terça-feira, 13 de abril de 2010

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29648

“Vejo degraus olhando para baixo”
E quando imaginara estar além
Mais alto, bem mais alto sempre vem
Enquanto vez por outro eu já me abaixo,
Assim a vida trama em seus relevos
Momentos mais diversos, glória e dor,
Também quando percebo o decompor
Ou quando envolvido por enlevos
Não posso permitir vanglória ou medo,
Tampouco resistir às tentações
Da forma que deveras tu me expões
Melhor fugir senão tudo eu concedo,
E tendo esta certeza, sigo assim,
Nem tanto no começo, nem no fim.

29649


“vejo degraus, olhando para cima,”
E tento muitas vezes desvendar
Pensando no que possa até achar
Mantendo desde sempre o mesmo clima,
Não posso mais calar esta vontade
E quanto mais audaz, maior a fúria,
Porém não suportando alguma incúria
Tampouco qualquer fato que degrade,
Seguindo mansamente o meu caminho
Encontro pedregulhos e espinheiros
E sei que são decerto corriqueiros
E deles novamente me avizinho,
Assim nesta emboscada a vida passa,
Tão frágil se esvaindo, qual fumaça...


29650


“Por isso os seus extremos jamais acho”
Tampouco necessito descobrir
Aonde como e quando o meu porvir
Retratará bem mais que simples facho,
Redomas encontrando pelas sendas
E nelas proteção, mas tanto vejo
O quanto transcorrendo o meu desejo
Diverso do que ainda sei e atendas.
Perguntas sem respostas? Tantas tenho,
E quanto mais procuro e nada encontro,
A vida se transcorre em desencontro,
Porquanto ainda tenha muito empenho,
Descubro que não sei e não sabia
Em que resume paz ou alegria.

29651


“nem sei se vou subindo ou vou descendo”,
Somente sei que sigo e nada impede
O quanto deste sonho se procede
Ao mesmo tempo em duro dividendo
Mortalha conduzindo cada passo
Atroz os descaminhos, mas eu sinto
O quanto outrora vira quase extinto
Agora novamente assim refaço
E neste carrossel, a vida gira
E neste vendaval não sobra nada
Subida qual descida, mesma escada
A mão que acaricia a que me atira
E tantas vezes teimo contra o vão
Sabendo desta eterna negação.


29652


“já sem noção e sem fé que anima,”
Num pendular momento, subo vejo
Na queda o precipício de um desejo
Mudando o que pensara em farta estima,
Nesta estiagem vejo o duro inverno
E neste inverno penso no verão,
Assim ao se mostrar a sedução
Diversa da que sonho ou tanto interno,
Insisto neste passo rumo ao quanto
E nele mesmo entranho-me no sonho,
Enquanto cada dia recomponho,
A face molda em mim o desencanto,
Mortalhas e diversos batistérios,
A vida com terríveis, vãos mistérios.



29653


“Pelos desvãos da escada mal me erguendo,”
Não pude decifrar sorte ou temor,
E quantas vezes fujo de um amor
Sabendo desde sempre que estupendo
Caminho se diverge de outro tal
Enquanto se procura a sensação
Do todo em que não tendo direção
Caminha rumo ao fardo ritual,
Vestisse qualquer forma de prazer
Ainda me cabendo algum apelo,
Amor quando demais não quero vê-lo
Domina e desancando todo o ser,
Também se não soubesse deste encanto,
O que seria então? Mero quebranto...


29654


“em que eu exausto me quedei vencido”
Depois de ter lutado inutilmente
A vida tantas vezes se pressente
Trazendo novamente o já perdido,
Assim redemoinho de emoção
O tempo diz do tempo o que não cabe,
Até deveras vejo que quem sabe
Caminha com terror ou aversão
Enquanto não conhece outra quimera
Deveras de tocaia numa esquina
No corpo delicado da menina
Esconde-se a terrível besta fera
E tanto quanto posso me negar
Também correndo o risco do luar...

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