sexta-feira, 11 de junho de 2010

36151 até 36160

1

Carinho? Eu nunca soube
Tampouco saberia
Na vida amarga e fria
Que é tudo o meu coube
Bem antes que se roube
O quanto restaria
Do mundo em dor e o dia
Aonde o medo arroube
E tome sem limites
Se nada delimites
Nem mesmo em veia e sangue
Resulto desta cardo
E nele vejo o fardo
Em pântanos e mangue.

2

O quando do prazer
Deleites e delírios
Andando em tais martírios
Criando o sem querer
E tento perceber
Além dos mortos, lírios
Além de preces, círios
O quanto me embeber
Da morte e do nefasto
O verso dita o pasto
Repasto de quem sofre,
E a vida se renega
Na trama sem entrega
Na sorte em ledo cofre.

3

Amor que se transforma
Barato e sem juízo
E nele o prejuízo
Virando rumo e norma,
A sorte que deforma
Negando o que é preciso
E teima ser granizo
Enquanto me reforma,
Gerando a contraluz
Bebendo o farto pus
E pondo sempre ao lado
Pesando no meu prato
E tanto me maltrato
Gestando em mim o enfado.

4

Zelando pelo sonho
Em busca do que pude
Matando juventude
Num ar quase enfadonho
E quanto me proponho
No todo quando ilude
Tomando esta atitude
E nela me reponho
No verso e na senzala
A sorte quando fala
Vassala de outro caminho,
Esgarça plenamente
O todo se apresente
Negando sorte e ninho.

5

Reverendo entre omissas
Vontades precisões,
Mercados vendilhões
Diversos passos missas
E tanto compromissas
Enquanto em tradições
Em gangues e facções
Sem dias e premissas
Resultas nos teus ermos
E quando ditas termos
Palavras insensatas
Resistes e talvez
O quanto nada crês
Ainda assim maltratas.

6

Bandos e searas
Rostos inexatos
Beijos e maus tratos
Cortes quando amparas
Vida quando aparas
Comes nestes pratos
Olhos e retratos
Sortes mais amaras,
Vejo o quanto pude
E sem atitude
Verso sobre o mar
Do quanto em noite fria
Afoita poesia
Sem nada mais tramar.

7

Vagando em voz e riso
Cenários ondas mares
Portanto realçares
Outrora o Paraíso
Vivendo do indeciso
Caminho entre luares
Saudades e vagares
Revejo este impreciso
Medonho e caricato
E quanto mais retrato
Maior ditando o espelho
No parto sonegado
No vento em sorte e fado
Deveras me ajoelho.

8

O medo não produz
Além do que pudera
A sorte não espera
Nem mesmo me conduz
O farto dita o pus
O conto em primavera
A sorte da quimera
E nela se me opus
Pratico verso e sonho
O quanto sou bisonho
E meço a imensidão
Imerso na promessa
O tanto recomeça
E volta ao mesmo não.

9

As pernas, penas posses
Os olhos entre grises
Caminhos que desdizes
Enquanto ainda aposses
Do tempo em que remoces
Ou logo meretrizes
Fingindo cicatrizes
E delas também troces
Aporto o teu caminho
E bebo do teu vinho
Vazio e inoperante,
Marcando com temor
A falta de pudor
O mesmo degradante.


10

O peso do passado
O gosto do não visto
O tempo já previsto
O quanto deste enfado,
Mergulho e dou recado
No quando não resisto
E tento enquanto assisto
O fim ora traçado,
Deixara nas Gerais
Ternuras, temporais
E tento outras montanhas
Em mares capixabas
Ausência das piabas
Desabas quando ganhas.

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