Ainda vejo a sombra de quem tanto
Ousara ser diversa da esperança
Marcando cada passo como sonho
E nisto se traçando em desencanto,
A vida sem sentido ora se lança
E trago uma lembrança e assim me encanto,
O quanto mais pudesse em raro encanto
Toando dentro da alma o mesmo tanto
Que um dia se fizera e nisto lança
A voz sem mais destinos na esperança
Que possa traduzir sem desencanto
O quanto a cada dia mesmo sonho,
O dia se traduz em novo sonho
E bebo da alegria em raro encanto
E sei do mais distante desencanto
Ainda quando o tempo se fez tanto
E nisto desejasse uma esperança
E nela o que pudesse e ao fim se lança.
Meu tempo se traduz enquanto lança
A vida que deveras tanto sonho
E bebo no vazio da esperança
O quanto poderia num encanto
E sei do que se busca noutro tanto
E vence o que restara em desencanto.
O mundo se anuncia e o desencanto,
Marcando com a fúria o que ora lança
Viceja dentro da alma o quanto e tanto
Ainda se desenha em ledo sonho
E vago sem sentido e assim me encanto
Vagando o dia além de uma esperança,
O tempo na verdade em esperança
Gerando a cada passo o desencanto
E nada se processe em raro encanto
E sinto o que pudera e já se lança
E vejo quanto tente e busque um sonho
E nele o que deveras quero tanto.
O mundo neste tanto em esperança
O quanto agora sonho em desencanto
E o verso ora se lança num raro encanto.
MARCOS LOURES
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