Eu fui; em vida, o sonho mais perfeito
Que alguém um dia pode imaginar,
A sonhadora morta devagar
Jamais teve este encanto satisfeito,
E o gozo se destoa quando feito
Em mágoa tão difícil de apagar
Espelhando os meus olhos neste mar
Vazia e solitária enfim meu deito.
E pego as minhas tramas de surpresa,
Vagando contra a enorme correnteza
Belezas que não tive; eu imagino
E quando se dobrar último sino,
O coração ainda pleno e a pino
Dos sonhos eternal e louca presa.
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