domingo, 6 de maio de 2018

AINDA QUANDO VEJO 645


Ainda quando vejo alguma sombra
Do meu passado em rondas pela noite
O todo se perdera num momento
E o quanto poderia ter agora,
Expressa a solidão e num segundo
Eu bebo esta ilusão e sigo aquém,

Do quanto deveria vejo aquém
E sou deste passado mera sombra,
Uma alegria morre num segundo
E a tempestade invade cada noite
E neste caminhar eu sei agora
A vida não valia um só momento,

E quando se anuncia este momento
E dele o quanto vejo segue aquém
Encontro o descaminho e desde agora
Apenas sou decerto a mera sombra
Que tanto penetrando pela noite
Encontra o quanto valha num segundo,

O mundo se desenha em tal segundo
E o verso se prepara num momento
Gerando o quanto reste em plena noite
E nisto sigo mesmo sempre aquém
Do quanto poderia e em mera sombra
Expressa o que se veja desde agora,

O tempo noutro instante sabe agora
O quanto se deseja em um segundo,
E vejo do passado a mesma sombra
Que há tanto se fizera num momento
E nisto se anuncia o quanto aquém
Do sonho minha vida dita a noite

A sorte se traçando em tosca noite
E o verso se anuncia desde agora
Enquanto do meu mundo sigo aquém,
O tanto que pudesse num segundo
Ainda se mostrara no momento
Enquanto me rondasse a mesma sombra,

A vida traz a sombra e dita a noite
E sei que num momento, mesmo agora,
Eu vivo este segundo, sempre aquém...

MARCOS LOURES

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