quarta-feira, 29 de junho de 2011

21

Meu tempo se perdendo no passado,
Galgando qualquer sonho em plena queda,
Vasculho o que esperança não enreda
E bebo o tanto quanto ainda invado,

Já não queria o todo desenhado
Nas tramas onde a vida se envereda
Tampouco renuncio ao que empareda
A luta noutro ensaio, deslumbrado,

O rumo sem ter prumo e sem sentido,
Ainda quando tento e mesmo olvido
Meus erros são deveras contumazes,

No fundo o que me trazes não seria
Sequer o quanto pude em ironia,
Enquanto noutro tom tudo desfazes.

22

Maior que meu amor, não acredito.
O canto que se escuta, mansamente,
Tocando o que pudera e se apresente
Bem mais do que inda fora qualquer rito,

O vento agora espalha o mais bonito
Cenário aonde a vida se pressente,
Tomando com certeza a minha mente,
Ousando acreditar em cada mito.

Bastasse pelo menos um segundo
E o tanto noutro instante agora inundo
Com toda a fantasia mais plausível,

O passo após o passo se resume
No tanto esplendoroso deste lume
Tornando o nosso amor bem mais visível.

23

A morte não seria algum castigo
Deveras o que possa acreditar
Expressaria imensidão do mar
E nisto com certeza algum abrigo.

Apenas calmaria ora persigo
E sinto tão difícil encontrar
Ao menos quem me dera este lugar
Deixando no passado o sonho antigo.



Amores? Se inda os tive não mais tenho,
E quando imaginasse o tanto empenho
Na busca pelo cais inexistente...

O rumo se perdera e o predador
Ousando destroçar o sonhador
Vencendo o velho jogo, impertinente.

24

Mesclando com meus atos a utopia
No fim a cada antítese pereço,
E nada mais trouxera em adereço
Enquanto a própria sorte desvalia.

O canto se traduz em ironia
O verso perde sempre este endereço,
E sei que no final, nada mereço,
Senão a mesma espúria fantasia.

Levado pelas ondas deste mar,
O tanto que pudera imaginar
Não traz sequer a sombra da esperança,

A vida noutro tom e sem razão,
O templo se mostrara arribação
E o mundo noutro rumo ora se lança.

25

Amar e crer nas tramas deste incauto,
Vagando por estrelas constelares,
E quando na verdade mal notares,
O verso se transcende ao vão ressalto.

E a queda se anuncia em sonho lauto,
Vestindo com ternura teus luares,
Ainda que decerto tu lutares
Meu sonho noutro canto agora pauto.

O vento não traria a solução
Respostas se perderam já faz tempo,
Apenas encontrando o contratempo,

Negando qualquer tom de algum verão,
Vestígio do que fora a vida em paz,
A voz nalgum instante invade e traz.

26

Meu mundo desabasse num segundo
Gerando o caos total e sem defesas
E quando vejo apenas meras presas
No resto da esperança eu me aprofundo,

Vagando sem sentido, corpo inundo
Nas tétricas loucuras, correntezas,
Vestígios do que possam incertezas
Traçando o quanto tenha neste mundo.


Ao menos poderia renovar
O tanto que se faz a cada instante
Galgando o quanto veja doravante

Tentando novamente navegar
E veio após a dura tempestade
O sonho que transcende realidade.

27

Não quero que se faça do passado
Apenas um retrato do futuro,
O dia sem sentido quase escuro,
O sonho nalgum canto abandonado,

O tanto que desfaço enquanto evado
Saltando muitas vezes sobre o muro
Dos cantos e deveras se perduro,
O mundo noutro tom vai destroçado;

Resumos de momentos sem igual,
Aonde o que pudera bem ou mal
Ainda me domina plenamente,

A rústica expressão do sertanejo
Que vive na minha alma e que desejo
Reinasse sobre o todo finalmente.

28

Ainda que se faça da poética
Alguma dimensão que nos permita
Viver além do quanto é mais aflita
A sorte sem saber de alguma estética,

Não quero perfazer a lida aética
Tampouco noutro tom minha alma grita,
Apenas se presume o que reflita
Na fonte solidária e mais eclética.

Os erros são comuns de quem procura
Vencer a tempestade, esta loucura,
Que amarga cada instante sem prover

Qualquer ternura agora a vida trame,
E trace tão somente este ditame
Que tanto nos ajude a conviver.


29

Não vejo do que fora simples fato
Alguma sorte além da que se tenta
Sabendo do meu passo em tal tormenta
Ao menos outro engano ora constato.

Anunciando a fome em cada prato,
O corte traz a face mais sangrenta
Da velha solidão que me orienta
E deste vão caminho que retrato,

Ocasos entre frases e falsetas,
Os olhos procurando por cometas
Enquanto tu cometas desatinos,

Os sanguinários tons da melodia
Que o mundo noutra face me traria,
Até quando dobrassem velhos sinos.

30


Não bastaria apenas um sorriso
Quem sabe no final ainda veja
O tanto que se queira em benfazeja
Vontade num momento mais preciso,

E quando nos teus olhos eu matizo
O encanto que deveras azuleja
O toque mais suave que assim seja,
Gerando o quanto possa sem aviso.

Não temo nem sequer o que perdesse
O tanto que ora vejo e merecesse
Ainda sem saber do que pudera,

Expresso a solidão em rudes versos,
E neles com certeza vão imersos
Os olhos mais ferozes da pantera...

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