As vagas em procelas tomam a alma
Do velho marinheiro sem descanso,
O quanto se tentasse navegar
Embora sem saber a direção
Há tanto que perdera o meu timão,
Há tanto que não sei se existe cais.
O amor quando pudera ser meu cais
O caos tomando em fúria inteira esta alma
E quando se percebe sem timão
O olhar sem horizontes não descanso,
Aonde poderia a direção
Jamais se deixaria navegar.
O mundo como fosse navegar
Entranho num instante e busco o cais,
Porém por onde está, sem direção,
Tomando inteiramente o quanto há na alma
E quando mais distante, ouso o descanso.
A vida leva o leme e o meu timão,
Um timoneiro busca algum timão
E sabe que não pode navegar
E tanto se pensara no descanso,
Mas como se não vejo sequer cais
E tento acreditar no fundo da alma
Ousando noutra rota, direção,
E quando se percebe a direção
Diversa da que possa, sem timão,
Assim descarrilasse também a alma
Que tanto se tentara navegar,
Agora num ausente e vago cais
Não sabe nem sequer o que é descanso,
O olhar noutro caminho e não descanso,
O mundo sem sentido e direção
Flutua uma esperança de algum cais
E sei que sem sequer leme ou timão
Não tenho nem mais como navegar
E sinto que à deriva segue esta alma.
O quanto resta na alma sem descanso,
O velho navegar sem direção,
Sem ter algum timão, não tenho o cais...
MARCOS LOURES
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