Ao menos esperasse algum alento
Enquanto noutro passo nada vejo
Senão a mesma farsa e o sofrimento
Que expondo o sentimento ao pleno vento
Traduza a cada instante, noutro ensejo,
A dura tempestade em vão desejo,
E quanto mais pudera e assim desejo
Maior se desenhasse o meu alento
E quando se anuncia novo ensejo
O canto noutro tom agora vejo
E prenuncio então suave vento
Que traz um lenitivo ao sofrimento,
A vida tantas vezes; sofrimento,
Procuro o que de fato mais desejo
E sei do que pudera além do vento
Marcando com ternura ou mesmo alento
O todo quanto possa e quando o vejo
Expresse esta verdade noutro ensejo,
E sei que a cada passo, num ensejo
Diverso do que outrora em sofrimento
Trouxera o quanto resta e agora vejo
Marcando com brandura algum desejo
E tanto se prepara em novo alento
O quanto poderia exposto ao vento,
Meu passo na verdade em pleno vento
Açoda o que se faça em cada ensejo,
E tanto se permita e se me alento
Deixando no passado o sofrimento
E nisto se anuncia o meu desejo
Enquanto outro momento em paz eu vejo,
O mundo que deveras tanto vejo
O canto se espalhando pelo vento
O tempo dita as ordens do desejo
E sei quanto pudera neste ensejo
Depois do que colhera em sofrimento
Trazendo em claridade o raro alento
E sei que deste alento ainda vejo,
Sombras de um sofrimento, mas o vento,
Espalha noutro ensejo o atroz desejo...
MARCOS LOURESA
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