Vencido sem saber do quanto possa
Na leda resistência uma vez mais,
O mundo se presume noutro engano
E tanto quanto possa ora desabo
E vivo o que recebo em desafeto
Negando a solidão que em mim habita
Minha alma na certeza aonde habita
O todo que se tente e mesmo possa
Vagando sem sentido o desafeto
Tramando este caminho ou mesmo mais,
Ainda que se mostre onde desabo
Expressa a cada verso o velho engano,
E tanto quanto a vida trama engano
O verso não traria o que ora habita
O sonho de quem teima e já desabo,
Grassando aonde sabe que não possa
Trazendo no final o quanto mais
Pudesse numa angústia em desafeto,
O tempo dita apenas desafeto
E o vento se transforma enquanto engano
O tanto que se queira e nada mais
Enquanto a luta traça o que ora habita
Uma alma que deveras tente e possa
Marcar cada momento onde desabo
Em meio ao que decerto em dor desabo
Açoda-me completo desafeto
E sei do que tente e mesmo possa
E falo sem saber de algum engano
Viver o quanto resta e na alma habita
O sonho feito além e muito mais,
A vida se deseja e busca mais
Enquanto sem temores eu desabo
E vido o que pudesse quando habita
Uma alma feita em raro desafeto
Marcando o quanto possa cada engano
E nisto nada mais deveras possa,
O tanto que se possa ou muito mais
Expressa o quanto engano ou já desabo
Tocando o desafeto que me habita.
MARCOS LOURES
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