ardume,
Imensa dimensão.
461
Presumindo algum sentido
Onde o tanto não se fez
Esta rude insensatez
Noutro rumo enquanto olvido,
Pressentindo o que divido
Nessa insana estupidez,
O que sinto e agora vês
Traz o tempo enternecido.
Ouso mesmo acreditar
Nas tormentas do que um dia
Quantos sonhos poderia
Numa noite de luar,
Já não tendo outro momento,
Tão sozinho eu me atormento.
462
O cenário refletisse
O que tanto se quisera
A verdade dita a fera
E produz qualquer tolice,
O meu mundo não sentisse
A loucura enquanto espera
A saudade destempera
E meu mundo é vã crendice.
Resta pouco ou quase nada
Do que tanto quis outrora
A palavra sem demora
Resumindo em velha estada
Insensata provisão
Dos meus dias na amplidão.
463
Acredito no que um dia
Pude ver e não surtira
Tanto efeito em leda mira
E deveras trairia,
Quem se fez em harmonia
Vendo as tramas da mentira
Pode mesmo e se interfira
No final nada veria.
O meu canto em caos e medo,
Onde o sonho que concedo
Sem segredos morre além
Do momento mais sutil
Onde o quanto em luz se viu
Hoje apenas já não vem.
464
A porta que se fechara
Noutro instante traz além
Do que tanto nos convém
E decerto se escancara,
A verdade em tal seara
O momento sem ninguém
Emoção não me contém
E tampouco a noite clara,
Esquecendo o que se queira
Na verdade a derradeira
Expressão trouxesse a paz,
O meu mundo sem sustento
Quando exposto ao que ora tento
Traz o rumo mais mordaz.
465
Ao saber do que inda trago
Sem sentir qualquer temor,
Vivo em sonho o raro amor
E deveras num afago,
O meu mundo onde divago
Resumindo além da flor
Traz o quanto a se propor
Expressasse enquanto vago,
O versar sem ter mais medo
Do que possa em desenredo
Desde cedo, ascendo ao nada,
A verdade se expressasse
No vazio em desenlace
Nesta sorte desolada.
466
Não mergulho neste ocaso
E se possa em dimensão
Mais diversa direção
Transformando o mero acaso
E se possa e não me atraso
Bebo as tramas da emoção
E se perco esta amplidão
Trago o tempo e em tal descaso,
Quantas vezes; tanto eu vi
O cenário traz em si
O que possa em rude verso,
No meu pranto se renega
A vontade audaz e cega
Onde o mundo ora disperso.
467
Onde a sorte soerguesse
Meu momento sem sentir
O que possa no porvir
E talvez nada temesse
Do sentido sem promessa
Da verdade mais sutil,
O que possa e já se viu,
Onde a luta recomeça
E se tanto se deslinda
Uma expressão audaz
E o tempo traz ainda
O quanto não se faz
Jamais se vendo o quanto
Meu mundo, o desencanto.
468
Pudesse em primavera
A rara primazia
Aonde poderia
Trazer em nova esfera
O mundo que ora gera
A luta dia a dia,
O verso não traria
O quanto destempera.
Respaldos de uma sorte
E nada me conforte
Sem ter qualquer apoio,
Jamais eu pude ver
O mundo em desprazer
Das dores, o comboio.
469
Acordo e nada vendo
Sequer o que pudesse
A vida reconhece
O muito tanto horrendo
Traduz mero remendo
E trama em rude prece
O que não mais se esquece
Aos poucos não emendo,
Escolho no vazio
O tempo mais sutil
E o quanto mais sombrio
Expressa o que se viu
Vagando em pleno frio,
O manto já puiu.
470
Não quero a melhor sorte
Nem mesmo o que se tente
Vagando francamente
Aonde se conforte,
O tempo não suporte
E sigo sempre em frente
E nisto o que se enfrente
Tramasse em tal aporte,
O verso sem sentido
O canto resumido
Num tom atroz e rude,
Depois do que se veja
A vida em vã peleja
Transcende ao quanto pude.
