1
A sombra de quem tanto desejei
Vagando pela noite escura e fria
A lua se escondendo não me guia
Distante dos meus sonhos, noutra grei.
E quando solitária eu te encontrei
Uma alma delicada se anuncia
E bebo em tua boca esta alegria
Diversa da que outrora imaginei
E ser tua mulher e companheira
Amante dedicada que se inteira
Nas ânsias de um desejo mais audaz.
Vencendo os meus temores naturais
Eu quero e te desejo muito mais,
Em ti encontrei toda a minha paz!
2
Em ti encontrei toda a minha paz
E assim ao perceber tanta beleza
A vida que se dá com tal leveza
Momento prazeroso cedo traz.
O amor se mostra sempre mais capaz
E vence com ternura e com destreza
De ti, meu caçador, quero ser presa
Delírio sem igual me satisfaz.
Pudesse a cada instante perceber
A imensidão do amor feito em prazer
Jamais eu poderia acreditar
No fim da nossa bela e longa estrada
E estando sem pensar apaixonada
Encontro nos teus braços, meu luar...
3
Encontro nos teus braços, meu luar
E cada raio diz desta saudade
E quando o amor de novo toma e invade
Não me resta senão já mergulhar
Na intensa maravilha céu e mar
Azulejando a vida com vontade
Trazendo a fantasia à realidade
E nela com certeza me entregar.
Jamais reconhecer qualquer limite
E tendo esta ilusão à qual credite
Um tempo que me espera em luzes feito
Não posso me calar e sigo assim
Vagando junto a ti e creio enfim
No sonho em que deveras me deleito.
4
No sonho em que deveras me deleito
Fazendo da esperança o dia a dia
Enquanto uma alma sonha e fantasia
Nas sendas do teu corpo tenho o leito
E vendo o teu sorriso satisfeito,
Vivenciando em paz a poesia
Cenário tão fantástico se cria
E tudo o que quiseres eu aceito,
Ser tua e prosseguir nesta ventura
Que a cada nova fase mais perdura
E vive a eternidade num momento.
Por mais que a vida mostre dissabores
Deitada nos teus braços sedutores
De toda turbulência eu me apascento.
5
De toda turbulência eu me apascento
E encontro a calmaria que buscara
Na noite enluarada plena e clara
Sentindo o teu bafejo como um vento
Macio pelo qual encontro o alento
E a vida bem melhor já se declara.
Ser tua sem pergunta ora me ampara
E deixa no passado o sofrimento.
Andara sobre brasas, pedregulhos
Agora da esperança, seus marulhos
Trazendo para a areia em ondas tantas
Tesouros que descubro junto a ti
E quando te encontrei eu me perdi
Um semideus desnudo; tu me encantas...
6
Um semideus desnudo; tu me encantas
E prometendo o gozo em que completo
O sonho num momento mais dileto
Em meio às tempestades que sei tantas.
E quando nos meus braços te agigantas
Meu prato com certeza o predileto
Num toque tanto audaz quanto indiscreto
Delícias que ofereces; louca, santas.
E o gozo se explodindo insanamente
O mundo se transforma e de repente
Deitamos em superna lassidão
Momentos prazerosos repetidos
Delírios de um amor são repartidos
Anúncios de um eterno e bom verão.
7
Anúncios de um eterno e bom verão
Encontro nos teus braços, meu amado,
A vida dando assim o seu recado
Momentos maviosos mostrarão
O rumo necessário, a direção
E nela com certeza um belo prado
Há tanto por quem sonha desejado,
Entranha-me com força a sedução.
A fêmea desejosa enfim se aflora
E sabe sem perguntas melhor hora
De ter a solução de cada anseio,
E vejo-me desnuda sob a lua
Fantástica viagem continua
Enquanto o teu divino ser rodeio.
8
Enquanto o teu divino ser rodeio
E faço dos meus sonhos, talismã
E nele mesmo quando a noite é vã
Desejos delicados tomam seio
Em túrgidas delícias banqueteio
Carícias vão cumprindo o seu afã
E sei do sol imenso na manhã
Após este luar sublime e cheio.
Servindo-te querido, te percebo
Enquanto com furor em ti me embebo,
Na bela maravilha especular
Aonde multiplicas meus prazeres
Ressonâncias nos nossos bem quereres
Um gozo que aprendi multiplicar...
9
Um gozo que aprendi multiplicar
Ensandecida em louca fantasia
Singrando novos mares poderia
Depressa começar a navegar
Com toda mansidão, bem devagar
Vibrando com ternura e poesia
No corpo de quem amo, tanto urdia
Prazer indescritível desvendar...
Sensíveis toques, beijos mais profanos,
Momentos divinais, pois soberanos
Nesta sensualíssima viagem.
Enlanguescidamente junto a ti
O Paraíso, agora eu conheci,
Não sendo nosso amor simples miragem...
10
Não sendo nosso amor simples miragem,
Eu creio noutro tempo bem mais belo,
E quando meu desejo te revelo
Percebes, pois, também esta visagem.
E sendo companheiro de viagem
O rei que imaginara em meu castelo,
No corpo sem pudores eu me anelo
Sublime a maviosa paisagem.
Perceba nos meus olhos este brilho
Enquanto em teus caminhos, louca, eu trilho
Deixando para trás velhos pudores
Insensatez floresce e vem à tona,
O medo de uma entrega me abandona
Colhendo no teu corpo belas flores...
11
Colhendo no teu corpo belas flores
Eu sinto-me deveras mais feliz,
E tendo o que em verdade sempre quis
Bebendo em profusão nossos amores,
Escrevo e te acompanho aonde fores
Vivenciar a sorte e pedir bis,
Por mais que te pareça um aprendiz
Com maestria em toques sedutores
Astutas fantasias; me concedes
E quanto com força tu me enredes
Maior é com certeza esta vontade
E sem pensar sequer em qualquer cousa
Aprendo a ler em bela e intensa lousa
Sabendo deste amor, a intensidade...
12
Sabendo deste amor, a intensidade
Eu creio ser possível ter um dia
Repleto de emoção e poesia
Bebendo da mais rara claridade,
E quando a fantasia assim me invade
Deixando para trás uma agonia,
O amor que tanto quero se recria
Reveste-se de luz em liberdade.
Estranhos os caminhos de quem tanto
Vibrando em sonhos vê no desencanto
A morte do que outrora tanto quis.
Mas sendo tua amante e companheira,
A vida florescendo por inteira
Decerto, reconheço, sou feliz.
13
Decerto, reconheço, sou feliz
E nada impedirá o amanhecer
Envolto em luzes fartas, posso ver
O sol que tantas vezes contradiz
Deixando demarcada cicatriz
O amor ao se entregar, tanto prazer,
Permite que se possa conhecer
Um tempo mais audaz que sempre quis.
E tendo esta certeza a me guiar
Nas ânsias de um delírio à beira mar
Escoltam-me as estrelas divinais
E tendo o teu carinho sempre aqui,
Imensa claridade eu percebi
Querendo sem limites, sempre mais...
14
Querendo sem limites, sempre mais
E não perdendo tempo chego a ti
O amor que tantas vezes persegui
Em noites tão felizes, sensuais.
Sabendo no teu corpo um belo cais
Navego sem temores, venho aqui
Ancoradouro em festa eu conheci
E sigo os mais profanos rituais,
Vencendo os meus temores costumeiros,
Regando com ternura estes canteiros,
Fazendo da esperança a minha lei,
Reflete-se ao luar tanta beleza
E nela vejo enfim rara surpresa
A sombra de quem tanto desejei
Nenhum comentário:
Postar um comentário