O nada desenhando o mesmo vago
Enquanto o que se trace não restaura
A vida de quem busca e tem sua aura
No sonho quando além teimando afago,
Meu passo se prevendo em queda e dor,
Meu verso sem sentido se perdera,
O tanto que se mostre e se perdera
Aonde sem sentido tento e vago
E nisto se imagina a mera dor
E vejo o que pudesse e se restaura
E quando a solidão em luz afago
O tempo se transforma e toma esta aura,
Meu mundo se anuncia e quando da aura
Expressa o que se possa e já perdera
O sonho desenhasse o rude afago
E quando em ilusões diversas vago
O verso se transforma e não restaura
A vida num instante traça a dor,
O quanto se moldara em tanta dor,
O mundo se anuncia e sem ter aura
A luta desdenhosa ora restaura
O quanto poderia e se perdera
Gerando no final enquanto vago
A sorte sem saber de algum afago,
E a morte que deveras eu afago
O vento se moldando além da dor
E o corte se tornando imenso ou vago
O sonho se transforma e tomando a aura
No tanto quanto houvera e se perdera
Apenas o vazio ora restaura,
E quando na verdade o que restaura
Expresse o que pudesse enquanto afago
Deixando que se veja imensa dor
E nisto o que pudera e já perdera
Transforma a solidão e sei que esta aura
Expressa o quanto sigo amargo e vago,
E sei que quando vago o que restaura
Dos sonhos e desta aura não afago,
Traçando em medo o dor o que eu perdera.
MARCOS LOURES
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