Jamais a vida trace sem sentido
O quanto desejara um navegante
Nos mares entre tantas vis procelas
As celas e os caminhos mais doridos
O todo que pudera e se pressente
Jogado sobre as pedras deste cais.
Aonde se tentasse novo cais
O tempo noutro engodo já sentido,
O tanto que podendo ora pressente
Marcado como o louco navegante
Que tente dias claros e doridos,
Em meio às calmarias e procelas.
Não tento desvendar após procelas
O quanto se desenha além do cais
E nisto se perdendo tão doridos
Os olhos sem saber de algum sentido
E nisto como um tosco navegante
Ao fim somente a morte se pressente,
E tanto quanto possa enfim pressente
O mundo sem sentir além procelas
E nada do que dite um navegante
Buscando a mansidão de qualquer cais
E nele o que pudera ter sentido
Traduz os dias rudes e doridos,
Meus versos são deveras mais doridos
E os sonhos quando o nada se pressente
Buscando no final qualquer sentido
Devastam ilusões, toscas procelas,
E o medo do futuro dita o cais
Trazendo insegurança ao navegante,
O sonho se pudera navegante
Que tanto se recende aos mais doridos
Anseios e sabendo de algum cais
Espera tanto quanto enfim pressente
O medo que tramasse tais procelas
E nisto se perdesse algum sentido,
O todo já sentido, um navegante,
Vagando entre procelas. Doloridos
Dias. E se pressente um rude cais...
MARCOS LOURES
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