Ainda nada mais se veja quando
O fato se repete e se traduz
No engodo costumeiro de quem sonha
Bebendo da esperança mais atroz
E quando se anuncia a rude farsa
O manto se esgarçando nada impede.
O passo que deveras tudo impede
O vento no meu rosto fosse brando
E o verso na verdade trama a farsa
E nisto o que se expressa ora traduz
O tanto quanto vejo agora atroz
Numa alegria vã tal vida sonha,
O canto se desenha e tanto sonha
Uma alma quando o passo ora se impede
E nisto se presume tanto atroz
O que se mostraria como e quando
O prazo no vazio se traduz
E o tempo se anuncia em erro e farsa.
A luta se transcorre como em farsa
Enquanto o coração vagando sonha
E gera o que decerto ora traduz
E nada do caminho a vida impede
E trama o que pudera desde quando
O sonho se fizera mais atroz,
Meu mundo na verdade o vejo atroz
E sigo o quanto sinto como farsa
E nada do que trama a vida quando
No todo quando a luta reina e sonha
Marcantes ilusões ditando o passo impede
E a sorte noutro engodo se traduz
O tanto que pudesse e não traduz
Meu mundo num cenário mais atroz
E nisto o que se faça tanto impede
Ousasse perpetrar a dura farsa
E nela o quanto a vida agora sonha
Tentando outro cenário como e quando,
A luta desde quando não traduz
O tanto quanto sonha mais atroz
Expressa e sei que a farsa nada impede.
MARCOS LOURES
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