segunda-feira, 15 de março de 2010

26934/35/36/37

26934


Em meio às gargalhadas e bravatas
Encontro minha face estropiada,
Refletindo esta espúria madrugada
Marcada por açoites e chibatas.

Satânicas imagens pululando
Açoites entre fúrias e risadas,
As costas já sanguíneas, laceradas,
Abutres me rondando em tosco bando.

Em meio às preces, velas e serpentes,
Vagando sem destino pelas sendas,
Qual fossem multidões de ritos, lendas,
Hedônicas lascivas e dementes

Satã com seu comboio; traz vergastas
“E erguendo os gládios e brandindo as hastas.”


26935


“E erguendo os gládios e brandindo as hastas”
Em vândalos e párias transformados,
Momentos tão brumosos e nublados
Vagando pelos ares, tu te afastas

E trançam sobre nós alados seres
Diversas garatujas, gargalhares,
Altares entre fogos, lupanares,
Mostrando os seus anseios e poderes.

Bisonhas caricatas, demoníacas,
Deidades desfilando uma nudez
E quando sobre a cena tu me vês
Imagens tão sutis e afrodisíacas

Assim entre terríveis penitências
Convites para os ermos das demências.


26936

Convites para os ermos das demências
Fatídicos tormentos entranhados,
Revivem mitos mortos, vãos passados,
Esgotam os limites das decências.

Ecléticos fulgores luz fugaz
Caleidoscópios vários em mosaico,
Hermética volúpia em ar arcaico
E nisto tu te ris, te satisfaz

Energúmenos seres, débeis faces
Escravizando cortes em taperas,
Aonde imaginasse primaveras
Com nuvens invernais, tu logo embaces

Quebrando imagens toscas com vergastas
“No desespero dos iconoclastas.”

26937


“No desespero dos iconoclastas”
Cultuam-se imagéticas figuras,
Em meio às claras luzes, vãs e escuras
Satânicos arcanjos, cruas pastas.

Decomposição mostra destroços
Carcaças eclodindo das masmorras
Por mais ainda tentes e socorras
Só restam dos demônios, frios ossos.

Cadáver insepulto ri-se irônico
E cadafalsos vejo entre estes tronos,
Representando assim os abandonos
Num ato genial, porquanto hedônico

Danças sensuais por instantes
Afetam meu olhar e inebriantes.

Nenhum comentário: