Meu prazo determina o fim do sonho
E o tempo nada traz somente leva
A luta se moldara de tal forma
Que o preço a se pagar ninguém comporta,
O verso sem sentido atrás da porta
E o vento ora espalhando o meu outono,
A vida se traduz em rude outono
E o quanto inda pudesse e mesmo sonho,
Vagando sobre o medo abrindo a porta
Enquanto este vazio dita a leva
O medo na verdade não comporta
O quanto a solidão deveras forma.
O tanto que pudera em torpe forma
Mergulha no vazio deste outono
E o prazo determina o que comporta
Gerando na verdade o quanto sonho
E nisto a solidão sempre me leva
Ao todo que pudesse abrindo a porta.
O vento se anuncia e trás à porta
A luta sem sentido que se forma
E tanto quanto a vida já me leva
Ousando no temor de um ledo outono
E nisto o que pudera trago e sonho,
Enquanto a solidão já se comporta.
Adentro no que possa e alma comporta
O todo se moldando e nesta porta
O verso se traduz em mero sonho,
E quando no final encontro a forma
Que possa traduzir o meu outono
A sorte para além dos ermos leva,
O canto se anuncia e desta leva
Apenas o meu passo se comporta
E gera o que se negue em rude outono
Marcando com terror a velha porta
Que escancarei e nada toma a forma
Do quanto poderia ser um sonho,
E quanto mais eu sonho, mais se leva,
A vida noutra forma se comporta,
Abrindo assim a porta o frio outono...
MARCOS LOURES
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