segunda-feira, 8 de março de 2010

00644 a 00657

Encontro minha sombra nos teus braços
E faço do teu colo o meu destino
E quando junto a ti eu me alucino
Percebo quão são fortes esses laços.

Os dias muitas vezes seguem lassos
E neles meu descanso em ti, menino
É tudo o que desejo e determino
Com vigorosos, mansos, firmes passos.

Viver cada momento e sem pensar
Alçando o paraíso e te encontrar
Acolhedora imagem feita em luz.

Amar e não perder as ilusões
No mundo mais tranqüilo que ora expões
Em corpos desejosos, fartos. Nus...

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Em corpos desejosos, fartos, nus;
Momentos em que a vida se completa
O sonho de um amor jamais deleta
Caminho fabuloso reproduz

As cenas refletindo imensa luz
Na vida de quem fora outrora asceta
E agora em linha firme e sempre reta
Ao mais sublime encanto se conduz.

Vestindo esta emoção e saciada
Esqueço desta noite tão nublada
Brumosa expectativa se frustrando

E tendo sob os olhos o horizonte
E nele o sol tão belo em que se aponte
Um tempo mais suave, claro e brando.


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Um tempo mais suave, claro e brando
Anunciando a sorte de poder
Depois de tanto tempo em desprazer
A noite em frialdade vã, nevando

Durante tantos anos te esperando
Cansada de buscar e nada ver
Somente a solidão e amanhecer
Com claridade intensa deslumbrando

O olhar de uma mulher apaixonada
De tantos desvarios já cansada
Expondo o coração sem mais defesas

E tendo expectativa de outro tempo
Sem dor nem agonia ou contratempo
Repleto de raríssimas belezas.

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Repleto de raríssimas belezas
O mundo desenhado pelo sonho
E nele meus anseios eu reponho
Levada por mais fortes correntezas

E tendo uma noção de tais grandezas
Geradas pelo amor claro e risonho
Um tempo mais tranqüilo agora enfronho
Encantos traduzindo tais riquezas.

Depois das tempestades a bonança
E à sorte tão bendita amor se lança
Vencendo os velhos medos, permitindo

Um novo tempo aonde a luz se veja
Na glória delicada e tão sobeja
Fantástico momento, calmo e lindo.

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Fantástico momento, calmo e lindo
Anseio de quem vive um grande amor
E tendo nos meus braços teu calor
Desvendo um tempo aonde o sonho infindo

Deveras com carinhos prosseguindo
Mudando a minha sorte e a recompor
Fazendo no teu corpo o meu andor
Um mundo mais feliz constituindo

E dele bebo cada fantasia
Que à farta maravilha conduzia
O coração decerto maltratado

E tendo esta certeza sigo além
Vivendo cada gozo que ora vem
Matando o sofrimento, duro enfado.


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Matando o sofrimento, duro enfado
Eu vejo amanhecer de um novo dia
E nele este prazer que propicia
Maravilhoso mundo anunciado

Nos vértices dos sonhos a alegria
Traduz este momento abençoado
E dele vou bebendo de bom grado
Deliciosa fonte que sacia.

Anteriormente fora tão vazio
O mundo que em teus braços eu recrio
E dele fabulosas luzes vejo.

Tocada pelos raios deste sol,
Amor nosso bendito e bom farol
Guiando sem percalços meu desejo...

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Guiando sem percalços meu desejo
Eu sinto que talvez não veja mais
Anunciados fortes vendavais
Diversos do momento que ora almejo

E quando vejo o céu em azulejo
Desvendo seus segredos magistrais
E quero muito além nunca é demais
Viver cada prazer que assim prevejo.

E saciando a fome em tua pele
Aos delicados sonhos me compele
Delírio de um amor tão fascinante

Sabendo serei tua a vida inteira
Realidade agora costumeira
Felicidade grita a todo instante...

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Felicidade grita a todo instante
E sendo tua em noite fabulosa
Maravilhosamente a gente goza
E o mundo se transforma num rompante.

Enquanto nos teus braços me agigante
Mulher apaixonada e caprichosa
Cultivo com carinho e toda rosa
Sabendo ser deveras vaidosa

Expressa o grande amor que assim me envolve
E quando a fantasia enfim resolve
E toma a direção da claridade

Realidade expressa esta delícia
E o toque mais audaz, rara malícia
Paixão sem ter limites nos invade...

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Paixão sem ter limites nos invade
E doura meu caminho em luzes fartas
Só peço, meu amado nunca partas,
Pois junto levarás felicidade

Não quero ser escrava da saudade
Relendo o meu passado em velhas cartas
Dos sonhos que vivemos não te apartas
O amor não se traduz algema e grade.

E dando a liberdade necessária
Vivendo sem temor, nem temerária
Selando com ternura nossa história

Que tanto me apazigua e me entretém
E finalmente sei que tendo alguém
A vida não será mais merencória...

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A vida não será mais merencória
Para quem já sabe desvendar
As sendas que trazendo luz solar
Transcendem e traduzem plena glória.

Amor de forma clara e meritória
Mudando a minha vida irá mostrar
Que tudo vale à pena se sonhar
Traduzindo afinal rara vitória.

Seguindo pareada junto a ti
Um paraíso em vida conheci
Singrando belos mares vejo o cais

E nele ancoradouro desejado
E enquanto amor se mostra em alto brado
Delírios prazerosos, divinais.

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Delírios prazerosos, divinais
Bebidos no teu corpo masculino
E quando em loucas sendas me fascino
Desejo novamente e sempre mais.

O amor tu sabes bem, nunca é demais
Um anjo com sorriso cristalino
Ao mesmo tempo um homem e um menino
Em toques tão suaves, sensuais.

Não vejo mais a dor que possuíra
E incendiada a vida em tua pira
Das fráguas mais constantes, o calor

Ardentes madrugadas, dias belos,
Voltando a ter nos olhos os castelos
Vibrando na magia deste amor.

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Vibrando na magia deste amor
Não pude controlar meu pensamento
E quando se faz puro e raro alento
Constância neste encanto a se propor

Um corpo esculturado e sedutor
Cultuo tuas formas, num momento
Caminhos mais audazes ora tento
Seguindo este destino encantador.

Vivêssemos distantes não teria
No olhar esta certeza de alegria
E o medo transtornando o meu viver.

Sabendo degustar tal elixir
Da eterna juventude e permitir
As tramas mais vorazes do prazer.

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As tramas mais vorazes do prazer
Descubro no teu corpo desnudado
Distante dos temores do passado
Um dia iluminado passo a ver

E quando me fartando de beber
Momentos tanta vezes ansiados
Desejos deslumbrantes, se pecados
Em ti meu doce amado, me perder.

Esqueço dos meus erros, meus enganos
Encantos com certeza soberanos
Os planos que acalento, descobertos.

E neles desvendando o teu segredo
Envolta nos delírios deste enredo
Legando ao nunca mais velhos desertos.


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Legando ao nunca mais velhos desertos
Não posso e nem mereço mais sofrer
E quando um novo tempo passo a ver
Nestes caminhos belos ora abertos

Depois de tantos dias vãos e incertos
Na benção de um amor eu quero crer
Tramando imensidão no amanhecer
Meus braços pelos teus sendo encobertos.

Assim já se percebe o quão divino
O sol no qual com fúria me alucino
E dele perseguindo luzes, traços

E quando abrasador, cruel verão
Tomando com fulgor esta amplidão
Encontro minha sombra nos teus braços

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