O manto que se possa consagrar
O verso sem destino segue em vão
O corpo se perdendo em ilusão
E a luta recomeça a cada instante
Ousando noutro passo o mesmo nada
Enfrento a noite rude e desolada,
A sorte que se mostre desolada
O tempo não pudera consagrar
Sequer o que se veja dita o nada
E o passo molda o tempo agora em vão,
E nisto se presume num instante
O tanto que se forme em ilusão,
O verso se traduz em ilusão
E o canto traz a luta desolada
E vejo já mudando a cada instante
O passo sem sentido a consagrar
A farsa que montaste agora em vão
E trazes para a festa o mesmo nada.
O tempo se resume neste nada
E o velho caminheiro em ilusão
Encontra a velha estrada e o tempo em vão
Marcando quanto possa desolada
A luta noutra face e ao consagrar
Perdido noutro passo e noutro instante,
A vida na verdade um mero instante
E sei do quanto dite ou trague o nada
E sinto a sorte enfim nos consagrar
Moldando a mesma lenda em ilusão
Sabendo da verdade desolada
Que possa nos traçar o mesmo vão,
O quanto se pudera e sei que é vão,
O mundo noutra face em rude instante
E o quanto se mostrasse a desolada
Certeza do caminho feito em nada
Tramasse simplesmente esta ilusão
Que possa no vazio consagrar,
O todo a consagrar o sonho em vão
Apenas ilusão, e neste instante,
A sorte dita o nada. Desolada...
MARCOS LOURES
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