sábado, 13 de março de 2010

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967

Aos poucos se perdendo a confiança
Já não consigo ao menos discernir
Se ainda ao meu alcance algum porvir
E nele a tempestade sempre avança

Repondo com desdém o que não trago,
A saga de uma louca poetisa
Que tanto se propõe e não matiza
Sequer uma impressão de manso lago.

Atrozes os desníveis que ora encontro
E neles se traduz minha amargura,
Pudesse transformar minha procura
Diverso deste eterno desencontro;

Futuro mentiroso se diz grato
Somente nos meus olhos o maltrato.


968


Somente nos meus olhos o maltrato
Desejo que se fez em falsa luz,
Apenas refletindo reproduz
O vendaval que agora sei de fato.

Vivenciara ao menos um segundo
Aonde poderia em paz viver,
E tendo em minha vida o desprazer
Nas mágoas mais profanas me aprofundo.

Expondo a minha face aguardo o tapa
Medonha realidade se afigura,
Aquele a quem amei, vã criatura,
Das mãos de quem procura sempre escapa.

Uma ilusão deveras me conforte:
Ter sob o meu olhar um novo Norte.

969

Ter sob o meu olhar um novo Norte
Talvez ainda mostre à caminhante
Um dia pelo menos mais constante
Que traga com prazer algum suporte.

Esqueço dos meus erros, teus enganos,
E tudo recomeça bem ou mal,
Amar e desamar, vil ritual
Mudando num instante ritos, planos.

Não pude caminhar contra esta imensa
Força que traduzindo mera dor,
Pudesse cruelmente decompor
Gerando ora mormente a dor intensa

Distante dos meus medos, teus altares
Uma alma segue livre, ganhando ares


970

Uma alma segue livre, ganhando ares
E vaga sem destino em pleno ocaso,
Da sorte quando amarga, me defaso
Ainda me afastando dos Palmares

Que tanto disseminas vida afora,
E quando se mostrando mais inglória
Distante do que outrora quis vitória
Mergulho no vazio e vou embora.

Perceba quão dorida a caminhada
De quem ao se propor não percebia
Imensidão da dor, feito agonia
E nela se presume nova escada.

Na treva que me mundo reproduz
Anteriormente eu via alguma luz.

971

Anteriormente eu via alguma luz
Aonde se percebe totalmente
O inútil caminhar que se pressente
E ao mesmo nada sempre nos conduz.

Descrevo com carinho cada passo
E nele são mesquinhas as falácias
Terrível solidão calando audácias
E tudo o que quiser já desfaço

Não posso me calar perante à dor
Tampouco me entranhar da podridão
No amor que tanto eu quis, a negação
Permite o nada além a se propor.

E quando me mostrara ledo adendo
Austeridade é tudo o que pretendo.

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