segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CONFLUÊNCIA

E a fúria se permite intensa em nós
Rolando sobre o leito, quais os rios,
A preencher as grutas, seus vazios,
Em busca do prazer que vem empós.

Dois rios que se encontram lá na foz,
Depois de tantos beijos e rocios,
Da inundação dos deltas e baixios,
Seguindo entrelaçados, como os nós.

Rolando juntos bem distante vão
Ardendo nas volúpias mais fogosas,
Entregues um ao outro, sem temer.

Nas tramas mais audaces da paixão,
Singrando pelas águas espumosas,
Alcançam o mar profundo do prazer.


Edir Pina de Barros

Nos abissais anseios da paixão,
Em furnas e caminhos tão diversos,
Ousando penetrar tais universos
Traçando a cada instante uma erupção,

A vida se moldando em tal vulcão
Trazendo esta emoção em claros versos,
Deixando para trás passos dispersos
Vivendo desde então esta união.

Voluptuosamente se desnuda
E a noite se anuncia em plenitude,
Ainda quando o sonho possa e ilude,

A dita se mostrara mais aguda
E assim num mesmo clímax, confluência,
Orgástico fascínio em florescência.

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