171
Se eu quisesse pelo menos
Num alento ter o brilho
De tais dias mais serenos
Onde apenas mal palmilho,
O que possa em tais venenos
Traça o rumo do andarilho.
Sem saber qualquer descanso,
Sem saber qualquer paragem,
O que tanto num remanso
Traduzisse tal aragem,
O caminho eu não alcanço
E findando esta viagem.
Nada mais se poderia
Transformar em alegria.
172
Sordidez de um ser qualquer
Onde o tempo perde o sumo,
Seja agora o que aprouver
E no fim nada resumo,
Encontrando o quanto houver
Deste mundo enquanto rumo.
Nada tendo em esperança
Nem sequer algum momento
Onde o passo ora se lança
E produz no alheamento
O meu verso ora balança
Entranhado em ledo vento,
Enfrentando o que não veio,
Sem destino, a morte anseio.
173
Ao abrir mão do futuro
Sem saber do que inda reste
O meu mundo eu configuro
De tal modo mais agreste
Que se possa em triste auguro
Vejo apenas o que empeste
Marcas com as garras, presas
A verdade onde pude
Ao vencer as vis surpresas
Transformar em atitude
Ânsias tantas, quando ilesas
No caminho bem mais rude.
Espalhando o tom amargo
Aonde a voz, decerto embargo.
174
Não pudesse de tal forma
Desejar o que não veio,
O meu mundo se conforma
Com o medo em raro anseio
E se possa ter em norma
O caminho em devaneio
Nada mais se vendo após
O que morto salvaria
A verdade mesmo atroz
Reina a cada novo dia,
E se possa mais veloz
Esta vã selvageria.
A incerteza se modula
Envolvida em dor e gula.
175
Não quisera ter além
Do momento mais cruel,
E se o mundo nada tem
O que resta, sempre ao léu
Caminhar sem ter alguém
Neste espaço em ferro e fel.
O meu mundo não procede
Nem o prazo determina
O que tanto a vida enrede
E renegue qualquer mina,
O momento onde se mede
No final já se extermina.
Vestimentas rudes, tendo
O cenário torpe e horrendo.
176
Nada mais se vendo enquanto
O que veja não permite
O meu mundo enquanto canto
A verdade sem limite,
E se possa em desencanto
O meu passo tanto grite.
Vestimentas variadas
Noites vagas, estrelares
E se possas, madrugadas
Entre tantos vis lugares,
As angústias deflagradas
Destroçando teus altares.
Resta apenas a incerteza
Desta morte sobre a mesa.
177
Nada mais pudera ver
Nem tampouco inda queria,
Ao sentir o desprazer
Marco em dor a fantasia,
O meu mundo a se tecer
Gera apenas a agonia.
O meu canto sem refrão
O refrão inutilmente
Estribilha em direção
Ao que possa e mesmo tente
Resumindo a redenção
Na incerteza que se sente,
Ousaria crer na paz,
Mas o tempo não a traz.
178
Comprimidos, morte e gozo,
Nada mais se faz além
Do caminho caprichoso
Onde o mundo nada tem,
E se fosse majestoso
O meu rumo em tal desdém
Nada mais se vendo enquanto
Num equânime caminho
Esperasse o que garanto
Não traduza o ser daninho
E se possa em dor e pranto
Traduzisse cada espinho.
Dos abrolhos que cultivas
As palavras corrosivas.
179
Nada mais se vendo após
O que tanto desejara
A verdade toma a voz
E resgata cada apara
Do que pude e mais feroz,
Noutro canto desprepara.
Versejando sem proveito
O meu mundo não teria
O que possa ser aceito
E sequer a fantasia,
Onde tolo eu já me deito
Vejo a noite mais sombria,
Desta lua nem sinais,
Tão somente os vendavais...
180
Resumindo o que se queira
Sem saber da qualidade
Desta sorte, a derradeira
Que deveras já degrade
A incerteza da ladeira
Traz a queda em realidade,
Ouso apenas no vazio
E não pude ter além
Do que tente em desafio
E no fundo nada tem,
Sem saber o desvario
Meu caminho diz ninguém.
Onde tive a lua em mim,
Mato em fúria este jardim.
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