segunda-feira, 17 de outubro de 2011

17/10/2011


Urgência em ser feliz sela o cortejo
Que segue pelos ermos do meu sonho,
E quando novo dia enfim proponho
Apenas o rescaldo deste eu vejo.

E sei do quanto possa num lampejo,
Vencido pelo ocaso e mais bisonho,
Somente me restando o que proponho
E nisto sou tão mero noutro ensejo.

Restando muito pouco ou quase nada
A vida noutro tempo desenhada
Expressa a solidão do ser poeta,

Quem bebe cada gole deste lodo
Prepara-se talvez para este engodo
Enquanto a minha vida é incompleta


2


Qual pavilhão do céu tão constelado
O olhar de quem desejo em claridade,
Tocando com ternura o quanto invade
Deixando esta tristeza ora de lado.

E quando sem temor além eu brado,
A luta não presume a liberdade
E sei do quanto quis felicidade
E o tempo renegasse o manso fado.

Já nada mais pudera desde quando
O tempo sem saber já se entregando
Ao pútrido cenário em turbulência.

O amor nunca se fez tão solidário
E sei desta emoção, qual relicário
Que trama pouco a pouco esta insolvência.

3

A lua refletindo sobre o mar
Nesta argentina e bela fantasia
O quanto tantas vezes poderia
Trazer o que não canso de tramar

E sendo tão difícil desejar
A sorte que tentara e não me guia
A vida se permite em agonia
E trama o mais distante e rude amar.

Já nada mais pudera após a queda
E sei do quanto a vida agora enreda
Gerando novo passo mesmo após

Amante da esperança, o que inda trago
Expressa a mansidão e toca o afago
Deixando bem distante algum algoz.

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