O quanto se anuncia brevemente
Pudera ser diverso do que há tanto
Tentasse noutra face noutro instante
E vendo o meu final sem mais surpresa
A luta se derrama e sento à mesa
Depois de cada farsa e mesmo engano
Encontro nos teus olhos este engano
E vejo o que pudesse brevemente
Traçar a solidão em rude mesa
E o verso que desejo em outro tanto,
Apenas a verdade sem surpresa
Diria o que inda resta neste instante,
E sei que tanto possa num instante
Marcando com ternura o quanto engano
Vagando sem sentido esta surpresa
E nisto o que se possa brevemente
Eclode no caminho onde sei tanto
Que nada mais se exponha sobre a mesa,
As cartas quando abertas nesta mesa
O verso se anuncia noutro instante
E o passo que perdera não sei tanto
Vagasse sem sentido nem engano
E nisto o que se veja brevemente
Eclode no vazio sem surpresa,
Uma alma desenhada e mais surpresa
Espera o que se mostre nesta mesa
E vive o quanto pode brevemente
E noutro desvario, em rude instante,
Gerando novamente o ledo engano
Traduz o que se quer e sei que é tanto,
Ousando perceber no fim o tanto
Que pude desvendar já sem surpresa
E nisto quando muito ora me engano,
Reparo na incerteza e sobre a mesa
O todo se transforma noutro instante
E gera o que pudera brevemente,
E assim tão brevemente o que foi tanto
Explode num instante e traz surpresa
No todo sobre a mesa sem engano.
MARCOS LOURES
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