Presumindo algum sentido
Onde o tanto não se fez
Esta rude insensatez
Noutro rumo enquanto olvido,
Pressentindo o que divido
Nessa insana estupidez,
O que sinto e agora vês
Traz o tempo enternecido.
Ouso mesmo acreditar
Nas tormentas do que um dia
Quantos sonhos poderia
Numa noite de luar,
Já não tendo outro momento,
Tão sozinho eu me atormento.
462
O cenário refletisse
O que tanto se quisera
A verdade dita a fera
E produz qualquer tolice,
O meu mundo não sentisse
A loucura enquanto espera
A saudade destempera
E meu mundo é vã crendice.
Resta pouco ou quase nada
Do que tanto quis outrora
A palavra sem demora
Resumindo em velha estada
Insensata provisão
Dos meus dias na amplidão.
463
Acredito no que um dia
Pude ver e não surtira
Tanto efeito em leda mira
E deveras trairia,
Quem se fez em harmonia
Vendo as tramas da mentira
Pode mesmo e se interfira
No final nada veria.
O meu canto em caos e medo,
Onde o sonho que concedo
Sem segredos morre além
Do momento mais sutil
Onde o quanto em luz se viu
Hoje apenas já não vem.
464
A porta que se fechara
Noutro instante traz além
Do que tanto nos convém
E decerto se escancara,
A verdade em tal seara
O momento sem ninguém
Emoção não me contém
E tampouco a noite clara,
Esquecendo o que se queira
Na verdade a derradeira
Expressão trouxesse a paz,
O meu mundo sem sustento
Quando exposto ao que ora tento
Traz o rumo mais mordaz.
465
Ao saber do que inda trago
Sem sentir qualquer temor,
Vivo em sonho o raro amor
E deveras num afago,
O meu mundo onde divago
Resumindo além da flor
Traz o quanto a se propor
Expressasse enquanto vago,
O versar sem ter mais medo
Do que possa em desenredo
Desde cedo, ascendo ao nada,
A verdade se expressasse
No vazio em desenlace
Nesta sorte desolada.
466
Não mergulho neste ocaso
E se possa em dimensão
Mais diversa direção
Transformando o mero acaso
E se possa e não me atraso
Bebo as tramas da emoção
E se perco esta amplidão
Trago o tempo e em tal descaso,
Quantas vezes; tanto eu vi
O cenário traz em si
O que possa em rude verso,
No meu pranto se renega
A vontade audaz e cega
Onde o mundo ora disperso.
467
Onde a sorte soerguesse
Meu momento sem sentir
O que possa no porvir
E talvez nada temesse
Do sentido sem promessa
Da verdade mais sutil,
O que possa e já se viu,
Onde a luta recomeça
E se tanto se deslinda
Uma expressão audaz
E o tempo traz ainda
O quanto não se faz
Jamais se vendo o quanto
Meu mundo, o desencanto.
468
Pudesse em primavera
A rara primazia
Aonde poderia
Trazer em nova esfera
O mundo que ora gera
A luta dia a dia,
O verso não traria
O quanto destempera.
Respaldos de uma sorte
E nada me conforte
Sem ter qualquer apoio,
Jamais eu pude ver
O mundo em desprazer
Das dores, o comboio.
469
Acordo e nada vendo
Sequer o que pudesse
A vida reconhece
O muito tanto horrendo
Traduz mero remendo
E trama em rude prece
O que não mais se esquece
Aos poucos não emendo,
Escolho no vazio
O tempo mais sutil
E o quanto mais sombrio
Expressa o que se viu
Vagando em pleno frio,
O manto já puiu.
470
Não quero a melhor sorte
Nem mesmo o que se tente
Vagando francamente
Aonde se conforte,
O tempo não suporte
E sigo sempre em frente
E nisto o que se enfrente
Tramasse em tal aporte,
O verso sem sentido
O canto resumido
Num tom atroz e rude,
Depois do que se veja
A vida em vã peleja
Transcende ao quanto pude.
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